sábado, 30 de abril de 2016

02/05/2016


JESUS, ATRAVÉS DO PARÁCLITO, PERMANECE CONOSCO NAS NOSSAS PROVAÇÕES


Segunda-Feira Da VI Semana Da Páscoa


Primeira Leitura: At 16,11-15


11 Embarcamos em Trôade e navegamos diretamente para a ilha de Samotrácia. No dia seguinte, ancoramos em Neápolis, 12 de onde passamos para Filipos, que é uma das principais cidades da Macedônia, e que tem direitos de colônia romana. Passamos alguns dias nessa cidade. 13 No sábado, saímos além da porta da cidade para um lugar junto ao rio, onde nos parecia haver oração. Sentados, começamos a falar com as mulheres que estavam aí reunidas. 14 Uma delas chamava-se Lídia; era comerciante de púrpura, da cidade de Tiatira. Lídia acreditava em Deus e escutava com atenção. O Senhor abriu o seu coração para que aceitasse as palavras de Paulo. 15 Após ter sido batizada, assim como toda sua família, ela convidou-nos: “Se vós me considerais uma fiel do Senhor, permanecei em minha casa”. E forçou-nos a aceitar.


Evangelho: Jo 15,26-16,4


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 15,26“Quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. 27 E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo. 16,1 Eu vos disse estas coisas para que a vossa fé não seja abalada. 2 Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que aquele que vos matar julgará estar prestando culto a Deus. 3 Agirão assim, porque não conheceram o Pai, nem a mim. Eu vos digo isto, para que vos lembreis de que eu o disse, quando chegar a hora”.
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O evangelho de hoje pertence ao conjunto do discurso da despedida de Jesus dos seus discípulos (Jo 13-17). Nesse discurso Jesus dá as ultimas lições para seus discípulos.


Estamos no segundo discurso de Jesus depois da Ceia. Neste segundo discurso Jesus Cristo revela aos discípulos Sua presença espiritual na sua ausência física. Na ausência física do Senhor pode acontecer qualquer coisa capaz de abalar a fé e a missão dos discípulos: o ódio e a perseguição. Para o evangelista João o mundo continua lançando o ódio sobre os discípulos como aconteceu com Jesus Cristo (cf. Jo 15,20-25). Jesus revela aos discípulos que o Paraclito prometido fará os discípulos compreenderem que a vida de Cristo vai repercutir também na vida deles até nas perseguições, pois “Não existe discípulo superior ao mestre; todo o discípulo perfeito deverá ser como o mestre” (Lc 6,40).


No texto do evangelho de hoje Jesus alerta aos discípulos e a todos os cristãos que a perseguição faz parte do ser do cristão: “Todos os que quiserem viver com piedade em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Tm 3,12). Se o mundo opôs-se a Jesus Cristo, logo os cristãos experimentarão a mesma oposição. O mundo perseguirá os cristãos quando seus interesses forem afetados ou denunciados pelos cristãos. Até para fazer o bem o cristão é perseguido. Mas, do ponto de vista cristão, o tempo da perseguição é o tempo oportuno de testemunho. Tempo de provação e de perseguição é o tempo de expansão. O cristão é chamado a ser mártir no sentido pleno da palavra e para espalhar o amor. Viver no amor é viver em Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16). Mas sem dúvida, os que fazem parte de pessoas de boa vontade aceitarão o anúncio cristão cuja essência é o amor fraterno e cujas expressões são a justiça, a honestidade, a fraternidade, a solidariedade, a compaixão, a igualdade e assim por diante. Morrer por causa da honestidade, da justiça, da solidariedade etc. é o maior testemunho para o cristão. Este tipo de morte será uma morte feliz e por isso, uma vida ressuscitada.


“Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que aquele que vos matar julgará estar prestando culto a Deus. Agirão assim, porque não conheceram o Pai, nem a mim. Eu vos digo isto, para que vos lembreis de que eu o disse, quando chegar a hora”.


Este texto nos quer informar a verdade de que a perseguição foi a primeira experiência da Igreja nascente. Os discípulos de Jesus foram expulsos da sinagoga e perseguidos, primeiro pelos judeus e, depois, também pelos pagãos. A segunda obra de São Lucas que é o Atos dos Apóstolos descreve muito bem esta situação. A Igreja se espalhava sendo perseguida. É o ponto positivo da perseguição.


