sábado, 23 de setembro de 2017

25/09/2017
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SER CRISTÃO É VIVER UMA VIDA CAPAZ DE ILUMINAR OS OUTROS
Segunda-Feira da XXV Semana


Primeira Leitura: Esdras 1,1-6
1 No primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a palavra do Senhor pronunciada pela boca de Jeremias, o Senhor moveu o espírito de Ciro, rei da Pérsia, que mandou publicar em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a seguinte proclamação: 2 “Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá. 3 Quem, dentre vós todos, pertence a seu povo? Que o Senhor, seu Deus, esteja com ele, e que se ponha a caminho e suba a Jerusalém, e construa o templo do Senhor, Deus de Israel, o Deus que está em Jerusalém. 4 E a todos os sobreviventes, onde quer que residam, as pessoas do lugar proporcionem prata, ouro, bens e animais, além de donativos espontâneos para o templo de Deus, que está em Jerusalém”. 5 Então se levantaram os chefes de família de Judá e de Benjamim, os sacerdotes e os levitas, todos aqueles que se sentiram inspirados por Deus para ir edificar o templo do Senhor, que está em Jerusalém. 6 E todos os seus vizinhos lhes trouxeram toda espécie de ajuda em prata, ouro, bens, animais e objetos preciosos, sem falar em todas as doações espontâneas.


Evangelho: Lc 8,16-18
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 16 “Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ao contrário, coloca-a no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz. 17 Com efeito, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto; e tudo o que está em segredo deverá tornar-se conhecido e claramente manifesto. 18 Portanto, prestai atenção à maneira como vós ouvis! Pois a quem tem alguma coisa, será dado ainda mais; e àquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter”.
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Deus É Providente Para Quem Deposita Sua Fé Nele


O Senhor, Deus do Céu, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá... construa o templo do Senhor, Deus de Israel, o Deus que está em Jerusalém”, disse o edito do rei Ciro dirigido para os israelitas.


Durante três semanas acompanharemos as Primeiras Leituras tiradas do Antigo Testamento. A partir de hoje até Quarta-feira que vem a Primeira Leitura será tirada do livro de Esdras.


No livro de Esdras-Neemias podemos ler os acontecimentos vividos pela comunidade judaica desde o edito de Ciro (538 a.C) até as proximidades do ano 400 a.C em que o povo judeu começa a se reconstruir depois da volta do exílio na Babilônia.  Trata-se de uma época da restauração da nação israelita e do nascimento do judaísmo.


O ano 538 a.C, tendo derrotado estrondosamente o império de Babilônia, o rei Ciro publica o edito, que lemos hoje, permitindo a repartição aos judeus. Os reis persas, novos donos da situação, tiveram, não somente com Israel e sim com outros povos submetidos a seu império, uma política bastante tolerante para suas liberdades e autonomia, sobretudo, referente à religião.


Essa libertação foi interpretada pelos israelitas como uma providência divina: Que Deus se serviu de rei Ciro para Seus planos de salvação. Essa volta para Jerusalém é um novo êxodo da escravidão para a liberdade. Deus vai escrevendo sua história para a salvação de todos. O desterro durou uns cinquenta anos: uma geração. Os anos do desterro foram pesados social e religiosamente, como recorda o Salmo 136(137),1-9. Mas as promessas de Deus se cumprem e começa de novo a história do povo israelita. Deus nunca deixa as portas fechadas para todos os que creem nele. A alegria dessa libertação se reflete no Salmo Responsorial (Sl 125): “Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar; encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios de canções”.


A volta dos israelitas para Jerusalém permite que se conserve a única religião monoteísta e não se rompa a linha das promessas messiânicas. Nem todos voltaram para Jerusalém, pois se instalam na nova terra.


Quando não se espera em Deus, se desespera. Quando não se ocupa no espirito do Senhor, se preocupa. Será que somos nós que se desesperam facilmente pelo futuro da Igreja, da vida religiosa, da juventude? Será que contamos sempre com Deus em tudo que fizermos ou contamos apenas com nossas forças e técnicas e métodos? Temos que aprender da história do povo israelita que, pela Sua providência, também Deus é capaz de conduzir a história, muitas vezes, por meio de pessoas que não esperaríamos, como os reis pagãos de Persia. Estejamos atentos e abertos para o Espirito de Deus que sopra através de tantas pessoas e de acontecimentos diários de nossa vida. A volta do povo israelita para Jerusalém para a reestruturação de sua nação nos ensina que devemos estar sempre dispostos a começar tudo de novo, confiando nos planos de Deus apesar de nos encontrarmos no meio da turbulência da vida. Cada novo dia é o dia de recomeço, de reestruturação de nossa vida. Temos que transmar nossas lamentções em novas forças para reconstruir nossa vida e nosso futuro.


O Modo De Viver Do Cristão Deve Servir Como Luz Para Guiar Os Outros Para Deus


A escuridão não pode expulsar a escuridão, apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio, só o amor pode fazer isso”.
Há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros”.
(António Vieira)


Os breves ensinamentos de Jesus no texto do evangelho de hoje são continuação do ensinamento de Jesus no texto anterior (cf. Lc 8,4-15 sobre a parábola da semente).


Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ao contrário, coloca-a no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz”, assim Jesus nos diz hoje.


Através deste ensinamento Jesus quer que sejamos luz que ilumine os demais. No Sermão da Montanha Jesus define nosso ser como sal e como luz: “Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-14). Trata-se de uma presença indispensável para os demais. Um cozinheiro pode colocar todos os tipos de tempero na comida, mas basta o sal estar ausente, o resto fica sem sabor. Alguém pode querer andar para qualquer lugar, mas sem a luz nada poderá acontecer nem poderá chegar ao endereço desejado. Se cada cristão tiver consciência do seu ser e de sua importância neste mundo, ele usará seu tempo de vida para iluminar a vida dos outros e para dar sabor à vida dos demais. Sua vida é para os demais. O cristão existe para os outros como Cristo existiu para a humanidade. Um cristão egoísta deixa de ser um verdadeiro cristão, pois a alma de todo projeto de Cristo é a partilha. Cristo se dá para que os outros tenham vida em abundância (cf. Jo 10,10).


