quarta-feira, 30 de novembro de 2011

VIVER A VIDA APOIADA EM DEUS E SOBRE SUA PALAVRA

(Imagem tirada do Google)

Quinta-feira, 01 de dezembro de 2011

Texto de Leitura: Mt 7, 21.24-27
                                                    (Is 26,1-6)

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Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 21Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 24 Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha. 26 Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. 27 Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína.

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O texto do evangelho lido neste dia faz parte da conclusão do Sermão da Montanha (Mt 5-7). Na passagem lida neste diadois pontos sobre os quais podemos refletir neste dia: as orações devem ser transformadas em compromisso com a vida cotidiana, e a vida deve ser vivida sobre Deus e Sua Palavra.

Nem todo aquele que diz: ‘Senhor, Senhor entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus”.


Nãonada que seja mais perigoso do que a oração, pois a oração nos põe em compromisso com a vida diária. Ao pedir a paz a Deus, por exemplo, devemos ser, então, construtores da paz na convivência com os demais; ao pedir a ajuda de Deus para nós e para os nossos, então, devemos estar próximos para ajudar os demais, e assim por diante. Muitos falam permanentemente de Deus, mas logo se esquecem de fazer Sua vontade. Muitos têm a ilusão de trabalhar pelo Senhor: “profetizamos em teu nome, expulsamos demônios, fizemos milagres...” (Mt 7,22), mas logo no dia de prestar contas percebe-se que eles não conhecem Deus e não são conhecidos nem reconhecidos por Deus: “Não vos conheço. Afastai-vos de mim vós que praticais a iniqüidade” (Mt 7,23).


Com estas palavras Nem todo aquele que diz: ‘Senhor, Senhor’...” Jesus denuncia uma dissociação freqüente e muito perniciosa. Somos alertados que existe o perigo de uma oração (Senhor, Senhor) que não se traduz em vida e em compromisso (a vontade de Deus). Existe o risco de certos momentos comunitários que se fecham em si mesmos sem nenhum compromisso com a vida cotidiana. A oração, a escuta da Palavra de Deus e o encontro comunitário, são a raiz da práxis cristã. Porém, a raiz deve germinar e produzir frutos.


Precisamos estar conscientes de que não existe verdadeira sem empenho moral. A oração e a ação, a escuta e a prática, são igualmente importantes. Há três coisas indispensáveis para a vida de um cristão: escuta atenta da Palavra de Deus com oração, prática da vontade de Deus e perseverança até o fim apesar das tempestades da vida.


O evangelho deste dia quer nos dizer que não importa “dizer Senhor, Senhor, nem falar em seu nome, nem sequer fazer milagres”. O que importa é a prática. O fazer. As obras. Não o dizer, nem o pensar, nem o rezar, nem o pregar, nem fazer milagres. A prática é a rocha, por isso, é firme até diante de Deus. Mas trata-se da obra feita no espírito de Deus e não qualquer obra. Temos que fazer tudo conforme a vontade de Deus e não de acordo com nosso próprio interesse.  Jesus nos convida a construir nossa vida sobre a prática. As obras boas praticadas no espírito de uma doação total são verdadeiros sinais da abertura diante da graça de Deus.


Jesus não quer que nós, cristãos, cultivemos somente a relação com ele, e sim que sejamos seguidores que, unidos a ele, trabalhemos para mudar a situação da humanidade. É viver de acordo com a justiça e a caridade. Ondejustiça nãopobreza nem exclusão social.


Quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática é como um homem sensato, que construiu sua casa sobre a rocha”, acrescentou-nos Jesus.


O verdadeiro fundamento para construir nossa vida é o próprio Deus e Sua Palavra. Quem se apóia em Deus, permanece e vive eternamente, pois Deus é eterno. Nada nem ninguém será capaz de derrubar aquele que se apóia em Deus (cf. Rm 8,31). A chuva, as enchentes, os ventos são imagens para significar as dificuldades de todo gênero que o cristão enfrenta nesta vida. Mas por se apoiar em Deus, ele sairá vitorioso. Como diz uma frase: “Com Deus, um se torna a maioria. Sem Deus a maioria se transforma em minoria”.


