terça-feira, 21 de novembro de 2017

23/11/2017

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PRANTO DE JESUS SOBRE NÓS E NOSSA VIOLENTA CIDADE
Quinta-Feira da XXXIII Semana Comum


Primeira Leitura: 1Mc 2,15-29
Naqueles dias, 15 os delegados do rei Antíoco, encarregados de obrigar os judeus à apostasia, chegaram à cidade de Modin para organizar os sacrifícios. 16Muitos israelitas aproximaram-se deles, mas Matatias e seus filhos ficaram juntos, à parte. 17Tomando a palavra, os delegados do rei dirigiram-se a Matatias, dizendo: “Tu és um chefe de fama e prestígio na cidade, apoiado por filhos e irmãos. 18Sê o primeiro a aproximar-te e executa a ordem do rei, como fizeram todas as nações, os homens de Judá e os que ficaram em Jerusalém. Tu e teus filhos sereis contados entre os amigos do rei. E sereis honrados, tu e teus filhos, com prata e ouro e numerosos presentes”. 19Com voz forte, Matatias respondeu: “Ainda que todas as nações, incorporadas no império do rei, passem a obedecer-lhe, abandonando a religião de seus antepassados e submetendo-se aos decretos reais, 20eu, meus filhos e meus irmãos, continuaremos seguindo a aliança de nossos pais. 21Deus nos guarde de abandonar sua Lei e seus mandamentos. 22Não atenderemos às ordens do rei e não nos desviaremos de nossa religião nem para a direita nem para a esquerda”. 23Mal ele concluiu estas palavras, um judeu adiantou-se à vista de todos para oferecer um sacrifício no altar de Modin segundo a determinação do rei. 24Ao ver isso, Matatias inflamou-se de zelo e ficou profundamente indignado. Tomado de justa cólera, precipitou-se contra o homem e matou-o sobre o altar. 25Matou também o delegado do rei, que queria obrigar a sacrificar e destruiu o altar. 26Ardia em zelo pela Lei, como Finéias havia feito com Zambri, filho de Salu. 27E Matatias saiu gritando em alta voz pela cidade: “Quem tiver amor pela Lei e quiser conservar a aliança venha e siga-me!” 28Então fugiram, ele e seus filhos, para as montanhas, abandonando tudo o que possuíam na cidade. 29Também muitos, seguidores da justiça e do direito, desceram para o deserto e ali se estabeleceram.


Evangelho: Lc 19,41-44
Naquele tempo, 41quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar. E disse: 42“Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz! Agora, porém, isso está escondido aos teus olhos! 43 Dias virão em que os inimigos farão trincheiras contra ti e te cercarão de todos os lados. 44 Eles esmagarão a ti e a teus filhos. E não deixarão em ti pedra sobre pedra. Porque tu não reconheceste o tempo em que foste visitada”.
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Ser Fiel Ao Deus Salvador Até O Último Suspiro Sem Violência


Ainda que todas as nações, incorporadas no império do rei, passem a obedecer-lhe, abandonando a religião de seus antepassados e submetendo-se aos decretos reais, eu, meus filhos e meus irmãos, continuaremos seguindo a aliança de nossos pais”, disse firmemente Matatias aos delegados do rei Antíoco que pediram que os judeus abandonassem sua fé para adotar a religião do rei que lemos na Primeira Leitura do livro dos Macabeus.


A cena é dura, pois há a tentadora oferta a Matatias, homem de prestígio, da parte dos delegados do rei Antíoco: “Tu és um chefe de fama e prestígio na cidade, apoiado por filhos e irmãos. Sê o primeiro a aproximar-te e executa a ordem do rei, como fizeram todas as nações, os homens de Judá e os que ficaram em Jerusalém. Tu e teus filhos sereis contados entre os amigos do rei. E sereis honrados, tu e teus filhos, com prata e ouro e numerosos presentes”.


O grande líder do povo, Matatias, cujo nome significa “dom de Deus” e da família sacerdotal de Joiarib (1Crônicas 24,7) não cedeu à tentação de abandonar a fé em função da riqueza material e da fama. Sua firmeza é admirável: “Ainda que todas as nações obedeçam ao rei, eu, meus filhos e meus irmãos viveremos segundo a aliança de nossos pais. Deus me livre de abandonar a lei e nossos costumes!”.


Animado por esta atitude firme é acendida em Matatias a indignação pelo grupo de fieis judeus que se adiantava e oferecia o sacrifício idolátrico diante de todos: “Tomado de justa cólera, precipitou-se contra o homem e matou-o sobre o altar. Matou também o delegado do rei, que queria obrigar a sacrificar e destruiu o altar”.


Não reagiremos com essa violência eliminando os que nos ameaçam ou os que se afastam da fé ou os que não têm fé. Aprendemos de Jesus a resistência não-violenta. “Jesus viveu e morreu em vão se não conseguiu ensinar-nos a ordenar toda a nossa vida pela eterna lei do amor” (Mahatma Gandhi: Gandhi e a Não-violência). E Mahatma Gandhi acrescentou: “Para mim, a não-violência é um credo. Devo guiar-me por ele, esteja eu sozinho ou em companhia de outros. Uma vez que a propaganda em prol da não-violência é a missão de minha vida, devo entregar-me a ela seja qual for a atmosfera…  O homem no que tem de animal é violento, mas no que tem de espiritual é não-violento. No momento em que ele se torna consciente do espirito interior, não pode permanecer violento” (idem).


Porém aprendemos de Matatias e companheiros que devemos saber resistir à tentação e conservar nossa identidade cristã em qualquer ambiente, especialmente em ambiente paganizado. Jesus nos diz que estaremos no mundo, mas sem ser do mundo. Vivemos numa sociedade que, em alguns casos, se mostra claramente paganizada. Quantos sacrificaram sua honradez e a sacralidade de sua família em nome dos bens materiais participando sem escrúpulo na corrupção ou na desonestidade. Não nos esqueçam que o cofre jamais acamponhará nosso caixão. Tudo que se adquire aqui neste mundo será deixado aqui no mundo. O tempo somente eterniza o que é justo, amoroso, bondoso, honesto, fraterno e assim por diante. Ainda há tempo para nos convertermos. Uma família que não tem lugar para Deus e seus mandamentos prepara o terreno ou espaço para a corrupção, desonestidade, agressão, violência, a briga, a desunião, discórdia etc. Uma família feliz com Deus nada mais é que o paraíso antecipado. “Eu, meus filhos e meus irmãos, continuaremos seguindo a aliança de nossos pais”, recorda-nos Matatias!


Jesus Chora Sobre Nossa Violenta Cidade Por Ter Abandonado Deus e Seus Mandamentos


Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar: ‘Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz!’”.


Acompanhávamos Jesus no seu caminho da Galiléia para Jerusalém escutando suas ultimas lições para todos nós, Seus seguidores (Lc 9,51-19,28). Jerusalém é a meta da viagem ou do caminho de Jesus onde ele vai sofrer, será morto e ressuscitado. De Jerusalém ele vai enviar os discípulos para o mundo inteiro (cf. At 1,8). Durante essa viagem muitos foram curados, muitos se converteram e seguiram a Jesus.


