quinta-feira, 11 de outubro de 2012

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA
Padroeira do Brasil

 

12 de Outubro

Texto: Jo 2,1-11

Neste dia tragamos de volta para nossa memória aqueles três simples pescadores: Domingos Martins Garcia, Filipe Pedroso e João Alves. Eles estavam pescando no Rio Paraíba do Sul no lugar chamado Porto Itaguaçu em 1717. No início, em vez de pegar peixes, eles apanharam na sua rede a imagem de Nossa Senhora sem cabeça. Na nova tentativa apanharam a cabeça da imagem. Dai em diante, os peixes chegaram em abundância para os três humildes pescadores. É o primeiro milagre, fruto da intercessão da Santa para esses simples pescadores para sua vida, pois para os pescadores, peixe significa vida, significa o pão de cada dia o qual pedimos no Pai Nosso.


Os três simples pescadores pescaram peixes abundantemente depois que apanharam a imagem de Nossa Senhora. Isto quer nos dizer que para vivermos a vida na sua abundância e plenitude precisamos colocar em primeiro lugar Aquele que é a fonte e o Doador da vida: Deus. Aqui Maria representa aquele ventre bendito pelo qual nos trouxe a vida que é Jesus Cristo, vida de nossas vida (cf. Jo 1,4-5; 10,10;14,6). Para vivermos na alegria, no ânimo, precisamos colocar Deus em primeiro lugar, precisamos viver a Palavra de Deus e de acordo com Sua Palavra. A vida, antes de ser vivida, precisa ser rezada para que possamos viver a vida na sua abundância e plenitude.


Para celebrar a festa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida a Igreja escolhe uma passagem do evangelho de São João 2,1-11 que fala da festa de casamento em Caná da Galiléia. No entanto, os protagonistas não são os noivos, mas Jesus e sua Mãe, o que aponta para dois níveis de leitura: a leitura a partir de Cristo que converte a água em vinho e a leitura a partir de Maria que faz sua intervenção suplicante nessa festa para os necessitados.


1. Festa De Casamento: Quem é O Nosso Deus Revelado Em Jesus Cristo?


O simbolismo matrimonial é freqüente na Bíblia (Is 54,6.10;62,5;Os 2,16-18.21 etc...) para falar de ternura, da intimidade e do afeto da nova relação de Deus com o seu povo. Isto quer nos dizer que o nosso Deus não é um Deus severo e tirano, e sim esposo e amigo, companheiro capaz de amar com ternura e paixão, de encontrar alegria no amor a seu povo.


Não é por acaso que o texto diz: “Jesus e os seus discípulos foram também convidados para o casamento”. Isto quer nos dizer que o Deus de Jesus não nos é revelado rodeado de imponente majestade, mas nas bodas e acompanhado de amigos. É precisamente isto que o evangelista João diz: a presença de Jesus é a manifestação deste Deus novo e diferente. Não do medo e do castigo, distante das pessoas, mas o Deus próximo, em meio à festa compartilhando as suas alegrias e preocupações. É um Deus que nos acompanha, que está sempre no meio de nós (Mt 18,20), que caminho conosco (Mt 28,20). A religião de Jesus é e continua sendo a da alegria e a da festa compartilhada porque Jesus é o vinho novo da nossa vida. Ele é capaz de transformar as situações em que tudo parece como água, sem sabor nem cor. Quem está com Jesus tem vida sobrando, pois Jesus que é a Vida (Jo 14,6; 10,10) comunica continuamente vida e alegria. Para vivermos a vida na sua abundância precisamos ter lugar especial para Jesus na nossa vida diária.


2. Maria, Nossa Mãe Quem Suplica por Nós


Maria, Mãe de Jesus também estava presente nas Bodas de Caná. E nessa festa, ao perceber que estava faltando vinho, Maria se dirigiu diretamente a Jesus e não ao organizador da festa: “Eles não têm mais vinho”. O vinho, na Bíblia, representa o amor e a alegria (cf. Ct 1,2;7,10;8,2). Quem sãoeles” nesta frase da Mãe de Jesus? São aqueles que basearam a relação com Deus não no amor, mas numa série de normas e regras, tornando assim essa relação fria e paralisada. Jesus é quem transforma essa relação cheia de regras para uma relação cheia de amor simbolizada na transformação da água em vinho numa festa de bodas.


Depois desta frase, Mãe de Jesus diz outra frase, mas, desta vez, para os serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser” (v.5). O que leva Maria a dizer esta frase é a absoluta em Jesus Cristo. Ela não exige provas antes de render a seu Filho uma total confiança. Ela não tem dúvida alguma de que Jesus vai fazer algo. Maria leva até o limite a sua consciente. Ela se abandona à decisão do Filho. A de Maria é ilimitada em Jesus. A expressão “Fazei tudo o que ele vos disser”, sublinha a soberania de Jesus, por um lado e a absoluta de Maria em Jesus, por outro lado.


Pela sua atitude e pelas suas palavras, ao convidar os servidores a adotar a mesma atitude de obediência às palavras de Jesus, Maria é modelo para todos os que fazem parte do novo Povo de Deus. Maria não realiza a vontade de Deus na sua vida, mas também orienta os outros a fazerem de acordo com a Palavra de Deus. Maria, como a perfeita discípula e seguidora de Jesus se torna mestra e guia para todos s. Sua frase continua atual. Ela continua nos dizendo hoje: “Para ser feliz, para viver a vida na sua profundidade e na sua abundância, vale a pena ouvir, ler, meditar a Palavra de Deus e viver de açodo com ela”.


