quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A GRAÇA DE DEUS NOS POTENCIA

Quinta-feira, 04 de agosto de 2011

Texto de leitura: Mt 16,13-23

“Sem a graça pode-se agir com liberdade, mas não se pode agir com retidão” (Santo Agostinho. Serm. 156,12,13)

E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15). Esta pergunta nos ensina que nossa descoberta de Jesus Cristo deve ser uma descoberta pessoal. Quando Pilatos perguntou a Jesus se ele era o rei dos judeus, Jesus lhe respondeu em forma de uma pergunta: “Tu falas assim por ti mesmo ou outros te disseram isso de mim?” (Jo 18,34).
       
Para conhecer a identidade de Jesus é preciso ter a experiência pessoal com ele. Podemos saber e crer em muitos fatos da vida de Jesus, mas não significa que tenhamos a experiência com Ele. O cristianismo jamais consiste em saber sobre Jesus, mas sempre consiste em conhecer Jesus. Pela origem da palavra, o verbo “conhecer” quer dizer “com-nascer”, nascer com, fazer-se um com outro. Somente conhecemos o outro, entregando-nos a ele e aceitando que ele se entregue a nós. A experiência não é uma recordação. A experiência é um ato ou algo que nos acontece e transforma nossa atitude e nosso modo de viver e de perceber a vida e as pessoas.
       
A experiência que o cristão deve ter em relação com Jesus é a experiência de Jesus ressuscitado, isto é, do Cristo vivo aqui e agora, ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13,8) e que continua nos acompanhando diariamente (cf. Mt 28,20). Não se trata de uma experiência histórica, mas uma experiência trans-histórica, pessoal e intransferível. Se um cristão chegar até este nível de experiência, ele vai dizer com os samaritanos na experiência do encontro de Jesus com a samaritana que lhes relatou sua experiência pessoal com Jesus: “Já não é por causa do que tu falaste que cremos. Nós próprios O ouvimos, e sabemos que esse é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Jo 4,42).
       
Sem essa experiência pessoal com Jesus, o cristianismo se reduzirá a uma religião de um livro cheio de recordações da vida de uma pessoa no passado. O cristianismo não é uma religião do livro, mas uma religião da Palavra viva que é ouvida, experimentada e percebida em sua força transformadora por quem tem “ouvidos para escutar” e o coração aberto para sentir que nos permite abrirmos à transcendência. Esta experiência nos leva a vivermos um conjunto de experiências tais como o amor a Deus e ao próximo, a solidariedade e a compaixão, o perdão e a reconciliação, a verdade e a veracidade, a fidelidade, a abertura ao novo, a liberdade e assim por diante. Neste sentido o cristão é aquele que está sempre ligado consigo mesmo, com seu próximo, com o mundo e com o Divino.   

Pedro deu sua resposta no meio de sua debilidade. Jesus chegou a chamá-lo de Satanás, isto é, o adversário do projeto de Deus. Fogoso e temperamental, Pedro não tem inconveniente em assegurar a Jesus que é capaz de morrer com Ele, mas basta a insinuação de uma mulher, nos momentos de perigo, para que negasse rotundamente conhecer ao Mestre (cf. Mt 26,71-75). Depois dessa experiência dolorosa, a única coisa que Jesus pede de Pedro para ser sua fiel imagem na terra é que ele ame a Jesus (cf. Jo 21,9-15). E o desejo de Jesus é que a Igreja deve ser governada no amor, por amor e para o amor: no amor à Pessoa de Jesus e como conseqüência lógica, no amor a todos os homens. Através do caminho paradoxal da negação e da queda, Pedro purifica e fortalece sua fé para constituir-se em rocha firme para seus irmãos.
        
A partir da experiência de Pedro temos que aprender que a fé é um risco que apesar de nossas debilidades e negações, devemos ser sinais de fé no mundo de hoje, anunciando que Jesus de Nazaré é o Salvador dos homens e por isso, é a nossa esperança e a nossa certeza. A Igreja é uma casa construída sobre a rocha ainda que se apóie na fragilidade dos homens. Somente Cristo não tem mancha nem mácula. Dentro da Igreja haverá sempre pecadores. Por isso, a Igreja tem necessidade de “atar e desatar” através da reconciliação e do perdão mútuo. O pecado continua, e por isso, deve continuar também o perdão. Jesus promete que Sua Igreja sobreviverá, não obstante as forças da destruição e da morte. Vivemos apoiados sobre esta promessa. A promessa do Senhor e sua fidelidade nos tornam lutadores incansáveis do bem. A graça de Deus nos potencia e nos faz como somos: Eu sou o que sou pela graça de Deus (1Cor 15,10). A graça de Deus nos faz viver na alegria, pois sabemos que Deus nos ama apesar de nossas debilidades. “Nossas culpas são grãos de areia ao lado da grande montanha que é a misericórdia de Deus” (São João Maria Vianney).

Vitus Gustama, SVD 

Não corrigir os erros na vida é uma forma de cometer novos erros.

Para pecar, te basta a ti mesmo. Para agir bem, necessitas de ajuda (Santo Agostinho. Serm. Morin 17,7)

A marca distintiva dos eleitos é o amor, como a marca dos condenados é o ódio” (São João Maria Vianney).

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