Jesus chegou, finalmente, em Jerusalém depois de uma longa viagem durante a qual instruiu com profundidade seus discípulos. Por isso, trata-se de uma viagem com uma longa catequese de Jesus para os discípulos e conseqüentemente trata-se de uma catequese para a Igreja posterior.


Ao aproximar-se da cidade de Jerusalém (cidade da paz) e vê-la, Jesus derramou as lágrimas. As lagrimas são um meio pelo qual podemos expressar perfeitamente nossa tristeza como também nossa alegria, duas emoções fortes as quais nenhuma língua humana capaz de expressar com exatidão; somente com lágrimas! As lágrimas de Jesus são lagrimas de um profeta. E são essas as lágrimas das quais fala o profeta Isaias: “O Senhor DEUS enxugará as lágrimas de todas as faces e, pela terra inteira, eliminará os vestígios da desonra do seu povo. Foi o SENHOR quem falou!” (Is 25,8; cf. Ap 21,4). O texto do evangelho lido hoje está em continuidade com Lc 13,34-35. São dois textos proféticos sobre e contra Jerusalém.


Jesus chora por sua cidade, Jerusalém, que fica cega diante da graça de Deus e da sua visita. São lágrimas de compaixão e lágrimas de impotência, mas também de indignação. Jesus fez todo o possível pela paz da cidade (Lc 13,34-35), no entanto Jerusalém quis ou quer manter uma vida sem rumo, uma vida sem salvação, uma vida sem fraternidade, uma vida de destruição: “Ah (Jerusalém)! Se neste dia também tu conhecesses a mensagem de paz! Agora, porém, isso está escondido a teus olhos. Pois dias virão sobre ti, e os teus inimigos te cercarão com trincheiras, te rodearão e te apertarão por todos os lados. Deitarão por terra a ti e a teus filhos no meio de ti, e não deixarão de ti pedra sobre pedra, porque não reconheceste o tempo em que foste visitada!” (Lc 19,42-44).


O poder de Deus se fez amor e debilidade em Jesus. Mas esse poder chocou contra a dureza do coração humano. Deus prefere chorar de impotência em Jesus a privar o homem de sua liberdade. Esse pranto, no entanto, é um apelo à conversão.  Aceitar Jesus é o caminho para a paz. Mas em um coração duro jamais pode habitar a paz do Senhor. Somente em Jesus está a salvação (At 4,12). O céu é uma certeza, enquanto que o inferno é apenas uma possibilidade para o ser humano.


Hoje em dia podemos nos perguntar se Jesus não choraria com indignação profética ao ver nossa cidade cheia de violência e corrupção, cheia de anônimos, cheia de desempregados e drogados, cheia de moradores de rua que não mais nos incomoda, cheia de mendigos diante dos quais passamos adiante. Será que Jesus não choraria ao ver nosso mundo atual com tanta exploração da vida alheia e ao ver nossa Igreja sem coração e sem amor? Precisamos nos perguntar se Jesus choraria com indignação profética ao ver nossa incapacidade de perdoar, ao ver nossa insensibilidade humana incapaz de ajudar o necessitado, ao ver nossa incapacidade de compreender a fraqueza do outro, ao saber de nosso julgamento sem piedade sobre os outros, ao ver as famílias que não educam mais seus filhos sobre os valores humanos e eternos, ao ver muitas pessoas com tanta libertinagem, ao ver tantas pessoas que não querem mais se comprometer para o bem maior por medo de perder o “sossego”. Precisamos nos perguntar se Jesus choraria ao saber de nosso desespero por falta de fé nele, de nossa falta de esperança, de nossa falta de amor e de misericórdia. Será que Jesus não choraria ao ver nosso modo não-cristão de viver com os demais? Será que hoje somos capazes de conhecer e de reconhecer o que pode ou possa nos trazer a paz? Será que conhecemos o tempo da visita da graça de Deus na nossa vida? Creio que Jesus choraria por tudo isso! Mas o pranto de Jesus é um apelo à conversão. Lembremo-nos, mais uma vez, de que o céu é certeza. O inferno é uma possibilidade. O inferno é o ponto alto de um processo de negação ao amor e por isso, a Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16; cf. Jo 13,34-35; 15,12).


Em cada Eucaristia que celebramos e da qual participamos o Senhor se converte em uma nova oportunidade para nós, pois Ele vem nos visitar para habitar entre nós (Jo 1,14; cf. Jo 6,56-57). Jesus quer que sejamos convertidos num instrumento de seu amor para todos os homens, num instrumento de construtores da paz para que a fraternidade seja possível. Por isso, temos que escutar sua Palavra com atitude de seguidores fiéis, que não somente entendem a mensagem de Deus e sim que sejam os primeiros em vivê-la. Por ai é que Jesus vai parar de chorar sobre nós. E para nós a paz voltará ao nosso coração.          


P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

22/11/2017
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OS DONS DE DEUS SÃO DADOS PARA SEREM MULTIPLICADOS
Quarta-Feira da XXXIII Semana Comum


Primeira Leitura: 2Mc 7, 1.20-31
Naqueles dias,1aconteceu que foram presos sete irmãos, com sua mãe, aos quais o rei, por meio de golpes de chicote e de nervos de boi, quis obrigar a comer carne de porco, que lhes era proibida. 20Mas especialmente admirável e digna de abençoada memória foi a mãe, que, num só dia, viu morrer sete filhos, e tudo suportou valorosamente por causa da esperança que depositou no Senhor. 21Cheia de nobres sentimentos, ela exortava a cada um na língua de seus pais e, revestindo de coragem varonil sua alma de mulher, dizia-lhes: 22“Não sei como aparecestes em minhas entranhas: não fui eu quem vos deu o espírito e a vida nem fui eu quem organizou os elementos dos vossos corpos. 23Por isso, o Criador do mundo, que formou o homem na sua origem e preside à geração de todas as coisas, ele mesmo, na sua misericórdia, vos dará de novo o espírito e a vida, pois agora vos desprezais a vós mesmos, por amor às suas leis”. 24Antíoco julgou que ela o desprezasse e suspeitou que o estivesse insultando. Como o mais novo dos irmãos ainda estivesse vivo, o rei tentava persuadi-lo. E não só com palavras, mas também com juramento, prometeu fazê-lo rico e feliz, além de torná-lo seu amigo e confiar-lhe altas funções, contanto que abandonasse as leis de seus antepassados. 25Vendo que o jovem não lhe prestava nenhuma atenção, o rei chamou a mãe e exortou-a a dar conselhos ao rapaz, para que salvasse a sua vida. 26Como ele insistisse com muitas palavras, ela concordou em persuadir o filho. 27Inclinou-se então para ele e, zombando do cruel tirano, assim falou na língua de seus pais: “Filho, tem compaixão de mim, que te trouxe nove meses em meu seio e por três anos te amamentei; que te criei e eduquei até a idade que tens, sempre cuidando do teu sustento. 28Eu te peço, meu filho: contempla o céu e a terra e observa tudo o que neles existe. Reconhece que não foi de coisas existentes que Deus os fez, e que também o gênero humano surgiu da mesma forma. 29Não tenhas medo desse carrasco. Pelo contrário, sê digno de teus irmãos e aceita a morte, a fim de que eu torne a receber-te com eles no tempo da misericórdia”. 30Mal tinha ela acabado de falar, o jovem declarou: “Que esperais? Não obedecerei às ordens do rei, mas aos mandamentos da Lei dada aos nossos pais por Moisés. 31E tu, que inventaste toda espécie de maldades contra os hebreus, não escaparás às mãos de Deus”.


