quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

21/01/2017
 



JESUS NOS AMA A PONTO DE DERRAMAR SEU SANGUE NA CRUZ

Sábado Da II Semana Do Tempo Comum

Primeira Leitura: Hb 9,2-3.11-14

Irmãos, 2 foi construída uma primeira tenda, chamada o Santo, onde se encontravam o candelabro, a mesa e os pães da proposição. 3 Atrás da segunda cortina, havia outra tenda, chamada o Santo dos Santos. 11 Cristo, porém, veio como sumo sacerdote dos bens futuros. Através de uma tenda maior e mais perfeita, que não é obra de mãos humanas, isto é, que não faz parte desta criação, 12 e não com o sangue de bodes e bezerros, mas com o seu próprio sangue, ele entrou no Santuário uma vez por todas, obtendo uma redenção eterna. 13 De fato, se o sangue de bodes e touros, e a cinza de novilhas espalhada sobre os seres impuros os santificam e realizam a pureza ritual dos corpos, 14 quanto mais o Sangue de Cristo, purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo, pois, em virtude do espírito eterno, Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus como vítima sem mancha.

Evangelho:Mc, 3, 20-21

Naquele tempo, 20Jesus voltou para casa com os discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer. 21Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si.
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O Sangue de Cristo Derramado Na Cruz Nos Purifica e Salva

O Sangue de Cristo purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo, pois, em virtude do espírito eterno, Cristo se ofereceu a si mesmo a Deus como vítima sem mancha”. Assim lemos na Primeira leitura deste dia.

Ontem comparávamos a antiga e a nova aliança. Hoje, a comparação é muito sugestiva: trata-se do antigo templo ou santuário judeu, em Jerusalém, no qual os sacerdotes exerciam seu ministério da antiga aliança. Nesse templo eram sacrificados animais cujo sangue se derramava por terra e cujas carnes, em todo ou em parte, eram queimadas sobre o altar em honra a Deus, dando-lhe graças e bendizendo-o. Mas Jesus, nosso Senhor e Salvador é diferente. Como o Mediador da nova aliança, Jesus Cristo exerce seu sacerdócio diante do próprio Deus e oferece sua própria vida em sacrifício, seu próprio sangue derramado na Cruz. Deus não necessita de sangue para perdoar nossos pecados e sim porque o sangue de Jesus, derramado pelos poderes injustos deste mundo, manifesta até onde Deus é capaz de chegar em seu amor por nós.

O tema do sangue é muito importante em toda a Carta aos hebreus. O sangue é símbolo da “vida”. Somente Deus tem poder sobre a vida. Para os hebreus o sangue é algo sagrado (Lv 17,11; 14; Dt 12,23). O uso do sangue se reserva exclusivamente para fazer “oferenda a Deus”. Por simbolizar a vida, em muitas civilizações que estão muito mais em contato direto com a natureza que nós, é proibido beber o sangue.

Assim, pois, toda vez que a Eucaristia trata do sangue (de Jesus) poderíamos substituir esse termo pelo de “vida oferecida”. Quando Jesus oferece seu sangue na Cruz é somente o gesto exterior e visível que expressa a oferenda interior que faz de sua vida. Quando Jesus nos dá seu sangue em comunhão eucarística é o sinal exterior concreto que expressa o dom de sua vida por nós pelo nosso resgate. Se a simples aspersão com o sangue de um animal proporcionava uma pureza exterior aos contaminados (impuros pelo pecado), o sangue de Jesus Cristo faz muito mais: impulsionado pelo Espírito eterno, Jesus se ofereceu a si mesmo a Deus. O sangue de Cristo purifica nossa consciência das obras mortas (não salvação) para que possamos render culto ao Deus vivo.

Cristo é, ao mesmo tempo, o sacerdote e a vítima. E uma vítima sem mancha, não no sentido físico como pedia a Lei, e sim por sua falta de pecado e de cumplicidade com o mal. É um sacerdote que possui a força de oferecer-se a si mesmo em obediência à vontade de Deus e em solidariedade fraterna com os demais homens e esta força se eleva até Deus, como o fogo dos antigos sacrifícios.

