segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

12/12/2017
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NOSSA SENHORA DE GUADALUPE
 PADROEIRA DA AMÉRICA LATINA


Primeira Leitura: Gl 4,4-7
Irmãos, 4quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei,5a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. 6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá – ó Pai! 7Assim, já não és mais escravo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro: tudo isso, por graça de Deus.


Evangelho: Lc 1,39-47
39 Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40 Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42 Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43 Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44 Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45 Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. 46 Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47 e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”.
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No dia 12 de dezembro celebramos a festa de Nossa Senhora de Guadalupe.


A história do surgimento desta festa foi contada da seguinte maneira. O índio Juan Diego, cujo nome asteca era Cuauhtlatohayc, nasceu em 1471, perto da cidade do México, na aldeia de Cautitlán, pertencente aos índios Mazehuales.  Era então Arcebispo da cidade do México, Dom Juan de Zumárraga, franciscano basco. Era o segundo bispo da Nova Espanha.


Conforme a lenda e tradição, no Sábado, 9 de dezembro de 1531, pelas seis horas da manhã, quando o índio Juan Diego se dirigia de sua aldeia para a de Tolpetlac para assistir uma função religiosa na missão franciscana de Tratetolco, ao chegar ao monte Tepeyac, às margens do lago Texcoco, viu uma jovem de uns 15 anos, que lhe ordenou ir falar com o Bispo a fim de pedir-lhe que construísse um templo no vale próximo.


No mesmo dia a tarde por volta das 17:00 horas, Juan Diego vê novamente a jovem, e lhe relata a incredulidade do bispo e pede que escolha outro mensageiro. Porém a jovem insiste em sua missão de ir ter novamente com o bispo e pedir a construção do templo.


No dia seguinte, Domingo 10 de dezembro, às 15 horas, Juan Diego fala novamente com o bispo. O bispo ainda não acredita e pede algum sinal. Pela terceira vez a jovem lhe "aparece" e ordena a Juan Diego que volte ao monte no dia seguinte para receber o sinal pedido pelo bispo. Entretanto, no dia seguinte, Juan Diego, não vai ao monte devido a doença de seu tio Juan Bernardino.


Na madrugada do dia 12 de dezembro, terça-feira, devido a gravidade da doença de seu tio, Juan Diego sai de sua aldeia para buscar um sacerdote, e rodeia o monte para não encontrar a virgem. Mesmo assim ela lhe "aparece" e fala que seu tio ficará curado, e pede que vá ao monte buscar rosas que seria o sinal. Ao seu regresso, a virgem diz: “Estas diferentes flores são a prova, o sinal que levarás ao bispo. Diga-lhe que veja nelas meu desejo, e com isso, execute minha vontade”.


Ao mesmo tempo que Juan Diego encontra a jovem, ela "aparece" também a seu tio doente e cura instantaneamente suas enfermidades e manifesta seu nome: "Sempre Virgem Santa Maria de Guadalupe".


No dia 12 de dezembro, após a quarta "aparição", Juan Diego leva em seu poncho, como prova, rosas frescas de Toledo (e isto em pleno inverno mexicano). Já na casa do bispo, por volta do meio dia, na hora que abriu o poncho (ayate) onde estavam embrulhadas as flores, estava estampada a imagem de Nossa Senhora: "A Virgem de Tequatlaxopeuh". A mesma que hoje se venera na Basílica de Guadalupe, México. A imagem estampada é de 143 cm de altura. Durante 116 anos, de 1531 a 1647, a pintura esteve desprotegida e exibida em várias procissões solenes. A pintura resistiu à umidade e ao salitre, muito abundante e muito corrosivo naquela região, antes de ter sido secado o lago Texcoco. O tecido da tela é de tão má qualidade que deveria ter se desintegrado em questão de 20 anos, mas resistiu até hoje. A veneração popular levou piedosos e doentes a que beijassem as mãos e a face da pintura ou que fosse tocada com objetos cujo material deveria ter deteriorado ou destruído o tecido e a pintura. Só Deus pode explicar a razão de tudo isso. Não temos outra coisa para dizer sobre o ocorrido a não ser um milagre.


Em 1904, São Pio X elevou o santuário do México para a categoria da Basílica e em 1910 proclamou a Virgem de Guadalupe, Patrona de toda a América Latina. Em 1945, Pio XII deu-lhe o título de Imperatriz da América. Em 12 de outubro de 1976, inaugurou-se a nova Basílica de Guadalupe.


