domingo, 24 de abril de 2016

29/04/2016




AMAR COMO ESTILO DE VIDA CRISTÃ A EXEMPLO DE CRISTO


Sexta-Feira da V Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 15,22-31


Naqueles dias, 22 pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, de acordo com toda a Comunidade de Jerusalém, escolher alguns da Comunidade para mandá-los a Antioquia, com Paulo e Barnabé. Escolheram Judas, chamado Bársabas, e Silas, que eram muito respeitados pelos irmãos. 23 Através deles enviaram a seguinte carta: “Nós, os apóstolos e os anciãos, vossos irmãos, saudamos os irmãos vindos do paganismo e que estão em Antioquia e nas regiões da Síria e da Cilícia. 24 Ficamos sabendo que alguns dos nossos causaram perturbações com palavras que transtornaram vosso espírito. Eles não foram enviados por nós. 25 Então decidimos, de comum acordo, escolher alguns representantes e mandá-los até vós, junto com nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo, 26 homens que arriscaram suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27 Por isso, estamos enviando Judas e Silas, que pessoalmente vos transmitirão a mesma mensagem. 28 Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: 29 abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados e das uniões ilegítimas. Vós fareis bem se evitardes essas coisas. Saudações!” 30 Depois da despedida, Judas e Silas foram para Antioquia, reuniram a assembleia e entregaram a carta. 31 A sua leitura causou alegria, por causa do estímulo que trazia.


Evangelho: Jo 15,12-17


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos.14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”.
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Continuamos ainda a acompanhar o discurso da despedida de Jesus dos seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17). No evangelho de hoje Jesus fala do amor como o maior mandamento para seus seguidores e Jesus se apresenta como amigo dos discípulos e de todos os seus seguidores. O mandamento de amor é tão importante a ponto de ser apresentado duas vezes no evangelho de João: Jo 13,34-35 e Jo 15,12-14. “Meu amor é meu peso”, dizia Santo Agostimho (Conf. 13,9). “Quanto mais cresce teu amor, maior é tua perfeição. A perfeição da alma é o amor”, acrescentou Santo Agostinho (In epist. Joan. 9,2).


O pensamento de Jesus, na Última Ceia, progride como em círculos. Ela já havia insistido em que seus discípulos deviam “permanecer” nele, e que, concretamente, “permanecer em seu amor, guardando seus mandamentos”.


Agora Jesus acrescenta outras matizes mais entranháveis: Já não vos chamo servos, e sim amigos” e “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi”. Sobretudo, Jesus assinala uma direção mais comprometida deste seguimento: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Antes Jesus havia tirado a conclusão mais lógica: Se Ele ama os discípulos, estes devem permanecer em seu amor, devem corresponder-lhe amando-lhe. Agora os discípulos devem amar-se mutuamente à medida de Jesus: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Por isso, não é um amor qualquer que Jesus encomenda. Jesus se põe a si mesmo como modelo. Jesus se entregou pelos demais ao longo de sua vida: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos”. Este é o estilo de Jesus


Amar Como o Estilo De Vida Cristã


“Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”. Este é o mandamento do Senhor! Não se trata de uma lei (nomos), e sim de um estilo de vida (entolé). Aqui a palavra “mandamento” tem a ver com o estilo de vida. Para o evangelista João “amar” é um estilo de vida. Trata-se de uma coisa que faz parte da vida cotidiana de cada seguidor de Cristo.


Mas que tipo de amor que Jesus recomenda? Que tipo de amor que ele fala como o estilo de vida? Em que sentido o amor como o estilo de vida?


Jesus se põe a si mesmo como modelo: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei (Jo 15,12). De que maneira Jesus nos amou? O amor de Jesus é gratuito, generoso, universal, incondicional e sem limites: “Jesus amou os seus, e os amou até o fim” (Jo 13,1). Jesus amou ao longo dos dias e dos anos; amou até a morte e além da morte. Sem limites: até dar tudo, gastar tudo, despojar-se de tudo. O amor de Deus não se deixa condicionar (cf. Jo 3,16), e nem sequer impor limites pelos maus comportamentos do homem: “Deus faz nascer o seu sol igualmente sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos”, diz Jesus no Sermão da Montanha (Mt 5,45).   Ele se entregou pelos demais ao longo de sua vida até o extremo: a morte na cruz: Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos (Jo 15,13). É o amor concreto. É amar não com palavras apenas, e sim com obras, com a compreensão, com a ajuda oportuna, com a palavra amável, com a tolerância, com a doação gratuita de si mesmo, com o perdão (cf. Lc 23,34). O amor autêntico exige sempre o sacrifício e o total esquecimento de si. É amar por amor. São Bernardo afirma: O amor basta por si só e por causa de si. Seu prêmio e seu mérito se identificam com ele mesmo. O amor não requer outro motivo fora de si mesmo. Amo porque amo; amo para amar”. Se assim é, podemos dizer que você vive não quando respira, mas quando ama. Do ponto de vista cristão a capacidade de viver o amor fraterno é o critério da maturidade cristã.


