quarta-feira, 3 de agosto de 2011

COM FÉ TUDO SE ALCANÇA

Quarta-feira, 03 de agosto de 2011

Texto de leitura: Mt 15,21-28

“Posso afirmar que posso viver sem água nem ar, mas não posso viver sem Deus. Podes arrancar-me os olhos que isso não me mata. Podes arrancar-me o nariz que isso não me mata. Mas basta que destruas minha fé, e estarei morto” (Mahatma Gandhi).

“Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo 5,4)

O grandioso do relato do evangelho deste dia é a forma como uma mulher pagã é colocada como modelo de fé em seu sentido mais genuíno e original. Ela se abandona nos braços d’Aquele que vem da parte de Deus (Jesus Cristo) e se declara fraca e limitada humanamente diante do problema que afeta a vida de sua filha e conseqüentemente afeta também sua vida como mãe. Em uma família ninguém sofre sozinho. A mãe reconhece a superioridade e poder de Jesus, mostrando ao mesmo tempo a gravidade do problema que afeta sua própria filha. O problema de sua filha é insustentável. Na sua declaração essa mulher quer dizer a Jesus: “Sem Sua ajuda, Jesus, sem Seu poder, é impossível sair do meu problema!”.

Essa mulher era uma Cananéia, uma pagã, uma estrangeira. Jesus põe a prova sua fé usando uma frase que se utilizava para desprezar os estrangeiros ou os pagãos: “cachorro”. Mas ela, confiada na justiça e na misericórdia de Deus, responde sabiamente a Jesus: “Mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa dos seus donos”. Pela sua fé verdadeira e profunda e pela perseverança na sua oração essa mulher é premiada por Jesus: a cura de sua filha.

O evangelho nos mostra a fé de uma mulher que não pertencia ao povo eleito, não pertencia à uma Igreja ou a uma religião, mas tinha confiança e fé no poder de Jesus. Ela pode não pertencer a uma religião ou a uma Igreja, mas ela pertence a Deus pela fé que tem no poder do Deus-Encarnado, Jesus Cristo. Será que os que estão dentro da Igreja têm mais fé do que os que estão fora da Igreja? Será que os que estão dentro da Igreja são mais cristãos do que os que estão fora da Igreja? Será que os que estão dentro da Igreja são mais humanos, gentis e educados do que os que estão fora da Igreja? Será que os que estão dentro da Igreja são mais perseverantes na fé do que os que estão fora da Igreja? Será que, por causa da fé e do amor, os que são considerados fora da Igreja na verdade estão dentro da Igreja e os que são considerados dentro da Igreja na verdade estão fora da Igreja? Será.....? “Todos somos mais ateus do que acreditamos e mais crentes do que pensamos. Acho que os ateus não se opõem a Deus, mas às caricaturas de Deus que os fiéis lhe mostram” (René Juan Trossero).

Ser pagão não depende da pertença ou não a uma religião ou a uma Igreja. Ser pagão se define a partir do modo de viver. Por isso, há cristãos-pagãos como também há pagãos- cristãos. Há cristãos que perdem com facilidade sua fé e vivem sem esperança. São “cristãos” pagãos. Há muitos que são considerados pagãos pelos outros, como a mulher Cananéia, mas acreditam no poder de Deus incondicionalmente. São “pagãos” cristãos.

A mulher Cananéia não perde sua fé, não protesta, não se revolta ainda que encare a humilhação: ser chamada de cachorro. Ela conseguiu o que pedia, pois ela se abandonava totalmente nos braços de Deus e encarava todos os tipos de obstáculos e dificuldades. Santo Agostinho dizia que muitos não conseguem o que pedem porque são maus de coração e por isso, eles têm que ser, primeiramente, bons. Ou muitos não conseguem o que pedem porque pedem malmente, sem insistência no lugar de fazê-lo com paciência, com humildade, com fé e por amor. Há que esforçar-se por pedir o que é bom para todos. A mulher Cananéia é boa mãe, pede algo bom e pede bem. Através do evangelho de hoje o Senhor quer nos mover a termos fé e perseverança e a vivermos na esperança porque Deus nos ama. Deus se vence com fé e não com orgulho. De Deus se obtém tudo com confiança. Em Deus sempre encontra-se uma acolhida quando cada um se aproxima com humildade e não com auto-suficiência.

Essa mulher é um modelo acabado de fé e oração unidas. Ela chama Jesus de “Senhor”, um título dado a Jesus pós-pascal. Sua fé é orientada para a libertação do próximo, nesse caso de sua filha. E sua oração cumpre aquilo que Jesus pede: a fé, confiança, perseverança e sem desfalecimento.

Ela nos ensina que a fé e a oração devem andar juntas. Quem tem fé em Deus precisa rezar. E quem reza, precisa ter fé. A fé é a atitude básica de qualquer crente, de qualquer cristão, pois ela é a resposta nossa diante da oferta do amor de Deus para nós. A oração evidencia, por sua vez, a presença e a vitalidade de nossa fé em Deus.
Vitus Gustama, SVD

“A fé é como uma luz. Ela não é acesa para ser olhada, mas para ver-se o que ela ilumina” (René Juan Trossero)

2 comentários:

starlili disse...

Excelente, pois simples e direto nos ensina sobre este amor maior que tudo pode. Parabéns.

Vitus Gustama disse...

Olá Lili,

Muito obrigado pela sua consideração pelo Blog. Deus a abençoe e a ilumine todos os dias.
Shalom!!!

P,Vitus