segunda-feira, 11 de julho de 2011

PAZ QUE ORDENA E AMOR QUE PURIFICA


Texto da leitura: Mt 10,34-11,1


·        “A busca da verdade é a verdadeira devoção. É o caminho que conduz a Deus. O medo, a derrota não podem então coexistir. A verdade é um talismã que faz com que a morte se torne o portal para a vida eterna” (Mahatma Gandhi)

·        “Se quisermos alcançar a verdade, ou seja, Deus, o meio incontornável para isso é o amor, isto é, a não-violência” (Mahatma Gandhi)

O texto do evangelho de hoje é a ultima parte do discurso de Jesus sobre a missão no evangelho de Mateus (Mt 9,35-11,1). Nesta ultima parte o texto quer responder às seguintes perguntas: Que tipo de paz que Jesus trouxe para os homens? E que tipo de amor que Jesus quer que vivamos no nosso dia a dia, inclusive dentro do contexto de afetividade familiar (os pais para os filhos e vice-versa). E que tipo de vida que deve ser vivida?

Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra...” 
       
Estas palavras se referem a certas circunstâncias em nossa existência nas quais temos que saber decidir corretamente e tomar partido de Deus e dos valores do Reino de Deus. Seguir realmente a Jesus pode provocar a oposição de nossos parentes, porque o seguimento não permite que compactuemos com a maldade de nossos familiares e parentes. Entre os valores superiores que salvam e o pacto com a maldade dos parentes, o cristão escolhe os valores superiores.
       
Com efeito, a paz que Jesus traz é uma paz fundada na verdade, na justiça, na honestidade, no amor, na igualdade, na retidão e assim por diante. Esses valores se chocam com os interesses pessoais. Mas o cristão tem que ser amigo da verdade em qualquer circunstância. O cristão não deve estar do lado de ninguém e sim do lado da verdade, pois somente a verdade é que o libertará (cf. Jo 8,32). Dizia Mahatma Gandhi: “Sem verdade, é impossível observar princípios, um código de conduta na vida”. A fé, quando é coerente, nos põe diante das opções decisivas em nossa vida diariamente. Ser cristão, seguidor de Jesus, não é fácil e supõe saber renunciar às tentações fáceis nos negócios.

Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim”.

Quem acolhe Jesus e seus ensinamentos se encontra, às vezes, com que tem que fazer uma escolha radical, inclusive nos afetos mais íntimos, não para abandoná-los e sim para purificá-los e fazê-los mais autênticos. O amor do pai e da mãe está inscrito na natureza e é um mandamento de Deus. “Honrar seu pai e sua mãe” é o quarto mandamento do decálogo. Amando aos nossos pais reconhecemos o dom da vida recebida de Deus através deles. No entanto, quando eles forem amados no Senhor, este amor se remonta para Aquele do qual depende toda vida. Então, amar a Jesus significa amar intensamente ao Pai do céu que nos entregou Jesus Cristo para nos salvar e amar com mais convicção àqueles que nos entregaram materialmente a existência, isto é, aqueles que nos geraram.

Assim ocorre também a respeito dos filhos e filhas. Os progenitores, ao amar os filhos, vivem a paternidade e a maternidade que tem sua origem em Deus. Os pais, amando a Jesus sobre todas as coisas conseguirão viver com maior plenitude a doação total de si aos filhos que o Senhor nos ensinou. Em outras palavras, os pais precisam amar seus filhos no Senhor. O amor preferencial a Jesus não elimina o amor humano e sim o sublima, o faz autentico, o faz ágape, isto é, difuso, nunca centralizador. Os filhos precisam amar aos pais no Senhor e os pais precisam amar aos filhos no Senhor, pois este amor é que salva.

Aprender a Se Perder É Ganhar
               
Quem procurar conservar sua vida, vai perdê-la”. Esta afirmação de Jesus é uma das leis fundamentais da existência: não há que tentar possuir a vida só para si. Há que sair de si mesmo, há que aprender a superar-se. No esquecimento de si está a verdadeira vida, a verdadeira felicidade, o verdadeiro crescimento e plenitude, segundo Jesus. A preocupação pela própria vida e pelos próprios interesses pode levar o cristão a trair a mensagem do evangelho. A busca de segurança e comodidade para a própria existência conduz inevitavelmente para a própria ruína.

A renúncia aos laços do egoísmo humano implica a dor das rupturas e do estranhamento social, mas ao mesmo tempo, produz uma nova rede divina na qual estão implicados o Pai do céu, Jesus e seus enviados e aquele que está disposto a oferecer hospitalidade generosa aos que se comprometem com o projeto de Jesus.
       
O cristão tem que ser, antes de tudo, uma pessoa livre e responsável. Livre da mentalidade apegada ao lucro em nome da desonestidade. Livre para enfrentar o conflito que suscita o anuncio do Reino de Deus. Livre para se comportar e ser um verdadeiro filho de Deus como Jesus o é. Liberdade e responsabilidade para assumir a cruz que implica o seguimento de Jesus.
       
No fim do texto Jesus nos diz: “Todo aquele que der ainda que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos, porque é meu discípulo, em verdade eu vos digo: não perderá sua recompensa”.

Dar significa privar-se de algo, renunciar a algo. Quando damos algo de verdade, nos experimentamos a nós mesmos cheios de vida com capacidade de enriquecer os outros, ainda que seja em grau muito modesto. Dar significa estar vivo e ser rico. Quem tem muito e não sabe dar, não é rico. É um homem pequeno, impotente, empobrecido, por muito que possua. Precisamos aprender a dar nossa alegria, nossa compreensão, esperança, amor e assim por diante para que nossa vida seja cada vez mais rica em Deus. 
       
Podemos entender, dentro deste contexto, a seguinte afirmação de Jesus: “Quem procurar conservar sua vida, vai perdê-la”. Esta afirmação é uma das leis fundamentais da existência: não há que tentar possuir a vida só para si. No esquecimento de si está a verdadeira vida, a verdadeira felicidade, o verdadeiro crescimento e plenitude, segundo Jesus. A preocupação pela própria vida e pelos próprios interesses pode levar o cristão a trair a mensagem do evangelho. Quem só sabe se satisfazer jamais satisfará ninguém.
       
Rio de Janeiro, 11 de julho de 2011
Vitus Gustama,SVD


·        A paz de todas as coisas é a tranqüilidade da ordem. A ordem é a correta disposição das coisas semelhantes e das coisas diferentes, em virtude da qual cada uma delas ocupa o lugar que lhe é próprio(Santo Agostinho. De civ. Dei, 19,13,1).

·        “Se tivermos dentro de nós o temor a Deus, deixaremos de temer os homens” (Mahatma Gandhi. Princípios de vida).

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