segunda-feira, 18 de abril de 2016

20/04/2016




A PALAVRA DE DEUS ILUMINA  E SALVA NOSSA VIDA


Quarta-Feira da IV Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 12,24-13,5ª


Naqueles dias, 24 a palavra do Senhor crescia e se espalhava cada vez mais. 25 Barnabé e Saulo, tendo concluído seu ministério, voltaram de Jerusalém, trazendo consigo João, chamado Marcos. 13,1 Na Igreja de Antioquia, havia profetas e doutores. Eram eles: Barnabé, Simeão, chamado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, que fora criado junto com Herodes, e Saulo. 2 Um dia, enquanto celebravam a liturgia, em honra do Senhor, e jejuavam, o Espírito Santo disse: “Separai para mim Barnabé e Saulo, a fim de fazerem o trabalho para o qual eu os chamei”. 3 Então eles jejuaram e rezaram, impuseram as mãos sobre Barnabé e Saulo, e deixaram-nos partir. 4 Enviados pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e daí navegaram para Chipre. 5ª Quando chegaram a Salamina, começaram a anunciar a Palavra de Deus nas Sinagogas dos judeus. Eles tinham João como ajudante.


Evangelho: Jo 12,44-50


Naquele tempo, 44Jesus exclamou em alta voz: “Quem crê em mim não é em mim que crê, mas naquele que me enviou. 45Quem me vê, vê aquele que me enviou. 46Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.47Se alguém ouvir as minhas palavras e não as observar, eu não o julgo, porque eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo. 48Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras já tem o seu juiz: a palavra que eu falei o julgará no último dia. 49Porque eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele é quem me ordenou o que eu devia dizer e falar. 50Eu sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto, o que eu digo, eu o digo conforme o Pai me falou”.
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Jesus e o Pai que O Enviou São Um Só


“Quem crê em mim não é em mim que crê, mas naquele que me enviou. Quem me vê, vê aquele que me enviou... Porque eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele é quem me ordenou o que eu devia dizer e falar. Eu sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto, o que eu digo, eu o digo conforme o Pai me falou”. Jesus disse isto em voz alta. 


“Quem crê em mim não é em mim que crê, mas naquele que me enviou”. Para o evangelista João, a fé em Cristo e a fé em Deus, depois que Deus se revelou no Filho, são mesma coisa. Elas são a mesma e única coisa porque o Pai e o Filho são “um” (Jo 10,30). Com esta afirmação Jesus enfatiza a profundidade de relação entre Ele e o Pai. Esta união tão íntima com o Pai faz com que Jesus não pode fazer outra coisa a não ser a vontade de Deus. Anteriormente Jesus disse: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra” (Jo 4,34). Por causa dessa relação de Jesus com o Pai  tão intima, unida e profunda é que ter a fé em Jesus, o Filho de Deus, significa ter a fé em Deus Pai. Trata-se de uma só fé e de uma só realidade.


A palavra de Jesus nada mais é do que a Palavra de Deus e a Palavra do Pai nada mais é do que a Palavra do Filho (cf. Jo 12,49). Com sua palavra e com sua atitude, Jesus simplesmente agiu de acordo com o mandato de Deus. O Pai ordenou a Jesus o que deveria falar. Com a vinculação com a própria pessoa do Pai, Jesus alcança uma íntima unidade  e identidade com a “Palavra de Deus”.


Consequentemente, rejeitar Jesus significa rejeitar o próprio Deus. Para o evangelista João, a fé em Jesus tem como destino final não é um Jesus para si, isolado, mas ela leva por Jesus para o próprio Deus. Na pessoa de Jesus é Deus quem sai ao encontro do homem. De agora em diante Deus só pode ser visto e encontrado em Jesus Cristo.


Portanto, acolher a Palavra de Jesus que é o Verbo de Deus encarnado (Jo 1,1-3.14) significa acolher a Palavra do Pai. E a acolhida da Palavra de Jesus faz o homem que crê em Jesus passar da morte para a vida, das trevas para a luz, pois a Palavra que Ele nos anuncia não vem d’Ele, mas do Pai, e por isso, leva o homem para Deus, isto é, para a vida eterna, para a salvação.


A Presença de Jesus No Mundo Como Luz


Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (Jo 12,46).                 


Esta frase retoma mais uma vez a metáfora cristológica da luz que, começando no Prólogo, perpassa todo o evangelho de João. Logo no Prólogo lemos: “Ele era verdadeira luz que, chegando a este mundo, ilumina a todo homem” (Jo 1,9). Jesus, Luz do mundo (Jo 8,12) é o portador da salvação para os homens. E a finalidade da vinda de Jesus para este mundo é claramente expressa aqui: Ele vem para que quem crê nele não permaneça nas trevas, pois Deus quer a salvação do homem. Jesus Cristo é a manifesta vontade salvadora de Deus, e a salvação é operada por Deus na pessoa de Jesus.


Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” . Na escuridão ninguém consegue ver nada. Não há cores. Não há como medir a distância. A escuridão limita qualquer movimentação. Todos ficam apalpando. Imagine uma mente escura! Nada se vê. É uma desorientação total. Com a mente escura não se sabe para onde vai, por que vive, que senti do tem a vida. é uma vida sem cor nem sabor. A luz torna tudo claro, faz-nos perceber variedade de cores. A luz nos mostra tudo. Mesmo que a luz crie sombra, mas até a sombra também é iluminada.


