quarta-feira, 30 de setembro de 2015

ANJOS DA GUARDA

02 de Outubro

SER IRMÃO E FAZER-SE PEQUENO
 

Primeira Leitura: Êx 23,20-23

Assim diz o Senhor: 20“Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. 21Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde, porque não suportará as vossas transgressões, e nele está o meu nome. 22Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários. 23O meu anjo irá à tua frente e te conduzirá à terra dos amorreus, dos hititas, dos ferezeus, dos cananeus, dos heveus e dos jebuseus, e eu os exterminarei”.


Evangelho: Mt 18,1-5.10

Naquela hora, 1os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos céus?” 2Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles 3e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos céus. 4Quem se faz pequeno como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus. 5E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe. 10Não desprezeis nenhum desses pequeninos, pois eu vos digo que os seus anjos nos céus veem sem cessar a face do meu Pai que está nos céus”.

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SANTOS ANJOS DA GUARDA


Quem são os anjos? Santo Agostinho respondeu: “Anjo (mensageiro) é designação de encargo, não de natureza. Se perguntares pela designação da natureza, é um espirito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espirito por aquilo que é, enquanto é anjo por aquilo que faz”.


O que faz os anjos (encargo)? Eles são servidores e mensageiros de Deus. São aqueles que nos indicam o caminho do bem, o caminho de Deus. São aqueles que nos alertam quando estivermos para praticar a maldade. A missão dos anjos é amar, servir e dar gloria a Deus, ser seus mensageiros, cuidar e ajudar os homens. Eles estão constantemente na presença de Deus atentos a suas ordens. Pode-se dizer que são mediadores, custódios, protetores e ministros da justiça divina. Eles nos comunicam mensagens do Senhor importantes em determinadas circunstancias da vida. Em momentos de dificuldade, podemos pedir luz para tomar uma decisão, para solucionar um problema, atuar acertadamente, descobrir a verdade. Por exemplo, temos as aparições à Virgem Maria (Lc 1,26-38), a São José (Mt 1,18-25; 2,13-23), a Zacarias (Lc 1,11-22). Todos eles receberam mensagem dos anjos. Também os anjos apresentam nossas orações ao Senhor: “Quando tu oravas..., eu apresentava as tuas orações ao Senhor” (Tb 12,12-16). Além disso, os anjos nos animam a sermos bons: “Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa” (Lc 15,10).


No dia 02 de Outubro a Igreja celebra a festa dos Santo Anjos da Guarda. A missão dos anjos da guarda é acompanhar cada pessoa no caminho pela vida, cuidá-la na terra dos perigos, protege-la do mal e guia-la no difícil caminho para o Céu. Pode-se dizer que é um companheiro de viagem que sempre está ao lado de cada pessoa, no bons e nos maus momentos. Não se separa dela em nenhum momento. Está com ela enquanto trabalha, descansa, se diverte, reza, quando pede ajuda e quando nãos e pede ajuda. Não se afasta dela nem sequer quando perde a graça de Deus pelo pecado. Os anjos da guarda prestarão auxilio para cada pessoa enfrentar com ânimo as dificuldades da vida diária e as tentações que se apresentam na vida.


Para que a relação da pessoa com o anjo da guarda seja eficaz, cada pessoa necessita falar com ele, chama-lo, trata-lo como o amigo que é. Assim ele poderá converter-se num fiel e poderoso aliado nosso. Recordemos que os anjos os anjos não podem conhecer nossos pensamentos e desejos íntimos se nós não os expressamos, já que somente Deus conhece exatamente o que há dentro de nosso coração. Os anjos somente podem conhecer o que queremos, intuindo-o por nossas obras, palavras, gestos e assim por diante.


Por que se fala, especificamente de uns anjos que nos acompanham pessoalmente, que nos protegem na caminhada cotidiana?


Poderíamos responder, em primeiro lugar, que trata-se de símbolos para falar do amor providente de Deus que cuida de sua criatura para que esta chegue à sua plena realização quando houver colaboração da própria criatura ou das circunstâncias na quais se encontra. Era normal expressar, através de recursos literários provenientes de um contexto, as realidades misteriosas usando uma linguagem figurativa.


Em segundo lugar, os anjos são um reflexo misterioso do rosto de Deus e de sua bondade em nossa realidade. De fato, quando alguém nos trata bem, nos ajuda sem reservas etc. logo lhe dizemos: “Você é um anjo!”. Isto significa que a bondade de Deus se reflete naqueles que fazem o bem, chamados de mensageiros de Deus ou anjos de Deus no nosso dia a dia.


Em terceiro lugar, Os anjos da guarda nos revelam a presença transcendente de Deus em cada pessoa, especialmente nos mais pobres. O maior no Reino de Deus é a criança e quem se faz pequeno como criança, porque representa em forma paradigmática o despojamento de todo poder. O despojamento da soberba e da prepotência do poder é a condição para entrar no Reino de Deus. Alguém entra nele, quando descobre o poder de Deus: o poder de seu amor, o poder de sua Palavra e o poder de seu Espírito. Reino de Deus é Poder de amor de Deus. Esta presença de Deus nos mais pobres, que são os maiores no Reino, é o que dá aos pobres essa transcendência.


