segunda-feira, 14 de setembro de 2015

18/09/2015
MULHERES E HOMENS TÊM A MESMA RESPONSABILIDADE COMO CRISTÃOS NESTE MUNDO

Sexta-feira da XXIV Semana Comum


Evangelho: Lc 8,1-3

Naquele tempo: 1 Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; 2 e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; 3Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.
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Jesus anuncia o Evangelho acompanhado pelos Doze e por algumas mulheres como mencionou o texto do Evangelho de hoje. As mulheres serão as testemunhas da morte e ressurreição do Senhor (Lc 243,49; 24,6-10). As mulheres estavam presentes na origem da Igreja (At 1,14). Ao dizer que Jesus estava acompanhado também pelas mulheres no seu trabalho missionário, o evangelista Lucas quer nos dizer que as mulheres não devem ocupar um lugar secundário na Igreja e na sociedade. Para a época de Jesus o fato de que algumas mulheres acompanhavam Jesus na sua atividade missionária era algo incrível, pois as mulheres eram marginalizadas. Nenhum testemunho de uma mulher tinha validade. Como Lucas, São Paulo tinha o mesmo pensamento de que a mulher tinha o papel importante na comunidade: “Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo. Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3,27-28). Graças a Deus hoje em dia temos tantas mulheres teólogas, tantas mulheres incansáveis envolvidas nos trabalhos pastorais e em outras atividades eclesiais, há tantas mulheres missionarias, e assim por diante.


No texto do evangelho deste dia, evangelista Lucas afirma que, com os Doze, havia um grupo de mulheres que seguiam a Jesus: Maria Madalena, Joana, Susana e outras mulheres. O evangelista Lucas é o único que menciona os nomes das mulheres que acompanhavam Jesus ao longo de suas viagens.


Para Deus Eu Tenho Nome e Sou Chamado Pelo Nome


Maria Madalena, Joana e Suzana! São nomes das mulheres, segundo o texto do evangelho deste dia, que também acompanhavam Jesus no seu trabalho de levar a Boa Nova para todos, especialmente para os excluídos da sociedade. Uma é casada, Joana, a mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes. Outra é uma mulher renascida à vida nova graças à intervenção de Jesus que a resgatou da morte (libertada de sete demônios, segundo o evangelho), Maria Madalena. E a terceira, Suzana, é uma discípula da qual somente sabemos seu nome, mas que estava lá.


Maria Madalena, Joana e Suzana! Para o evangelista Lucas é muito importante mencionar seus nomes. Ter nome é ter dignidade, é ser gente! Ter nome é ser alguém e não ser número. É ser pessoa. Ter nome é ter personalidade. Chamar alguém e ser chamado pelo nome é sinal de intimidade. Entre dois amigos os títulos ficam de lado; cada um é chamado pelo nome. Em casa cada um tem seu nome e é chamado pelo nome e não pelo titulo. Para Deus eu tenho nome e Deus me chama pelo nome: “Eu te chamo pelo nome, és meu” (Is 43,1). E que meu nome está gravado na palma da mão de Deus e por isso, Ele jamais me esquecerá: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não tem ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esquecerei nunca. Eis que estás gravado na palma de minhas mãos” (Is 49,15-16). Deus nunca pode olhar Sua mão sem ver o meu nome. E meu nome quer dizer EU mesmo. Sou feliz por eu ser o que sou para Deus. Para sociedade em geral posso não ter nome, mas para Deus eu tenho nome. Eu sou uma pessoa e não um número para Deus. Quantas vezes saia dos lábios de Jesus os seguintes nomes: Maria Madalena, Joana, Suzana. Jesus as chamava pelo nome.


Diante de Deus Todos São Iguais


Maria Madalena, Joana e Suzana são seguidoras de Jesus junto com os doze Apóstolos. Esta frase tinha um grande peso para a sociedade da época de Jesus.


Na Palestina a estrutura social era patriarcal. Ou na linguagem mais popular: uma sociedade machista. O pai era o único que tinha direito de dispor, dar ordens, castigar, pronunciar as orações, oferecer os sacrifícios. A mulher era considerada em tudo inferior ao homem. Ela pertence completamente ao seu “dono”: ao pai, se for solteira; ao marido, se for casada; ao cunhado solteiro, se for viúva sem filhos (Dt 25,5-10).


No Templo e na sinagoga homens e mulheres ficavam rigorosamente separados: as mulheres sempre em lugares inferiores, secundários. O culto na sinagoga era celebrado apenas caso houvesse ao menos 10 homens. As mulheres não contavam, por mais numerosas que fossem.


A mulher não podia atuar como testemunha num tribunal, nem como testemunha de acusação. Apoiando-se em Gn 18,11-15, consideravam que seu testemunho carecia de valor por causa de sua inclinação à mentira. Os rabinos da época excluíam as mulheres do circulo de seus discípulos.