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ORAÇÃO À VIRGEN DE GUADALUPE


Dá-me, Mãe, Teus olhos para que com eles possa olhar, porque se com eles eu olhar, nunca voltarei a pecar.
Dá-me, Mãe, Teus lábios, para que com eles eu possa rezar, porque se com eles eu rezar, Jesus poderá me escutar.
Dá-me, Mãe, Teus braços para poder trabalhar, para que meu trabalho possa render muito mais.
Dá-me, Mãe, Teu manto, para cobrir minha maldade, pois coberto com teu manto eu chegarei ao Céu.
Dá-me, Mãe, Teu Filho, para eu poder amá-Lo. Se Tu me deres Jesus, eu não desejarei mais nada por toda a eternidade. Amém!
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O texto do evangelho lido neste dia nos fala que Maria atravessando Palestina de norte a sul com o Filho de Deus em suas entranhas, e chegando à casa de Zacarias e provocando ali cenas de entusiasmo é uma imagem muito sugestiva. Ao dizer sim, Maria aceitou ser fecundada pelo Espírito de Deus (cf. Lc 1,38). Por isso, Maria é portadora da salvação e é fonte de alegria por causa do Senhor que habita no seu coração.


O Evangelho de Lucas nos conta a história da visita de Maria a Isabel. A saudação de Isabel é uma aclamação de louvor que exalta Maria como uma pessoa feliz, abençoada, cheia de graça e do favor de Deus. Isabel experimentou o fato de que seu marido Zacarias ficou sem palavras porque não acreditava. Apesar da falta de fé de seu marido, Deus lhes dá um filho. É por isso que Isabel exalta Maria que aceitou o plano de Deus, porque se o marido que não crê foi favorecido por Deus, a que ela acreditou é a favorita de Deus.


Nós também somos anunciadores, como Maria, de boas notícias. A experiência de contato com Deus transforma qualquer cristão no verdadeiro anunciador de sua Palavra. Esse encontro ocorre quando nos abrimos para entrar em contato com os pequenos e indefesos, ao reconhecer o plano de Deus em que Ele exalta os humildes; na medida em que somos capazes de nos reconhecer como iguais e colocamos tudo ao serviço desse ideal.


O sim de Maria para a entrada de Deus na sua vida é radical. Quanto maior for a radicalidade de nosso sim a Deus, maior será nossa fecundidade e numerosos terão filhos espirituais. Eu sou chamado a ser “Pai” para ter “filhos espirituais” que salvam o mundo.


Além disso, para que sejamos fonte de alegria para os outros temos que dizer sim ao plano de Deus e deixar que o Espírito de Deus nos fecunde. Para que nossa presença se torne uma presença alegre temos que deixar Jesus ocupar nosso coração, como Maria que se deixa para que seu ventre seja habitado pelo Salvador do mundo, Jesus Cristo.


Na Anunciação o Anjo do Senhor “entrou” na casa de Maria e a “saudou”. Nessa visita Maria fez a mesma coisa: ela “entrou” na casa de Zacarias e saudou a Isabel. É a saudação da Mãe do Senhor para a mãe do Precursor do Senhor. A saudação de Maria comunica o Espírito a Isabel e ao menino. A presença do Espírito Santo em Isabel se traduz em um grito poderoso e profético: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu” (Lc 1,42-45). Aqui Isabel fala como profetisa: se sente pequena e indigna diante da visita daquela que leva em seu seio o Senhor do universo. Sobram as palavras e explicações quando alguém entra na sintonia com o Espírito. Maria leva no seu seio o Filho de Deus concebido pela obra do Espírito Santo. E a presença do Espírito Santo em Isabel faz com que Isabel glorifique a Deus. Por isso, o encontro entre Maria e sua prima Isabel é uma espécie de “pequeno Pentecostes”. Onde entra o Espírito Santo, ai entra também paz, alegria e vida divina.


A Mãe de Senhor que leva Jesus em seu seio é a causa de alegria. Ou podemos dizer de outra maneira: o Senhor no seio de Maria “empurra” Maria ao encontro dos outros, pois Jesus é a verdadeira fonte de alegria para o povo. Quando estivermos cheios de Jesus Cristo em nosso coração, a nossa presença causa a alegria e a paz para a convivência. A ausência de Cristo em nosso coração produziremos problemas na convivência.


A mulher de fé, Isabel, felicita Maria porque crê e Maria responde com uma nova e solene afirmação de fé, proclamada em forma de hino de alegria: o Magnificat. Podemos nos perguntar se nossa fé fica longe da fé de Maria tanto em consistência como em conteúdo. Isabel felicita Maria porque crê que Deus é capaz de atuar e salvar ainda que possa parecer impossível (cf. Lc 1,37). Temos esta fé que Isabel felicita? Somos capazes de acreditar em Deus até nas coisas impossíveis?


Pela fé, que se traduz na vivência do amor fraterno, é que entramos em comunhão com Jesus e com seu Pai que o enviou para nos salvar (cf. Jo 14,23-24). A fé, como foi dito, é o reconhecimento do próprio desamparo, de um lado e a aceitação do poder salvador de Deus na nossa vida, do outro lado.


