quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

18/01/2018
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É PRECISO ESTAR COM JESUS NA LUTA VITORIOSA CONTRA A FORÇA DESTRUIDORA DA HUMANIDADE
Quinta-Feira Da II Semana Comum


Primeira Leitura: 1Sm 18,6-9;19,1-7
18,6 Naqueles dias, quando Davi voltou, depois de ter matado o filisteu, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, dançando e cantando alegremente ao som de tamborins e címbalos.7 E, enquanto dançavam, diziam em coro: “Saul matou mil, mas Davi matou dez mil”. 8 Saul ficou muito encolerizado com isto e não gostou nada da canção, dizendo: “A Davi deram dez mil, e a mim somente mil. Que lhe falta ainda, senão a realeza?” 9 E, a partir daquele dia, não olhou mais para Davi com bons olhos. 19,1 Saul falou a Jônatas, seu filho, e a todos os seus servos sobre sua intenção de matar Davi. Mas Jônatas, filho de Saul, amava profundamente Davi, 2 e preveniu-o a respeito disso, dizendo: “Saul, meu pai, procura matar-te; portanto, toma cuidado amanhã de manhã, e fica oculto em um esconderijo. 3 Eu mesmo sairei em companhia de meu pai, no campo, onde estiveres, e lhe falarei de ti, para ver o que ele diz, e depois te avisarei de tudo o que eu souber”. 4 Então Jônatas falou bem de Davi a Saul, seu pai, e acrescentou: “Não faças mal algum ao teu servo Davi, porque ele nunca te ofendeu. Ao contrário, o que ele tem feito foi muito proveitoso para ti. 5 Arriscou a sua vida, matando o filisteu, e o Senhor deu uma grande vitória a todo o Israel. Tu mesmo foste testemunha e te alegraste. Por que, então, pecarias, derramando sangue inocente e mandando matar Davi sem motivo?” 6 Saul, ouvindo isto, e aplacado com as razões de Jônatas, jurou: “Pela vida do Senhor, ele não será morto!” 7 Então Jônatas chamou Davi e contou-lhe tudo isto. Levou-o em seguida a Saul, para que ele retomasse o seu lugar, como antes.


Evangelho: Mc 3,7-12
Naquele tempo, 7Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galileia o seguia. 8E também muita gente da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia, foi até Jesus, porque tinham ouvido falar de tudo o que ele fazia. 9Então Jesus pediu aos discípulos que lhe providenciassem uma barca, por causa da multidão, para que não o comprimisse.10Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal jogavam-se sobre ele para tocá-lo. 11Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés, gritando: “Tu és o Filho de Deus!” 12Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era.
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A Plena Comunhão Com Deus Nos Torna Bons Amigos


Do capitulo 16 até a morte de Saul, no final do primeiro livro de Samuel, o autor do livro nos apresenta as relações entre Saul e Davi. Nestas páginas o autor coloca em evidência as qualidades que Deus exige para o rei de seu povo.


No combate entre Davi e Golias, como lemos na Primeira Leitura do dia anterior, fica evidente que Deus se serve do pequeno para ganhar dos grandes; astúcia diante da força; valentia diante do medo e confiança em Deus diante do aparato militar. Diante desta vitória e outras vitórias o povo aclama: “Saul matou mil, mas Davi matou dez mil”. Davi está cheio de qualidades. Ele é um homem inteligente e habilidoso. Sua beleza física ganha admiração das mulheres. E suas reais qualidades humanas obtêm amizades fieis entre as quais a amizade de Jônatas, filho do rei Saul.


Mas na base da aclamação popular de que Davi é objeto, Saul percebe que sua missão e seu reinado estão em jogo. Em um momento de delírio, Saul tenta matar Davi que agora vê como rival. Por duas vezes, Davi se salva da morte que Saul tenta infligir-le.  Saul, cheio de complexos e depressões psicológicas, só precisava ouvir a música das garotas a favor de Davi para ser preso ao ciúme. Por outro lado, bastante explicável, porque Davi tinha mais carisma e estava se mostrando como um bom líder militar, não só em seu duelo único com Golias, mas também em outras ações que lhe foram confiadas posteriormente.


