quarta-feira, 11 de janeiro de 2017


14/01/2017

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SEGUIR A JESUS E VIVER DE ACORDO COM SUA PALAVRA CAPAZ DE NOS TRANSFORMAR


Sábado da I Semana do Tempo Comum 


Primeira Leitura: Hb 4,12-16


Irmãos, 12 a Palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Ela julga os pensamentos e as intenções do coração. 13 E não há criatura que possa ocultar-se diante dela. Tudo está nu e descoberto a seus olhos, e é a ela que devemos prestar contas. 14 Temos um sumo sacerdote eminente, que entrou no céu, Jesus, o Filho de Deus. Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos. 15 Com efeito, temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. 16 Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno.


Evangelho: Mc 2,13-17


Naquele tempo, 13 Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia a seu encontro, e Jesus os ensinava. 14 Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Levi se levantou e o seguiu. 15 E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitos cobradores de impostos e pecadores também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos. Com efeito, eram muitos os que o seguiam. 16 Alguns doutores da Lei, que eram fariseus, viram que Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: “Por que ele come com os cobradores de impostos e pecadores?” 17 Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.
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A Palavra De Deus É Viva e Penetrante


“A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Ela julga os pensamentos e as intenções do coração. E não há criatura que possa ocultar-se diante dela. Tudo está nu e descoberto a seus olhos, e é a ela que devemos prestar contas” (Hb 4,12-13).


Através da Primeira Leitura, o autor da Carta aos hebreus nos apresenta a força da Palavra de Deus. A Palavra de Deus continua viva, penetrante, cortante e nos conhece inteiramente. Deus nos conhece por dentro, sabe de nossas intenções mais profundas. É como uma luz poderosa que tudo envolve e manifesta, e não há nada que seja escondido. A Palavra de Deus não é um simples som, nem uma suma de conceitos e sim a própria pessoa de Jesus Cristo (cf. Jo 1,1-3.14), nosso juiz misericordioso, nosso sumo Sacerdote, capaz de compadecer-se de nossas dores, porque Ele as padeceu, um trono da misericórdia, da graça de Deus em quem podemos depositar toda a nossa esperança. Jesus, por sua morte e ressurreição, entrou no santuário do céu, como o sacerdote do Templo que atravessava a cortina para entrar no espaço sagrado interior. Jesus está diante do Pai intercedendo por nós. Podemos sentir nossa debilidade e estar rodeados de tentações no meio de um mundo que não nos ajuda, mas temos um Sacerdote que nos conhece profundamente e sabe de nossas fragilidades e quer nos ajudar, pois confiamos nele.


Todos os dias estamos diante da Palavra de Deus viva e penetrante. Palavra eficaz como a do Gênesis (“disse e se fez”). Ela nos ilumina por dentro e para o mundo nos tornamos reflexos dessa Palavra, se realmente a contemplamos e meditamos. Uma vez a Palavra de Deus nos acaricia e consola. Outras vezes, ela nos julga e nos convida a um discernimento mais claro de nossas atuações. Ou ela nos condena quando nossos caminhos nãos são caminhos de Deus. Ela vai nos sustentando em nosso caminho de fé. A Palavra de Deus é uma grande ajuda para superar nossos cansaços ou nossas tentações de cada dia.


Os primeiros cristãos saindo do judaísmo sabe muito bem a eficácia da Palavra de Deus: “Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão” (Is 55,10-11; cf.).


O autor da Carta aos hebreus nos apresenta cinco qualidades da Palavra de Deus: viva e eficaz, cortante e penetrante, e judicante (que exerce as funções de juiz).


O autor usa a imagem da espada ligada à Palavra de Deus que não é novidade para a Bíblia (cf. Sb 18,15; Ef 6,17). Não é qualquer espada e sim a espada de dois gumes para enfatizar a força inexorável da Palavra de Deus que penetra no homem. Mas tanto no mundo profano como no mundo bíblico a espada evoca o contexto do julgamento em que através da espada a sentença é executada (cf. Dt 13,13-16; Rm 13,4).


Portanto, é preciso ler a Palavra de Deus, meditá-la e colocá-la em prática, pois “a Palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Ela julga os pensamentos e as intenções do coração. E não há criatura que possa ocultar-se diante dela. Tudo está nu e descoberto a seus olhos, e é a ela que devemos prestar contas” (Hb 4,12-13).


A Palavra de Deus Tem Poder de Converter as Pessoas


“´Segue-me! ´ Levi se levantou e o seguiu”.


Ao longo desta semana, lendo os primeiros capítulos do Evangelho de Marcos temos acompanhado Jesus atuando: Ele nos ensina com suas atitudes, com suas obras, com suas tomadas de posição, muito mais que com suas palavras. Um endemoninhado, a sogra de Pedro com febre, um leproso, uma paralitico. É o povo de Jesus que o busca e que Jesus o cura e salva.