O canto de Maria, o Magnificat, é algo mais que uma proclamação social. Ele nos revela que somente Deus é a riqueza verdadeira. Por isso, quem se encontra cheio de si e de suas coisas, na verdade está vazio do essencial. Somente abrindo-se à profundidade de Deus e de seu amor, ao receber a graça do perdão e ao estendê-lo para os outros, o homem chegará a converter-se verdadeiramente em rico. O exemplo máximo é a figura de Maria.
P. Vitus Gustama,svd

domingo, 10 de dezembro de 2017

11/12/2017
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MISERICÓRDIA DIVINA É MAIOR DO QUE O CAMPO DA MINHA MISÉRIA
Segunda-feira da II Semana do Advento


Primeira Leitura: Is 35,1-10
1 Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio. 2 Germine e exulte de alegria e louvores. Foi-lhe dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron; seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus. 3 Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. 4 Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”. 5 Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. 6 O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo. 7 A terra árida se transformará em lago, e a região sedenta, em fontes d’água; nas cavernas onde viviam dragões crescerá o caniço e o junco. 8 Ali haverá uma vereda e um caminho; o caminho se chamará estrada santa: por ela não passará o impuro; mas será uma estrada reta em que até os débeis não se perderão. 9 Ali não existem leões, não andam por ela animais depredadores, nem mesmo aparecem lá; os que forem libertados poderão percorrê-la, 10 os que o Senhor salvou voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos: cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto”.


Evangelho: Lc 5,17-26
17Um dia Jesus estava ensinando. À sua volta estavam sentados fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as aldeias da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. E a virtude do Senhor o levava a curar.18Uns homens traziam um paralítico num leito e procuravam fazê-lo entrar para apresentá-lo. 19Mas, não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o desceram com o leito no meio da assembleia diante de Jesus. 20Vendo-lhes a , ele disse: “Homem, teus pecados estão perdoados”. 21Os escribas e fariseus começaram a murmurar, dizendo: “Quem é este que assim blasfema?” Quem pode perdoar os pecados senão Deus?” 22Conhecendo-lhes os pensamentos, Jesus respondeu, dizendo: “Por que murmurais em vossos corações? 23O que é mais fácil dizer: ‘teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘levanta-te e anda’? 24Pois, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder de perdoar pecados — disse ao paralíticoeu te digo: levanta-te, pega o leito e vai para casa”. 25Imediatamente, diante deles, ele se levantou, tomou o leito e foi para casa, louvando a Deus. 26Todos ficaram fora de si, glorificavam a Deus e cheios de temor diziam: “Hoje vimos coisas maravilhosas!”.
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Deus Libertará Seus Fieis De Seus Sofrimentos


Durante esta segunda semana do Advento, leremos algumas passagens da segunda parte do livro de Isaías. Seu autor é outro escritor sagrado, também um profeta, chamado "o segundo Isaías", e que, sem dúvida, era um discípulo do primeiro Isaías. Sua época não é menos dramática do que a época de seu antecessor: estamos efetivamente no exílio de Babilônia. Jerusalém, como Samaria, foi destruída ... o Templo profanado e arruinado pelos exércitos inimigos e todos os judeus aptos a trabalhar foram deportados para a Babilônia, onde são condenados aos trabalhos forçados e difíceis.


Os capítulos 34-35 do livro do profeta Isaías são chamados de escatologia de Isaías. Eles formam um díptico complementar. Segundo os críticos a linguagem desses capítulos é do Deuteroisaías (Is 40-55), que foram acrescentados posteriormente ao Protoisaías (Is 1-39).


O cântico do capítulo 35 do profeta Isaías alimenta a longa história da esperança de Israel e seus profetas. As promessas são resumidas num momento em que as situações históricas em que essas promessas foram feitas quase desapareceram. Mas os destinatários da mensagem da salvação são os mesmos: os oprimidos, os doentes, os pobres e empobrecidos, os explorados, os excluídos e assim por diante.


Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar’. Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos, assim como brotarão águas no deserto e jorrarão torrentes no ermo” (Is 35,3-6).


O profeta Isaías exerce seu grande dom de consolo: encorajar a fé e o entusiasmo daqueles que, por causa de circunstâncias adversas, caíram. Deus levanta em nossos dias pessoas desse estilo, às quais devemos prestar bem atenção. Nos momentos em que sentimos tristeza e depressão ou quando nos vemos em situações desesperadas, é sempre bom ler este texto do profeta Isaías, o profeta consolador. Mas todo desejo de esperança leva consigo um desejo de conversão.


Os evangelistas descrevem as obras de Jesus de acordo com estas imagens de Isaías (Mt 11,5; Lc 4,16-22, que cita Is 61,1s). Os emissários de João Batista perguntaram a Jesus: "Você é Aquele que deve vir ou devemos esperar por outro?" Jesus responde: "Diga a João o que vocês estão vendo e ouvindo: os cegos veem e os coxos andam, os leprosos estão purificados e os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres é anunciada a Boa Nova" (Mt 11, 4s). Jesus cumpre a grande profecia de Isaías.