Para nós, cristãos, a atitude de amor aos demais deve ser uma conseqüência prática de nossa comunhão profunda com Cristo. O cristão é reconhecido, fundamentalmente, pelo amor que vive: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”, disse-nos Jesus (Jo 13,35).


Somos Amigos De Jesus


Eu vos chamo amigos”, diz o Senhor.
  • A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro (Platão).
  • Sem amigo, nada é agradável [Sine amico nihil amicum] (Santo Agostinho).
  •  A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa, nem medir o que se diz (George Eliot).
  • A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar ao amigo de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades (Millôr Fernandes).
  • O amigo é o melhor terapeuta nas experiências de abandono e humilhação (Anselm Grün).
  • Refugiado em peito amigo, sumindo vai pesar antigo (Johann Wolfgang Goethe).
  • Não me alegro tanto pela andorinha que me traz a mensagem da primavera e que à renovação eterna canta hinos, mas alegro-me bem mais pela mensagem do amigo que me traz o que preciso para a vida (Friedrich Rückert, poeta).
  • Com um amigo ao lado, nenhum caminho é longo demais (ditado japonês).
     
    Para ser amigo do outro é preciso ser amigo de si mesmo, no sentido de que é preciso colocar em ordem o próprio coração e direcioná-lo para o bem. Um coração bom está sempre do lado do bem. Um coração bom nos leva a praticarmos a bondade. Dizia Cícero que a amizade é “doadora da alegria de viver tanto para os nossos amigos como para nós mesmos”. Por isso, ter ou não ter amigo depende de ser ou não ser amigo de si mesmo. Quem é muito humano para si próprio, será muito humano para o outro. É o ponto de partida para uma amizade.
     
    Quando alguém reclama que não tem amigo ou amiga, é preciso se perguntar: “Será que eu sou amigo de mim mesmo? Será que sei me tratar? Será que eu me respeito e me amo?”. Somente poderemos ser felizes quando aprendermos a fazer o outro feliz. Somente podemos ser próximos dos outros, se aprendermos a ser próximos dos outros.
     
    Eu vos chamo amigos”, diz o Senhor. Jesus chamou seus discípulos de amigos porque partilhou tudo com eles o que ouviu de seu Pai: experiências, conhecimentos, salvação, amor etc.. Jesus abriu aos discípulos Seu coração. Isto significa que o discípulo, o cristão não é um simples subalterno. O cristão é um amigo pessoal de Jesus Cristo. O amigo não é um simples conhecido ou um sócio, e sim alguém com quem se compartilha a intimidade, o mais profundo de nosso ser: “Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15b). O amigo sempre está disposto a fazer o que o amigo lhe pedir: “Vós sois meus amigos se fizerdes o que eu vos mando” (Jo 15,14). O amigo demonstra a verdade de seu amor estando disposto a entregar a própria vida se for necessário: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos” (Jo 15,13). O verdadeiro amigo inclui a doação da vida pelo amigo. Para Jesus a noção de amizade é muito profunda. “Amigo é alguém que te conhece a fundo e, apesar disso, te ama” (Hublard). “A amizade é como todos os títulos honoríficos: quanto mais velha, mais preciosa”, dizia
    Goethe. “A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas” (
    Francis Bacon).
     
    “Eu vos chamo amigos”, disse-nos Jesus. É uma mensagem consoladora. É uma mensagem que dá força e ânimo. De fato, eu não estou sozinho (a). Eu estou bem acompanhado (a). Eu estou acompanhado (a) pelo Salvador do mundo: Jesus Cristo. Se o cristão viver verdadeiramente esta fé, ele jamais se sentirá só independentemente da situação em que se encontra. O cristão não é solitário, e sim solidário. “O mundo é tão vazio quando pensamos apenas nas montanhas, rios e cidades; mas saber que cá e lá existe alguém que comunga conosco, com o qual também nós convivemos tacitamente, isto faz deste globo terrestre para nós um jardim habitado” (Johann Wolfgang von Goethe).
     
    Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando, disse Jesus.  Será que você pode ser considerado como amigo de Jesus? Para ser amigo do outro é preciso ser amigo de si mesmo. Você é amigo de si mesmo?
     
    Lembremo-nos do recado do Pequeno Príncipe: “Você precisa me cativar. As pessoas já não têm tempo de aprender coisa alguma. Compram tudo nas casas comerciais. Mas, como não existem lojas de amizade, as pessoas não têm mais amigos. Se quiser um amigo, cative-me” (Saint-Exupéry: O Pequeno Príncipe).
     
    Como filhos e filhas de Deus em Jesus Cristo e como amigos e amigos do Senhor Jesus somos chamados e enviados a ser encarnados do amor de Deus. Consequentemente, se falarmos, precisamos falar amorosamente. Se corrigirmos os outros, devemos corrigir com amor. Se fizermos qualquer coisa na Igreja e fora dela como no trabalho, devemos fazer tudo com amor e por amor. Tudo que for feito com amor se torna uma obra prima, pois Deus é amor. “Nada é pequeno quando o amor é grande”. 
P. Vitus Gustama,svd

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