segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

25/01/2015
 
JESUS ME CHAMA A SEGUI-LO

III Domingo Do Tempo Comum Ano B
 

Evangelho: Mc 1,14-20
         
14Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15O tempo se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” 16E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. 18E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. 19Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.
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O texto se encontra numa grande seção do início da missão de Jesus na Galiléia (Mc 1,14-3,6) onde se enfatiza a revelação de Jesus como Messias, por um lado, e a cegueira dos dirigentes judeus, por outro lado, perante essa revelação (leia: Mc 1,14-8,30- num contexto maior).
    

O texto do evangelho deste domingo, podemos dividir em duas partes de acordo com sua unidade literária: a primeira parte (vv.14-15) falam da Boa Notícia proclamada por Jesus e conseqüência desta proclamação; e a segunda parte (vv.16-20) fala da vocação dos primeiros discípulos na versão de Marcos.


I.  ANÚNCIO DA BOA NOTÍCIA: Jesus Vai Ao Encontro Dos Necessitados (vv.14-15)
    

Terminada a atividade de João Batista que representa o fim do tempo de Moisés (Lei) e dos Profetas, começa a atividade de Jesus que é o início da nova época do relacionamento de Deus com a humanidade. Para Mc, a obra de Jesus pode começar depois de João sair da cena. Jesus começa sua atividade na Galiléia. A Galiléia era considerada pelos rabinos de Jerusalém como um lugar onde a obediência à Lei (Torah) não era tão exata e também era um lugar onde acontecia o contato com os pagãos que causou o sincretismo religioso.


E Jesus escolheu a Galiléia como o centro de sua missão salvífica (cf. Mc 1,16.28.39;3,7;7,31;9,30). O Deus de Jesus Cristo é realmente um Deus de surpresa, pois ele vai na direção em que o homem nunca pensou em  trilhar. Os conterrâneos desprezavam a Galiléia e Jesus a escolheu como o centro de sua missão. Ele vai para a periferia humana que necessita da salvação. Os que a sociedade despreza, Jesus vai salvá-los. Jesus quer nos mostrar que cada ser humano é filho (a) de Deus. Por isso, nenhum ser humano pode ser excluído, por o próprio Deus, como Pai da humanidade, será afetado. Tudo que fizermos para um ser humano, faremos isso para o próprio Deus (cf. Mt 25,40.45).


Ser cristão significa ser de Jesus Cristo. A causa de Jesus deve ser nossa causa. A vida e a missão de Jesus deve ser nossa vida e nossa missão. Em outras palavras, nós, seguidores de Jesus, temos que andar atrás do Mestre que nos diz: “Segue-me!”. Não devemos ter medo de Ele nos levar para onde ele quer, pois ele é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).
    

Jesus anuncia e convida a crer na Boa Notícia/Evangelho (v.14). Qual é a Boa Notícia que ele anuncia? A Boa Notícia indica a alegre notícia, pois o seu conteúdo é a salvação messiânica trazida por Jesus. Que a partir de Jesus instaura-se na terra o Reino de Deus (v.15; Is 40,9;52,7) e por isso, basta entrar nele! Jesus anuncia que se abre a possibilidade de uma sociedade nova e justa, digna do homem, a alternativa que Deus propõe à humanidade. Isto quer dizer que a palavraEvangelhoou “Boa Novaaqui significa a mensagem total de conversão e salvação que Jesus veio trazer. Para Marcos a crença nesta Boa Nova não pode estar separada da no próprio Jesus.
      

Jesus diz: “O tempo está completo e o Reino de Deus está próximo...” (v.15a-b). “O tempo está completo” (“peplérotai o kairós  v.15a). “Tempooumomentoaqui é uma tradução da palavra grega “kairós”. Mc não usa o termo “krónos” (tempo cronológico), mas “kairós”. “Kairós” indica um tempo determinado e tem aqui uma conotação escatológica de tempo determinado por Deus para a vinda gloriosa do Cristo; indica um tempo determinado por Deus para a sua intervenção salvífica. É tempo de graça, de favor de Deus e de oportunidade de salvação. Como diz São Paulo: “Eis agora o tempo favorável por excelência. Eis agora o dia da salvação (2Cor 6,2).
      

A expressão “O Reino de Deus está próximo” (v.15b) completa a idéia sobre o kairós. O kairós indica o tempo determinado por Deus para o começo do Reino de Deus. Mas o que é o Reino de Deus neste contexto? O Reino de Deus (Basiléia) não é um conceito espacial, nem estático, mas sim um conceito dinâmico. Ele indica a soberania de Deus em ação. Trata-se do tempo da salvação, do restabelecimento da comunhão entre Deus e o homem que começa pela em Jesus Cristo. Doravante, os homens que buscam a Deus, não se cansarão em vão, pois Deus veio em busca de todos nós: o Seu Reino está próximo. A proximidade do Reino de Deus é resposta explícita a toda pergunta e interrogação escondidas no coração humano. Não é o homem quem se dá a si mesmo a última resposta para suas aspirações e sim é Deus.
    