Cada pessoa, cada família, cada comunidade, cada povo, tem seu próprio anjo da guarda. O Livro de Êxodo ( cf. Ex 23, 20-23) nos ostra o Povo de Deus conduzido diretamente pelo anjo de Deus. O povo deve comportar-se bem na sua presença, escutar sua voz e não ficar rebelde. No anjo está o Nome de Deus. O Nome é o que Deus é. O anjo é essa presença de Deus no Povo de Deus.


Também cada um de nós deve descobrir nosso próprio anjo da guarda, sentir sua presença e escutar sua voz. Devemos viver conforme a esta presença transcendente em nós e refleti-la continuamente em nosso rosto. Para isso, é preciso ler, meditar e colocar em prática a Palavra de Deus. Estar em sintonia com a Palavra de Deus nos faz sensíveis para a presença de Deus na nossa vida cotidiana e nos torna conscientes de nossa tarefa como mensageiros de Deus na convivência com os demais.

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa me ilumina. Amém

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O texto do evangelho lido neste dia é escolhido em função da festa dos santos anjos da guarda. É tirado de Mt 18.


O capítulo 18 do evangelho de Mateus é o quarto dos cinco grandes discursos de Jesus neste evangelho. E este quarto discurso é conhecido como “discurso eclesiológico” (discurso sobre a Igreja) ou “discurso comunitário” onde se acentua a vida na fraternidade, isto é, cada membro da comunidade é considerado como irmão. Este capítulo (Mt 18,1-35) foi escrito para responder aos problemas internos das comunidades cristãs: Quem é o primeiro na comunidade? O que fazer se acontecem escândalos? E se um cristão se perde ou se afasta da comunidade, o que fazer? Como corrigir um irmão que erra? Quando é que uma oração pode ser chamada de comunitária e partilhada? E quantas vezes se deve perdoar?


Na comunidade de Mt (como também em qualquer comunidade cristã) cresce a ambição e se cultivam sonhos de grandeza dos membros que se acham mais importantes do resto. Há pouca consideração para com os pequenos, até são desconsiderados ou desprezados. Estes pequenos correm risco de se tornarem incrédulos e de afastar-se da atividade comunitária. Na comunidade de Mt suscitam também pecadores notórios, inclusive as ofensas  e os ressentimentos que abalam a convivência fraterna.


Nesse capítulo, são dadas diversas orientações e algumas normas que têm por objetivo desenvolver o amor e favorecer a harmonia entre os membros da comunidade. Para isso, Mt coloca em ordem o material transmitido pela tradição para regular as relações internas da comunidade. Contra os sonhos de grandeza e de orgulho, Mt coloca a atitude de humildade que agrada a Deus e aos outros (18,1-4). Para os pequenos, os fracos na fé, é necessário ter uma acolhida cheia de caridade e de desvelo (18,6-7). O desprezo é inadmissível para uma boa convivência. Para enfatizar mais este tema, Mt fala dos anjos que sempre estão do lado dos pequenos (18,10). Se um dos membros da comunidade afastar-se ou desviar-se do caminho reto, em vez de condená-lo, a comunidade toda deve esforçar-se para que esse irmão volte para a comunidade, pois Deus não quer que nenhum deles se perca (18,12-14). E para o irmão pecador, a comunidade inteira deve usar todos os meios para recuperá-lo (18,15-20). E para as ofensas, deve haver perdão, pois uma comunidade só pode sobreviver se existe o perdão mútuo (18,21-35).


Ser Irmão e Fazer-se Pequeno


“Quem é o maior no Reino dos céus?”. “Quem é o maior diante de Deus?”. “Quem vale mais diante de Deus?”. Assim inicia o quarto discurso de Jesus sobre a vida comunitária baseada na fraternidade. A pergunta é feita pelos discípulos para Jesus. Maior aqui significa proeminente, superior aos outros por força de uma qualidade ou de um poder.


Atrás desta pergunta se esconde a ambição ou a mania de grandeza dos discípulos. É a ambição de grandeza que pode ser encontrada em qualquer comunidade cristã. É admirável a ambição de alguém que deseja redimir sua humilde condição, valorizando todas as suas capacidades de inteligência e de luta, pois um dos sentidos lexicais da palavra ambição é anseio veemente de alcançar determinado objetivo, de obter sucesso; aspiração, pretensão. A ambição só se transformará em vício quando a afirmação de si mesmo for exagerada e os meios adotados para atingir a glória forem desonestos. Uma pessoa de alma nobre não sai à procura das honras, e sim do bem. Ao contrário, o ambicioso se sente totalmente envolto pela espiral da glória que o transforma em vítima da própria tirania. O ambicioso, quando dominado pelo vício, não suporta competidores, nem admite rivais. Quem desejar ser a todo o custo o primeiro, dificilmente se preocupar com ser justo. “A soberba gera a divisão. A caridade, a comunhão” (Santo Agostinho. Serm. 46,18).


