sábado, 28 de fevereiro de 2015

02/03/2015
 
MISERICÓRDIA NOS APROXIMA DE DEUS
 
Segunda-Feira da II Semana da Quaresma


Primeira Leitura: Dn 9,4b-10


4b “Eu te suplico, Senhor, Deus grande e terrível, que preservas a aliança e a benevolência aos que te amam e cumprem teus mandamentos; 5 temos pecado, temos praticado a injustiça e a impiedade, temos sido rebeldes, afastando-nos de teus mandamentos e de tua lei; 6 não temos prestado ouvidos a teus servos, os profetas, que, em teu nome, falaram a nossos reis e príncipes, a nossos antepassados e a todo povo do país. 7 A ti, Senhor, convém a justiça; e a nós, hoje, resta-nos ter vergonha no rosto: seja ao homem de Judá, aos habitantes de Jerusalém e a todo Israel, seja aos que moram perto e aos que moram longe, de todos os países, para onde os escorraçaste por causa das infidelidades cometidas contra ti. 8 A nós, Senhor, resta-nos ter vergonha no rosto: a nossos reis e príncipes, e a nossos antepassados, pois que pecamos contra ti; 9 mas a ti, Senhor, nosso Deus, cabe misericórdia e perdão, pois nos temos rebelado contra ti, 10 e não ouvimos a voz do Senhor, nosso Deus, indicando-nos o caminho de sua lei, que nos propôs mediante seus servos, os profetas”.


Evangelho: Lc 6,36-38


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 36 "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. 37 Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; 38 dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também".
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O texto do evangelho deste dia faz parte do Sermão de Jesus chamado Sermão da Planície no evangelho de Lucas (Lc 6,20-49). Chamado de Sermão da Planície é para distingui-lo do Sermão da Montanha de Mateus (Mt 5-7). Se em Mateus Jesus faz seu Sermão no topo da montanha, em Lucas Jesus faz o Sermao na planície depois que Jesus na companhia dos discípulos desceram da montanha onde os Doze Apóstolos foram escolhidos (Lc 6,12-16). O Sermão da Planície é muito mais breve do que o Sermão da Montanha.


“Sede misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso”


 O texto do evangelho lido e proclamado neste dia fala da moral cristã que se caracteriza pelo fato de que é, habitualmente, uma imitação de Deus, e por isso, não é uma simples moral humana. Na sua primeira Carta são João diz: “Deus é amor” (1Jo 4,8.16), e são Lucas diz no evangelho deste dia: “Deus é misericórdia”.  Em Mateus Jesus diz: “Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Em Lucas Jesus diz: “Sede misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso”. Para o evangelista Lucas a perfeição cristã consiste na prática da misericórdia. Ser verdadeiro cristão, segundo Lucas, é imitar o Deus de amor e de misericórdia. Conseqüentemente, na vivência do amor e da misericórdia não haverá lugar para o julgar e o condenar do próximo.


O cristão deve ser reconhecível e reconhecido pelo amor (e pela misericórdia; cf. Jo 13,35). Jesus concebe este amor não como um sentimento e sim como uma atuação. Não é um simples sentimento humanitário. Este amor do qual fala Jesus tem uma raiz existencial: a realidade do Pai: "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso”. É o Pai quem dá sentido ao amor vivido na fraternidade. Através do amor misericordioso vivido Deus reconhece o homem como filho Seu e o homem se reconhece como filho de Deus.


Segundo Jesus, ser misericordioso deve ser uma regra para todos os discípulos. Se no Antigo Testamento o ideal da perfeição era ser santo (cf. Lv 19,2; veja também 11,44), o Jesus de Lucas coloca a misericórdia como o ideal da perfeição para um cristão. O ideal da perfeição cristã consiste em estar em conformidade ou em sintonia com a misericórdia de Deus. A imitação e a vivência da misericórdia excluem o cristão de qualquer tipo de julgamento para assumir a atitude de perdão, pois o próprio Deus não usa de justiça contra nós pecadores e sim Ele usa de misericórdia. Sem a misericórdia de Deus ninguém sobreviveria sobre a face da terra.O amor apaixonado de Deus pelo seu povo — pelo homem — é ao mesmo tempo um amor que perdoa. E é tão grande, que chega a virar Deus contra Si próprio, o seu amor contra a sua justiça. Nisto, o cristão vê já esboçar-se veladamente o mistério da Cruz: Deus ama tanto o homem que, tendo-Se feito Ele próprio homem, segue-o até à morte e, deste modo, reconcilia justiça e amor” (Bento XVI: Carta Encíclica: Deus Caritas Est, 10).


