domingo, 31 de março de 2013

O SENHOR DÁ A PAZ E O ENTENDIMENTO ONDE SEU NOME É ASSUNTO DA CONVERSA
 

Quinta-feira da I Semana da Páscoa
04 de Abril de 2013
 
Texto de leitura: Lc 24,35-48

 

Naquele tempo, 35os discípulos contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. 36Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz esteja convosco!” 37Eles ficaram assustados e cheios de medo, pensando que estavam vendo um fantasma. 38Mas Jesus disse: “Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração? 39Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”. 40E dizendo isso, Jesus mostrou-lhes as mãos e os pés. 41Mas eles ainda não podiam acreditar, porque estavam muito alegres e surpresos. Então Jesus disse: “Tendes aqui alguma coisa para comer?” 42Deram-lhe um pedaço de peixe assado. 43Ele o tomou e comeu diante deles. 44Depois disse-lhes: “São estas as coisas que vos falei quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”.
45Então Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras, 46e lhes disse: “Assim está escrito: o Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sereis testemunhas de tudo isso”.

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A cena do texto do evangelho lido neste dia é continuação da cena do evangelho do dia anterior. O relato começa com o testemunho dos discípulos de Emaús, isto é, aqueles que em sua trajetória viveram a experiência pessoal do encontro com o Senhor ressuscitado no caminho e na fração do pão. É a experiência que enche seus corações e os impulsiona a anunciarem ou contarem a grande noticia de que Jesus vive e vive realmente.      
           

Durante a partilha dessa experiência, Jesus aparece no meio deles e os saúda com o Shalom (paz): “A paz esteja convosco!”.


Em que consiste a paz que Jesus nos oferece? A paz que o Senhor ressuscitado nos oferece não consiste na tranqüilidade que se sente quando um está plácido e comodamente está sentado ou vive sem que ninguém ou nada o incomode. A paz de Cristo ressuscitado nos oferece consiste em saber que somos amados, protegidos e compreendidos por Deus. Mas receber a paz de Deus não é suficiente para um cristão. Em nome do Ressuscitado devemos viver e proclamar este tipo de paz para o mundo para que todos voltem para Deus para receber o Seu perdão. Dizia Santo Agostinho: “Não basta ser pacifico. É necessário ser promotor da paz. Não basta estar disposto a perdoar ou ignorar os inimigos, é preciso amá-los e ter compaixão... Deves amar a paz sem odiar os que fazem a guerra” (Serm. 357,1).


Na Eucaristia o Senhor se faz presente entre nós para nos manifestar todo o amor que ele nos tem. A partir desse amor é que Ele nos concede seu perdão e sua paz. Ao participar da Eucaristia, nós devemos nos sentir amados por ele. Por isso, a participação na Eucaristia nos compromete a darmos testemunho da vida nova que Deus infundiu em nós. Devemos, portanto, ser construtores da paz. Trata-se de uma paz que brota do amor sincero que nos faça próximos do nosso próximo em suas angustias e esperanças.


Depois da ressurreição Jesus apareceu no meio dos discípulos que estavam com o medo. Mas sem duvida nenhuma que o assunto entre eles era sobre Jesus. E Jesus já tinha prometido aos discípulos: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou Eu no meio deles” (Mt 18,20). Cada conversa sobre Jesus e assuntos ligados a ele, Jesus está presente para dar o shalom, a paz e para acalmar qualquer situação por fervente que ela pareça ser. Ele está presente para dar ajuda em cada conversa sobre ele e sobre os seus ensinamentos. Jesus aparece no momento em que a experiência individual começa a ser coletiva, comunitária em Jesus, sem destruir a experiência pessoal/individual. O Ressuscitado é a força que interpela à comunidade e é experiência de unidade. Por isso, desta vez, Jesus é reconhecido na comunidade reunida em Seu nome.


A dúvida e o medo dos discípulos são evidentes, como em todas as aparições do Ressuscitado. E Jesus tem que acalmá-los: “Por que estais preocupados e por que tendes dúvidas no coração?”. Para acabar com a dúvida dos discípulos Jesus come com eles. Mas a comunidade tem algo para oferecer a Jesus, é algo que os alimenta diariamente: o peixe: “Tendes aqui alguma coisa para comer?”, pergunta-lhe Jesus. “Deram-lhe um pedaço de peixe assado”, comenta o evangelista Lucas. Será que temos algo a oferecer a Jesus ou somente pedimos algo de Jesus?


O fruto da presença de Jesus no meio dos discípulos que conversam sobre ele é a abertura do entendimento, o horizonte ampliado sobre a vida: “Jesus abriu a inteligência dos discípulos para entenderem as Escrituras”, assim comenta o evangelista Lucas.


Nós podemos também reconhecer Jesus na fração do pão eucarístico, na Palavra bíblica proclamada, meditada e partilhada, e na comunidade reunida em Seu nome partilhando o que se tem para quem é carente em tudo. Nós necessitamos, como a primeira comunidade, de uma catequese especial para que seja aberto nosso entendimento a fim de entendermos a vida e as coisas que acontecem nela, pois nada escapa do olhar de Deus quando deixamos que ele tenha espaço nas nossas conversas e quando seu lugar está bem no meio de nós. Em cada Eucaristia ele aparece no meio de nós e é o principal alimento no qual se encontra a força necessária para nossa vida. Ao se alimentar da Eucaristia, cada um deve se converter em força para os outros, especialmente para aqueles que não têm mais ânimo para lutar, pois estão céticos em tudo e sobre tudo na vida. Estas pessoas precisam escutar novamente a promessa infalível de Jesus: “No mundo vocês terão tribulações, mas tenha coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33b). Cada cristão deve se converter nesta frase: “Não tenha medo! Jesus venceu o mundo”. O cristão é aquele que acalma e serena os outros, pois ele sabe que está sempre com o Jesus ressuscitado.


Com os olhos da fé na Fração do Pão e na força de sua Palavra é que saiamos da celebração para dar testemunho de Cristo na vida. Aos Apóstolos, a ultima palavra que lhes dirige é esta: “Vós sereis testemunhas de tudo isso”. Desde princípio, ser apóstolo é ser testemunha da ressurreição de Jesus Cristo (At 1,22). Ser cristão é ser testemunha de que viver a vida com Deus e com todas as suas conseqüências é uma vida vitoriosa, uma vida que não termina na morte, e sim na ressurreição com Jesus. Deus pode tardar, mas nunca falha. Atrás da cruz de Jesus está a vida sem fim. Precisamos ter um olhar penetrante além dos sentidos para entender o recado de Deus.

