quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

05/01/2016
COMPADECER-SE É VESTIR-SE DOS “SENTIMENTOS” DE  DEUS
         
Terça-Feira Após a Epifania

Primeira Leitura: 1Jo 4,7-10

Caríssimos: 7 amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. 8 Quem não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor. 9 Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. 10 Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados.

Evangelho: Mc 6,34-44

Naquele tempo, 34 Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas. 35 Quando estava ficando tarde, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e é tarde. 36 Despede o povo para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar alguma coisa para comer”. 37 Mas Jesus respondeu: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Os discípulos perguntaram: “Queres que gastemos duzentos denários para comprar pão e dar-lhes de comer?” 38 Jesus perguntou: “Quantos pães tendes? Ide ver”. Eles foram e responderam: “Cinco pães e dois peixes”. 39 Então Jesus mandou que todos se sentassem na grama verde, formando grupos. 40 E todos se sentaram, formando grupos de cem e de cinqüenta pessoas. 41 Depois Jesus pegou os cinco pães e dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos também os dois peixes. 42 Todos comeram, ficaram satisfeitos, 43 e recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes. 44 O número dos que comeram os pães era de cinco mil homens.
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Com esta passagem o evangelista Marcos inaugura uma nova seção de seu evangelho. Nesta seção Marcos unifica tudo em torno do tema sobre o pão:
·       Das multiplicações dos pães (Mc 6,30-44; 8,1-10),
·       Discussão sobre o sentido das abluções antes de comer o pão e sobre o falso fermento (Mc 7,1-23; 8,11-20),
·       Discussão com uma pagã em torno das migalhas de pão que solicita (Mc 7,24-30).
Por isso essa seção é chamada de “seção dos pães”.

A alimentação da multidão (multiplicação de pães) é o único milagre narrado em todos os quatro evangelhos (Mt 14,13-21; Mc 6,32-44; Lc 9,10-17; Jo 6,1-15), e o único narrado duas vezes (em duas versões variantes) em Mc (Mc 8,1-10) e em Mt (Mt 15,29-39). Obviamente o relato da multiplicação tem sua alusão a Ex 16, história do maná no deserto (aqui se diz no lugar deserto) e a 2Rs 4,42-44, Eliseu alimentou 100 pessoas com 20 pães e ainda sobraram.

Compadecer-se Significa Vestir-se Dos “Sentimentos” de Deus
          
O evangelista nos relatou queJesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão porque eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6,34). Ninguém escapa do olhar de Jesus: “Jesus viu uma numerosa multidão”. O olhar de Jesus é penetrante: Jesus “teve compaixão porque eram como ovelhas sem pastor”. Jesus olha ou tudo atentamente e amorosamente. Um olhar atento leva Jesus a uma ação concreta diante da pessoa que Ele olha ou . Jesus anda atentamente e olha amorosamente. A atenção é uma das expressões do amor profundo.

Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão porque eram como ovelhas sem pastor”. Aqui Jesus revela a “misericórdia”, o “amor”, a “fidelidade” de Deus (as três palavras se resumem densamente numa palavra só: compadecer-se). Jesus se apresenta e se revela como o Pastor prometido que vem reunir as ovelhas (unir, reunir= salvar). Deus não abandona seu povo nas suas lutas de cada dia. Deus sempre se compadece. Deus sempre olha para Seu povo.

A compaixão é uma atitude primordial de Deus. Por isso, quando se fala da compaixão, não se trata de um vago sentimento de comoção. O verbo usado nos Evangelhos (compadecer-se) é muito forte e quer dizer sentir-se perturbado nas entranhas. A compaixão, por isso, nos pede que vamos até onde existem feridas, que entremos em lugares onde existe o sofrimento, que compartilhemos os desânimos, os temores, as angústias dos nossos próximos, de nossos irmãos. No Evangelho este verbo é usado exclusivamente em relação a Jesus ou a Deus. Por isso, quem tem compaixão, ele está em sintonia com Deus e está com Deus.
          
