quinta-feira, 23 de junho de 2011

VULNERABILIDADE DA VIDA HUMANA E SEU SENTIDO

Vida é o ponto comum em que todos nós podemos nos encontrar. A vida nos leva ao encontro com o outro. A vida nos une. A vida nos faz comunidade, pois temos todos algo em comum: a vida.  A vida anima o homem a lutar, a se superar, a comemorar sucessos ou avanços etc.. A vida leva o homem a descobrir maneiras novas para prolongar sua presença na história e outros meios para facilitar sua existência neste mundo. A vontade de viver leva o homem a lutar para se manter rejuvenescido. Todo mundo quer uma vida longa, mas ninguém quer ficar velho.  A vida é o dom maior. Não a pedimos e sim a recebemos. Pelo fato de a vida ser dom, estamos, então, no mundo de gratuidade. Estar no mundo de gratuidade nos faz vivermos na gratidão permanentemente. Quem vive na gratidão, ganha força nova para continuar sua luta pela vida digna. Sem a vida não haveria outros dons. Ao mesmo tempo por causa da vida e seus compromissos e suas tragédias, os desencontros são inevitáveis e as lágrimas são derramadas. Mas um dia a Vida (Deus, o Autor da vida) une as vidas no encontro eterno, no amor sem limites, na paixão eterna. Sejamos contados neste derradeiro encontro.
       
Temos que reconhecer que a vida na história é vulnerável. O termovulnerável” indica a suscetibilidade de ser ferido. Por ser vulnerável, um fere o outro e ele mesmo é ferido pelo outro. Qualquer um pode ser ferido por alguma coisa ou por alguma pessoa. O ser humano na história está exposto a múltiplos perigos: o perigo de adoecer, o perigo de ser agredido, o perigo de fracassar, o perigo de morrer. Viver na história é viver na vulnerabilidade. O ser humano está constantemente ameaçado por elementos externos e internos.
       
Sofremos porque essa é a condição do ser humano como criatura e como um ser limitado na história. A vida humana terrena é por si mesma pequena, frágil e fraca. Nãodinheiro que possa acabar com sua fragilidade e enfermidade. A vida humana terrena é agradável, mas ao mesmo tempo frágil. Por isso, de alguma forma, sofremos algo na vida, seja fisicamente, seja psicologicamente, seja moralmente, socialmente, economicamente etc.. Jesus também sofreu e foi crucificado como um inocente. Para o homem, na história, alguma dor é inevitável.
       
Diante de sua vulnerabilidade e de suas dores o homem se pergunta: Quem sou eu? Que sentido tem minha existência humana? O que posso esperar no futuro? Que sentido tem o sofrimento? O que posso aprender da dor ou do sofrimento? Que sentido tem a morte? Quando se pergunta filosoficamente o que é a pessoa humana, pergunta-se sobre o sentido que tem sua existência, sobre sua interioridade, sobre o invisível da pessoa, sobre o fundamento ultimo de seu ser, de seu obrar, de seu fazer, de seu pensar.
       
O homem tem tendência de fugir da dor. Mas paradoxalmente ao fugir da dor ele voltará a encontrá-la ali onde ele não esperava: na sua própria fragilidade como criatura que é limitada fisicamente. Sofrer, quando se transforma em uma tarefa livremente assumida é algo que nos faz mais livres a respeito das circunstâncias externas, nos abre os olhos ao verdadeiro valor e importância das coisas.

O verdadeiro resultado do sofrimento é um processo de amadurecimento. O amadurecimento se baseia em que o ser humano alcance a liberdade interior apesar da dependência exterior. A dor ou o sofrimento leva o ser humano à maturidade biológica, o que supõe uma avaliação do próprio corpo e seu processo evolutivo; à maturidade psicológica, o que implica o não ser dominado pela angústia ou pelo desespero; à maturidade humana que significa lucidez para saber encaixar a fragilidade e a dor como elemento integrante da vida humana terrena; e por fim, à maturidade religiosa, o que implica que na crise se saiba referir a situação da dor a Deus, sem rebeliões demonizantes e sem superstições mágicas.

A felicidade de uma pessoa não está ligada à ausência de problemas ou de dores, mas à sua capacidade de enfrentá-las positivamente por causa da no amor de Deus.  A dor realiza em nós uma purificação corporal e espiritual: torna-nos menos dependentes de nosso capricho; eleva-nos acima do interesse porque aprendemos a renunciar àquilo que na nova situação não podemos ter. Inclusive relativizamos a importância de satisfações e necessidades que acreditávamos irrenunciáveis, e até chegamos a prescindir delas. A dor eleva o homem acima de seus desejos.

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” diz-nos Jesus (Jo 14,6). E “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham abundantemente” (Jo 10,10b). Se Jesus é tudo isto e muito mais do que isto, é preciso que conversemos diariamente com Ele; é preciso que consagremos alguns minutos diariamente para meditar sua palavra. Somente no silêncio diante de Deus é que a eternidade pode estar presente na nossa vida.

São Boa Ventura nos ensinou através do seguinte conselho sobre a importância da oração:

“Se tu queres sofrer com paciência as adversidades e misérias desta vida
homem de oração.

Se tu queres alcançar virtude e fortaleza para vencer as tentações,
homem de oração.

Se tu queres mortificar a própria vontade com todas as afeiçoes e apetites,
homem de oração.

Se tu queres conhecer as astúcias de Satanás e defender-te de seus enganos,
homem de oração.

Se tu queres viver na alegria e caminhar com suavidade pelo caminho da penitência e do trabalho,
homem de oração.

Se tu queres espantar da alma as moscas importunas dos vãos pensamentos e das preocupações,
homem de oração.

Se tu queres fortalecer e confirmar teu coração no caminho de Deus,
homem de oração.

Enfim, se tu queres arrancar da alma todos os vícios e plantar em seu lugar todas as virtudes,
homem de oração”.

Fonte desta oraçao: Em Tuas Mãos, Senhor
                          Frei Luiz Carlos do Nascimento, OFM
                          Editora Vozes
 
Rio de Janeiro, 23 de junho de 2011
Vitus Gustama, SVD

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