A misericórdia não é simplesmente amor: é um amor que não conhece limites, barreiras, obstáculos, fronteiras: é um amor que sabe amar também quem se tornou  indigno do amor. Enquanto o amor diz somente doação, a misericórdia diz super doação. A misericórdia é um especial poder do amor, que prevalece sobre o ódio, a infidelidade, a deslealdade, a ingratidão. Como diz João Paulo II: “Esse amor misericordioso é capaz de curvar-se ante o filho pródigo, ante a miséria humana e, sobretudo, ante a miséria moral, ante o pecado. A misericórdia se manifesta em seu aspecto verdadeiro e próprio quando valoriza, promove e explicita o bem em todas as formas de mal existente no mundo e no homem” (Dives in misericordia, no.6).


O melhor caminho para humanizar cada vez mais um ser humano é o do amor e da misericórdia. Um cristão cheio de amor e de misericórdia é muito humano e educado. Ele é tão humano que se transforma em uma manifestação daquilo que é divino. Naquele que ama tem algo divino, poisDeus é amor”. Jesus Cristo foi tão humano e por isso, foi tão divino. Para sermos divinos temos que ser muito humanos. É o paradoxo de ser cristão.


Para Jesus todos os pecados da humanidade têm a mesma origem: a cobiça que é a manifestação clara do próprio egoísmo. O objetivo de todos os atos de um egoísta é apenas seu próprio interesse. Enquanto que o verdadeiro amor é feito de doação, sem cálculos e sem interesses. Quem ama, ama o próprio amor. “O amor não tem mais razoes que o próprio amor” (Santo Agostinho. In epist. Joan. 8,5).


Em muitos momentos não fomos capazes de ser misericordiosos para com o próximo. Naquele momento em que fomos tão duros, impiedosos, inflexíveis até tão cruéis, apagamos a imagem do Deus misericordioso de nossa vida. Com esta atitude esquecemos aquilo que São Paulo nos diz: “Sois uma carta de Cristo escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tabuas de pedra, mas em tabuas de carne, nos corações” (2Cor 3,3). O Espírito de Deus vivo deve ser manifestado muito claro e muito encarnado na nossa vida para que os outros, até os “analfabetos” na consigam lê-lo.


Reconhecer nossa debilidade é o melhor ponto de partida para a conversão, para a nossa volta aos caminhos de Deus de misericórdia. Quem se acha santo, não se converte. Quem se acha rico, não pede. Quem se acha saber de tudo, não pergunta. Será que reconhecemos pecadores? Será que somos capazes de pedir o perdoa do fundo de nosso ser?


Alem de reconhecer nossa debilidade, temos que aceitar outro passo que Jesus nos propõe hoje: ser misericordioso e perdoar os demais como o próprio Deus é misericordioso e perdoa nossos pecados. Perdoar significa crer na capacidade que nós seres humanos temos para começar de novo. O perdão não é uma simples trégua para fazer tolerável a vida sem uma nova criação que nos aproxima do plano de Deus. Nosso grande desafio é chegarmos a entender que precisamos viver toda a existência cristã na dinâmica do perdão que é a dinâmica do começo e do recomeço permanente.


Para refletir:

·        “O julgamento será sem misericórdia para aquele que não pratica a misericórdia. A misericórdia, porém desdenha o julgamento (Tg 2,13).


·        “A Igreja vive vida autêntica quando professa e proclama a misericórdia, o mais admirável atributo do Criador e do Redentor, e quando aproxima os homens das fontes da misericórdia do Salvador, das quais ela é depositária e dispensadora. Neste contexto, assumem grande significado a meditação constante da Palavra de Deus e, sobretudo, a participação consciente e refletida na Eucaristia e no sacramento da Penitência ou Reconciliação” (João Paulo II: Carta Encíclica: Dives In Misericórdia, 13c).