Esta profunda compaixão diante das necessidades dos nossos semelhantes é a primeira condição para nos sentirmos motivados para a ação. Quem permanece impassível, quem não alimenta os sentimentos de Cristo, muito dificilmente será induzido a fazer qualquer coisa pelo bem dos próximos. Por isso, quando der alguma ajuda, ele dá somente para obedecer a alguma imposição externa, a uma convenção social, e não por uma premente necessidade interior.

Partilha Contra Egoísmo
          
Os discípulos têm pena da multidão que está com fome, por um lado. Mas por outro lado, eles reconhecem a incapacidade de saciá-la com cinco pães apenas. Como resolver o problema? Eles aproximam-se de Jesus não para perguntar-lhe que planos tem, mas para oferecer-lhe uma “solução”: “Despede o povo, para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar alguma coisa para comer ”(Mc 6,36). A solução oferecida pelos discípulos, então, é despedir para comprar. Em outras palavras, cada um tem que prover para si mesmo, por meio de dinheiro. Mas vem a pergunta: “Será que todo este povo tem dinheiro?”
          
Comprar e vender (pães) supõem orientar as relações sociais pelas leis da economia, onde impera a concentração de bens e a exploração; supõem submeter-se às leis econômicas que mantém essa multidão na miséria. Sabemos que onde há concentração de bens e alimentos, lá há sempre fome e miséria. Neste contexto, quem tem dinheiro, tem direito de comer; quem não o tem, torna-se vítima da fome. O que tem por trás disso é o egoísmo. E as pessoas contaminadas pelo egoísmo acabam virando as costas para o seu próximo em dificuldade.
          
A atitude que Jesus tem com a multidão faminta do pão e da palavra contrasta com a sugestão dos discípulos. A “comprar” Jesus opõe “dar” e ”repartir”: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,37). Os discípulos só têm cinco pães e dois peixes. Cinco pães e dois peixes somam sete, o número que indica a totalidade. Aparentemente há pouco pão (cinco pães) para saciar tanta gente (mais de cinco mil pessoas). Somente aparentemente há pouco pão! Porque se cada ser humano tivesse amor e justiça, o pão não faltaria para ninguém. Se cada um tirasse um pouco de bom dentro de si, ninguém viveria na miséria. Para Jesus, o eterno problema da vida não é a falta do pão, e sim as causas que geram a falta do mesmo na mesa da grande maioria. O que se revela, além disso, não é a ausência do pão, e sim a presença do egoísmo, do individualismo, da ganância e da total ausência do amor fraterno. Mas no fim da vida todos ficam sem nada materialmente, pois o homem somente tem o direito de usar e não de possuir. Nossa relação com as coisas não é de propriedade e sim de uso. Este direito cessará no dia em que partirmos deste mundo.

Aquele Que Ama é Uma Parcela de Deus que é Amor
          
“Dar” ou “repartir” os pães comporta uma dinâmica diferente, comporta o amor fraterno, comporta a compaixão, comporta a solidariedade, comporta a partilha que é a alma de todo projeto de Jesus. Jesus não nos revela os “truques” dos milagres, mas nos ensina a fazer bem tudo que não é milagre: pôr em comum o que temos e reparti-lo entre os irmãos, especialmente os necessitados do básico da vida. E tudo parte do amor ao semelhante cuja penúria ou miséria torna-se um apelo para a solidariedade e a partilha. Quem possui algo para comer, deixa-se tocar por quem não o tem e abre mão, generosamente, do que lhe pertence para saciar a fome do próximo. Esta atitude funda-se na pura gratuidade e exclui qualquer desejo de recompensa. Nessa direção é que os cristãos, todos nós, devem caminhar: partilhar, partilhar e partilhar, pois a partilha é a alma de todo projeto de Jesus Cristo. Trata-se de vivenciar o amor fraterno.

Por isso, o apelo que o autor da primeira Carta de João nos faz é atual: “Caríssimos: amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus” (1Jo 4,7). “Amemo-nos uns aos outros!”. Trata-se de um programa para todos os que acreditam em Deus e para aqueles que têm boa vontade. É todo um programa para nossas famílias, nossos ambientes de vida, nosso trabalho, nossa comunidade, nossa Igreja, nossa sociedade e assim por diante. É todo um programa para a humanidade que Deus ama primeiro.