Um movimento esplêndido de restauração que o profeta Isaías descreve é o anúncio de um renascimento maravilhoso, começando pela natureza: o deserto se torna um jardim, cheio de belas flores. As pessoas e os povos são reanimados: os abatidos, com joelhos fracos e costas curvadas, ficarão firmes; os deprimidos se enchem de orgulho e de esperança. Isso não é um sonho. É o anúncio de uma realidade transformadora.


“É Deus que vem para vos salvar”, escreveu Isaías.  "Deus vem pessoalmente". Ele deixa tudo cheio de beleza e vida. Deus é alegria. Na passagem de Deus, tudo é renovado. Os males e tristezas acabaram. Se Deus vem, se Deus chegou, temos algo a temer?


Cada um dos sacramentos é um sinal sensível do Deus que vem pessoalmente: na Eucaristia, este é o essencial; Jesus vem até nós e está em nós. Mas isso também é verdade em todos os sacramentos. Ouro a partir da minha experiência de cada sacramento: reconciliação como um encontro com Jesus ... casamento, como um encontro com Jesus ...o batismo, como comunhão de vida com o "filho de Deus" que me transforma em filho de Deus.


Mas, não só os sacramentos são uma "vinda" de Jesus. Minha vida diária, meu apostolado, meus compromissos, minhas tarefas diárias, meus esforços na minha vida moral ... também são uma maneira de fazer Jesus "vir" ao mundo. É necessário que, na oração, dê esse significado à minha vida.


Jesus Veio Para Nos Perdoar e Salvar


Jesus está diante de um paralítico. Todos sabem que um paralítico é incapaz de fazer qualquer coisa por si mesma, mas sempre com a ajuda dos outros. Um paralítico representa uma total dependência de tudo e de todos, representa uma paralisia total.


Mas em Jesus Cristo Deus põe seu poder a disposição da incapacidade do homem, pois Deus pode salvar. O homem não pode salvar-se por si . Ele pode e deve encontrar-se com Deus que vem em Jesus Cristo. Mas para chegar até Jesus é preciso ter perseverança e superar todos os obstáculos de origem pessoal representada pela paralisia, e de origem externa representada pela multidão que se interpõe entre o necessitado (o paralítico) e Jesus (poder divino). Quando salva o homem, Deus salva por amor e com amor. O infinito poder de Jesus Cristo é o poder do Amor infinito. Não há salvação sem amor. Jesus Cristo se inclina sobre o homem nas suas misérias para salvá-lo por amor. A salvação em sentido cristão está no amor de Deus e do próximo, em adorar a Deus e em servir o próximo por amor.


Hoje através do texto do evangelho lido neste dia Jesus se apresenta realmente como nosso Salvador. Ele nos abriu a porta do céu, a porta da salvação. Nosso Senhor Jesus Cristo não somente veio para nos socorrer em nossas pobrezas (Jo 10,10). Ele é o medico de toda enfermidade, mas Ele não veio somente para curar nossas enfermidades e carregá-las sobre seus ombros (Mt 8,17). Ele veio para nos libertar da escravidão do pecado e da morte a fim de nos conduzir para a Casa Paterna (cf. Jo 14,1-6) onde todos têm espaço e convivem em paz e amor como irmãos, poisDeus é amor” (1Jo 4,8.16). Jesus é a água que fecunda nossa aridez interior, a luz daqueles que ansiavam ver, a valentia dos que se sentem acovardados. Jesus é aquele que cura, que perdoa e que salva. Como na cena do Evangelho de hoje: Jesus vê a fé daquelas pessoas que carregam o paralítico, acolheu com amabilidade o paralitico, curou-o de seu mal e perdoa-lhe seus pecados apesar do escândalo de algumas pessoas presentes.


Homem, teus pecados estão perdoados!”, disse Jesus ao paralítico. A Palavra de Deus ressoa como uma condenação da minha cegueira espiritual, da minha vida sem freio, da minha vida paralisada por causa das coisas fúteis, da minha falta de por causa das preocupações exageradas como se Deus não fosse um Pai, do meu hedonismo que me causou viver na minha solidão incurável, pois nosso coração continuará inquieto enquanto não repousar em Deus (Santo Agostinho).


A Palavra de Deus não se limita apenas em denunciar meu pecado e minha vida sem rumo, mas ela também me brinda com a grande notícia do perdão: Homem, teus pecados estão perdoados!”. Por isso, posso viver a minha liberdade que o pecado me paralisava tanto tempo. O perdão dos pecados é mais urgente do que qualquer coisa porque o pecado é a maior das desgraças que tortura ou aflige a humanidade. O Reino de Deus se manifesta, sobretudo, como reconciliação do meu ser com Deus, como nova possibilidade, dando-me a graça de voltar a empreender o caminho depois das paralisias de minha liberdade causada por minha culpa ou pelos meus pecados.