Felizmente, seu amigo Jônatas, filho de Saul, permanece fiel a Davi e este alerta Davi sobre o que está sendo conspirado contra ele. Além disso, Jônatas consegue convencer seu pai a abandonar esse plano e promete respeitar a vida de Davi. O conflito não vai acabar por lá, porque Saul é um personagem muito inconstante.


São histórias muito humanas de amizade, inimizade e ciúmes. Deus também escreve a história através deles. Davi está sempre em boa luz, apesar de suas falhas: com qualidades humanas que atraem a amizade de homens e mulheres, com um grande coração que o levará a perdoar a Saul seu perseguidor e com grande fé em Deus, a quem, apesar de seus pecados, ele tenta lhe obedecer por sua vida inteira. No salmo, colocamos estas palavras na boca de Davi: "Eles me atacam e me perseguem o dia todo: em Deus eu confio e não tenho medo".


A história entre Saul e Davi, muitas vezes, se repete em nossa vida familiar ou comunitária. Somos psicologicamente também tão inseguros como Saul. Muitas vezes nós nos deixamos levar por ciúmes e inveja quando outros conseguem e recebem aplausos e nos fazem uma pequena sombra. Tomemos cuidado para que nosso ciúme não se torne tôxico. A toxicidade do ciúme aprisiona a vítima e o algoz. A violência familiar, em grande porcentagem, tem a ver com o ciúme. O ciúme não tem idade: há adultos ciumentos e há crianças dominadas e amamradas pelo ciúme. Não só dentro da família, pode-se ter ciúme de uma pessoa do trabalho, dos amigos. Tudo o que temos pode ser vítima do ciúme, porque o ciúme é medo de perder o que se tem.


Mas quando você é livre de coração, você atrai oportunidades. Por isso, é preciso que cada um cuide de seu interior, seu coração, pois tudo provem dele. Quando você é livre por dentro, você se torna simples. As pessoas simples atraem, as pessoas complicadas afastam. A pessoa livre transforma u mau momento em algo divertido. A pessoa livre por dentro é uma pessoa de paz. As pessoas com paz atraem. Quando você alcança a paz interior, as portas se abrem para você.


Além disso, precisamos estar atentos e conscientes de que Deus sempre coloca ao nosso lado os verdadeiros amigos, como Jônatas para Davi, para nos recolocar no caminhão de Deus respeitando a vida do próximo. Os verdadeiros amigos são nossos anjos de Deus. A verdadeira amizade nunca nos faz mal. Os verdadeiros amigos nos alertam sobre o perigo para nossa vida como aconteceu entre Jônatas e Davi: “Saul, meu pai, procura matar-te; portanto, toma cuidado amanhã de manhã, e fica oculto em um esconderijo”, disse Jônatas para Davi, seu amigo. Os bons amigos, como Jônatas, constroem pontes para superar os obstáculos e removem a dureza das tensões, oferece soluções para os problemas. O jovem Jônatas, o filho do rei Saul, possível sucessor de Saul, poderia ter motivos para o ciúme com Davi, porque seu amigo era muito mais popular que seu pai, Saul. Mas Jônatas não se deixou levar pelo ressentimento e sim pela verdadeira amizade com Davi e respeitou a verdade: “Não faças mal algum ao teu servo Davi, porque ele nunca te ofendeu. Ao contrário, o que ele tem feito foi muito proveitoso para ti. Arriscou a sua vida, matando o filisteu, e o Senhor deu uma grande vitória a todo o Israel. Tu mesmo foste testemunha e te alegraste. Por que, então, pecarias, derramando sangue inocente e mandando matar Davi sem motivo?”, disse Jônatas para seu pai, Saul. Será que você é bom amigo? Voce tem amigo?


As histórias de Saul, Davi e Jônatas são espelhos em que podemos olhar para nós mesmos e fazer um pequeno exame de consciência sobre como nossas reações estão lidando com os outros.


O Texto Do Evangelho e Suas Mensagens


1. O Bem Praticado Nos Protege Da Tentação Do Poder


E também muita gente da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia, foi até Jesus, porque tinham ouvido falar de tudo o que ele fazia” (Mc 3,8).


