terça-feira, 20 de agosto de 2013

 
SANTA ROSA DE LIMA
(1586-1617
 
Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013

 
Texto de leitura: Mt 13,44-46


Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44'O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. 45O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. 46Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola.

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Meu Deus, podes aumentar os sofrimentos, contanto que aumentes meu amor por Ti(Santa Rosa de Lima).


“Provavelmente não teve na América um missionário que com suas pregações alcançou mais conversões que as conversões que Rosa de Lima obteve com suas orações e suas mortificações(Papa Inocêncio IX)


Santa Rosa de Lima, a primeira santa canonizada da América (canonizada pelo Papa Clemente X em 1671), nasceu da descendência espanhola na capital de Peru, Lima, em 20 de abril de 1586 do casal Gaspar de Flores e Maria de Oliva (um casal humilde. O pai de Rosa fracassou na exploração de uma mina e a família se viu nas circunstancias econômicas difíceis).


Rosa de Lima tinha como nome de Batismo Isabel. Os anos passaram Isabel se revelou cada vez mais bonita, sorridente e formosa como uma rosa. Por causa de sua beleza tão encantada, em todos os sentidos, Isabel começou a ser chamada de Rosa. Na hora de receber o sacramento da confirmação (Crisma) o arcebispo na época deu-lhe o nome de Rosa definitivamente.


Desde pequena Rosa de Lima teve uma grande inclinação para a oração e a meditação. Se os homens soubessem o que é viver em graça (de Deus), não se assustariam com nenhum sofrimento, e padeciam de bom grado qualquer pena porque a graça é o fruto da paciência”, dizia Santa Rosa de Lima.


A graça é aquilo que nos dá alegria. A graça é também a razão principal de nossa coragem. O que foi que Deus respondeu a São Paulo, quando se queixava do aguilhão em sua carne? Deus respondeu: “Basta-te a minha graça” (2Cr 12,9). Todos podem abandonar-nos, também pai e mãe, diz um Salmo, mas Deus nos acolhe sempre (cf. Sl 27,10). Por isso, nós podemos afirmar com o salmista: “A graça e a fidelidade hão de acompanhar-me todos os dias da minha vida” (Sl 23,6).


Ela também ajudava os pobres e os enfermos. No dia em que sua mãe repreendeu Rosa por atender, na casa, pobres e enfermos, Rosa lhe contestou: “Quando servimos aos pobres e aos enfermos, servimos a Jesus. Não devemos nos cansar de ajudar nosso próximo, porque neles servimos a Jesus” (cf. Novo Catecismo no. 2449).


Um dia rezando diante de uma imagem da Virgem Maria apareceu-lhe o Menino Jesus dizendo: “Rosa, consagra-me a mim todo teu amor!”. A partir de então ela começou a viver só para amar a Jesus Cristo. Ela se dedicou unicamente a amar a Jesus Cristo. Seu amor de Deus era tão ardente que, quando falava d’Ele, mudava o tom de sua voz e seu rosto se acendia como um reflexo do sentimento que embargava sua alma. Esse fenômeno se manifestava, sobre tudo, quando Rosa se falava na presença do Santíssimo Sacramento ou quando na comunhão unia seu coração à Fonte de Amor. Na linguagem do evangelho lido na festa desta Santa, Santa Rosa de Lima encontrou sua perola preciosa que é seu amor total por e para Deus.


Um jovem de alta classe social queria Rosa como namorada e queria casar-se com ela. Os pais de Rosa ficaram muito entusiasmados porque eram pobres e daria à jovem Rosa um futuro brilhante. Mas ela, ainda que sua vontade fosse contrária à de sua família, recusou totalmente a proposta porque seu amor era só para Deus e renunciava completamente ao matrimônio por brilhante que ele fosse.


Deus a chamou (morreu) no dia 24 de agosto de 1617 aos 31 anos de idade.

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O evangelho lido na festa de Santa Rosa de Lima fala do tesouro ou de pérola preciosa. Do ponto de vista de um homem que busca o sentido de sua vida, o tesouro de sua existência ou de sua vida é como uma utopia: não sabe onde está, nem sequer sabe se está em algum lugar ou em nenhum lugar. A busca é um esforço para encontrar algo que não se tem. Quem busca reconhece uma carência de algo. É uma atitude humilde por si mesma.
   

Nesta busca o homem somente conhece a inquietude de seu coração, porque “onde está teu tesouro, ai estará também teu coração” (Mt 6,21). Um homem que ainda não encontrou seu tesouro fica inquieto e busca incessantemente um sentido para sua vida. O coração errático do homem, sua vontade, pode, nestas circunstancias, fixar-se em qualquer coisa e agarrar-se a ela como se tivesse encontrado seu tesouro. Mesmo assim, ele continua inquieto, pois o tesouro do homem não é qualquer coisa. O homem pode ter tudo, mas se carecer o essencial, ele continuará inquieto.
  

A busca do Reino de Deus é compreender uma certa carência essencial em nossa vida, carência que nos impulsiona a sair de nós mesmos e não repousará até que encontremos essa realidade que faz completo nosso ser. Por isso, não é a riqueza, nem o êxito, nem o poder, nem a fama, mas o próprio Deus é o tesouro supremo do homem que o faz completo. Escondido no nosso mundo, coberto pela carne crucificada de Jesus de Nazaré, perdido entre os pobres, identificado com eles, está o tesouro do homem. Jesus é o “lugar de Deus”, e o irmão, o próximo é o “lugar” de encontro com Jesus. O próximo se transforma, então, em ocasião de salvação. Não é nada que o homem pode alcançar por si mesmo e somente para si mesmo, pois ele foi feito por Deus e para Deus na convivência fraterna com os outros. Por isso, Santo Agostinho rezava: “... Senhor, inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti” (Confissões I,1). O homem só se encontrará a si mesmo, somente chegará à sua plena realização na medida em que ele buscar e viver e conviver de acordo com o Amor que é Deus (cf. 1Jo 4,8.16).


O homem que encontrou o sentido de sua vida em Deus é um homem alegre e dinâmico, como os dois homens na parábola que encontraram seu tesouro. Por este tesouro, ele é capaz de se desprender de tudo, de se despojar de tudo, de compreender a fraqueza do outro, de perdoar, de reconciliar-se com todos, de ser justo e honesto nos seus negócios, de ser correto e coerente no seu modo de ser, pois sua vida é direcionada por este supremo valor. A busca do Reino de Deus modifica nosso esquema de vida e não pode ser levado adiante sem uma absoluta sinceridade de coração numa serenidade de oração.


P. Vitus Gustama,svd

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