Porém, apoiar-se em Deus implica fazer Sua vontade com seriedade e sinceridade, sem ficar apenas nas aparências e apenas de vez em quando. Para pertencer ao Reino de Deus não basta invocarmos ao Senhor, é necessário acomodar nossa vida aos princípios estabelecidos por Jesus Cristo. A humanidade necessita de homens e mulheres sólidos, construtivos que edifiquem o que é sólido com Deus para construir uma humanidade na fraternidade.


Seremos bons arquitetos de nossa vida se na programação de nossa vida nós voltarmos continuamente nosso olhar para Deus e para sua Palavra, e nos perguntarmos qual é o projeto de vida de Deus, qual é sua vontade, manifestada em Jesus Cristo, e devemos viver, em seguida, como tal. Nossa oração deve estimular nossa ação e deve nos levar a nos comprometermos com a vida de todos.


O que interessa a Deus na nossa vida não são unicamente nossos momentos de oração e sim todos os momentos de nossa jornada. Se nossos momentos de oração são os momentos de paz, devemos manter os momentos de paz com os outros na vida diária. Se nossos momentos de oração são momentos de serenidade, nossa vida com os demais deve ser serena e não agressiva. Se nossos momentos de oração são momentos de pedido de ajuda, devemos estar prontos também para ajudar os demais. Se nossos momentos de oração são momentos de pedido de força para Deus para suportarmos tudo e para lutarmos até o fim, devemos nos transformar em força para os desanimados. Se nossos momentos de oração são momentos de pedido de misericórdia, devemos ser misericordiosos para com os demais na vida diária e não juízes da vida alheia. Se nossos pés são unidos para ficarmos de joelho diante de Deus a fim de adorá-Lo, não podemos usar os mesmos pés para pisar os outros. A vida e a oração devem estar em uníssono. Se não teremos que ouvir as duras palavras do Senhor ditas no evangelho de hoje: “Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt 7,23).


Nossa vida e nossa marcam a diferença quando estiverem unidas à vontade de Deus. Então nossa vida se transformará em luz para iluminar as mentes escuras e em rocha indestrutível para guiar os outros para o amor e o conhecimento de Deus. Deus nos conceda esta graça!


Portanto, Jesus nos convida hoje a sermos seguidoresrocha” e não seguidoresareia”. Seguidorareia” é aquele que vive de uma de simples aparência, sem fundamento. Crê quando as coisas vão ao seu gosto e se desanima quando tudo não corresponde àquilo que imaginava. Os seguidoresrochasão os que fundamentam sua vida na rocha que é Cristo. Eles se mantêm firmes em qualquer situação, porque seguram na mão de Deus.  Para sermos verdadeiros seguidoresrocha” devemos fazer próprios as palavras do Salmo 78, como o Salmo de meditação: “Senhor, não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade.... Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados!”. Não corrigir nossas faltas é o mesmo que cometer novos erros. Muito sabe quem conhece a própria ignorância e procura a viver mais com sabedoria e prudência.


P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 29 de novembro de 2011

SANTO ANDRÉ, O PROTÓKLITOS

Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011


Texto de Leitura: Mt 4,18-22

SANTO ANDRÉ APÓSTOLO, O PROTÓCLITOSANTO ANDRÉ APÓSTOLO, O PROTÓCLIT
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Naquele tempo, 18quando Jesus andava à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. 19Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. 20Eles imediatamente deixaram as redes e o seguiram. 21Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu, consertando as redes. Jesus os chamou. 22Eles imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram (Mt 4,18-22).

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Quem é este apóstolo André?


André é de uma família que tem o espírito de abertura cultural. Este apóstolo é da Galiléia, mas seu nome é de origem grega: “André” que significa “viril”, “robusto”. Isto nos mostra que sua família aceita qualquer novidade construtiva e mostra-nos também que a família de André não tem nenhum preconceito nem sectarismo. Quandoabertura, há encontro. Ondeencontro, há diálogo. Ondediálogo, há partilha. E cada partilha é sempre enriquecedora. Em um verdadeiro diálogo tratamos o outro como parceiro e não como destinatário de nossa conversa ou de nosso pensamento e nisto o diálogo se torna enriquecedor. Ao contrário, no confrontosomente guerra. E em uma guerra ninguém sairá ganhando. Sem reconciliação todos permanecerão inimigos, e para os inimigos o mundo se torna pequeno. Mas ondeamor, há espaço para todos.