Precisamos colocar em prática este “Amemo-nos uns aos outros!”, porque não somente acreditamos em Deus, e sim em Deus de amor: “Caríssimos: amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Quem não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor” (1Jo 4,7-8). “Deus é amor”. É um texto de insondável profundidade. Há que escutá-lo em silencio, repeti-lo, tratá-lo com palavras nossas e vivê-lo na vida cotidiana. Aquele que ama é como uma parcela de Deus, uma parte do Amor, porque Deus é amor.

Todo ato de amor vem de Deus, tem sua fonte e origem no coração de Deus. Por isso, Deus pode ser contemplado em:
·        O amor de uma mãe que ama seu filhinho e de um filho que ama seus pais.
·        O amor de um prometido a sua prometida, de um esposo para sua esposa.
·        O amor de um homem que se desvela por seus companheiros de trabalho.
·        O amor de um pastor para seu rebanho. E assim por diante.
          
Se a partilha e a compaixão são a atitude primordial e a expressão do amor de Deus, portanto repartir o pão significa prolongar a generosidade de Deus- criador: Ele criou tudo por amor e gratuitamente sem nenhum mérito de um ser humano.; significa que vivenciamos a nossa fé no Deus de amor (cf. 1Jo 4,8.16); significa Deus está em nós e nós permanecemos em Deus.

Lutar pelo alimento é o mais elementar dos deveres dos homens. O pão é o símbolo de toda a alimentação. Com o milagre do Evangelho de hoje Jesus abre os nossos olhos para os compromissos que a eucaristia traz: somos responsáveis pela fome e a miséria dos nossos próximos. Somos responsáveis pela crença ou pelo ateísmo nos outros. Se Deus não se vê no mundo é porque não se vê mais na vida dos cristãos. Entrar em comunhão com o Senhor na eucaristia exige fazer comunhão com aqueles que lutam na busca do pão necessário à vida. Assim vivida, a eucaristia torna-se para quem dela se alimenta, fonte de coragem e esforço permanente no compromisso com a concretização do reino de Deus através da partilha de tudo que se tem.


P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

04/01/2016

FÉ, CONVERSÃO E AMOR SE ALIMENTAM

Segunda-Feira Após Epifania

Primeira Leitura: 1Jo 3,22-4,6

Caríssimos: 22 qualquer coisa que pedimos recebemos dele, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado. 23 Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu. 24 Quem guarda os seus mandamentos permanece com Deus e Deus permanece com ele. Que ele permanece conosco, sabemo-lo pelo Espírito que ele nos deu. 4,1 Caríssimos, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo. 2 Este é o critério para saber se uma inspiração vem de Deus: todo espírito que leva a professar que Jesus Cristo veio na carne é de Deus; 3 e todo espírito que não professa a em Jesus não é de Deus; é o espírito do Anticristo. Ouvistes dizer que o Anticristo virá; pois bem, ele está no mundo. 4 Filhinhos, vós sois de Deus e vós vencestes o Anticristo. Pois convosco está quem é maior do que aquele que está no mundo. 5 Os vossos adversários são do mundo; por isso, agem conforme o mundo, e o mundo lhes presta ouvidos. 6 Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus, escuta-nos; quem não é de Deus não nos escuta. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.

Evangelho: Mt 4,12-17.23-25

Naquele tempo, 12 Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13 Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, 14 no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15 “Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! 16 O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17 Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. 23 Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. 24 E sua fama espalhou-se por toda a Síria. Levaram-lhe todos os doentes, que sofriam diversas enfermidades e tormentos: endemoninhados, epilépticos e paralíticos. E Jesus os curava. 25 Numerosas multidões o seguiam, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia, e da região além do Jordão.
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Nos dois primeiros capítulos de seu Evangelho, Mateus narrou o nascimento de Jesus, e no terceiro nos apresentou a atividade de João Batista: o Batismo. No capitulo quarto, sem se preocupar em satisfazer a curiosidade dos que quiseram saber de todo o itinerário formativo de Jesus, nos apresenta Jesus atuando na Galileia, uma região ao norte da Palestina onde conviviam, com dificuldade, judeus e pagãos. Por isso, Mateus evoca o texto do profeta Isaias que fala da iluminação dos que “viviam nas trevas e nas sombras de morte”. A festa da Epifania nos mostra que a vinda de Jesus é em favor de todos os homens, sem distinção nem de etnia, nem de condições nem de crenças.