A perseguição faz parte da vida e da missão da Igreja que levanta a voz profética, anunciando e denunciando. A perseguição nos revela o pecado que está enraizado no coração do homem quando o homem recusa o amor de Deus, a igualdade, a fraternidade, a honestidade, a justiça e assim por diante. A perseguição também quer nos revelar que a Igreja deve manter a reforma permanentemente sobre o seu modo de estar e de atuar no mundo, pois o tempo é sempre maior do que qualquer espaço. Perseguida, a Igreja deve ser conduzida unicamente ao plano de amor que vence o ódio, pois no fim o ódio nunca vence. Somente o amor vence, pois amor é Deus (cf. 1Jo 4,8.16). No fim da história e diante de Deus o amor é o único critério do julgamento final (cf. Mt 25,31-45).


Para que os discípulos não fiquem abalados nem desorientados na sua ausência física, Jesus promete-lhes uma presença nova no meio deles. Com essa nova presença, Jesus quer dizer aos discípulos que eles não serão abandonados como órfãos, pois o amor do Senhor por eles e por qualquer cristão jamais morrerá. Jesus nos ama até o fim (cf. Jo 13,1). O amor de Cristo vai até além da morte. Precisamos estar conscientes do amor de Deus por nós.


Quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim”. Em Jo 14,16-17 Jesus prometeu o envio do Paráclito, do Defensor, do Espírito da Verdade. Em Jo 15, especialmente no evangelho de hoje, aparece novamente esse Paráclito, o Defensor, o Espírito da Verdade.


Quem é o Espírito Paráclito, ou o Defensor, o Espírito da Verdade? A palavra “paráclito” em grego é traduzida por “Defensor” em português. Ele é aquele que é chamado ao lado de quem se encontra em dificuldades com o fim de acompanhar, consolar, proteger e defendê-lo; em outras palavras: um ajudante, assistente, sustentador, protetor, procurador e, sobretudo, animador e iluminador no processo interno na fé. Mas o Espírito Paráclito é um dom de Deus oferecido para quem se abre a ele. A ajuda de Deus jamais faltará para nós, mas é preciso que tenhamos abertura diante dessa ajuda.


Esse Espírito Paráclito também recebe outro nome: “o Espírito da Verdade”.  Mas dentro de sua função de ajudar, de orientar, de animar, de proteger nas dificuldades, o Espírito da Verdade é entendido, sobretudo, como aquele que faz viver muito mais do que aquele que faz pensar. Pensar é uma coisa, viver é outra coisa.  Fazer um bom raciocínio é uma coisa; viver o que se raciocina é outra coisa. Orientar alguém para viver bem é uma coisa; perder a própria vida para que os outros possam viver é outra coisa. O mais importante não é o saber da vida e sim saborear a vida; não é sentir e sim o comprometer-se; não é o perceber e sim o decidir-se; não é o desejar e sim o querer. O Espírito da Verdade nos ensina a vivermos a vida na sua profundidade em cada momento. Ele não nos deixa presos no passado nem fugitivos do futuro; simplesmente vivemos na graça de Deus em cada momento de nossa vida. Por isso, o mais importante é fazer dos problemas, oportunidades; do passado, aprendizado; do amor, a experiência fundante e da vida, a arte de ser de cada dia.


A missão do Espírito Santo é, então, revelar aos Apóstolos toda a verdade sobre Cristo, sobre suas obras, sua vida e sua morte, e fortalecê-los para que sejam capazes de dar testemunho. Ser testemunha é confessar com as conseqüências, expor-se, arriscar-se, encarar. É provar aquilo que se acredita até com o próprio sangue. É ser mártir.  “Testemunho” aparece no Novo Testamento com o sentido de “mártir”. Dar a vida é o grande testemunho; é confessar com sangue a Verdade. Não somente a morte por Cristo, mas também a vida cristã vivida com todas as suas conseqüências tem um valor de “martírio” e por isso, de testemunho.


Quem pode nos possibilitar para viver assim é o Espírito da Verdade. Por isso, precisamos pedir ao Senhor sua presença na nossa vida de cada dia e que estejamos abertos para a renovação no Espírito do Senhor que é o Espírito da Verdade, o Defensor de nossa vida toda vez que nos encontrarmos em qualquer dificuldade.


Mas quando a Igreja, em geral, e cada cristão, em particular, anda lado a lado, de mãos dadas com o mundo é sinal muito evidente de que a Igreja e cada cristão, particularmente, deixam de ser o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5,13-14). Desta maneira, a Igreja se torna surda diante da voz do Senhor e cega diante da Luz divina (Jo 8,12). É o momento de conversão e de renovar os compromissos batismais!

P. Vitus Gustama,svd

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