 
P. Vitus Gustama,svd

 

sábado, 30 de março de 2013

JESUS RESSUSCITADO NÃO NOS ABANDONA NA NOSSA TRISTEZA

MEIOS PARA RECONHECER JESUS

Quarta-feira da I Semana da Páscoa
03 de Abril de 2013

Texto de Leitura: Lc 24,13-35

13Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido.15Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. 16Os discípulos, porém, estavam como cegos, e não o reconheceram. 17Então Jesus perguntou: “Que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, 18e um deles chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?19Ele perguntou: “Que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”. 25Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?” 27E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. 28Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. 30Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. 31Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. 32Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” 33Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. 34E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!”  35Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.

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Nós esperávamos…!”, disseram os dois discípulos de Emaús diante da morte de Jesus.  Estas palavras estão cheias de uma esperança perdida. É fácil entendermos a decepção desses homens. Em toda vida humana alguma vez ou várias vezes aconteceu e acontecerá uma grande esperança perdida, uma morte cruel, um fracasso humilhante, uma preocupação, uma questão não solucionada, um pecado que faz sofrer, uma imprudência que causa uma fatalidade e assim por diante.


O próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Mas seus olhos estavam cegos, não podiam reconhecê-lo”, comentou o evangelista Lucas. Por seu caminho Jesus vem encontrá-los. E se interessa por suas preocupações. Jesus jamais nos abandona nas nossas tristezas e sofrimentos. Mas o nome dele deve ser sempre nosso assunto de conversa e de oração. Jesus conhece nossos sofrimentos e nossas decepções. Por isso precisamos nos deixar olhar e interrogar por Jesus: “O que vocês vivem conversando no seu caminho da vida?”. Precisamos contar tudo para Jesus como expressão de nossa fé nele embora ele saiba de tudo sobre nossa vida.


Há um ponto comum nos relatos das aparições do Ressuscitado: os discípulos estão pouco dispostos a crer; duvidam, não esperam a ressurreição, estão desconcertados.


O relato do evangelho de Lucas foi elaborado totalmente para nos ensinar como podemos reconhecer Jesus, como podemos avançar lentamente da dúvida, do desespero para a fé. Quero indicar apenas dois meios principais.


O primeiro método, para reconhecer Jesus é preciso tomar contato, profundamente, cordialmente, com as Escrituras, com a Palavra de Deus. “Jesus, começando por Moisés e passando pelos profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele”. O AT esclarece o NT. O projeto de Deus prossegue sem ruptura. O que se realiza em Jesus Cristo é o que Deus previa desde a eternidade. Por isso, precisamos ler e reler a Palavra de Deus com a oração e com o coração, sem os quais jamais conseguiríamos a inspiração divina para entender o que está escrito nas Escrituras.


A segunda experiência para reconhecer Jesus é a Eucaristia, a fração do pão. “Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus”. A Eucaristia é o sacramento, o sinal eficaz da presença de Cristo ressuscitado. É o grande mistério da fé, embora aparentemente seja um sinal muito pobre, um sinal muito modesto materialmente: pão e vinho. Mas na verdade, estamos diante do Sagrado que quer nos tocar para nos salvar. É o sacramento da fraternidade onde todos se alimentam do mesmo Pão eucarístico e do mesmo Cálice. É a vida de Jesus sacrificada para a nossa salvação. É o nosso verdadeiro alimento na caminhada rumo ao céu, à comunhão plena no banquete eterno com Deus. A eucaristia é o céu aqui na terra. Ir à missa é ir ao céu. A Eucaristia é o banquete celeste antecipado já aqui na terra. Não vamos à missa para cumprir preceitos e sim vamos ao céu ao participarmos da Eucaristia que é o banquete celeste.


Na celebração eucarística há duas Mesas inseparáveis: a Mesa da Palavra (Liturgia da Palavra) e a Mesa da Eucaristia (Liturgia da Eucaristia). “No princípio era Palavra e a Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,1.14). As duas são da mesma importância. Na Mesa da Palavra Deus tem sua Palavra para nos alimentar. Deus sempre tem uma palavra para cada participante da celebração eucarística. E na Mesa da Eucaristia, o Senhor nos alimenta com seu Corpo e seu Sangue. Já que as duas Mesas são da mesma importância, então devemos dar-lhes a atenção de maneira igual e com a mesma reverência.


Depois desses dois sinais isto é, a Palavra e a Fração do Pão, no mesmo instante, os dois discípulos voltaram para Jerusalém para contar essa experiência para o resto dos discípulos. É sempre a missão. Cada encontro pessoal com o Senhor Jesus leva a pessoa ao encontro dos outros para contar esse encontro, para partilhar a riqueza desse encontro. Ninguém pode somente ficar quieto em seu lugar contemplando Cristo ressuscitado. Há que pôr-se em caminho e marchar até os outros irmãos para que juntos formemos uma comunidade de irmãos baseada no amor e no respeito mútuo e anunciemos a esperança de que a vida humana tem futuro em Deus ao vivermos no presente como irmãos e irmãs. A Páscoa não é uma recordação. É salvação, é vida hoje e aqui para você, para mim, para todos nós. Temos, sim, nossas decepções em relação à comunidade. Mas se escutarmos atentamente e profundamente a Palavra de Deus e nos alimentarmos de Seu Corpo e Sangue, não tem como não formar uma comunidade de irmãos. Os dois discípulos de Emaús há muita coisa a nos ensinar sobre como devemos ser a Igreja.

P. Vitus Gustama,svd
PROCURAR O SENTIDO DA VIDA EM JESUS CRISTO RESSUSCITADO
 
Terça-feira da I Semana da Páscoa
02 de Abril de 2013

Texto de Leitura: Jo 20, 11-18


Naquele tempo, 11Maria estava do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para dentro do túmulo. 12Viu, então, dois anjos vestidos de branco, sentados onde tinha sido posto o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. 13Os anjos perguntaram: “Mulher, por que choras?” Ela respondeu: ”Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram”. 14Tendo dito isto, Maria voltou-se para trás e viu Jesus, de pé. Mas não sabia que era Jesus. 15Jesus perguntou-lhe: “Mulher, por que choras? A quem procuras?” Pensando que era o jardineiro, Maria disse: “Senhor, se foste tu que o levaste dize-me onde o colocaste, e eu o irei buscar”. 16Então Jesus disse: “Maria!” Ela voltou-se e exclamou, em hebraico: “Rabuni” (que quer dizer: Mestre). 17Jesus disse: “Não me segures. Ainda não subi para junto do Pai. Mas vai dizer aos meus irmãos: subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus”. 18Então Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!”, e contou o que Jesus lhe tinha dito.