Como resposta para a pergunta dos seus discípulos Jesus faz um gesto muito simbólico: Ele chamou uma criança e a colocou no meio dos discípulos. Ao ser colocada no meio de todos, a criança chamada se torna um centro de atenção de todos. Imaginamos que todos os olhares são dirigidos a essa criança e os ouvidos prontos para ouvir a palavra sábia do Mestre Jesus. “Em verdade vos digo, se não vos con­ver­terdes, e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno como esta criança, este é o maior no Reino dos Céus. E quem recebe em meu nome uma criança como esta é a mim que recebe”, disse Jesus aos discípulos (Mt 18,3-5). Ser criança: frescor, beleza, inocência, não se basta a si mesma!


Esta é a primeira regra da vida comunitária: cuidar dos pequenos e tratá-los como irmãos. E fazer-se pequeno. Fazer-se pequeno, como exigência para viver a vida comunitária, significa renunciar a toda ambição pessoal e a todo desejo de colocar-se acima dos demais para estar em destaque e para oprimir os demais. Fazer-se pequeno é uma forma de “renegar-se a si mesmo” para colocar a vontade de Deus acima de tudo. A grandeza do Reino consiste no serviço humilde e gratuito ao próximo, na solidariedade para com os necessitados, na partilha do que se tem para com os carentes do básico para viver dignamente como ser humano e no esforço para construir uma convivência mais fraterna. Trata-se de viver a espiritualidade familiar onde cada membro se preocupa com o outro membro e sua salvação. Vivendo desta maneira estaremos testemunhando para o mundo que estamos no Reino de Deus já neste mundo.

P. Vitus Gustama,svd
01/10/2015
SOMOS TODOS MISSIONÁRIOS DO SENHOR
 
FESTA DE SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS

Quinta-feira da XXVI Semana Comum

Evangelho: Lc 10,1-12


Naquele tempo, 1 o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos”. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3 Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa nem sacola nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7 Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8 Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9 curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’. 10 Mas, quando entrardes nu­ma cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11 ‘Até a poeira de vossa cidade que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!’ 12 Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade”.
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SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS E DA SAGRADA FACE
 
Santa Teresinha viveu uma vida que não foi fácil. Mas ela sabe aproveitar o que é sofrido para seu crescimento na santidade e no amor ao próximo, expressão de seu amor para Deus.

Nos primeiros anos de sua infância, Santa Teresinha era uma alegria só para sua família. A tristeza começou a invadir sua vida quando sua mãe morreu de câncer e Teresinha tinha apenas 4 anos de idade. Ela escolheu, então, Paulina, sua irmã, como sua “Segunda mãe”. Teresinha começou a se fechar sobre si mesma e sobre seu ambiente familiar. Mas recebeu uma boa formação de sua irmã, Paulina. Na procissão do Corpus Christi, em junho de 1878, aos 5 anos de idade, começou a se intensificar o seu amor à Eucaristia: ela gostava de jogar as pétalas de rosas na direção do ostensório durante a procissão. Quando tinha 9 anos de idade sua irmã, que é sua “segunda mãe” entrou no Carmelo de Lisieux. Teresa sofre com a perda de sua “segunda mãe”. Teresa começa a ter dores de cabeça, quase contínuas e sofre o desequilíbrio afetivo. Mas cura milagrosamente pelo sorriso da virgem Maria. Teresa assume, então, a Nossa Senhora  como Mãe ( aos 10 anos de idade). Aos 14 anos de idade, ela pede ao pai para ela entrar no Carmelo aos 15 anos de idade. Eles fazem, então, a viagem para Roma para pedir ao Papa Leão XIII para entrar no Carmelo com 15 anos. Foi aceito o pedido. Aos 15 anos Teresa começa uma das grandes purificações espirituais de sua vida. Aos 16 anos, estando no Carmelo, seu pai, Sr. Martin, tem uma crise de alucinação e é internado num hospício da cidade. Mas Teresa recebe uma graça de união à Santa Virgem Maria na ermida de Santa madalena. Aos 17 anos Teresa faz sua profissão religiosa e acrescenta “Sagrada Face” ao seu nome religioso e começou a ler as obras de São João da Cruz. Sua irmã, Paulina, foi eleita priora e Teresa é nomeada auxiliar da mestra de noviças aos 20 aos de idade. Quando Teresa tinha 21 anos de idade, seu pai morreu. Ela recebe sua irmã o caderno com citações bíblicas sobre “pequena via”. Aos 22 anos Teresa começa a ter as iluminações sobre Deus como Amor misericordioso. Um dos anos mais felizes de Teresa. No dia 30 de julho de 1897 recebeu a Unção dos Enfermos. E recebeu pela ultima vez a sagrada comunhão no dia 19 de agosto de 1897. E às 19h do dia 30 de setembro de 1897, aos 24 anos de idade, soltou o ultimo suspiro num êxtase de amor e partiu para junto do Deus de amor. Por isso ela escreveu: “Eu não morro, entro na vida”. Um ano antes de sua morte ela escreveu este poema:

“Divino Salvador, no fim de minha vida,
Vem me buscar, sem sombra de atraso.
Ah! Mostra-me a tua infinita ternura
E do teu divino olhar, a doçura.
Com amor, oh, que tua voz me chame,
Dizendo-me: Vem, tudo está perdoado.
Fica tranqüila, minha fiel esposa.
Vem ao meu coração; tu muito me amaste

Quando recebeu o retrato de Santa Teresinha de um bispo missionário, o Papa Pio X escreveu-lhe essa frase: “Ela é a maior santa dos tempos modernos”.  Ela é a maior santa porque sabe fazer-se pequena por amor de seu amado Jesus Cristo.  É um amor que busca agradar a Deus através da vivência em plenitude da vida cotidiana, procurando os seus sinais na cotidianidade da vida. É um amor que se manifesta na abertura aos irmãos e na delicadeza dos pequenos gestos no interior da comunidade

Depois que ela leu os capítulos 12 (que fala da Igreja como corpo composto por vários órgãos, no entanto trabalham em harmonia) e 13 da Primeira Carta de São Paulo aos corintians (que fala do amor sem o qual tudo se tornaria nada), ela escreveu ou comentou:

·        “Por fim, encontrei o descanso... A caridade me deu a chave da minha vocação. Se a Igreja possui um corpo composto de diferentes membros, não pode faltar o mais necessário, o mais excelente de todos os órgãos: penso que ela tem um coração e que este coração arde em chamas de amor. Vejo com clareza que somente o amor põe em movimento seus membros, porque, se o amor se apagasse, os apóstolos não anunciariam o Evangelho, os mártires recusariam derramar seu sangue... Compreendi que o amor abarca todas as vocações, que o amor é tudo, que o amor transcende todos os tempos e lugares porque é eterno...”.

·        “Compreendi que, sem o amor, todas as obras são nada, mesmo as mais brilhantes, como ressuscitar os mortos ou converter os povos. Um só ato de amor nos fará conhecer melhor Jesus. O amor nos aproximará dele durante toda a eternidade”.

        “Quanto a mim, não conheço outro meio para chegar à perfeição a não ser o amor. viver de amor é navegar sem cessar, semeando a paz, a alegria em todos os corações. Viver de amor é dar sem medida, banir todo temor, toda lembrança das faltas passadas. Façamos de nossa vida um sacrifício contínuo, um martírio de amor. Só o amor conta. O fogo do amor é mais santificante do que o fogo do purgatório. Eu não morro, entro na vida”.
 
Que Santa Teresinha interceda por nós para que possamos viver no amor e na simplicidade para que possamos alcançar o céu que é o próprio Deus de amor .
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Reflexão Sobre o Evangelho Do Dia

O evangelista Lucas, como Mateus, fala duas vezes sobre a missão. Logo se strata de um tema importante para a Igreja. No capítulo anterior do evangelho lido neste dia, lemos que a missão antes foi confiada aos Doze (Lc 9,1-6). Mas a obra de Jesus não está encerrada e não se restringe para um grupo pequeno. Realiza-se e expande-se através dos setenta (e dois). Com o número setenta (e dois) Lucas quer nos dizer que a missão não é apenas exercida por um pequeno grupo de pessoas, mas todos os que seguem a Jesus, todos os batizados têm a mesma missão de continuar a obra de Jesus. Todos os cristãos têm a mesma missão. Missão significa que alguém é enviado. Jesus envia todos os cristãos ao mundo para serem testemunhas de tudo o que Jesus fez e disse, especialmente de sua morte e ressurreição por amor à humanidade. Por isso, a missão dos discípulos tem como primeiro princípio ser testemunho do amor, do perdão, da justiça e da verdade, dentro e fora da comunidade.


São enviados como cordeiros entre os lobos. O lobo é o símbolo da violência e da arrogância, da vontade de dominar e de corromper os outros. O cordeiro simboliza a mansidão, a fraqueza, a fragilidade. O cordeiro só consegue se salvar da agressão do lobo se o pastor intervém na sua defesa. Os discípulos não podem contar com a força, o poder e a violência. Devem estar sempre desarmados. Para isso, é necessário que os discípulos estejam vigilantes para que eles não sejam conduzidos a cumprir as ações dos lobos como o abuso de poder, as agressões, as violências etc..  Jesus salvou o mundo, comportando-se como cordeiro, e não como lobo.


Ao enviar 70 (e dois) discípulos para a missão Jesus dá as seguintes  recomendações:


Primeiro, Deus quer que mudem as relações entre os seres humanos; que todos se vejam como iguais e se tratem como irmãos, pois todos são filhos e filhas do mesmo Pai do céu. Por isso, eles têm que viver como uma família, sem competições e sem ambições. O Reino não é tarefa para gente solitária. Por isso, Jesus envia os 70 (e dois) de dois em dois para que se ajudem, se confrontem e se complementem. Quando se compartilhar o que se tem, haverá sobra. Esta é a experiência do grupo de Jesus e daqueles que querem ser discípulos de Jesus.