Além disso, Maria nos ensina a orar pelos nossos irmãos, assim como ela fez nas Bodas de Caná. Maria está uma mulher muito atenciosa e prestativa. Por isso, ela percebe com rapidez as necessidades dos outros e logo toma providência. Maria é muito atenciosa. A atenção é um comportamento vigilante do eu sobre os outros; é uma transparência de olhar, uma prontidão em notar sinais de sofrimento em volta de si, um doar-se. A atenção é o amor verdadeiro, delicado, desinteressado e previdente. Ela é uma qualidade humana necessária e preliminar no caminho espiritual.


Revivendo hoje o momento em que o Filho de Deus transforma a água em vinho para os convivas de Caná, deveríamos ter a capacidade de perceber que uma das mais exaltantes mensagens do cristianismo é a mensagem de alegria. Deus quer que haja o vinho nupcial da alegria, a alegria de permanecer unidos, como irmãos. Cabe a cada um de nós a tarefa de viver e de anunciar a mensagem de alegria para os outros de que Deus sempre tem a última palavra. E esta última palavra está cheia de vida, de paz e de alegria. Temos que proclamar as razões da alegria, não da tristeza; temos que apontar os motivos do otimismo, não do pessimismo; temos que promover a vida, não a morte. A alegria deveria ser característica de quem vive na e caminha para o Reino de Deus. A religião de Jesus é e continua sendo a da alegria e da festa compartilhada porque Jesus é o vinho novo da nossa vida. Ele é capaz de transformar as situações tristes em alegria. Quem está com Jesus tem vida sobrando, pois ele comunica continuamente vida e alegria.


O papa Gregório Magno, uma vez na sua pregação, disse a seguinte frase: “Embora tenha quem escute as boas palavras, falta quem as diga”.

Vitus Gustama, SVD
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REFLEXÃO NO LUGAR ONDE NÃO HÁ A FESTA DE NOSSA SENHORA APARECIDA


A PALAVRA DIVINA QUE NOS ALERTA SOBRE A UNIDADE E A VERDADE
Texto: Lc 11, 15-26

1. A Importância da Unidade

 
Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra”, diz o Senhor. Nesta controvérsia Jesus sublinha a importância da unidade. Pela história sabemos que a guerra civil destrói mais os impérios do que os ataques exteriores. Quem usar a “ação de dividirpara atacar será destruído pela mesma divisão que recairá contra suas próprias tropas. Coração dividido é o coração ferido. O Corpo Eucarístico o qual comungamos torna cada um Corpo de Cristo para os outros.

 
A unidade é a expressão e a prova mais evidente do amor. Quem estiver unido com Cristo que está unido ao Pai, jamais será causador da desunião e da divisão entre os cristãos ou entre as pessoas; ele buscará sempre a reconciliação. A comunhão com Cristo é impossível sem a vivência do amor fraterno. Assim como o amor fraterno cria unidade, assim também a comunhão com Jesus deve criar a comunhão entre os cristãos.

 
2. Estar do lado da justiça, do bem e da verdade é estar do lado de Jesus

 
Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha”, alerta-nos o Senhor hoje.
 
 
Na sua pregação o Apóstolo Pedre deu seu testemunho sobre dizendo “passa a vida fazendo o bem” (At 10,38). Apesar disso Jesus enfrentou muitas oposições. Muitos se consideravam proprietários das boas obras, do poder divino, e demonizavam aquelas pessoas que não atuavam segundo seus parâmetros. Eles davam esmolas ou conselhos com intuito de ter o bom nome, o prestígio e a admiração (cf. Mt 23,1-36). Quando Jesus veio para dar sua vida generosamente sem esperar nada em troca, eles o consideraram comodemônio”, “Belzebu”. Era uma maneira fácil que eles encontraram para desprestigiar e eliminar o oponente, neste caso, Jesus. No entanto, Jesus os enfrentou com a verdade, o bem e a justiça.

 
Na atualidade continua sendo corrente a prática de demonizar o oponente, de desprestigiá-lo para aumentar o brilho próprio. Pois, atuar a favor dos demais sem buscar o bom nome e o prestígio é uma coisa que não chama a atenção de ninguém.

 
O evangelho de hoje nos convida a estarmos do lado de Jesus, isto é, do lado do bem, da verdade e da justiça, não para adquirir ganâncias pessoais e sim para ser as mãos de Deus que atuam eficazmente no mundo. Por isso, o mundo de hoje exige que lutemos contra o mal com as armas da verdade, do bem, da honestidade, da solidariedade e da justiça. Não podemos combater o mal com suas próprias armas: a violência somente gera violência e a manipulação ideológica somente gera opressão e desequilíbrio mental. Necessitamos combater o mal, porém como o fez Jesus: com a bondade e generosidade de um Deus que defende incondicionalmente a vida das pessoas humanas e sua dignidade como seres humanos. O cristianismo e o mal e a maldade são incompatíveis. Fazer o bem permanentemente significa que estamos no Reino da verdade, da justiça e da caridade que é o Reino de Deus. Para viver uma vida autenticamente humana, temos que nos amar muito com a verdade, a justiça, o bem e a caridade que são, em certo modo, coisas sagradas que requerem ser tratadas com amor e respeito e são os valores que têm a marca de eternidade.       
 
P. Vitus Gustama,svd


 
 

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