domingo, 27 de maio de 2018




29/05/2018
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SEGUIR JESUS PARA FORMAR UMA COMUNIDADE DE IRMÃOS ONDE TUDO É PARTILHADO
Terça-Feira Da VIII Semana Comum

Primeira Leitura: 1Pd 1,10-16
Caríssimos, 10 esta salvação tem sido objeto das investigações e meditações dos profetas. Eles profetizaram a respeito da graça que vos estava destinada. 11 Procuraram saber a que época e a que circunstâncias se referia o Espírito de Cristo, que estava neles, ao anunciar com antecedência os sofrimentos de Cristo e a glória consequente. 12 Foi-lhes revelado que, não para si mesmos, mas para vós, estavam ministrando estas coisas, que agora são anunciadas a vós por aqueles que vos pregam o evangelho em virtude do Espírito Santo, enviado do céu; revelações essas, que até os anjos desejam contemplar! 13 Por isso, aprontai a vossa mente; sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo. 14 Como filhos obedientes, não modeleis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo da vossa ignorância. 15 Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. 16 Pois está na Escritura: “Sede santos, porque eu sou santo”.


Evangelho: Mc 10,28-31
Naquele tempo, 28começou Pedro a dizer a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. 29Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna.31Muitos que agora são os primeiros serão os últimos. E muitos que agora são os últimos serão os primeiros”.
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Viver Em Cristo é Viver o Presente Lucidamente Com o Olhar Para o Futuro Salvífico


Se no dia anterior o autor da Carta de são Pedro falava da herança e da esperança que Deus nos concede em Sua misericórdia, hoje continua com o tema, mas ele situa este tema em três etapas:
  • No passado, os profetas do Antigo Testamento, inspirados já pelo Espirito de Jesus, escrutavam o futuro e “Eles profetizaram a respeito da graça que vos estava destinada”, porque “Foi-lhes revelado que, não para si mesmos, mas para vós”.
  • Agora, no presente, os pregadores cristãos, também inspirados pelo Espirito, nos anunciam a Boa Notícia: que em Jesus Cristo, em sua morte e ressurreição, cumpre-se tudo o que foi anunciado antes.
  • Todavia, fica outra perspectiva, a perspectiva do futuro: “aprontai a vossa mente; sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo”.
O autor da Carta de são Pedro, em função de tudo isso, quer que os cristãos se controlem, que vivam na obediência, que não se deixem modelar pelos desejos de antes e sim que vivam na santidade, imitando a santidade do mesmo Deus: “Sede santos, porque eu sou santo”.


Em outras palavras, o autor da Carta nos dá duas advertências no texto lido hoje. A Primeira advertência é sobre uma vida sóbria: “Aprontai a vossa mente (cingi os rins de vossa mente); sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo”. Precisamente por causa da redenção que nos coube, urge tornar-se sóbrios. Trata-se aqui de um combater, labutar e peregrinar espiritual. Na volta do Senhor estejam todos vigilantes e preparados. A vigilância se expressa na sobriedade, na oração perseverante e no serviço ao irmão.


A segunda advertência é a chamada à santidade: “Como filhos obedientes, não modeleis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo da vossa ignorância. Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. Pois está na Escritura: ‘Sede santos, porque eu sou santo’”. A autor enfatiza a conversão de nossos pecados. É o retorno para o nosso empenho moral. Todo pecado é a desobediência à vontade de Deus. Para o cristão o obedecer começa no dia de seu Batismo. Dai por diante, cabe-lhe seguir o chamado de Deus e as Sua sendas. A Carta de são Pedro considera a antiga vida pagã dos cristãos como tempo da ignorância. Conhecimento de Deus, frequentemente, na Sagrada Escritura, é sinônimo de culto de Deus que se concretiza na santificação da vida.


Nos cristaos vivemos entre a memória e a profecia, entre o ontem e o amanhã. E sobretudo na vivência do presente, do hoje, antentos aos valores fundamentais de nossa salvação, a salvação que nos oferece Deus por Cristo, a comunhão em sua vida. Se olharmos de onde viemos e para onde vamos, viveremos mais lucidamente nosso presente. Não somente porque nossa existência está transida de esperança, mas também porque assumimos com decisão o compromisso de viver vigilantes com disponibilidade absoluta guiados por Cristo.


Cada Eucaristia nos faz exercitar esta atitude de memória do passado, da profecia aberta ao futuro e da celebração vivencial do presente: “Todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha” (1Cor 11,26). Por isso, a Eucaristia, como a luz da Palavra e a força da comunhão, vai-nos ajudando a ordenarmos nossos pensamentos, a irmos crescendo na unidade interior de toda a pessoa, em marcha do ontem para o amanhã, vivendo o hoje com serenidade e empenho. A Eucaristia é nosso melhor “viático”, nosso alimento para o caminho até chegar ao banquete eterno.


Por eso la Eucaristía, con la luz de la Palabra y la fuerza de la comunión, nos va ayudando a ordenar nuestros pensamientos, a ir creciendo en la unidad interior de toda la persona, en marcha desde el ayer al mañana, viviendo el hoy con serenidad y empeño. La Eucaristía es nuestro mejor «viático», nuestro alimento para el camino.


