domingo, 5 de junho de 2011

LEVANTA-TE E ANDA, POIS A VIDA TE CHAMA

Jo 5,1-18

Além da reflexão sobre a Ascensão do Senhor que foi postada anteriormente, quero partilhar também com você uma outra reflexão sobre a necessidade de continuarmos nossa caminhada com o Senhor apesar de suas dificuldades.

Vamos olhar para o texto para tirar sua mensagem para nossa vida. Apesar dos problemas encontrados na nossa passagem neste mundo, a vida continua nos chamando a vivê-la na sua profundidade e dignidade, pois ela é o maior de todos os dons de Deus, pois sem o dom da vida não existiriam outros dons. E é necessário crer para viver, pois Jesus, o Deus-entre-nós tem o poder de dar a vida a quem acredita na Sua palavra. E a vida, antes de ser vivida, precisa ser rezada.

1. Local da cura e seu significado
          
O nome da piscina onde se encontra o paralítico, como outros enfermos, é “Betesda”. Sua etimologia aramaica significaria “casa da misericórdia” (outros dizem que significaria “lugar do derramamento”: beth ‘eshdah, hebariaco). É uma espécie de refúgio para adoentados de todo tipo. Essa piscina foi descoberta pelos arqueólogos em 1931-1932 entre as ruínas da basílica de Santa Ana.
          
Os enfermos (cegos, coxos e paralíticos) estavam nessa piscina porque acreditava-se que aquelas águas tinham poder curativo. Acreditava-se, conforme o relato, que quem pulasse primeiro nessas águas, ficaria curado de sua doença.
       
Mas o que mais importante neste relato não é saber se as águas tinham ou não tinham poder curativo. O ensinamento fundamental que o evangelista João quer nos transmitir é que a Palavra de Jesus é vivificante. A palavra de Jesus dá vida. Jesus é a água viva que purifica e sacia a sede eterna da felicidade do homem (cf. Jo 4,1-42). A palavra de Jesus tem poder vivificador, isto é, dá vida, vivifica. A vida eterna, a salvação encontra em Jesus.

2. O homem na sua gravíssima paralisia
          
A figura do paralítico é descrita com poucas palavras, mas estas bastam para sublinhar sua impotência diante da própria enfermidade. “Estava ali um homem enfermo havia 38 anos” (v.5).  O número38” (40 menos dois) representa quase uma geração (Dt 2,14), pois o número 40 representa uma geração e é associado também com longos períodos de sofrimento e com a duração de fases sucessivas do plano salvífico de Deus. O número “quarenta” indica o tempo em que tem de superar-se a provação (At 1,3; Dt 8,2).
          
A duração de 38 anos da doença quer destacar a gravidade da doença e sua impossibilidade de cura, de um lado. Para o homem que estava doentetanto tempo e não podia encontrar a forma de chegar à água curativa, a esperança era praticamente nula. Por isso, ele representa uma geração ou pessoa que está na porta da morte. Mesmo assim, o paralítico não se desesperou em nenhum momento. De outro lado, o texto quer enfatizar a grandeza do poder de Deus que possibilita o que é impossível (cf. Mc 9,23;Lc 1,37.45). Nãoproblema que Deus não possa solucionar, como nãopecado que Deus não possa perdoar (cf. Lc 23,40-42). A única coisa que é exigida de cada um de nós é a na misericórdia divina e o respeito pela Sua soberania.

3. O encontro do Onipotente com o impotente, do Criador com sua criatura
          
Apesar de sua incapacidade de pular para as águas curativas, por conta própria, o paralítico permanece perseverante naquele lugar esperando um dia uma solução (de surpresa).
          
Nossa perseverança depende da nossa capacidade de lembrar que a vitória no final vale o esforço feito, ainda que de momento a situação seja muito desconfortável. A escada da perseverança, às vezes, parece alta, porque você ainda não vislumbra o ponto onde se apóia solidamente a outra extremidade. Quando você começar a subir, não deixe a escada cair para você não cair também, porque ela é o seu ponto de apoio para alcançar seu objetivo. Não deixe o medo, a ansiedade e o desânimo deformarem sua esperança e sua percepção da realidade, pois quando você não vir o topo da escada (objetivo) para onde você deve subir, você poderá cair no desespero ou na depressão. O que deve motivá-lo a perseverar é a vida em perpétuo crescimento que supõe uma série de mudanças inesperadas. O que foi vivido no passado não deve representar necessariamente o que deve ser vivido no presente e o nosso futuro. Com isso, a vida deixará de ser um fardo pesado a ser carregado, para ser uma oportunidade valiosa para crescer em todas as suas circunstâncias (negativas e positivas). O mais difícil é convencer-se disto, desde . Mas se você carregar a vida como um fardo, então, uma série de falsas idéias vai invadir o seu espírito e conseqüentemente, você se tornará uma pessoa revoltada, insatisfeita, pessimista e negativista em tudo e de tudo. Nosso grande problema não é implantar coisas novas na nossa cabeça e sim tirar as coisas velhas dela.
           