Evangelho: Lc 19,11-28
Naquele tempo, 11 Jesus acrescentou uma parábola, porque estava perto de Jerusalém e eles pensavam que o Reino de Deus ia chegar logo. 12 Então Jesus disse: “Um homem nobre partiu para um país distante, a fim de ser coroado rei e depois voltar. 13 Chamou então dez dos seus empregados, entregou cem moedas de prata a cada um e disse: ‘Procurai negociar até que eu volte’. 14 Seus concidadãos, porém, o odiavam, e enviaram uma embaixada atrás dele, dizendo: ‘Nós não queremos que esse homem reine sobre nós’. 15 Mas o homem foi coroado rei e voltou. Mandou chamar os empregados, aos quais havia dado o dinheiro, a fim de saber quanto cada um havia lucrado. 16 O primeiro chegou e disse: ‘Senhor, as cem moedas renderam dez vezes mais’. 17 O homem disse: ‘Muito bem, servo bom. Como foste fiel em coisas pequenas, recebe o governo de dez cidades’. 18 O segundo chegou e disse: ‘Senhor, as cem moedas renderam cinco vezes mais’. 19 O homem disse também a este: ‘Recebe tu também o governo de cinco cidades’. 20 Chegou o outro empregado e disse: ‘Senhor, aqui estão as tuas cem moedas que guardei num lenço, 21 pois eu tinha medo de ti, porque és um homem severo. Recebes o que não deste e colhes o que não semeaste’. 22 O homem disse: ‘Servo mau, eu te julgo pela tua própria boca. Tu sabias que eu sou um homem severo, que recebo o que não dei e colho o que não semeei. 23 Então, por que tu não depositaste meu dinheiro no banco? Ao chegar, eu o retiraria com juros’. 24 Depois disse aos que estavam aí presentes: ‘Tirai dele as cem moedas e dai-as àquele que tem mil’. 25 Os presentes disseram: ‘Senhor, esse já tem mil moedas!’ 26 Ele respondeu: ‘Eu vos digo: a todo aquele que já possui, será dado mais ainda; mas àquele que nada tem, será tirado até mesmo o que tem. 27 E quanto a esses inimigos, que não queriam que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e matai-os na minha frente’”. 28 Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém.
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Ser Fiel Firmemente Ao Deus Salvador e a Sua Lei Mais Do Que Ao Poderoso Mundano Que Não Poder Para Salvar


Eu te peço, meu filho: contempla o céu e a terra e observa tudo o que neles existe. Reconhece que não foi de coisas existentes que Deus os fez, e que também o gênero humano surgiu da mesma forma. Não tenhas medo desse carrasco. Pelo contrário, sê digno de teus irmãos e aceita a morte, a fim de que eu torne a receber-te com eles no tempo da misericórdia”. É o pedido da mãe dos sete filhos para o mais novo deles.


O capitulo sétimo do Segundo Livro dos Macabeus é um canto ao heroísmo, à fidelidade, à etnia que mantem suas tradições como sinais de acatamento da vontade de Deus sobre o povo eleito. Trata-se de um autêntico poema dos filhos bem-nascidos e bem educados na Lei do Senhor.


Na Primeira Leitura de hoje encontramos duas atitudes que, tendo cada uma sua razão de ser, resultam na contraposta e por isso, são incompatíveis.


Uma atitude está representada pela mãe de uma família macabeia, crente firme que tem em Deus e em Seus preceitos salvíficos sua norma de conduta. Essa piedosa mulher e mãe judaica se considera criatura de Deus e entende que o Criador imprime na natureza umas leis pelas quais deve regular sua existência. Além disso ela crê em duas coisas: que Deus criador nos revelou na Escritura um pouco de seu amor paterno e que fixou ou sugeriu padrões de fidelidade, adoração, serviço, adoração, que devem ser respeitados. Por isso, ela é capaz de julgar a própria vida e a vida de seus filhos para se manter em coerência e fidelidade. Deus e ela estão em ação.


Outra atitude é encarnada no rei Antíoco ou governante que se considera a si mesmo legislador, juiz, árbitro da própia vida e de vidas alheias. Para ele não tem nenhum lugar para Deus. Ele sabe muito pouco (sem consciência) sobre piedades humanas e divinas. Ele se sente senhor e dono de sua vontade, de sua liberdade e decisões e da vida dos outros. Ele pensa que o recurso ao “divino” ou a fidelidade às “tradições religiosas” por parte da mulher macabeia é uma zombaria para a sua majestade e seu poder onipotente. Portanto, não tolera a resistência a sua vontade. Para ele, Deus como se não existisse. Para ele o importante na vida e história é o homem com seu poder e decisão.


Quando duas coisas e atitude se contrapõem, desse modo, não há possibilidade de entrar em razão e de descobrir a verdade com discernimento ou reflexão.


É magnífica a catequese que a valente mãe judaica dedica para seus filhos sobre o poder e a misericórdia do Deus criador. Essa é uma das mensagens fortes da leitura de hoje. Os pais devem ser os primeiros catequistas para seus filhos. A linguagem da fé de cada cristão se aprende no lar. A fé e a ética cristã se aprendem no lar que vão marcar a vida de cada membro para o resto da vida. Nenhum de nós adquiriu por si só os conhecimentos básicos para a vida. Cada um recebe, principalmente da família, a vida e as verdades básicas para viver uma vida sadia pessoal, social e comunitariamente. Neste sentido, os próprios pais são exemplo e professores das virtudes humanas e cristãs. Por isso, nada pode substituir a existência de uma família, pois ela é a base de uma história, de um crescimento, da maturidade humana e cristã, e assim por diante.


A Primeira Leitura também que destacar a vida além da morte. Este é um dos poucos livros do Antigo Testamento que tem ideia clara sobre a vida após a morte. Assim a mãe judaica anima seus filhos para o martírio com a esperança de que Deus saberá recompensá-los: “O Criador do mundo, que formou o homem na sua origem e preside à geração de todas as coisas, ele mesmo, na sua misericórdia, vos dará de novo o espírito e a vida, pois agora vos desprezais a vós mesmos, por amor às suas leis”.