O evangelho deste dia nos relata que quando fica sabendo da prisão de João Batista, Jesus vai para a Galileia. A missão de João Batista como Precursor termina de modo semelhante a do próprio Jesus. Mais tarde Jesus será preso e morto. Diante da notícia da prisão de Joã0 Batista, Jesus se retira para a Galileia, estabelecendo o centro de sua atividade em Cafarnaum.

Galileia era um território longe de Jerusalém, do poder central legalista e intransigente. Galileia tinha fama de região pagã contaminada pelos pagãos, desinteressada da Lei e da oficialidade do Templo.

Na Galileia Jesus pode andar com liberdade, junto aos empobrecidos e marginalizados. Toda a história dos pobres gravitava sobre os pobres do tempo de Jesus: a fome, a carência de trabalho, a opressão política e militar dos Herodes e de Roma, opressão religiosa do Sinédrio (Sanedrin), o abandono e a marginalização. Esse povo pedia e exigia ser redimido. O que o povo esperava era respostas concretas para suas necessidades. Por isso, a figura de um rei poderoso, como Davi, continuava a alimentar o sonho do povo para libertá-lo de toda essa situação.

A pregação de Jesus se inicia, então, na “Galileia dos pagãos”, isto é, numa região onde a situação do povo é mais precária devido a uma grande quantidade de população pagã. É claro que o paganismo é muito mais no sentido do modo de viver do que no sentido de não pertencer a uma crença ou religião. Por isso, existem “pagãos” que se comportam como homens de Deus, por exemplo, o oficial romano (cf. Mt 8,5-13). Como também são muitos os que se dizem crentes (do Povo de Deus), mas se comportam como “pagãos”, sem nenhuma vivência da fraternidade, por exemplo, o sacerdote e o levita na parábola do bom Samaritano que não querem ajudar que está sofrendo (cf. Lc 10,31-32).

De propósito o evangelista Mateus inicia a missão de Jesus entre os pagãos para nos dizer que os primeiros destinatários da pregação de Jesus vão ser as pessoas necessitadas, os marginalizados, os excluídos, os pobres e os que ainda não conhecem a luz de Deus porque vivem nas sombras do paganismo. Jesus vai onde necessita de sua Judá. Aqui Mateus mostra a universalidade da pregação de Jesus.

A mensagem de Jesus se resume nesta frase: “O Reino de Deus está próximo”. O Reino de Deus, expressão existente no povo de Israel, se contrapõe a todos os demais reinos ou poderes humanos que pretendem um domínio total sobre o povo e este mesmo poder é oferecido a Jesus em suas tentações (cf. Mt 4,8-10). O Reino que Jesus prega começou nele, pois ele veio para fazer reinar o amor fraterno (cf. Mt 23,8).

O menino de Belém, adorado pelos magos, agora se manifesta como o Messias e o Mestre enviado de Deus que ensina, proclama o Reino de Deus, que cura os enfermos e liberta os possessos. A proposta do Reino de Jesus é diferente: tem que descobrir e destruir o egoísmo e as estruturas que o fomentam. Para que isso possa acontecer há uma exigência: convertei-vos!

Por isso, Jesus exige para todos os lados (dos poderosos e das vitimas do poder) que se convertam: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Os pobres, as vítimas, precisam construir um projeto de humanização sem ódio e por isso, Jesus coloca o amor como o maior mandamento (Jo 13,35; 15,12). Para os poderosos, que devolvam e respeitem a dignidade do povo, respeitando seus direitos. Em outras palavras, para Jesus o problema do Reino era um problema de transformação do coração. Trata-se de uma transformação real que deve se demonstrar na prática e se experimentar em todos os setores da vida.