Segundo, o Reino de Deus que eles anunciarão vai vencer o mal e a morte, porque o Reino de Deus vai ter a última palavra e não o mal. Por isso, o mal não tem futuro. Deus quer que todos tenham vida (Jo 10,10). Por isso, todos têm que optar pela vida e não pela morte eterna, e pelo bem e não pelo mal. A bondade é o único investimento que nunca falha, pois ela faz parte do mundo de Deus.


Terceiro, todos devem pôr toda sua confiança no Pai celeste, mas nos meios humanos. Isso é condição fundamental para quem quer colaborar com o Reino de Deus. É a pobreza no espírito. Essa pobreza no espírito lhes dará liberdade e será um testemunho maior do que mil palavras de que o Reino não se impõe pela força e sim que se oferece como amor e por isso, livre de todo poder. E devem aprender a reconstruir as relações de confiança formando uma comunidade de irmãos como o próprio Deus quer. Devemos abandonar nossos egoísmos, deixar a auto-suficiência e nos entregar nas mãos de Deus para que o Reino de Deus aconteça aqui e agora.


O fundamental que os discípulos devem ter em conta é que eles estão trabalhando na construção do Reino de Deus e não por seu próprio reino. Se cada um se preocupar em construir o próprio reino, haverá guerra permanente e disputa permanente, pois cada um quer defender o próprio reino e não o Reino de Deus. Quem tem consciência de que trabalha pelo Reino de Deus, também acredita na providência divina. Quem acredita somente na própria força e técnica, um dia vai se cansar quando as próprias forças se esgotarem. As ovelhas são do Senhor, temos tarefa de apascentá-los. A vinha é do Senhor, somos apenas colaboradores para essa vinha.


O envio dos 70 (e dois) tem, então, como horizonte fundamental o Reino de Deus. Este constitui o conteúdo de toda pregação cristã e o horizonte que jamais devemos perder de vista quando referimos à ação da Igreja no mundo. A Igreja existe em função do Reino. A Igreja existe a serviço do Reino de Deus. A Igreja não é o Reino de Deus.


A missão serve tanto para formar missionários como para despertar os que são visitados para serem também missionários. Todos são enviados para fazer missão e para tornar o outro missionário.


É bom cada um perguntar-se: “O que é que tenho contribuído na missão do Reino de Deus? O que é que tenho feito até agora na evangelização? Qual é o lugar da Palavra de Deus na minha vida? Será que faço parte daqueles que criticam muito, mas nada colaboram?”.

 

Para Refletir:


·        “A Igreja é chamada a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino-americanas e mundiais. Ela não pode fechar-se frente àqueles que só vêem confusão, perigos e ameaças ou àqueles que pretendem cobrir a variedade e complexidade das situações com uma capa de ideologias gastas ou de agressões irresponsáveis. Trata-se de confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho arraigada em nossa história, a partir de um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, que desperte discípulos e missionários. Isso não depende tanto de grandes programas e estruturas, mas de homens e mulheres novos que encarnem essa tradição e novidade, como discípulos de Jesus Cristo e missionários de seu Reino, protagonistas de uma vida nova para uma América Latina que deseja reconhecer-se com a luz e a força do Espírito” (Documento Aparecida da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, no. 11).

·        “Cada comunidade é interpelada e convidada a assumir o mandato, confiado por Jesus aos Apóstolos, de ser suas «testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (At 1, 8); e isso, não como um aspecto secundário da vida cristã, mas um aspecto essencial: todos somos enviados pelas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos arautos do seu Evangelho. Convido os bispos, os presbíteros, os conselhos presbiterais e pastorais, cada pessoa e grupo responsável na Igreja a porem em relevo a dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio compromisso apostólico não é completo, se não incluir o propósito de «dar também testemunho perante as nações», perante todos os povos. Mas a missionariedade não é apenas uma dimensão programática na vida cristã; é também uma dimensão paradigmática, que diz respeito a todos os aspectos da vida cristã (Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões de 2013).

P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

30/09/2015
SEGUIR JESUS INCONDICIONALMENTE PARA ALCANÇAR A PLENITUDE

Quarta-feira Da XXVI Semana Comum
FESTA DE SÃO JERÔNIMO

Evangelho: Lc 9,57-62

57 Enquanto caminhavam, um homem disse a Jesus: "Senhor, seguir-te-ei para onde quer que vás". 58 Jesus replicou-lhe: "As raposas têm covas e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça".59 A outro disse: "Segue-me". Mas ele pediu: "Senhor, permite-me ir primeiro enterrar meu pai". 60 Mas Jesus disse-lhe: "Deixa que os mortos enterrem seus mortos; tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus". 61 Um outro ainda lhe falou: "Senhor, seguir-te-ei, mas permite primeiro que me despeça dos que estão em casa". 62 Mas Jesus disse-lhe: "Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus".
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O texto do evangelho deste dia faz parte da seção chamada Liçoes do Caminho. Jesus está no caminho para Jerusalém onde ele será crucificado, morto e ressuscitado. Neste caminho Jesus vai dando suas ultimas lições para seus discípulos.