A resposta de Deus para nossos clamores virá, mesmo que ela chegue mais tarde, porque Deus é fiel (cf. 1Ts 5,24;1Cor 10,13), como aconteceu com o paralítico de 38 anos de sofrimento.
          
Jesus estava em Jerusalém por ocasião de uma festa (Páscoa?) e encontrou-se com o paralítico. O diálogo aparentemente começou mal com uma pergunta realmente óbvia: “Queres ficar curado?” (v.6). Será que Jesus não estava sentindo na pele o sofrimento durante 38 anos do paralítico que ainda perguntou se queria ficar curado?
          
Mas precisamos ler atentamente a pergunta de Jesus. A pergunta não foi: “Tu desejas ficar curado?”, e sim: “Tu queres ficar curado?”. De um lado, o desejo, o sonho: desejaríamos/gostaríamos de estar numa situação diferente. De outro, uma vontade: Tu queres? Vontade se refere ao esforço; é um apelo ao desejo profundo. Quem diz vontade diz esforço. Desejo de se curar e vontade de se curar são conceitos diferentes.
          
Queres ficar curado?” é a pergunta dirigida a cada um de nós. Queres ficar curado do teu pecado e de tua mesquinhez? Queres ficar curado da tua angústia, da tua confusão, e de tua preocupação? Queres ficar curado da tua doença, da tua depressão? Mas será que nós sabemos o que queremos? Será que ainda somos capazes de querer e de querer viver? Quem nos dará hoje a vontade de viver, de reviver? Quem nos dará forças para lutar e andar?
          
O paralítico se apressa em mudar a pergunta: “Senhor, não tenho ninguém..”. Falta a solidariedade para que a vida aconteça. Por falta dessa solidariedade, cada um se torna um lutador solitário. Quem é curado? É claro que o mais rápido, o mais sadio, o que tem mais assistência.
          
Senhor, eu não tenho ninguém”. Com esta resposta o paralítico apela para a ajuda do outro, espera que lhe estenda a mão. Além da mão estendida, ele espera e necessita também duma presença, dum olhar amigo. Quando diz: “Não tenho ninguém”, ele quer dizer quenão existo para ninguém, estou sozinho e essa solidão me desespera, me paralisa, me tira todas as forças, eu sou uma pessoa abandonada”. O paralítico é sozinho e desamparado.  Senhor, não tenho ninguém” é a confissão de uma humanidade que se conscientiza da própria miséria: “Das profundezas, eu clamo a Ti, Senhor”(Sl 139). Deus deixa vivermos nossa impotência profundamente para que possamos reconhecer a Sua onipotência. E Deus quer que soltemos o grito que chama pelo libertador. “Senhor, eu não tenho ninguém!”. No fundo, esta palavra significa: “Eu tenho a Ti, Senhor, meu Criador e meu Onipotente”. A presença de Jesus era aquilo que faltava para que o paralítico obtivesse a cura. A chegada de Jesus abriu-lhe a inesperada perspectiva de ser curado, sem necessidade do contato com as águas. Em última análise, todos somos como o paralítico. Jesus, por sua morte e ressurreição, pode nos proporcionar a libertação.
          
O Senhor está sempre disposto a nos escutar e nos dar em cada situação aquilo de que precisamos. A bondade de Deus supera sempre os nossos cálculos. Mas Deus quer a nossa colaboração: o nosso querer (vontade). Deus quer a nossa vontade de sair da situação difícil em que nos encontramos. Precisamos usar todos os meios ao nosso alcance para superar a dificuldade.
          
Jesus Cristo, o Emanuel (Mt 1,23;18,20;28,20) toma a iniciativa de oferecer a cura ao paralítico. Explode, então, a palavra: “Levanta-te e anda!”. O Criador, queestava no mundo e o mundo foi feito por meio dele” (Jo 1,10), está diante da sua criatura e dá-se a conhecer a ela. “Ele disse e tudo foi feito” (cf. Gn 1,1ss).
          
Levanta-te e anda” é a ordem de Jesus ao paralítico. E o homem ousa levantar-se..., e o milagre acontece. O milagre consiste na ousadia de confiar em uma palavra, em uma ordem divina, em abrir-se para uma presença divina. A vida jorra não da água da piscina, e sim da força de Sua palavra eficaz. Sua pessoa e Sua palavra são a fonte da vida. Jesus é a Palavra criadora. Querendo, Ele pode restaurar Sua criatura que se decompôs, recompondo-a à Sua imagem e semelhança (cf. Gn 1,27). Basta que a criatura (homem), do mais fundo da sua miséria, grite com por Aquele que vem curá-la, pois nada se faz sem : “O homem acreditou na Palavra e pôs-se a caminhar”. O impossível se tornou, então, possível. Ele se levanta e se põe a caminho, levando com ele aquilo que, até aquele momento, lhe servira de amparo: sua cama.   