Segundo Marcos muitas pessoas foram ao encontro de Jesus pela seguinte razão: “Ao ouvir o que ele fazia”. Não diz que “ao ouvir o que ele dizia” e sim “o que ele fazia”. O que Jesus fazia se fazia ouvir. Sua prática fazia ruído. Suas obras para o bem das pessoas são gritantes. Provavelmente o que dizia corria de boca em boca, porque sua palavra era concreta, referida à prática. Ele acolhe e procura o bem para todos, sem exceção. Seu dizer, seguramente, também era uma forma de fazer. Dizer e fazer, simultaneamente, como formas de práticas para Jesus. Seu fazer ultrapassa sempre seu dizer.


Mesmo que se torne popular e bem conhecido por seu fazer, Jesus não se embriaga do fervor popular, de aplausos, de triunfalismos e de vanglorias. Por isso é que ele sempre se retira da multidão para manter contato com seu Pai para não cair na egolatria, no egoísmo e no egocentrismo. O Reino de Deus é sempre o centro de sua atividade.


momentos, na nossa vida, nos quais a única forma de dizer é fazer. E há também momentos, é verdade, queformas de dizer que são mais eficazes que muitas formas de fazer. Jesus, em todo caso, foi sempre orientado à prática, à construção do reino de Deus, à obra de dignificação de pessoas: com sua palavra, com testemunho pessoal e com ações concretas de libertação. Por isso, com Jesus tudo pode mudar para melhor. É como se nascesse de novo. Ele cura. Nas primeiras ginas do evangelho ele é chamado de “o Salvador”, o que dá a saúde de corpo e de alma. Jesus sente o sofrimento dos homens. A compaixão move seu coração. Em Jesus se um sentido para a dor.


Quando um cristão fizer mais o bem do que apenas falar do bem Jesus faz presente e o bem praticado faz ruído ao redor mesmo que aquele que o pratica não diga nada. O bem praticado e vivido proclama por si próprio. O bem praticado se torna pregador por aquele que o pratica. O bem praticado sempre atrai parceiros. Que nossa maneira de viver possa fazer ruído não pelo mal que cometemos, mas pelo bem que praticamos silenciosamente.


Estamos neste mundo com o único objetivo: fazer o bem e por isso, nós não podemos deixar de fazer o bem em qualquer oportunidade. Mas é fácil ser pego na armadilha de pensar que o dia de hoje não importa muito, pois ainda temos outros dias pela frente. Mas uma grande vida não é nada mais que uma seqüência de dias bem vividos, amarrados juntos como um belo colar de pérolas. Cada dia é importante e contribui para a qualidade do resultado final. O passado se foi, o futuro existe na nossa imaginação e, portanto, o dia de hoje é tudo o que cada um tem. Precisamos usá-lo sabiamente para o bem. Nossa vida não é um ensaio. As oportunidades perdidas raramente voltam.


Mas precisamos superar permanentemente a tentação contra o poder, a egolatria, isto é, fazer as coisas em função do próprio ego e não em função do bem de todos. É preciso nos mantermos em contato com Deus, o Único que nos salva. Por isso, precisamos imitar e olhar para Jesus que sempre procura o contato com Deus toda vez que a multidão quer fazer dele um rei. O mundo, ao contrário, aproveita qualquer momento de popularidade para o benefício próprio a custo da maioria que vive em miséria.  Como seguidores de Cristo precisamos olhar para nossa vida ou nossa maneira de viver para saber onde estamos a fim de saber se estamos no caminho de Cristo ou não.


2. A Humanidade Faz Caravana Ao Encontro De Deus


Muita gente da Judéia, de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia, foi até Jesus...”, relatou evangelista Marcos.


Santa Teresa de Ávila dizia: “Quero ver Deus”. Todos nós temos o mesmo desejo, como a multidão da Judéia, de Jerusalém, da Idumeia, de Tiro, de Sidônia e de outros territórios quis ir até Jesus.


A humanidade é uma imensa caravana que caminha para chegar até Deus, pois somente n’Ele se encontra o sentido de sua existência e a plenitude de sua vida. Mas no fundo ela, por si própria, é incapaz de abrir o caminho, pois a humanidade tem experiência de seus pecados, de suas dificuldades de amar e de rezar. Jesus, como o Caminho por excelência (cf. Jo 14,6), ao entrar no céu com sua humanidade (Mc 16,19; Lc 24,51; At 1,9-10) facilita a humanidade a entrar com Ele (cf. Jo 14,2-6). Jesus nos abre a porta do céu definitivamente.


