sexta-feira, 31 de maio de 2013

UMPAGÃOQUE PERTENCE AO POVO DE DEUS POR SER DO BEM
 
IX DOMINGO DO TEMPO COMUM “C”

Textos: 1Rs 8, 41-43; Gl 1,1-2.6-10; Lc 7,1-10

 

Naquele tempo, 1quando acabou de falar ao povo que o escutava, Jesus entrou em Cafarnaum. 2Havia um oficial romano que tinha um empregado a quem estimava muito, e que estava doente, à beira da morte. 3O oficial ouviu falar de Jesus e enviou alguns anciãos dos judeus, para pedirem que Jesus viesse salvar seu empregado. 4Chegando onde Jesus estava, pediram-lhe com insistência: “O oficial merece que lhe faças este favor, 5porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga”. 6Então Jesus pôs-se a caminho com eles. Porém, quando estava perto da casa, o oficial mandou alguns amigos dizerem a Jesus: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. 7Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado. 8Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: ‘Vai!’, ele vai; e a outro: ‘Vem!’, ele vem; e ao meu empregado: ‘Faze isto’!, ele o faz”. 9Ouvindo isso, Jesus ficou admirado. Virou-se para a multidão que o seguia, e disse: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha ”. 10Os mensageiros voltaram para a casa do oficial e encontraram o empregado em perfeita saúde. (Lc 7,1-10)

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O texto do evangelho deste dia se encontra na seção de Lc 7,1-8,56 onde se falam dos sinais do Messias e a dos discípulos e discípulas de Jesus (nesta seção se encontram oito mulheres): Lc 7,1-50 fala dos sinais do Messias, dos Doze e das discípulos (Em Lc 8,1-3 o evangelista faz um sumário das atividades de Jesus); Lc 8,4-21 fala dos que escutam a Palavra de Deus (Parábola do semeador: Lc 8,4-18 e os que ouvem e praticam a Palavra de Deus formam uma família com Jesus: Lc 8,19-21); Lc 8,22-56 fala de quatro novos sinais de Jesus, o Messias.


O evangelho lido neste domingo nos relata a cura do servo de um centurião de Cafarnaum. Podemos encontrar o mesmo episodio em Mateus (Mt 8,5-10.13) com algumas variantes (leia também Jo 4,46-54).


O texto nos contou um centurião/oficialpagãoque pediu a Jesus, através de alguns anciãos do povo de Deus, que curasse seu empregado enfermo. Cafarnaum é a cidade onde ocorre o milagre. Era uma cidade que possuía uma guarnição militar com uma tropa de soldados de Herodes Antipas. O centurião era um oficial do exército de Herodes Antipas que não pertencia ao Povo eleito e por isso, era pagão.


Por ser considerado “pagão” o centurião  não quer se aproximar de Jesus e por isso, ele envia uma delegação de anciãos dos judeus para que Jesus possa curar seu servo. Diante do pedido dos anciãos, Jesus vai com eles para a casa do centurião. Mas o centurião não quer que Jesus, como judeus, entre em sua casa para não tornar Jesus impuro pelo contato com um pagão: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado”. O centurião tem consciência do poder da Palavra de Jesus e por isso, ele acredita na Palavra de Jesus apesar de ser pronunciada à distância.


 Jesus ficou profundamente admirado pelo tamanho e pela profundidade da do centuriãopagão” a ponto de dizer: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha ”. Por o centurião ser tão digno, Jesus concede-lhe a cura do seu servo à distância.


1. Pagão Por Não Pertencer Oficialmente Ao Povo De Deus, Mas Membro Do Povo De Deus Por Sua Humanidade Diante Do Necessitado 


Pode ser considerado como pagão, porém o centurião era um daqueles “pagãosque não encontraram mais a satisfação nos ritos politeístas, cuja fome religiosa não se saciava com a sabedoria dos filósofos e que, por conseguinte, simpatizava com o monoteísmo judaico e com a moral que dele derivava. Era temeroso de Deus, professava a no Deus único através do seu modo de viver e de tratar os demais respeitosamente, mas não havia passado definitivamente ao judaísmo. Ele buscava a salvação de Deus. Sua no Deus único, seu amor e seu temor de Deus ele manifestava no amor ao povo de Deus e na solicitude pela sinagoga que ele mesmo ajudou a construir. Seus sentimentos se expressavam em obras. E as obras proclamam e revelam quem as pratica. “Cada árvore é conhecida por seus frutos”, disse Jesus (cf. Mt 7, 15-20).