4. Vamos entrar em nós para reconhecer as sementes de nossas forças que Deus nos plantou para podermos nos levantar e andar nesta vida.
           
“Levanta-te e anda!”, ordenou Jesus ao paralítico. Acreditando apenas na força da Palavra de Jesus, ele tomou coragem de se levantar e começou a andar com as próprias pernas. A paralisia terminou seu reinado a partir do momento em que o paralítico começou a ouvir atentamente e a acreditar profundamente na força da Palavra de Deus. Dentro desse homem havia uma força misteriosa que ele desconhecia até então, como dizia o filósofo romano, Epicteto: “Cada dificuldade na vida nos oferece uma oportunidade para nos voltarmos para dentro de nós mesmos e recorrermos aos nossos recursos interiores escondidos ou mesmo desconhecidos. As provações que suportamos podem e devem revelar-nos quais são as nossas forças.... Você possui forças que provavelmente desconhece” (Arte de Viver, p.37, Sextante: Rio de Janeiro,2000).  E a Palavra de Deus veio certamente para despertar essa força misteriosa que temos dentro de nós para superar as nossas “paralisias”.
          
Por isso, a ordem de Jesus “Levanta-te e anda” é dirigida também para cada um de nós. Cada um conhece e reconhece suas próprias “paralisias”. Cada um pode colocá-las em ordem de acordo com sua gravidade. E cada um pode calcular quanto tempo durou ou tem durado essa (s) paralisia(s) e tenta descobrir como você chegou a ter essas “paralisias”.
          
Nesta reflexão eu gostaria de colocar algumas dicas para cada um poder se levantar e andar nesta vida.

a). Descubra sua missão e seja bom todos os dias com as pessoas
          
Estamos aqui neste mundo com um objetivo único, com um objetivo nobre que nos permitirá manifestar nosso mais alto potencial enquanto, ao mesmo tempo, acrescentamos valor às vidas das pessoas que estão a nossa volta. Descobrir a própria missão significa trazer mais de você mesmo para o trabalho e concentrar-se nas coisas que você sabe fazer melhor e dar sempre o melhor de você para os outros sem esperar nada em troca, como elogios e reconhecimento: “Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenando, dizei: Somos servos inúteis, fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17,10). Não se arrependa por você ter dado o melhor de si, mesmo que você sofra algum desentendimento ou alguma ofensa por ter feito uma coisa boa na sua vida. Agindo assim, sua vida se transformará. Se você não se impuser à vida, ela se imporá a você. Lembre-se de que os dias transformam-se em semanas, as semanas em meses e os meses em anos. Quando menos se espera, tudo chega ao fim, e você se sem nada além de um coração ressentido por uma vida vivida pela metade. Comece a ser a pessoa que você realmente é, fazendo o possível para enriquecer o mundo à sua volta. A bondade é simplesmente o aluguel que devemos pagar pelo espaço que ocupamos neste planeta.
          
Uma vida significativa é feita de uma série de pequenos atos diários de decência e bondade, que quando somados no final, resultam, paradoxalmente, em algo grandioso. Pela prática de atos justos, aprendemos a ser justos; pela prática de atos de autocontrole, aprendemos a ter autocontrole; e pela prática de atos de coragem, chegaremos a ser corajosos. Vivemos neste planeta por um tempo muito curto. A nossa vida relativamente curta é apenas faísca na tela da eternidade. Por isso, precisamos aprender a apreciar a jornada e a saborear o processo. “A bondade maior é como a água: faz o bem a tudo, e em silêncio vai aos lugares inferiores que os homens desprezam. Não se opõe a nada, serve a tudo. O sábio é prestativo em se dar e sincero em falar, suave em conduzir, poderoso em agir e age com sinceridade” (Lao Tse, em Tão Te King). A vida não é uma luta para superar os outros, mas uma missão a ser exercida para dar o melhor de nós para a humanidade conforme os talentos recebidos de Deus.

b. Comece bem o seu dia
         
O modo como você começa seu dia determina o modo como você passará o restante dele. Os seus primeiros trinta minutos depois de acordar são os minutos mais importantes e valiosos do dia porque têm uma enorme influência na qualidade de cada minuto que segue.
          