P. Vitus Gustama,svd

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Domingo,01/03/2015
TRANSFIGURAÇÃO:
VIVER UMA VIDA TRANSFIGURADA ESCUTANDO JESUS CRISTO, PALAVRA DO PAI


II DOMINGO DA QUARESMA ANO “B”


Textos: Gn 22,1-2.9-15; Rm 8,31-34; Mc 9,2-8

Evangelho: Mc 9,2-10


Naquele tempo, 2Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. 3Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. 4Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus. 5Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 6Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo. 7Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” 8E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles. 9Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. 10Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”.

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O texto do Evangelho deste Domingo pertence à segunda parte do Evangelho de Marcos que fala do mistério do Filho do Homem: revelação do sofrimento de Jesus. Esta segunda parte é formada por três grandes seções:


1). O Caminho do Filho do Homem (8,31-10,52) na qual Mc enfatiza claramente sua Teologia da Cruz. Fala-se nesta parte três anúncios da paixão de Jesus que sempre termina com o anúncio da ressurreição. Para Marcos imitar Jesus significa seguir seu caminho. A expressão “no caminho” ocorre como refrão nesta seção. Jesus e seus discípulos estão “no caminho” (cf. Mc 8,27), e no fim, quando estão perto de Jerusalém, Bartimeu, depois que voltou a enxergar, segue a Jesus “no caminho” (10,52). “No caminho” os discípulos discutem sobre quem será maior (9,33-34). Jesus continua a “retomar seu caminho” (Mc 10,17) e conduz seus discípulos “no caminho” rumo a Jerusalém (Mc 10,52).


2). Na segunda seção Jesus se encontra em Jerusalém (Mc 11,1-13,37). Nesta seção falam-se das discussões mais ou menos polêmicas entre Jesus e os círculos dirigentes de Jerusalém: sumos sacerdotes, escribas, fariseus herodianos, saduceus. Nesta seção Mc quer antecipar as motivações da condenação de Jesus. Esta seção termina com o discurso escatológico (Mc 13,1-37).


3). A terceira seção fala da paixão e ressurreição de Jesus (Mc 14,1-16,8).                                         

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O texto do evangelho lido e proclamado neste dia fala da transfiguração de Jesus. Os sinóticos (Mt 17,1-13; Mc 9,2-10; Lc 9,28-36) e 2Pd 1,17-18 relatam a cena da transfiguração para enfatizar sua importância na vida de Jesus.  A transfiguração é uma antecipação da ressurreição do Senhor Jesus que intenta levantar o ânimo dos discípulos, ratificando que o destino final não é a morte e sim a ressurreição. Por isso, em cada anúncio de sua Paixão (três anúncios), Jesus acrescenta esta frase: “... depois de três dias (o Filho do Homem) deve ressuscitar” (Mc 8,31; 9,31; 10,34). Por isso, um dos temas fundamentais que toma novo rumo no relato da transfiguração é o tema da morte e ressurreição. A morte deixa de ser o fim irremediável para o homem e a sombra do horror para começar a ser entendida como o transladar-se para onde Deus está, isto é, na plenitude. Por isso, desde então, a morte está intimamente ligada ao triunfo, e não pode ser entendida sem a luz da ressurreição.


1. Transfiguração Numa Montanha


A transfiguração acontece em uma alta montanha. A “montanha alta” simboliza o lugar de encontro do céu e da terra, lugar privilegiado para a revelação de Deus e a oração dos homens, recorda igualmente a revelação de Deus no Sinai (cf. Ex 19-20). A montanha, por ser um ponto elevado sobre a parte plana da terra, sempre foi considerada em todas as antigas religiões como um símbolo da “subida” do homem até Deus e como o sinal da manifestação ou epifania de Deus. Deus se manifesta no alto e o homem deve subir até Deus, abandonando uma vida medíocre, pois Deus está acima de nossos esquemas de viver.


Por isso, para o homem, subir a montanha significa superar-se a si mesmo, transcender-se, elevar-se um pouco mais além da rotina. Neste sentido, os textos bíblicos de hoje são um convite para a transcendência humana; transcendência que não será conseguida sem atravessar um caminho sinuoso, longo e escuro. No contexto da primeira leitura (Gn 22,1-18), a fé é subir até o pico mais alto da montanha de Deus para fazer ali o holocausto total de nós mesmos. A fé é o caminho da renúncia e da morte de nós mesmos para que Deus possa se manifestar através de nós. Somente com a morte de nós mesmos é que Deus pode anunciar e prometer uma vida nova para nós. Subir até Deus é morrer de nossos projetos pessoais, de tantos planos, esquemas e cálculos puramente humanos e pessoais para dar o lugar para os projetos de Deus. Certamente, nesta morte, Deus manifesta sua glória salvadora e sua eterna misericórdia.