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1. Quem se encontra com Jesus profundamente se transforma em missionário do Senhor.


Maria Madalena procura o Jesus terreno, enquanto que ele está em outro nível, e por isso ela não O encontra. É uma busca em vão. É como procurar um morto na sua vida terrena, enquanto que ele está em outro nível. Jesus Cristo, como o Ressuscitado, está no outro nível, digamos, no nível superior. Se ele está no nível superior, então precisamos aumentar nosso nível para podermos encontrá-Lo.


Maria Madalena necessita de algum meio para chegar até Jesus da fé, o Jesus Ressuscitado. O meio que a ajuda são os Anjos, mensageiros de Deus: “Mulher, por que choras?”. Os anjos perguntam a razão pela qual Maria Madalena chora. Será que realmente ela tem razão para chorar? Esta pergunta convida Maria a fazer uma reflexão. “O que você está procurando através deste choro? O que você está procurando nas suas conversas, no seu sofrimento? O que você está procurando no seu falar e no seu fazer?” O ser humano enquanto estiver vivo, permanecerá perguntador do seu estar no mundo e do estar dos outros no mundo. A partir do momento em que procurarmos as coisas terrenas, permaneceremos no nível inferior. Por isso, São Paulo nos alerta: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus: tende gosto pelas coisas do alto” (Cl 3,1-2). Cada cristão e pessoas de boa vontade são convidados a entrar na ótica da fé na pessoa do Senhor.


A partir do momento em que Maria Madalena começa a procurar o Jesus Ressuscitado, o próprio Senhor se revela a ela e a chama pelo nome: “Maria!”. Isto significa que a superação da visão puramente humana, por causa da fé, permite qualquer um encontrar o Senhor que faz a morte morrer. Quando estivermos livres, do ponto de vista espiritual, então, brotarão as palavras e as ações justas do centro do nosso ser e o Espírito de Deus falará e operará através de nós. De fato, depois do encontro com o Jesus Ressuscitado, Maria Madalena se converte em missionária para anunciar a notícia maravilhosa de que Jesus ressuscitou. Isto significa que cada encontro verdadeiro com o Senhor em cada celebração ou em cada eucaristia sempre resulta na transformação do participante em missionário do Senhor Ressuscitado.


2. O que Estamos Procurando Nesta Vida?


Maria Madalena era uma mulher libertada de sete demônios por Jesus (Lc 8,2). Tão profundo e tão decisivo foi o primeiro encontro com Jesus que tornou a vida de Maria Madalena uma busca incessante do Bem Maior que é Jesus Cristo como relatou o evangelho deste dia. Somente busca o Bem Maior aquele que foi encontrado pelo Bem Maior.


No texto do evangelho de hoje o Jesus Ressuscitado dirigiu a seguinte pergunta a Maria Madalena: “Mulher a quem procuras?”. Chamam nossa atenção duas coisas. A primeira é que esta pergunta-chave é precedida por outra pergunta: “Mulher, por que choras?”. Como se a intensidade da busca/procura fosse proporcional à magnitude da perda. Somente choramos por aquilo que nos afeta profundamente, seja por causa da tristeza profunda, seja por causa da alegria profunda, ou seja por causa da partida de uma pessoa tão amada deste mundo. O pranto de Maria Madalena é um certificado de um amor direto ao coração. Choramos por causa de alegria profunda como choramos por causa de uma tristeza profunda. O choro é a única linguagem capaz de expressar tudo que sentimos profundamente que nenhuma outra língua capaz de expressá-lo.


O que nos chama também atenção é a mudança de termos. Para o pranto se busca uma causa: “Por que choras?”. Ou “Por qual razão tu choras” ou o que te causou o choro?. O que se busca na pergunta é a causa do pranto. Mas para a busca se faz referência a uma pessoa: “A quem procuras?”. Maria Madalena não busca um ideal, não busca um sentido, pois tudo isto vem por acréscimo. Maria Madalena busca Aquele que, olhando-a de outra maneira, restituiu-a em sua dignidade de mulher. Ela busca Aquele a Quem seguia pelos caminhos da Galiléia em companhia de outros homens e mulheres. Ela busca Aquele que foi cravado em uma madeira e abandonado quase por todos, exceto ela e a própria mãe de Jesus e algumas outras pessoas (cf. Jo 19,25). Ela busca Aquele que lhe garante um futuro seguro. Ela busca Aquele que tem a ultima palavra para sua vida e sua morte. Ela busca Aquele que é capaz de lhe dar a serenidade apesar de estar no meio das tempestades desta vida.


Merecem nossa atenção e nossa meditação para duas perguntas essenciais encontradas no evangelho de João para nossa vida e nossa peregrinação neste mundo: “O que realmente você está procurando neste mundo?”. Esta pergunta é feita por Jesus logo no inicio do evangelho de João: “Que estais procurando?”. É a pergunta dirigida aos primeiros discípulos no evangelho de João (Jo 1,37). 


Parece-me que dedicamos bastante tempo de nossa vida em função da procura do “o quê” de nossa vida. Uma vez Oscar Wilde escreveu: “Neste mundo só há duas tragédias: uma é não se conseguir o que se quer, a outra é conseguir”. Mas no fim confessamos que o dinheiro e o poder não satisfazem aquela fome sem nome que temos na alma. Carl Gustav Jung escreveu no seu livro: O Homem Moderno à Procura de Uma alma, escreveu: “O problema de cerca de um terço de meus pacientes não é diagnosticado clinicamente como neurose, mas resulta da falta de sentido de suas vidas vazias. Isto pode ser definido como a neurose geral de nossa época”. O que nos frustra e tira nossa alegria de viver é a ausência do significado de nossa vida. Nossa alma não está sedenta de poder, de fama, de popularidade, de conforto, de propriedades e assim por diante. Nossa alma tem fome do significado da vida, ou de aprendermos a viver de tal modo que nossa existência ou nossa passagem neste mundo tenha importância ou significado capaz de modificar ou de melhorar o mundo, pelo menos, ao nosso redor.