1. Um homem se aproxima de Jesus e diz: “Eu Te seguirei para onde quer que Tu vás”. Este homem se crê forte, sólido, generoso e cheio de entusiasmo.


Mas para seguir Jesus não basta o entusiasmo, muito menos se acha forte e sólido. O ser humano é uma criatura limitada. Seguir Jesus é ser participe de seu destino. É estar disponível para viver na insegurança: “O Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça!”. A vida de Jesus é uma entrega total ao plano de Deus. Ele está sempre pronto para cumprir a vontade de Deus para a salvação do homem.


O discípulo não pode programar a própria vida segundo critérios de exigências pessoais ou de comodidade individual. Sua vida não pode estar amarrada pelas estruturas ou possessões materiais, se quiser ser realmente seguidor de Jesus.


2. O outro é Jesus quem o convida ou chama: “Segue-me!”. Mas este responde: “Deixa-me enterrar, primeiro, meu Pai”. Mas Jesus lhe respondeu: “Deixa que os mortos enterrem seus mortos”. Trata-se de uma afirmação provocativa.


Em Israel enterrar os mortos é uma obrigação sagrada e é um ato natural em todas as civilizações. O que significa, então, a afirmação de Jesus? Esta afirmação significa uma ruptura com o passado, com as estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais que geram a morte. É necessário que o seguidor de Jesus lute pela vida sem sacrificar a vida do outro em nome do interesse econômico ou político. Os “mortos” aqui são os hábitos, costumes e culturas que não salvam ou não constroem. O seguidor de Jesus sé tem uma coisa a fazer: Anunciar o Reino de Deus que consiste em fazer somente o bem. Fazer o bem não admite demora. Ou você faz o bem ou nunca mais o faz. Cada bem é um bem.


3. O terceiro homem se convida como o primeiro: “Eu Te seguirei, mas vou despedir-me, primeiro de meus familiares”. Para este Jesus responde: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”.


Para ser seguidor de Jesus é preciso olhar para frente e não se pode tirar o olhar da meta que é a salvação eterna. Nada de vacilações. Não valem para o Reino de Deus os que dão importância ao que deixam. Somente valem os que enchem sua alma com serviço de entrega total para o bem comum sem esperar recompensa humana.


Em resumo, no evangelho deste dia Jesus põe outras três exigências. O primeiro diálogo sugere que o discípulo deve despojar-se das preocupações materiais exageradamente: para o discípulo, o Reino tem de ser infinitamente mais importante do que as comodidades e o bem-estar material. O segundo diálogo sugere que o discípulo deve despegar-se dos deveres e obrigações que, apesar da sua relativa importância impedem uma resposta imediata e radical ao Reino. O terceiro diálogo sugere que o discípulo deve despegar-se de tudo para fazer do Reino a sua prioridade fundamental. Em outras palavras, seguir Jesus exige disponibilidade, radicalidade de entrega e coerência. Quem quiser seguir Jesus, não pode deter-se a pensar nas vantagens ou desvantagens materiais que isso lhe traz, nem nos interesses que deixou para trás, nem nas pessoas a quem tem de dizer adeus.


Muitas vezes temos tentação de estar dispostos a seguir a Jesus apenas durante umas horas de nossa vida, ou em uns aspectos de nossa vida. Muitas vezes temos tentação de colocar condições a Jesus para segui-Lo, apresentando supostamente boas desculpas, como narra o evangelho de hoje: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai” ou “Deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”.  O que dizemos parece sensato, mas na verdade é um modo de não aceitar a radicalidade da exigência que nos arrancaria de nossa mediocridade. Não se pode perder o tempo em enterrar tantos mortos que estão dentro de nós mesmos e que nos aprisionam sutilmente: valores mundanos, práticas religiosas sem compromisso e assim por diante. Tudo isto tem que morrer em nós para que possa surgir o espírito de liberdade e de vida nova. Jesus não anula o que tem de bom e de verdadeiro no nosso passado ou do nosso passado, mas nos exige que aprendamos a olhar a vida a partir de um critério absoluto.


“Segue-me” é o convite de Jesus hoje para cada um de nós. Vamos nos fazendo cristãos na medida em que nos atrevermos a seguir a Jesus. Vamos nos abrindo ao Espírito de Jesus para viver como ele viveu e passar por onde ele passou.  O cristão não é somente aquele que evita o mal e sim aquele que luta contra o mal e a injustiça como fez Jesus. O cristão não é somente aquele que faz o bem e sim aquele que luta por um mundo melhor adotando a postura de Jesus e tomando suas mesmas opções. “Segue-me” é o convite de Jesus para caminhar, para avançar e não para ficar parado e paralisado. Pessoas que tem coragem de caminhar são pessoas que fazem a diferença. “Pessoas que fazem diferença não desistem antes de começar, não dão moradia ao desânimo. Pessoas que fazem a diferença sabem que os problemas são relativos, transformam fracassos em aprendizados. Pessoas que fazem a diferença não se deixam amedrontar, alimentam sonhos possíveis. Pessoas que fazem a diferença começam cada dia com convicção, confiam que a vitória é dos persistentes no amor” (Canísio Mayer). “Não é porque certas coisas são difíceis que nós não ousamos; é justamente porque não ousamos que tais coisas são difíceis”, dizia Sêneca.