O Reino de Deus se aproxima porque Deus decidiu oferecer seu perdão aos homens: “Homem, os teus pecados estão perdoados!”. Disposto a demonstrar a força salvadora do “Evangelho do Reino de Deus”, Jesus começa a comunicar ao paralítico a Boa Notícia da reconciliação com Deus. Jesus confere o perdão libertando o homem do complexo de culpa e possibilitando sua relação com Deus e com os demais homens. Nãonotícia que seja melhor do que a notícia da reconciliação com Deus. Cada reconciliação feita é o céu que se ganha. Mas Jesus não se contenta com o perdoar os pecados e sim que tenhamos consciência de que o perdão é real e cura também as enfermidades físicas. Jesus Cristo é a encarnação da resposta de Deus ao pecado do homem, pois Ele é Aquele que foi enviado para proclamar a libertação aos prisioneiros de todo tipo de escravidão.


O perdoa bíblico é o ato pelo qual Deus põe fim a uma situação desgraçada, originada pelo pecado. É uma anistia, um ato que restabelece o ser humano em relação filial com Deus e em comunhão com os irmãos. Deus se mostra misericordioso ao perdoar; quer a conversão, não a morte, mas exige o reconhecimento da e da contrição do coração. os corações contritos recebem o dom do perdão. Se o pecado é um entregar-se ao nada, o perdão tira o homem do nada para voltar a ser uma pessoa livre. O campo de nossa miséria é muito menor do que o campo da misericórdia de Deus. Por isso, podemos melhorar nossa vida apoiando-nos na misericórdia de Deus.


É bom tirarmos alguma lição do comportamento dos escribas e fariseus. Os escribas vivem discutindo o que pode e o que não pode. Ama menos quem se preocupa apenas com as regras ou normas. As regras servem como meio para nos ajudar no alcance de nossos objetivos. Jesus, ao contráriopassa a vida fazendo o bem” (cf. At 10,38), mostrando para nós um Deus que é Pai que se preocupa com a salvação de seus filhos, todos nós. por isso, Jesus é capaz de “transgredir” uma lei por sagrada que ela possa ser considerada como o Sábado para os judeus em nome de um ser humano que está precisando de salvação ou de ajuda. O que se quer ressaltar é o sentido da missão do próprio Jesus que é uma missão de perdão e reconstrução/restauração total do homem (Mc 2,10.17ç 19,28). Por isso, Jesus faz do homem o centro de sua mensagem.  


Jesus não quer acabar ou parar com sua grande obra de salvar os homens. Por isso, não somente temos que conhecer nosso Deus de salvação que nos oferece em Jesus Cristo. Como beneficiados dos dons de Deus, temos que ser parceiros de Deus neste mundo. Temos que ser os primeiros em nos preocupar com o bem e a salvação dos demais trabalhando intensamente e utilizando todos os meios ao nosso alcance para conduzir os demais para a presença do Senhor de tal forma que também eles possam encontrar n’Ele o perdão de seus pecados e a vida eterna, a exemplo daqueles homens no evangelho de hoje que carregam o paralítico até Jesus.


Para Pensar e Refletir:


Quem não tem , continua a pensar que os mais graves problemas da humanidade são: a saúde, a economia, a gestão do poder, o subdesenvolvimento, os desequilíbrios ecológicosSomente quem tem reconhece que o mais grave problema do homem é o pecado e a falta de amor. Daí provém outros problemas maiores.
 
P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Domingo,10/12/2017
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A CONVERSÃO NOS TORNA MENSAGEIROS DE JESUS CRISTO, FILHO DE DEUS
 
II DOMINGO DO ADVENTO DO ANO B


I Leitura: Is 40,1-5.9-11
1 “Consolai o meu povo, consolai-o! — diz o vosso Deus —. 2 Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida; ela recebeu das mãos do Senhor o dobro por todos os seus pecados”. 3 Grita uma voz: “Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus. 4 Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: 5 a glória do Senhor então se manifestará, e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou. 9 Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa-nova a Sião; levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa-nova a Jerusalém, ergue a voz, não temas; dize às cidades de Judá: ‘Eis o vosso Deus, 10 eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória. 11 Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães’”.


II Leitura: 2Pd 3,8-14
8 Uma coisa vós não podeis desconhecer, caríssimos: para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. 9 O Senhor não tarda a cumprir sua promessa, como pensam alguns, achando que demora. Ele está usando de paciência para convosco. Pois não deseja que alguém se perca. Ao contrário, quer que todos venham a converter-se. 10 O dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os céus acabarão com barulho espantoso; os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão, e a terra será consumida com tudo o que nela se fez. 11 Se desse modo tudo se vai desintegrar, qual não deve ser o vosso empenho numa vida santa e piedosa, 12 enquanto esperais com anseio a vinda do Dia de Deus, quando os céus em chama se vão derreter, e os elementos, consumidos pelo fogo, se fundirão? 13 O que nós esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça. 14 Caríssimos, vivendo nessa esperança, esforçai-vos para que ele vos encontre numa vida pura e sem mancha e em paz.


