terça-feira, 10 de dezembro de 2013

 
NOSSA SENHORA DE GUADALUPE


 PADROEIRA DA AMÉRICA LATINA
12 de Dezembro  

Texto de leitura: Lc 1,39-47

39 Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40 Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42 Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43 Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44 Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45 Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. 46 Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47 e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”.
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No dia 12 de dezembro celebramos a festa de Nossa Senhora de Guadalupe.


A história do surgimento desta festa foi contada da seguinte maneira. O índio Juan Diego, cujo nome asteca era Cuauhtlatohayc, nasceu em 1471, perto da cidade do México, na aldeia de Cautitlán, pertencente aos índios Mazehuales.  Era então Arcebispo da cidade do México, Dom Juan de Zumárraga, franciscano basco. Era o segundo bispo da Nova Espanha.


Conforme a lenda e tradição, no Sábado, 9 de dezembro de 1531, pelas seis horas da manhã, quando o índio Juan Diego se dirigia de sua aldeia para a de Tolpetlac para assistir uma função religiosa na missão franciscana de Tratetolco, ao chegar ao monte Tepeyac, às margens do lago Texcoco, viu uma jovem de uns 15 anos, que lhe ordenou ir falar com o Bispo a fim de pedir-lhe que construísse um templo no vale próximo.


No mesmo dia a tarde por volta das 17:00 horas, Juan Diego vê novamente a jovem, e lhe relata a incredulidade do bispo e pede que escolha outro mensageiro. Porém a jovem insiste em sua missão de ir ter novamente com o bispo e pedir a construção do templo.

N
o dia seguinte, Domingo 10 de dezembro, às 15 horas, Juan Diego fala novamente com o bispo. O bispo ainda não acredita e pede algum sinal. Pela terceira vez a jovem lhe "aparece" e ordena a Juan Diego que volte ao monte no dia seguinte para receber o sinal pedido pelo bispo. Entretanto, no dia seguinte, Juan Diego, não vai ao monte devido a doença de seu tio Juan Bernardino.


Na madrugada do dia 12 de dezembro, terça-feira, devido a gravidade da doença de seu tio, Juan Diego sai de sua aldeia para buscar um sacerdote, e rodeia o monte para não encontrar a virgem. Mesmo assim ela lhe "aparece" e fala que seu tio ficará curado, e pede que vá ao monte buscar rosas que seria o sinal. Ao seu regresso, a virgem diz: Estas diferentes flores são a prova, o sinal que levarás ao bispo.Diga-lhe que veja nelas meu desejo, e com isso, execute minha vontade.


Ao mesmo tempo que Juan Diego encontra a jovem, ela "aparece" também a seu tio doente e cura instantaneamente suas enfermidades e manifesta seu nome: "Sempre Virgem Santa Maria de Guadalupe".

No dia 12 de dezembro, após a quarta "aparição", Juan Diego leva em seu poncho, como prova, rosas frescas de Toledo (e isto em pleno inverno mexicano). Já na casa do bispo, por volta do meio dia, na hora que abriu o poncho (ayate) onde estavam embrulhadas as flores, estava estampada a imagem de Nossa Senhora: "A Virgem de Tequatlaxopeuh". A mesma que hoje se venera na Basílica de Guadalupe, México. A imagem estampada é de 143 cm de altura. Durante 116 anos, de 1531 a 1647, a pintura esteve desprotegida e exibida em várias procissões solenes. A pintura resistiu à umidade e ao salitre, muito abundante e muito corrosivo naquela região, antes de ter sido secado o lago Texcoco. O tecido da tela é de tão má qualidade que deveria ter se desintegrado em questão de 20 anos, mas resistiu até hoje. A veneração popular levou piedosos e doentes a que beijassem as mãos e a face da pintura ou que fosse tocada com objetos cujo material deveria ter deteriorado ou destruído o tecido e a pintura. Só Deus pode explicar a razão de tudo isso. Somos capazes de dizer é um milagre.

