sábado, 31 de dezembro de 2011

SANTA MARIA MÃE DE DEUS E VIDA RENOVADA


01 de Janeiro


Textos de Leitura: Nm 6,22-27; Gl 4,4-7; Lc 2,16-21


O texto do Evangelho desta festa faz parte do evangelho do Natal(missa da noite). Os pastores, ao saberem do nascimento do Salvador pela boca do anjo, foram para Belém “às pressas”, como Maria para Ain Karim para visitar Isabel(Lc 1,39). . Aqui a pressa é, evidentemente, um dado teológico-espiritual. É a mesma pressa com que os discípulos de Emaús, após terem encontrado Jesus, esqueceram-se imediatamente do que os poderia reter na própria cidade, retornaram correndo a Jerusalém, e anunciaram aos Apóstolos reunidos terem visto o Senhor Ressuscitado(Lc 24,33); é a pressa com que a samaritana, abandonou sua bilha de água junto ao poço e correu à cidade para anunciar a todos que havia encontrado o Messias(Jo 4,28); a mesma pressa com que Maria Madalena, que correu para anunciar aos apóstolos : “Eu vi o Senhor”(Jo 20,18).

        
Partir às pressas” simultaneamente significa seriedade, empenho, solicitude, zelo, entusiasmo, ardor. Quem recebeu a revelação do projeto de Deus, quem sentiu-se inserido pessoalmente em tal projeto, nota em si o sentido da urgência da salvação; a urgência que pode conviver com a “paciência”, se esta for modelada sobre a paciência de Deus, que é uma paciência de longa visão, e por isso mesmo muito diferente da resignação.  Santo Ambrósio comenta essa pressa com uma expressão latina quase intraduzível: “Nescit tarda molimina Spiritus Sancti gratia” (a graça do Espírito Santo não admite demora). E como se nos dissesse que algo, decidido interiormente no coração com profundidade, seja feito, porque caso contrário, acaba morrendo. Isto vale também para as pequenas coisas: uma carta que devemos escrever ou responder; uma visita que nos custa; uma iniciativa que nos pesa; um trabalho que decidimos fazer e que, no entanto, continuamos a adiar; um perdão que devemos oferecer; uma palavra de amiga que devemos pronunciar etc. Os adiamentos, os atrasos, nos desgastam e nos consomem internamente.

          
Depois de serem os destinatários privilegiados do seu Evangelho e de haverem feito a experiência do encontro pessoal com Jesus, os pastores tornam-se seus mensageiros. Todos os que os ouviam, por sua vez, admiram-se das maravilhas operadas por Deus. O anúncio dos pastores produz esses frutos porque está baseado na experiência do que viram e ouviram no encontro pessoal com Jesus.

          
Quem faz a experiência do encontro pessoal com Jesus não a guarda para si, mas vai sem demora ao encontro dos outros para anunciar o que viu e ouviu. Quem “ouviu” verdadeiramente o Evangelho não permanece como era antes nem fica parado no lugar onde estava.

          
Há, no entanto, um claro contraste entre a alegria dos pastores e a admiração de todos os que os ouvem, por um lado, e a atitude contemplativa de Maria, por outro. Os verbos usados por Lucas para descrevê-la(grego: syntereo e symballo) significam acolher, guardar, conservar e ponderar as palavras e os acontecimentos visto e ouvidos. com respeito a Maria é dito que a mensagem recebida, os fatos e as palavras, são cuidadosamente conservados e meditados, na memória do seu coração, como um tesouro, para compreender mais clara e profundamente seu significado salvífico.

          
Maria, como nós, viveu sua numa atitude permanente de receptividade e de abertura. Ela passou pela noite escura da para depois compreender o significado do mistério de Deus. chegou a conhecer o verdadeiro significado da pessoa, da vida e da missão de Jesus depois da ressurreição e de pentecostes(At 1,14). Maria é o modelo do ouvinte da Palavra de Deus.

          
O nosso texto termina com esta frase: “Quando se completaram os dias para circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido”(v.21). Lucas é o único evangelista que menciona a circuncisão. Através desse rito, o menino judeu passava a fazer parte do povo de Deus, tornando-se destinatário das promessas feitas a Abraão e à sua descendência(cf. Gn 17,9-14.23-27;34,14-16;At 7,8). A circuncisão era ao mesmo tempo sinal da aceitação das exigências da Aliança e da fidelidade de Deus ao seu povo. Ao submeter-se ao rito da lei mosaica, Jesus solidariza-se com o seu povo.

          
O nome “Jesus” foi escolhido pelo próprio Deus: “E tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados”(Mt 1,21), disse o Anjo a José. Também a Maria o Anjo dizia: “Eis que conceberás um filho e o chamarás com o nome de Jesus”(Lc 1,31; cf. 2,11: “Nasceu hoje o Salvador”).

          
Para os judeus, o nome expressava a identidade e o destino pessoal/missão que  cada um devia realizar ao longo de sua vida. E Jesus realmente foi, desde o primeiro instante até a morte na cruz, o que seu nome diz: Salvador.

          
O nome “Jesus”, que começou a ser pronunciado por Maria e por José, será incessantemente invocado ao longo dos séculos por milhões e milhões de cristãos de todas as raças e línguas, de todas as idades e em todas as situações. Diante do Sinédrio firmemente disse: “...não há, de baixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”(At 4,12). Podemos repeti-lo muitas vezes durante o dia segundo nos encontrarmos tristes ou alegres, perturbados ou em paz.


Vamos estender nossa reflexão sobre algumas mensagens da festa da Santa Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.


1. Somos filhos no Filho, não escravos

        
Estamos ainda no Tempo de Natal, e por isso, ainda celebramos o Nascimento de Cristo. Ele se chama Jesus, Deus salva. É Ele que ilumina nossa existência inteira e nos oferece a salvação de Deus. Por esta razão, temos motivos muito mais plenos para nos alegrar e esperar que Deus bendiga nosso Novo Ano, fazendo a paz em nosso redor. Nossa atenção está centrada nele, mas também hoje recordamos a Sua Mãe, Santa Maria. Sobre ela São Paulo nos diz: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher... para que todos recebêssemos a filiação adotiva” (Gl 4,4-5). O mistério do Natal não é somente o mistério de um filho, mas é o mistério de uma multidão de “filhos”: todos os homens podem chegar a serfilhos” neste “Filho de Deus”. O Filho de Deus se fez homem no seio da Virgem Maria para que nós todos sejamos filhos adotivos de Deus. Por isso podemos dizer com confiança que é o Espírito de Deus que pode gritar dentro de nós: Abba, Papaizinho.

        
Somos filhos, não escravos, assim diz São Paulo (Gl 4,7). Ser filhos de Deus é a melhor perspectiva do ano que começa.  Ao longo dos seus doze meses podemos nos encontrar com dificuldades de todo tipo. Podemos cair enfermos, sofrer as mil vicissitudes da vida. Mas não estamos sós. Somos filhos! Pertencemos à família de Deus. Não podemos nos deixar dominar pelo pessimismo ou pela angústia ou pelo desespero. Nasceu nos Jesus, o Deus-que-salva. Jesus é nossa salvação, nosso sol que nos ilumina, nossa festa que não termina. E ele nos ensinou quem é Deus para nós: às vezes o chamamos de Criador, ou Todo-poderoso, ou Ser Supremo, ou Deus, ou Senhor, assim por diante. Mas Jesus nos diz que podemos chamá-Lo Abbá, Papaizinho. Com o Papaizinho é que vamos começar  e caminhar durante este Ano Novo: “Eis que estou com vocês todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20). Para cada um de nós, tanto se estamos contentes ou tristes, vir participar da celebração deste início do Ano Novo significa viver e saber que não estamos sós porque Jesus, Deus-Conosco, nos acompanha, que está conosco para nos dar força e para nos ensinar a caminhar pelo caminho do Evangelho: caminho de amor e de paz.


2. Maria, Mãe de Jesus é nossa Mãe

A recordação da Virgem Maria faz ainda mais agradável o nosso Ano Novo, como mais uma Boa Notícia para nós. Ela, uma simples mulher do povo, foi eleita de Deus para trazer a este mundo o Salvador. E hoje, no primeiro dia do Ano Novo, nós dedicamos uma das festas mais solenes do ano, recordando e celebrando sua Maternidade: Santa Maria, Mãe de Deus. Deus para fazer-se homem quis ter mãe. Assim Aquele que nasceu de Maria é Deus. Por esta razão, Ela é a Mãe deste Deus que é Jesus Cristo. Maria é Mãe de Deus não porque gerou Deus na eternidade, e sim porque O gerou mais de dois mil anos. Negar que Maria é Mãe de Deus é negar a Encarnação do Filho ou negar que é Filho de Deus, pois Deus se fez homem sem deixar de ser Deus. A verdade de que Maria é Mãe de Deus é parte da de todos os cristãos ortodoxos (de doutrina reta). Foi proclamada dogmaticamente no Concílio de Êfeso no ano 431 e é o primeiro dogma mariano. Quando a Virgem Maria visitou a sua prima Isabel, esta, movida pelo Espírito Santo lhe chamou “Mãe do meu Senhor”. O Senhor a quem se refere Isabel não pode ser outro senão Deus (cf. Lc 1,39-45). É claro que Deus não precisaria de uma mãe, mas a quis para se aproximar de nós com seu infinito amor: “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna” (Jo 3,16).

        
Por isso, não nos estranhamos que junto a seu entranhável título de Mãe de Deus, seja invocada hoje alegremente por nós como Mãe da Igreja, Mãe de todos os que crêem em Jesus Cristo. Assim começamos o Ano Novo com uma renovada em Jesus, como Deus Salvador, e com uma recordação filial diante de sua Mãe e nossa Mãe, Santa Maria.


Maria era tão fiel e tão santa, vivia tão atenta a Palavra de Deus, que antes de conceber Cristo em seu seio, o havia concebido em seu coração. A maternidade de Maria ilumina o caminho da vida cristã. Precisamente a Virgem Maria, Mãe de Deus, é o melhor modelo de como nós temos que celebrar a Eucaristia neste começo do Ano. Ela, a discípula de Cristo, guardava as coisas a respeito do Filho de Deus nascido dela, as meditava, e assim nos ensinou a atitude de escuta da Palavra de Deus (Lc 2,19.51b). Também foi ela que melhor exemplo de pessoa que sabe dar graças a Deus através de seu Magnificat pelo que Deus tinha feito em favor dela (Lc 1,46-55). Foi ela que esteve ao da Cruz, em comunhão perfeita com seu Filho no momento da morte (Jo 19,25-27), como o havia estado com ele no seu nascimento (Lc 2,6ss). Ela nos ensina, então, a viver de acordo com estas três atitudes: Escuta da Palavra de Deus e medita-la, Ação de graças, e Comunhão com o Corpo entregue e o Sangue derramado de Jesus Cristo. Estas três atitudes devem ser nossas atitudes, especialmente durante este Novo Ano para que estejamos cheios de Deus e conseqüentemente seremos instrumentos de Sua graça para os demais, a exemplo de Santa Maria, Mãe de Deus.


3. O cristão, o tempo e a paz

Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher sujeito à lei...” (Gl 4,4). Sabemos que o tempo é uma realidade que nos recorda a veloz caducidade da vida terrena. O dia segue à noite, uma semana a outra e um ano a outro em sucessão indefinida, monótono e igual. Mas igual?  A partir do momento em que “enviou Deus seu Filho nascido de uma mulher sujeito à leinão podemos mais falar desta maneira: “igual e monótono!”, porque Deus se faz presente no tempo, se faz tempo e o tempo chega a sua plenitude. Por Deus fazer-se tempo, o passo do tempo não mais nos entristece, e cada ano somos mais livres e mais plenos por este Deus que se faz tempo. “Por fim livre, por fim seguro, por fim eterno” (Bispo Nicolas von Honthein). Cada dia me está criando, me está curando, me está amando. E isto é vida. Somos uma criação continuada de Deus. Está me criando para que creia, está me curando para que cure e está me amando para que ame. Isto é ser vivificador. Deus está me criando para que viva e para que faça viver. Para o cristão o tempo assinala, então, um progresso. Por esta razão, para o cristão, o tempo é Kairós, oportunidade, dom de Deus. Este é o mistério do tempo em sua profundidade. O cristão celebra no tempo a redenção do Senhor.


O Ano Novo é um dom de Deus. É uma oportunidade que não devemos desprezar. Por isso, neste início do Ano Novo desejamos uns para com os outros aquilo que está escrito no Livro de Números: ”O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te a paz!” (Nm 6,24-26).


O Senhor volte para ti o seu rosto e te a paz!”. A paz se encontra entre os anseios mais profundos de todos os corações, mas parece um ideal inalcançável. De onde proverá, então? É do rosto que o Senhor ilumina sobre cada um de nós. Um olhar duro e agressivo desperta sentimentos de mal-estar, de oposição e de guerra. O olhar feliz do pai e da mãe gera, ao contrário, paz e bem-estar no coração dos filhos. O olhar de Deus está sempre dirigido sobre nós: o Pai olha benevolamente a seu Filho e a toda família humana, convertida em família Sua. Este olhar desperta a paz em nosso coração. De onde nasce a paz a não ser do bom coração queem cada homem! No olhar sereno de tantas imagens de Maria Santíssima com seu Filho temos como umsacramento” deste olhar de Deus capaz de restaurar nossos corações. E no olhar embelezado de tantas mães para seu filho nos braços temos também um sinal da bondade dos homens e da humanidade de nosso Deus.

        
Mas como todo tempo, terá sempre sua cara e cruz, seu gozo e dor. Porém o que mais importante definitivamente é que vivamos o tempo que Deus nos deu com o desejo de realizar Seu querer, ainda que custe muito para nós. Por isso, é útil e atual a súplica do Salmista: “Ensina-nos, Senhor, a contar nossos dias para que venhamos a ter um coração sábio” (Sl 89(90),12). É pedir a Deus o saber sentir a alegria nesta festa que nos conecta com os inícios da salvação e suplicar que o que Deus começou em nós obtenha plenitude na vida definitiva junto a Ele.

       
Por tudo isto, pedimos hoje ao nosso Senhor Jesus Cristo, menino de oito dias, que conceda ao mundo e a esta nossa sociedade, à nossa família, Sua paz: Sua paz que é alegria e equilíbrio, respeito e liberdade, amor e perdão. E pedimos que faça de nós instrumentos de Sua paz, que possamos levar a nossos ambientes um pouco de serenidade e bom gosto: que a palavra seja educada, o gesto confiado, o trato amistoso e que sejamos fortes no amor. A novidade do Ano Novo é, para o cristão, renovação em Cristo. Somos pessoas novas pela , pelo batismo, pela esperança pelo compromisso de caridade. O homem velho se faz novo pela conversão, por um começar de novo. As pessoas renovadas se põem a caminho para ver, ouvir, meditar e proclamar as maravilhas de Deus a exemplo dos pastores do Natal.


Feliz  Ano Novo

Todo Ano Novo é hora de renascer, de florescer, de viver de novo.

Não são dias que modificam o mundo. Nós é que somos transformadores do universo. Se iniciarmos o Novo Ano com propósitos renovados, podemos crer que será melhor que o anterior.

Entre e saia de casa com a vida limpa. Com semblante, com o coração e as mãos purificados. Deixe nos tapetes das portas a lama das difamações e das calúnias.


Deixe que os corações inquietos e perturbados se confraternizem. Faça um abraço fraterno, pois o abraço faz milagres, derruba ódios, vence desconfianças, desmancha suspeitas e transforma inimigos em amigos.


Entre e saia de casa reconciliado, penitente, mais jovem e mais virtuoso. Entre em casa dizendo “Bom Dia!”, saudando pessoal. Leve o amor para distribuir, luz para orientar a família em direção a Deus.


Não esperemos que as pessoas nos modifiquem. Não vamos exigir a melhora dos outros. Sejamos nós os pioneiros e os promotores, os exemplos e testemunhas da verdade, da justiça e da paz.

Não esperemos por milagres, magias, truques e ilusões.
Se quisermos melhorar o mundo, devemos começar por nós mesmos, como pessoas retas, conscientes, justas e honestas. Certamente nos sentiremos felizes, realizados, satisfeitos e plenos de Deus.



Não deixe arrastar por coisas passageiras. Abandone tudo o que entristeceu no ano passado: as amarguras, as decepções, as contrariedades, mágoas, ressentimentos e assim por diante.

Não leve para o Ano Novo ganâncias, nem mentiras.
Leve somente soluções, respostas, aberturas, liberdade, justiça, honestidade, paz, luz e amor. Seja você, neste ano que se inicia, solução e não problema, luz e não treva, paz e não vingança.

Seja você um cultuador de Deus, do bem, da verdade, da paz e do amor. Comece o Ano Novo com o coração cheio de bondade e de .


“O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te a paz” (Nm 6,24-26).

P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

FIM DO ANO

31 de Dezembro

VIVER O PRESENTE COM A LIÇÃO DO PASSADO CRIANDO UM FUTURO MELHOR NO PRESENTE

                                
Textos de leitura: 1Jo 2, 18-21; Jo 1, 1-18


Hoje é o ultimo dia do ano no calendário civil. E o evangelho nos mostra Jesus como o ponto de referência único da história. Hoje podemos falar de que todo nosso tempo, na vida humana e na , tem um único centro e critério: Jesus, o Verbo de Deus: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito (Jo 1,1-3).


Em poucas horas este ano vai virar o passado. O passado é observável, mas não é modificável. O futuro é modificável, mas não é observável. Mesmo assim os eventos passados contribuem para o nosso agora. Nunca nos divorciamos de nosso passado. Estamos em companhia dele para sempre e ele nos introduz no presente. E nossa reações de hoje refletem nossas experiências de ontem e suas raízes estão no passado. Uma pessoa enfrenta o futuro, certamente, com o seu passado. E cada dia nos oferece preparação para o futuro, para as lições que virão, sem as quais não daríamos nossa plena contribuição para o projeto que contém a evolução de todos nós.


Por outro lado, reconhecemos que o passado e o futuro estão fora de nosso alcance. Não temos poder para voltar ao passado a não ser através de nossa memória. Nem temos uma bola de cristal para saber o que vai acontecer no próximo instante. A única realidade que temos é o presente. Não conversamos amanhã; não comemos amanhã; não morremos amanhã. Tudo acontece no nosso hoje. Se quisermos felizes no amanhã, sejamos felizes no hoje. Este instante é tudo que temos. podemos agir no momento presente ou nunca mais. É possível que tenhamos tido tempos no passado que foram especiais ou ruins para nós; pode ser que o futuro nos reserve momentos preciosos. Porém, o único tempo realmentenosso” é este instante em que estamos agora. Cabe a nós decidirmos o que fazer com este momento, este presente. Cada momento é meu para torná-lo belo ou doloroso de acordo com a minha escolha. A vida real tem lugar aqui e agora. Deus é presente. “Eu sou Aquele que é”, disse ele. Deus está presente neste momento, quer alegre ou triste. Quando Jesus falou de Deus, falou sempre de Deus presente onde nós estamos e quando estamos. Deus não é alguém que foi ou que será, mas Aquele-que-é; e que é para mim no momento presente. Deus me não como eu era e sim como eu sou neste momento. Eis porque Jesus veio para tirar de nós o peso do passado e as preocupações pelo futuro. Jesus nos diz: “Não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações. Basta a cada dia a própria dificuldade. Pelo contrário, busquem primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e o resto será acrescentado por Deus“ ( Mt 6,25-34 )?

   
Este último dia do ano é uma boa ocasião para fazermos um balanço do ano que passou e fixarmos propósitos para o ano que começa. É uma boa oportunidade para pedirmos perdão pelo bem que não fizemos, pelo amor que nos faltou, pelo perdão que não oferecemos; também é uma oportunidade para agradecermos a Deus de todos os benefícios que nos concedeu.


Neste último dia do ano, nós como cristãos devemos viver esta mudança de ano a partir de uma triple atitude:
 
(1). A primeira atitude é a de ação de graças pela vida. Finalizamos mais um ano de nossa vida. E a vida é um dom e uma dádiva de Deus pela qual devemos dar graças. Muitas vezes nos faz falta a vivência de sentir nossa própria vida como uma dádiva que Deus nos fez. Se olharmos para nossa vida a partir do ponto de vista de dádiva, chegaremos a dizerComo é belo viver!”. Temos que dar graças por um ano vivido na graça de Deus.


(2). A segunda atitude é a de pedir perdão por nossas limitações e debilidades durante o ano que está terminando. É pedir o perdão pela falta de amor nas nossas conversas e em tudo que fizemos. Cada um de nós recebeu um número de talentos, mas nem todos conseguiram render os talentos. Martin Buber dizia: “A grande culpa do homem não é o pecado. A grande culpa do homem consiste em que em todo momento pode se converter, mas não o faz”. "O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer." (Albert Einstein).


(3). A terceira atitude é a de saber que tenho uma missão a cumprir neste ano novo que começa. O mesmo Martin Buber dizia: “Todos nós somos chamados a levar algo à plenitude no mundo”. A partir deste pensamento sabemos que sempre espera em alguma parte deste mundo alguma missão que tenho que realizar. Semprealguém em alguma parte deste mundo esperar que eu possa dar-lhe uma esperança nova. Sempre espera em alguma parte deste mundo uma dor que possa morrer em meu amor. Sempre espera em alguma parte da sociedade meu Deus em quem acredito, que me pede o amor para poder encarar tudo na vida, inclusive a dor da perda.


Que as luzes do Ano Novo que está para chegar nos mostrem a verdade de que ninguém chega antes ou depois, tirando menos ou levando mais da vida. Que neste ano novo possamos olhar para trás sem ferir os olhos de ninguém no que fizemos, sem perder no coração a do que nos resta a fazer. Precisamos começar o ano sem pisar em ninguém; começar o ano novo com o amor correndo por todas as veias, em todas as palavras, em todos os passos, em todos os encontros e diálogos; começar o ano novo com a maravilhosa promessa de fazer o bem. Que nos doze meses do ano que principiará, a , o amor e a esperança sejam uma riqueza constante em nossos lares, em nossos trabalhos e em qualquer lugar onde nos encontrarmos. Precisamos cortar o que precisa ser cortado; deixemos que nossa vida sangre um pouco para o nosso crescimento ao bem. Não nos deixemos arrastar por coisas passageiras. Abandonemos tudo o que nos entristeceu no passado. Esqueçamos as amarguras, as contrariedades. Não levemos para o ano novo ganâncias, nem mentiras. Leve somente soluções, respostas, aberturas, liberdade, justiça, amor e luz. Entremos no ano novo com a vontade de perdoar os erros dos outros. Não deixemos que o poder e o orgulho nos dominem.


Se começarmos o ano novo cheios de espírito de Deus, com o coração e a mente livres do ódio e da arrogância, conservando a alma livre  de amarras, sem apegos aos ídolos do poder e da posse, então o ano novo será dos melhores. Deus nos conceda tudo isto! E FELIZ ANO NOVO!!!

P. Vitus Gustama,svd
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ORAÇAO PARA O FIM  DO  ANO
Senhor Deus, Dono do tempo e da eternidade. Seu é o hoje e o amanhã, o passado e o futuro.


Os planos me pertencem, mas as horas Lhe pertencem, Senhor. Pois somente o Senhor tem uma bola de cristal sobre a minha vida e tenho apenas um mistério diante de mim que me chama a andar para entendê-lo mesmo que seja apenas uma porção dele para iluminar um pouco da minha caminhada diária.


Ao terminar este Ano quero Lhe dar graças por tudo que eu recebi de Sua bondade. Graças pela vida e pelo amor, pelas flores, pelo ar, pelo solo e pelo mar; pela alegria e a dor; por tudo que foi possível fazer.


Neste ultimo dia do ano quero Lhe oferecer tudo que eu fiz, o trabalho que consegui realizar, as coisas que passaram pelas minhas mãos e que com elas pude construir minha vida e convivência.


Quero também lhe apresentar, Senhor, as pessoas que amei ao longo deste Ano, as novas e as antigas amizades; os mais próximos e os mais distantes e os que estiveram conosco no ano anterior e que partiram para a eternidade; os que eu pude ajudar; os que deram a mão para me levantar para andar em comunhão comigo rumo à felicidade eterna cujo prelúdio se inicia neste mundo.


Mas também, Senhor, hoje eu quero pedir-lhe perdão. Perdão pelo tempo perdido, pelo dinheiro mal gastado, pela palavra dita inutilmente e pelo amor desperdiçado. Perdão pelos comentários maldosos. Perdão pelas minhas murmurações. Perdão pelo trabalho mal feito. Perdão por viver sem entusiasmo. Cure, Senhor, os corações que feri consciente ou inconscientemente. Que haja sempre o encontro de amor entre nós, mesmo que seja através de tantos sofrimentos e obstáculos.


Peço-lhe, Senhor, que complete o que ficou incompleto em mim. Aperfeiçoe o que ficou imperfeito. Enchei o que totalmente ficou vazio de amor no meu coração. Santifique o que foi maculado pelas manchas da falha humana consciente ou inconscientemente. No lugar de indiferença coloque mais ternura, na frieza mais amor, nas loucuras mais discernimento, na acomodação mais dinamismo, na discórdia mais concórdia, nas guerras mais paz, nas palavras mais gestos, nos interesses mais ética, na artificialidade mais valores, nas criticas mais sugestões construtivas, na inteligência mais sabedoria, e nas preocupações mais . Para que eu possa viver cada dia com otimismo e bondade levando para todas as partes um coração cheio de compreensão e paz. Abra, Senhor, meu ser para tudo o que é bom e digno, encha meu espírito somente de bênçãos para que eu seja uma bênção para todos para onde eu for e onde eu estiver. E dê-nos um Ano Feliz e ensine-nos a partilhar a felicidade para que nossa felicidade seja completa. Ensina-nos, Senhor, a contar nossos dias para que venhamos a ter um coração sábio (Sl 89(90),12


P. Vitus Gustama,svd