Mas para ser luz para o próximo o cristão precisa ser, primeiro, iluminado pela Luz divina que é o próprio Cristo (Jo 8,12) para que possa ser reflexo dessa Luz para os outros. Contemplar permanentemente Cristo, Luz do mundo por excelência, é uma forma de manter nossa vida luz para os demais.  a partir do memento em que deixarmos de contemplar Cristo, Luz do mundo, deixaremos de ser reflexos de Cristo para o mundo ao nosso redor. É ser refletido por Cristo para eu ser reflexo de Cristo para os demais. Aquele que contempla Cristo será reflexo do próprio Cristo.


O que o cristão recebe de Deus é para a edificação dos demais e não para o proveito próprio. O cristão não pode viver só para si: “Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama”. Ele precisa ter consciência de sua missão como luz para os demais: “... ao contrário, coloca-a (luz) no candeeiro, a fim de que todos os que entram vejam a luz”. O cristão deve fazer-se público, mostrando seu rosto como cristão para iluminar as pessoas ao seu redor. O modo cristão de viver a vida serve para iluminar os demais e para acordar quem viver adormecido. Se temos uma certa tendência de privatizar a fé, Jesus nos convida a darmos testemunho diante dos demais publicamente de acordo com a vocação de cada um de nós na sociedade: político, médico, artista, esportista, professor e assim por diante. Sua presença em qualquer lugar deve ser como a presença da luz: iluminar. Pode até criar a sombra com a presença da luz, mas até a sombra é iluminada também pelos raios da luz. “A principal missão do homem, na vida, é dar luz a si mesmo e tornar-se aquilo que ele é potencialmente” (Erich Fromm).


Se o cristão não viver de acordo com sua essência como sal da terra e luz do mundo, ele vai se cumprir nele o que Jesus diz hoje: “A quem tem alguma coisa, será dado ainda mais; e àquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter”. Os dons que não se fazem frutificar se perdem. Os músculos que não se fazem atuar se atrofiam. E a fé se apaga aos poucos quando não se coloca em prática. A vida sem amor se apaga. A vida sem abertura para o crescimento se esteriliza. Quem não avança no desenvolvimento se infantiliza.


No dia de nosso Batismo cada um acendeu a vela no círio pascal, tomando a luz do Círio pascal, símbolo de Cristo. É um gesto que nos recorda nosso compromisso, como batizados, de dar testemunho dessa Luz diante das pessoas ao nosso redor. O Concílio Vaticano II chamou a Igreja de Lumen Gentium, luz das nações. Isto quer nos dizer que o que devemos ser, na realidade, conforme nossa essência é comunicar a luz, a alegria e a força que recebemos de Deus para os outros. Sendo luz do mundo e sal da terra, o cristão se tornará um amigo que sabe animar e dizer uma palavra orientadora para as pessoas ao seu redor. o cristão jamais obscurece o caminho dos outros, pois ele é enviado para ser luz do mundo (Mt 5,13-14).


Cada momento e cada circunstância devem ser, para o cristão, ocasião para renovar a opção do primeiro momento (Batismo) para não encontrar-se ao final da existência com as mãos vazias merecedoras das duras palavras de Jesus: “Àquele que não tem, será tirado até mesmo o que ele pensa ter”. A existência vivida na fidelidade, pelo contrário, faz realidade na vida de cada cristão a verdade da afirmação confortante e asseguradora do Senhor: “A quem tem alguma coisa, será dado ainda mais”.


P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 22 de setembro de 2017


Domingo,24/09/2017
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DUES É JUSTO E MISERICORDIOSO PARA TODOS
XXV DOMINGO COMUM “A”

I Leitura: Is 55,6-9
6 Buscai o Senhor, enquanto pode ser achado; invocai-o, enquanto ele está perto. 7 Abandone o ímpio seu caminho, e o homem injusto, suas maquinações; volte para o Senhor, que terá piedade dele, volte para nosso Deus, que é generoso no perdão. 8 Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor. 9 Estão meus caminhos tão acima dos vossos caminhos e meus pensamentos acima dos vossos pensamentos, quanto está o céu acima da terra.


II Leitura: Fl 1,20c-24.27a
Irmãos: 20c Cristo vai ser glorificado no meu corpo, seja pela minha vida, seja pela minha morte. 21 Pois, para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro. 22 Entretanto, se o viver na carne significa que meu trabalho será frutuoso, neste caso, não sei o que escolher. 23 Sinto-me atraído para os dois lados: tenho o desejo de partir, para estar com Cristo — o que para mim seria de longe o melhor — 24 mas para vós é mais necessário que eu continue minha vida neste mundo. 27ª Só uma coisa importa: vivei à altura do Evangelho de Cristo.


Evangelho: Mt 20,1-16
Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: 1 “O Reino dos Céus é como a história do patrão que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por dia, e os mandou para a vinha. 3 Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo, viu outros que estavam na praça, desocupados, 4 e lhes disse: ‘Ide também vós para a minha vinha! E eu vos pagarei o que for justo’. 5 E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia e às três da tarde, e fez a mesma coisa. 6 Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse: ‘Por que estais aí o dia inteiro desocupados?’ 7 Eles responderam: ‘Porque ninguém nos contratou’. O patrão lhes disse: ‘Ide vós também para a minha vinha’. 8 Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador: ‘Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos, começando pelos últimos até os primeiros!’ 9 Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde e cada um recebeu uma moeda de prata. 10 Em seguida vieram os que foram contratados primeiro, e pensavam que iam receber mais. Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata. 11 Ao receberem o pagamento, começaram a resmungar contra o patrão: 12 ‘Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’. 13 Então o patrão disse a um deles: ‘Amigo, eu não fui injusto contigo. Não combinamos uma moeda de prata? 14 Toma o que é teu e volta para casa! Eu quero dar a este que foi contratado por último o mesmo que dei a ti. 15 Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?’ 16ª Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”. 
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Ao ler a parábola que serve como o evangelho deste domingo, cada um pode intitulá-la de acordo com sua própria acentuação. Ou a parábola dos Trabalhadores na Vinha ou a parábola do “patrão diferente” ou a parábola dos operários da última hora ou a parábola do patrão bondoso ou a parábola da murmuração dos operários da primeira hora, etc.....  Esta parábola encontra-se exclusivamente em Mt. 