P. Vitus Gustama,svd
ARCANJOS, 29 de Setembro
 
ARCANJOS: MIGUEL, GABRIEL E RAFAEL

29 de Setembro


Evangelho: Jo 1, 47-51

Naquele tempo, 47 Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48 Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49 Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. 50 Jesus disse: “Tu crês porque te disse: “Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!” 51 E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.
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No evangelho lido neste dia Jesus descreve Natanael como modelo de israelita: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fraude” (Jo 1,47). Natanael representa precisamente Israel eleito que conservou a fidelidade a Deus. E Jesus renova a eleição.


Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas de baixo da figueira”, disse Jesus a Natanael. A menção da figueira alude ao Livro do profeta Oseías 9,10: “Encontrei Israel como cachos de uvas no deserto; vi os vossos pais como os primeiros frutos da figueira”.


Natanael reage com entusiasmo e diz a Jesus: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. Natanael chama Jesus de “Rabi”, isto é, Mestre fiel à tradição e “Rei”, interpretado como rei de Israel, o Ungido, o prometido sucessor de Davi (Sl 2,26s; 2Sam 7,14; Sl 89,4s.27) que restaurará a grandeza do povo.


Diante da reação de Natanael Jesus disse aos discípulos: “Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem” (Jo 1,51). A obra do Messias não se limita à eleição de Israel (figueira). Jesus faz a primeira declaração sobre si mesmo e alude à visão de Jacó em Betel (Gn 28,11-27) fazendo uma promessa (“vereis”): a comunicação permanente com Deus em Jesus (“o céu aberto”). A promessa se realizará na cruz na qual a glória ou o amor brilhará (cf. Jo 19,34).


Em verdade, em verdade vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”, disse Jesus (Jo 1,51).

Neste dia celebramos a festa dos Arcanjos: Miguel, Gabriel e Rafael. Arcanjos significa anjos principais. Como que chefe dos anjos.


Na Bíblia se evita apresentar Deus atuando em forma direta na história, pois isto ameaçaria a transcendência de Deus. Por isso, aparece um anjo (=mensageiro) que na verdade é Deus mesmo que atua na história. E a história não é somente o que se vê e se toca. Há uma dimensão transcendente, oculta e invisível da história. A revelação é um desocultamento dessa realidade, que é o fundamento de nossa esperança. Os anjos (mensageiros) são os que nos recordam e os que nos fazem visível essa dimensão transcendente. Por isso, o mundo dos anjos não é outro mundo e sim a dimensão transcendente de nossa história. Crer nos anjos significa crer na presença transcendente de Deus na história. Atrás de cada pessoa e de cada sucesso libertador há sempre um anjo, isto é, há sempre uma realidade divina transcendente.


Os Arcanjos: Miguel, Gabriel e Rafael são símbolos dessa comunicação entre Deus e os homens, um Deus que em Jesus infunde força (Gabriel significa Deus é forte), cura (Rafael significa Deus cura) e se mostra totalmente diferente (Miguel significa quem como Deus?), como Pai de todos.


1. São Miguel: Em hebraico “Mikhá-El” significa “Quem (milá) é como Deus?” (El), ou  “Ninguém é como Deus”.


Na bíblia ele é mencionado somente no Livro de Daniel (Antigo Testamento), em Epístola de Judas (Jd 9) e em Apocalipse. No AT o nome encontra-se apenas em Dn 10,13.21;12,1 onde Miguel é chamado “um dos primeiros príncipes” e “o grande príncipe” representante e defensor de Israel na sua luta para defender sua fé em Deus. Miguel é concebido como um espírito celeste que vela pelos judeus. Em Ap 12,7 Miguel é o chefe dos Anjos na batalha contra o Dragão e seus anjos. Na liturgia cristã, Miguel é o protetor da Igreja e o Anjo que acompanha as almas dos mortos ao céu.


Miguel sempre foi considerado como o Anjo que luta por nós. Ele derrota o Dragão. É corajoso lutador de Deus. Por isso, Miguel não é nenhum anjo bonitinho, e sim um Anjo de muita força. E esta força de Deus envia a cada pessoa para que não seja vencida pelos poderes deste mundo. Ao nosso lado está um anjo que luta por nós. Ele nos defende quando pessoas lutam contra nós na vivência dos valores. A Igreja católica sempre tem uma grande devoção ao Arcanjo São Miguel, especialmente para pedir-lhe que nos livre dos ataques dos inimigos (demônio/satanás) e dos espíritos infernais. E quando o invocarmos, ele vem nos defender com o grande poder que Deus lhe concedeu.


A veneração ao São Miguel é o maior remédio contra a rebeldia e a desobediência aos mandamentos de Deus, contra o ateísmo, contra o ceticismo e a infidelidade” (São Francisco de Sales). Precisamente, estes vícios são muito evidentes em nosso tempo atual. O ateísmo e a falta de fé ou ceticismo inflitraram todos os setores da sociedade humana. Com a ajuda de São Miguel nos manteremos fieis à nossa fé. Nossa missão é confessar nossa fé com valentia e gozo, fé que se traduz no amor fraterno, pois todos nós somos irmãos do Pai comum que está no céu. Que, como o Arcanjo Miguel que serve Deus sem cessar, possamos dizer: “ Dai-me a única ambição para Vos servir e servir o próximo!”. Nós cristãos, a exemplo do Arcanjo Miguel, que sejamos força e suporte para os outros.


2. São Gabriel : Em hebraico “Gabri-El” significa “homem de Deus” ou “Deus é forte”, “Deus é meu protetor” ou Homem forte (geber) de Deus (El) ou herói, homem de Deus; força de Deus; o enviado de Deus.


“Gabriel” é nome próprio de um anjo, não arcanjo. Só na literatura posterior é chamado arcanjo. Gabriel sempre se apresenta como portador de notícias da graça de Deus.


No AT ele aparece pela primeira vez em Dn, explicando a Daniel a visão do carneiro e do bode (Dn 8,16-26), e o sentido dos setenta anos de Jr 25,11;29,10 (Dn 9,21-27). No NT Gabriel aparece a Zacarias, anunciando-lhe o nascimento de João Batista (Lc 1,11-20). Ele chama-se a si mesmo Gabriel, que está diante da face de Deus (cf. Tb 12,15). Ele é quem leva a Boa Nova a Maria na Anunciação do nascimento de nosso Salvador (Lc 1,26-38). A figura de Gabriel é a de embaixador de Deus. A mais alegre de todas as mensagens que Gabriel é encarregado por Deus para transmitir é a Encarnação do Filho de Deus. Na chegada da plenitude dos tempos é Gabriel quem comunica à Nossa Senhora, em nome de Deus, o Deus-conosco em Jesus Cristo. As palavras deste Arcanjo para Maria se torna nossa oração: “Ave Maria cheia de graça, o Senhor é contigo” que é completada com a aclamação de Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres e é bendito o fruto do teu ventre...”.


Como aconteceu com Daniel, Gabriel nos interpreta as nossas visões. Ele nos faz compreender o que já intuímos em nosso coração. Mas precisamos compreender também o que Deus deseja operar em nós. Gabriel nos faz compreender o que Deus realiza em nós.


Nossa tarefa ou missão de cada dia, a exemplo do Arcanjo Gabriel é torna-nos boa notícia para os outros e transmitir o que alegra e dignifica os outros.


3. São Rafael: Em hebraico “Repha-El” significa “Deus (El) que cura/sara (repha) ou Medicina (repha) de Deus (El).


Segundo o livro de Tobias (Tb 12,15) Rafael é um dos sete anjos ou arcanjos que estão diante do Senhor. Ele desempenha papel importante na história de Tobias. Rafael é o companheiro de viagem (Tb 5-6), aquele que cura (Tb 6; 11,1-15), aquele que expulsa demônios (Tb 6,15-17;8,1-13). É um dos sete anjos que oferecem as orações do povo de Deus e são admitidos na presença do Senhor (Tb 12,15). Peçamos a ele que cure nossas doenças e males que fazem ninhos em nosso coração.


Rafael não é somente o Anjo que cura as feridas nossas ou aquele que expulsa os demônios ou o companheiro, mas também é o Anjo que possibilita as relações sadias. Através de Rafael Tobias torna-se capaz de amar sua mulher sem ser morto por ela. Ele aprende a amar seu pai sem ser determinado por ele.


Tudo isso quer nos dizer que Deus está sempre ao nosso lado. Ele é providente para quem se abre a ele. Deus nunca abandona os seus nesta terra (Mt 28,20) desde que sejamos fiéis a Ele eternamente. E somos chamados a ser “anjos” para os outros, isto é, ser mensageiros de Deus que leva somente coisas boas (evangelizar).


Que nossas palavras de cada dia curem a vida de tantas pessoas que necessitam nossa ajuda. Que nossas palavras tenham força para que as pessoas se aproximem de Deus e dos irmãos, seus próximos. O Arcanjo Rafael interceda por nós!


A existência dos Arcanjos ou simplesmente dos anjos e sua proximidade e companhia na nossa vida cotidiana nos faz pedirmos com a Igreja o auxilio dos Arcanjos: “Ó Deus, que organizais de modo admirável o serviço dos anjos e dos homens, fazei que sejamos protegidos na terra por aqueles que vos servem no céu”. Que assim seja! (Oração do dia/Coleta).
 
P. Vitus Gustama,svd