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O texto do evangelho lido neste dia nos fala que Maria atravessando Palestina de norte a sul com o Filho de Deus em suas entranhas, e chegando à casa de Zacarias e provocando ali cenas de entusiasmo é uma imagem muito sugestiva. Ao dizer sim, Maria aceitou ser fecundada pelo Espírito de Deus (cf. Lc 1,38). Por isso, Maria é portadora da salvação e é fonte de alegria por causa do Senhor que habita no seu coração.


O sim de Maria para a entrada de Deus na sua vida é radical. Quanto maior for a radicalidade de nosso sim a Deus, maior será nossa fecundidade e numerosos terão filhos espirituais. Eu sou chamado a ser “Pai” para ter “filhos espirituais” que salvam o mundo.


Além disso, para que sejamos fonte de alegria para os outros temos que dizer sim ao plano de Deus e deixar que o Espírito de Deus nos fecunde. Para que nossa presença se torne uma presença alegre temos que deixar Jesus ocupar nosso coração, como Maria que se deixa para que seu ventre seja habitado pelo Salvador do mundo, Jesus Cristo.


Na Anunciação o Anjo do Senhor “entrou” na casa de Maria e a “saudou”. Nessa visita Maria fez a mesma coisa: ela “entrou” na casa de Zacarias e saudou a Isabel. É a saudação da Mãe do Senhor para a mãe do Precursor do Senhor. A saudação de Maria comunica o Espírito a Isabel e ao menino. A presença do Espírito Santo em Isabel se traduz em um grito poderoso e profético: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu” (Lc 1,42-45). Aqui Isabel fala como profetisa: se sente pequena e indigna diante da visita daquela que leva em seu seio o Senhor do universo. Sobram as palavras e explicações quando alguém entra na sintonia com o Espírito. Maria leva no seu seio o Filho de Deus concebido pela obra do Espírito Santo. E a presença do Espírito Santo em Isabel faz com que Isabel glorifique a Deus. Por isso, o encontro entre Maria e sua prima Isabel é uma espécie de “pequeno Pentecostes”. Onde entra o Espírito Santo, ai entra também paz, alegria e vida divina.


A Mãe de Senhor que leva Jesus em seu seio é a causa de alegria. Ou podemos dizer de outra maneira: o Senhor no seio de Maria “empurra” Maria ao encontro dos outros. Quando estivermos cheios de Jesus Cristo em nosso coração, a nossa presença traz alegria e a paz para a convivência. A ausência de Cristo em nosso coração produz problemas na convivência.


A mulher de fé, Isabel, felicita Maria porque crê e Maria responde com uma nova e solene afirmação de fé, proclamada em forma de hino de alegria: o Magnificat. Podemos nos perguntar se nossa fé fica longe da fé de Maria tanto em consistência como em conteúdo. Isabel felicita Maria porque crê que Deus é capaz de atuar e salvar ainda que possa parecer impossível (cf. Lc 1,37). Temos esta fé que Isabel felicita? Somos capazes de acreditar em Deus até nas coisas impossíveis?


Pela fé, que se traduz na vivência do amor fraterno, é que entramos em comunhão com Jesus e com seu Pai que o enviou para nos salvar (cf. Jo 14,23-24). A fé, como foi dito, é o reconhecimento do próprio desamparo, de um lado e a aceitação do poder salvador de Deus na nossa vida, do outro lado.


O canto de Maria, o Magnificat, é algo mais que uma proclamação social. Ele nos revela que somente Deus é a riqueza verdadeira. Por isso, quem se encontra cheio de si e de suas coisas, na verdade está vazio do essencial. Somente abrindo-se à profundidade de Deus e de seu amor, ao receber a graça do perdão e ao estendê-lo para os outros, o homem chegará a converter-se verdadeiramente em rico. O exemplo máximo é a figura de Maria.