Evangelho: Mc 1,1-8
1 Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2 Está escrito no livro do profeta Isaías: “Eis que envio meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho. 3 Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’” 4 Foi assim que João Batista apareceu no deserto, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados. 5 Toda a região da Judeia e todos os moradores de Jerusalém iam ao seu encontro. Confessavam os seus pecados e João os batizava no rio Jordão. 6 João se vestia com uma pele de camelo e comia gafanhotos e mel do campo. 7 E pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8 Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”.
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Estamos no Segundo Domingo do Advento. O Advento é mais do que apenas uma preparação para o Natal. Mas também é. As leituras deste Domingo são muito apropriadas para enfatizar que o Natal que nós preparamos é algo muito mais profundo, mais real, mais sério. É preparar a vinda de Jesus Cristo para nós, abrindo caminho, removendo obstáculos, crescendo em fé-esperança-caridade. Esteja pronto para seguir o Senhor mais de perto. Sair para encontrar o Senhor é algo muito mais profundo. A mensagem das leituras é uma advertência para não se deixar cativar por uma preparação superficial, consumista, sentimental do Natal.


Jesus É Cristo, Filho De Deus


O evangelho de Marcos foi escrito para responder à pergunta: “Quem é Jesus?” E ao saber quem é Jesus, o discípulo se define a partir da missão de Jesus. Logo no início do seu evangelho Marcos responde: Jesus, Messias (Cristo), Filho de Deus (1,1).


Cada um destes nomes tem uma grande importância para Mc. O primeiro nome é “Jesus”. “Jesus” significa “Deus salva”. Em todo o evangelho Jesus agirá com o poder de Deus para salvar os homens. Se Jesus é o “Deus que salva”, logo temos que ter coragem de olhar para nossa vida sobre aquilo que nos tira do caminho da salvação. Temos que ter coragem de olhar para aquilo que nos dá prazer, mas nos faz ficarmos longe do Senhor com o perigo de ser excluídos da salvação. A coragem de largar aquilo que nos dá prazer, mas nos tira da felicidade e da salvação é outro nome da conversão.


O segundo nome é “Cristo”. “Cristo” significa aquele descendente de Davi que será ungido como Rei para estabelecer o Reino definitivo de Deus no mundo. O ungido é aquele que se deixa totalmente guiar pelo Espirito de Deus. Somos chamados de cristãos. Ser cristão é ser de Cristo e portanto, ser pessoa guiada pelo Espirito de Deus. O Espirito de Deus é que renova a face da terra. O cristão é chamado a se renovar permanentemente a exemplo da natureza que, para se manter, ela se renova em cada estação.

Mc também apresenta Jesus de maneira explícita e implicitamente como “Filho de Deus”. Com este título, Mc vincula Jesus de maneira especial e única à realidade divina. Filho é, por um lado, um conceito ontológico no sentido de compartilhar a mesma vida. Por outro lado, filho é, também, um conceito funcional no sentido de atuar de acordo com este ser: receber o ser do Pai, viver em intimidade com ele, confiar nele, sentir-se protegido por ele, identificar-se com a sua vontade e realizá-la. Tanto o AT com o NT enfatizam o aspecto funcional do título (cf. Mc 1,11;9,7;13,32;14,61-64;15,39). Ser Filho é ter uma relação de caráter único, íntimo, cordial com Deus, em que o poder é compartilhado e a vontade é identificada. Como “Filho de Deus”, Jesus Cristo é consubstancial ao Pai.


Quem Acredita Em Jesus Cristo, Filho de Deus, Se Renova


O evangelista Marcos começa seu livro com esta frase: “Princípio da Boa- Nova de Jesus Cristo (Messias), Filho de Deus”. Não se trata só de início cronológico. O termo “arche” (princípio) em grego não somente significa início, mas também causa, origem, explicação. Marcos não escolhe por acaso o termo “Princípio”. O livro de Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, começa com a mesma expressão quando se relata a criação do mundo por Deus (Gn 1,1; cf. Jo 1,1).


Ao retomar essa expressão, Marcos quer dizer aos leitores e a todos nós que sua narrativa representa recriação fundamental da história da salvação com a vinda do Messias, Filho de Deus, a Boa Nova. A proclamação do Evangelho por Jesus dá origem a um mundo novo, é uma nova criação. O Evangelho, origem de um mundo novo é o acontecimento que principia com Jesus e tem nele seu fundamento. Há tanto tempo os homens esperavam um mundo novo ou uma nova criação. Eis, então, a nova realidade apareceu na pessoa de Jesus Cristo. Acreditando nele e vivendo sua vida e sua mensagem, qualquer um se renova e se torna nova criatura. Se ele se torna uma nova criatura, consequentemente ele renova também seu ambiente e as pessoas ao redor dele. Ele também sabe discernir a vontade de Deus na sua vida pois ele está com o Senhor. Tudo isto é uma Boa-Nova, pois Deus quer entrar em comunhão com as pessoas a fim de salvá-las. Em Jesus Cristo, Deus veio para dar-nos uma notícia tão sublime que até é difícil de acreditar: o amor de Deus é tão grande (cf. Jo 3,16) e tão forte que não permitirá que ninguém se perca (cf. Jo 6,39).