3. Com Jesus venceremos a Força Destruidora


Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés, gritando: “Tu és o Filho de Deus!”.  Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era”. É interessante observar que não é a multidão que faz a exclamação de que Jesus é “Filho de Deus” e sim são os possessos, isto é, as forças do mal. Diante de Jesus que é mais forte do que qualquer força do mundo, por serFilho de Deus”, as forças do mal não aceitam ser reduzidas no seu poder, embora se trate de um poder destruidor do ser humano. Por isso, elas protestam contra Jesus, o Filho de Deus. A presença de Jesus desmascara as forças do mal que até então dominavam o ser humano, especialmente os mais fracos. Mas diante de Jesus e na Sua presença a força do mal perde seu poder e sua força. Não é por acaso que a multidão sempre vai atrás de Jesus, pois estar com Jesus significa estar com a força das forças.


Vale a pena para nós também estarmos com Jesus, pois Ele é a força de nossas forças e a vida de nossas vidas. Através do evangelista João Jesus nos recorda com as seguintes palavras: “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: Eu venci o mundo!” (Jo 16,33b).


Pedimos ao Senhor que nos a força ou capacidade para lutarmos contra o mal sob todas as suas formas: a enfermidade, a ignorância, a fome, o ódio, a indiferença, a desigualdade, a violência, a intolerância, a solidão, o pecado e outras forças destruidoras da humanidade.
P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

17/01/2018
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SALVAÇÃO DO HOMEM ESTÁ ACIMA DA LEI E DA CRENÇA
Quarta-Feira da II Semana Comum


Primeira Leitura: 1Sm 17,32-33.37.40-51
Naqueles dias, 32 Davi foi conduzido a Saul e lhe disse: “Ninguém desanime por causa desse filisteu! Eu, teu servo, lutarei contra ele”. 33 Mas Saul ponderou: “Não poderás enfrentar esse filisteu, pois tu és só ainda um jovem, e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade”. 37 Davi respondeu: “O Senhor me livrou das garras do leão e das garras do urso. Ele me salvará também das mãos deste filisteu”. Então Saul disse a Davi: “Vai, e que o Senhor esteja contigo”. 40 Em seguida, tomou o seu cajado, escolheu no regato cinco pedras bem lisas e colocou-as no seu alforje de pastor, que lhe servia de bolsa para guardar pedras. Depois, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu. 41Este, que se vinha aproximando mais e mais, precedido do seu escudeiro, 42 quando pôde ver bem Davi desprezou-o, porque era muito jovem, ruivo e de bela aparência. 43 E lhe disse: “Sou por acaso um cão, para vires a mim com um cajado?” E o filisteu amaldiçoou Davi em nome de seus deuses. 44 E acrescentou: “Vem, e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!” 45 Davi respondeu: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultastes! 46 Hoje mesmo, o Senhor te entregará em minhas mãos, e te abaterei e te cortarei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que toda a terra saiba que há um Deus em Israel. 47 E toda esta multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos”. 48 Logo que o filisteu avançou e marchou em direção a Davi, este saiu das linhas de formação e correu ao encontro do filisteu. 49 Davi meteu, então, a mão no alforje, apanhou uma pedra e arremessou-a com a funda, atingindo o filisteu na fronte com tanta força, que a pedra se encravou na sua testa e o gigante tombou com o rosto em terra. 50 E assim Davi venceu o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. 51 E, como não tinha espada na mão, correu para o filisteu, chegou junto dele, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu guerreiro mais valente, os filisteus fugiram.


Evangelho: Mc 3,1-6
Naquele tempo, 1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!”  4E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.
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É Preciso Estar Com Deus Para Vencer Todas As Batalhas Da Vida


Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultastes! Hoje mesmo, o Senhor te entregará em minhas mãos, e te abaterei e te cortarei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que toda a terra saiba que há um Deus em Israel”, disse Davi ao gigante Golias.