Frases ou palavras como “o monte”, “os seis dias”, “os três acompanhantes”, “o esplendor”, “a visão” e “nuvem” recordam a Ex 24,9-18 (Moisés é chamado por Deus para subir a uma montanha). A expressão “depois de seis dias” equivale ao “sétimo dia”, isto é, um tempo de plenitude. Isto quer dizer que a transfiguração se converte em um momento de plenitude esperançadora no caminho para a dolorosa Jerusalém.


2. É Preciso Escutar Jesus Para Ser Salvo


Nessa transfiguração estão presentes Elias e Moisés. A presença de Moisés e de Elias, genuínos representantes da Lei e dos profetas (= AT) põe de manifesto que para o evangelista Mc, em Jesus se dá cumprimento total à lei e a profecia. Para Mc Jesus é o definitivo libertador de todo homem e mulher que assimilando sua causa, se deixa conduzir por ele para viver a plena liberdade de filhos de Deus (embora, muitas vezes, não saibamos lidar com nossa própria liberdade). 


Pedro, Tiago e João são testemunhas de alguns dos fatos mais importantes da vida de Jesus: a “ressurreição” da filha de Jairo (Mc 5,37), a transfiguração, a oração em Getsêmani (Mc 14,33). Os três apóstolos representam a Igreja, o novo Povo de Deus, o Povo que é interlocutor de Deus de Deus, que está em diálogo com Ele, que O escuta. Neles se expressa que a Igreja recebe do Pai, através dos apóstolos, a afirmação central da fé: o homem Jesus de Nazaré é o Filho de Deus. 


Um dos três apóstolos que é Pedro se extasia diante da luz da transfiguração. Ele sente como se estivesse no céu. Por isso, Pedro quer permanecer alí indefinidamente. Para isso, ele propõe a Jesus construir três tendas. É uma boa solução para seguir a Jesus sem ter que trilhar o difícil caminho para Jerusalém. Mas o evangelista Marcos comenta: “Pedro não sabia o que dizer”.


O relato é interrompido pela aparição de uma nuvem com uma voz que interpreta a transfiguração de Jesus e responde à reação de Pedro. A “nuvem” é sinal da presença de Deus (cf. Ex 40,35). A nuvem cobre com sua sombra Jesus e seus discípulos. E Deus fala da nuvem aos discípulos (cf. Ex 24,16), proclamando Jesus como seu Filho amado e convida os discípulos para que O escutem: “Este é o meu Filho amado, escutai-O!” O momento nos recorda o batismo de Jesus, mas com uma diferença. A voz não é dirigida mais exclusivamente a Jesus como no batismo (Mc 1,11), e sim aos discípulos. Um autêntico cristão é aquele que sabe escutar seu Mestre, Jesus Cristo, mesmo que suas palavras saiam da cruz e do sofrimento. Pedro é convidado pela Voz divina a voltar aos caminhos da vida para continuar no serviço do Reino de Deus.


Este é o meu Filho amado, escutai-O!”


No sentido lexical, a palavra “Escutar” significa tornar-se ou estar atento para ouvir, ou aplicar o ouvido com atenção para perceber ou ouvir (Aurélio).


Na Bíblia, a escuta é uma palavra–chave que caracteriza toda a tradição do povo hebraico. O povo foi formado pela escuta da Palavra de Deus. Por isso, o piedoso israelita, para se compenetrar da vontade de Deus, repete dia a dia esta frase: “Escutai, ó Israel”, conhecido como “Shemah” (Dt 6,4;Mc 12,29), que desde o fim do século I d. C não deixou de ser rezado de manhã e à tarde pelos judeus observantes. Por trás da palavra “Shemah”, que convida Israel a se colocar numa atitude de escuta, proclama-se solenemente a unidade de Deus que causa a união plena e total de Israel com o Senhor. Isto quer dizer que ao escutarmos Jesus, a Palavra do Pai, a unidade divina feita carne, criaremos a união plena com Deus e entre nós. Segundo o sentido hebraico a palavra “escutar” ou “acolher a Palavra de Deus” não é somente prestar-lhe ouvidos atentos, mas abrir-lhe o coração (At 16,14), pô-la em prática (Mt 7,24ss) e obedecer-lhe(Lc 1,38).  Essa obediência da fé é que a pregação ouvida exige. Como diz São Paulo: “A fé procede da audição e a audição da Palavra de Cristo” (Rm 10,14-17).O drama do homem, na verdade, consiste em não escutar a Deus e a Sua Palavra, não escutar os bons conselhos, não escutar as boas orientações. Deus diz no livro de Deuteronômio: “Eu, Deus, pedirei contas a quem não escutar as palavras de quem pronunciar em meu nome” (Dt 18,16.19). Por isso, Jesus declara feliz quem escuta a Palavra de Deus e a observa: “Felizes os que escutam a Palavra de Deus e a observa” (Lc 11,28), pois eles são comparados a um homem que construiu a casa sobre a rocha (cf. Mt 7,24).