Muitas vezes o que falta em nós em termos de testemunho (martírio) é uma conduta perseverante, fiel a Deus e a seus mandamentos resistindo à pressão do ambiente. Para ir contra corrente, um cristão ou uma família cristã necessita de um certo heroísmo.


Oxalá possamos também orar individualmente o Salmo da confiança que é o Salmo Responsorial de hoje (Sl 16) como compromisso nosso na fidelidade aos mandamentos do Senhor: “Os meus passos eu firmei na vossa estrada, e por isso os meus pés não vacilaram. Eu vos chamo, ó meu Deus, porque me ouvis, inclinai o vosso ouvido e escutai-me! Protegei-me qual dos olhos a pupila e guardai-me, à proteção de vossas asas. Mas eu verei, justificado, a vossa face e ao despertar me saciará vossa presença”.


Deus nos deu as mãos para trabalhar, para abraçar, para orar e não para receber o dinheiro fácil sacirificando nossos princípios éticos. Sejamos homens da verdade para ser mos homens de verdade. Deus nos deus a inteligência para nos deixar surpreender pela verdade das coisas e para conhecê-las em sua vinculação com Criador que é o Manacial de todo o ser. Deus nos deu a vontade para nos atuarmos com liberdade responsável aceitando o bem, não sendo escravos das paixões desordenadas. Deus nos deu a memória para recordarmos com gratuidade a mão criadora de Deus para que sejamos caridosos e genrosos para os demais. Somos frutos da generosidade do Deus criador.


Os Talentos São Dados a Nós Por Deus Para o Bem De Todos


Estamos no fim da viagem de Jesus para Jerusalém. Jesus está perto de Jerusalém (Lc 9,51-19,28). E Ele continua a aproveitar o momento para dar suas ultimas e importantes lições para nossa vida como cristãos. Desta vez, através de uma parábola, Jesus nos fala sobre os dons que Deus nos deu, e que precisamos frutificá-los para o bem de todos. Nisto consiste o sentido de nossa passagem neste mundo.


A parábola, lida no texto do evangelho de hoje, é semelhante à parábola dos talentos na versão de Mateus (cf. Mt 25, 14-30) embora cada evangelista tenha sua própria acentuação. Lucas fala de “mina” (“mina” equivale a 571 g). Mateus fala de “talento” (“talento” equivale a 34,272 kg). Mas ambos os evangelistas querem nos alertar que, um dia, cada ser humano prestará contas para Deus ou Deus vai pedir contas a cada homem dos dons e talentos recebidos que deveriam ser frutificados através da vivência do amor fraterno (cf. Mt 25,31-46). O encontro derradeiro com Deus será inevitável (cf. 2Cor 5,1-10), pois neste mundo somos apenas passageiros. O critério do julgamento será a vivência do amor fraterno. O amor é a moeda do reino que precisamos fazê-lo circular e frutificar. Se um dia nós formos condenados, não por termos amado demais e sim por termos amado de menos. Tudo será revelado e nada será escondido sobre tudo que fizemos, cometemos, praticamos, falamos e comentamos durante nossa passagem neste mundo. Precisamos ter temor do Senhor e não medo, pois o temor do Senhor é o início da sabedoria de viver na graça e pela graça de Deus (cf. 1Cor 15,10). O temor de Deus nos faz respeitarmos a vida e a dignidade do outro. O temor de Deus orienta nosso tratamento fraterno para com os demais: tratamento mais respeitoso por causa da vivência profunda do mandamento do amor fraterno (cf. Jo 13,34-35; 15,12). O temor de Deus nos faz vivermos como pessoas gratas, agradecidas e agraciadas.


O evangelista Lucas nos relatou que um homem nobre entregou cem moedas de prata para cada empregado para que eles pudessem multiplicá-los. A palavra “entregar” nos faz pensarmos no dom. Isto significa que ninguém escolhe os dons recebidos. Simplesmente cada um recebeu os dons de Deus. Eles são fruto da benevolência divina e não por nossos méritos. Ao Deus nos dar os talentos conforme a capacidade de cada um de nós, o evangelho quer nos dizer que Deus nos ama, tem confiança em nós e na nossa capacidade, nos estima, e por isso, deu-nos uma missão a realizar na vida. Deus nunca dá seus dons ou talentos acima de nossa capacidade. Diante da confiança depositada em mim por Deus, eu tenho que ter uma justa confiança em mim mesmo, porque, se assim não for, não posso revelar os meus dons ou talentos, não posso pôr a render os talentos que Deus me deu, não posso agir e produzir e fechar-me em mim mesmo, triste, na minha árida esterilidade e terminarei minha passagem neste mundo como pessoa ressentida pela vida vivida pela metade. Como é triste morrer sem ter sabido viver e como é triste viver sem aprender a morrer.


Se os dons são dados por Deus para cada um de nós gratuitamente, isto significa que estamos no mundo de gratuidade. Viver no mundo de gratuidade nos faz vivermos na constante gratidão e na permanente ação de graças que se traduz na generosidade com os demais. Viver na gratidão e na permanente ação de graças é uma grande revelação de que somos capazes de olhar para a vida e seus acontecimentos com o olhar positivo, com o olhar do Senhor. Quem vive na constante gratidão suas forças se renovam, sua auto-estima aumenta e seu ânimo de viver se dobra cada dia. E se tudo que temos e somos é o fruto da generosidade de Deus, cada um precisa ser prolongamento dessa generosidade divina partilhando e dividindo com os outros o que se tem e o que se é. A generosidade é o caminho de libertação das garras do apego das coisas terrenas. Mesmo que tenhamos dificuldade de largar o apego, um dia, quando chegar nosso momento nós seremos obrigados a renunciar a tudo que temos.


Para o evangelista Lucas, a história da salvação é dividida em três partes. Primeiro, o tempo de Israel. A história da salvação tem suas raízes no passado representado pelo Antigo Testamento, isto é, no tempo de Israel e em suas promessas. Segundo, o tempo de Jesus. Para Lucas, Jesus e seu ministério público representam o centro do tempo. Terceiro, o tempo da Igreja. O Espírito Santo (Pentecostes) funda a missão da Igreja.


Lendo a parábola dentro dessa divisão de tempo entendemos que o tempo da Igreja, isto é, o espaço da vida terrena é um tempo de plantio, floração, frutificação. Semear a bondade é a tarefa de cada cristão. A bondade é o único investimento que nunca falha. Ninguém pode esperar trigo, se na vida vive plantando o joio que só danifica o que é bom. Mas a bondade triunfará, pois Deus é o Supremo Bem. Nós não somos os donos do espaço e do tempo de nossa vida. Somos criaturas de Deus. O documento Lúmen Gentium do Concílio Vaticano II afirma: “Todos os fieis cristãos são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” (LG 40). Ou na linguagem de São Paulo: “A caridade é o pleno cumprimento da lei” (Rm 13,10).