A parábola nos conta que o proprietário sai logo cedo para contratar trabalhadores com um denário de pagamento. O trabalhador rural da Palestina trabalhava do nascer ao por do sol com um denário como o pagamento que era o salário vigente na época. O proprietário saiu outra vez pela terceira hora, isto é, entre às 08:00 e 09:00h para contratar novos trabalhadores sem combinar o valor do pagamento. Pela sexta e pela nona hora, isto é, às 12:00h e no início da tarde o propretário contrata outros trabalhadores e nada se fala de salário. E finalmente, pela undécima hora, isto é, uma hora antes do fim do trabalho ainda contrata outros trabalhadores e também não se fala do valor do pagamento. No fim do trabalho todos os trabalhadores recebem o mesmo salário: um denário.


O denário recebido era o salário mínimo necessário àqueles homens para o sustento de suas famílias, mostrando a bondade do patrão para todos. Mas diante da bondade do patrão alguns trabalhadores se deixam levar pela inveja diante do bem que os colegas experimentavam.


Jesus justifica nesta parábola seu modo de agir, mostrando que Deus também age com o mesmo amor. Deus concede também aos pecadores a participação do Reino porque aceitam o convite de Deus de abandonar sua vida anterior. Segundo Jesus, os “últimos” podem tornar-se facilmente “primeiros”, do mesmo modo que os “primeiros” podem tornar-se “últimos”, se não souberem alegrar-se de todo o coração com o pequenino que Deus chama a Seu Reino, se não souberem viver em comunidade no amor fraterno como é ensinado em Mt 18 que é o discurso sobre a vida comunitária. A justiça de Deus é a misericórdia. Somos chamados a conciliar amor e justiça.


Se voltarmos para a comunidade de Mt, perceberemos facilmente, através desta parábola, a tensão existente na comunidade de Mt sobre a opinião de judaísmo mateano a respeito de posição e lugar no Reino e na comunidade; sobre a tensão existente entre membros mais idosos e membros mais novos ou mais jovens (os pagãos convertidos etc.) da comunidade. Novas idéias e princípios, que os novos membros trazem, criam tensão e debate sobre quem chegou primeiro, que voz deve prevalecer e quem realmente constitui o conhecido suporte principal da Igreja. Era esta situação que a comunidade de Mt estava vivendo de forma especial. Esta nova situação provocou uma inflamada polêmica, que é reconhecível facilmente em outros escritos do NT (cf. Gl 1-2; At 15). Alguns cristãos de origem judia não podiam entender que os pagãos que vieram mais tarde, tiveram na Igreja a mesma situação que eles. Esta atitude está refletida naqueles operários da primeira hora, que se sentem discriminados ao receberem o mesmo salário que os contratados da última hora. Aqui Mt responde que todos são iguais e, gostem ou não, todos têm a mesma voz e a todos é oferecida a mesma oportunidade para entrar no reino de Deus.     


Mas Mt não pára nesta situação. Através desta parábola ele quer falar de uma coisa mais profunda: a bondade ou o amor gratuito de Deus. Todos têm os direitos iguais perante o convite de Deus e a recompensa que ele promete para todos é igual: a salvação. A minha salvação depende da misericórdia do Senhor. É claro que devo me esforçar para que minha vida esteja em sintonia com a vontade de Deus, não para comprar a salvação e sim para o meu bem e o bem do meu próximo. Ao praticar o bem quem será beneficiado sou eu e é o meu próximo. Haverá recompensa para todos os que responderem ao chamamento de Deus independentemente do tempo de sua conversão. Para todos, Deus tem tempo: para os rápidos, os lentos até os céticos convertidos.


Com esta parábola Jesus quer também denunciar de uma forma extremamente dura a religião dos “méritos”, ensinada pelos guias espirituais de Israel na época (e por alguns pregadores dos nossos dias). Até os rabinos ensinavam: “Quem cumpre um preceito, ganha um advogado; quem pratica uma transgressão, ganha um acusador. Todos os julgamentos de Deus estão na base da medida por medida”. Esta mesma linguagem conhecemos atualmente. Muitas Igrejas pregam: “Quanto mais você der, mais bênção vai receber”. O pobre ou o miserável, economicamente, jamais entraria nessa lógica, e logo, jamais entraria no céu? Outras Igreja pregam que “Você tem que entregar tudo no altar do Senhor e receberá de Deus em dobro”. Se todas as coisas pertencem a Deus, se tudo foi criado por Deus, para que Ele necessitaria das coisas que Ele mesmo criou e que é capaz de criar muito mais do que tudo isso? Eu preciso usar as coisas para o bem do próximo e não posso usar as pessoas em função das coisas que eu quero ter injustamente.


No Reino de Deus ninguém é primeiro nem último. Todos são iguais. O segredo é a conversão para o bem. Deus não quer saber do quando da conversão. Deus no vê como somos e não como éramos. A humanidade, ao contrário, sempre quer olhar para nosso passado e não para nossa mudança ou nossa conversão atualmente. A prudência cronológica não é usada como medida para uma disposição de ser servidor e para estar em comunhão plena com Deus e sim a conversão permanente.


Muitas vezes a infelicidade nos atinge porque vivemos comparando com os outros. Sempre estamos na tentação de compararmos Deus conosco, de medirmos sua soberana ação com os nossos méritos ou com as nossas condições desiguais. Antes de ser justo para com as “nossas obras”, Deus é essencialmente justo consigo mesmo. Certamente o amor de Deus é a causa do que eu sou, como o único neste mundo. Por isso, não me posso comparar com o outro, pois cada um é único. Devo, sim, comparar-me com a insondável e sublime vontade de Deus, de me fazer feliz, exatamente como Deus me quer amar e beatificar eternamente. Somente ao comparar-me com o amor de Deus, serei capaz de louvar a Deus que me faz coisas tão maravilhosas na minha vida e traduzir o louvor em amar e aceitar o outro como ele é.