O estilo da atuação de Jesus Cristo que ama e se sacrifica pelos homens deve ser o estilo de cada cristão: ajudando, curando feridas, libertando os outros de suas angústias e seus medos, anunciando a Boa Notícia do amor de Deus. E que somente o amor salva, enquanto que o egoísmo destrói e mata. O egoísmo mata a fraternidade e uma convivência mais humana. É preciso aprender a ver Deus nos demais (cf. Mt 25,40.45), sobre tudo nos pobres e nos débeis, nos marginalizados e excluídos da sociedade. Trata-se de que esse amor fraterno que aprendemos de Jesus Cristo nós o traduzamos em obras concretas de compreensão e de ajuda. O amor não é dizer palavras solenes, bonitas e comovedoras, e sim imitar o amor de um Cristo que se entregou pelos demais. Este é o caminho da salvação. Por este caminho nãooutro que possa nos salvar e nos levar para o Céu, poisDeus é amor” (1Jo 4,8.16). A em Jesus Cristo e o amor aos irmãos são provas de autenticidade da que professamos.

Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. A conversão, dentro do contexto das leituras de hoje consiste em crer em Deus e amá-Lo amando o próximo. Crer e amar são duas atitudes básicas de cada cristão e são inseparáveis: “Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu” (1Jo 3,23). Quem crê verdadeiramente em Deus, ama o próximo. Quem ama o próximo, é porque pertence a Deus, mesmo que ele não tenha consciência disso. A e o amor coexistem e fecundam mutuamente. A linha vertical () se expressa na linha horizontal (amor fraterno). A que salva é a que atua pela caridade. Por isso, a e o amor devem configurar a vida de cada cristão. Não existe a sem o amor fraterno. E não existe o amor fraterno que não leve a pessoa que ama até Deus. Não existe uma verdadeira fé sem conversão permanente. A conversão nem a fé conhecem aposentadoria.

P. Vitus Gustama,svd

sábado, 26 de dezembro de 2015

EPIFANIA, 03/01/2015


EPIFANIA DO SENHOR E SUA MENSAGEM PARA NÓS




Primeira Leitura Is 60,1-6


1 Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. 2 Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. 3 Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. 4 Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. 5 Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; 6 será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.


Segunda Leitura: Ef 3,2-3a. 5-6


Irmãos: 2 Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. 5 Este mistério Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: 6 os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.


Evangelho: Mt 2,1-12


1 Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2 perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. 3 Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado assim como toda a cidade de Jerusalém. 4 Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5 Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6 E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”. 7 Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8 Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”. 9 Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10 Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. 11 Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. 12 Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.
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Celebramos hoje a festa da epifania do Senhor. Epifania significa manifestação de uma divindade ou de alguma intervenção prodigiosa de uma divindade. Esta festa chama-se Epifania no seu contexto de Natal porque Deus vem nos revelar quem nos criou e por quê. Nela compreendemos o amor de Deus por nós. O nascimento de Jesus manifesta ou epifaniza ao mundo a misericórdia, o amor que Deus é e com que nos ama. O amor de Deus não tem limites e alcança a todos. E os Magos representam os povos de todas as línguas e nações que se põem a caminho, chamados por Deus, para adorar Jesus, Deus feito homem cujo nome é Amor.


Como já se sabe de que Mateus coloca essa passagem no seu evangelho para expor a tese da universalidade da salvação. Jesus inaugura o Reino aberto a todos. As interdições cultuais foram abolidas. Todos os privilégios são abolidos. Os coxos, os cegos, os leprosos, os pobres são convidados ao festim. Por isso, podemos entender que Jesus convive com os publicanos e pecadores para salvá-los, pois para estes é que Deus se fez carne em Jesus Cristo. O Reino de Jesus não é deste mundo (Jo 18,36). Ele desceu até os homens, mas escapa totalmente a seu poder. A acesso à família de Deus depende da total gratuidade de Deus e da fé da parte dos homens. Jesus é o eixo para deste Reino (cf. Jo 14,6).