Jesus se levanta contra esse sistema sociorreligioso, dominante e opressivo para a mulher. Com sua atuação concreta, Jesus dá à mulher o seu devido lugar na vida social e religiosa. Para sua época essa atitude era considerada revolucionária e audaciosa! O que tem por trás da atitude de Jesus é o amor. E o amor é capaz de fazer até o impossível (cf. Jo 3,16). Tendo acompanhado Jesus desde o começo de seu ministério público, como os Doze, as mulheres discípulas eram iguais aos homens para o anúncio da Boa Nova (cf. Jo 4,28-29). Para Jesus, a mulher tem a mesma dignidade, categoria e direitos que o homem. Por isso, Jesus admite em sua comunidade homens judeus e mulheres judias com os mesmos direitos de aprender, ser discípulos-discípulas, seguidores-seguidoras de Jesus pelo Reinado de Deus. As exigências e responsabilidades do seguimento são iguais para todos, homens e mulheres. A tradição nos relata que as primeiras aparições do Ressuscitado foram feitas para as mulheres (Lc 24,10) e precisamente às que Lucas anota no texto do evangelho deste dia.


Que belo é ver como desde as origens apostólicas, Jesus conta com as mulheres em plano de igualdade. Não faz plano machista do seguimento. Cria uma comunidade mista.


As mulheres não são meras assistentes dos homens e sim autênticas protagonistas da vida e missão da Igreja. Atuar de outra maneira é infidelidade ao Senhor que desde o princípio contou com elas. Elas serviam, punham seus bens ao serviço de Jesus e sua missão.


A Palavra de Deus de hoje quer nos enfatizar que todos, mulheres e homens, são chamados de igual maneira a proclamar a Boa Notícia. O Reino de Deus é uma Boa Notícia. No meio da superabundância de notícias ruins, o cristão e a cristã, a exemplo de Cristo, devem pregar a Boa Notícia. Martin Luther King dizia que o grande problema não é o avanço da maldade ou do mal, mas o silêncio dos bons. Em certo sentido, ficar calado pode ser até uma manifestação da prudência. Mas se ficar calado diante da maldade pode significar a cumplicidade.


Homens e mulheres são chamados a colaborar na evangelização a partir de seu próprio talento e de outras contribuições como as três mulheres citadas no evangelho deste dia. Assim um completa o outro para uma perfeita evangelização. Victor Hugo escreveu que o homem e a mulher se complementam para edificar a dignidade de um ser humano. Evangelizar significa dignificar a vida humana.


Reflitamos sobre as palavras do Papa Francisco a respeito das mulheres na sua Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho):


·       A Igreja reconhece a indispensável contribuição da mulher na sociedade, com uma sensibilidade, uma intuição e certas capacidades peculiares, que habitualmente são mais próprias das mulheres que dos homens. Por exemplo, a especial solicitude feminina pelos outros, que se exprime de modo particular, mas não exclusivamente, na maternidade. Vejo, com prazer, como muitas mulheres partilham responsabilidades pastorais juntamente com os sacerdotes, contribuem para o acompanhamento de pessoas, famílias ou grupos e prestam novas contribuições para a reflexão teológica. Mas ainda é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja. Porque «o génio feminino é necessário em todas as expressões da vida social; por isso deve ser garantida a presença das mulheres também no âmbito do trabalho»[72] e nos vários lugares onde se tomam as decisões importantes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais (EG n. 103).


·       As reivindicações dos legítimos direitos das mulheres, a partir da firme convicção de que homens e mulheres têm a mesma dignidade, colocam à Igreja questões profundas que a desafiam e não se podem iludir superficialmente. O sacerdócio reservado aos homens, como sinal de Cristo Esposo que Se entrega na Eucaristia, é uma questão que não se põe em discussão, mas pode tornar-se particularmente controversa se se identifica demasiado a potestade sacramental com o poder. Não se esqueça que, quando falamos da potestade sacerdotal, «estamos na esfera da função e não na da dignidade e da santidade». O sacerdócio ministerial é um dos meios que Jesus utiliza ao serviço do seu povo, mas a grande dignidade vem do Batismo, que é acessível a todos. A configuração do sacerdote com Cristo Cabeça – isto é, como fonte principal da graça – não comporta uma exaltação que o coloque por cima dos demais. Na Igreja, as funções «não dão justificação à superioridade de uns sobre os outros». Com efeito, uma mulher, Maria, é mais importante do que os Bispos. Mesmo quando a função do sacerdócio ministerial é considerada «hierárquica», há que ter bem presente que «se ordena integralmente à santidade dos membros do corpo místico de Cristo». A sua pedra de fecho e o seu fulcro não são o poder entendido como domínio, mas a potestade de administrar o sacramento da Eucaristia; daqui deriva a sua autoridade, que é sempre um serviço ao povo. Aqui está um grande desafio para os Pastores e para os teólogos, que poderiam ajudar a reconhecer melhor o que isto implica no que se refere ao possível lugar das mulheres onde se tomam decisões importantes, nos diferentes âmbitos da Igreja (EG n. 104).


·       Maria, a Mãe do Senhor “é a mulher orante e trabalhadora em Nazaré, mas é também nossa Senhora da prontidão, a que sai ´à pressa´ (Lc 1, 39) da sua povoação para ir ajudar os outros. Esta dinâmica de justiça e ternura, de contemplação e de caminho para os outros faz d’Ela um modelo eclesial para a evangelização. Pedimos-Lhe que nos ajude, com a sua oração materna, para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos, e torne possível o nascimento dum mundo novo. É o Ressuscitado que nos diz, com uma força que nos enche de imensa confiança e firmíssima esperança: ´Eu renovo todas as coisas´ (Ap 21, 5)” (EG n. 288).

P. Vitus Gustama,svd

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