sábado, 9 de novembro de 2013

 
CONVIVER COM RESPONSABILIDADE TENDO FÉ EM DEUS

 
Segunda-feira da XXXII Semana Comum
11 de Novembro de 2013
 
Texto da Leitura: Lc 17,1-6

Naquele tempo, 1 Jesus disse a seus discípulos: “É inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai daquele que produz escândalos! 2 Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos. 3 Prestai atenção: se o teu irmão pecar, repreende-o. Se ele se converter, perdoa-lhe. 4Se ele pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti, dizendo: ‘Estou arrependido’, tu deves perdoá-lo”. 5 Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” 6 O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria”.
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Continuamos a acompanhar Jesus na sua última viagem para Jerusalém, pois lá ele será crucificado, morto e glorificado. Ele aproveita essa viagem para nos passar suas ultimas e importantes lições para nosso seguimento como cristãos (Lc 9,51-19,28).


No texto do evangelho de hoje encontramos três lições que Jesus passa para todos nós, seus seguidores e para todas as pessoas de boa vontade. As duas primeiras lições se referem às relações fraternas: sobre o escândalo e a necessidade do perdão mútuo (Lc 17,1-4). A terceira lição se refere ao tema da fé (Lc 17,5-6).


1. Não Sejamos Ocasião De Tropeço Para Os Outros


“É inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai daquele que produz escândalos! Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos”. Assim Jesus começou suas lições. Trata-se do tema sobre o escândalo.


A palavra escândalo provém do grego “skándalon” que significa pedra de tropeço que aparece ou que é colocada no caminho de alguém que o leva a cair ou que provoca a queda de alguém. Jesus pede que não sejamos ocasião de tropeço para os outros, especialmente para os pequenos (os pobres, os humildes, os que não têm recursos materiais ou espirituais etc.) por meio de nossas atitudes negativas e de nossos maus exemplos. Cada cristão tem uma missão de levantar as pessoas prostradas pelos problemas e dificuldades encontrados na vida e não para causar a queda de quem quer que seja.


Em outras palavras, cada cristão não somente tem responsabilidade sobre si próprio, mas também sobre os demais. A palavra “responsabilidade” tem sua origem etimológica no latim: “respondere” que significa “prometer”, “garantir”. O que garante a responsabilidade e o sentido da vida do ser humano são os valores. Ter responsabilidade significa ser coerente com os valores reconhecidos. Responsabilizar-se significa elevar a própria existência para uma dimensão superior por causa da vivência dos valores reconhecidos. Responsabilidade e valores sempre andam inseparáveis. Todo ato autenticamente responsável está em comunhão com os valores. Quem vive de acordo com a responsabilidade jamais se torna escândalo para os demais.


“Os pequenos” dos quais Jesus fala neste texto são os que ainda estão fracos na fé. Em vez de fazer escândalo contra eles, o cristão deve dar-lhes a atenção e acolhê-los e cuidá-los. A palavra “cuidar” sempre se refere ao amor, à atenção, à proteção e assim por diante. Os que têm mais maturidade na fé jamais podem ser causadores de qualquer tipo de escândalo (cf. Rm 14,13; 1Cor 8,9.13).


2. Necessidade Do Mútuo Perdão


“Se o teu irmão pecar, repreende-o. Se ele se converter, perdoa-lhe. Se ele pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti, dizendo: ‘Estou arrependido’, tu deves perdoá-lo”. Esta é a segunda lição dada por Jesus neste texto.


A comunidade cristã não é feita de pessoas isentas de fraquezas e limitações. Por isso, a convivência se torna vulnerável, no sentido de que um é capaz de ferir o outro, muitas vezes por causa das limitações. Daí a exigência de reconciliação ou de mútuo perdão. Isto supõe o reconhecimento do pecado, por parte de quem ofendeu o irmão e a oferta de perdão e de reconciliação de quem se sentiu ofendido.


Para os cristãos e para quem acredita em Deus de amor e de misericórdia, o perdão não é apenas uma exigência moral, e sim o testemunho visível da reconciliação de Deus operando em cada um de nós. Porque a lei do perdão é vinculante, e não facultativa: é como um contrato firmado com o sangue de Cristo. Depende de mim ratificá-lo, derramando sobre os meus semelhantes aquilo que Deus me deu. Por isso, quando alguém perdoa o outro, na verdade, ele está agindo em conformidade com Deus que concede prodigamente o seu perdão para o ser humano. O perdão é a expressão máxima do amor. Se Jesus insiste no perdão mútuo como a expressão máxima do amor é porque somente o amor tem futuro e se conta diante de Deus. O mal não se conta diante de Deus e por isso, ele não tem futuro.


3. É Preciso Manter a Fé Firme Permanentemente


“Os apóstolos disseram ao Senhor: ‘Aumenta a nossa fé! ’. O Senhor respondeu: ‘Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria’’”. É a terceira lição que Jesus passa para todos os seus seguidores.


Para cada cristão não se tornar pedra de tropeço aos demais e para ser capaz de perdoar mutuamente é preciso manter a fé firme permanentemente.


Os apóstolos percebem que estão vacilando, sentem-se tentados a voltar atrás, como tinham feito muitos discípulos (cf. Jo 6,60). Eles reconhecem que somente a força da fé os permitirá aceitar, com todas as suas conseqüências, as exigências do perdão. Eis então que surge espontaneamente nos seus lábios o pedido de socorro: “Aumenta a nossa fé!” Os apóstolos têm certeza que só com a confiança ilimitada em Jesus é que eles podem realizar coisas impossíveis aos olhos humanos. Por isso, eles querem ter o poder de Jesus Cristo.
       

Os discípulos querem ter mais fé. A resposta de Jesus tira deles o conceito de maior ou menor em termos de fé para o conceito de uma fé genuína. Basta ter uma mínima fé, mas autêntica (como o grão de mostarda, Lc 13,19) para que o homem possa realizar grandes coisas. Se há fé real, então, os efeitos se segurarão. Não é tanto uma grande fé em Deus que é exigida, quanto a fé num Deus grande. A imagem da amoreira arrancada e transplantada no mar expressa plasticamente a força da confiança plena em Deus. Isto quer dizer que a fé genuína pode realizar aquilo que a experiência, a razão e a probabilidade negariam, se for exercida dentro da vontade de Deus. Quando a força humana terminar, a fé vai a continuar, pois a fé transforma os nossos limites em forças, pois a fé é a participação na vida divina. A fé nos dá a convicção de que estamos constantemente envolvidos pelo amor de Deus.


P. Vitus Gustama,svd

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