Mateus pretende nos dizer, então, que Jesus, tendo nascido em Belém como menino judeu e para salvar os judeus, quer oferecer também ao paganismo, logo desde o berço, a possibilidade de um encontro para o que envia a luz da fé(estrela), cuja missão é guiar os pagãos(magos) até onde o Salvador(Jesus) se encontra. Deste modo, cada um dos elementos da narrativa simbolizaria uma realidade distinta: os magos representam os pagãos; Herodes, os judeus; e a estrela, a fé. Por isso, a estrela dos Magos na narrativa de Mateus é nenhum fenômeno celeste surgido realmente no firmamento, mas o símbolo da luz da fé que brilha nas trevas do pecado quando o Salvador aparece no mundo.


Mateus desenvolve assim uma nova tese: Jesus, embora judeu e descendente de Davi, é um Messias com força para afugentar do mundo inteiro as trevas do pecado, por mais afastado que o homem se encontre e seja em que deserto for. Para tal deve cumprir um único requisito: deixar-se guiar pela luz da fé.


Como foi dito acima, a universalidade da fé é um dos motivos dominantes da liturgia da Epifania. Que fazemos para que se realize o desígnio salvífico de Deus, cuja meta é que todos os homens conheçam e adorem Jesus como Salvador e Emanuel? Talvez as palavras de S. João Crisóstomo possa nos despertar: ”Se os magos percorreram um caminho tão longo para vê-lo recém-nascido, que desculpa terás tu se nem sequer fores ao bairro ao lado para visitá-lo enfermo e encarcerado?”. Como cristãos, somos todos “apóstolos” ou “enviados”. E o enviado deve ir aonde é chamado por Deus.


Além disso, a Epifania é também a festa de Cristo, Luz dos povos/nações. Toda dinâmica da solenidade sublinha o fato de que o mistério da epifania também é revelado aos gentios. Os magos do Oriente são frutos amáveis da revelação. Eles vem de longe conduzidos pela Luz, símbolo da fé (estrela) para encontrar e adorar o Rei dos judeus. Eles trazem para Ele os dons. Mas o mais importante é o dom de seu coração sincero. E receberam a luz da fé que os leva para o caminho da vida e não para o caminho da crueldade de Herodes.  


A exemplo dos magos, vale a pena descobrir o caminho da fé que nos apresenta o Evangelho: Os magos descobrem um sinal (a estrela), seguem a Luz de Deus, se informam, buscam, perguntam. E finalmente, encontram o Salvador. De joelhos O adoram. Trata-se do símbolo do itinerário da fé dos que são vistos como os primeiros entre os crentes não israelitas. É o caminho que cada homem deve percorrer.


O evangelho de hoje interpela o homem moderno. O homem moderno não pode ficar somente deslumbrado diante do progresso da ciência e da técnica. Sob as estrelas que brilham no mundo moderno, o homem moderno precisa buscar um sinal mais profundo e mais humanizador. Se não encontrarmos Deus que dá sentido para nossa vida e nossa morte, seremos vítimas da própria ciência e técnica, pois “ninguém está tão só do que aquele que vive sem Deus” (Santo Agostinho).


Segundo o grande teólogo P. Tillich, a grande tragédia do homem moderno é ter perdido a dimensão da profundidade. Já não é capaz de perguntar de onde vem e para onde vai. Não sabe interrogar-se pelo que faz e deve fazer de si mesmo neste breve lapso de tempo entre seu nascimento e sua morte. Corremos o risco de perder nossa própria identidade e de nos converter em uma coisa entre outras coisas e de não saber em que direção devemos caminhar.


Por isso, nestes tempos, temos que voltar a recordar que ser crente é, antes de tudo, perguntar apaixonadamente pelo sentido de nossa vida e estar abertos para uma resposta e estar prontos para nova pergunta a partir da resposta encontrada.


Outras Mensagens Do Texto:


1). Para encontrar Jesus, é necessário sair da própria terra para ir ao encontro de Jesus.