Por isso, como pessoa que acredita em Deus, você precisa usar estes primeiros minutos(ou mais) para falar com Deus e experimentar Sua força em você. Tenha apenas pensamentos puros e conceba apenas coisas boas para que seu dia tenha uma continuidade maravilhosa. Seja simples porquea simplicidade é a virtude dos sábios, e a sabedoria dos santos” (André Comte-Sponville, em Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, Martins Fontes, SP, 1997). Você é aquilo que você pensa. Não pense no mal para que o mal não pense em você. Mas pense no bem para que o bem pense em você. “Contemple o bem, e persiga-o, como se não pudesse alcança-lo; contemple o mal e evite-o, como evitaria colocar a mão em água fervente” (Confúcio, em Aforismos de Confúcio). Então, comece bem seu dia e você nunca mais será o mesmo.

c. Tenha disciplina
          
Quanto mais disciplina você tiver, mais fácil será sua vida. E a qualidade de sua vida é moldada pela qualidade de suas escolhas e decisões, que incluem desde a carreira a seguir até os livros que você , a hora em que você se levanta toda manhã e os pensamentos que você tem durante o dia. Ao direcionar sua força de vontade, você retoma o controle de sua vida.
         
Você pode até perguntar a vida das pessoas eficientes e realizadas. Essas pessoas não passam o tempo fazendo o que é mais conveniente ou cômodo. As pessoas sucedidas têm o hábito de fazer as coisas que os fracassados não gostam de fazer. Pode ser que elas não gostem de fazer determinada coisa, mas esse sentimento está subordinado à força do propósito. As pessoas bem sucedidas e realizadas ousam ouvir o coração e fazer a coisa certa. Isto é que as torna grande. Elas não se preocupam o que os outros dizem. Elas simplesmente fazem as coisas certas, boas, honestas, justas e corretas. As pessoas invejosas continuam sendo cada vez mais estéreis, enquanto as pessoas eficientes e realizadas continuam subindo no seu sucesso. “A inveja é a tristeza pelo bem alheio” (Spinoza) e sofre amargamente com a satisfação que tem nos outros. Toda comparação que fazemos estará nos roubando um tempo precioso para a nossa busca do bem e sua vivência no cotidiano com os demais. “três coisas que o homem superior reverencia. Ele reverencia os desígnios do Céu. Ele reverencia os grandes homens. Ele reverencia as palavras dos sábios” (Confúcio).

d. Honre seu passado e caminhe para o futuro de Deus
          
O passado é observável, mas não é modificável. O futuro é modificável, mas não é observável.  O único tempo que temos é o tempo presente. “A vida pode ser compreendida, olhando-se para trás. Mas somente pode ser vivida, olhando-se para frente” (Sören Kierkegaard). E “podemos andar até devagar, mas nunca para trás” (Abraham Lincoln). Cada segundo que você gasta para pensar nos fatos ruins de seu passado está sendo subtraído de seu futuro. Cada minuto que você gasta para pensar nos problemas é tirado do tempo que você poderia utilizar para solucioná-los. Você se torna aquilo em que pensa durante todo o dia, e não faz sentido preocupar-se com eventos ou erros do passado, a não ser que você queira vivê-los novamente. Ao contrário, use as lições aprendidas com o passado para erguer-se a um novo nível de conhecimento e iluminação. Se você souber tirar lições das situações difíceis da vida, as mesmas situações acabarão revelando as maiores oportunidades para melhorar sua vida. Use essas lições de vida para abastecer seu crescimento futuro.
          
O que perturba não é o que aconteceu, e sim o modo de ver o que aconteceu; não o fato em si, mas a interpretação que se lhe dá. Os fatos passados jamais mudarão, mas o nosso modo de vê-los e de vivê-los pode mudar. São Paulo, por exemplo, era um grande perseguidor dos cristãos. Mas Deus o libertou desse caminho (cf. At 9,1ss). São Paulo se libertou do peso do passado pela graça de Deus: “Pela graça de Deus sou o que sou” (1Cor 15,10) e “ não sou eu quem vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Certamente essa experiência da gratuidade do amor de Deus daria rumo à vida de Paulo e iria sustentá-lo nas coisas que viriam. E nos relembra: “Pela graça fostes salvos, por meio da , e isso não vem de vós, é o dom de Deus” (Ef 2,8).
          
“Levanta-te e anda!” é a ordem divina para cada um de nós. Ouvindo atentamente e acreditando profundamente na força da Palavra de Deus, nós poderemos andar com muita segurança para o futuro de Deus que ele nos prepara para quem o merece. Que a ordem de Jesus penetre no nosso coração para reviver as forças adormecidas dentro de nós. Assim seja.     

Rio de Janeiro, 05 de junho de 2011
Vitus Gustama, SVD


 

Um comentário:

mrzambrano disse...

Parabéns Pe.Vitus pelo seu blog. A cada dia cresce o número de seguidores aqui e e fora do Brasil. Continue com suas reflexões diárias. Marcelo Zambrano