Viver Como Cristãos É Viver Como Uma Família Em Que Tudo É Partilhado


O texto do evangelho de hoje, como também o do dia anterior, se encontra na parte central do evangelho de Marcos (Mc 8,22-10,52). Este conjunto começa com a cura do cego (8,22-26) e termina com a mesma (10,46-52). Com isso Marcos quer nos mostrar que os discípulos continuam com sua incompreensão diante da missão de Jesus.


No início e no fim desta seção, Marcos coloca o tema de fé como dom de Deus. A fé faz ver quem é Jesus e faz entender o sentido da vida e de nossa presença neste mundo. Desde o começo da atividade pública de Jesus, Marcos mostrou-nos a cegueira dos discípulos. Mas Jesus fará tudo para, pouco a pouco, tirar a cegueira dos discípulos. A visão clara que se tem de Jesus não vem de uma só vez. Mas, aos poucos, com a ajuda de Jesus, vamos vendo com mais clareza e com maior nitidez quem é Jesus e o que significa seguir a este Jesus neste mundo. A fé também faz ver o caminho que Jesus trilhou e que devemos trilhar. Assim a seção começa e termina com a cura de um cego (8,22-26; 10,46-52). E essas duas curas têm uma função simbólica: para mostrar a cegueira dos discípulos. Elas também lembram o leitor de que é Jesus quem faz possível a fé daqueles que acreditam nele e O seguem no caminho.


No evangelho do dia anterior (Mc 10,17-27) o jovem rico recusou o convite de Jesus para que ele vendesse tudo que tinha para depois dar tudo aos pobres. Em vez de seguir a Jesus, Àquele que tem “as palavras da vida eterna” (Jo 6,68b), o jovem rico foi embora triste porque tinha muitos bens e não quis partilhá-los nem com os necessitados (pobres). Depois que ele foi embora, Jesus pronunciou esta frase para os discípulos: “Meus filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!”.


Os discípulos ficaram espantados diante da afirmação de Jesus. Para os discípulos seguir a Jesus significa enriquecer-se de bens materiais. Por isso ficaram assustados com as palavras de Jesus: “Então, quem pode ser salvo?” (Mc 10,26). Ao que Jesus respondeu: Aos homens é impossível, mas não a Deus, pois para Deus tudo é possível” (Mc 10,27). Para Jesus o caminho da vida consiste em enriquecer-se diante de Deus. só quem sabe perder a vida neste mundo por causa do evangelho vai recuperá-la na vida eterna. Salvar-se não está nas mãos do homem, mas é um dom gratuito de Deus e não pode merecer-se. Somente quando for acolhido o evangelho e viver-se na graça é que conduz a pessoa à vida eterna. Trata-se de uma vida sustentada pela força de Deus.


Ao ouvir a afirmação de Jesus, Pedro também perguntou a Jesus: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. E o evangelista Mateus explicita ou acrescenta a seguinte frase: “O que é que vamos receber?” (Mt 19,27). Pedro já abandonou tudo, desapegou-se de tudo para se aderir a Jesus e quer saber de Jesus qual será a recompensa do seguimento.


O que é que tem no fundo ou por trás da frase de Pedro? Está seu conceito político e interesseiro do Messianismo. Os discípulos buscam postos de honra, recompensas humanas, soluções econômicas e políticas. Eles querem transformar Jesus em empresário para resolver sua carência econômica.


Jesus, com sua paciência, continua educando os discípulos e lhes garante: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna”. A afirmação de Jesus vale para qualquer pessoa que se adere a Jesus e que se dedica à propagação do evangelho de Jesus. Jesus assegura que no Reino ou na nova sociedade, na nova família não haverá miséria, pois vivem na partilha, na solidariedade, na compaixão, na fraternidade. Nessa nova família não haverá domínio, nem desigualdade nem superioridade nem poder. Por isso, na segunda afirmação de Jesus a palavra “pai” não se menciona que é símbolo do poder ou de autoridade. Em Mateus podemos entender o sentido dessa afirmação quando Jesus disse: “Quanto a vós, não permitais que vos chamem ‘Rabi’, pois um só é o vosso Mestre e todos vós sois irmãos. A ninguém na terra chameis ‘Pai’, pois um só é o vosso Pai, o celeste” (Mt 23,8-9). Chamar Deus de Pai leva a pessoa a viver a fraternidade na convivência com os demais, pois todos são filhos e filhas de Deus (cf. 1Jo 3,1-2).


Necessitamos dos bens materiais como meio na nossa vida, pois uma pessoa pode rezar ou meditar durante horas, mas no fim ela precisará dum pedaço de pão e dum copo de água. Mas reparamos que os bens materiais sempre são alheios a nós. Eles nunca serão nossos amigos. A vida feliz está na partilha, na solidariedade, na fraternidade, na compaixão, no amor mútuo, na caridade e assim por diante. A partilha é a alma do projeto de Jesus Cristo. Ele nos chama para segui-lo nessa direção. No evangelho de Marcos Jesus e seu Espírito vão ajudando os discípulos para que cheguem à maturidade de sua fé. Somente depois da ressurreição (Páscoa) eles vão se entregar também gratuito e generosamente ao serviço de Jesus Cristo e da comunidade até sua morte, pois eles captaram o sentido da mensagem de Jesus.


