terça-feira, 11 de outubro de 2011

AMOR E JUSTIÇA SÃO INSEPARÁVEIS


Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

(reflexão para os lugares que não celebram o dia 12 como solenidade: Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil)

Texto de Leitura: Lc 11,42-46


“Ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças e deixais de lado a justiça e o amor de Deus. Estas coisas era preciso fazer, sem deixar de lado aquelas” (Lc 11,42).


Estamos ainda na seção em que se encontra um conjunto de acusações de Jesus (Lc 11,37-54) contra os dirigentes oficiais judeus, os fariseus e os escribas. Podemos encontrar também essas acusações organizadas sistematicamente contra os escribas e fariseus em Mt 23.

O texto anterior (Lc 11,37-41) nos mostra que a verdadeira pureza de vida não consiste em observar todas as regras de purificação externa (cuidar apenas da aparência) que resulta na hipocrisia (viver como um ator diante de uma platéia) e sim em amar a Deus que se deve traduzir na caridade fraterna e no respeito pelo outro. Chegamos até Deus através do próximo (cf. Mt 25,31-45). Eu sou ocasião de salvação para o outro e o outro é ocasião de salvação para mim.

No texto do evangelho lido neste dia Jesus volta a criticar os fariseus (e os escribas) porque invertem o valor das coisas. Pagar o dízimo faz parte da religiosidade do povo. É o que os fariseus fazem. Eles acham que com o pagamento do dízimo eles poderiam ficar tranqüilos diante de Deus (como se comprasse Deus com algo tão terreno). No entanto, os fariseus não se preocupam em amar a Deus verdadeiramente e em praticar a justiça para com o próximo. Conseqüentemente, o pagamento de dízimo carece de sentido e se torna um exibicionismo. Eles continuam a praticar a injustiça contra o próximo e a cultivar a vanglória. Deste jeito, eles vivem como hipócritas. “Ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças e deixais de lado a justiça e o amor de Deus. Estas coisas era preciso fazer, sem deixar de lado aquelas”, são palavras de Jesus com um tom profético que denuncia a injustiça e o desamor contra o próximo.

Amor e justiça andam como uma moeda de dois lados. Quem ama não pratica a injustiça. Com efeito, todas as injustiças são conseqüências da falta de amor. Você comete a maior injustiça quando não ama. Por isso, o mais importante não é você ser reconhecido socialmente e sim seu comportamento com as pessoas (amor e respeito) e com as causas justas.

O amor sempre oferece ao outro o que lhe falta, mas o egoísmo devora tudo que o outro tem. E nunca o egoísmo é tão prejudicial, como quando se disfarça de amor. Quem não sabe se amar, não cresce. Quem não aprende a amar, não deixa que os outros cresçam. O amor nunca morre porque é o nome próprio de Deus (1Jo 4,8.16), isto é, Sua própria essência. As caricaturas do amor é que não duram muito tempo. A felicidade está em amar e em ser amado. Somos felizes quando amamos e quando somos amados. O ardor do amor abre os corações.

E a justiça não é questão de números e quantidades e sim de amor. Você pratica a justiça não é com o objetivo de alcançar a perfeição para si e sim para que você não trate seu irmão (próximo) injustamente. Se você buscar a justiça escutando seus irmãos, você se sentirá em dívida todos os dias. O amor é a única dívida que mesmo depois de paga nos mantém como devedores” (Santo Agostinho).

Portanto, o ser humano cresce, a comunidade e a comunhão se criam, a fraternidade se vive quando o amor e a justiça têm voz e vez nas relações interpessoais. Outras coisas são importantes, mas o amor e a justiça são muito mais importantes e são essenciais para quem acredita verdadeiramente em Deus. Por isso, jamais podemos deixar de lado a justiça e o amor de Deus.



P. Vitus Gustama,svd

gvitus@hotmail.com


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