domingo, 14 de abril de 2013

PÃO DA VIDA É JESUS

Quarta-feira da III Semana da Páscoa
17 de Abril de 2013

Texto:Jo 6, 35-40

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 35“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. 36Eu, porém, vos disse que vós me vistes, mas não acreditais. 37Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei. 38Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. 40Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia”.

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O “discurso do Pão da Vida” que Jesus dirige a seus ouvintes depois da multiplicação dos pães entra em seu desenvolvimento decisivo. Esta catequese de Jesus tem duas partes muito claras: uma que fala da fé nele, e outra da Eucaristia. Na primeira, Jesus afirma “Eu sou o Pão da vida”; na segunda ele dirá: “Eu darei o Pão da vida”. Ambas estão intimamente relacionadas, e formam parte da grande pagina de catequese que o evangelista nos oferece em torno do tema do Pão.


Hoje escutamos a primeira parte. Repetimos a ultima frase de ontem: “Eu sou o Pão da vida” que tem como conteúdo a fé em Jesus. Nota-se em seguida, porque os verbos usados: “Quem vem a mim”, “quem crê em mim”, “quem vê o Filho e crê nele”. Trata-se de crer no Enviado de Deus. Aqui, nesta primeira parte, Jesus é chamado de “Pão” não no sentido eucarístico, e sim mais no sentido metafórico: para uma humanidade faminta, Deus envia-lhe seu Filho como o verdadeiro Pão que sacia. O efeito do crer em Jesus é claro: quem crê n’Ele “jamais terá fome”, “não ficará perdido”, “será ressuscitado no ultimo dia”, “terá vida eterna”.


“Eu sou o Pão da vida”. É uma formula de uma força extraordinária. A palavra ou os ensinamentos de Jesus são verdadeiro alimento para nossa vida de cada dia. Ele próprio é o Pão da vida para nossa vida. Através desta afirmação Jesus pretende algo exorbitante e radical: ele se apresenta como a fonte suprema de salvação, em múltiplas formas que evocam o “Eu sou o que sou” do mesmo Deus (cf. Ex 3,14):

·        Eu sou o Pão da Vida (Jo 6,35. 48-51)

·        Eu sou a Luz do mundo (Jo 8,12; 9,5)

·        Eu sou a Porta das ovelhas (Jo 10,7-9)

·        Eu sou o Bom Pastor (Jo 10,11-14)

·        Eu sou a Ressurreição e a Vida (Jo 11,25)

·        Eu sou a verdadeira Videira (Jo 15,1-5)


“Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede”.


O paralelismo das duas frases permite aclarar a uma pela outra. Quem vem a Jesus, quem crê em Jesus não necessita ir para outra parte a fim de saciar-se. Já não tem mais fome nem sede de outra coisa. Jesus é fonte de equilíbrio e de gozo, fonte de sossego. A maioria de nossas tristezas e de nossos desequilíbrios acontece porque ainda não sabemos nos apoiar sobre a rocha da Palavra substancial do Pai que é Jesus Cristo.


Ver, vir, crer: para que nossa Eucaristia seja frutuosa, antes temos que entrar nesta dinâmica de aceitação de Cristo, de adesão a sua forma de vida. Por isso, é muito bom que em cada Missa, antes de tomar parte na “mesa da Eucaristia”, comendo e bebendo o Pão e o Vinho que Cristo nos oferece, sejamos ou somos convidados a recebê-Lo e a comungar com Ele na Mesa da Palavra, escutando as leituras bíblicas e aceitando como critérios de vida os critérios de Deus.


O que nos prepara a “comer” e a “beber” com fruto o alimento eucarístico é o mesmo Cristo, que nos é dado primeiro como Palavra vivente de Deus, para que “venhamos”, “vejamos” e “creiamos” nele. Assim teremos a vida em nós. A Eucaristia tem pleno sentido quando se celebra na fé e da fé. A fé chega a seu sentido pleno quando desemboca na Eucaristia.


“Crer”, “ver” e “vir a Jesus” são apresentados aqui como equivalentes: com isso se põe em evidência o fato de que a fé é uma atitude vital de adesão para a pessoa de Cristo, muito mais do que ser o “assentimento intelectual" a uma suma de verdades dogmáticas abstratas. “Vir a Jesus” é imitá-lo, é reproduzir sua atitude, é viver sua vida de doação, é ser vida para os demais. Nisto consiste nossa felicidade e nossa salvação.

P. Vitus Gustama,svd

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