A resposta de Jesus diante da pergunta de Pedro é esperançosa e misteriosa, ao mesmo tempo: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida e, no mundo futuro, a vida eterna”. Não se trata de quantidades aritméticas (cem vezes). A resposta se refere à nova família que se cria em torno de Jesus: deixamos um irmão e encontramos cem irmãos (irmãs). O laço desta nova família está na prática da vontade de Deus que consiste na prática do bem e na vivência do amor fraterno: “Quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mc 3,35).


Quantos irmãos e irmãs leigos, quantos pastores, quantos médicos e enfermeiros sem fronteiras e as demais pessoas de boa vontade que entregam sua melhor força e tempo para trabalhar pelo bem dos irmãos da comunidade e fora da comunidade e para ajudar os sofredores em todos os sentidos! Quantos sacerdotes, quantos religiosos e religiosas, quantas pessoas consagradas que não formaram a própria família, mas não por isso que deixaram de amar. Ao contrário, eles estão plenamente disponíveis para todos, movidos de um amor universal. Todos esses irmãos e irmãs são reflexos da generosidade de Jesus Cristo neste mundo. Jesus está presente nesses irmãos e irmãs, se quisermos perguntar onde está Jesus Cristo (cf. Mt 25,31-46). Jesus promete já desde agora uma grande satisfação e promete a vida eterna: “receberá cem vezes mais agora, durante esta vida e, no mundo futuro, a vida eterna”. Mas o verdadeiro amor supõe sacrifício, cruz e perseguição, porém, vale a pena! A Páscoa salvadora passa pelo caminho da Cruz da Sexta-Feira Santa. A vida do cristão não termina na Sexta-Feira Santa. Ela termina na ressurreição. A força da ressurreição dá força e anima o cristão para encarar a cruz da Sexta-Feira Santa. Jesus nos mostrou isso.
P. Vitus Gustama,svd
28/05/2018
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USAR E PARTILHAR OS BENS MATERIAIS SEM SER POSSUIDO POR ELES
Segunda-Feira da VIII Semana Comum


Primeira Leitura: 1Pd 1,3-9
3 Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, 4 para uma herança incorruptível, que não estraga, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus. 5 Graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos. 6 Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. 7 Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira — mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo — e alcançará louvor, honra e glória, no dia da manifestação de Jesus Cristo. 8 Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, 9pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.


Evangelho: Mc 10,17-27
Naquele tempo, 17Ao retomar seu caminho, alguém correu e ajoelhou-se diante de Jesus, perguntando: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” 18Jesus respondeu: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus.19Tu conheces os mandamentos: não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não defraudes ninguém; honra teu pai e tua mãe!” 20Entao, ele replicou: “Mestre, tudo isso eu tenho guardado desde minha juventude”. 21Fitando-o, Jesus o amou e disse: “Uma só coisa te falta: vai, vende o que tens, dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!” 22Ele, porém, contristado com essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens. 23Entao Jesus, olhando em torno, disse a seus discípulos: “Como é difícil a quem tem riquezas entrar no Reino de Deus!” 24Os discípulos ficaram admirados com essas palavras. Jesus, porém, continuou a dizer: “Filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! 25É mais fácil um camelo passar pelo fundo da agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!” 26Eles ficaram muito espantados e disseram uns aos outros: “Então, quem pode ser salvo?” 27Jesus, fitando-os, disse: “Aos homens é impossível, mas não a Deus, pois para Deus tudo é possível”.
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Pelo Batismo Somos Herdeiros Do Céu


Começamos hoje a leitura contínua da Primeira Carta de São Pedro. Esta Carta foi escrita até o ano 64, depois das Carta de São Paulo (que foram escritas entre o ano 50 e 64), mas antes dos evangelhos que foram escritos entre o ano 64 e 90.


Os estudiosos não estão seguros de que Pedro seja autor da Carta de são Pedro. Uma das razões disso é a qualidade literária da Carta tanto pelo grego utilizado, como pelo estilo e utilização da tradução grega do Antigo Testamento, não corresponde a um pescador da Galileia pouco instruído. O autor se deve a um autor desconhecido que quer amparar-se sob o nome de Pedro, certamente prestigioso nas primeiras gerações do cristianismo.


A primeira página da Carta que lemos na Primeira Leitura de hoje é um hino de ação de graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. É um hino impregrnado de esperança e de ânimo que contem a seguinte ideia:
  • Nós cristãos nascemos de novo, somos regenerados no batismo;
  • Pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (O sinal e a causa desse novo nascimento residem na ressurreição de Jesus);
  • E isso nos enche de esperança e nos dá animo para continuar fieis a Cristo apesar das provas e sofrimentos na nossa vida;
  • Enquanto caminhamos para a herança final, incorruptível que é reservada para nós no céu;
  • E nos será dada quando Jesus Cristo se manisfestará;
  • E os cristãos das seguintes gerações têm um grande mérito: “Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação”.
Ressuscitando Jesus dentre os mortos e oferecendo-nos depois o Batismo como início de uma vida nova, Deus nos põe no melhor e mais seguro caminho de salvação. Somos herdeiros de uma herança incorruptível que é Jesus Cristo a quem seguimos fielmente como cristãos.


