segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

06/01/2017

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JESUS É A NOSSA FORÇA E NOS REVELA NOSSA AMABILIDADE


06 de Janeiro


Primeira Leitura: 1Jo 5,5-13


Caríssimos, 5quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 6Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. (Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue). E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade. 7Assim, são três que dão testemunho: 8o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes. 9Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior. Este é o testemunho de Deus, pois ele deu testemunho a respeito de seu Filho. Aquele que crê no Filho de Deus tem este testemunho dentro de si. 10Aquele que não crê em Deus faz dele um mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho. 11E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. 12Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho não tem a vida. 13Eu vos escrevo estas coisas a vós que acreditastes no nome do Filho de Deus, para que saibais que possuís a vida eterna.


Evangelho: Mc 1,7-11


Naquele tempo, 7João pregava, dizendo: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo”. 9Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. 10E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. 11E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer”.
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Fé Como Vitória Do Amor Sobre o Mundo Do Maligno


Quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo”, assim lemos na Primeira Leitura.


Para São João, na sua Primeira Carta, o objeto da nossa fé é o amor: “Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (c1Jo 4,16). O amor de Deus por nós é um projeto de salvação e não de condenação, pois o amor não condena. Trata-se de um projeto de vida eterna, de vida que dura para sempre. Por isso, amar a alguém verdadeiramente equivale a lhe dizer: “Tu nunca morrerás”. Amar é a questão de qualidade de vida, pois “Deus é amor” (1Jo 4,8.16).


O amor como objeto da fé tem um tríplice conteúdo: Amor que Deus é (1Jo 4,8.16) que se revelou na morte de Jesus na Cruz como prova de que Jesus nos amou até o fim (cf. Jo 13,1); o amor que Deus como dom do espirito (=vida) que colocou em nós que nos capacita para amar; e o amor que em nós continua atuando no amor fraterno (cf. Jo 15,12). Como o próprio são Joao escreveu: “Nós amamos porque Deus nos amou primeiro” (1Jo 4,19). Na medida em que amamos, o amor de Deus atua em nós. Estaremos em comunhão plena com Deus a partir do momento em que amarmos mutuamente no amor fraterno.


Portanto, a fé em Jesus como o Filho enviado pelo Pai ao mundo (cf. Jo 3,16) é a vitória sobre o “mundo”, porque esta vitória é a fé no amor. Se o reino do maligno constitui as trevas do desamor, então a fé no amor é a vitória sobre o mundo do desamor e do ódio. Quando conseguirmos colocar o amor e o perdão no lugar da vingança e do ódio, estaremos vencendo e dominando o mundo de maligno; não deixaremos que mundo do maligno avance na nossa vida.


Somos Filhos Muito Amados de Deus


O texto do evangelho lido neste dia fala da missão de João Batista e do Batismo de Jesus.  


No horizonte teológico da comunidade de Mc, a missão principal de João Batista é preparar a vinda daquele que é “mais forte” do que ele. A imagem do “mais forte” evoca as antigas esperanças messiânicas do herói divino que de maneira eficaz e corajosa intervém na história para libertar os oprimidos (cf. Is 9,5;49,24s). Na tradição cristã primitiva, Jesus será apresentado como o “mais forte”, que vence o adversário e liberta os oprimidos (cf. Mc 3,27;Lc 11,22;At 10,38). Esse “mais forte” é quem vai realizar todas as promessas do AT.


Perante esse “mais forte”, João Batista reconhece a sua indignidade total. Até para desamarrar as correias das sandálias, que era uma tarefa exclusivamente dos escravos e que era tido como gesto de extrema humilhação, sente-se indigno.  Só tem que desaparecer para dar lugar a quem “mais forte” que ele: “É necessário que ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).


Sentir-se indigno, pequeno e humilde é a atitude normal de quem se encontra perante uma divindade. Consciente ou inconscientemente, em cada comunhão, perante Jesus Cristo presente na hóstia consagrada, também nos sentimos indignos de recebê-lo ao rezarmos: “Senhor eu não sou digno de que entreis em minha morada. Mas dizei uma só palavra, serei salvo!” Mas Jesus quer entrar na nossa vida para que voltemos a ser dignos de ser filhos de Deus (salvos). Mas depois disto temos uma missão de preparar os outros para a vinda de Jesus na vida deles, como João Batista preparava o povo para a chegada do Messias prometido.


