terça-feira, 10 de dezembro de 2013

 
IR AO ENCONTRO DO DEUS GRANDE E PRÓXIMO QUE ME ALIVIA E FORTALECE


Quarta-feira da II Semana do Advento
11 de Dezembro de 2013
 

Textos de Leitura:
Is 40, 25-31
Mt 11, 28-30

Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse: 28“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.
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 O Senhor é o Deus eterno que criou os confins da terra; ele não falha nem se cansa, insondável é sua sabedoria; elecoragem ao desvalido e aumenta o vigor do mais fraco” (Is 40,28-29), são palavras do profeta Deutero-Isaías para seus companheiros no exílio de Babilônia.


A catequese do profeta Deutero-Isaías quer enfatizar que o verdadeiro conhecimento de Deus consiste muito mais em adotar certas atitudes concretas do que em afirmar uns princípios teóricos. Essa catequese parte do drama do exílio de Babilônia que suscita o sentimento de que a fé é insuficiente para afrontar os problemas da vida. Porém, por outro lado, Deus não está para satisfazer as pequenas ou grandes curiosidades do homem. A tentação contra a fé parte de uma tremenda solidão (no exílio de Babilônia). No entanto, a certeza da fé não está em função das verificações que dela podemos fazer. Somente uma adesão global pode responder a uma questão global. As razões da fé não podem ser menores do que o próprio Deus. Mas nesta catequese o profeta leva o leitor para um ato de fé no amor e na vida: Os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem parar” (Is 40,31).


O profeta Deutero-Isaías acredita no Grande Deus. Para ele este grande Deus é um Deus surpreendente. Ele se preocupa com cada um de nós, especialmente com os pequenos, os débeis, os cansados, os desamparados e os desesperados. O profeta quer nos dizer que o Deus grande e transcendente, Criador das estrelas e do cosmos é também o Deus próximo, o Emanuel (cf. Mt 1,23; 18,20; 28,20) que comunica sua força aos que se abrem a Ele, aos que põem nele sua confiança. Este Deus próximo devolve cada manhã a cada homem o vigor de existir, de empreender, de começar de novo, e de vencer sempre o desespero e desesperança: “Cansam-se as crianças e param, os jovens tropeçam e caem, mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem parar” (Is 40,30-31).  Para isto, o único requisito é a que é o reconhecimento simultâneo do próprio desamparo e a aceitação do poder salvador de Deus.


 Diante deste grande Deus, o profeta nos convida:  Levantai os olhos para o alto e vede: quem criou tudo isso? Aquele que expressa em números o exército das estrelas e a cada uma chama pelo nome: tal é a grandeza e força e poder de Deus” (Is 40,26). Se nós somos capazes de admirar o poder e a inteligência do homem, por que seríamos cegos diante da obra de Deus tão vasto como o próprio universo e infinitamente maravilhoso? Se a inteligência humana é tão desenvolvida capaz de enviar cosmonautas à lua (e a outros planetas) e naves espaciais tripuladas ou não tripuladas, por que não seríamos capazes de admirar a grandiosidade do cosmos com suas galáxias e bilhões de estrelas?  Esta citação nos chama a contemplarmos a “inteligência” de Deus. Neste exato momento bilhões de estrelas está se movendo e girando em suas respectivas órbitas. A terra gira neste momento e sempre. O sol se levanta em algum lugar, e suscita a vida. E tudo isto não nos faria maravilhados, não renovaria nossas forças e nossa esperança?                                                                   


Diante deste Deus tão grande e, ao mesmo tempo, tão próximo ninguém tem mais razão para se desesperar, ninguém tem mais desculpa para dizer que está .  Ao contrário devemos ouvir no silêncio Seu suave convite: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (Mt 11,28).


Trata-se aqui da opressão moral e religiosa, provocada pelo formalismo de uma religião estéril e de um moralismo legalista. Os “cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardosaqui são os pobres e famintos, ignorantes e pequeninos, os míseros/miseráveis e os doentes. O legalismo é sufocante, é uma moral sem alegria. Assim, a religião fica longe de ser motivo de liberdade e alegria, pois ela é reduzida a uma carga pesada. O ser humano se torna animal, pois a quem se impõe “jugo” e “carga”, senão aos animais?
      

Pelo contrário, o cristianismo e a moral cristã não são uma imposição. A lei de Cristo é amor (Jo 13,34-35; 15,12), lei do Espírito quevida, lei de relação filial com Deus, Pai Nosso, e amigo da vida. Ao lado de Jesus Cristo, todas as fadigas se tornam amáveis e tudo o que poderia ser mais custoso no cumprimento da vontade de Deus se suaviza. Quem se aproxima de Jesus, encontrará repouso para suas aflições. Jesus veio, certamente, para libertar o ser humano de todo tipo de escravidão, mostrando-se manso e humilde de coração e recusando-se a multiplicar normas religiosas. Jesus reduziu tudo ao essencial: amor e misericórdia. A religião torna-se, assim, prazerosa por respeitar a liberdade e por ser humanizadora.
   

