sexta-feira, 16 de setembro de 2011

SOU CHAMADO POR DEUS PELO NOME PARA SER COLABORADOR NA EVANGELIZAÇÃO

Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

Texto de Leitura: Lc 8,1-3
         
No texto do evangelho deste dia, o evangelista Lucas afirma que, com os Doze, havia um grupo de mulheres que seguiam a Jesus. O evangelista Lucas é o único que menciona os nomes das mulheres que acompanhavam Jesus ao longo de suas viagens.

Para Deus Eu Tenho Nome e Sou Chamado Pelo Nome

Maria Madalena, Joana e Suzana! São nomes das mulheres, segundo o texto do evangelho deste dia, que também acompanhavam Jesus no seu trabalho de levar a Boa Nova para todos, especialmente para os excluídos da sociedade. Uma é casada, Joana, a mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes. Outra é uma mulher renascida à vida nova graças à intervenção de Jesus que a resgatou da morte (libertada de sete demônios, segundo o evangelho), Maria Madalena. E a terceira, Suzana, é uma discípula da qual somente sabemos seu nome, mas que estava lá.

Maria Madalena, Joana e Suzana! Para o evangelista Lucas é muito importante mencionar seus nomes. Ter nome é ter dignidade. Ter nome é ser alguém e não ser número. É ser pessoa. Ter nome é ter personalidade. Chamar alguém e ser chamado pelo nome é sinal de intimidade. Entre dois amigos os títulos ficam de lado; cada um é chamado pelo nome. Em casa cada um tem seu nome e é chamado pelo nome e não pelo titulo. Para Deus eu tenho nome e Deus me chama pelo nome: “Eu te chamo pelo nome, és meu” (Is 43,1). E que meu nome está gravado na palma da mão de Deus e por isso, Ele jamais me esquecerá: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não tem ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esquecerei nunca. Eis que estás gravado na palma de minhas mãos” (Is 49,15-16). Deus nunca pode olhar Sua mão sem ver o meu nome. E meu nome quer dizer EU mesmo. Sou feliz por eu ser o que sou para Deus. Para a sociedade em geral posso não ter nome, mas para Deus eu tenho nome. Eu sou uma pessoa e não um número para Deus. Quantas vezes saía dos lábios de Jesus os seguintes nomes: Maria Madalena, Joana, Suzana. Jesus as chamava pelo nome.

Para Deus Eu Tenho Dignidade

Maria Madalena, Joana e Suzana são seguidoras de Jesus junto com os doze Apóstolos. Esta frase tinha um grande peso para a sociedade da época de Jesus.

Na Palestina a estrutura social era patriarcal. Ou na linguagem mais popular: uma sociedade machista. O pai era o único que tinha direito de dispor, dar ordens, castigar, pronunciar as orações, oferecer os sacrifícios. A mulher era considerada em tudo inferior ao homem. Ela pertence completamente ao seu “dono”: ao pai, se for solteira; ao marido, se for casada; ao cunhado solteiro, se for viúva sem filhos (Dt 25,5-10).
        
No Templo e na sinagoga homens e mulheres ficavam rigorosamente separados: as mulheres sempre em lugares inferiores, secundários. O culto na sinagoga era celebrado apenas caso houvesse ao menos 10 homens. As mulheres não contavam, por mais numerosas que fossem.
       
A mulher não podia atuar como testemunha num tribunal, nem como testemunha de acusação. Apoiando-se em Gn 18,11-15, consideravam que seu testemunho carecia de valor por causa de sua inclinação à mentira. Os rabinos da época excluíam as mulheres do circulo de seus discípulos.

Jesus se levanta contra esse sistema sociorreligioso, dominante e opressivo para a mulher. Com sua atuação concreta, Jesus dá à mulher o seu lugar na vida social e religiosa. Para sua época essa atitude era considerada revolucionária e audaciosa! O que tem por trás disso é o amor. E o amor é capaz de fazer até o impossível (cf. Jo 3,16). Tendo acompanhado Jesus desde o começo de seu ministério público, como os Doze, as mulheres discípulas eram iguais aos homens para o anúncio da Boa Nova. Para Jesus, a mulher tem a mesma dignidade, categoria e direitos que o homem. Por isso, Jesus admite em sua comunidade homens judeus e mulheres judias com os mesmos direitos de aprender, ser discípulos-discípulas, seguidores- seguidoras de Jesus pelo Reinado de Deus. As exigências e responsabilidades do seguimento são iguais para todos, homens e mulheres. A tradição nos relata que as primeiras aparições do Ressuscitado foram feitas para as mulheres (Lc 24,10) e precisamente às que Lucas anota no texto do evangelho deste dia.

A Palavra de Deus de hoje quer nos enfatizar que todos, mulheres e homens, são chamados de igual maneira a proclamar a Boa Notícia. O Reino de Deus é uma Boa Notícia. No meio da superabundância de notícias ruins, o cristão e a cristã, a exemplo de Cristo, devem pregar a Boa Notícia. Martin Luther King dizia que o grande problema não é o avanço da maldade ou do mal, mas o silêncio dos bons. Em certo sentido, ficar calado pode ser até uma manifestação da prudência. Mas se ficar calado diante da maldade pode significar a cumplicidade.

Homens e mulheres são chamados a colaborar na evangelização a partir de seu próprio talento e de outras contribuições como as três mulheres citadas no evangelho deste dia. Assim um completa o outro para uma perfeita evangelização. Victor Hugo escreveu que o homem e a mulher se complementam para edificar a dignidade de um ser humano. Evangelizar significa dignificar a vida humana. Eis o pensamento de Victor Hugo:

“O homem é mais exaltado das criaturas; a mulher é mais sublime de todos os ideais.

Deus faz para o homem um trono, para uma mulher um altar. O trono exalta, o altar santifica.

O homem é o cérebro, a mulher o coração. O cérebro fabrica luz, o coração produz amor. A luz fecunda, o amor ressuscita.

O homem é gênio, a mulher é anjo. O gênio é imensurável, o anjo é indefinível.

A aspiração do homem é suprema glória; a inspiração da mulher é a virtude extrema. A glória faz todo o grande, a virtude faz todo o divino.

O homem tem a supremacia, a mulher a preferência. A supremacia significa a força; a preferência representa o direto.

O homem é forte pela razão; a mulher é invencível pelas lágrimas. A razão convence, as lágrimas comovem.

O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher de todos os martírios. O heroísmo enobrece, o martírio sublima.

O homem é um código, a mulher um evangelho. O código corrige, o evangelho aperfeiçoa.

O homem é um templo, a mulher um santuário. Diante do templo nos descobrimos, diante do sacrário nós  nos ajoelhamos”.

P. Vitus Gustama,svd

Se você tiver algum comentário, escreva para este e-mail: gvitus@hotmail.com

Um comentário:

CARMEN disse...

É maravilhoso e digno quando somos chamados pelo nome .Mas ,quando somos chamados pelo nome de ei, é triste e indigno .Obrigado Senhor Jesus pq.me chama pelo nome e mim ama verdadeiramente.