O Senhor confiou à Sua Igreja uns ministérios, uns dons ou talentos. E um dia todos serão chamados a prestar contas. Dons são de Deus. O homem é administrador dos dons. Alguns os fazem frutificar em serviços, solidariedade e fortalecimento dos ministérios para o bem comum. Estes verão o fruto de suas boas obras. Outros, somente esperam que seus ministérios lhes sirvam como um simples título de prestígio. Os que foram negligentes com seu ministério e sepultaram seus dons, verão como seu nome desaparecerá.


A mensagem da parábola é clara. Temos que ser criativos até a chegada da segunda vinda do Senhor na nossa vida (parusia). O Senhor nos concede Seus dons para continuarmos construindo Seu projeto do Reino. Ele faz de nós pequenos criadores (ser criativos). Pode ser que a cultura atual seja uma fábrica de passividade. Mas os cristãos continuam sendo, “geneticamente”, criativos, pois o Senhor concede-lhes dons para serem frutificados ou multiplicados. Sem exageros, podemos dizer que nascemos gênios, mas muitos morrem na mediocridade por falta de esforço.


Para ter muita imaginação temos que ter muita memória. Grande parte das operações chamadas “criadoras” depende de uma hábil exploração da memória. Com efeito, a desvinculação das raízes (memória), a falta da profundidade impede a criatividade. Quando se elimina a memória (raiz), se elimina também a criatividade profunda.


Afinal, a vida cristã não consiste em estar pendente do futuro. A existência cristã se joga no presente e por isso, não consiste na simples espera ou expectativa, e sim no compromisso de amor. Deus não quer saber se frutificamos muito ou pouco com os talentos que recebemos. Mas que os frutifiquemos. O que se enfatiza é o esforço, isto é, usar todo esforço que se tem para frutificar os dons recebidos: sejam 30%, 60% ou 100% de resultado. A Bíblia não tem uma única palavra de louvor para o preguiçoso e a pobreza, quando é conseqüência da preguiça, pois a preguiça nunca é considerada como virtude.


O que eu tenho multiplicado nos meus dons até agora é a pergunta que cada um deve fazer diariamente, especialmente neste momento.


Na Eucaristia o Senhor nos entrega sua Palavra, sua Vida que nos salva, e a comunhão fraterna no amor. Este grande tesouro certamente deve ser aproveitado primeiramente por cada um de nós. Nós somos os primeiros beneficiados pelo Senhor, e Sua presença em nós há de ser uma presença transformante, transfigurante, de tal modo que, dia a dia, vamos não somente sendo iluminados pela Luz do Senhor e sim que nos convertamos em luz que ilumine o caminho daqueles que nos rodeiam. Não podemos deixar que o Senhor acende sua Luz em nós para depois apagarmos d’Ele. Sua presença em nós há de ser contínua, unidos a Ele mediante a oração e a escuta de Sua Palavra, pois a salvação não é obra do homem e sim de Deus no homem com a colaboração do homem.


Na nossa comunidade, será que conhecemos e valorizamos os dons dos outros membros da mesma? Nossa comunidade é um espaço para frutificar os dons?

P. Vitus Gustama,svd

sábado, 18 de novembro de 2017

21/11/2017

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SER MEMBRO DA FAMÍLIA DE JESUS CRISTO
FESTA DA APRESENTAÇÃO DE NOSSA SENHORA


Primeira Leitura: Zc 2,14-17
14 “Rejubila, alegra-te, cidade de Sião, eis que venho para habitar no meio de ti, diz o Senhor. 15 Muitas nações se aproximarão do Senhor, naquele dia, e serão o seu povo. Habitarei no meio de ti, e saberás que o Senhor dos exércitos me enviou a ti. 16 O Senhor entrará em posse de Judá, como sua porção na terra santa, e escolherá de novo Jerusalém. 17 Emudeça todo mortal diante do Senhor, ele acaba de levantar-se de sua santa habitação”.


Evangelho: Mt 12, 46-50
Naquele tempo, 46 enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47 Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. 48 Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 49 E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. 50 Pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.
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Celebramos hoje a memória da Aparesentação de Nossa Senhora. Esta festa começou a ser celebrada na Igreja oriental, que sempre foi muito sensível à piedade mariana mais ou menos desde o século VI e oficialmente em 1143. Tardiamente foi incorporada ao calendário ocidental, romano, em 1472 pelo papa Sisto IV (9 de agosto de 1471 até 12 de agosto de 1484). Na verdade desde o século XII já se celebrava no Sul da Itália e em alguns lugares na Inglaterra.


A apresentação de Nossa Senhora não é narrada nos evangelhos. Ela é uma tradição muito antiga (Evangelho Apócrifo do século II: Evangelho apócrifo de São Tiago). Segundo esta tradição (Apócrifo), os pais de Maria, Joaquim e Ana, piedosos israelitas, não conseguiram ter filhos até sua idade avançada por causa da esterilidade. Não ter filhos significava, na época, o castigo de Deus pelos pecados cometidos. Mas os dois eram justos. Em sua angústia Ana fez uma oração fervorosa, prometendo ao Senhor oferecer-lhe o fruto de suas entranhas se lhe concedesse descendência. O nascimento de Nossa Senhora foi o resultado dessa oração e dessa promessa: “Ó Deus de nossos pais, abençoa-me e ouve minha oração como abençoaste o ventre de Sara, dando-lhe um filho, Isaac”, assim Ana,  mãe de Maria rezava (Apócrifo de Tiago, 2,1). Quando se retirou para o deserto durante quarenta dias e quarenta noites Joaquim, pai de Maria, dizia para si mesmo: “Não descerei nem para comida, nem para bebida, enquanto o Senhor não me visitar; a minha oração será para mim comida e bebida” (cf. Apócrifo de Tiago 1,4). Joaquim e Ana, fiéis ao seu voto, apresentaram a menina quando tinha três anos no templo e permanecia, no templo, dedicada à oração até seu casamento com José (cf. Evangelho apócrifo de São Tiago 7,1-8,1)


A apresentação de Nossa Senhora é a festa de entrega voluntária a Deus. É a festa da total entrega da Virgem Maria a Deus e da sua plena dedicação aos planos divinos. A Virgem Maria nunca negou nada a Deus. Sua correspondência à graça divina e às moções do Espirito Santo foi sempre plena.  É a festa que nos ensina a renunciar a nossa própria vontade a fim de fazer somente a vontade de Deus para formar uma família com Deus e ser instrumento divino para levar os outros para Deus: “Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”, diz Jesus (Mt 12,50).
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O texto do evangelho de hoje é escolhido em função da festa da Apresentação de Nossa Senhora ao Senhor.


No texto do evangelho deste dia, onde os familiares de Jesus não são mencionados por seus nomes, “a mãe”, aqui, representa Israel enquanto origem de Jesus e “os irmãos” representam também Israel enquanto membros do mesmo povo. Israel fica “fora” em vez de se aproximar de Jesus. Jesus rompe sua vinculação de seu povo de origem para formar uma nova família com os que se associam com o compromisso de formar uma comunidade de irmãos vivendo o amor fraterno (ágape) como maior mandamento (cf. Jo 13,34-35; 15,12).