A Primeira Leitura nos relata a vitória de Davi sobre o gigante Golias, o filisteu. A vitória do jovem Davi contra o gigante Golias é um dos episódios bíblicos mais populares e se converteu no símbolo de como o débil, o fraco diante dos olhos do mundo e não diante dos olhos de Deus é capaz de humilhar às vezes o mais forte. “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes”, disse a Mãe do Senhor no seu Magnificat. “Se Deus é por nós, quem será contra nós ...  Somos mais fortes que vencedores pela virtude daquele que nos amou”, escreveu São Paulo aos romanos (Rm 8,31.37). Não sabemos bem como entrou Davi ao serviço do rei Saul. Mas o que o relato quer sublinhar é a intervenção de Deus em sua vitória.


A tese que o autor do livro de Samuel que estabelecer, como lição para todas as gerações, é posta nos lábios: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultastes! E toda esta multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos”.


O Salmo Responsorial (Sl 143) faz eco para a Primeira Leitura: “Um canto novo, meu Deus, vou cantar-vos, nas dez cordas da harpa louvar-vos, a vós que dais a vitória aos reis e salvais vosso servo Davi”.


Da Primeira Leitura aprendemos que Deus sempre tem caminhos cheios de surpresas. Ele usa o débil para derrotar o aparente forte diante dos olhos do mundo e fraco diante dos olhos de Deus por sua arrogância pelo fato de insultar Deus. Tanto no AT como no NT Deus se serve, às vezes explicitamente dos mais débeis ou fracos para conseguir seus planos e assim podemos entender que não são nossas forças que salvam o mundo e sim a misericórdia gratuita de Deus.


Infelizmente, tendemos a confiar mais na técnica, em nossas habilidades e nos nossos meios materiais. E pensamos que quanto mais modernos forem, melhor será o resultado. Mas a eficácia em todas as nossas empresas, em todos os nossos planos Deus nos dá: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5). Quantas vezes o mais débil e humilde, confiados em Deus, conseguiram o que os fortes não poderam.


Da história do pequeno jovem Davi contra o gigante Golias aprendemos que em nossa luta contra o mal ás vezes há a desigualdade entre as forças que temos e o poderoso mal que devemos superar. Mas jamais nos esqueçamos que Deus é nosso Força, nossa Rocha. Temos que pedir a Deus conscientemente no Pai-Nosso: “Livrai-nos do mal e não nos deixeis cair em tentação”. Somente assim é que ganharemos novas forças para continuar nossa luta. Com Deus nada se perde. Com Deus tudo se ganha.


Deus não está impressionado com a aparência ou com a grande estatura das pessoas ou do mundo. Deus nos salva sem usar armas feitas por nossas mãos. Deus somente quer que confiemos nele, naquele momento, Sua vitóris será nossa vitória, pois quem é como Deus? não é técnica, nem as armas complicadas que nos fortalecem, mas Deus que, apesar das nossas fraquezas, sempre estará conosco. O Senhor veio como nosso Salvador. Através de sua morte na cruz, o Senhor esmagou a cabeça do nosso inimigo. Quando confiramos no Senhor, cedo ou tarde a vitória chegará.


A Salvaçao Do Homem Está Acima Da Lei


O Reino de Deus propõe a reconstrução do ser humano de modo integral (de dentro e de fora). Nos evangelhos se simbolicamente que esta reconstrução vai sucedendo gradualmente: uma vez, a cura de sua vista, outra vez, de sua mão, ou transformar suas ações ressuscitar quem se encontra morto. Por isso, para Jesus deixar de fazer o bem no dia de sábado, negando uma cura para um pobre que necessita é pecar. Assim, a dinâmica do Reino também é exigente: se não reconstruirmos o homem, estaremos colaborando na sua destruição.


Continuamos ainda a acompanhar a controvérsia entre Jesus, de um lado, e os fariseus e os escribas, de outro lado. O tema da controvérsia ainda está em torno da observância do preceito de Sábado. Novamente Jesus quer manifestar sua convicção de que a lei do sábado está a serviço do homem e não o contrário. Por isso, diante de seus inimigos que espiam suas atuações Jesus cura o homem do braço paralisado. E Jesus o fez provocativamente dentro de uma sinagoga no dia de sábado.


O que tem o valor supremo: a lei ou o bem do homem e a glória de Deus? Esta é a questão nessa controvérsia. Em sua luta contra a mentalidade legalista dos fariseus, ontem Jesus disse: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”. Hoje Jesus aplica o principio para um caso concreto contra a interpretação que alguns faziam que preocupados mais com uma lei minuciosa do que com o bem das pessoas, sobretudo, com os que sofrem.