Portanto, o texto da Carta de Pedro que lemos hoje está cheio de otimismo: ressurreição, novo nascimento (batismo), esperança, alegria, força, marcha dinâmica da comunidade para a salvação final. Quem se encontra no meio de sofrimentos e provas por ser cristão encontra neste texto a força para seguir adiante até a chegada na reta final: a herança incorruptível no céu. Com a força de Deus podemos superar tudo. Na verdade podemos dizer com o salmista no Salmo Responsorial de hoje (Sl 110/111): “Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração! Ele dá o alimento aos que o temem e jamais esquecerá sua Aliança. Ao seu povo manifesta seu poder, dando a ele a herança das nações. Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua Aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito. Permaneça eternamente o seu louvor”.


Nós cristaos teríamos que recordar com mais intensidade nosso Batismo. Por exemplo, em torno da Páscoa ou no momento em que participamos do batismo de algum membro da comunidade cristã poderíamos fazer uma oração pessoal dando graças a Deus porque por meio deste sacramento fomos feitos coherdeiros com Cristo de uma esperança que nunca falhará, pois recebemos a força do Espirito para empreender o difícil caminho da vida até a alegria final.


Especialmente em um período de perseguições e grandes dificuldades, a Carta de Pedro quer dar ânimo aos cristãos, recordando-lhes a fonte de sua identidade cristã: o Batismo, e sua pertença à comunidade eclesial e sua herança celste. Alguns estudiosos acreditam no texto de hoje como um roteiro de celebração batismal e pascal, ou uma homilia dirigida aos recéns-batizados, os neófitos, para que eles comecem a viver o novo estilo de vida de Cristo.


Será que sou capaz de dar graças a Deus por meu Batismo? Será que eu me apoio na graça do meu Batismo para “renascer” de novo hoje, para marchar sem cessar como um ser novo, renovado? Ser batizado é perdurar em um laço de amor e de fé pessoal com Jesus.


Viver a Vida Fazendo o Bem Para Alcançar o Bem Maior


Lemos no evangelho deste dia que “alguém” (sem nome, que pode ser qualquer um de nós) correu ao encontro de Jesus para fazer a seguinte pergunta: “Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna?” É uma pergunta que os jovens faziam aos rabis, quando se apresentavam para iniciarem a formação acadêmica nas escolas hebraicas: que devo fazer? No evangelho de Mateus o jovem rico diz: “Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?” (Mt 19,16).


Antes de responder à pergunta desse rico, Jesus se cautela diante do apelativo “bom”: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus”. Essa precisão servirá para se compreender a resposta que Jesus fará a esse rico. Esta observação de Jesus corresponde perfeitamente à concepção bíblica e judaica segundo a qual só Deus é chamado bom, porque ele usa de misericórdia, socorre os pobres e defende os fracos (cf. Dt 10,18). Por isso, a única condição para entrar na vida eterna é imitar o único bom, Deus. A fidelidade a Deus é exercida no amor ao próximo, síntese dos mandamentos (cf. Rm 13,8-10).


Jesus prossegue, indicando ao seu interlocutor o caminho para “herdar” a vida definitiva junto a Deus, e citou só os mandamentos que se referem aos deveres para com o próximo (v.19). Jesus omite os mandamentos referentes a Deus. em vez disso, ele recorda os éticos, os que se referem ao próximos, que são independentes de todo contexto religioso: Tu conheces os mandamentos: não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não defraudes ninguém; honra teu pai e tua mãe!”.  O rico responde: “Mestre, tudo isso eu tenho guardado desde a minha juventude” (v.20).


O texto prossegue: “Fitando-o, Jesus o amou e disse: ’uma só coisa te falta: vai, vende o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me’” (v.21). Jesus olha para o jovem com afeto. É o mesmo olhar que tanto impressionou seus discípulos.


“Fitar” é o mesmo que cravar, admirar, fixar a atenção e o pensamento, ficar imóvel. O sinal distintivo da identidade do discípulo é seguir a Jesus, isto é, ficar envolvido em seu destino, seu modo de amar e de ser fiel ao outro homem até o testemunho supremo da cruz (cf. Jo 13,1). A diferença entre a renúncia aos bens como estilo de vida e o seguimento evangélico está nessas duas palavras de Jesus: “dá-os aos pobres”. Se nos detivermos na primeira: “vai e vende tudo o que tens”, ainda nós estaremos no limiar do evangelho que para termos liberdade interior, devemos nos afastar (longe de cobiça ou ganância) de todas as coisas e preocupações materiais.


A novidade evangélica é o convite: “dá aos pobres, porque assim tu imitas o único bom, Deus; depois vem e segue-me”. Trata-se de seguir aquele que, pelos pobres, deixou não só sua atividade, a segurança social e os laços de parentesco, mas também entrega sua própria existência como dom de amor pelos muitos, pela libertação deles (cf. Mc 10,45).


O homem rico, pelo seu apego à riqueza, não aceita o convite de Jesus. Seu amor aos outros é relativo, não chega ao nível necessário para um cristão. Não está disposto a trabalhar por uma mudança social, por uma sociedade justa; a antiga lhe basta. Prefere o dinheiro ao bem do homem.


A cena do evangelho de hoje é simpática: uma pessoa (jovem) inquieta que busca caminhos e quer dar um sentido mais pleno para sua vida. Mas o diálogo, que prometeu muito, acaba em fracasso. Tampouco Jesus consegue tudo o que quer em sua pregação, pois ele respeita, com delicadeza, a liberdade das pessoas. Alguns lhe seguem, deixando tudo para trás, como os apóstolos. Outros, como o homem rico no evangelho de hoje, ficam para trás, pois seus bens estão na sua frente que acabam não vendo mais nada senão os bens.


