segunda-feira, 30 de maio de 2011

AMOR: NO CAMINHO DO AMOR RUMO À PÁSCOA

O ser humano é caminhante por natureza, peregrino de todas as terras, sabendo que em nenhuma delas encontra sua pátria eterna. Enquanto estiver na história o ser humano está sempre em marcha. Nesta marcha ele vai se transformando, modelando-se o coração e as entranhas, despojando-se de pessoas e falsas seguranças, e demonstrando-lhe quão frágil e vulnerável é o ser humano.
           
“Levanta-te e põe-te em caminho!”. Esta é uma das frases mais repetidas por Deus na Bíblia quando se dirige ao povo ou às pessoas individualmente. Desde Abraão, convidado a marchar a terras desconhecidas, passando por Moisés, chamado a libertar o povo da escravidão do Egito, os profetas, e o próprio São Paulo, todos os grandes homens e mulheres, na história da salvação, encontraram no caminho o inicio de uma nova vida e de sua própria realização pessoal, sobretudo, de sua salvação.
           
A quaresma nos convida também, com toda sua força, a pôr-nos em caminho: a nos levantar da terra simbólica na qual estamos estabelecidos e a marchar para um lugar novo onde se encontra a salvação. A meta da caminhada quaresmal é a Páscoa, a identificação com Jesus morto por amor à humanidade e a assimilação de sua ressurreição como a nossa.
           
O caminho quaresmal nos chama a marcharmos rumo ao Amor absoluto. A quaresma é tempo específico de amor, manifestado no perdão, no compromisso pelo bem, na gratuidade e correspondência a Deus, pois o ser humano foi criado por e para o Amor. Todos os dias são bons para cada um parar-se para pensar no sentido da vida, em como se vive e como se gasta a vida. Masmomentos pontuais, como a Quaresma, nos quais podemos perceber e experimentar melhor o grande amor de Deus por nós e por todas as criaturas. Ninguém nesta vida deu tudo e tanto por mim como fez Jesus. É o amor supremo. É a entrega total do Homem-Deus, na cruz, por mim. Jesus fez isso com o único objetivo: para que eu possa ganhar um lugar ao lado do Deus Pai. E o amor de Deus jamais falha, me espera, me desculpa, me compreende e me ama em todo momento. É o amor absoluto.
           
Do prisma do amor entendemos melhor que a Quaresma há de ser um tempo especial de reconciliação e de perdão. De reconciliação com Deus, movidos pelo amor e não pelo medo, e de reconciliação com os demais homens porque, graças ao amor, entendemos melhor que todos nos ofendemos uns aos outros continuamente e que todos temos nossas falhas e debilidades pelas quais necessitamos de compreensão e de mútuo perdão.
           
A vida, se não for vivida e gastada por amor e para o amor, que Deus nos tem e que devemos a nossos irmãos, não tem sentido. A vida sem doação e sem compromisso é vazia e não nos produz felicidade. A felicidade e a paz somente chegam a s quando fazemos o bem aos demais, quando amamos, quando nos comprometemos, quando nos damos a Deus e aos demais. Deus está no ato de amar.
           
Portanto, a Quaresma é um tempo singular no qual Deus manifesta seu amor supremo por mim e no qual eu devo orientar toda minha vida pelo amor e para o amor. A austeridade, a penitência, o jejum, a esmola, a oração e os demais exercícios quaresmais servem para me ajudar a viver melhor o amor.
           
Por isso, o caminho quaresmal, para o cristão, supõe, sobretudo, o encontro com outros peregrinos que andam buscando o Senhor Jesus Cristo porque encontraram suas pegadas. São encontros que, ao mesmo tempo, nos abrem a novas realidades de nós mesmos, nos ampliam e purificam a visão dos demais e de Deus. A quaresma é encontro: é abraço de reconciliação como na parábola do filho pródigo (cf. Lc 15,11-32) ou na conversão de Zaqueu (cf. Lc 19,1-9) ou no diálogo com a mulher samaritana (cf. Jo 4, 1-42) ou no diálogo com a mulher adúltera (cf. Jo 8,1-11). Que em cada encontro o meu olhar seja terno, a minha paciência seja sábia, o meu amor seja eterno e a minha e o meu amor eternizam a vida.

Vitus Gustama, SVD

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