Através dessa primeira pergunta o evangelista João nos dirige para a pergunta essencial que ele coloca no fim do seu evangelho. A pergunta é esta: “A quem procuras?”. De fato, as coisas, as riquezas, os bens materiais mesmo que os possuamos, eles continuam sendo alheios a nós. Eles jamais serão nossos próximos. No fim confessamos que estamos procurando Alguém capaz de nos salvar de uma vida vazia. A resposta que o evangelista nos dá é Jesus: “Jesus fez ainda, diante de seus discípulos, muitos outros sinais, que não se acham escritos neste livro. Esses, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20,30-31; cf. Jo 10,10; 14,6).


“O que estais procurando?” e “A quem estais procurando?”. Como é que você pode colocar em equilíbrio estas duas perguntas na sua vida cotidiana para que sua vida realmente tenha sentido? Você enfatiza mais na pergunta “O que estais procurando?” ou “A quem estais procurando?”.

P. Vitus Gustama,svd
OUVIR A VOZ DO RESSUSCITADO PARA VIVER ANIMADO
 

Segunda-feira da I Semana da Páscoa
01 de Abril de 2013

Texto: Mt 28,8-15

Naquele tempo, 8as mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. 9De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: “Alegrai-vos!” As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés. 10Então Jesus disse a elas: “Não tenhais medo. Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão”. 11Quando as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos sumos sacerdotes tudo o que havia acontecido. 12Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, 13dizendo-lhes: “Dizei que os discípulos dele foram durante a noite e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis. 14Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos. Não vos preocupeis”. 15Os soldados pegaram o dinheiro, e agiram de acordo com as instruções recebidas. E assim, o boato espalhou-se entre os judeus, até o dia de hoje.

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Estamos na festa da ressurreição. Através da ressurreição de Jesus, Deus quer nos dizer que quem ama, acaba sempre vencendo, como Jesus; que não fomos feitos para as lágrimas com tristeza sem fim, pois somos chamados à vida ressuscitada. Que a morte não destrói nossa vocação de vida plena. Que a fé em Jesus Cristo não é absurda. Que o testemunho da comunidade primitiva é verdadeiro. Que nós temos um futuro com Deus desde que vivamos de acordo com os ensinamentos de Jesus.


Hoje através do evangelho lido neste dia escutamos a voz do ressuscitado. São três palavras de futuro que vão ser repetidas com acentos diversos durante os próximos dias:


1. “Alegrai-vos”


A alegria é um sinal de harmonia interior, de equilíbrio e saúde psicológica. “A alegria é sinal inequívoco de que a vida triunfa” (Henri Bérgson). Isto nos indica também que a falta de alegria é sinal de que a vida está bloqueada.  A alegria é um “sim” espontâneo para a vida que brota de dentro de nós; é um sim para aquilo que somos.


“Alegrai-vos!”. O convite de Jesus à alegria não é um conselho e sim uma ordem para ser cumprida. Na verdade, toda a mensagem de Jesus é uma mensagem de alegria. A alegria do Evangelho é o próprio Jesus crucificado-ressuscitado em que Deus se mostra como Aquele que nos ama apesar de tudo. A alegria do homem é a alegria de Deus.


No meio de nossas tristezas, o Ressuscitado nos chama à alegria. A nossa alegria consiste em ter certeza de que com Jesus tudo termina na vitória, na ressurreição apesar de tudo. Temos muita necessidade de estar conscientes desta certeza. A alegria tem uma relação com o amor. Nossa alegria correra como um riacho enquanto não deixarmos secar sua fonte, que é o amor.


2. “Não tenhais medo”


Sentir medo não é errado porque somos criaturas expostas a perigos e ameaças. Os nossos medos são um sinal de alarme que podem nos ajudar a evitarmos o perigo. O imprudente suprime o medo e se atira inutilmente ao perigo. O covarde teme tudo, se paralisa e não se atreve a correr nenhum risco. O homem sadio sabe usar seus medos para agir prudentemente. Aqueles que, para educar e governar, despertam o medo, não educam nem governam; submetem.


Não há nada que nos paralise mais do que o medo. Muitas vezes somos dominados pelo medo. Quem pode nos transmitir a confiança da qual necessitamos? Somente o Ressuscitado: “No mundo vocês terão tribulações, mas tenha coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33b). Quando colocarmos nosso medo nas mãos de Jesus Ressuscitado, nos tornaremos mais prudentes do que paralisados: “Sejam prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas” (Mt 10,16). A prudência é a capacidade de ver, de compenetrar-se e de ajustar-se à realidade. Segundo sua origem latina a palavra “prudência” (prudens-entis) significa precavido, competente. A prudência oferece a possibilidade de discernir o correto do incorreto, o bom do mau, o verdadeiro do falso, do sensato do insensato, para guiar o bom rumo de nossas ações. O homem sábio é sempre guiado pela prudência.


3. “Ide anunciar...”.


A ressurreição inaugura uma urgência. Acomodados em nossas seguranças de sempre significa que cavamos nossa própria tumba. Quando nos pomos em caminho, a força do Ressuscitado nos restaura.


O evangelho nos relatou que diante do Ressuscitado as mulheres se prostraram reconhecendo a divindade em Jesus. Prostrar-se significa adorar. Jesus transformou essas mulheres em anunciadoras da Boa Noticia da ressurreição. Isto significa que a adoração e a missão, a oração e o anúncio são uma moeda de dois lados, sempre andam de mãos dadas. Aquele que adora a Deus deve ser ao mesmo tempo um anunciador e parceiro da Palavra de Deus, do bem, seja através de palavras, seja através do modo de viver, seja através das boas obras.


P. Vitus Gustama,svd
DOMINGO DA PÁSCOA

 
JESUS CRUCIFICADO RESSUSCITOU
 
Texto: Jo 20,1-10
1No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido tirada do túmulo. 2Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”. 3Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. 4Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. 5Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. 6Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão 7e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. 8Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou. 9De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
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O Capítulo 20 de João tem quatro episódios que algum teólogo intitula: “Em busca dos sinais do Ressuscitado”. O primeiro episódio (vv.1-10) tem como personagens a Madalena e depois Pedro e João. O segundo episódio (vv.11-18) faz-nos contemplar Maria Madalena que gradualmente reconhece Jesus. Neste episódio Maria Madalena é apresentada como o personagem mais interessado na busca dos sinais e, através dos sinais, da própria presença do Senhor. O terceiro episódio (vv.19-23) é o episódio da manifestação de Jesus aos apóstolos: Jesus entre os seus. E por fim, Jesus e Tomé (vv.24-29). Tomé nos apresenta a tendência do homem a fechar-se ao mistério. Em outras palavras, ele representa aqueles que têm dificuldade de ver os sinais da presença do Senhor no mundo(os céticos).
  