O jovem rico se converteu em símbolo de qualquer cristão que quando chegou o momento não quis aceitar a mensagem de Jesus. Jesus não pede “coisas” e sim a entrega total. Não se trata de “ter”, mas trata-se de “ser” e de “seguir” vitalmente a Jesus: “Quem quer me seguir, carregue sua cruz de cada dia e me siga. Quem quer guardar sua vida, vai perdê-la”. Para todos nós custa muito renunciar ao que estamos apegados: as riquezas ou ideias ou a família, ou os projetos individuais ou a mentalidade. Quando estamos cheios de coisas, menos agilidade para avançarmos pelo caminho de vida e de Deus. Um atleta que quer correr, mas com uma mala às costas, será difícil conseguir medalha.


Jesus pede a todos os seus seguidores que tenham o desprendimento que sabe se conformar com o necessário e compartilhar com os outros o que se tem, sem entesourar nem incorrer na idolatria do dinheiro como bem supremo. Um dia seremos obrigados a largar tudo quando chegar nosso momento para partir deste mundo. De fato, temos apenas o usufruto das coisas criadas por Deus para nossa felicidade neste mundo e não para possuí-las.


Quem “vive segundo a carne” sente a lei de Deus como um peso e como uma negação ou comu uma restrição da própria liberdade. Ao contrário, quem está movido pelo amor e “vive segundo o Espirito” (Gl 5,16), e deseja servir aos demais, encontra na lei de Deus o caminho fundamental e necessário para praticar o amor livremente escolhido e vivido. Além disso, ele sente a urgência interior de não deter-se diante das exigências mínimas da lei e sim de vive-la em sua plenitude.
P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Domingo,27/05/2018
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SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE


Primera leitura: Dt 4:32-34, 39-40
32 “Escuta os tempos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem na terra. Pergunta se houve jamais, de uma extremidade dos céus à outra, uma coisa tão extraordinária como esta, e se jamais se ouviu coisa semelhante. 33 Houve, porventura, um povo que, como tu, tenha ouvido a voz de Deus falando do seio do fogo, sem perder a vida? 34 Algum deus tentou jamais escolher para si uma nação do meio de outra, por meio de provas e de sinais, de prodígios e de guerras, com mão poderosa e braço estendido, e de prodígios espantosos, como o Senhor, vosso Deus, fez por vós no Egito diante de vossos olhos? 39 Sabe, pois, agora, e grava em teu coração que o Senhor é Deus, e que não há outro em cima no céu, nem embaixo na terra. 40 Observa suas leis e suas prescrições que hoje te prescrevo, para que sejas feliz, tu e teus filhos depois de ti, e prolongues teus dias para sempre na terra que te dá o Senhor, teu Deus”.


Segunda Leitura: Romanos 8,14-17
14 Todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. 15 Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! 16 O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. 17 E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados.


Evangelho: Mateus 28,16-20
16 Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado. 17 Quando o viram, adoraram-no; entretanto, alguns hesitavam ainda. 18 Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. 19 Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 20 Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”.
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I.  Algumas Mensagens Do Evangelho


O relato solene apresentado no texto do Evangelho de hoje é a conclusão e o ápice do Evangelho de Mateus. Este relato final, exclusivo de Mateus, é chamado de a chave para entender todo o evangelho de Mateus porque nele encontra-se a rica afirmação sobre Cristo, Igreja, e história da salvação acompanhada pela fé e dúvida; batismo e moralidade; Judeu passado e futuro Gentio. Se no seu ministério público Jesus enviou seus Apóstolos somente para a terra e o povo de Israel (Mt 10,5-6), agora ele envia os Onze para todas as nações, com batismo e não com circuncisão como rito de iniciação; com a sua ordem e não a Lei de Moisés, como a norma final de moralidade. Por isso, essa perícope final reflete a teologia de Mateus.


1. O Encontro Na Galiléia


A Galiléia (a “Galiléia dos pagãos” segundo Mt 4,15) é a terra onde Jesus começou seu ministério e chamou seus primeiros discípulos (Mt 4,18-22). No começo da Paixão Jesus prometeu que depois de sua ressurreição, ele iria preceder os discípulos para a Galiléia (Mt 26,32). A direção da Galiléia foi repetida no sepulcro tanto pelo anjo do Senhor como por Jesus ressuscitado (Mt 28,7-10), com a promessa adicional de que lá os discípulos (que agora se tornam seus “irmãos” cf. Mt 12,50) o veriam. A partir de agora a “Galiléia dos pagãos” se torna um lugar que tem um sentido salvífico, pois a Galiléia vai se tornar como o ponto de partida para a missão universal. Este detalhe já indica a universalidade da mensagem do Evangelho de Mateus.


Galileia era uma região habitada por muitos ciscuncisos ou pagãos. Isto quer dizer que Cristo traz a salvação para todos, inclusive para os pagãos. Jesus não é apenas o Messias de Israel e sim o Salvador do mundo. Todos os homens que vivem na sombra da morte encontram em Jesus seu Libertador. Deus em Jesus tem preferência pelos últimos, pelos excluídos, pelos pobres ou pelos necessitados. Consequentemente, todos os seguidores de Cristo devem ter a mesma preferência. Para não esquecer isso, o Senhor Jesus pede aos discípulos para encontrá-Lo na Galiléia depois de sua ressurreição. O Senhor não quer abandonar os necessitados e os discípulos devem levar adiante a mesma missão.