A maior parte das religiões do mundo se apóia na família, comunidade natural. Jesus edifica sua religião ou sua comunidade não sobre as relações familiares e sim sobre uma comunidade de tipo seletivo em virtude da fé para elevar a família humana em família de Deus. Para divinizar a família humana é preciso que Deus seja de todos e centro da vida e de qualquer convivência (família, comunidade, grupos etc.).


A evolução do mundo técnico tende a tirar o homem de suas comunidades naturais para submergi-lo em comunidades mais “artificiais” ou “mais seletivas”. Por isso, a família vive, muitas vezes, de maneira dramática o conflito das gerações que caracteriza a nossa época. Os pais rezam melhor em companhia de seus amigos do que em família, com seus filhos e familiares. Mas se todos se preocuparem com a vontade de Deus ao praticar o bem, ao viver o amor fraterno, o único que nos edifica, humaniza e diviniza, acabarão salvar a comunidade natural que é a família humana. Por isso, Jesus afirma hoje: Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12,50). Trata-se de uma família ou uma comunidade de Deus, e por isso, de uma comunidade de salvação.


Jesus, por sua encarnação, entrou no mundo e formou parte de nossa humanidade, de uma verdadeira humanidade, com os laços de sangue e de cultura e cresceu em uma família. Ele se tornou humano para nos divinizar. Ele nasceu numa família para santificar a família. Ele viveu em um país determinado, Palestina; tinha uma mãe, Maria. Essas realidades humanas têm grande importância, constituem realmente o lugar de nossa vida.


“Quem é minha mãe? Quem são meus irmãos?”, pergunta Jesus. A pergunta não significa um desprezo de Jesus aos seus parentes ou familiares. Ninguém amou Sua mãe melhor que Ele. E nenhuma mãe amou melhor seu Filho, Jesus Cristo, Deus-Conosco do que a própria Maria, a mãe de Jesus.


Com esta pergunta Jesus quer nos revelar algo muito importante: o discípulo, cada cristão, cada cristã que vive os ensinamentos de Jesus é um parente de Jesus. Jesus oferece aos homens a qualitativa intimidade de sua família. A família humana de Jesus viveu conforme a vontade de Deus: José que criou Jesus era chamado de “o justo”, aquele que vive segundo os mandamentos de Deus (cf. Mt 1,19). Maria, a Mãe de Jesus foi chamada pelo anjo de “cheia de graça” (cf. Lc 1,28) e ela viveu a vida conforme a vontade de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua palavra” (Lc 1,38).  Por isso, a família humana de Jesus serve de exemplo para todas as famílias humanas. Que é possível formar uma família de Deus nesta terra quando Jesus se torna centro de todos e quando todos vivem de acordo com a Palavra de Deus. A única maneira de salvar a família humana é transformá-la em família de Deus, família que vive de acordo com os mandamentos de Deus.


Entre Deus e os homens já não há somente relações frias de obediência e de submissão como entre o patrão e o empregado. Com Jesus entramos na família divina, como seus irmãos e irmãs, como sua mãe. Se em todos os meus atos e atitudes de cada dia, se em todos os minutos de minha vida procurar me manter unido a Deus na vivência do amor fraterno, serei irmão de Jesus, farei parte da família de Deus desde aqui na terra junto aos outros irmãos e irmãs no mundo inteiro que fazem a mesma coisa.


Todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Esta frase deve servir de orientação para nossa vida diária. É lindo e desejável ter um lar, um aconchego. É o sonho de todos. É o desejo de qualquer coração. Ter um lar é um sonho vivo de qualquer ser humano. No lar podemos descansar, conviver amorosamente e estar juntos como pessoas amadas. Mas é preciso incluir Jesus como membro de nosso lar e nós como membros do lar do Senhor. Somente assim nosso lar na terra se transformará em céu antecipado onde há paz e amor, segurança e alegria, festa e descanso. Nosso ler definitivo no céu deve começar desde já aqui na terra tendo Jesus como membro de nossa família e nós, da família de Jesus. A disponibilidade de Maria diante da Palavra e do desígnio divino nos indicam o grado máximo que devemos aspirar no serviço da Palavra divina: “Faça-se em mim segundo a sua Palavra” (Lc 1,38).


Reflita:


“Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por Ele dia e noite? ... Digo-vos que em breve Deus lhes fará justiça” (Lc 18,7-8).


“O Senhor, meu Deus, vive, se eu der à luz, trate-se de homem ou de mulher, oferecê-lo-ei em voto ao Senhor meu Deus, e o servirá em todos os dias de sua vida”, prometeu Ana (Apócrifo de Tiago, 4,1).


P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

20/11/2017
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SENHOR, QUEO EU VEJA COMO TU VÊS
Segunda-Feira da XXXIII Semana Comum


Primeira Leitura:  1Mc 1,10-15.41-43.54-57.62-64
Naqueles dias, 10 brotou uma raiz iníqua, Antíoco Epífanes, filho do rei Antíoco. Estivera em Roma, como refém, e subiu ao trono no ano cento e trinta e sete da era dos gregos. 11 Naqueles dias, apareceram em Israel pessoas ímpias, que seduziram a muitos, dizendo: “Vamos fazer uma aliança com as nações vizinhas, pois, desde que nos isolamos delas, muitas desgraças nos aconteceram”. 12 Estas palavras agradaram, 13 e alguns do povo entusiasmaram-se e foram procurar o rei, que os autorizou a seguir os costumes pagãos. 14 Edificaram em Jerusalém um ginásio, de acordo com as normas dos gentios. 15 Aboliram o uso da circuncisão e renunciaram à aliança sagrada. Associaram-se com os pagãos e venderam-se para fazer o mal. 41 Então o rei Antíoco publicou um decreto para todo o reino, ordenando que todos formassem um só povo, obrigando cada um a abandonar seus costumes particulares. 42 Todos os pagãos acataram a ordem do rei 43 e inclusive muitos israelitas adotaram sua religião, sacrificando aos ídolos e profanando o sábado. 54 No dia quinze do mês de Casleu, no ano cento e quarenta e cinco, Antíoco fez erigir sobre o altar dos sacrifícios a Abominação da desolação. E pelas cidades circunvizinhas de Judá construíram altares. 55 Queimavam incenso junto às portas das casas e nas ruas. 56 Os livros da Lei, que lhes caíam nas mãos, eram atirados ao fogo, depois de rasgados. 57 Em virtude do decreto real, era condenado à morte todo aquele em cuja casa fosse encontrado um livro da Aliança, assim como qualquer pessoa que continuasse a observar a Lei. 62 Mas muitos israelitas resistiram e decidiram firmemente não comer alimentos impuros. 63 Preferiram a morte a contaminar-se com aqueles alimentos. E, não querendo violar a aliança sagrada, esses foram trucidados. 64 Uma cólera terrível se abateu sobre Israel.