2. Um Centurião Com Idéias Amplas e Abertas


Apesar de ser considerado “pagãopelo fato de não pertencer oficialmente ao povo de Deus, o centurião tinha idéias amplas e abertas: do próprio bolso ele tirou seu dinheiro para ajudar o Povo de Deus na construção de uma de suas sinagogas.


A verdadeira bondade não tem religião. O bem é universal e por isso, pode ser encontrado em qualquer lugar e em qualquer povo ou crença. Os homens do bem podem ser amados ou odiados, mas sempre despertam nossa admiração. O amor não faz diferença onde é aplicado e sempre traz ótimos rendimentos. A insegurança geralmente não tolera a diferença e o diferente. Se um único homem atinge o tipo mais elevado de amor, como o centurião/oficial, ele será suficiente para neutralizar o ódio de milhões. A única grandeza é amor altruísta, o amor que sempre quer o bem do outro e dos outros. Os próprios anciãos do povo de Deus chegaram a afirmar diante de Jesus sobre a bondade do centurião: “O centurião merece que lhe faças esse favor (curar seu empregado), porque ele ama nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga” (Lc 7,4-5).


3. A Maior Que Se Encontra Fora Do Povo De Deus



Além de suas amplas e abertas idéias, apesar de ser considerado “pagãopor não pertencer à religião oficial do povo, esse centurião se mostra como uma pessoa com muita a ponto de Jesus considerá-lo como pessoa que tem muito mais do que qualquer membro do próprio povo de Deus: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha ”. Depois de tantas recusas entre os seus, é confortante Jesus encontrar uma assim.


Quando Lucas escreveu o evangelho, na comunidade eclesial houve a admissão dos pagãos convertidos à cristã, por exemplo, na pessoa de outro centurião romano, Cornélio, que se converteu com toda sua família (cf. At 10,24-48), poisDeus não faz distinção de pessoas, mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo” (At 10,34-35).


Será que Jesus pode encontrar tamanha , igual à do centurião, na nossa comunidade, em geral, e em cada um de nós, em particular. Para receber o elogio do Senhor é preciso que cada um de nós tenha a do tamanho da do centurião. Ou será quetodos nós somos mais ateus do que acreditamos e mais crentes do que pensamos?” (René Juan Trossero).


4. Um Homem Que Respeita o Costume Do Povo e Acredita No Poder da eficácia da Palavra de Jesus


O centurião não deixa Jesus entrar em sua casa, pois um judeu era proibido de entrar na casa de um pagão para não torná-lo impuro o que impediria ele de participar do culto no Templo ou na sinagoga.


Para respeitar a proibição feita aos judeus de entrar na casa de um pagão, Jesus é levado a fazer um milagre a distancia, realizado somente pela Palavra. No curso de sua vida de taumaturgo somente realizará dois milagres deste tipo (Lc 7,1-10 e Mt 15,22-28). Normalmente Jesus cura através de um contato físico e silencioso, como se seu corpo possuísse certa força vital especial que Ele nem sempre podia controlar (cf. Mc 5,30; 6,65).


Na cura do empregado do centurião Jesus se contenta com a palavra e elogia a do centurião.


O centurião vem dizer a todos nós que lemos a Palavra de Deus e supostamente acreditamos nela: “Vocês precisam acreditar na Palavra de Deus, pois ela é eficaz e poderosa”. É preciso recordar também que ao receber o Pão eucarístico (na comunhão) pronunciamos as mesmas palavras do centurião: “Senhor, eu não sou digno (a) de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra serei salvo (a)”.


A liturgia cristã é baseada unicamente em “uma Palavra”: a palavra que ressoou no coração de Jesus em sua Páscoa, a Palavra que nos acompanha durante nossa vida cristã, a Palavra que nos transforma. No entanto, o mundo de hoje nos pergunta se existe uma palavra do Senhor para ele a partir de nós. Será que, depois do fracasso das palavras humanas, o mundo pode recorrer à Igreja que prega Palavra de Deus? Será que aquele que se diz cristão acredita no poder da Palavra de Deus a exemplo do centuriãopagão”?


P.Vitus Gustama,svd

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