segunda-feira, 27 de junho de 2011

ORAÇÃO DO INTELECTUAL

Muitas palavras, Senhor, muitas idéias, muitas discussões.
Mesmo para a minha oração, eu trouxe o peso do meu raciocínio,
A carga irracional da minha racionalidade.
Sou viciado em silogismos, escravo da razão, vitima da compreensão.
Obscureço as minhas orações com a minha sofisticação
E atenuo as minhas necessidades com a verbosidade da minha expressão.
Percebi o meu vício e desejo voltar, ao menos uma vez, à simplicidade e à inocência da infância. Sinto-me feliz por fazê-lo.

Hoje, o meu coração não se exalta, nem se eleva soberbo o meu olhar;
Não me ocupo de idéias grandiosas nem de assuntos demasiado prodigiosos para mim. Não; submeto-me, reconheço a minha pequenez, repousando, qual criança saciada, a cabeça no colo da mãe.

Submeto-me, Senhor. Submeto a Ti o meu intelecto.
Abandono os meus conceitos, meu conhecimento, minhas teorias
E elucubrações.
Pensei tanto que transformei o intelecto que me deste para encontrar-Te num obstáculo que impede que eu Te veja.
Desisto, Senhor. Doma a minha razão e castiga o meu pensamento.
Faze parar o meu intelecto e pacifica a minha mente.
Suprime o ruído interior que não me permite ouvir a Tua voz no meu coração.

Deixa-me repousar em Teus braços, Senhor, como uma criança nos braços da mãe. Como amo essa imagem! Fecho os olhos, descontraio os membros, sinto o toque delicado, o calor, o cuidado.
Adormeço na simplicidade da minha alma.
Eis a oração que mais bem me faz, Senhor.

Leia Salmo 130.

Fonte: Carlos G. Vallés,
            Busco Tua Face, Senhor
            Editora Loyola

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