Até aqui, perguntemo-nos: nossas conversas ou nosso modo de falar, nossa vida são realmente boa notícia ou mensagem que traz felicidade e alegria sem fim para os outros? Ou será que somos causadores da notícia ruim? Será que somos fonte de inquietação para as pessoas ao redor? Se somos realmente cristãos, temos o dever de levar o Evangelho para os outros.


João Batista Nos Chama à Conversão Permanente


Depois desse versículo inicial, o trecho do Evangelho nos apresenta a missão de João Batista: “Eis que envio meu mensageiro à tua frente para preparar o teu caminho...”. São palavras de Deus através da boca dos profetas Isaías (Is 40,1-5) e Malaquias (Ml 3,1). Esta frase revela-nos quem é Deus?  Deus é Aquele que vê o final logo no começo. Tudo está no coração de Deus, aos poucos apareceu nos sonhos dos profetas e por fim se fez carne em Jesus Cristo. E nós estamos dentro desse processo.


Se Deus é Aquele que vê o final logo no começo, então a única coisa que podemos fazer perante Deus é entregarmo-nos nas mãos dele. Deus nos deu como exemplo a Nossa Senhora com sua frase famosa: “Faça-se em mim segundo a Sua Palavra”. Como se ela quisesse dizer: “O Senhor vê tudo: meus problemas, minhas dificuldades e grande ameaça para minha vida está na minha frente. Mas porque me escolheu para ser a mãe do Seu Filho, então, faça-se em mim segundo a Sua Palavra”. Ou como disse Pedro na pesca milagrosa: ”...por causa da sua Palavra lançarei as redes”. E deu mesmo resultado: apanhou muito peixe no pleno dia.


Para que o Messias possa chegar até as pessoas, Deus envia seu mensageiro na pessoa de João Batista para preparar o caminho desse Messias. Em João Batista encontramos as qualidades de quem está preparado para acolher os novos tempos: desprendimento que se manifesta na sobriedade do comer e do vestir(v.6) e a humildade diante da pessoa e do mistério de Jesus que se manifesta na afirmação de ser indigno de desamarrar suas sandálias(v.7). Antes de pregar a conversão, João se prepara para a vinda daquele que é maior que ele(v.8).


João Batista chama a atenção das pessoas para Jesus. João é o arauto de Cristo. Toda a sua vida fé um grito de advertência contra nossa inconsciência e nossa irresponsabilidade. Prepare os caminhos do Senhor ... reforma suas vidas! Abra seus corações ao Sagrado Coração do Redentor! Ele conclama todos para a conversão. Ele exige que se constitua uma comunidade de pessoas dispostas a mudar de vida. Ele prega uma descoberta tremenda que não é pelo fato de ser judeu que alguém se torne membro do povo eleito, mas pela vida purificada. Só desse modo O Messias se manifestará ao mundo. Muitos lhe dão ouvidos e vão em sua direção para receber o batismo de penitência. Trata-se daqueles que querem que alguma coisa ou uma vida mude, são as pessoas que cansam de viver num mundo ou numa sociedade de injustiça e de maldade.


Nós também nos deparamos frequentemente com situações intoleráveis (corrupção, injustiça social, violência etc.) e com razão esperamos uma mudança radical. Mas, por acaso, podemos exigir que os outros se convertam, quando nós não queremos mudar nossos maus hábitos, quando não estamos dispostos a renunciar aos nossos pequenos ou grandes egoísmos?  Podemos, por acaso, exigir que os ricos e os poderosos não oprimam os pobres e os fracos, se, de nossa parte, nos nossos lares continuamos mantendo um comportamento arrogante e agressivo, se nos comportamos como dominadores e donos da verdade, se no trabalho ou no grupo, nos exaltamos contra aqueles que hierarquicamente estão  “abaixo” de nós ou tratamos os outros como se eles não tivessem um mínimo conhecimento das coisas que, de fato, eles sabem muito mais do que nós, só que falta-lhes oportunidade?


Enquanto não renunciarmos aos nossos pecados, como exigia João Batista, não podemos esperar pela vinda do Salvador na nossa vida e na nossa família e pelo surgimento de uma sociedade nova e de um mundo novo.