É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?”. Essa foi a pergunta de Jesus aos fariseus.


Como sabemos que o Sábado era um dos preceitos divinos mais claros e mais indiscutíveis. O Sábado era uma espécie de documento de identidade do Povo eleito. Sua observância estava rigidamente regulada. Algumas exceções eram admitidas por motivos de particular gravidade. Por exemplo, era permitido salvar a vida com a fuga, ajudar um homem em perigo ou uma mulher com dores de parto ou em caso de incêndio e assim por diante. Porém, de qualquer forma tratava-se sempre de exceções a uma regra.


Para Jesus, ao contrario, o que muda é a regra. A lei, sim, mas o legalismo, não. A lei é uma necessidade. Porém, atrás de cada lei deve respirar amor e respeito ao homem concreto. Atrás da letra está o espírito e o espírito deve prevalecer sobre a letra. Para Jesus o bem do homem está acima da observância do Sábado, e isso, não somente em caso de perigo de morte, mas em qualquer situação. “Portanto, é licito fazer o bem também no Sábado” (Mt 12,12b). Jesus proclama, assim, o valor absoluto do amor. Jesus recorda a todos que para Deus o mais importante é o homem, o bem do homem e não a regra por regra ou lei por lei. Não somente salvar a vida do homem e sim simplesmente fazer o bem a ele. A lei suprema da Igreja de Cristo são as pessoas, a salvação das pessoas. Se não a Igreja perderia sua razão de existir. A glória de Deus está sempre e unicamente no bem do homem. Não se trata de exaltar o homem constituindo-lhe centro das coisas. Mas trata-se de conhecer mais fundo o coração de Deus que ama o homem a ponto de enviar seu Filho unigênito a fim de que o homem seja salvo (Jo 3,16). O poder de Deus se manifesta no amor e nisto está sua honra. Para Jesus a observância do Sábado deve celebrar esse amor fraterno e não desmenti-lo nem negá-lo. Assim, mais uma vez, Jesus quer manifestar sua maneira de viver de que a lei do sábado está a serviço do homem e não o contrário.


“Havia, na Sinagoga, um homem com a mão seca. ‘Estende a mão’, disse Jesus. O homem com a mão seca a estendeu e a mão ficou curada”, assim relatou o evangelista Marcos.


Na antropologia bíblica, a mão está carregada de simbolismo. A mão está ligada à idéia de força e de poder. Estar na mão do outro significa estar sob o seu poder. A mão direita era sinal de força, de sabedoria e de fidelidade. Como rezamos no Credo: Jesus “ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso...”. Isto quer dizer que Jesus mostrou sua fidelidade à vontade de Deus Pai até o fim. a mão esquerda era sinal de fraqueza, de ignorância e de desgraça.


O homem do texto do evangelho de hoje está com a mão seca. É um homem sem iniciativa e incapaz de lutar por seus direitos, e por isso, é uma vitima da desumanização. Jesus é Deus que salva. Por isso, ele toma iniciativa para curar o homem a fim de humanizá-lo novamente. Com a mão curada, o homem volta a ter aptidão para fazer o bem. Ao colocar o homem no meio das pessoas, Jesus quer recordar a todos que qualquer pessoa deve ser respeitada, protegida, defendida, levada em consideração acima de qualquer lei por sagrada que ela pareça ser e acima de qualquer crença. Toda religião deve se preocupar com a salvação do homem e não com a salvação de umas regras.


Jesus quer nos relembrar que nenhuma religião ou nenhuma prática religiosa pode impedir o encontro fraterno e a vivência do amor e do respeito mútuos nem pode impedir serviço solidário. Ao contrário, os que praticam religião devem ter cada vez a sensibilidade humana, devem ser mais humanos e irmãos para com os demais. A passagem para chegar ate Deus passa necessariamente pelo irmão. O próximo é a passagem obrigatória para chegar ao céu. Qualquer um pode não encontrar Deus, mas não tem como não se cruzar com o próximo. O próximo é ocasião de salvação para mim como também sou uma ocasião de salvação para o outro. No sentido bíblico, será que minha mão, sua mão está paralisada? O que deve se fazer para deixar de ficar paralisada?
P. Vitus Gustama,svd