O mal dos operários da primeira hora consiste em trabalhar mais para si do que para o Senhor. Por isso, eles aceitam sua diária, porém, o próximo não merece igual. Mas quando compararmos nossa pequena vida com a infinita graça de Deus na nossa vida, saberemos agradecer a Deus infinitamente. Na medida em que comparamos a justiça de Deus com ele mesmo, ela coincide com sua misericórdia. Mas quando compararmos a justiça de Deus com a nossa, acontecerá a incompatibilidade entre a nossa justiça e bondade divina. A justiça do homem calcula-se por seu relacionamento com outrem. A justiça de Deus, porém, é medida por sua fidelidade a si mesmo.


Deus, representado pelo dono da vinha, mostrou-se generoso para com os últimos, sem ser injusto para com os primeiros, a quem pagou conforme devia. Com os últimos o critério de ação que ele toma não é econômico, mas o amor gratuito que qualifica seu ser profundo. Ele anula o privilégio dos primeiros que querem manter a distância dos últimos e supera a deficiência dos últimos.  Deus olha para o seu povo como uma família cujos membros se satisfazem verificando que aqueles que fizeram bem pouco são tão amados quanto os que muito realizaram. É preciso que haja uma íntima reviravolta para aceitar esse modo de pensar isento de comparações. Mas essa é a maneira de pensar de Deus.


A parábola quer nos apresentar também um Deus que age de forma muito diferente, contrária a qualquer lógica dos homens. Em sua intenção original esta parábola também é escrita para responder às críticas dos fariseus porque eles não aceitam que Jesus se misture com os pecadores, os publicanos e marginalizados. Apegados firmemente aos próprios privilégios religiosos de observantes escrupulosos da Lei, os fariseus desconhecem o próprio Deus de bondade misericordiosa que se revela em Jesus Cristo. Jesus quer nos mostrar que o Seu Deus é Aquele que dá espaço para todos em seu Reino. A igualdade se sublinha. E Deus não pode ser feliz, se o mais humilde dos homens não é feliz. Por isso, Ele nunca se cansa de sair ao encontro do homem, mesmo quando este falha em todos os encontros. Diante de Deus não há monopólios exclusivistas nem tem lugar a pretensão de manipular sua liberdade conforme nossos egoísmos pessoais, raciais ou nacionalista. Por isso, o Deus de Jesus Cristo, o Deus de bondade e de generosidade, vive surpreendendo as pessoas. Os que querem apropriar-se da generosidade de Deus acabam perdendo tudo.


 Em nossa vida cristã somos convidados a deixar sempre lugar para a surpresa da generosidade de Deus, de nossa generosidade e a do semelhante nosso. Ser generoso é ser livre de si, de seu pequeno eu, de suas pequenas covardias, de suas pequenas posses. A generosidade nos eleva em direção aos outros e a Deus de generosidade.


 Outro aspecto que a parábola quer destacar é a inveja dos homens, manifestados nos operários das primeiras horas. Eles argumentam contra o dono da vinha que suportaram o peso do trabalho durante o dia inteiro sob o calor do sol, por isso não julgavam justo serem igualados aos trabalhadores da última hora. O dono não se considera injusto, pois ele paga o salário combinado. A bondade do dono da vinha é ainda mais acentuada na pergunta final aos murmuradores: “...ou teu olho é mau porque eu sou bom?” (v.15b). A palavra “mau” (poneros em grego) é termo mateano comum para a inveja provocada por coisas materiais. O vocábulo representa dinheiro e posição que atraem o olho da pessoa. O olho mau indica a falta de amor dos trabalhadores murmuradores da primeira hora que se deixavam levar pela inveja diante do bem que os seus companheiros experimentavam. Eles não souberam participar da alegria do bem experimentado.


Sabemos que o invejoso tem sempre os olhos fixos nos outros, sofrendo amargamente com a satisfação que nele têm, tendo sentimentos de aversão quando percebe que estão bem. Podemos dizer que a inveja é filha de uma soberba. O invejoso não tolera os sucessos dos outros, não admite que os outros possuam qualidades iguais ou superiores às suas. Ele sempre teme ser superado pelos outros. Ele sofre quando percebe que seu rival possui uma cota maior do que a sua.


 Será difícil encontrar uma alma tão generosa que não sinta um pequeno mal-estar com a boa sorte alheia. Mas precisamos reconhecer que “magnânimo não é o que jamais sente inveja, mas o que imediatamente a supera. A nossa maior satisfação não provém de sermos considerados mais ou melhores do que os outros, mas da consciência de termos realizado todo o bem que nos era ou é possível. Quem deseja só seu bem-estar pessoal é egoísta e as coisas não poderão ir bem com ele.


A leitura evangélica deste domingo, portanto, nos convida a colocar-nos diante da bondade e da generosidade sem fim de Deus para percebermos e reconhecermos melhor nossa mesquinharia(mesquinhez) que, muitas vezes, se expressa em forma de inveja, ciúme, ódio etc. Diante da bondade e da generosidade sem limite de Deus deveríamos ficar envergonhados, porque muitas vezes, damos espaço, facilmente, à vanglória ou vaidade por termos feito algo de bom pelos nossos semelhantes.


 Este evangelho é uma advertência para todos os cristãos. Os seguidores de Cristo não se podem fixar em direitos de propriedade no Reino de Deus. Os “últimos” podem tornar-se “primeiros” do mesmo modo que os “primeiros podem tornar-se “últimos”. Eles serão passados para trás, se não souberem reconhecer a bondade gratuita de Deus, se não souberem alegrar-se de todo o coração com o pequenino que Deus chama a seu Reino, se não souberem viver o amor em comunidade.


Por isso, o convite do profeta Isaías à conversão (primeira leitura) vale para todos os homens em todos os tempos e lugares: “Abandone o ímpio seu caminho e o injusto, suas maquinações...volte para nosso Deus que é generoso no perdão” (Is 55,7. Esse é o caminho de felicidade eterna.
 
P.Vitus Gustama,SVD

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

23/09/2017
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SER CRISTÃO É SER TERRA FÉRTIL PARA A SEMENTE DA PALAVRA DIVINA
Sábado da XXIV Semana Comum


Primeira Leitura: 1Tm 6,13-16
Caríssimo, 13 diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu o bom testemunho da verdade perante Pôncio Pilatos, eu te ordeno: 14 guarda o teu mandato íntegro e sem mancha até a manifestação gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo. 15 Esta manifestação será feita no tempo oportuno pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, 16 o único que possui a imortalidade e que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém.