O texto lido neste dia da Páscoa começa com estas palavras: “No primeiro dia da semana...quando estava escuro, Maria Madalena foi ao túmulo...”(v.1). “Primeiro dia”, “escuro” e “túmulo” são palavras importantes para entender o texto.


No contexto pascal, a expressão “primeiro dia” sugere que para o mundo começou um tempo novo nascido da morte e ressurreição de Jesus (2Cor 5,17). Jesus é a luz do novo dia que não termina jamais. Jesus é o Senhor que ilumina o mistério da vida. Cristo detém a chave do segredo da vida e deixa sua luz brilhar nas trevas. Nele o mistério da vida se torna luminoso. O que é a vida, seu significado, sua finalidade, como apreciá-la e torná-la autêntica, dar-lhe um sentido, é tudo isto que Jesus pode nos ensinar, pois ele veio para nos fazer viver plenamente(Jo 10,10). Por isso, com muita certeza, São Paulo diz: “ Se confessas, com tua boca que Jesus é o Senhor e crês em teu coração que Deus o ressuscitou dos mortos, tu serás salvo”(Rm 10,9).


Maria Madalena foi ao túmulo quando ainda estava escuro (em grego skotia: a treva). Este termo aparece em Jo oito vezes. “As trevas” em Jo não significam mera ausência de luz. Este termo apresenta dois aspectos: Primeiro, as trevas são consideradas como entidade ativa e perversa que pretende extinguir a luz da vida(Jo 1,5) e assim impedir a visão do projeto de Deus sobre o homem. Portanto, define-se como ideologia contrária ao desígnio criador. As trevas produzem no homem a cegueira (ocultamento do desígnio de Deus), impedindo-lhe de se realizar. Segundo, as trevas são consideradas como âmbito de obscuridade ou cegueira criado por sua ação, onde o homem se encontra privado da experiência da vida e não conhece o desígnio de Deus sobre ele. As trevas sugerem que os personagens ainda não têm a luz plena.


Maria vai ao túmulo, possuída pela falsa concepção da morte, e não se dá conta de que o dia começou. Maria crê que a morte triunfou. Antes de saber que Jesus está vivo, Maria deve passar pela prova do túmulo vazio. “O túmulo” é mencionado nove vezes nesta perícope, mostrando que a idéia de Jesus morto domina na comunidade. Assim também  aquele que é chamado a descobrir glorioso deve passar pelas noites purificadoras do desejo, deve passar pelo vazio existencial para ter acesso a este conhecimento novo do glorioso que é concedido na fé.
 

“Quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi ao túmulo”. A comunidade representada por Maria Madalena não espera a ressurreição. A palavra “túmulo” aparece sete vezes no texto do Evangelho deste Domingo da Páscoa para sublinhar a idéia da morte que a comunidade tinha, representada por Maria Madalena. Além disso, Maria Madalena que foi ao túmulo quando estava escuro é o reflexo da situação de desamparo em que a comunidade se sentia pela morte de Jesus. Há a atitude de busca, mas busca o Senhor morto. Por isso, como conseqüência deste tipo de busca é a experiência de perplexidade e de decepção que pode terminar no desespero.
 

Muitos procuram a felicidade no lugar errado, porque excluem Deus desta busca. Tudo o que amamos por causa de nós mesmos, fora de Deus, só cega nosso intelecto e paralisa nosso julgamento sobre os valores morais. Em vez de obter a felicidade procurada, encontramos  “túmulo” que está aberto para nos engolir, para nos tornar prisioneiros da escuridão da vida sem Deus. A escuridão dura até que alguém acredite em Jesus ressuscitado, porque Jesus é a Luz do mundo (Jo 8,12). Muitas vezes procuramos uma “felicidade” fácil e é fácil também ela ir embora, e ficamos, depois, perplexos, vazios e desorientados como aconteceu com Maria Madalena. Somos convidados, por isso, a ser livres de todo tipo de prisão, de “túmulos”, tirando as pedras de impedimento para a nossa libertação. Junto com Jesus ressuscitado, seremos capazes também de remover as pedras de nossa vida para sermos livres em Cristo Jesus. Só é livre completamente quem rejeita o mal de tal maneira que seja impossível desejá-lo.
 

A reação de Maria é de alarme quando viu que a pedra foi “retirada” e o corpo de Jesus não estava lá. Ao encontrar a porta do túmulo aberta, ela não compreende o que está acontecendo. A comunidade se sente perdida sem Jesus. Há atitude de busca mas buscam um Senhor no lugar errado. Jesus representava a força da comunidade; crendo que passou a ser debilidade e impotência, a comunidade se vê por sua vez sem forças. Sem mesmo entrar no túmulo Maria corre avisar os discípulos: Pedro e o discípulo amado. Apesar de não compreender o que está acontecendo, Maria Madalena se torna a portadora da notícia e da surpresa. Quando falta a presença de sinais visíveis do Senhor, é preciso agitar-se, mexer-se, correr, buscar comunicação com outros, com a certeza de que Deus está presente e nos fala. Maria Madalena e outros dois discípulos nos ensinam a não ficarmos parados, quando encontrarmos barreiras na nossa caminhada rumo ao encontro com o Senhor ressuscitado. Temos que ir atrás das respostas. Temos que nos agitar.
   

Os dois discípulos (Pedro e o discípulo amado) têm a mesma reação diante da notícia que lhes dá Maria: dirigem-se ao túmulo. Os dois apareceram juntos duas vezes anteriormente em situações contrastantes(Jo 13,23-24;18,15-16) e aparecerão duas vezes mais(Jo 21,7.20-22). Os dois correm juntos, mostrando sua adesão a Jesus e o seu interesse pelo ocorrido. Durante a corrida, porém, o discípulo amado correu mais rápido e chegou primeiro do que Pedro no túmulo. Corre mais depressa o que tem a experiência do amor de Jesus. Apesar de chegar primeiro, o discípulo amado não entrou no túmulo mas esperou a chegada de Pedro. No texto de Jo, a precedência de Pedro é mantida (cf. Jo 21). Até na lista que Paulo fez daqueles para quem Jesus ressuscitado apareceu, o nome de Cefas (Pedro) vem antes de todos os outros(cf.1Cor 15,5). Podemos encontrar vários textos no quarto evangelho em que Pedro é recordado explicitamente (Jo1,40-42;6,67-69;13,6-11;13,36-38;18,10-11;18,17-18.27;21,7.11.15-23). Mas o que interessa para o evangelista é a diferente reação de ambos ao verem o túmulo vazio e os panos postos em ordem. Pedro é o primeiro a entrar no túmulo (v.6) e a observar os panos(vv.6-7). Ele viu os panos e ficou calado. Jo não diz nada da reação de Pedro. Pedro representa o racionalismo, a lentidão e a demora em perceber e distinguir as coisas.


