terça-feira, 26 de julho de 2011

SER JUSTO PERSEVERANTE

SÃO JOAQUIM E SANTA ANA
Pais de Nossa Senhora
26 de julho de 2011

É inútil procurar na Bíblia os pais de Nossa Senhora. Os quatro evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João) guardam absoluto silêncio sobre os pais de Maria (são chamados canônicos porque formam uma lista oficial dos livros que a Igreja considera como inspirados que servem de norma para a fé e para a prática religiosa. A Bíblia se compõe de 73 livros considerados canônicos: 46 formam o Antigo Testamento e 27 livros formam o Novo Testamento). Nem sequer seus nomes foram transmitidos. Mt (Mt 1,1-17) e Lc (Lc 3,23-38) escreveram sobre a genealogia de Jesus, Maria é citada, mas seus pais não são citados.

Para saber sobre os pais de Maria temos que recorrer aos evangelhos apócrifos, ingênuos relatos pela imaginação fervorosa dos primeiros cristãos para completar com isso os silêncios dos evangelhos canônicos. Dificilmente saber até que ponto esses relatos são verdadeiros. Por isso são chamados de apócrifos, isto é, não é de uso publico (Apócrifo é palavra grega "apócryphos" que significa escondido, secreto, oculto, isto é, não eram usados oficialmente na liturgia e no ensino).

Mas em cada história ou historinha sempre tem alguma lição. Segundo o evangelho apócrifo, os dois, Joaquim e Ana, eram da mesma tribo: Tribo de Judá. Quando tinha 20 anos, Joaquim casou-se com Ana. Durante os 20 anos de matrimônio os dois não geraram nenhum desdente. Não ter descendência, na época, era sinal da maldição de Deus e por isso, era uma vergonha pública. Por outro lado, os dois eram pessoas honradas, temerosas de Deus, generosas em suas ofertas para o Templo.

Um dia, quando Joaquim estava para fazer sua oferta no Templo, um escriba chamado Ruben parou os passos de Joaquim e lhe disse: “Não és digno de apresentar tuas oferendas enquanto não tiver tua descendência”. Aflito e humilhado, Joaquim se retirou ao deserto para orar a fim de que Deus pudesse dar de presente um descendente. Ana, a esposa, também começou a se vestir de saco e cilício para pedir a mesma graça. Ana rezou assim: “Ó Deus de nossos pais! Escutai-me e bendizei-me à maneira que bendissestes o seio de Sara, dando-lhe como filho Isaac”.

A humilde suplica de Ana obteve uma resposta de Deus. Um anjo do Senhor anunciou-lhe que eles teriam descendente. Ao mesmo tempo Joaquim, encontrado no deserto, recebeu a mesma mensagem e imediatamente voltou para sua casa com grande alegria para estar com sua esposa, Ana.

Não importa se você está num lugar bem deserto ou simplesmente em sua casa, se você fizer uma humilde súplica ao Senhor por uma causa nobre, cedo ou tarde, o Senhor vai atender. Tenha paciência porque “o relógio” de Deus é diferente de nosso relógio. Simplesmente vamos nos abandonar nas mãos de Deus mesmo que tenhamos que enfrentar todo tipo de humilhação e dificuldade. Se lutarmos por uma causa nobre, cedo ou tarde o tempo vai nos revelar quem está com razão. No casal Joaquim e Santana, encontramos um grande paradoxo: um casal justo, mas estéril. A esterilidade, de acordo com o costume na época, é uma negação para a condição de ser justo. “Se os dois fossem justos, teriam que ter filhos. Não tendo filhos é porque não são justos”. Essa era a lógica da época. Mas, no fim da história, Deus sempre tem a ultima palavra. Mesmo que tenha sido tarde, o justo casal, Joaquim e Ana, foi premiado por Deus uma filha chamada Maria, Mãe de nosso Salvador, Jesus Cristo.

Segundo o evangelho apócrifo, depois que entregou Maria para Deus no Templo, Ana se afastou silenciosamente e sumiu para sempre. Sua missão terminou. Com esta marca heróica de desprendimento os apócrifos encerraram o capitulo dedicado aos pais da Virgem Maria.

Ana é uma mulher paciente e humilde. Durante 20 anos ela sofreu sem queixa a tremenda humilhação da esterilidade. Mas suas orações são tão suaves e humildes que fazem o Senhor inclinar para ouvi-las. Sua longa provação não endureceu seu coração, pois ela acredita fielmente no poder de Deus.

Ana é uma mulher generosa, pois ela pede para ter descendente e o gozo de dar com alegria sua filha para o Senhor. E sua filha Maria será capaz de entregar-se à vontade de Deus totalmente: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,38). Ana é uma mulher abnegada, disposta a desprender-se de sua filha para dá-la aos outros.

Pedimos aos pais de Nossa Senhora que todos nós tenhamos o espírito de perseverança no bem que devemos fazer, em ser justo em tudo apesar dos obstáculos encontrados no caminho. Mas a graça de Deus nos potencia para ultrapassar os obstáculos a exemplo do justo casal, Joaquim e Ana.

Vitus Gustama, SVD

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