A presença de Jesus no mundo tem um objetivo bem claro e preciso: ser Luz para a humanidade encontrada nas trevas do pecado (cf. Jo 8,12). Trata-se de uma presença que salva apesar de o homem ter que encarar a própria verdade do pecado que o faz mergulhar na escuridão, pois Jesus vem como luz que ilumina tudo e por isso, nada se esconde. Mas ao aceitar Jesus como a própria Luz do mundo o homem passa a ser um reflexo para iluminar as pessoas ao seu redor e seu próprio caminho será iluminado.


Jesus é a Luz que Deus colocou na história da humanidade em geral, e na história de cada um de nós em particular. A Luz do Ressuscitado permite cada um de nós detectar os empecilhos que o egoísmo coloca em seu caminho para desviá-lo do amor e da justiça. A luz de Cristo em cada um de nós denuncia as artimanhas do mal que destrói a vida dos outros. Viver na Luz de Cristo faz cada um de nós viver na transparência e não na aparência, pois a luz de Cristo penetra no nosso ser e tudo se torna transparente e capaz de iluminar as pessoas ao redor. A Luz de Cristo ilumina nossa mente mesmo que nos encontremos no meio das dificuldades, pois tudo será iluminado. A Luz de Cristo em nós faz com que captemos com facilidade as necessidades dos outros. A mente escura só faz confusão. A mente iluminada traz a serenidade e causa uma reflexão mais profunda. A mente iluminada pela Palavra de Deus aponta e indica o caminho de solução para qualquer dificuldade. Uma pessoa iluminada pela Palavra de Deus ilumina qualquer um com sua palavra.


Optar pela Luz é optar pela vida e pela salvação. Optar pela Luz é optar pela verdade, pois não há nada que seja escondido perante a luz. Optar pela Luz é optar pela transparência e não pelo jogo de esconde-esconde com o intuito de esconder a verdade. Optar pela Luz é optar pela originalidade e não pela falsidade ou artificialidade. Optar pela Luz é optar pelo caminho certo e não inventar caminho com os fins egoístas.  Optar pela Luz é saber discernir os caminhos. Optar pela Luz é saber discernir o que é certo e o que não o é. Optar pela Luz de Cristo é optar pela vida iluminada a fim de iluminar os demais homens. Escutar Jesus é deixar-se guiar pela Luz de Cristo. Se o objetivo da presença de Jesus no mundo é ser Luz para a humanidade, conseqüentemente cada cristão, seu seguidor, ao contemplar a Luz do mundo (Jo 8,12), deve viver como luz para os outros: iluminar e indicar o caminho da verdade. É contemplar a verdadeira Luz do mundo para ser reflexo da mesma Luz para o mundo em que vivemos.


Uma Presença Que Separa


Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras já tem o seu juiz: a palavra que falei o julgará no último dia” (Jo 12,48).


Apesar de Jesus vir ao mundo não para condenar, e sim como uma Luz para a humanidade, mas o evangelho de hoje nos enfatiza que a sua palavra e a sua missão realizam automaticamente um juízo e tornam-se critério último de verdade e de ação. Diante da presença de Jesus como a Luz do mundo e como a Palavra do Pai o homem tem que se posicionar: ou aceitar ou recusar. Trata-se do momento de julgar, isto é, do momento de separação. Deus não separa o homem d’Ele. Mas por causa de sua liberdade o homem é capaz de se separar de Deus. Onde Deus for excluído, entra a agressão, a violência, o assassinato, a exploração, a opressão e assim por diante.


Por isso, o juízo do homem consiste num auto-juízo. Em outras palavras, o sentido autêntico da ideia do juízo consiste na responsabilidade última do homem sobre si e sobre sua “salvação”. Trata-se aqui da dialética “liberdade - graça”. O homem, com sua conduta, pronuncia sentença contra si mesmo no momento presente em que ele opta por Jesus e sua palavra ou recusa Jesus e não viver de acordo com Sua Palavra. A decisão se dá aqui e agora entre fé e incredulidade. O que ocorrerá no “último dia” não será mais que a manifestação pública da decisão tomada aqui. Resta a misericórdia divina cuja competência é exclusivamente de Deus para além da morte.  A capacidade do homem é analisar e avaliar a vida do nascimento até a morte. Além disso, é a competência de Deus. Homem nenhum pode penetrar no mistério da misericórdia de Deus, pois “os meus caminhos estão acima dos vossos caminhos e os meus pensamentos acima dos vossos pensamentos”, diz Deus (Is 55,9).


A minha atitude diante de Jesus, e de Sua palavra, realiza o juízo em relação a mim mesmo, agora e no futuro. Na pessoa de Jesus está presente a realidade definitiva. E eu devo confrontar-me, aqui e agora, com essa realidade, porque é o definitivo que avalia o transitório. É hoje que eu decido o meu destino eterno. É hoje que a minha vida está suspensa entre a vida e a morte, entre a luz e as trevas, entre o tudo e o nada, porque é hoje que me confronto com Jesus e com a sua palavra, e é hoje que tenho de optar. O espaço dado a mim é entre o nascimento e a morte. Além disso, não é minha competência. O momento presente é sumamente importante, porque é o hoje de Deus, que podemos acolher ou rejeitar. Desse acolhimento ou rejeição derivam conseqüências eternas. Jesus não está nos ameaçando; ele nos estimula para aproveitarmos cada momento para fazer o que é digno para o bem do homem e sua salvação.


P. Vitus Gustama,svd

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