O discípulo amado também entrou. “Ele viu e acreditou” (v.8). “Ele viu e acreditou” se refere unicamente ao discípulo amado. Em Jo 21,4.7, temos um paralelo muito próximo em que o mesmo discípulo amado, ao reconhecer a presença do ressuscitado, avisa a Pedro: “É o Senhor”.  O amor a Jesus faz o discípulo amado capaz de captar a presença de Jesus ressuscitado. À luz de seu laço profundo com Jesus, o discípulo amado reconhece o mistério da presença por meio da ausência. Sua fé em Jesus e seu amor por Jesus servem para interpretar o significado do túmulo vazio. Mesmo antes do contato com o Ressuscitado, ele foi capaz de superar o abismo: na ausência do corpo, o que ele viu dos panos funerários teve para ele valor de sinal. Além disso, o amor que penetrava o discípulo amado deixou entrar nele a luz, e esta luz o ilumina para ver e penetrar até a essência das coisas e acontecimentos. Para ele, o túmulo não está nem vazio, nem cheio. Ele se transformou em linguagem. Atento, ele capta no vazio do túmulo que Cristo vencera o que pertencia ao tempo; em outras palavras, Jesus venceu a morte, ele ressuscitou. Isto quer dizer que quem ama a Deus de todo o seu ser(cf. Mc 12,30), tem capacidade e sensibilidade de captar os sinais de Deus em qualquer tempo e circunstância.


O poder da ressurreição certamente reside no amor. O poder da ressurreição está no amor que flui de nós e através de nós. Por isso, o amor é a única razão de viver. Não há outro motivo para permanecer-se na terra a não ser o amor. Amar significa chamar alguém à Vida.
  

O texto diz que Maria Madalena não consegue ver o significado daquilo que está acontecendo, por isso corre e vai avisar Pedro e o discípulo amado. Pedro e o discípulo amado também correm. Mas o discípulo amado corre mais rápido e chega primeiro.  Pedro entra no túmulo e Jo não relata a reação de Pedro. O discípulo amado entra e conclui imediatamente que não roubaram o Senhor: “E viu e acreditou”(Jo 20,8).


Na Igreja que vai em busca dos sinais da presença do Senhor há diversos temperamentos, diversas mentalidades: há o afeto de Maria, a intuição de João e a lentidão de Pedro. Mas Deus tem tempo para todos. Portanto, existem na Igreja diversos dons espirituais dos quais se originam diversas disposições: alguns mais velozes, outros mais lentos; mas todos se ajudam mutuamente, respeitando-se reciprocamente, para juntos procurarem os sinais da presença de Deus e comunicá-los entre si, apesar da diversidade de reações diante do mistério. É uma colaboração na diversidade: cada qual comunica ao outro o pouco que viu e encontrou, e juntos reconstroem a orientação da existência cristã, ali onde os sinais da presença do Senhor, diante das dificuldades ou das situações perturbadoras, parecem ter desaparecido. Se na Igreja primitiva Madalena não tivesse agido dessa forma, comunicando o que sabia, e se as pessoas não se tivessem ajudado umas às outras, o túmulo teria ficado ali e ninguém teria ido até lá; teria sido inútil a ressurreição de Jesus. Somente a busca comum e a ajuda uns dos outros levam finalmente a encontrar-se juntos, reunidos no conhecimento dos sinais do Senhor. Como é importante partilhar na convivência: as alegrias e as tristezas e juntos onstroem uma convivência fraterna onde um apóia outro.


2. Outras mensagens do texto(Jo 20,1-9)


    a).     Com o fato da ressurreição de Cristo entrou uma novidade total na história humana pois nunca aconteceu isso antes nem depois dele, em nosso mundo fechado pelo círculo da morte. Jesus rompeu esse círculo e deu esperança a todos nós. Ao vencer a morte, Jesus revoluciona todos os anseios e sonhos do mundo. Por isso, a Páscoa é a festa de alegria porque a nossa vida está assegurada; esta vida que aqui vivemos não nos será tirada com a morte; a morte será apenas um fenômeno biológico, mas que não poderá atingir nem destruir o nosso verdadeiro ser. A partir da ressurreição do Senhor, não vivemos mais para morrer mas morremos para viver; a vida não pertence mais à morte mas sim a morte pertence à vida. A morte não é total: atinge apenas o corpo do homem. O mundo precisa saber que não somos condenados a um fim sem sentido. Não há Boa Notícia mais radicalmente importante do que a certeza da vitória da vida. Por isso, Jesus nos diz: “Tenha coragem! Eu venci o mundo”(Jo16,33). Temos a garantia de que Deus não vai deixar que se perca nada do que é bom: nossos esforços, nossos sacrifícios, nossas lutas pelo que é certo e justo, nossas boas ações, nossos afetos, as pessoas que amamos, tudo isso fica guardando e seguro nas mãos de Deus da ressurreição. Se a morte não tem a última palavra, toda a nossa vida pode estar, sem medo, a serviço daquilo que traz mais vida para todos. Seja qual for o resultado, nada estará perdido. Por isso, compreendemos por que São Paulo escarnece da morte e triunfante lhe pergunta: “Ó morte, onde está a tua vitória ? Ó morte, onde está o espantalho com que amedrontavas os homens ?”(1Cor 15,55). O homem que crê em Jesus Cristo é destinado à ressurreição para participar, com a totalidade de sua realidade complexa, na vida eterna de Deus.


 b).     “Jesus ressuscitou”  significa também que Cristo vive. Esta é a grande verdade da nossa fé. Cristo vive quer dizer que ele não é uma figura que passou, que existiu num tempo, deixando-nos uma lembrança. Cristo vive quer dizer: ele está conosco. Ele não nos abandona. Isto significa que o cristão, cada um de nós, nunca é um homem solitário mas solidário porque ele vive com Deus e Deus com ele. Por isso, o centro da fé cristã não consiste na celebração da memória de um herói morto, mas da presença de um Vivo e Vivente no qual se decifrou para todos nós o sentido último da vida.