Os evangelhos nos mostram claramente que entre Andre e Pedro há uma ligação sanguínea, isto é, André é o irmão de Pedro (Mt 4, 18-19; Mc 1, 16-17). E o Senhor os chama de par em par juntamente aos outros discípulos conforme relatou o evangelho lido neste dia. A chamada destes dois parceiros de irmãos será o paradigma de toda chamada no evangelho de Mateus. Mateus insiste neste vinculo de irmandade. A insistência no vinculo de irmandade nos mostra que a nova terra que é o Reino de Deus, será herança ou patrimônio comum de todos os seus seguidores, sem nenhum privilegio. Todos são iguais, pois todos são irmãos (Mt 4,17).


O evangelho de João nos passou outras informações (Jo 1, 35-39). André era um dos discípulos de João. Mas a partir do momento em que João revelou aos seus discípulos que Jesus era o Cordeiro de Deus (Jo 1,36), logo em seguida, André e outro discípulo anônimo foram atrás de Jesus e ficaram bastante tempo com Ele naquele dia. Isto significa que André viveu momentos preciosos de familiaridade com Jesus. André não tem medo de abandonar o que é bom (João, seu mestre) para ficar com o que é melhor (Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo). André realmente faz um passo adiante para estar com o Salvador do mundo. “São os passos que fazem os caminhos”, dizia Mario Quintana. André está no Caminho por excelência, pois Jesus é o verdadeiro Caminho para o Pai (Jo 14,6). Por este Caminho André jamais ficará perdido.


O evangelista João nos passou também outra informação de que foi André que apresentou seu irmão, Pedro, a Jesus. Isto significa que ele tem um espírito missionário. Segundo o evangelho de João, André foi o primeiro dos Apóstolos a ser chamado para seguir Jesus. Por isso na Liturgia da Igreja Bizantina Andre é chamado de Protóklitos, que significa "primeiro chamado".


Não somente levou seu irmão, Pedro, também André (com Filipe) praticamente levou alguns gregos até Jesus, pois ele avisou a Jesus que esses gregos estavam querendo vê-Lo (Jo 12,20-22).


Andre conseguiu, então, levar, em primeiro lugar, sua família para Jesus (representada por Pedro, seu irmão). Também, depois, levou os demais (fora da família), representados por alguns gregos para Jesus. A razão de ele ter conseguido fazer tal missão é que os textos bíblicos apresentam André como homem de índole calma e serena, oposto à impetuosidade de seu irmão, Pedro. De caráter sensível, era fácil ao entusiasmo simples quando uma grande idéia o dominava. Sua simpatia e serenidade atrai qualquer pessoa.


Segundo as tradições muito antigas ele foi anunciador e intérprete de Jesus para o mundo grego. Uma tradição sucessiva narra a morte de André em Patrasso, onde também ele sofreu o suplício da crucifixão. Mas, naquele momento supremo, de modo análogo ao do irmão Pedro, ele pediu para ser posto numa cruz diferente da cruz de Jesus. Em seu caso, tratou-se de uma cruz em forma de letra X, ou seja, com os dois madeiros cruzados diagonalmente, que por este motivo é chamada «cruz de Santo André».


O apostolo André nos ensina que, como seguidores de Cristo, temos missão de levar todos até Jesus, seja nossa própria família (que nem sempre é fácil) seja as pessoas fora de nossa família. E temos que fazer tudo isso, a exemplo de Santo André, com simpatia e serenidade, mas cheios de entusiasmo. Ele também nos ensina a colocar tudo na escala de valores e prioridades. Ele é capaz de abandonar seu próprio mestre para estar com Jesus, o Salvador. Em outras palavras, André é capaz de colocar tudo no seu devido lugar para ver melhor o próprio valor de cada coisa.