Os escribas e os sumos sacerdotes esquadrinharam a Bíblia e encontraram pelo menos 466 profecias messiânicas e mais de 550 conclusões tiradas da Sagrada Escritura. E até indicaram a Herodes o lugar exato onde podia encontrar o Salvador, o verdadeiro Rei dos judeus. No entanto, nenhum se pôs a caminho. Como comenta Santo Agostinho:” Ensinam a outros a fonte da vida e eles morreram de sede”. E em outra passagem ele acrescenta: ”Aqueles (os magos) buscavam na terra destes (dos judeus) o que estes não reconheciam na sua terra...”.  Mateus sublinha, assim, o paradoxo entre a busca e a acolhida de Jesus pelos “magos do Oriente”, que eram pagãos, e o seu não conhecimento por parte do rei de Jerusalém, dos chefes dos sacerdotes, dos escribas e do povo.


Os magos puseram-se a caminho e deixaram sua terra em busca do Rei recém-nascido. O texto nos diz: “Vimos sua estrela no céu e viemos adorá-lo” (v.2). Guiados pela estrela no céu e pela estrela de uma grande esperança no coração, os magos puseram-se a caminho. São João Crisóstomo comentou: “Não se puseram a caminho porque viram a estrela, mas viram a estrela porque se tinham posto a caminho”. Põem-se a caminho porque têm perguntas e inquietações no coração. São o símbolo dos que buscam, como diz Santo Agostinho: “Anunciam e perguntam, crêem e buscam; simbolizando aqueles que caminham na fé e desejam a realidade”.


Somos peregrinos nesta terra. Mas para onde caminhamos? Saibamo-lo ou não, caminhamos para Deus. Consciente ou inconscientemente, no fundo todos procuram Deus. O destino do homem é, certamente, a união plena com Deus. E na espera desse destino, o homem vive sobre a Terra com fé. A fé é ter confiança em Deus apesar das próprias dúvidas, perguntas e interrogações, queixas e murmurações; é ter a coragem de agir apesar dos próprios medos; é esperar no amanhã apesar do sofrimento e dificuldades de hoje. Porque Deus veio antes ao nosso encontro e semeou no nosso coração a fome e a sede da justiça e da paz, da felicidade e da comunhão, enfim, da salvação que só podemos encontrar nele.


Para chegar ao encontro de Deus é necessário pôr-se a caminho e atravessar, como os magos, desertos escaldantes e noites escuras, desinstalar-se e romper com o convencional, vencer novos obstáculos e refutar argumentos velhos e novos. Quem quer encontrar a Deus, não pode ficar preso ao passado. Precisa partir sempre de novo, com o coração cada vez mais leve e livre, porque na nossa vida costumam acontecer fatos carregados de sentido, que exigem a nossa atenção e o nosso êxodo. Mas se a pessoa não se põe a investigar e a tentar perceber o que Deus lhe quer dizer, com certeza vive mais tranqüilo, não se interroga, não levanta problemas. Conseqüentemente, não avança, move-se num horizonte estreito, mesquinho, sem dimensões, e priva-se do que as suas capacidades lhe proporcionam para progredir. E Deus, quando queremos encontrá-lo de verdade, vem em nossa ajuda, indica-nos o caminho, às vezes, através de meios menos aptos. Mas, com certeza, Deus não se encontra na soberba que nos separa dele, nem na falta de caridade que nos isola.


Os magos iniciaram uma longa caminhada, desejando encontrar Deus guiando apenas pela estrela. Na vida, é preciso seguir uma estrela. Um ideal. Um modelo de santidade. Essa é a estrela que brilha para nós no azul do nosso céu. E tem que se seguir, apesar de todos os sacrifícios. Jesus, no fim, está à nossa espera.


2). Para encontrar Jesus é necessário discernir os sinais


Para encontrar Jesus é necessário, em primeiro lugar, buscá-lo e querer encontrá-lo; e em segundo lugar, perceber e discernir os sinais exteriores e interiores de sua manifestação. Para ver os sinais é necessário estar com os olhos e o coração abertos para as realidades que estão além do que vêem os olhos carnais e do que sente o coração de carne. É necessário adquirir uma visão nova da realidade. Para isso, é importante sair do pequeno mundo em que estamos instalados e empreender um caminho novo. Em outras palavras, é preciso o êxodo interior e exterior. Se o nosso coração inquieto, aberto e despojado, e se for generoso como o dos magos, saberemos distinguir a voz de Deus das vozes que nos querem afastar do seu caminho.