c).       Se Cristo está vivo, então todas as coisas da vida devem refletir isto; todas as coisas devem se voltar para Jesus Cristo. Quando Jesus Cristo é o centro, as pessoas tornam-se melhores; as pessoas tornam-se mais humanas, buscam o crescimento e têm vontade de conseguir todas as coisas no crescimento e na maturidade de Cristo.


d).        A Páscoa é, biblicamente, a passagem da opressão do Egito para a Terra da Promessa. Ela é uma passagem do pecado, da opressão, e da morte para a graça, a liberdade, e a vida. Não há afirmação da vida sem passagem pela morte, sem confronto com a morte. Por isso, como é triste morrer sem ter sabido viver, também como é triste viver sem aprender a morrer. Se Jesus deixou o túmulo para entrar na vida, somos, seus seguidores, convidados também a sair de nossos túmulos, de nossas prisões de egoísmo, de soberba, de falta de caridade, de arrogância, de desespero para experimentar e viver a liberdade e libertação. E este chamado é urgente. Não podemos adiá-lo para amanhã. Acreditar no Deus vivo e vivificante implica abandonar a idolatria. A idolatria consiste em depositar confiança em algo ou alguém que não seja Deus, como no dinheiro e no poder etc. Submeter a própria vida a algo ou a alguém que não seja Deus significa opor-se ao Deus vivo e vivificante. Cai-se na idolatria quem põe o ouro e a prata acima de quem os criou. Não confiar no Deus vivo e vivificante, mas num produto de nossas mãos que nos dá força e poder diante dos outros é fonte de alienação e de morte(cf. Ez 7,19-20). O deus da idolatria não quer que sejamos aguais a ele. Ele quer que sejamos submissos a ele. O Deus da Vida quer que tenhamos a vida que ele tem e é(cf. Jo 10,10), pois fomos criados à sua imagem(cf. Gn 1,26).


 e).       Páscoa é a ressurreição. Cristo rompe as cordas que conservavam seu corpo debaixo da terra. Foi a maior vitória de todos os tempos. Jamais alguém pode vencer o poder da morte. Só Cristo Jesus. A vitória de Cristo ressuscitado nos faz crescer na fé. Não tenhamos mais medo de nada. Tudo está sob o calcanhar de Cristo. Com Cristo, nada nos derrotará. Cristo ressuscitado vai tomar conta de nós. Todos os que seguem a Jesus não vão se perder por que ele é uma luz que orienta. É a luz inapagável.
  

Páscoa é a saída rápida. É êxodo, partida. Para onde ? É sair para encontrar os outros. Se permanecermos fechados, trancados dentro de nós mesmos, vamos morrer. Páscoa é reencontro com a vida. Somente sabe viver, encontrando a vida, aquele que ama. Jesus morreu e ressuscitou porque nos ama verdadeiramente.
    

Amar é sair de si para encontrar o outro. É dialogar. É estender a mão. É abraçar para fazer as pazes. É doar a vida, o coração e a felicidade aos outros. Páscoa é alegria. Somente encontra a alegria aquele que sabe amar os outros. Nossos lares são como túmulos cerrados a cimento, quando não se amam; quando não há respeito, ajuda mútua e fé. Túmulos cerrados são as igrejas quando não se vive o que se reza e se canta.
 

Celebrar a Páscoa é afirmar: “Não sou mais aquele homem do túmulo, intransigente, morto, insuportável, nervoso. Agora uma nova luz entrou em mim e renasci, por isso. Quero remover aquela pedra que me está impedindo de ser comunicativo, caridoso; a pedra que me impede de pedir e de dar o perdão”.
   

Não existe ressurreição antes da morte de si mesmo. Para sairmos de nós mesmos devemos fazer como os peregrinos: abandonar tudo. Temos que abandonar tantas atitudes erradas em nós; tantos vícios; tanto gênio em nós; tanta raiva contra os outros.
    

A Páscoa é tempo de sair do túmulo, da escuridão, da falta de fé e confiança nas Palavras de Cristo. É sair das trevas da consciência adormecida, do coração sonolento, cheio de ódio, de raiva, de mágoa, de ganância e do egoísmo. Saímos do túmulo de nosso coração trancado. Saímos do túmulo para ver a luz que brilha nos rostos daqueles que vencem a si mesmos e procuram seguir os caminhos de Cristo.
 

Ressurreição, saída do túmulo, rompimento de todas as amarras, deve ser realizada em nós, em nossos lares cheios de incompreensão, de falta de Deus.
  

 f). A Páscoa significa passagem. Em nossa vida, de certa forma, existem duas passagens. A primeira passamos do “nada” onde estávamos nove meses antes de vir ao mundo à situação do bebê em seu bercinho. Mas essa passagem é apenas condição de uma segunda. A segunda passagem é a de uma existência humana è existência propriamente humano-divina. A primeira não pede a autorização nossa para nos pôr no mundo. A segunda não se faz sem nós. Ela se realiza ao longo de toda a nossa vida. Todos os dias de nossa presença terrena temos que fazer freqüentemente passagens.   Ninguém se transformou sem passar pelo sacrifício de certo tipo de felicidade egoísta. É preciso renunciar ao egoísmo para conhecer a verdadeira felicidade, a própria felicidade de Deus à qual somos chamados por toda a eternidade. Sem ser transformado ou transfigurado, não se vem a ser homem livre pela própria liberdade de Deus. Celebrar a Páscoa é celebrar a libertação. Mas em que sentido estamos livres? De que estamos livres?


P.Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 28 de março de 2013

PÁSCOA COM O SENHOR
 
PÁSCOA: AMAR-MORRER-RESSUSCITAR

 

Neste domingo da scoa precisamos ver três coisas essenciais que aconteceram durante o Tríduo Pascal a partir das quais cada um precisa se ver ou se olhar com serenidade e seriedade: O amor da Quinta-feira Santa, a Morte da Sexta-feira Santa e a Ressurreição da Páscoa. AMAR, MORRER, RESSUSCITAR são como três movimentosem crescendo” da Semana Santa. Três realidades que, sem dúvida, são mais importantes na vida de cada homem.


