sábado, 6 de outubro de 2012

MATRIMÔNIO QUE JESUS QUER E DESEJA PARA OS HOMENS


XXVII DOMINGO DO ANO B
Domingo, 07 de Outubro de 2012


Textos: Gn 2,18-24; Hb 2,9-11; Mc 10,2-16


Não é bom que o homem esteja ”.

Sabemos, pela própria experiência, que nossa vida progride e se enriquece quando avança ao lado dos demais e não quando vamos s. E sabemos também que a complementaridade e o amor dos que se amam aumentam e tendem para a plenitude e para o Absoluto. Com efeito, a pessoa humana não encontra a plenitude do sentido de sua existência em si mesma, e sim na relação com as demais pessoas.


A página do Livro de Gênesis que hoje lemos como a primeira leitura, na sua intensidade é um canto à vida. O ponto de partida do texto é a necessidade humana de estar em companhia. Não podemos viver sós; estamos feitos para a relação com os demais; estamos feitos a base de relação com os demais, por isso, quando alguém querido morrer uma parte de nós morre com ele porque cada um faz parte da vida do outro ou dos outros. Por isso, podemos dizer que não existe sexos opostos. existem sexos que se complementam; diferentes, mas complementares. São iguais em dignidade pessoal.


O Livro do Genesis nos relata que num primeiro momento Deus criou uma grande quantidade de animais. Mas apesar de ter tantos animais de companhia, Adão continuava sentindo a solidão. Por que? Ainda que às vezes nos fazemos ilusão de que nos relacionamos com algum animal, não existe nenhum animal capaz de suprir a relação de pessoa a pessoa. É tão antinatural tratar uma pessoa como se fosse um animal, como tratar um animal como se fosse uma pessoa. A sensibilidade para com o sofrimento dos animais denota bons sentimentos e é pedagógico, porque respeitando os animais se aprende a respeitar as pessoas. Porém, quando alguém se preocupa tanto pelos animais que não se dá conta das pessoas que sofrem, essa pessoa se desumaniza.


Diante de sua solidão apesar de ter tantos animais de companhia, o Criador deu ao homem alguém que não é um animal de companhia, e sim uma companheira. Esta relação de companhia se realiza com uma plenitude distinta de qualquer outra relação na união do homem e a mulher. A alegria de Adão quando desperta e Eva é todo um programa ou uma meta ou um ideal.

 
À luz do relato da criação da parceira humana podemos entender a profundidade da sentença de Jesus sobre o matrimônio indissolúvel, quando denuncia a lei mosaica do divórcio como uma deformação do plano divino, ocasionada pela dureza do coração humano. Apesar das crescentes dificuldades da vida matrimonial, que obedecem a distintas causas, a Igreja não pode deixar de continuar propondo o plano divino. Trata-se do grande projeto da felicidade humana, que nem sempre é seguido por todos.


E para essa união Jesus tem um ideal. Um ideal é um princípio ou valor que atua como uma meta; ou aquilo que se refere a um tipo ou idéia exemplar. Em relação ao casamento Jesus nos apresenta um ideal, e que este ideal é o único que realiza verdadeiramente o projeto de Deus sobre os homens. Ou seja, que é o único que faz o homem se realize verdadeiramente como pessoa. E esse ideal consiste no amor que dura e cresce sempre, que quer sempre o bem do outro, que faz tudo o necessário para cultivar esse amor.
 

Esta relaçãoe companhia se realizam com uma plenitude,distinta de qualqueroutra relação, na união do homeme a mulher: “Elesserão uma carne”(Gn 2,24;Mc 10,7). A palavracarneexpressa na linguagembíblica a existência terrena do homem;ser da mesma carne significa compartilhara mesma existência, o mesmo projetovital. A complementaridade entre homem e mulher conduz a compartilhara mesma existência. E o sacramento do matrimônioé a experiência maisplena de acompanhamento mútuo que se converte em sinalpúblico e eclesial o amor absoluto que é Deus (1Jo 4,8.16). Por isso, o matrimônio é umsacramento nãoporque consagre a promessasolene dos esposos,nem porfundar-se na mútua ternura. O matrimônio é sacramentopor ser imagem mais perfeita do queDeus é e do queé a vida segundoDeus. Na relaçãoentre umhomem e uma mulherdescobrimos e experimentamos que Deus é encontro,dom, participação e amor.
     