A proclamação da proximidade do reino de Deus exige do homem uma atitude nova, uma tomada de posição.  Para que essa possibilidade possa acontecer exige, como condição, da parte do homem a renúncia à injustiça, como ponto de partida (convertei-vos) e a confiança de que essa meta é atingível, como ponto da chegada (tende ). Jesus liga sua ordem urgente “convertei-vos” a um chamado igualmente urgente “crede no Evangelho”. Para Marcos a conversão está ligada intimamente à . A crença na Boa Nova anunciada por Jesus não pode estar separada da no próprio Jesus.
    

A conversão (metanoia) envolve uma mudança radical no próprio modo de pensar e de viver. É uma chamada a uma mudança interior em seus pensamentos e sentimentos. O ensinamento fundamental sobre a conversão (metanoia) contido no Evangelho de Marcos significa seguir Jesus (tornar-se discípulo) e ter nele. Não é de admirar que o primeiro ato que Jesus realiza depois de proclamar sua mensagem central (converter e crer no Evangelho) é chamar os primeiros discípulos (vv.16-20). Mas a capacidade dos discípulos para participar do chamado de Jesus à conversão não diminui a necessidade de escutar a mensagem de Jesus, pois a maior parte do Evangelho de Marcos é dedicada ao desafio e ao fracasso do discipulado. Apesar de todas as maravilhas que testemunham no ministério de Jesus, os discípulos são descritos simplesmente como pessoas que parecem não entender a mensagem de Jesus. Até os demônios reconhecem Jesus (cf. Mc 3,11), contudo, os discípulos parecem desatentos a esse reconhecimento. Por isso, é sempre hora de Deus. Convertei-vos! Em cada momento em que a Boa Nova se nos oferece, nos convida e nos dá o poder de começar a nova caminhada.
    

Como seguidores de Cristo necessitamos viver num perene estado de conversão. A conversão é uma tarefa sempre inacabada, de todo o tempo e para todos, pois “o velho homemdentro de nós sempre nos tenta desviar a nossa atenção para outra direção que não é a de Deus. “Convertei-vos” é um convite de libertação, é uma esperança luminosa e transformante. A conversão supõe uma opção clara pelos valores do evangelho e não pelos do mundo. Assim optaremos pelo amor em vez do egoísmo, a solidariedade em vez de exploração, o perdão em vez do ódio, a colaboração e o compromisso em vez da despreocupação ou apatia.
     

De outra forma podemos dizer que a conversão significa, simplesmente, imitar o amor de Deus. Porque quando você ama, você não vai fazer a injustiça contra ninguém; não vai explorar ninguém; não vai roubar ninguém por um simples razão: você encontrou no outro seus próprios sentimentos e seu próprio coração.  Por isso, o critério para saber se você cresceu ou não (critério de maturidade) é a sua capacidade de amar. Certamente Jesus nos traz o Deus de amor e não Deus que castiga. Infelizmente, o Deus que habita na consciência da maioria dos cristãos é o Deus que castiga, por isso a vida se torna pesada. Mas quando o Deus de amor habita na nossa consciência, a vida se torna leve que o amorsegurança, tranqüilidade e crescimento. E tudo que você ama se torna leve.
   

A segunda exigência é na Boa Nova anunciada por Jesus. não significa um conhecimento puro intelectualmente da mensagem, mas uma adesão plena e total do homem a Deus. Que o homem tenha coragem e firmeza de dizer o seu sim total ao plano salvífico de Deus. A nos aproxima do conhecimento de Deus. E ao participarmos da vida de Deus, começamos a ver e a apreciar tudo. Conseqüentemente,  tudo se ordena e tudo ganha seu justo valor. A nos permite entender a realidade de uma maneira renovada e nos transforma em homens novos.
   

Mas quem crê em Deus tem necessidade de orar ou participar das atividades espirituais. Quem ora porque crê. E quem crê precisa rezar. Temos que cultivar nossa através de oração e reflexão e a leitura espiritual como a Bíblia para que a não morra. E quem reza porque ele crê na resposta de Deus independentemente do tempo desta resposta pois ele crê que Deus é o Pai muito fiel. Por isso, a não consiste em raciocínios processados com a mente mas um convite na adesão corajosa e incondicional à proposta  de vida de Deus. Deus quer que seus filhos(as) passem juntos dele por uma experiência de vida para aprender dele como se faz a doação da própria vida.