Portanto, para Mateus Galileia é algo mais que um dado geográfico. Galileia funciona na qualidade de símbolo de um lugar sem horizontes ao que Jesus devolve a esperança. Para Mateus a Igreja tem uma função de construir a esperança a um povo sem horizonetes.


2. O Poder de Jesus É Para Libertar as Pessoas Do Pecado


A narrativa sublinha também a apresentação de Jesus como Filho do Homem, Senhor, Filho de Deus e Emanuel (Deus- conosco), que percorre todo o Evangelho. Jesus aparece como “Filho do Homem” glorioso, que recebe de Deus todo o poder, e todas as nações o adoram e o seu Reino não terá fim (compare-se a visão de Daniel 7,14). Ao longo de toda a história, Jesus é o Filho do Homem glorioso, mas este papel culminará na manifestação como Juiz definitivo (Mt 13,41-43;16,27;19,28;24,30s;25,31-46;26,64). Jesus também é o Senhor glorioso que recebe a adoração dos seus e que domina sobre todo o criado (cf. Fl 2,9-11). Ele também é o Filho de Deus, a ele tudo lhe foi entregue pelo Pai (Mt 11,27) e em seu nome, junto aos do Pai e do Espírito, terão que batizar todos os povos. Este mesmo Jesus garante sua presença permanente com seu povo: “Eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. Em outras palavras, ele é o Emanuel, “Deus conosco”.


Jesus recebeu todo o poder no céu e sobre a terra. Ao falar do poder de Jesus que ele recebeu, devemos estar conscientes de que a verdadeira natureza do poder de Cristo, não é um exercício de dominação sobre os homens, mas como uma capacidade operativa de proclamar as exigências da vontade de Deus, de libertar os pecadores da escravidão do seu passado de culpa, de romper os grilhões dos prisioneiros das forças diabólicas da morte e da destruição, de denunciar as religiões feitas de hipocrisia e de interesse. Em outras palavras, é um poder de realizar o Reino de Deus no mundo.


Existe um poder que destrói e existe também um poder que cria. O poder que cria dá vida, gozo e paz. É liberdade e não escravidão, vida e não morte, transformação e não coerção. O poder que cria restaura relacionamentos e concede dom da integridade a todos. O poder que cria é o poder que procede de Deus cuja marca é o amor. E o amor exige que o poder seja usado para o bem de todos. Em Cristo, o poder é usado para destruir o mal de forma que o amor possa redimir o bem. O poder que cria produz união. Para criar essa união é preciso ouvir juntos à voz do Senhor em nossos lares, em nossas igrejas, em nossos negócios, em nossas comunidades, em nossos encontros etc....


Ao contrário disso, nada é mais perigoso do que o poder a serviço da arrogância. A arrogância nos faz pensar que estamos certos e os outros estão errados. O único que está certo é Jesus Cristo. O restante de nós precisa reconhecer suas próprias fraquezas e fragilidades e buscar aprender através da correção dos outros. Se não o fizermos, o poder pode conduzir pelo caminho de destruição. O poder destrutivo destrói relacionamentos, a confiança, o diálogo e a integridade.


3. Missão De Fazer Todos Discipulos Do Senhor


A ordem de missão dada aos Onze é significativa, pois a missão se amplia: fazer discípulos todos os povos. No começo Jesus falou somente aos judeus (Mt 15,24) e os discípulos foram enviados somente para o povo de Israel (Mt 10,5-6). Agora o Jesus ressuscitado, com pleno poder escatológico (“toda a autoridade”), envia-os a todas as nações. Israel não está excluída (Mt 23,34); mas o progresso destas duas ordens, uma durante o ministério e outra depois da ressurreição, incorpora a experiência da cristandade em Mateus. No começo do Evangelho, Mt assinala a grande extensão desse plano ao escrever sobre os magos pagãos vindos a Jerusalém (cumprimento de um sonho do AT em Is 2,2-4). Agora fica claro que os discípulos não podem simplesmente esperar que os pagãos venham a ele, mas eles precisam ir até os pagãos.


A missão dada aos discípulos é expressa através de um verbo principal no imperativo (fazer discípulos/mathêteusate) e dois verbos no particípio (batizando...ensinando).


Para Mt “fazer discípulos” é um processo educativo. Fazer discípulos é ajudar as pessoas a aprenderem as coisas que Jesus lhes ensinou. Na missão universal, os discípulos tornam-se claramente mestres. Como Jesus antes deles, eles agora vão “fazer discípulos”. Ser cristão é ser discípulo de Jesus. E ser verdadeiro discípulo para Mt eqüivale a pertencer à família de Jesus (Mt 12,49-50). Neste sentido, fazer discípulo é fazer comunidade cristã, fazer Igreja. Para ser salvo, é preciso pôr-se no seguimento de Cristo, entrar em relação com a sua pessoa. Não existe outra possibilidade.