AMAR é o verbo mais conjugado da história. O homem está sedento de amor. Quando o encontra e quando o dá, ele é feliz. Mas amar como Jesus com sua medida e com sua finalidade, não é fácil. Amar como Jesus amou supõe negar-se, esquecer-se e vencer-se. Amar como Jesus amou supõe considerar verdadeiramente os homens, todos os homens como irmãos e estar disposto a partilhar o que se tem. Não é fácil amar assim. Por isso, muito raras vezes o fazemos e praticamente não o fazemos. Em geral os homens não o fazem e evidentemente, os cristãos não o fazem. Por isso é que ainda não entendemos o acontecimento da Quinta-Feira Santa. Quem sabe amar, não tem medo de se arriscar como Jesus. Jesus nos amou até o fim com todas as suas conseqüências (Jo 13,1).


MORRER. É o acontecimento da Sexta-Feira Santa. Que difícil! No entanto, a morte está ai. Fisicamente somos vulneráveis e por isso, somos sujeitos também à morte. Mas não queremos saber de nada da morte e o mundo tenta esconder essa realidade e nega a preparar as pessoas para esse acontecimento. Morrer é o acontecimento da Sexta-Feira Santa! Que terrível uma morte sem resposta! Que angustiante uma morte sem retorno. Que cruel uma morte sem vitória. Contemplando o modo de vida dos homens caberia cada um perguntar-se: Que esperam os homens perseguindo tão ansiosamente o poder, o dinheiro, a glória, a fama? Será que está ai a meta sonhada, o fim último, a aspiração máxima? Que pensam os homens da morte? Não é fácil aprender a morrer; no entanto, deveríamos nos esforçar por dar, à luz da morte, o sabor cristão e transcendente a nosso existir. É pensar serenamente sobre a Sexta-Feira Santa à sombra da Cruz de Jesus. Não é a morte que absurda e sim a vida sem a morte. Para viver bem cada um tem que aprender a morrer. Este é o paradoxo da vida cristã ou do viver bem. Um grão de trigo precisa morrer e cair na terra a fim de dar muito outros grãos. É uma morte fecunda e frutífera.


RESSUSCITAR. Esta é a ultima palavra da morte. É o triunfo, a glória, a alegria. Jesus venceu o tédio, a dor, a angústia, a incógnita que a mente humana ergueu. O triunfo de Jesus é o nosso também. Será que nós cristãos acreditamos assim? Oxalá que no fundo de nosso ser acreditemos assim. Precisamos avivar essa , fazê-la realidade diária, pô-la em destaque ao haver qualquer tentativa de sufocar a vida. Precisamos pôr esta no encontro e na convivência com os demais, na vida familiar e profissional, nas decisões de cada dia, nas orações e celebrações. Há que intentar ressuscitar cada dia num esforço permanente por dar a nossa existência um tom e um estilo no qual se reconhece imediatamente Cristo cujo final não foi a Cruz e sim a Luz, a vida triunfante e transbordante que faz os outros ao redor viver essa mesma vida.


AMAR, MORRER e RESSUSCITAR são três realidades para pensarmos e vivermos na Semana Santa e em toda nossa vida se quisermos viver uma vida significativa e transbordante.


Quem experimenta ser “ressuscitado” entra em campo de vida nova, jovial, festiva, alegre, gratuita, recebida como dom ou presente de Deus, não como mero dever, mérito ou imposição. Nossa experiência de ressuscitado neste mundo torna nossos horizontes belos, cheios de sentido, torna nossa vida humanizadora e divinizadora, torna nossas perspectivas muito além de um olhar humano. A força vigorosa da vontade redimida e ressuscitada faz qualquer um buscar as coisas do alto, como diz São Paulo: “Se ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto onde Cristo está sentado à direita do Pai” (Cl 3,1). Quais são essas coisas do alto? São as ações, atitudes e programas de vida que respondem ao ideal de ser homem e filho de Deus preferindo a adoração ao desprezo, a honra à indignidade, a pureza de coração à torpeza das paixões, a justiça à impunidade, a confissão de à escravidão dos interesses mesquinhos do homem velho.


Um filho ou uma filha de Deus, ressuscitado com Cristo, há de ser fiel a Deus antes que aos homens, sujeito de esperança que leva à eternidade muito melhor que vítima da corrupção terrena. Em termos bíblicos e paulinos diríamos que há de buscar as coisas do alto, isto é, há de tratar de adquirir e manter os mesmos sentimentos de Cristo: amor, misericórdia, bondade, solidariedade, partilha, longanimidade e assim por diante.


A luminosidade dessa inteligência redimida e ressuscitada se manifestará na pulcritude/ na formosura ou na graciosidade do pensamento. Quem sabe governar-se na caridade da luz acaba se convertendo na naturalidade o que antes havia sido propósito de vida. Se pensarmos como filhos de Deus, acabaremos trabalhando conforme os pensamentos de Cristo. Ao olhar para o alto seremos capazes de ver além das aparências enganosas e ao estarmos no mais alto, teremos uma visão maior sobre as coisas e nossa vida de cada dia. Se vivermos segundo os pensamentos de Cristo, triunfaremos. Se não o fizermos, acabaremos pensando sendo aquilo que vivemos em nossa indignidade ou em nossa pequena maneira de viver.


Ao refletir, meditar sobre a ressurreição, nós veremos que ter , gozar da , submergir-se no mistério da ressurreição de Cristo e logo nossa é entrar num sublime castelo e reino de amor e de felicidade eterna. No mistério da nós encontramos Cristo e nós mesmos. Em nossa vivência especialíssima de , olhando para Cristo ressuscitado, nós encontraremos nosso verdadeiro caminho de luz. Quem não recebe o dom da e, conseqüentemente, não se arrisca com magnanimidade de espírito a ir muito mais além dos acontecimentos históricos que falam da crucificação e da morte de Cristo, não pode entender nossa vivencia interior.


AMAR, MORRER E RESSUSCITAR como Cristo nos capacitam a olharmos as coisas do alto e do alto veremos com facilidade o sentido de nossa vida inclusive de nossas lutas e de nossos sofrimentos de cada dia.


Na e no amor, é sempre Páscoa. A vida é ressurreição, quando se vive em Cristo e manifesta em seu amor. E morrer é também Páscoa, porque em Cristo Jesus a morte foi vencida.


Um santo Monge da Rússia do século XVIII, Serafin de Sarov, acolhia aos que ia visitá-lo com estas palavras, cheias de ternura e de esperança: “Minha alegria, Cristo ressuscitou!”. Que a ressurreição do Senhor seja também nossa alegria de cada dia e nossa força para continuar nossa luta pelo bem e pela dignidade. Confiemos na força da ressurreição e com ela triunfaremos também como Cristo! Que assim seja.

Vitus Gustama, SVD