sábado, 6 de agosto de 2011


FORÇA DE UMA VIDA TRANSFIGURADA


Sábado, 06 de agosto de 2011

Texto de leitura: Mt 17,1-9


Transfiguração é Uma Vitória Antecipada

A transfiguração é uma antecipação da ressurreição do Senhor Jesus que intenta levantar o ânimo dos discípulos, ratificando que o destino final não é a morte e sim a ressurreição. Por isso, em cada anúncio de sua Paixão (três anúncios), Jesus acrescenta esta frase: “... ao terceiro dia ressuscitará (Mt 16,21; 17,22; 20,19).

Esta antecipação da ressurreição para os discípulos será uma força para o caminho que têm que percorrer. A vida, por dura que possa ser (cruz, morte), será vivida em outra perspectiva: a ressurreição transfigura tudo. A morte não terá a última palavra sobre a vida do homem. A partir da experiência da transfiguração tudo pode ser graça apesar de ter uma aparência da cruz, pois Deus envolve tudo na sua misericórdia.

Transfiguração Nos Chama A Superar O Cotidiano

A transfiguração acontece em uma alta montanha. A “montanha alta” simboliza o lugar de encontro do céu e da terra, lugar privilegiado para a revelação de Deus e a oração dos homens (cf. Ex 19-20). A montanha, por ser um ponto elevado sobre a parte plana da terra, sempre foi considerada em todas as antigas religiões como um símbolo da “subida” do homem até Deus e como o sinal da manifestação ou epifania de Deus. Deus se manifesta no alto e o homem deve subir até Deus, abandonando uma vida medíocre, pois Deus está acima de nossos esquemas de viver.

Por isso, subir a montanha significa superar-se a si mesmo, transcender-se, elevar-se um pouco mais além da rotina. A fé é o caminho da renúncia e da morte de nós mesmos para que Deus possa se manifestar através de nós. Somente com a morte de nós mesmos é que Deus pode anunciar e prometer uma vida nova para nós. Subir até Deus é morrer de nossos projetos pessoais, de tantos planos, esquemas e cálculos puramente humanos e pessoais para dar lugar aos projetos de Deus. Certamente, nesta morte, Deus manifesta sua glória salvadora e sua eterna misericórdia.

Podemos viver a experiência de transfiguração se nós negarmos a busca de interesses próprios e optarmos por assumir uma fé mais humanizada que produz uma nova forma de viver a realidade e renova nossa convivência de fraternidade.

Contemplar a cena da transfiguração é seguir o Transfigurado, Jesus Cristo. Cristo chama sem cessar novos discípulos, homens e mulheres, para comunicar-lhes o amor divino, o ágape, sua maneira de amar, e para convidá-los a servir ao próximo, no humilde dom de si mesmos, longe de todo cálculo de interesse.

Podemos dizer que a transfiguração é o grito de Deus para não ficarmos desanimados na nossa vida, pois a lógica de Deus não nos conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim. Cada um de nós precisa parar da agitação cotidiana para escutar esse grito de Deus.

Vitus Gustama, SVD

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