Evangelho: Lc 18,35-43
35 Quando Jesus se aproximava de Jericó, um cego estava sentado à beira do caminho, pedindo esmolas. 36 Ouvindo a multidão passar, ele perguntou o que estava acontecendo. 37 Disseram-lhe que Jesus Nazareno estava passando por ali. 38 Então o cego gritou: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” 39 As pessoas que iam na frente mandavam que ele ficasse calado. Mas ele gritava mais ainda: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” 40 Jesus parou e mandou que levassem o cego até ele. Quando o cego chegou perto, Jesus perguntou: 41 “Que queres que eu faça por ti?” O cego respondeu: “Senhor, eu quero enxergar de novo”. 42 Jesus disse: “Enxerga, pois, de novo. A tua fé te salvou”. 43 No mesmo instante, o cego começou a ver de novo e seguia Jesus, glorificando a Deus. Vendo isso, todo o povo deu louvores a Deus.
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Estar No Mundo Sem Ser Do Mundo


Durante esta semana que é a penúltima semana do Ano litúrgico lemos uma seleção dos livros dos Macabeus. Na Bíblia católica há dois livros dos Macabeus que são considerados “deuterocanônicos”: foram declarados inspirados por Deus nos concílios de Florença (1441), de Trento (1546) e Vaticano I (1870). Na verdade há quatro livros. Para os judeus e para os protestantes todos os quatro são apócrifos. Apócrifo é a palavra grega (apócryphos) que significa escondido, secreto, oculto. Os livros apócrifos são chamados assim porque não eram de uso público ou não eram usados oficialmente na liturgia e no ensino. Há outros livros apócrifos do AT como também há livros apócrifos do NT. Dos quatro livros dos Macabeus dois deles são considerados pela Igreja católica como apócrifos: o 3º Macabeus (130-100 a.C) e 4º Macabeus (século I a.C).


Os dois livros partem de uma ideia: a fé de Israel está correndo perigo, pois há oposição evidente entre o judaísmo (2Mc 2,21;8,1; 14,38) e o helenismo (2Mc 4,13-14; 11,2-3). Há tentação forte da parte do povo israelita de adotar a civilização grega que é mais elevada e desenvolvida do que a civilização judaica. Mas tem um preço alto a pagar: renunciar aos valores sagrados que significa uma traição à fé da Aliança. Isarel teve de lutar ao longo de sua história contra o sincretismo religioso. E agora tem que lutar contra outro tipo de sincretismo que o helenismo propõe. Uma parte do povo adotou o helenismo (apostasia). Mas a maioria conservadora recusou, pois o povo israelita é um povo eleito (2Mc 1,25). A identidade como o povo eleito conduz o povo para um nacionalismo feroz através do martírio. O povo israelita acredita que aquele que morre pela lei experimentará a ressurreição dos justos (2Mc 7,9).


Nesta luta o povo israelita tem uma convicção forte de que Deus não abandona seu povo da Aliança e por isso, o povo se apoia sempre em Deus na sua luta. As principais armas que o povo usa para cada batalha são a oração, o jejum e a leitura da Bíblia (1Mc 3,48), pois quem decide a batalha é o próprio Deus.


A Primeira Leitura de hoje nos narra a diversa reação dos israelitas diante da ordem de adotar a religião oficial pagã. Para os israelitas foi um tempo difícil: “Uma cólera terrível se abateu sobre Israel”. O pecado dos judeus apóstatas não era a aceitação ou não da cultura helênica, mas "aboliram o uso da circuncisão e renunciaram à aliança sagrada. Associaram-se com os pagãos e venderam-se para fazer o mal” e "Eles ofereceram sacrifícios aos ídolos e profanaram o sábado".


A tentação da secularização continua existente. Mas para começar digamos que “secular”, “secularidade” e “secularização” fazem referência a “ser e estar no mundo” (no século). Quando falamos de secularidade para a Igreja ou para o cristianismo, entendemos com isso como “a maneira peculiar de ser Igreja encarnada”, no mundo e para o mundo. Certamente como sacramento de salvação.


Enquanto que secularização denotaria, em sentido negativo, a autonomia total do mundano e a separação com relação ao cristianismo e à Igreja. Em outras palavras, estaríamos falando de laicismo. O Vaticano II, em Gaudium et Spes, admite uma “relativa otonomia” do civil, isto é, uma sã secularidade.


Os elementos que devemos levar em conta são os seguintes: Primeiro, o Ser e o Fazer (identidade e missão) de uma Igreja que vive no mundo e para o mundo, exerce sua missão no mundo e por meio do mundo. É uma Igreja plenamente encarnada. Segundo, o Ser e o Fazer dos fieis leigos. Porque neles e por eles a Igreja vive “em plenitude e profundidade” a inserção no mundo: Sal da terra e luz do mundo. Esta “índole secular”, é a chave para entender a teologia e espiritualidade laical. Terceiro, o Ser e o Fazer dos presbíteros (diocesanos/seculares). Se a perfeição do presbítero diocesano ou secular consiste em viver a radicalidade da caridade pastoral, então está se encarnando na vivência no século.


Todas as formas de vida na Igreja estão no século, são seculares, ainda que a grande diferença sejam as formas de viver os dons do Espirito. Neste sentido, convem não nos esquecermos que nós cristaos estamos no mundo sem ser do mundo. A pastoral, no terreno da secularidade, se move entre a inserção real e trans-secularidade. Porque a logica e dialética do Reino de Deus é esta: “Já presente, mas não realizado em plenitude”.


Podemos ser modernos e assumir todos os progressos da ciência e da cultura, mas o que não temos que perder é nossa fé e nosso estilo cristão de vida. Somos “o sal da terra” e “a luz do mundo” (Mt 5,13-14). Ai está nosso testemunho: ser fortes para lutar contra corrente. Ou pode seguir corrente sem nos deixar levar pela correnteza do modernismo. Os judeus fieis foram assim com todas as consequências: “Muitos israelitas resistiram e decidiram firmemente não comer alimentos impuros. Preferiram a morte a contaminar-se com aqueles alimentos. E, não querendo violar a aliança sagrada, esses foram trucidados”. Nos seus lábios põem o Salmo Responsorial de hoje: “Quando vejo os renegados, sinto nojo, porque foram infiéis à vossa lei.... Mesmo que os ímpios me amarrem com seus laços, nem assim hei de esquecer a vossa lei”.


Senhor Que Eu Enxergue Sua Presença Para Entender o Sentido Da Minha Vida


Continuamos escutando as ultimas e importantes lições dadas por Jesus no seu caminho para Jerusalém (Lc 9,51-19,28).


No Evangelho deste dia o evangelista Lucas conta como Jesus, depois de anunciar sua Paixão e ressurreição, curou um cego dentro do contexto de uma subida para Jerusalém. A incredulidade dos apóstolos é um tema freqüente nos anúncios da Paixão e da subida para Jerusalém. Os apóstolos ficam como que cegos diante deste anúncio. Jesus não para de dar lições para que os apóstolos possam entender o sentido da missão de Jesus que, um dia, eles devem levá-la adiante.