Evangelho: Lc 8,4-15
Naquele tempo, 4 reuniu-se uma grande multidão, e de todas as cidades iam ter com Jesus. Então ele contou esta parábola: 5 “O semeador saiu para semear a sua semente. Enquanto semeava, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada e os pássaros do céu a comeram. 6 Outra parte caiu sobre pedras; brotou e secou, porque não havia umidade. 7 Outra parte caiu no meio de espinhos; os espinhos cresceram juntos, e a sufocaram. 8 Outra parte caiu em terra boa; brotou e deu fruto, cem por um”. Dizendo isso, Jesus exclamou: “Quem tem ouvidos para ouvir ouça”. 9 Os discípulos lhe perguntaram o significado dessa parábola. 10 Jesus respondeu: “A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino de Deus. Mas aos outros, só por meio de parábolas, para que olhando não vejam, e ouvindo não compreendam. 11ª parábola quer dizer o seguinte: A semente é a Palavra de Deus. 12 Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram, mas, depois, vem o diabo e tira a Palavra do coração deles, para que não acreditem e não se salvem. 13 Os que estão sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolhem a Palavra com alegria. Mas eles não têm raiz: por um momento acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás. 14 Aquilo que caiu entre os espinhos são os que ouvem, mas, com o passar do tempo são sufocados pelas preocupações, pela riqueza e pelos prazeres da vida, e não chegam a amadurecer. 15 E o que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a Palavra, e dão fruto na perseverança”.
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Estar Com A Verdade e Proteger a Vida É Estar Com Deus Em Jesus Cristo


Diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu o bom testemunho da verdade perante Pôncio Pilatos, eu te ordeno: guarda o teu mandato íntegro e sem mancha até a manifestação gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo”, é uma das frases na conclusão da Primeira Carta de São Paulo sua primeira Carta ao Timóteo.


Hoje concluímos a leitura da Primeira Carta ao Timóteo com uma “doxologia”, louvor final com o tom escatológico, pois o olhar é dirigido para a última vinda do Senhor.


Nesta “doxologia” São Paulo, em primeiro lugar, reconhece que estamos sempre “diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas”. As criaturas vivas tem a origem de sua vida em Deus, pois o próprio Deus é que dá vida “a todas as coisas”. O Deus que Jesus dá a conhecer é um Deus doador de vida e que deseja que as pessoas voltem a nascer de dentro com novos valores de vida e de justiça. Santo Agostinho nos dá o seguinte conselho: “Confia em Deus; Ele sempre dá o que promete. Sabe o que promete, porque é a verdade. Pode prometer porque é onipotente. Dispõe de tudo porque é a própria vida. Oferece todas as garantias porque é eterno” (In ps. 35,13).


Quando estivermos conscientes de que estamos sempre diante de Deus que dá a vida a todas as coisas, viveremos numa profunda paz e na alegria exultante. Consequentemente, estaremos longe de todo tipo de desespero e de desesperança. De fato, estaou sempre diante de uma Presença misteriosa que me dá a vida, que me anima. Qual será nossa resposta? É o louvor. É o agradecimento. É a esperança na luta de cada dia por aquilo que protege a vida.


Também somos seguidores “de Cristo Jesus, que deu o bom testemunho da verdade perante Pôncio Pilatos”. Nossa modesta profeissão de fé tem como exemplo a que Jesus professou diante de Pilatos e daqueles que o julgam: “Meu reino não é deste mundo...No entanto sou Rei. Para isso eu nasci e para isso eu vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade escuta a minha voz” (Jo 18,36-37). Toda busca da verdade, toda reta busca doutrinal ou moral é uma busca de Jesus. Toda vez que eu cumprir meu dever com retidão de vida, toda vez que afirmar a verdade e defendê-la, eu estrei diante de Jesus. Nisto serei testemunha da verdade. Se eu fizer assim, de alguma forma, estou pronto para acolher Jesus na sua segunda vinda para este mundo.


Passar a Vida Fazendo ou Produzindo o Bem


A Parábola da semente, que cai em terras férteis, áridas, entre espinhos, à beira do caminho, na verdade, não precisa de muito comentário, pois é conhecida por todos e por todos é valorizada como expressão daquilo que deve ser nossa resposta à graça de Deus, à Palavra de Deus, à fé, dando frutos de boas obras. O próprio Jesus deu a explicação sobre o sentido da parábola.


Acreditamos firmemente que a Palavra de Deus é poderosa, tem força interior e força transformadora para a vida de qualquer ser humano. Por causa dessa Palavra poderosa muitos se tornaram santos e mártires; muitos se dedicaram sua vida para o bem dos necessitados; muitos se tornaram voluntários e missionários além da fronteira. Porém, seu fruto depende também de nós, porque Deus respeita nossa liberdade, não atua violentando vontades e queimando etapas. Acolher a Palavra de Deus com um coração nobre e generoso e perseverar na sua meditação e em sua obediência resulta na transformação total da vida de quem a acolhe. Por isso, essa parábola somente requer uma leitura meditativa de nossa parte.


A Palavra de Deus é poderosa, tem força interior. Mas seus fruto depende também de nós, porque Deus respeita nossa liberdade. Deus jamais atua violentando vontades e queimando etapas. Acolher a Palavra com um coração nobre e generoso e perseverar em sua meditação e em sua obediência (pôr em prática) é o que Jesus espera de cada um de nós.


Façamos, então, as seguintes perguntas:


- Será que sou caminho trilhado por todo tipo de tentações, coração que pisoteia nobres sentimentos de amor, de justiça, de paz, de solidariedade, de oblação pelos demais?


- Será que sou uma vida complicada e amarga, indiferente, egoísta, que não retém sentimentos de piedade, compaixão e altruísmo?


- Será que sou uma pessoa enredada ou entrelaçada na mata brava cheia de ervas nocivas e espinhosas que não quer abrir mão dos interesses mesquinhos que me tornam sem liberdade e leveza na minha convivência com os demais?