A primeira leitura (Gn 22,1-18) nos apresenta Abraão como exemplo da escuta atenta. Na sua existência Deus ocupa o lugar absolutamente central. Para ele Deus é o valor máximo, a prioridade fundamental. Para ele nada mais conta quando estão em jogo os planos de Deus. Por isso, ele nos ensina a confiar em Deus mesmo quando tudo parece cair à nossa volta e quando os caminhos de Deus se revelam estranhos e incompreensíveis, pois Deus é fiel.


3. A Transfiguração É A Resposta De Deus Sobre O Futuro Do Homem


A transfiguração de Jesus é a resposta de Deus para os discípulos, desanimados diante do anúncio da paixão e morte de Jesus. Deus quer mostrar-lhes antecipadamente, ainda que seja só num momento rápido, a glória de Jesus Cristo e a futura glória dos que vivem fielmente segundo a vontade de Deus ainda que tenham que atravessar o caminho de sofrimento. Através da transfiguração de Jesus, Deus quer nos dizer que a vida plena e definitiva espera, no final do caminho, todos aqueles que, como Jesus, forem capazes de colocar a sua vida ao serviço dos irmãos.


A antecipação da ressurreição, através da transfiguração, para os discípulos será uma força para o caminho que têm que percorrer. A vida, por dura que possa ser (cruz, morte), será vivida em outra perspectiva: a ressurreição transfigura tudo. A morte não terá a última palavra sobre a vida do homem. A partir da experiência da transfiguração tudo pode ser graça apesar de ter uma aparência da cruz, pois Deus envolve tudo na sua misericórdia.


A glória de Jesus se manifesta nas suas vestes brancas e resplandecentes que eram símbolo da glória dos justos no céu (Dn 7,9) e na brancura deslumbrante que simboliza a glória da condição divina(cf. Mc 16,5). Isto quer nos dizer que o Deus de Jesus é Aquele que mostra logo no início a vitória final. Por isso, em cada anúncio da paixão e morte de Jesus acrescenta-se também o anúncio da ressurreição, a vitória garantida sobre a morte.  E a vitória garantida no fim anima qualquer um para lutar até o fim sem se cansar. A vitória garantida dá força para cada seguidor para lutar até o fim.


Podemos dizer que a transfiguração é o grito de Deus para não ficarmos desanimados na nossa vida, pois a lógica de Deus não nos conduz ao fracasso, mas à ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim. Cada um de nós precisa parar da agitação cotidiana para escutar esse grito de Deus.

P. Vitus Gustama,svd
28/02/2015
 
AMAR E PERDOAR A EXEMPLO DE JESUS

Sábado da I Semana da Quaresma

Textos: Dt 26,16-19; Mt 5,43-48
 

Mt 5,43-48

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43 Vós ouvistes o que foi dito: 'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!' 44 Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! 45 Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. 46 Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47 E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48 Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.'

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O texto do evangelho lido neste dia faz parte do Sermão da Montanha (Mt 5-7). Estamos na seção chamada de antíteses (Mt 5,21-48) conhecidas pelo uso da seguinte expressão: “Ouvistes... Porém eu vos digo...”.


Jesus continua analisando a lei antiga (“Ouvistes...”) e dá uma nova ênfase (“Porém eu vos digo...). Ele sabe que o único que pode salvar o ser humano é entender que se não se tem o perdão como ponto de partida, jamais se poderá alcançar uma convivência digna entre os seres humanos. Daqui sua grande preocupação pela busca desses valores que o Pai quer para a humanidade, valores que farão que o ser humano se aproxime da mesma perfeição de Deus (cf. Mt 5,48). Para aprender a amar verdadeiramente, o cristão tem que aprender a perdoar, pois perdão é a expressão máxima do amor. Perdão é o último testamento de Jesus Cristo da cruz para todos os cristão (cf. Lc 23,34).  