Por isso, a intenção do evangelista Lucas é bem clara ao colocar este episódio aqui: para compreender o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus é preciso abrir os olhos da fé para poder entender as Escrituras. Os meios humanos são inadequados. É preciso deixar-se conduzir por outro para descobrir a Luz.


Como Deus é Luz, ele colocou seus olhos nos olhos de Jesus para poder olhar para nosso mundo como ninguém neste mundo. E como Jesus é a Luz do mundo (cf. Jo 8,12), ele devolveu a visão para o mendigo cego: “Enxerga, pois, de novo. Tua fé te salvou!”, disse Jesus ao cego.


Um provérbio árabe diz: “Vem a mim com teu coração e eu te darei meus olhos”. Jesus também nos diz: “Vem a mim com teu coração!”. Temos que nos aproximar de Jesus com nosso coração, com nossa coragem de ver, de vê-Lo todo e de ver o mundo e os outros homens como Deus os vê: com amor e compaixão. A fé também é um grito de socorro: “Jesus, tem piedade de mim!”. Jamais podemos desistir de gritar a Jesus para pedir socorro, como pediu o cego mendigo. Somente os olhos de Jesus podem nos fazer ver com alegria a vida até nas suas dores. 


Não há nada que seja mais belo ou formoso na vida do que poder ver: ver o rosto da mãe ou do pai, ver o sorriso de uma criança, ver os olhos da pessoa amada, ver uma passagem, ver o sol, a natureza, a obra dos homens, ver “as obras dos dedos de Deus” (Sl 8,4) e assim por diante. Jesus nos chamou para ver: “Venham e vejam!” (Jo 1,39), disse Jesus aos dois discípulos de João que mais tarde se tornarão discípulos seus. É para ver a vida a partir de uma perspectiva especial para poder caminhar na direção certa.


O olhar é um dom precioso e fascinante legado pelo Criador. É uma das áreas humanas que mais chama a atenção das pessoas. O olhar é como uma bússola a guiar nossos passos, nossos gestos, nossas atitudes. O olhar sempre está aí atento a um ou outro detalhe. Os olhos determinam um pouco ou muito do que somos. E o olhar é sempre anterior às nossas palavras.


É tão natural olhar, que nem nos damos conta desse misterioso gesto. Muitas vezes olhamos; poucas vezes, porém, nos encontramos. Alguns se limitam a olhar os outros para anotar seus possíveis defeitos. Não deixa de ser a mais trágica expressão de nossa crueldade. O olhar superficial jamais enxerga alguém; os outros são objetos de curiosidade, de conversa.


O cego da nossa história está sentado à beira do caminho e pede esmola. O estar sentado significa acomodação, instalação, conformismo. Ele está privado da luz e da liberdade e está conformado com a sua triste situação, sabendo que, por si só, é incapaz de sair dela. E o pedir esmola indica a situação de escravidão e de dependência em que o homem se encontra.


Num diálogo público com o cego, Jesus pergunta ao cego sobre o que ele quer: “O que queres que eu faça por ti?”. E o cego sabe muito bem daquilo que ele quer: “Senhor, que eu veja!”. “Enxerga, pois, de novo. Tua fé te salvou” é a resposta de Jesus. E aconteceu o milagre. A Palavra de Jesus devolve ao cego a vista como símbolo da fé. Por isso, o evangelista Lucas nota que esse homem, depois que ficou curado, “seguia a Jesus”. É um corte radical com o passado, com a vida velha, com a anterior situação, com tudo aquilo em que se apostou anteriormente, a fim de começar uma vida nova ao lado de Jesus.


Diante de Jesus e com Jesus não há situação por difícil que seja que não haja solução. É preciso, no entanto, que não nos fechemos no nosso egoísmo e na nossa auto-suficiência, surdos e cegos aos apelos de Deus; é preciso que as nossas preocupações com os valores efêmeros não nos distraiam do essencial; é preciso que aprendamos a reconhecer os desafios de Deus nesses acontecimentos banais com que, tantas vezes, Deus nos interpela e questiona.


Uma das razões que nos impedem de sermos autenticamente nós mesmos e encontrar nosso caminho é não compreender até que ponto estamos cegos. Mas a tragédia está no fato de que não estamos conscientes de nossa cegueira. Vivemos num mundo de coisas que captam ou chamam nossa atenção e se impõem. O que é invisível, ao contrário, que não se impõe, nós devemos buscá-lo e descobri-lo. O mundo exterior pretende nossa atenção. Enquanto que Deus se dirige a nós com discrição.


Ser incapaz de perceber o invisível, ou ver somente o mundo da experiência significa ficar-se fora do mundo da experiência, significa ficar-se fora do pleno conhecimento, significa ficar-se fora da experiência da realidade total que é o mundo de Deus e Deus no coração do mundo.


Além de ser incapaz de perceber o invisível, o egoísmo reduz o homem a seus próprios desejos e interesses, lhe fecha os olhos e o coração, o paralisa à margem do caminho por onde percorre a vida. O homem que vegeta em seu egoísmo tem um coração demasiado estreito para acolher o próximo e demasiado estreito para receber Deus.


O encontro com o próximo é indispensável para o encontro com Deus, pois isto é o primeiro que cremos: que Deus se fez homem (Jo 1,14). Não é possível escutar a Palavra de Deus, se não estamos dispostos a escutar os homens. Por isso, a dificuldade da fé não é outra coisa que nosso próprio egoísmo, nossa auto-suficiência, porque a fé é abertura, encontro, aceitação.


O cego que voltou a ver é o símbolo de todos os homens que desejam ver, caminhar e viver. Sobretudo é um símbolo para todos em tempos de crise, de obscuridade, de desorientação. É um símbolo para o homem que, apesar de tudo, busca e continua buscando sua direção ou seu guia para sua vida. Junto ao homem que busca, Jesus passa como a Vida, a Luz e o Caminho para o homem. Com Jesus o homem se encontra consigo mesmo e com Deus que direciona a vida para sua plenitude. A fé em Jesus é uma luz que ilumina a vida. A luz da fé ilumina e dá sentido à nossa vida porque põe claridade na origem, de onde viemos e no término, no fim de nosso destino.


O cego não pede outra coisa a não ser a capacidade de enxergar de novo: “Senhor, que eu possa enxergar de novo”. A luz divina que opera nele não lhe permite ver outra coisa na vida a não ser o caminho que Jesus traçou que ele precisa trilhar para chegar à vida eterna.


E os nossos olhos servem para enxergar o caminho de Jesus ou para ver os defeitos dos outros? Quem enxerga apenas os defeitos dos outros é porque a luz divina ainda não operou na sua vida. Precisamos rezar com o cego mendigo: “Senhor que eu possa enxergar de novo!”.
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P. Vitus Gustama,svd