- Quanto tenho na minha alma de “terra fecunda”, com fome de Deus, sede de justiça e de retidão, de respeito mútuo, de espírito de serviço para o bem de todos?


Façamos frutificar a semente da verdade e do amor e teremos uma vida cheia de felicidade e faremos os outros felizes e anteciparemos a vida eterna já aqui na terra, pois a felicidade é o projeto de Jesus para todos nós (cf. Mt 5,1-12); Jo 10,10). Que nosso coração seja uma terra fecunda regada pelo Espírito de Deus para purificá-lo de todos os males que nele fazem seu ninho. Assim seremos úteis para Deus porque somos úteis para os outros.


Cada Palavra de Deus que lemos e escutamos todos os dias é uma semente plantada por Deus no coração de cada um de nós. E Deus espera os frutos dessa semente. Os frutos dependem de tipo de coração que cada um tem: pode ser um coração duro como pedra que nele não pode esperar nada de bom; pode ser um coração cheio de espinhos que fere e machuca os demais; pode ser um coração como estrada onde nada se cresce, pois os pés e outros veículos pisam sobre ele permanentemente; mas pode ser um coração fértil que dele só saem coisas boas para o bem de todos. Afinal, que tipo de coração você tem?


Vamos fazer mais perguntas. Quando eu escuto na Eucaristia a Palavra de Deus, ou seja, quando o Semeador, Cristo, semeia Sua Palavra em mim (no campo da minha vida), posso dizer que ela cai em bom terreno na minha vida? O que é que a Palavra de Deus que escuto me interpela? Qual apelo de Deus para mim através de Sua Palavra?  A Palavra de Deus que eu escuto e medito produz alguma mudança na minha vida e convivência?


Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá na voltam sem ter regado a terra, sem a ter fecundado... assim acontece à Minha Palavra que Minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito...”, diz o Senhor Deus (Is 55,10-11).


Deus espera de nós um coração bom e bem disposto capaz de dar fruto permanente. Deus não quer que sejamos terrenos estéreis. Deus que sejamos comprometidos totalmente com Seu Evangelho apesar das perseguições e críticas e manifestemos que a Palavra de Deus posta na vida é a única capaz de nos salvar e de dar-lhe um novo rumo à história. A Palavra de Deus na produz fruto de um modo violento. O Senhor que de nós pessoas capazes de se deixar guiar pelo Seu Santo Espírito, santificar por Sua Palavra de tal modo que sejamos construtores de um mundo que dia após dia vai se renovando no amor, na verdade, na justiça, na solidariedade, na misericórdia. Se nossa fé nos leva a um verdadeiro compromisso com o Reino de Deus que Jesus nos anunciou, devemos nos converter em semeadores de Sua Palavra em todos os ambientes em que se desenvolve nossa vida. nós que cremos em Cristo não podemos passar a vida sentados e queixando-nos porque nosso mundo se vai deteriorando e piorando cada vez mais. Temos que fazer nossa a Palavra de Deus. quando a Palavra de Deus se tornar carne e sangue em nós, seremos bons semeadores e haverá muito frutos. As palavra movem, mas o exemplo arrasta as pessoas para se tornarem sócios do bem. Deus não condena quem não pode fazer o que quer, mas quem não quer fazer o que pode” (Santo Agostinho: Serm. 54,2). Mas “A Palavra de Deus se converte em teu inimigo quando tu és amigo da perversidade” (Santo Agostinho: In ps. 35,1).


P. Vitus Gustama,svd

terça-feira, 19 de setembro de 2017

22/09/2017
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HOMENS E MULHERES SÃO CHAMADOS A SER EVANGELIZADORES
Sexta-Feira da XXIV Semana Comum


Primeira Leitura: 1Tm 6,2c-12
Caríssimo, 2c ensina e recomenda estas coisas. 3 Quem ensina doutrinas estranhas e discorda das palavras salutares de nosso Senhor Jesus Cristo e da doutrina conforme à piedade, 4 é um obcecado pelo orgulho, um ignorante que morbidamente se compraz em questões e discussões de palavras. Daí é que nascem invejas, contendas, insultos, suspeitas, 5 porfias de homens com mente corrompida e privados da verdade que fazem da piedade assunto de lucro. 6 Sem dúvida, grande fonte de lucro é a piedade, mas quando acompanhada do espírito de desprendimento. 7 Porque nada trouxemos ao mundo como tampouco nada poderemos levar. 8 Tendo alimento e vestuário, fiquemos satisfeitos. 9 Os que desejam enriquecer caem em tentação e armadilhas, em muitos desejos loucos e perniciosos que afundam os homens na perdição e na ruína, 10 porque a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro. Por se terem deixado levar por ela, muitos se extraviaram da fé e se atormentam a si mesmos com muitos sofrimentos. 11 Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. 12 Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé diante de muitas testemunhas.


Evangelho: Lc 8,1-3
Naquele tempo: 1 Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; 2 e também algumas mulheres que haviam sido curadas de maus espíritos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios; 3Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana, e várias outras mulheres que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam.
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Viver Conforme a Doutrina De Cristo Transmitida Pela Igreja É Uma Maneira De Combater As Falsas Doutrinas


Quem ensina doutrinas estranhas e discorda das palavras salutares de nosso Senhor Jesus Cristo e da doutrina conforme à piedade, é um obcecado pelo orgulho, um ignorante que morbidamente se compraz em questões e discussões de palavras. Daí é que nascem invejas, contendas, insultos, suspeitas, porfias de homens com mente corrompida e privados da verdade que fazem da piedade assunto de lucro”, adverte São Paulo para Timóteo.


Entre as preocupações do responsável de uma comunidade está também a defesa contra os falsos mestros que ensinam doutrinas falsas que provocam divisões na comunidade.


Por isso, ao final de sua Carta, São Paulo, novamente, adverte a Timóteo sobre o extravio dos falsos mestres (1Tm 6,3-10). E pede a Timóteo para que permaneça firme na fé, viva sem mancha e sirva fielmente (1Tm 6,11-16).


Pela terceira vez o Apóstolo Paulo fala contra os falsos mestres (cf. 1Tm 1,3-20; 4,1-11), pois eles representam uma série de ameaças para a comunidade cristã, para uma sã doutrina transmitida pelo próprio Senhor Jesus Cristo. São Paulo quer relembrar Timóteo que a doutrina da Igreja não é diferente da doutrina do Senhor, porque Este, uma vez em Sua glória, permanece com sua Igreja todos os dias até o fim do mundo (cf. Mt 28,20). O Senhor enviou o Espirito Santo à Igreja para que ela ensinasse e recordasse o que o Senhor tinha dito (cf. Jo 14,26). Separar-se da doutrina de Cristo, separar-se da doutrina da Igreja conduz sempre o cristão ao erro e à doutrina falsa. Somente a fé inquebrantável na Palavra do Senhor, tal como ensina a Igreja, somente a firmeza nela, podem preservar os membros da Igreja do extravio e do erro.


Nossa época se caracteriza por uma confusão extraordinária de opiniões. Tem-se a impressão de que não existe a “verdade”. Quase se pode afirmar uma coisa e seu contrário. Os maiores valores, os princípios mais sagrados, a fé, o amor, a esperança são discutidos. Vivemos no meio de intoxicações de todos os tipos. Portanto, é preciso que os cristãos se atenham mais e mais à Palavra de Deus que nos salva e nos leva à eternidade.


Dentro da falsa doutrina, um dos temas que São Paulo ataca com dureza é sobre os que consideram a religião como uma fonte da ganância e consequentemente, buscam riquezas e criam necessidades absurdas e nocivas. Para são Paulo “a raiz de todos os males é a cobiça do dinheiro”. Quantas vezes São Paulo fala do perigo da avareza! A atitude de Timóteo deve ser dar exemplo com sua vida pessoal: praticar a justiça, o amor, a paciência, combate o bom combate da fé.


São Paulo apresenta ao Timóteo algumas características dos mestres falsos: dominados pelo orgulho e inveja, gostam de discussões mórbidas e de demonstrar a sabedoria, mas longe da humanidade e privados da verdade; têm uma mente corrompida; aproveitam-se da piedade para se lucrar. O mestre falso é “um doente à procura de controvérsias e discussões de palavras”.


A “enfermidade” de que fala São Paulo é certamente a enfermidade de nossa época e de nossa Igreja contemporânea: rivalidades, conflitos de grupos, divisões entre as pastorais e assim por diante.


A pior condenação do “desvio doutrinal”, da “contra verdade” é, segundo São Paulo, que o homem que o profere é um arrogante, cheio de si mesmo e que não sabe de nada. Creio que ninguém quer ser amigo de um arrogante, pois a própria arrogância não admite a verdade.


Será que este tipo de “mestres” se encontram nas nossas comunidades? Como podemos combatê-los? Será que entre os líderes de nossas comunidades há alguns destes “mestres falsos”?


Viver o Presente Em Função Da Vida Eterna


Nada trouxemos ao mundo como tampouco nada poderemos levar. Foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão... Conquista a vida eterna, para a qual foste chamado”, são as sábias palavras de São Paulo dirigidas ao Timóteo. Trata-se também de uma resposta sábia de São Paulo para os gananciosos deste mundo.


Partindo do tema sobre as falsas doutrinas e a ganância pelo dinheiro como a raiz de todos os males, São Paulo nos dá um pequeno tratado sobre uma vida digna:
  • Primeiro, contentar-se com o que se tem no momento. É um princípio básico da sabedoria.
  • Segundo, não trouxemos nada para este mundo e nada poderemos levar deste mundo quando terminar nossa caminhada neste mundo. O cofre não acompanha o caixão.
  • Terceiro, a felicidade é coisa fácil para os que sabem viver modestamente: “Tendo alimento e vestuário, fiquemos satisfeitos”, escreveu São Paulo.
  • Quarto, os que querem enriquecer-se, cairão no laço de uma serie de cobiças e de desejos absurdos e terminarão no sofrimento. “Por se terem deixado levar pela ganância, muitos se extraviaram da fé e se atormentam a si mesmos com muitos sofrimentos”, escreveu São Paulo.
     
    Foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão... Conquista a vida eterna, para a qual foste chamado”. Portanto, o que se pede é o despojamento total dos bens materiais. Podemos tê-los, mas eles não podem nos possuir. Despojar-se das coisas materiais é para partilhá-las com os que não têm nada (amor). Partilhar é um ato que prolonga a generosidade de Deus- Criador que criou tudo de graça para o bem do ser humano (nada trouxemos e nada levaremos). E também é um alerta para ninguém colocar o ouro e a parta acima de Quem os criou (esforçar-se para consquistar a vida eterna). Isso seria uma idolatria, e a idolatria tem pés de barro.Não te inquietes, quando um homem fica rico e aumenta a opulência de sua casa; pois ao morrer não levará nada consigo, nem seu prestígio poderá acompanhá-lo” nos relembra o Salmo Responsorial de hoje (Sl 48).
     
    Homens e Mulheres São Chamados a Ser Evangelizadores
     
    Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os doze iam com ele; e também algumas mulheres...”.
     
    No texto do evangelho deste dia, evangelista Lucas afirma que, com os Doze, havia um grupo de mulheres que seguiam a Jesus. O evangelista Lucas é o único que menciona os nomes das mulheres que acompanhavam Jesus ao longo de suas viagens. Essas mulheres são um bom símbolo das incontáveis mulheres que ao longo dos séculos deram na Igreja testemunho de uma fé rica e generosa: religiosas, leigas, missioneiras, catequistas, ministras extraordinárias da comunhão eucarística, as celebrantes, as mulheres testemunhas qualificadas para o matrimônio,  mães de família, enfermeiras, doutoras, mestras e assim por diante, que ajudaram Jesus em vida e que colaboraram eficazmente na missão da Igreja, cada uma a partir de sua situação, entregando seu tempo, seu trabalho e também sua ajuda econômica. Temos que agradecer a Deus pelo empenho de tantas mulheres na missão evangelizadora. O papel das mulheres na Igreja de Jesus hoje em dia já um fato incontestável.
     
    Lucas é designado como “o Evangelho das mulheres”. Ele dá atenção e valoriza a mulher, precisamente por ela ser como “menor”, “pobre”. Por não ser valorizado a mulher fazia parte dos “pequenos” e marginalizados. Entre os quatro evangelistas, Lucas é aquele que mais dignifica, valoriza, enaltece e exalta o papel da mulher.
     