O segundo momento é o da chegada. Jesus está no meio de nós. O tempo de espera terminou. O anseio se consumou. O céu, fechado até agora, se abre para dar passo ao Espírito. E Deus, calado muito tempo, entra em diálogo com Jesus. Por isso, é o momento de contemplação, de assombro, de alegria contida. Céu e Terra deixam de estar incomunicados pela incompreensão, pela maldade e a hostilidade. Chegou um novo modo e distinto de gerar história. Com sua chegada, Jesus nos introduz em uma atmosfera limpa, pura, maculada e respirável. Com Jesus sempre ganhamos novo fôlego. Esta é sua força.


Neste segundo momento relata-se o batismo de Jesus. Com o batismo de Jesus, Deus mergulha totalmente na vida do ser humano para que o ser humano possa mergulhar na vida de Deus. Jesus se manifesta um de nós, igual a todos, menos no pecado, mas assumindo os pecados dos seres humanos (cf. Mt 8,17). Deus torna-se um de nós em Cristo para que nós nos tornemos divinos. Ele morreu não para pagar os próprios pecados, mas os nossos: “Nossos pecados ele os carregou em seu corpo no madeiro, a fim de que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça” (1Pd 2,24). Ao receber esse batismo, Jesus assume a ansiedade dos homens de receber a salvação e ao mesmo tempo assume o desejo do seu Pai de conduzir os homens à comunhão de irmãos.


A abertura dos céus, na hora do batismo de Jesus, que se rasgam significa a abertura de novas relações entre Deus e os homens, um início de um novo diálogo de Deus com os homens, um novo tempo de graça, de novos dons dados por Deus aos homens. Jesus é o lugar do novo, definitivo e pleno encontro de Deus com os homens, dos homens com Deus e, conseqüentemente, dos homens entre si. Neste sentido Jesus se torna para seus seguidores, ao mesmo tempo o ponto de encontro e o ponto de partida no sentido de viver aquilo que Jesus ensinou e viveu.


O batismo de Jesus é o momento de teofania (manifestação divina). A “voz vinda do céu” revela quem é Jesus, sua verdadeira identidade: “Tu és o meu Filho, o amado. Em ti me comprazo” (v.11; cf. Is 42,1). Esta voz é uma indicação a Jesus como ele é amado pelo Pai. Depois de um longo tempo de silêncio de Deus, de vazio do Espírito, os céus se rasgam e Deus atua novamente na história e fala com os homens de maneira definitiva a partir de Jesus. Doravante em Jesus, como o Filho de Deus, vai agir o poder salvífico de Deus.


Durante a nossa curta vida, a questão que guia muitos dos nossos comportamentos é a seguinte: “Quem somos nós?” Raramente nos fazemos esta pergunta de maneira formal; contudo, a vivemos muito concretamente nas decisões do nosso dia-a-dia.


As três respostas que nós geralmente vivemos, e que não damos necessariamente, são: ”Nós somos o que fazemos (sucesso); nós somos o que os outros dizem de nós (popularidade); e nós somos o que temos (poder)”. Uma das tragédias da nossa vida é, certamente, continuarmos a esquecer-nos de quem somos e a perder muito tempo e energias a demonstrar o que não precisa ser demonstrado. É importante compreender a fragilidade da vida que depende do sucesso, da popularidade e do poder. Essa fragilidade provém do fato de esses serem fatores externos sobre os quais temos apenas controle limitado.


Jesus veio nos anunciar que uma identidade baseada no sucesso, na popularidade e no poder é uma falsa identidade, uma ilusão! A nossa verdadeira identidade é que nós somos filhos de Deus, filhas e filhos amados do nosso Pai celeste. Toda vez que proclamamos a nós mesmos a certeza da nossa amabilidade, a nossa vida alarga-se e aprofunda-se. Jesus nos revelou que nós, seres humanos pecadores e fracos, somos convidados à mesma comunhão, à filiação divina que ele viveu, que somos os filhos e filhas prediletos de Deus, precisamente como ele é o seu Filho amado, que somos enviados a este mundo a proclamar a amabilidade de toda a gente, como ele o foi e que finalmente poderemos escapar aos poderes destrutivos da morte, como ele conseguiu.

P. Vitus Gustama,svd

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