A palavra “perdão” provém do latim “per”: intensificação e “donare”: doar, dar. Assim o perdão é um ato de doação, tanto para aquele que o recebe como para aquele que o brinda. Ambos se enriquecem com o benefício da paz; ambos se libertam do cárcere que os aprisiona. Por isso, o perdão é seguir avançando; é amparo e encontro. O perdão revela a graça. O ato de perdoar é um ato da misericórdia de Deus que apaga os pecados (Am 7; Ex 32,12.14; Jr 26,19; Ez 36,29.33).


Quando a comunidade cristã primitiva chegou a compreender que Jesus queria a criação de uma sociedade universal, unida através do amor fraterno, foi capaz de romper todos os distanciamentos que histórica e culturalmente separavam os seres humanos. Para os discípulos nãolugar para distinções (cf. At 10,34). Eles que sofrem as perseguições (Mt 5,10-12) não podem deixar-se dominar pelo ódio. Segundo Jesus no lugar do ódio, o desejo do bem (amor, oração) deve ocupar o coração do cristão. Para isso o cristão tem que estar bem unido a Cristo. Sua força para perdoar está em Jesus Cristo que perdoa até os que O crucificaram: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Aqui Jesus intercede pelos inimigos apesar da maldade que os inimigos lhe causaram. Jesus não nega a culpa cometida pelos inimigos, mas busca uma solução não violenta. “Jesus viveria e morreria em vão, se não conseguisse nos ensinar a ordenarmos a nossa vida pela eterna lei do amor” (Mahatma Gandhi: GANDHI E A NÃO VIOLÊNCIA, p.50 Vozes, 1967).


Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos”.


Como é difícil amar os que destruíram ou acabaram com nossa vida ou nossa família, e ainda rezar por eles!? No nosso inconsciente, como seres humanos, sempre resta algum sentimento vingativo. Trata-se de um sentimento com o intuito de acabar com a vida dos que nos fizeram algum mal, mas, infelizmente, resulta em acabar com a nossa própria vida por causa do mesmo sentimento: “O ódio que se opõe ao ódio consegue apenas aumentar a superfície e também a profundeza do ódio” (Mahatma Gandhi). Repito: O ódio é igual a beber o veneno e espera-se que o outro morra. Mas aquele que bebe o veneno é que morre. Daí lança-se a pergunta: vale a pena seguir o mesmo caminho (violência, vingança)? Não se trata de acariciar a cabeça de quem pratica a violência. Trata-se de procurar alguma alternativa. Nisto percebemos que ser cristão é o grande desafio diariamente. Todo dia devemos renovar o nosso ser de cristãos ao contemplar permanentemente Jesus Cristo, o amor misericordioso de Deus feito homem.


As sociedades humanas ao longo da história foram construídas a partir do princípio de interesses de grupos determinados que excluam todos aqueles que são vistos como ameaça à existência própria de ditos grupos. A comunidade cristã se encontra também a cada passo com pessoas que ameaçam sua existência. O inimigo está no horizonte de sua existência e freqüentemente, esse inimigo pode ser qualificado de perseguidor. No entanto, para ela Jesus propõe uma nova lei que é a culminação de todas as contraposições mencionadas previamente. O “mandamento de amar” a todos deve converter-se em marca distintiva da comunidade de seguidores de Cristo, capaz de expressar sua originalidade na história humana, pois eles são filhos de Deus no Filho Jesus Cristo.  Ser filhos de Deus”, segundo Jesus, significa parecer-se a Ele ou com Ele no modo de fazer e de viver.


Por isso, as palavras de Jesus hoje são, na verdade, reveladoras: fazei o bem e orai. A fraternidade universal é a conseqüência de outra realidade essencial: a paternidade universal de Deus. O amor sem fronteiras que Deus nos pede é o que Ele mesmo vive,pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos”. Deus ama a todos os homens. Ama até aos que não O amam. Ele derrama seus benefícios, seu sol formoso e sua chuva sobre todos. Assim Jesus nos diz que quando deixamos de amar alguém significa que recusamos alguém que Deus ama. Aquele que consideramos como nosso inimigo é amado por Deus. Nosso ou meu inimigo é um filho de Deus. Não se trata de um formoso ideal humanista. Deus é a única referência. Amar aqui significa querer o bem do outro independente daquilo que o outro faz contra mim. Para fazer isso é preciso ter muita maturidade cristã e espiritual.


