sexta-feira, 29 de julho de 2011

A VIDA COM JESUS NÃO CONHECE A MORTE

SANTA MARTA

29 de julho de 2011

Texto de leitura: Jo 11,19-27

Deus se faz novo quando nos voltamos para Ele. Nós nos tornamos velhos ao nos afastar d’Ele” (Santo Agostinho. In ps. 39,4)

“Quando te afastas do fogo, o fogo continua aquecendo, mas tu esfrias. Quando te afastas da luz, a luz continua brilhando, mas as sombras te envolvem. O mesmo acontece quando te afastas de Deus” (Santo Agostinho. Serm. 170,11,11)

“Se sentes vontade de fugir de Deus, não tentes esconder-te d’Ele, esconde-te n’Ele” (Santo Agostinho. In epist. Joan. 6,3)


O evangelho, tirado de Jo 11, dedicado à “ressurreição” de Lázaro, nos apresenta o momento em que Marta encontra Jesus que, com seus discípulos, se aproxima da aldeia onde fez poucos dias Lázaro morreu. Ao saber que Jesus chegou, Marta foi ao encontro dele. Maria, que não soube da chegada de Jesus, fica em casa onde se expressa a solidariedade com a morte. “Maria ficou sentada em casa”. Esta expressão significa que a morte de seu irmão, que para ela significa o término de sua vida, a reduz à inatividade.  A idéia da morte como fim paralisa a comunidade e a faz permanecer no ambiente da dor misturada com os que não têm fé em Jesus.

O dialogo entre Jesus e Marta está centrado na idéia da ressurreição dos mortos. “Senhor, se tivesse estado aqui, meu irmão não teria morrido”, disse Marta a Jesus. A frase de Marta mostra sua pena e insinua a reprovação. Ela queria dizer: “O Senhor poderia evitar a morte do meu irmão se viesse logo ao saber que meu irmão estava doente”.

Jesus responde a Marta restituindo-lhe a esperança: a morte de seu irmão não é definitiva. Jesus não veio para prolongar a vida física que o homem possui, suprimindo ou retrasando indefinidamente a morte. Ele veio comunicar a vida que ele mesmo possui: a vida eterna. A vida que ele comunica, ao encontrar-se com a morte, a supera. Isto se chama a ressurreição. Marta imagina uma ressurreição bem distante: “ressuscitará no último dia”. Jesus, ao contrário, se identifica com a ressurreição: “Eu sou a Ressurreição e a vida”. Por isso, não está longe, porque Ele que é a Vida, está presente.

Para que a realidade de vida invencível que é o próprio Jesus possa chegar ao homem, requer-se a adesão a ele, que inclui a aceitação de sua vida e morte como norma da própria vida. Para Jesus a morte física não tem realidade de morte. A morte, de fato, não existe para aquele que acredita e aceita Jesus Cristo. Esta é a fé que Jesus espera de Marta: “Crês nisto?”. E Marta responde com a perfeita profissão de fé cristã: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus que devia vir ao mundo” (Jo 11,27). Mais adiante, na conclusão do seu evangelho são João escreveu: “Estes foram escritos para creiais que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome” (Jo 20,31). Para Marta, Jesus não é o profeta (Jo 6,14), e sim o Messias, o Ungido, o Consagrado por Deus com o Espírito, o Filho de Deus, a presença do Pai entre nós.

Na liturgia de hoje lemos o evangelho no qual Marta é apresentada como uma mulher de especial protagonismo, dando-nos lições de “serviço” e de “confiança em Jesus”, peças importantes na simplicidade de nossa vida diária. Servir e confiar em Jesus são inseparáveis para a vida de quem quer a vida eterna. Eu sirvo porque confio em Jesus. Eu confio em Jesus, por isso, sirvo. Além disso, Marta é amiga de Jesus. Toda verdadeira amizade é um milagre de reciprocidade. Marta é uma mulher acolhedora, que sabe preparar espaço em sua casa para o Salvador e cuidar dos detalhes. Marta é uma mulher sincera que não dissimula.

Será que sabemos dar espaço para o Salvador em nossa casa e em nosso lar para nos tornarmos amigos do Salvador?


Vitus Gustama, SVD


A verdadeira fé é uma espécie de matrimônio entre as palavras e as obras (Santo Agostinho. Serm. 88,12)

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