Para tudo isso se tornar possível, há uma chave principal: o amor, tanto como um dom recebido de Deus, pois ele nos amou primeiro (1Jo 4,19), como uma responsabilidade, a exemplo de Jesus Cristo que se dá a si mesmo a Deus e aos irmãos (Jo 15,12-14; cf. Jo 13,1). Quem ama não sente a lei de Cristo como uma obrigação pesada. Pela experiência sabemos que quando se ama de verdade muitas coisas se tornam fáceis e suportáveis que seriam difíceis e até insuportáveis sem o amor.


Ir ao encontro de Jesus é descarregar o fardo aos seus pés, olhá-lo nos olhos, renunciando às nossas pequenas idéias sobre a questão e preferindo seu pensamento ao nosso.


A pessoa fatigada encontra em Jesus a força necessária para continuar o caminho porque Ele cura todos os males e enfermidades, perdoa todas as culpas, sobretudo, cumula de graça e de ternura, como diz o Salmo 103 (102),3-5: “É Deus quem perdoa todas as tuas faltas, e cura todos os teus males. É Ele quem  redime tua vida da cova e te coroa de amor e compaixão. É Ele que renova tua juventude”. As palavras de Jesus são uma proclamação da esperança. Dar esperança é o aspecto principal da figura de Jesus. Esta imagem acolhedora de Cristo deve ou deveria ser também a imagem que cada cristão ofereceria a todos.


“... aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração...”(v.29). O humilde é aquele que tem noção da própria capacidade e da própria fraqueza e está aberto totalmente a Deus; e o manso é a pessoa boa nas relações com os outros. Jesus se proclama o Mestremanso e humilde de coração”, pois ele é totalmente aberto a Deus e extremamente bom para com os outros a ponto de compartilhar de sua existência. Por isso, a palavramansidão” é fruto do Espírito (Gl 5,23) e é sinal da presença da sabedoria do alto (Tg 3,13.17).


 Todos nós sabemos como é fácil combater a ira com a ira, a cólera com a cólera, a raiva com a raiva. A mansidão, pelo contrário, rompe esse círculo vicioso, cumprindo aquilo que é justo diante de Deus. A mansidão é a força que resiste e domina a ira. A mansidão é a virtude que modera a ira e conserva a caridade. Quem a possui, é amável, prestativo e paciente. Até os pecadores mais endurecidos não resistem diante de quem tem a virtude de mansidão. A um coração manso e humilde como o de Cristo, os homens se abrem. Por isso, a mansidão não é característica dos fracos; pelo contrário, ela exige uma grande fortaleza de espírito. Aquele que é dócil a Deus, é manso para com os outros. A mansidão é a arma dos fortes. Da falta dessa virtude provém as explosões de mau humor, irritação, frieza, impaciência, violência e ódio entre as pessoas que vão corroendo gradativamente amor.


Portanto, as leituras deste dia nos convidam a não duvidarmos de Deus, porque o nosso Deus é grande e está próximo de nós e conhece nossa debilidade. Sabendo de nossa fragilidade e debilidade, Deus se oferece como força, pois sem Ele nada podemos fazer (cf. Jo 15,5b). Ao mesmo tempo somos convidados a ser pessoas que acolham e que diante da dor que as pessoas encaram ou da busca da resposta de Deus para essa dor que não lhes respondamos com legalismo e exigências, e sim com amor e compreensão sabendo que Deus nos ama e cremos no Seu amor. Nos tempos atuais, talvez mais do que nunca, existe vazio de Deus, e pouca unidade e harmonia na própria existência. O cristão deve ser uma resposta de Deus para essa humanidade.
 
Para Refletir
1.    O Senhor não é o Deus de um lugar, nem mesmo o Deus vinculado a um tempo sagrado específico, mas o Deus de uma pessoa, concretamente o Deus de Abraão, Isaac e Jacob, capaz de entrar em contato com o homem e estabelecer com ele uma aliança. A é a resposta a uma Palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama por nome (Papa Francisco: Carta Encíclica Lumen Fidei n. 8).
2.    A fé nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há nele uma grande promessa de plenitude e se nos abre a visão do futuro. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece-nos como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo (Idem n. 4).
3.    O homem fiel é aquele que crê no Deus que promete; o Deus fiel é aquele que concede o que prometeu ao homem (Idem n. 10).
 
4.    A pede para se renunciar à posse imediata que a visão parece oferecer; é um convite para se abrir à fonte da luz, respeitando o mistério próprio de um Rosto que pretende revelar-se de forma pessoal e no momento oportuno (Idem n. 13)
P. Vitus Gustama,svd

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