Hoje também nos ensina, não como longos discursos e sim com atitudes bem concretas. Não é mais um enfermo e sim um pecador, um cobrador de impostos ao serviço do odioso império romano, um sanguessuga do povo necessitado. Mas Jesus vê além do ódio com que os demais veem o cobrador. Jesus vê o núcleo intacto da dignidade deste cobrador capaz de realizar grandes e boas coisas, no lugar de estar roubando centavos por centavos do dinheiro do povo necessitado através dos tributos.  Jesus chamou o cobrador e aceitou o convite de comer em sua casa com seus amigos e colegas, os outros publicanos, todos pecadores, todos exploradores/ladrões do dinheiro público, pois Jesus proclama ter vindo, não para condenar e sim para salvar e declara que são os enfermos que necessitam de sua medicina e não os sãos. Tudo isso nos faz pressentirmos que o coração de Deus não tem margem e que nele cabemos todos nós, muito especialmente os mais necessitados de seu amor e de seu perdão. Esta lição da escola de Jesus deve romper nossos esquemas de tratar os outros, deve nos fazer olharmos os outros com novos olhos depois que vimos Jesus sentado ao redor da mesa com os pecadores.


Ao perdoar os pecados do paralítico, no evangelho do dia anterior, (Mc 2,1-12) Jesus rompeu a distância entre o pecador e Deus. Mas que implicação tem isso na sociedade? Que exige da Igreja que se diz portadora de perdão e de reconciliação entre os homens (cf. Mt 16,19;18,18;Jo 20,22-23)?


O texto do evangelho de hoje fala da vocação de Levi. Levi é o quinto discípulo de Jesus segundo o evangelho de Mc. (cf. Mc 1,16-20). Jesus se apresenta diante dele como o Senhor que ordena: “Segue-me!”. Aquinovidade! Não é mais pescador que Jesus chama, mas é um cobrador de impostos para ser seu discípulo, e por isso, é um pecador público (publicano) que para a sua época, era mal visto pela população. Levi é descrito como um homem que “estava sentado”. Mas ao ouvir a chamada de Jesus para segui-lo, Levi se levantou. A partir daquele dia, Jesus será quem dará sentido para a vida de Levi. E Levi aprenderá de Jesus uma nova forma de viver com sentido.


Olhando para Levi e para o comportamento de Jesus diante deste, cada um de nós pode dizer em silêncio ao Senhor: “Senhor, eu sou também um pecador. Obrigado, Senhor, por não me julgar, como não julgou Levi. O Senhor me conhece e me ama e por isso, não me despreza”.


Os escribas e os fariseus, vendo o comportamento de Jesus, perguntaram aos discípulos de Jesus: “Por que ele come com os cobradores de impostos e pecadores?”. Fazer refeição com os demais era um reconhecimento da igualdade e da dignidade. Os cobradores de impostos eram considerados ladrões do dinheiro publico, e por isso, eram excluídos e considerados impuros.  Os escribas e os fariseus, puritanos fechados em sua auto-suficiência e convencidos de serem os perfeitos, não se relacionavam com este tipo de pessoas para não comprometer sua pureza legal.


aqui uma revelação de Deus que chama nossa atenção. Jesus não julga os que dele se aproximam; não faz diferença entre os homens (cf. At 10,34-35). Não entra nas classificações habituais da opinião de seu tempo. Jesus é um homem de idéias amplas, um homem tolerante e compreensivo, é um homem muito humano para com todos. Ele era tão humano a ponto de se tornar tão divino. Para ser verdadeiro cristão o homem tem que ser muito humano profundamente. Na profunda vivência da humanidade é que chegaremos à divindade. Paradoxalmente, o caminho da subida até Deus passa pelo caminho da descida até a nossa humanidade.


Diante da crítica dos escribas e fariseus Jesus diz: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores” (Mc 2,17).


A resposta de Jesus é um dos melhores retratos do amor misericordioso de Deus, manifestado em Cristo Jesus. Com uma liberdade admirável, Jesus vai pelo seu próprio caminho, anunciando a Boa Nova aos pobres, chamando os “pecadoresapesar das reações dos puritanos que afastam os outros e fazem isso, em nome de um suposto Deus em quem acreditam. Jesus continua a salvar os débeis e os enfermos. Continua fazendo o bem apesar dos comentários negativos a respeito. Jesus, em vez de se afastar dos “pecadores”, se aproxima deles. Ele não tem medo de sentar-se à mesa com aqueles que a sociedade considera como pessoas não “certinhas”.