Sabemos que faz parte da nossa natureza humana é que nós fechamos nossos olhos diante daquilo que deveríamos ver, e sobretudo, diante de nossos próprios pecados ou defeitos.  Enquanto que o primeiro passo para a conversão e para o bom relacionamento com Deus é admitir que somos pecadores, que temos defeitos, embora reconheçamos que nenhuma coisa no mundo mais duro e mais difícil do que encarar a nós mesmos, os nossos defeitos e fraquezas. Mas temos que estar conscientes de que o fim de arrogância é o início de perdão e da graça de Deus na nossa vida. Mas em qualquer retorno a Deus, a confissão dos pecados deve ser feita. O filho pródigo, antes de tomar a decisão de voltar para a casa do pai, reconhece seu pecado e se considera pecador. Mas certamente o primeiro passo para conversão e para um relacionamento verdadeiro com Deus e com o próximo é reconhecer os próprios pecados e tomar decisão de trilhar novamente os caminhos de Deus. Só assim a graça e todas as bênçãos de Deus poderão chegar até nós. Por isso, não há perdão e relacionamento verdadeiro com Deus e com o próximo sem humilhação e humildade, abandonando nossa arrogância e autossuficiência que não nos trazem vantagem nenhuma a não ser só a destruição de nossa vida.


Além disso, João Batista anuncia a vinda do Messias que batizará com o Espírito Santo. O Batismo com Espírito Santo é a realização de todas as promessas de Deus, pois ele é a comunicação pessoal de Deus com os homens. Ele entra em comunhão de amor com todos os que creem e o aceitam. Então, com essa expressão, João Batista quer nos dizer que Jesus Cristo fará desaparecer do coração dos homens o espírito mau, o impulso deturpado que impele a cometer malvadezas e comunicará a todos um Espírito novo, o Espírito de Deus, a força vital. Para isso acontecer, a conversão é a passagem obrigatória. Se não preceder a conversão pessoal e não se abrir a transcendência, não haverá eficácia real na mudança de estruturas sociais. Desde modo perpetuam-se a injustiça e a opressão do mais fraco.


Portanto, que cada um de nós saiba fazer a revisão de vida e se pergunte: quais são maus hábitos que eu devo abandonar, pois eles não trazem nenhuma vantagem para mim e para as pessoas ao meu redor? Só dessa maneira que as bênçãos de Deus vão entrar facilmente na nossa vida e na nossa família. Se não sonharemos sem fundamento.


Em relação ao tema da preparação do caminho, na Primeira Leitura, o profeta Isaías quer que Israel prepare um caminho para o Senhor. Pela sua história e experiência Israel é um povo em caminho. Isto aparece em toda a Sagrada Escritura, sobretudo, na primeira leitura de hoje, de um modo claro e preciso: de um estado de escravidão há que passar a outro estado de libertação e de paz.


A Igreja vive esse mesmo mistério. Ela mesma está “presente no mundo e é peregrina” (SC 2). Ela é herdeira das prerrogativas de Israel. Povo em caminho. A Igreja é dirigida para o cumprimento de uma comunhão total com Cristo e por isso, vive uma espiritualidade de esperança, isto é, de íntima união com Deus em Cristo que vive em sua Igreja como a Cabeça da Igreja (Cl 1,18). Como peregrino, cada cristão não deve carregar muita coisa para facilitar sua movimentação. A carga pesada no coração torna-nos parados e paralisados, pois muitas das vezes não queremos abrir mão daquilo que é passageiro.


Em seu plano de salvação, Deus coloca todo o seu amor. Ele mesmo nos enviou seu próprio Filho, o Salvador. Mas a vontade pessoal e coletiva dos homens terá que colocar toda a sinceridade de sua conversão, tornando-os disponíveis para Cristo Jesus, o Ungido de Deus que nos salva.


Com a disponibilidade para nos renovar é que podemos esperar a vinda do Senhor que não marca hora para nós, pois Ele vem como ladrão sem nenhum aviso, como escreveu o autor da Primeira Carta de São Pedro que lemos na Primeira Leitura de hoje (1Pd 3,8-14). Temos que colaborar com a graça de Deus, pois o Senhor nos dá a salvação, o perdão de nossos pecados, a graça, a vida. Quanto mais nos identificamos com a comunidade de fé, de oração, de sacrifício, de dor, de apostolado, que é a Igreja, mais profundamente participaremos da divina redenção e salvação.


O que nós esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça”, lemos na Segunda Leitura. O pensamento da vida justa é lindo: acelera a vinda do Senhor. Longe de ter medo desse fim porque é o triunfo total e definitivo do Senhor Jesus. Trata-se de novos céus e nova terra em que a justiça mora. Isso pode ser preparado a partir de agora.


A conversão profunda nos leva a sermos mensageiros de Cristo. Sejamos arautos de Cristo, como João Batista, para aqueles que não O conhecem ou não O amam. Esse é o nosso dever inescapável do Advento!
P. Vitus Gustama,SVD