Mas não se trata de uma relação individual. Os homens são chamados a fazer parte da comunidade dos seus discípulos. Isto é indicado claramente pelas duas instruções: batizar e ensinar tudo o que Jesus mandou. “Batizando” e ”ensinando” marcam as duas atividades fundamentais no exercício da missão de “fazer discípulos”.


Em outras passagens do NT, o batismo é feito em nome de Jesus (At 2,38;10,48;8,16;19,5;1Cor 6,11 etc.); mas aqui o batismo é realizado “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Com certeza, esta fórmula era usada na comunidade de Mt quando ele escreveu o evangelho. Para Mt, o batismo, e não circuncisão, é o meio para uma incorporação na vida de Deus e de sua Igreja. “Em nome” sugere uma dedicação e compromisso, uma consagração. Entre os hebreus, o nome designa a realidade profunda do ser, incluindo a pessoa e sua respectiva dignidade. Em Seu nome(poder) começou a Igreja, e nele ela vive hoje ainda, pois onde “o nome de Deus é pronunciado sobre nós, ele mesmo está no nosso meio” (cf. Jr 14,9). Os que acreditaram em Jesus compreenderam que Deus Pai era a fonte e o objetivo de tudo o que Jesus dizia e fazia. O Espírito Santo foi rapidamente relacionado à continuação do trabalho de Jesus, tanto entre os fiéis quanto dentro da Igreja.


O batismo deve ser acompanhado pelos ensinamentos a respeito de tudo o que Jesus recomendou. Os ensinamentos não devem ser novos ou próprios dos discípulos, mas “tudo o que vos prescrevi” (cf. também Ex 7,2;23,22 etc.). Jesus ressuscitado não ensina nada de novo, mas declara a permanente validez do que ensinou no transcorrer da vida terrena (“ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei”).


Estas palavras descrevem com precisão a Igreja. Ela não é somente comunidade de santificados pelo sacramento, mas também de praticantes duma nova obediência. O discípulo se qualifica pela tradução na prática do ensinamento de Jesus (Mt 7,24-27). Sua palavra é um mandato a ser obedecido e praticado. Concretamente, sua revelação se resume no mandato do amor(Mt 22,40). Isto quer dizer que a fé cristã não pode ser restrita a aclamações litúrgicas e a celebrações rituais, ou reduzida ao entusiasmo do espírito, mas Jesus nos chama a mergulharmos no presente, colocando-nos perante a exigência de um empenho concreto de obediência e de amor.


Esta missão é difícil. O evangelho fala continuamente das perseguições, dos elementos adversos e das dúvidas dos discípulos. Mas a Igreja não foi nem será deixada sozinha no seu longo e cansativo caminho histórico: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). Jesus a acompanha, sustenta, encoraja, e purifica. Ele continua presente entre nós, onde dois ou mais se reúnem em seu nome (Mt 18,20), pela fé, pela palavra proclamada, pelos sacramentos etc. As últimas palavras solenes de Jesus em Mt 28,20 lembram as primeiras palavras ditas sobre ele no começo do Evangelho em Mt 1,23. O Deus- Conosco que abre o evangelho de Mt, também o fecha. A ressurreição para Mt é a evidência não somente de que Deus estava com Jesus, que venceu a morte, mas também de que a presença permanente de Deus em Jesus está com todos aqueles batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E que observam tudo o que Jesus recomendou, como foi ensinado pelos discípulos. A partir dessa promessa, cada cristão não é mais solitário, mas solidário pois Deus está sempre com ele e ele está sempre com Deus. O cristão, ao mesmo tempo é chamado a ser solidário com os outros, a sair do isolamento, pois Deus chama cada cristão a viver numa solidariedade, numa comunidade.


II. Festa Da Santíssima Trindade E Sua Importância Na Vida De Um Cristão


Celebramos hoje a festa da Santíssima Trindade. Por ordem do Senhor Jesus em Mt 28,19, cada um de nós foi batizado e consagrado a Deus “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Ainda nos braços da mãe, mal podendo balbuciar, talvez sem então entendermos o sentido do gesto ou o alcance das palavras, ensaiados e ensinados pela mãe, aprendemos a fazer o sinal da cruz e nossa primeira oração: “Em nome do pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém”.


Este “amém”, vocábulo hebraico, e explica nosso Catecismo (no.1026), ligado à mesma raiz da palavra “crer”, exprime a solidez, a confiabilidade e a fidelidade de nossa fé. Pode proclamar tanto a lealdade de Deus para conosco, como a nossa confiança nele. Com o “amém”, que pronunciamos, anunciamos ter encontrado a Deus e depositamos nele nossa inteira e total confiança. Este piedoso sinal da cruz, pelo qual se benze o cristão invocando as Três Pessoas, prática já comprovada no segundo século, é um costume de sentido profundo e completo: significa consagração, profissão de fé e oração


Em cada oração que fazemos todos os dias sempre começamos e terminamos com o sinal da cruz e com este sinal entramos na presença da Santíssima Trindade. É uma louvação às três divinas Pessoas, porque elas se revelaram na história e nos convida a participar de sua comunhão divina. A resposta humana à revelação da Santíssima Trindade é o agradecimento e a glorificação. Depois, decoramos a doxologia (a louvação): “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”.


