segunda-feira, 13 de junho de 2011

AMOR: COMO VIVÊ-LO DIANTE DE UM INIMIGO QUE ME DESTRUIU?

Mt 5,38-42
Onde acaba o amor têm início o poder, a violência e o terror
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Não me importam as suas teorias sobre a violência;
O que me interessa saber é como você vive
No meio da violência que nos cerca por todas as partes.

Se você nunca foi vítima da violência,
Fale sobre ela com prudência
Por respeito aos que a sofrem na pele.

Provocar a violência em nome de Deus
E do Evangelho é um sacrilégio.
Pregar a resignação para os que sofrem a violência,
Invocando Deus e o Evangelho, é uma trapaça.

Não acabará a violência quando houver menos armas,
E sim quando houver mais amor.

Destruir a violência com a violência
É como apagar um incêndio com gasolina.
A única maneira de lutar contra a violência
É não provocá-la”.   (René Juan Trossero)

Reflitamos sobre o evangelho lido neste dia! (13 de junho de 2011)

O texto do evangelho lido neste dia se encontra no Sermão da Montanha (Mt 5-7). Este texto é conhecido como a quinta antítese. Nesta antítese, Jesus faz seu comentário sobre a lei de talião do Antigo Testamento. No Livro do Êxodo lemos: “Vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (Ex 21,23-25; cf. Lv 20,17-22).
       
A lei de talião era conhecida em todo o Oriente Antigo. Ela é encontrada no Código Hammurábi, nas leis assírias, na Torah bem como também entre os gregos e os romanos. No famoso Código de Hammurabi (século XVIII a.C) encontramos os seguintes artigos referentes à Lei de talião:
·        O artigo 196: “Se alguém arrancar um olho de outro, também seu olho será arrancado”.
·        O artigo 197: “Se alguém quebrar um membro de outro, também um de seus membros será quebrado”.
·        O artigo 200: “Se alguém quebrar um dente de outro, um de seus dentes será quebrado”.

A finalidade primordial dessa lei era colocar um limite a uma vontade desenfreada de vingança em uma sociedade em que a vingança era quase que institucionalizada (cf. Gn 4,23-24). Portanto, a intenção dessa lei era proteger os direitos das pessoas contra os excessos de violência.

Na quinta antítese do Sermão da Montanha Jesus nos diz: « Pelo contrário, se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda. Se alguém quiser levar-te ao tribunal, para ficar com a tua túnica, deixa-lhe também o manto. Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante um quilômetro, caminha dois com ele. Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado” (Mt 5,38-42).
       
Com esta antítese Jesus coloca como alternativa à violência, não a lei de talião, mas a não-violência. A reação paradoxal que Jesus sugere aos cristãos, diante da violência, tem uma finalidade concreta: mostrar as possibilidades extremas de aplicação do seu mandamento de amor. Quem é movido por um amor incondicional ao próximo será capaz de fazer gestos radicais para coibir a violência, sem responder com a mesma moeda. Tudo supõe que se tenha um coração limpo (cf. Mt 5,8). A lei de talião é excluída pela limpeza de coração e pela compaixão.
       
Segundo Jesus não bastaagüentar” os maus; devemos fazer, por eles, algo de positivo. Jesus não quer bobos, mas fortes, capazes de fazer algo para que o mundo mude ou melhore. Não é suficiente sofrer, enquanto tivermos ainda uma possibilidade de fazer positivamente o bem.

Não é possível viver odiando em inimizade profunda e irreversível. O dano interior provocado por uma relação esfarrapada corrói nossas melhores energias e o Templo de Deus em nós se deteriora (cf. 1Cor 3,16-17) e sentimentos de vingança o deformam lentamente. O perdão é o testamento escrito por Jesus na cruz.

Deveríamos realizar um progressivo desarme intelectual, moral e religioso. É não justificar o injustificável. É crer na força do amor. É tirar da Eucaristia a certeza de curar nossas feridas profundas. Toda vez que fazemos memória da morte e ressurreição de Cristo, o mesmo Senhor nos introduz, pelo Espírito, na plenitude de sua existência pascal.

Durante a missa, quando o sacerdote estende as mãos sobre o pão e o vinho, ele invoca o Espírito Santo não somente para que estes elementos se convertam no Corpo e no Sangue de Cristo, mas também para que nós, unidos com Cristo, nos transformemos em oferenda agradável, capazes de nos comprometer na história da salvação pelo Reino de amor e de paz. Na Eucaristia o Espírito atua em nós para que nossa memória se cure de qualquer tipo de rancor e ressentimento e se cumule de recordações agradecidas. Uma sabedoria oriental diz: “Até o buraco no fundo de uma agulha é bem espaçoso para duas pessoas que se amam. Mas o mundo inteiro é bem pequeno para dois inimigos.

Santo Antonio de Pádua, cuja festa é celebrada no dia 13 de junho, está no mesmo pensamento ao dizer: “Quem ama não conhece nada que seja difícil”, poisDeus é amor” (1Jo 4,8.16). Quem ama de verdade está com Deus, e “para Deus nada é impossível” (Lc 1,37; cf. Rm 8,31b; Fl (Filipenses) 4,13). Quem ama  porque é bom. Quem é bom, ama. Quem ama sempre faz o bem. Quem faz o bem precisa manter suas orações (vida espiritual) em dia, como dizia Santo Antonio: “Orai sem cessar, não cessar de rezar quem não cessa de agir bem”.

Rio de Janeiro, 13 de junho de 2011
Vitus Gustama, SVD


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?”

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