O evangelista Marcos nos relatou que, como fruto da aproximação tão humana da parte de Jesus “Com efeito, eram muitos que o seguiam”. Esta frase tem um peso porque prepara uma melhor compreensão de Mc 3,13-16. Aqui tomamos consciência de que os que seguem a Jesus sintonizam seu atuar com o do Mestre e também eles se aproxima dos pecadores. Este fato era de grande atualidade no tempo da comunidade de Marcos (cf. Gl 2,11-14). Para um cristão de origem judaica não era fácil conviver com quem havia sido conhecido anteriormente como um pecador publico ou com quem provinha do mundo pagão. Somente recordando o comportamento de Jesus tudo se superava.


Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”. Para todos nós que não somos santos estas palavras de Jesus nos consolam. Cristo nos acolhe e nos chama apesar de nossas debilidades e da má fama que possamos ter e nos transforma em seus discípulos para continuar sua obra neste mundo. Como a Eucaristia, não é para os perfeitos. Por isso, sempre começamos nossa celebração com um ato penitencial e na hora de receber o Corpo do Senhor, na comunhão, continuamos a reconhecer nossa indignidade de comungar o Corpo tão santo do Senhor ao dizer: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra, serei salvo!”.


Temos que viver realmente a espiritualidade da Eucaristia porque a estrutura da Eucaristia nos mostra que somos todos pecadores. Começamos sempre nossa celebração com um ato penitencial. E antes de nos aproximar da comunhão, pedimos no Pai-Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas”. Ao receber o Corpo e sangue do Senhor nós acreditamos que Ele é Aquele que tira o pecado do mundo e aquele que nos alimenta a fim de vivermos para ele e para os demais. Conscientes de sermos pecadores rezamos antes de receber o Corpo do Senhor: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra, serei salvo”. Se realmente vivermos profundamente a espiritualidade eucarística jamais julgaremos os outros. Ao contrário, devemos rezar muito mais do que comentamos. “No falar muito está o pecado”, diz a Palavra de Deus.


Infelizmente temos os olhos muito abertos para os defeitos dos demais e fechados para nossos próprios defeitos e para o bem praticado pelos outros. Portanto, o evangelho deste dia deve nos estimular a não sermos como os fariseus, a não crermos melhores, escandalizando-nos pelos defeitos que vemos nos demais. 


Para Refletir Mais


É muito interessante observar como Jesus não aprova as catalogações correntes que na sua época originavam a marginalização de tantas pessoas. Quando marginalizamos alguém é porque nos achamos melhores do que os outros. Por isso, marginalizar os outros não deixa de ser uma manifestação da arrogância ou de um sentimento de superioridade. E a arrogância é uma maneira de admitir os próprios defeitos. É interessante refletir que todos nós nascemos iguais, mas logo no dia seguinte criamos catalogações. E um dia todos vão entrar na cova (morrer) de igual maneira, mesmo alguns enfeitem a cova.


No evangelho de ante ontem lemos que Jesus tocou e curou um leproso. No evangelho de hoje, Jesus se aproxima e chama como seu seguidor nada menos que um arrecadador de impostos, um publicano, um pecador público. Trata-se de umpecadorsegundo todas as convenções da época. É chocante tanto para a época de Jesus e, creio que, também para nossa época. Mas Jesus Levi, o publicano, e este O segue imediatamente.


A graça de Deus não admite nenhuma demora. Ela chega e nós não podemos demorar em corresponder com ela, como Levi que se levantou e seguiu a Jesus imediatamente.


Jesus encontrou Levi “sentado” e o chama. E este se levantou e seguiu a Jesus. O que torna nossa vida sem dinamismo? O que nos faz “sentados” na vida que nos faz sem horizonte, sem esperança e sem sentido? É preciso repetirmos sempre a frase do Senhor: “Levanta-te e anda e tu verás mais coisas na tua vida!”


Além disso, o texto quer nos dizer que, na vida, nãonada que seja perdido. A opinião da maioria pode nos condenar como perdidos. Mas temos que ter um audição seletiva: selecionar o que necessitamos escutar e abandonar o que não precisamos escutar. Além disso, tenhamos a esperança em Deus, pois um dia Ele vai se aproximar de nós. Fiquemos atentos para Deus que se aproxima de Deus. Fiquemos atentos para os sinais de Deus na nossa vida.


É um dos melhores retratos do amor misericordioso de Deus encarnado em Jesus Cristo. Com uma liberdade admirável Jesus vai pelo seu caminho anunciando a Boa Nova aos pobres (cf. Lc 4,18-19; Is 61,1-2), chamando “pecadorespara segui-Lo apesar das reações diante de sua atitude. Ele cumpre sua missão: Veio para salvar os débeis/ pecadores e os enfermos.


P. Vitus Gustama,svd

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