Amar as pessoas que nos amam, que se parecem a nós, é natural. Mas Deus nos pede mais. Deus nos pede que ampliemos nosso coração muito além do círculo de nossos amigos, de nossos parentes, de nosso âmbito. Isto será possível somente na medida em que todos os seres humanos chegarem a se amar e a se perdoar por ter consciência de que todos são os filhos e filhas do mesmo Pai celeste como rezamos diariamente o Pai Nosso (Mt 6,9-15). Se todos são filhos e filhas do Pai celeste, então, maltratar um ser humano é maltratar o Pai do céu, pois Deus também está no próximo (cf. Mt 25,40.45) e o próximo, como eu, é templo do Espírito Santo (cf. 1Cor 3,16-17).


"Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito", assim Jesus concluiu. A perfeição é o horizonte de nossa existência. Como horizonte ela não é alcançável, mas serve como guia para nossa existência diária. “O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte”. (Mahatma Gandhi).


Para pensar: As três coisas mais difíceis do mundo são: guardar um segredo, perdoar uma ofensa e aproveitar o tempo.” (Benjamin Franklin).

P. Vitus Gustama,svd

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

27/02/2015
 
RECONCILIAÇÃO E AMOR FRATERNO


Sexta-Feira da I Semana da Quaresma


Evangelho: Mt 5,20-26

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 20 Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus. 21 Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal'. 22 Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno. 23 Portanto, quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24 deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. então vai apresentar a tua oferta. 25 Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. 26 Em verdade eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo.

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Ser Melhor Cristão


O texto do evangelho deste dia faz parte do Sermão da Montanha (Mt 5-7). O cristão deve recordar que já não está no Sinai e sim na Montanha das Bem-aventuranças (Sermão da Montanha); que não é um seguidor de Moises e sim um discípulo de Jesus que deve viver no amor, com amor e por amor.


O texto do evangelho de hoje inicia com a confrontação entre a justiça dos escribas e dos fariseus e a justiça exigida para os cristãos: “Se a vossa justiça não for maior que a dos mestres da lei e dos fariseus, vós não entrareis no reino dos céus” (Mt 5,20). É um princípio ético fundamental de Jesus. Para Jesus não basta ser bom, mas tem que ser melhor. “O bom é inimigo do ótimo”, dizia São João Bosco. A justiça do Reino de Deus é o sinônimo de amor misericordioso, de solidariedade fraterna, de perdão reconciliador, de igualdade respeitosa, de empenho por construir a paz, e a recusa de toda forma de idolatria e de injustiça.


Através desta afirmação que serve de alerta para quem quiser ser cristão, Jesus quer desenvolver o sentido profundo da Lei cristã. Por isso, o olhar se detém primeiramente nos deveres sociais (Mt 5) para passar às obras religiosas (Mt 6).


A primeira das oposições concerne ao ensinamento do quinto mandamento: “Não matarás”. Jesus propõe uma interpretação mais exigente desta disposição que abarca não somente as ações ou os atos culpáveis nessa ordem, mas também a raiz de onde brotam essas ações ou esses atos: o sentimento e a interioridade do ser humano. A proibição do homicídio inclui na nova interpretação de Jesus a proibição de todo sentimento de ira e animosidade, maledicência, insulto, desprezo contra o irmão: “Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo; quem disser ao seu irmão: 'patife!' será condenado pelo tribunal; quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno”. Segundo Jesus a ira e as palavras ofensivas contra o irmão são equiparadas ao homicídio. Nas suas palavras Jesus enfatiza que a relação com o irmão adquire uma tal seriedade que com ela se chega a decidir o destino definitivo da pessoa humana diante de Deus: “Quem chamar o irmão de 'tolo' será condenado ao fogo do inferno”.


Segundo Jesus o mandamento de “não matar” somente ficará superado no momento em que se pensar num amor universal que leva a amar e a perdoar. Uma sociedade não se torna justa somente por não matar. Somente o amor sem medida, convertido em solidariedade e igualdade de direitos para todos pode formar uma sociedade justa. O que está mandado não é “não matar” e sim “amar”. O pecado não é somente o mal que fazemos e sim o bem que deixamos de fazer (pecado de omissão).