Este ideal que Jesus Cristoapresenta no Evangelho de hoje consiste no amorque durae cresce sempre, quequer seriamente o bemdo outro, quefaz todo o necessáriopara cultivar esse amor. Mas este ideal não é fácil como são os demais ideais queJesus apresenta no evangelho como: amar os inimigos, perdoar sempre, vender tudo para daraos pobres. No entanto, sabemos que ummundo querealizar todosestes ideaisserá verdadeiramente o mundo de Deus, ou seja, o mundo paraos homens. Cadacristão é chamado e enviadopara anunciar estes ideais e lutar para realizá-los, mas sempre está ao lado de Deus,pois sem Deus nadapodemos fazer (Jo 15,5). Realizarestes ideaissignifica seguir o caminhode Deus, e sertestemunha do Seuamor.


Este ideal é muitas vezes difícil, como difíceis os demais ideais que Jesus nos apresenta tais como amar os inimigos, perdoar sempre, vender tudo para depois dar tudo aos pobres. Sabemos todos que um mundo que realizasse todos estes ideais seria, de verdade, o mundo de Deus: o melhor mundo para os homens. Por isso, precisamos continuar a anunciar estes ideais e a lutar para realizá-los. Realizar esse esforço é seguir o caminho de Deus, e ser testemunha do amor de Deus. Ser testemunha de que realmente o projeto de Jesus vale a pena.


O sacramento do matrimônio é uma experiência mais plena do acompanhamento mútuo que se converte em sinal publico e eclesial do amor absoluto que é Deus. se que o tema do evangelho de hoje não é a questão das leis de divórcio. Estas são, na fala de Jesus, mecanismos para resolver problemas gerados pela dureza de coração que estraga ou deforma o que não deveria ser deformado.


E tudo isto se concretiza através da mútua atenção, conhecer o que molesta o outro e evitá-lo quanto antes, falar dos problemas para procurar soluções em vez de guardá-los eternamente, estar atento às preocupações do outro, e assim por diante.


Portanto, através de sua sentença e de seu projeto primordial Jesus quer nos transmitir sobre:


1. A Vitória sobre a solidão. 

É muito emotivo ver como Deus, segundo o livro de Gênesis, se interessa pela solidão do homem. Entendemos que Deus não criou o homem para viver na solidão e sim em relação, em companhia. A companhia dos animais domésticos é boa, mas é insuficiente. Adão dá a cada um dos animais seu nome. Com isso se quer significar que exerce domínio e senhorio sobre eles. Mas isto não basta. É uma relação de domínio, é uma relação díspar, que nãoplenitude de realização e de gozo ao ser humano. A única relação plena, satisfatória, é a relação com quem é igual a ele, “carne de sua carne”. É a relação própria dos seres humanos. O sumo grado desta relação é a relação matrimonial. Porém, o matrimônio não é a única forma de relação nem o único modo de vencer a solidão. A relação de amizade, de companheirismo, de irmãos na comunidade, e assim por diante, vence também a solidão. No entanto, o matrimônio e a família são instituições naturais nas quais a vitória sobre a solidão pode alcançar a máxima altura.


2. A vitória sobre a divisão

Estar é triste, penoso. Estar interiormente dividido é mais ainda. O matrimônio, vivido em todo seu esplendor e beleza, unifica. Unifica as forças da inteligência, que se orienta para a vida matrimonial e familiar. Unifica as forças da vontade, que aceita o querer da pessoa amada e tende a fazer o bem para ela. Unifica o coração, centrando no esposo ou na esposa e nos filhos. Unifica as experiências da vida, que são vividas em referência à experiência fundamental, que é a experiência conjugal e familiar. É verdade que podem existir situações extremamente duras e difíceis. No amor profundo e autentico todas elas encontram sempre soluções. O modelo deste amor é o amor de Jesus que dá a vida pela humanidade (cf. Jo 3,16;10,10). Este amor redentor de Cristo, eficazmente presente nos cônjuges cristãos, lhes fará superar qualquer tentação de divisão, e promover a unidade como o maior bem dos cônjuges, da família e da sociedade.


Que esta Eucaristia fortaleça o amor de todos os casais presentes, especialmente dos casais que se encontram em alguma dificuldade. Assim seja

P. Vitus Gustama,SVD

 

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