P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

INTERIOR DA IGREJA DA PARÓQUIA CRISTO REDENTOR-RIO DE JANEIRO
SIMPLICIDADE: OS SIMPLES SE ABREM A DEUS E DEUS SE REVELA AOS SIMPLES

Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

(Primeira Semana do Advento)

Texto de Leitura: Lc 10,21-24

                             (Is 11, 1-10)

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21 Naquele momento Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 22 Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. 23 Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes em particular: “Felizes os olhos que vêem o que vós vedes! 24 Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”.

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O texto do evangelho lido neste dia se encontra no contexto do envio dos setenta (e dois) discípulos para a missão e sua volta da mesma (Lc 10,1-24). Eles voltaram da missão, conscientes de ter libertado os homens do mal, moral e físico (Lc 10,17) pelo uso do nome de Jesus (poder messiânico). A chegada de Jesus abole o estado de escravidão e permite ao homem ter acesso para a verdadeira liberdade. Jesus louva a Deus por todo este êxito.


A quem Deus revela seus segredos? Quem é capaz de conhecer e reconhecer os mistérios de Deus neste mundo? Estas são as perguntas lançadas implicitamente no texto do evangelho de hoje. A resposta é esta: Deus se revela aos simples, aos pequeninos, aos que se entregam totalmente à ação de Deus na sua vida. Mas, por que Deus se revela aos simples/pequeninos e por que os simples/pequeninos têm facilidade de captar as coisas de Deus?

Porque o simples não se louva nem se despreza. Ele é o que é, simplesmente, sem desvios, sem afetação. É a vida sem exageros. O simples não simula nada, pois simular a humildade e a simplicidade significa uma grande arrogância de quem puxa tudo para seu lado para ser centro de atenção. O simples é capaz de reduzir o mais complexo ao mais simples. O presente é sua eternidade, e o satisfaz.

A simplicidade aprende a se desprender, acolher o que vem sem nada guardar como coisa sua, pois para ele tudo é dom e vive no mundo de gratuidade. Simplicidade é nudez, despojamento, pobreza. Simplicidade é liberdade, leveza, transparência. A simplicidade é a transparência do olhar, pureza do coração, sinceridade do discurso, retidão da alma e do comportamento. A simplicidade é a espontaneidade, a improvisação alegre, desprendimento, desprezo do prevalecer. A simplicidade é o esquecimento de si, é nisso que ele é uma virtude. É por isso que a simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria dos santos.

Aqueles que aceitarem Jesus Cristo e sua mensagem serão capazes de ver as coisas de outro modo e poderão construir uma convivência humana baseada na equidade, pois eles se deixam invadir pela ação do Espírito como Jesus se deixava conduzir totalmente pelo Espírito. No texto de hoje o Espírito invade Jesus com sua alegria. A ação do Espírito ocupa, certamente, o centro da liturgia de hoje.

Celebrar o Advento não é outra coisa que deixar-nos modelar interiormente pela presença do Espírito, criar espaço em nossa vida para que possamos receber seus dons de sabedoria, de discernimento e assim por diante, necessários para descobrir o caminho por onde Ele quer que caminhemos neste mundo. A celebração da liturgia do Advento também nos convida à alegria e à esperança. Não podemos cair no desanimo ou na frustração que não são dons do Espírito.


 “Naquele momento Jesus exultou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos”.


Ao colocar estas frases no seu evangelho o evangelista Lucas quer colocar o máximo possível em destaque os fatos que aconteceram pela primeira vez. Finalmente, há um grupo de discípulos que foi capaz de expulsar as falsas ideologias que tornavam as pessoas escravas das mesmas. Através da missão bem feita levada ao término por estes personagens desconhecidos até então na sociedade e da reação exultante de Jesus, o evangelista Lucas antecipa como deverá ser a missão ideal: aberta, universal e libertadora.


É preciso que sejamos personagens conhecidos por Deus embora não sejamos reconhecidos pela sociedade que adora ao poder e ao exibicionismo. Sejamos sábios e inteligentes de Deus!

P. Vitus Gustama,svd