Ser Cristão Reconciliado     


Logo depois que apresentou a nova formulação da antiga lei, Jesus passa a expor sua concretização em forma de um caso para enfatizar até que ponto essa nova lei deve ser observada. Trata-se de uma explicitação que indica a radicalidade de sua aplicação com a ajuda de um exemplo (cf. Mt 5,23-26). O cristão que se aproxima do Senhor da Vida deve reconciliar-se primeiro com o irmão: “Quando tu estiveres levando a tua oferta para o altar, e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. então vai apresentar a tua oferta. Se há discórdia entre os homens, a relação com Deus se rompe. Como se Deus quisesse nos dizer: “Antes de ter relações corretas comigo, tenham primeiro entre vocês, homens, essas relações corretas”. Não somente quem ofendeu está obrigado a se reconciliar, mas também quem sofreu uma ofensa. Sublinha-se o caráter urgente deste dever diante do qual perde a importância de ter ou de não ter a razão no conflito. Cada um é chamado à superação de qualquer tipo de divisão comunitária que lhe afete.


Jesus chama os cristãos a fazerem uma passagem urgente: de uma prática religiosa formalista que põe ênfase sobre o cumprimento cultual (cumprir apenas preceitos) para a vivência do amor fraterno. O amor fraterno passa diante do culto. O primeiro de tudo e o mais essencial para cada cristão é o amor, pois “a caridade é a plenitude da lei” (Rm 13,10). Por isso, “Quanto mais tu amas, mais alto tu sobes” (Santo Agostinho).


Para Jesus a reconciliação é tarefa prioritária: a reconciliação está antes de qualquer culto a Deus, está antes que ir à missa, antes que rezar, porque o projeto de Deus sobre a humanidade é nada mais do que criar um mundo de irmãos onde todos podem chamar a Deus de Pai. É uma sociedade nova onde regem as relações humanas próprias do amor mútuo. Uma oferenda é agradável a Deus, se, quem a oferece, não guarda, em seu coração, ódio, nem rancor nem ressentimento contra o próximo. A oferenda a Deus seria inútil, se o coração do oferente fosse contaminado pela inimizade e o seu relacionamento com alguém estivesse rompido. Trata-se de uma exigência radical que escandalizam até os nossos sentimentos humanos.


Se houver discórdia entre os homens, a relação com Deu se rompe. Deus quer nos dizer: “Antes de ter relações corretas comigo, vocês devem tê-las entre vocês”. A caridade fraterna passa adiante do culto. A reconciliação é um princípio essencial de sobrevivência para as pessoas, as famílias, as profissões, as etnias de uma geração em geração.


Portanto, convém reconciliar-se, pôr-se de acordo, antes que chegue o momento do juízo definitivo de Deus. Não se esqueça: “O bom é inimigo do ótimo”. Somos chamados a ser melhores diariamente no amor fraterno para ser dignos do Reino de Deus e para sermos reconhecidos como seguidores de Jesus (Jo 13,35).


Todos nós somos pecadores e devemos ter consciência de pecadores. Ninguém pode olhar para o outro e dizer que o outro é mau. Se tivermos uma boa formação de nossa consciência e se trabalharmos seriamente na nossa sensibilidade, a consciência nos acusará como pecadores. O insensível carece de consciência e nisto consiste a ruína. Somente um santo é que capaz de se reconhecer pecador, pois ele está sempre frente a frente com o Deus santo.


Para viver a vida cristã e a fé cristã temos necessidade de viver da superabundância da misericórdia de Deus. E somente tendo acolhido essa misericórdia infinita do Pai é que poderemos, por nossa vez, perdoar nossos irmãos. Amar é perdoar. Guardar rancor contra alguém é privar-se da bênção divina. De fato, cada pessoa não tem senão um só coração e não saberá parti-lo em dois, sob o risco de vê-lo dilacerar-se e morrer. A unidade do coração repousa sobre essa dupla misericórdia. O nosso mundo morre por falta de misericórdia, pois o mundo está repleto de agressividade de todos os tipos. Não tenhamos medo de denunciar esse drama, inclusive o mesmo drama que tem dentro de nosso coração.
 
P. Vitus Gustama,svd