II. O CHAMAMENTO DE JESUS (a vocação dos primeiros discípulos) vv.16-20
     

Para fazer acontecer o seu projeto, Jesus chama os homens. Em relação a este tema podemos fazer algumas perguntas para entender melhor o chamamento de Jesus: Onde se verifica o chamamento de Jesus? Em que situação ele chama? Como Jesus chama? A que o chama? E com que resultado Jesus chama?


  1.Onde e em que situação


Esse chamamento acontece junto ao lago (à beira do “mar” da Galiléia. Segundo alguns biblistas, Mc usa o termomarem vez de “lagopara aludir ao êxodo. Jesus chama para o novo êxodo). Marcos insiste claramente neste particular que repete ao menos três vezes (cf. Mc 1,16.19;2,13-14).
    

O que quer dizer o “lago” na apresentação de Marcos?
  

O “lago” é o lugar no qual vive as pessoas da Galiléia e ali é que elas trabalham. Certamente Jesus procura e encontra o povo ou cada um de nós em sua própria situação e lugar. E Jesus nos chama a segui-lo ali onde se encontra, na própria situação concreta. Ele apresenta a cada um o convite ali onde se encontra, numa situação comum, honesta e honrada como aquela dos pescadores ou, então, numa situação desonrada e moralmente difícil como aquela do cobrador dos impostos, como Levi (cf. Mc 2,14) etc.


Se Jesus quer encontrar cada um de nós ali onde se encontra, vamos ficar, então, no nosso lugar. Como as letras de um canto que dizem: “Quando Jesus passar eu quero estar no meu lugar”. Se eu não ocupar meu lugar, por simples que ele seja, Jesus não vai me encontrar. Conseqüentemente, surge uma pergunta para mim: “Onde está o meu lugar?” Concretamente digamos: se você é pai que seja pai ou mãe que seja mãe, professor seja professor, médico seja médico etc.. Se seu filho ou sua filha chama você de pai ou de mãe, por que ele (ela) quer que você seja verdadeiro pai ou verdadeira mãe para ele ou ela. Assim por diante. Isto quer dizer que cada nome ou função é um apelo, é uma missão.


Por isso, até aqui  que cada um se pergunte: onde é que está o meu lugar ? Qual é o apelo ou missão que tem no meu nome?


2. Como Jesus chama e a que o chama e a que chama?
    

Sublinha-se o aspecto pessoal: através de um colóquio familiar. Jesus Simão e André, Tiago e João e aproxima-se deles familiarmente, fala e os chama. Ele faz lhes ouvir aquela palavra de esperança e de confiança que é o chamado a segui-lo.
   

O que significa “seguir”? Literalmente significa “ir atrás de alguém, pisando nas suas pegadas e percorre o seu caminho. Tudo isto exige uma imensa confiança naquela pessoa que está na nossa frente. É preciso entregar-se totalmente a essa pessoa. “Seguir Jesus Cristosegundo o Evangelho significa aceitar seus ensinamentos, entregar-se incondicionalmente à sua pessoa, colaborar na sua missão e partilhar do seu destino, que inclui a morte e a glorificação (Jo 12,26; 14,3; 17,24). O abandono confiante a Jesus é necessário para poder percorrer o caminho em direção ao conhecimento da vida e do mistério de Jesus.
    

Jesus os chama para serem “pescadores de homens” (v.17). Há aqui uma alusão clara à atua profissão dos dois irmãos (Simão e André) e uma alusão a Jr 16,14-16. “Ser pescadores de homens” sublinha uma missão universal, não se limita ao povo judeu.
 

3. Com que resultado Jesus chama ?


Marcos sublinha a instantaneidade, a urgência da resposta ao chamamento de Jesus.  Simão e André abandonam imediatamente sua forma de vida anterior. E Tiago e João desvinculam-se da tradição (o pai) e do ambiente sócia l(os dois têm nomes hebraicos). Não é fácil abandonar um hábito ou modo de viver para assumir um outro novo. Qualquer ser humano suspeita de qualquer novidade por causa da insegurança e a incerteza desta novidade. Um ser humano é apegado à determinada coisa ou modo de viver. Os quatro abandonam tudo imediatamente. Isto requer uma maturidade e uma grande disponibilidade e acima de tudo, requer uma firme. A nos torna capazes de pensarmos como Deus e de distinguirmos a causa primeira das causas segundas. Quando a cresce, acontece o processo inverso: o mundo exterior começa a falar-nos de Deus, a atrair-nos para Ele. A partir daí todos os nossos juízos, apreciações, desejos e expectativas serão iluminados pela luz de Deus.

P. Vitus Gustama,sv

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