segunda-feira, 6 de julho de 2015

10/07/2015
 
SER SIMPLES, PRUDENTE E PERSEVERANTE

Sexta-Feira da XIV Semana Comum

Evangelho: Mt 10, 16-23
 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16 “Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17 Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. 18 Vós sereis levados diante de governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações. 19 Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. 20 Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós. 21 O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais, e os matarão. 22 Vós sereis odiados por todos, por causa de meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 23 Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo, vós não aca­bareis de percorrer as cidades de Israel, antes que venha o Filho do Homem.
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Estamos ainda no discurso de Jesus sobre a missão (Mt 9,36-11,1).  No texto do evangelho de hoje Jesus nos recorda que a luta do discípulo na missão contra o mal está em desvantagem: “Eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos”. “Ovelha” é a presa fácil para o lobo. Ovelha é mansa, indefesa para qualquer ataque. Lobo é feroz, forte e persistente.


Como os discípulos devem agir neste tipo de ação? “Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas”. Simples e prudente são as palavras de Jesus.


Sejam prudentes como as serpentes!”. A palavra “prudência” provem do latim “prudens-entis” que significa precavido, competente. A prudência é a capacidade de ver, de compenetrar-se e de ajustar-se à realidade. A prudência oferece a capacidade de discernir o correto do incorreto, o bom do mau, o verdadeiro do falso, o sensato do insensato a fim de guiar nossas decisões e ações. A verdade é a regra de ação para qualquer prudente. O homem sábio é sempre guiado pela prudência.


“Sejam simples como as pombas!”. A simplicidade é a lealdade, transparência, confiança na verdade e a recusa de qualquer meio de violência. A simplicidade é a transparência do olhar, pureza do coração, sinceridade do discurso, retidão da alma e do comportamento. A simplicidade é a espontaneidade, a improvisação alegre, desprendimento, desprezo do prevalecer. A simplicidade é o esquecimento de si, é nisso que ele é uma virtude. A simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria dos santos. O Reino de Deus se revela na debilidade e na simplicidade de Jesus e de seus mensageiros. A fortaleza de Deus encontra seu cumprimento na debilidade (cf. 2Cor 12,9). Toda a história da Igreja confirma esta verdade. São os pequenos e os humildes que fizeram as maiores obras da evangelização, como Madre Teresa de Calcutá e tantos outros.


Mas a debilidade não é presunção, nem ligeireza, nem superficialidade ou ingenuidade. Por isso, segundo Jesus, a debilidade ou a mansidão tem que ser acompanhada com a prudência. A prudência é a capacidade e a humildade de valorizar e de levar em consideração as situações concretas para agir sabiamente. Mas trata-se sempre, por suposto, da prudência de Cristo, não da prudência do mundo baseada em cálculos cínicos, em diplomacia interesseira e de compromisso sempre em busca de uma salvação própria, que é uma manifestação do egoísmo. O egoísmo não convive com o amor, pois o amor leva o homem ao encontro do outro para oferecer-lhe ajuda. O egoísmo devora tudo o que o outro tem.


Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas. Vós sereis levados diante de governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações”, acrescentou Jesus.


O cristão é aquele que conhece e crê nas Palavras do Senhor (ensinamentos) e põe em prática os mesmos ensinamentos vivendo o mesmo estilo de Sua vida. Em outras palavras, o cristão aceita ter a mesma sorte do Senhor Jesus vivendo o que sabe e crê, ou o cristão não pode ser chamado como tal ou nem pode ser considerado como cristão. Santo Agostinho dizia: “O nome de cristão traz em si a conotação de justiça, bondade, integridade, paciência, castidade, prudência, amabilidade, inocência e piedade. Como podes explicar a apropriação de tal nome se tua conduta mostra tão poucas dessas muitas virtudes?” (De vit. Christ.6).


Jesus não esconde a verdade aos cristãos: o evangelho provoca, muitas vezes, a oposição e perseguição. Se como cristãos somos perseguidos é porque nossa fé é profética por natureza. O profetismo, isto é anunciar e denunciar, é um aspecto constitutivo do cristianismo. O cristão deve anunciar o Reino de Deus neste mundo e denunciar os valores que desumanizam a própria humanidade e pisam sobre a fraternidade e a igualdade. Se a fé cristã deixar de ser profética, ela passará a ser algo vergonhoso, pois não iluminará mais a humanidade nem dará sabor à vida. Se os cristãos ficarem calados diante da injustiça, da opressão, da maldade ou do pecado para não complicar sua própria existência, eles viverão um cristianismo falso. Se os cristãos optarem por Deus em favor dos homens, eles entrarão em conflito com os poderes políticos ou ideológicos que os escravizam, e sofrerão a perseguição, a incompreensão e todo tipo de calamidades. Jesus anuncia a impossibilidade de viver autenticamente a fé sem um compromisso pessoal contra todo tipo de pecado.


Jesus recomenda a prudência e promete a assistência do Espírito capaz de animar a vida do cristão e dar a valentia para superar as dificuldades: “Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós”. Mas podemos ser perseguidos por vivermos os valores ensinados por Cristo, mas jamais podemos ser perseguidores.


O discípulo é pobre e está sem arma e deve ser desarmado; ele é somente rico na fé e na validez do anuncio, pois trata-se da Palavra de Deus que tem por objetivo salvar os homens e será a ultima palavra para a humanidade. A missão exige um ambiente de debilidade para forçar o discípulo a ter fé permanentemente em Deus e para tirar qualquer tipo de ilusão como discípulo. É Deus quem opera e não os homens. Os homens são instrumentos nas mãos de Deus.


Jesus reconhece que a oposição e a perseguição vêem, muitas vezes, da própria família: “O irmão entregará seu irmão à morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e os matarão”. O ódio pode nascer em qualquer pessoa e em qualquer lugar. Jesus nos sugere uma só solução: “Permanecei fieis!”. É conservar a firmeza e o valor, contra toda decepção, contra toda oposição e contra todo fracasso. O que conta é a salvação eterna. Precisamos saber que Jesus está conosco. Na obscuridade do fracasso estamos seguros de que Jesus, com toda certeza, virá e salvará os seus. Mas Jesus nos alerta e nos afirma: “Aquele que perseverar até o fim, será salvo”. Será que sou perseverante em tudo como cristão? Perseverança é a capacidade de resistir até o fim por causa da meta (nobre) a ser alcançada.


O discípulo é pobre e está sem arma e deve ser desarmado; ele é somente rico na fé e na validez do anuncio, pois trata-se da Palavra de Deus que tem por objetivo salvar os homens e será a ultima palavra para a humanidade. A missão exige um ambiente de debilidade para forçar o discípulo a ter fé permanentemente em Deus e para tirar qualquer tipo de ilusão como discípulo. É Deus quem opera e não os homens. Os homens são instrumentos nas mãos de Deus.

P. Vitus Gustama, SVD

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