sábado, 4 de junho de 2011

ASCENSÃO DO SENHOR AO CÉU

At 1,1-11; Ef 1,17-23; Mt 28,16-20 (Lc 24,46-53; Mc 16,12-20)

A ressurreição, a Ascensão e Pentecostes são aspectos diversos do mistério pascal. São apresentados como momentos distintos e são celebrados como tais na liturgia para pôr em destaque o rico conteúdo do mistério pascal.  A ressurreição sublinha a vitória de Cristo sobre a morte, a Ascensão seu retorno ao Pai e tomada de posse do Reino e Pentecostes, sua nova forma de presença na história.

 “Jesus subiu ao céuassim professamos nossa no Credo. O céu não é um lugar e sim uma situação na qual seremos transformados se vivermos no amor e na graça de Deus. No céu da não existe o tempo, a direção, a distinção nem espaço. O céu da é Deus mesmo de quem as Escrituras dizem (cf. 1Tm 6,16). A subida de Cristo ao céu é um passar do tempo para a eternidade, do visível ao invisível, da imanência à transcendência, da opacidade do mundo à luz divina.

A ascensão significa que Cristo alcançou a plenitude no poder e glória junto ao Pai. A ascensão é a total exaltação. Este é o significado da expressãosubir ao céu”. Por isso, a ascensão não é separação e abandono dos homens. Ele está vivo e vive entre nós. Cristo se encontra na oração e na ação, nos sacramentos e nos irmãos, e em todos os lugares nos quais sua graça opera, liberta e une. Por isso, o homem pode viver na presença de Deus e ter experiência celeste durante sua passagem na terra através da observação da Palavra do Senhor, amando.

A ascensão de Jesus garante-nos, antes de mais nada, que uma vida, vivida na fidelidade aos projetos do Pai, é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmocaminho” de Jesus subirá como Ele, à vida plena. Formaremos com Ele umcorpo” destinado à vida plena. Esta perspectiva tem de dar-nos a força de enfrentar a história e de avançarapesar das dificuldades – nesse “caminho” do amor e da entrega total que Cristo percorreu.

Na Ascensão encontramos a chave do sentido da vida e da dignidade do homem chamado a participar da glória de Cristo. Portanto, o evangelho é uma mensagem para o homem de hoje, tão necessitado de encontrar o sentido de sua vida e de uns valores que configurem sua existência.

“Jesus subiu ao céu”. “Subir” é um movimento de um estado do nível baixo para o nível superior ou mais alto. Todos nós necessitamos ascender, subir e superar nossos níveis baixos de inércia humana e espiritual. Necessitamos de perspectivas de altura para ver com mais verdade e com justa proporção. É urgente ascender ou subir na , na esperança e no amor para experimentarmos o que Jesus experimentou: subiu ao céu. Paradoxalmente, ascendemos melhor quando descemos mais; somos cidadãos do céu quando na terra caminhamos comprometidos nas exigências do Evangelho. Jesus subiu ao céu porque antes desceu obediente à vontade do Pai.

A ascensão é, sobretudo, um envio e um compromisso na Igreja. Com realismo cristãoque viver no mundo transcendendo tudo, pregando e vivendo o Evangelho em qualquer circunstancia, bendizendo a todos, dando testemunho do amor fraterno. Se levantarmos os olhos para ver Cristo que ascende ou sobe é para saber olhar para os homens e reconhecê-los como irmãos. Um irmão não pode fazer mal contra outro irmão.

O relato da Ascensão de Jesus tende a sublinhar a responsabilidade dos cristãos. Assim como “No principio Deus criou o céu e a terra” (Gn 1,1) e todas as coisas e, uma vez criado o mundo, o submeteu à responsabilidade do homem, que há de dar conta da gestão diante do Criador, assim também o relato da Ascensão acentua a subida de Jesus ao céu para que fique patente que a terra fica nas mãos e sob a responsabilidade dos discípulos de Jesus, dos cristãos que terão que responder de sua gestão diante de Jesus quando vier pedir contas. De modo que a Ascensão do Senhor define o tempo da responsabilidade cristã.

Às vezes se ouve falar e se escreve sobre a ausência de Deus, lamentando que estejamos abandonados por Deus. Mas na verdade o que há é um tremendo absentismo ou ausentismo cristão. Absentismo ou ausentismo no sentido de que não estamos no que temos que estar e não fazemos o que caberia esperar dos que crêem na ressurreição. O perigo é que em vez de seguir a Jesus que nos exortava a estar no mundo sem ser do mundo (cf. Jo 17,16), resulta muitas vezes que somos do mundo, pois não estamos respondendo ao Evangelho.

Nossa responsabilidade como cristãos é fazer visível a presença de Deus no mundo. Se não se Deus no mundo é porque não se na nossa vida de cristãos. A missão da Igreja, a missão de cada cristão é fazer presente o Reino de Deus, mas não se faz como um grupo de pressão na busca de interesses que não são os do Evangelho. Podemos dizer a mesma coisa nas palavras de São João Crisóstomo: “Cristo deixou-nos na terra para que sejamos faróis que iluminam, doutores que ensinam; para que cumpramos o nosso dever como o fermento... Nem sequer seria necessário expor a doutrina se a nossa vida fosse tão radiante, nem seria necessário recorrer às palavras se as nossas obras dessem tal testemunho”.

Nós que cremos em Cristo não podemos centrar nossa vida de somente na contemplação do Senhor no céu. Deus quer que caminhemos, como testemunhas da verdade, do amor, da justiça, da solidariedade. A construção da cidade terrena não deve nos levar a ficarmos com o olhar posto somente nos avanços técnicos, tão necessários para nosso progresso temporal; também devemos ver o interior do homem, nossa capacidade de amar, de ser amado e de nos deixar amar. Quando esse amor, que procede de Deus, se tornar realidade, então entenderemos que tem sentido, inclusive, de entregar nossa vida para que desapareçam os ódios e divisões entre s.

Precisamos rezar muito. A oração nos enche de Deus, nos faz escutar a Vontade de Deus para cumpri-la no mundo, ali onde se desenvolvem nossas atividades cotidianas. Revestidos de Cristo devemos nos deixar modelar pelo Espírito Santo numa imagem cada dia mais perfeita d’Ele. O Senhor quer nos enviar não como experts do Evangelho e sim como testemunhas suas. Quem não sabe permanecer em oração para receber a força do alto, poderá até deslumbrar os demais por sua erudição, mas dificilmente poderá colaborar para sua salvação, pois a salvação é a obra de Deus no homem e com o homem.

Se subir significa um movimento para o nível mais alto, em que consiste sua subida como cristão ou está parado?

Rio de Janeiro, na Festa da Ascensão do Senhor, 04 de junho de 2011
Vitus Gustama, SVD
e-mail: gvitus@hotmail.com ou lambokeker@hotmail.com
Acesse também via site da paróquia: http://www.cristoredentor-rj.com.br/

Nenhum comentário: