segunda-feira, 14 de maio de 2012

VIVER SOB O IMPULSO DO ESPÍRITO DIVINO


Terça-feira, 15 de Maio de 2012
Texto de Leitura: Jo 16,5-11

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 5“Agora, parto para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ‘Para onde vais?’ 6Mas, porque vos disse isto, a tristeza encheu os vossos corações. 7No entanto, eu vos digo a verdade: É bom para vós que eu parta; se eu não for, não virá até vós o Defensor; mas, se eu me for, eu vo-lo mandarei. 8E quando vier, ele demonstrará ao mundo em que consistem o pecado, a justiça e o julgamento: 9o pecado, porque não acreditaram em mim; 10a justiça, porque vou para o Pai, de modo que não mais me vereis; 11e o julgamento, porque o chefe deste mundo já está condenado”.
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O texto do evangelho de hoje faz parte do discurso de despedida de Jesus de seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17).

“Agora, parto para aquele que me enviou, e nenhum de vós me pergunta: ‘Para onde vais?’ Mas, porque vos disse isto, a tristeza encheu os vossos corações”, disse Jesus no evangelho deste dia.

Os discípulos continuam sem compreender a morte como ida ao Pai. Não pedem explicações a Jesus, mas se sentem tristes ao pensar na separação que eles interpretam como desamparo (Jo 14,18). Sem Jesus eles se sentem indefesos diante do mundo.
Para Jesus a presença e a ajuda do Espírito farão muito melhor para os discípulos do que sua presença física. Enquanto se apoiarem na presença física de Jesus, os discípulos não aprenderão a tomar sua plena responsabilidade nem terão a autonomia em cumprir sua missão como discípulos. A ausência física de Jesus possibilita os discípulos a atuarem por si mesmos sob o impulso do Espírito. A ausência física de Jesus faz os discípulos crescerem na maturidade no seu seguimento. Por isso, Jesus disse aos discípulos: É bom para vós que eu parta; se eu não for, não virá até vós o Defensor; mas, se eu me for, eu vo-lo mandarei”. É preciso aprender a andar com as próprias pernas, mas com a fé em Jesus e se deixar impulsionar pelo Espírito, pois somente o Espírito de Deus pode transformar qualquer um em nova criatura.

Quando vier o Defensor, ele demonstrará ao mundo em que consistem o pecado, a justiça e o julgamento: o pecado, porque não acreditaram em mim; a justiça, porque vou para o Pai, de modo que não mais me vereis; e o julgamento, porque o chefe deste mundo já está condenado”.

O sistema injusto condena o justo como criminoso. O sistema injusto se faz juiz contra os justos e honestos. É a inversão de valores em nome do interesse e das vantagens individuais. Mas o Espírito vai reabrir o processo para pronunciar a sentença contrária. Os que se fizeram juízes serão os culpados e culpáveis. E o condenado pelo sistema encontrará a verdade em Deus e o próprio Deus que não pode ser subornado será o ponto de referência diante do qual cada um se condena. Diante da verdade a própria mentira se condena. Deus se constitui em juiz e inverte o juízo dado pelo mundo.

O “mundo” neste texto se designa ao círculo dirigente que condenou Jesus; o mundo no sentido das forças sociais, históricas e econômicas opostas ao plano divino. Trata-se da personificação das forças malignas da história: a injustiça exercida sobre os inocentes, a opressão dos pobres, a tirania dos sistemas totalitários. Jesus declara aos discípulos que o Espírito de Deus realizará este juízo da história no qual brilhará a justiça e a bondade divinas a favor dos seus. O mundo prefere suas trevas de pecado à luz poderosa da bondade e da verdade divinas.  Seu pecado consiste em impedir, reprimir ou suprimir a vida impedindo a realização do projeto criador (Jo 1,10), e esse pecado alcançou seu ápice na recusa de Jesus (Jo 15,22). O Espírito mostrará aos discípulos a justiça de Deus e que o mundo é o réu de seu pecado, de ter recusado a presença de Deus em Jesus.

Portanto, qualquer cristão não pode abandonar uma vida correta e justa em nome de qualquer pessoa ou de qualquer valor material. A justiça humana pode desviar a verdade em nome de interesses pessoais, mas ainda resta a justiça divina diante da qual a verdade, a justiça, a honestidade e a lealdade estarão em destaque. Por isso, “a vida dos justos está nas mãos de Deus e nenhum tormento os atingirá... Os que confiam em Deus compreenderão a verdade e os que são fieis habitarão com Ele no amor” (Sabedoria 3,1.9).

P. Vitus Gustama,svd

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