P. Vitus Gustama,svd

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 Caso sejam lidas as leituras do próprio dia do Advento
 

UM DEUS QUE ME TOMA PELA MÃO E QUE ME DÁ CORAGEM DE VIVER

                                                       

Quinta-feira da II Semana do Advento
12 de Dezembro de 2013
 
Textos de Leitura:
Is 41, 13-20; Mt 11, 11-15


O contexto da primeira leitura é o exílio de Babilônia. O texto da primeira leitura (Is 41,13-20) se encontra no Livro da consolação do profeta Isaías (Is 40-55) que foi escrito durante o exílio na Babilônia. Seu tom é, por isso, muito consolador.


Um Deus que segura minha mão
 

Não temas; eu te ajudarei! Não tenhas medo, pobre verme!” (Is 41,13-14). São palavras consoladoras de um Deus que jamais abandonará seus filhos. O povo de Israel no desterro era como um verme pisoteado por outras nações. O termo “verme” expressa a pequenez do povo de Israel no desterro, desprezado, explorado e perdido na grande Babilônia pagã. Mas Deus lhe assegura sua proteção carinhosa, pois Ele toma cada um pela mão, como uma mãe que segura a mão de seu filinho na rua. O verdadeiro valor não procede da situação humana e sim do olhar carinhoso de Deus para cada um de nós.
 

Precisamos meditar e saborear ao longo do dia esta maravilhosa expressão do amor de Deus por nós: “Não temas; eu te ajudarei! Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tomo pela mão”. É preciso saborear, em silêncio, essa declaração de amor de Deus para cada um de nós.  Sem a mão de Deus segurando minha mão, vou me destruir na minha pequenez. Será que alguma vez você sentiu a mão de Deus segurando sua mão?


Você tem sede de quê?


Pobres e necessitados procuram água, mas não há, estão com a língua seca de sede. Eu, o Senhor, os atenderei, não os abandonarei” (Is 41,17). “Os pobres procuram...”. Esta fórmula expressa a espera, o desejo. A imagem é a de “ter sede”... uma necessidade biológica concreta que não pode satisfazer-se com palavras bonitas. 


O termo bíblico “ter sede” não nos oculta o verdadeiro sentido. O que os homens andam buscando hoje em dia, especialmente os pobres, é ser amados e considerados, ser respeitados e tratados como seres humanos, não ser humilhados e desprezados. Um mundo tão árido, comportamento árido, hoje em dia, invade cada vez mais o coração das pessoas, inclusive das pessoas nas comunidades eclesiais. Por isso, através do seu coração tão árido e comportamento tão seco você tem sede de quê nesta vida? O que você está procurando através desse comportamento?
 

Todos nós somos pobres e necessitados na busca da luz divina. “Os pobres e necessitados buscam água, mas não há. Sua língua está seca”. Talvez o progresso, a técnica, o conforto em que vivemos silenciem durante um tempo essas questões radicais e perturbadoras sobre o sentido último da vida. Cedo ou tarde chega, para cada um, uma resposta, única que importa. “De quê realmente tenho sede? De que você está procurando?”.


João Batista nos convida a um Advento ativo
  

Celebrar a vinda de Deus, no próximo Natal, não é somente coisa de sentimento e de poesia. É A graça do Advento, do Natal e da Epifania pede disponibilidade plena e abertura à vida que Deus nos quer comunicar.


Para encontrar Deus, para acolher tal como Ele é, para compreender todo o sentido da vinda do Senhor, temos que romper nossos esquemas e contemplar com os olhos novos a realidade que nos cerca e as pessoas que nos rodeiam. O texto usa uma expressão enigmática: “são os violentos que conquistam o Reino dos céus” (Mt 11,12). Aqui não se trata dos que praticam violência contra os demais, pois mais tarde Jesus vai dizer: “Guarda a tua espada no seu lugar, pois todos os que pegam a espada pela espada perecerão” (Mt 26,52). Trata-se aqui daqueles que fazem “violência” a si mesmos, no sentido de ser contra suas próprias inclinações perversas.


Por isso, é bom cada um perguntar-se: “Quais são minhas inclinações perversas, minha conversas perversas que preciso enfrentá-las com violência, com toda a minha força para que eu possa alcançar uma vida cheia de bênçãos de Deus?”. 

P. Vitus Gustama,svd

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