E não demorou, aprendemos, sempre crianças, muitas vezes antes da primeira comunhão, a professar com ortodoxa precisão, mesmo sem então entender o que haveríamos de compreender, pouco a pouco, mais e melhor, ensinados através de nossa catequista, com solenes palavras: “Creio em um só Deus, Pai Todo Poderoso, criador do céu e da terra...Creio em um só Senhor, Jesus Cristo...Deus verdadeiro de Deus verdadeiro...Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”.  Este nosso Credo é, em sua estrutura íntima, uma confissão da Trindade.


Na verdade, a atenção e a devoção às Três divinas Pessoas continuam centrais em nossa vida e tirá-las de nossa fé causaria não só um irreparável vácuo, mas acabaria com o próprio fundamento de nossa existência cristã. Por isso crer na Santíssima Trindade e amá-la com todo nosso ser tem conseqüências imensas para toda a vida (cf. o Novo Catecismo nos n. 223-227): “Significa reconhecer a grandeza e a majestade de Deus. Deus é tão grande que supera nossa ciência (Jó 36,26). Significa viver em ação de graças: Se Deus é o Único, tudo que somos e tudo o que possuímos vem dele: “Que é que possuis que não tenhas recebido?” (1Cor 4,7). Significa reconhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens: Todos foram feitos “à imagem e à semelhança de Deus” (Gên 1,27). Significa usar corretamente das coisas criadas: A fé no Deus Único nos leva a usar de tudo o que não é ele na medida em que isto nos aproxima dele, e a desapegar-nos das coisas na medida em que nos desviam dele, como rezava São Nicolau de Flüe: “Meu Senhor e meu Deus, tirai-me tudo o que me afasta de vós. Meu Senhor e meu Deus, dai-me tudo o que me aproxima de vós. Meu Senhor e meu Deus, desprendei-me de mim mesmo para doar-me por inteiro a vós”. Crer na Santíssima Trindade também significa confiar em Deus em qualquer circunstância, mesmo na adversidade. Uma oração de Santa Teresa de Jesus exprime-o de maneira admirável: “Nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa, Deus não muda. A paciência tudo alcança. Quem a Deus tem nada lhe falta. Só Deus basta”.


Crer no Deus bíblico, a partir de Jesus, é necessariamente crer na Santíssima Trindade. O Deus de Jesus, o Deus cristão, é o Pai e o Filho e o Espírito Santo, a Santíssima Trindade. Pai, Filho e Espírito Santo sempre estão juntos: criam juntos, salvam juntos e juntos nos introduzem em sua comunhão de vida e de amor. Na piedade de muitos fiéis há uma desintegração da vivência do Deus trino. Alguns só ficam com o Pai, outros só com o Filho e outros só com o Espírito Santo.


A religião só do Pai é o patriarcalismo. Todos dependem dele, sem qualquer criatividade. A religião só do Filho é o vanguardismo. Jesus é considerado o “companheiro”, “o mestre” e “nosso chefe”, irmão de todos. É um Jesus com apenas relações para os lados, sem uma dimensão vertical, em direção ao Pai. Esta religião cria cristãos vanguardistas. A religião só do Espírito Santo que só se concentra na figura do Espírito Santo é espiritualismo. Eles só cultivam suas emoções interiores e pessoais. Eles esquecem que o Espírito Santo é sempre o Espírito do Filho, enviado pelo Pai para continuar a obra libertadora de Jesus. Não basta a relação interior (o ES) nem somente para os lados(Filho) nem só a vertical(Pai). Importa integrar os três. Que seria de nós, se não tivéssemos um Pai que nos aconchegasse? Que seria de nós, se esse Pai não nos desse seu Filho para fazer-nos também filhos de Deus? Que seria de nós, se não tivéssemos recebido o Espírito Santo, enviado pelo Pai a pedido do Filho, para morar em nossa interioridade e completar a nossa salvação? Vivamos a fé completa, numa experiência completa da imagem completa de Deus como Trindade de Pessoas.


Fomos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Batizar em nome de alguém significa estabelecer com ele uma relação pessoal. Pelo batismo entramos numa relação pessoal com Deus uno e trino. Batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo significa que ser cristão é uma chamada para entrar no mistério amoroso de Deus. Batizar em nome da Santíssima Trindade é introduzir-se na totalidade deste mistério de amor de Deus. Fazer discípulo não é simplesmente ensinar uma doutrina e sim fazer que os homens encontrem a razão de sua existência no Deus uno e trino, o Deus cuja riqueza se expressa no amor.


Quando o cristão é batizado no nome da Santíssima Trindade, o modo de ser de Deus lhe é apresentado como modelo de vida. A perfeita comunhão entre as pessoas da Trindade deve tornar-se o ideal de comunhão dos cristãos e das famílias cristãs. Igualmente, a capacidade de agir de forma integrada, sem concorrências nem sobreposição de um sobre o outro. A comunhão se faz a partir do diferente, na acolhida e no respeito pelo outro. Este é o caminho que a comunidade cristã ou família cristã terá de tomar, se quiser deixar-se modelar pela Santíssima Trindade.


Toda vez que você ora ou reza, sempre começa e termina com o sinal da cruz em nome da Santíssima Trindade. Ao fazer o sinal da cruz que é uma oração trinitária, você tem certeza de que sua vida é vivida no espírito da Santíssima Trindade? O que significa para você fazer sua oração em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo? Quais são consequências desta oração trinitária na sua vida?
 
P. Vitus Gustama,SVD