3). Para encontrar Jesus é necessário deixar-se comover


Para chegar ao encontro de Jesus é necessário também deixar-se mover pelos sinais percebidos e discernidos; é necessário deixar-se mover e guiar por eles ao longo de toda a caminhada. Quem é movido por uma grande esperança ou por um grande amor, tem força e entusiasmo para deixar tudo o que tinha até esse momento ao encontro do Senhor que é Tudo. A “estrela” que guia nossa busca continua sempre apontando para mais verdade, mais entrega, mais justiça, mais fraternidade, mais partilha, mais honestidade, mais sinceridade e mais comunhão. Ela continua iluminando apesar das nuvens que nos atrapalham passageiramente, das decepções, das noites que anunciam o dia, dos sofrimentos etc.


4). Para encontra Jesus é necessário caminhar juntos e perguntar.


A sabedoria antiga diz: “Estar juntos é apenas o início; caminhar juntos é o progresso e trabalhar juntos é sucesso”. Não sabemos por quanto tempo os magos caminharam. O que sabemos é que caminharam juntos. O longo caminho da busca, enfrentando o cansaço, obstáculos etc., só pode ser feito em comunidade. Só ajudando-se e animando-se mutuamente, carregando o peso uns dos outros durante um longo caminho da busca, é possível chegar à meta.


Quando parece que as nuvens atrapalham a nossa vista ou visão, quando aparentemente Deus nos abandonou e sentimos que não caminha mais ao nosso lado, é necessário pararmos para perguntar, como fizeram os magos. Essas perguntas fazem parte da providência de Deus. Os chineses até dizem: “Quem pergunta, é bobo por cinco minutos. Quem não pergunta, é bobo para sempre”. Na verdade, Deus está também nas nossas perguntas, porque são perguntas sobre ele e por ele.


5). No comum encontra-se o extraordinário


Os magos não encontram a riqueza e a glória do rei recém-nascido, mas um bebê numa casa pobre, filho de pais pobres, pobremente vestido. Também não viram sua mãe coroada de pedras preciosas ou reclinada num leito de ouro. Mas “sua fé (dos magos) foi mais penetrante que o olhar, porque viram coisas humildes e entenderam coisas elevadas”, comenta S. João Crisóstomo. A glória de Deus não está nos astros do céu, mas na fragilidade dessa criancinha.


6). Quem encontra o que procura tem algo a oferecer


Os magos encontraram Jesus e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso, mirra. Tradicionalmente esses presentes simbolizam a identidade de Jesus: recebe ouro como rei, incenso como Deus e mirra como homem mortal (mirra era utilizada no embalsamamento de cadáveres).


Sabemos que a entrega de nós mesmos na adoração é o dom mais perfeito e mais agradável ao Deus que nos amou até o extremo de querer viver nossa vida mortal, e morrer nossa morte, para fazer-nos participantes de sua vida eterna. Mas o gesto de oferta pode nos recordar também que aqueles que encontram Deus com sinceridade demonstram a profundidade desse encontro concretamente através daquilo que se tornam capazes de partilhar. Quem é de Deus, ajuda os outros, desenvolvendo a sensibilidade solidária.


7). Epifania e Missão Evangelizadora


Como foi dito acima, a universalidade da fé é um dos motivos dominantes da liturgia da Epifania. Que fazemos para que se realize o desígnio salvífico de Deus, cuja meta é que todos os homens conheçam e adorem Jesus como Salvador e Emanuel? Talvez as palavras de S. João Crisóstomo possa nos despertar: ”Se os magos percorreram um caminho tão longo para vê-lo recém-nascido, que desculpa terás tu se nem sequer fores ao bairro ao lado para visitá-lo enfermo e encarcerado?” Como cristãos, somos todos “apóstolos” ou “enviado”. E o enviado deve ir aonde é chamado pela missão. 


P. Vitus Gustama,svd