    Para Deus Eu Tenho Nome e Sou Chamado Pelo Nome
     
    Maria Madalena, Joana e Suzana! São nomes das mulheres, segundo o texto do evangelho deste dia, que também acompanhavam Jesus no seu trabalho de levar a Boa Nova para todos, especialmente para os excluídos da sociedade. Uma é casada, Joana, a mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes. Outra é uma mulher renascida à vida nova graças à intervenção de Jesus que a resgatou da morte (libertada de sete demônios, segundo o evangelho), Maria Madalena. E a terceira, Suzana, é uma discípula da qual somente sabemos seu nome, mas que estava lá.
     
    Maria Madalena, Joana e Suzana! Para o evangelista Lucas é muito importante mencionar seus nomes. Ter nome é ter dignidade, é ser gente! Ter nome é ser alguém e não ser número. É ser pessoa. Ter nome é ter personalidade. Chamar alguém e ser chamado pelo nome é sinal de intimidade. Entre dois amigos os títulos ficam de lado; cada um é chamado pelo nome. Em casa cada um tem seu nome e é chamado pelo nome e não pelo titulo. Para Deus eu tenho nome e Deus me chama pelo nome: “Eu te chamo pelo nome, és meu” (Is 43,1). E que meu nome está gravado na palma da mão de Deus e por isso, Ele jamais me esquecerá: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não tem ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esquecerei nunca. Eis que estás gravado na palma de minhas mãos” (Is 49,15-16). Deus nunca pode olhar Sua mão sem ver o meu nome. E meu nome quer dizer EU mesmo. Sou feliz por eu ser o que sou para Deus. Para sociedade em geral posso não ter nome, mas para Deus eu tenho nome. Eu sou uma pessoa e não um número para Deus. Quantas vezes saia dos lábios de Jesus os seguintes nomes: Maria Madalena, Joana, Suzana. Jesus as chamava pelo nome.
     
    Diante de Deus Todos São Iguais
     
    Maria Madalena, Joana e Suzana são seguidoras de Jesus junto com os doze Apóstolos. Esta frase tinha um grande peso para a sociedade da época de Jesus.
     
    Na Palestina a estrutura social era patriarcal. Ou na linguagem mais popular: uma sociedade machista. O pai era o único que tinha direito de dispor, dar ordens, castigar, pronunciar as orações, oferecer os sacrifícios. A mulher era considerada em tudo inferior ao homem. Ela pertence completamente ao seu “dono”: ao pai, se for solteira; ao marido, se for casada; ao cunhado solteiro, se for viúva sem filhos (Dt 25,5-10).
            
    No Templo e na sinagoga homens e mulheres ficavam rigorosamente separados: as mulheres sempre em lugares inferiores, secundários. O culto na sinagoga era celebrado apenas caso houvesse ao menos 10 homens. As mulheres não contavam, por mais numerosas que fossem.
           
    A mulher não podia atuar como testemunha num tribunal, nem como testemunha de acusação. Apoiando-se em Gn 18,11-15, consideravam que seu testemunho carecia de valor por causa de sua inclinação à mentira. Os rabinos da época excluíam as mulheres do circulo de seus discípulos.
     
    Jesus se levanta contra esse sistema sociorreligioso, dominante e opressivo para a mulher. Com sua atuação concreta, Jesus dá à mulher o seu devido lugar na vida social e religiosa. Para sua época essa atitude era considerada revolucionária e audaciosa! O que tem por trás da atitude de Jesus é o amor. E o amor é capaz de fazer até o impossível (cf. Jo 3,16). Tendo acompanhado Jesus desde o começo de seu ministério público, como os Doze, as mulheres discípulas eram iguais aos homens para o anúncio da Boa Nova (cf. Jo 4,28-29). Para Jesus, a mulher tem a mesma dignidade, categoria e direitos que o homem. Por isso, Jesus admite em sua comunidade homens judeus e mulheres judias com os mesmos direitos de aprender, de ser discípulos-discípulas, seguidores-seguidoras de Jesus pelo Reinado de Deus. As exigências e responsabilidades do seguimento são iguais para todos, homens e mulheres. A tradição nos relata que as primeiras aparições do Ressuscitado foram feitas para as mulheres (Lc 24,10) e precisamente às que Lucas anota no texto do evangelho deste dia.
     
    Que belo é ver como desde as origens apostólicas, Jesus conta com as mulheres em plano de igualdade. Não faz plano machista do seguimento. Cria uma comunidade mista.
     
    As mulheres não são meras assistentes dos homens e sim autênticas protagonistas da vida e missão da Igreja. Atuar de outra maneira é infidelidade ao Senhor que desde o princípio contou com elas. Elas serviam, punham seus bens ao serviço de Jesus e sua missão.
     
    A Palavra de Deus de hoje quer nos enfatizar que todos, mulheres e homens, são chamados de igual maneira a proclamar a Boa Notícia. O Reino de Deus é uma Boa Notícia. No meio da superabundância de notícias ruins, o cristão e a cristã, a exemplo de Cristo, devem pregar a Boa Notícia. Martin Luther King dizia que o grande problema não é o avanço da maldade ou do mal, mas o silêncio dos bons. Em certo sentido, ficar calado pode ser até uma manifestação da prudência. Mas se ficar calado diante da maldade pode significar a cumplicidade.
     
    Homens e mulheres são chamados a colaborar na evangelização a partir de seu próprio talento e de outras contribuições como as três mulheres citadas no evangelho deste dia. Assim um completa o outro para uma perfeita evangelização. Victor Hugo escreveu que o homem e a mulher se complementam para edificar a dignidade de um ser humano. Evangelizar significa dignificar a vida humana. Deveríamos ser mais abertos em nossa ideia teológica e social da Igreja. A Igreja do Senhor é de todas as pessoas de boa vontade para levar adiante a causa de Jesus: homens e mulheres, jovens e adultos, crianças e adolescentes. Não só de uma etnia, mas pluralista. Todos os cristãos temos algo em comum: fé e ação evangelizadora. “Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mt 12,49-50).

     P. Vitus Gustama,svd