Jesus se ofereceu, sacrificou-se para nos resgatar de uma situação de não-salvação. Ele não sacrificou a vida do outro e sim sua própria vida. Deu assim a maior prova de amor a Deus e aos homens. E em sua oferenda nos convida a oferecermos também nossa vida em culto espiritual.

Nossa Eucaristia é a comemoração e a atualização do perfeito sacrifício de Cristo; é a comunhão em seu amor; é vínculo de caridade que nos mantém unidos como comunidade ou Igreja; é o estímulo para que também nos entreguemos ao serviço dos demais na transformação do mundo injusto e pecador para o mundo mais fraterno e divino-humano.

Jesus Trabalha Pela Fraternidade e Igualdade

Jesus voltou para casa com os discípulos. E de novo se reuniu tanta gente que eles nem sequer podiam comer”, assim começou o texto do Evangelho deste dia.

Eles nem sequer podiam comer...”. Isto quer dizer que Jesus é totalmente entregue à sua tarefa e absorvido por seu trabalho missionário. Jesus não tem tempo nem de pensar em Si próprio. É necessário que cada um de nós, chamado de seguidor de Jesus Cristo, se pergunte: Qual porcentagem de minha vida ou de meu tempo dedicado para o trabalho missionário/ evangelizador? Sou colaborador de Jesus Cristo ou apenas um consumidor de suas bênçãos?

Além disso, o relato de Mc também começa com um dado surpreendente: os parentes de Jesus, ao saber que ele estava fora de si, ou estava “louco”, eles foram até Jesus para retirá-lo do seu lugar de missão. A loucura era considerada como sinal de possessão diabólica.  Qualificar alguém de louco era uma forma de excluí-lo, anulá-lo e condená-lo. Com Jesus seus inimigos queriam aplicar também essa tática para anulá-lo, e os parentes de Jesus simplesmente acreditavam sem nenhuma verificação.

Por que tudo isso?

Porque Jesus quis construir uma comunidade cimentada nos valores do amor e da justiça, na igualdade e fraternidade. Viver de acordo com a igualdade, a solidariedade e a fraternidade universal significa romper com o modelo de família tradicional e com sistema vigente que oprime e discrimina. Para Jesus todos têm que se sentir irmãos daqueles que até então eram considerados excluídos, impuros, forasteiros, inimigos, pecadores. Para a mentalidade de então essas pessoas teriam que ser afastadas. Jesus fez o contrário: a casa onde ele se encontrava estava lotada de gente pobre e empobrecida que ele tratava com respeito. Por isso, Jesus não podia estar de acordo com seus parentes que, se deixando levar da qualificação de louco que lhe davam seus inimigos, tratavam de retirá-lo de sua missão.

Sempre sucede o mesmo. O plausível para os homens não é em todo momento o honesto para Deus. O politicamente correto não coincide em muitas ocasiões com eticamente justo. Um profeta diz a seu tempo e contra seu tempo o que Deus lhe manda dizer aos homens mesmo que os homens não concordem. Não é fácil ser profeta. Há que estar muito identificado com Jesus para sê-lo de verdade. Um profeta de verdade sempre termina sua vida como mártir. Ele é crucificado, mas ninguém consegue crucificar a verdade porque a verdade mora na própria consciência do homem. O próprio homem sabe disso e tem consciência disso.

Os parentes de Jesus acreditaram nas fofocas ou comentários maldosos dos inimigos de que Jesus era louco. Por isso, eles foram até Jesus para levá-lo para casa sem perguntar até que ponto esse comentário tinha fundamento. Às vezes, acontece o contrário: aquele que acha que o outro seja louco é muito mais louco do que todos os loucos de verdade. Precisamos nos perguntar também tanto pessoalmente como comunitariamente: Quem é Jesus em quem acreditamos? Por que nos reunimos em Seu nome? Por que celebramos a Eucaristia? porque ele mandou fazer em sua memória? Mas que memória? Vale a pena continuar acreditando e esperando n’Ele?

Jesus é considerado como louco por ser próximo e irmão para todos, por ajudar quem está em necessidade; por integrar numa família quem era excluído, por salvar a vida no dia de preceito (Sábado), por lutar pela igualdade, pois todos são filhos e filhas de Deus. Nós que amamos Cristo, nós que escutamos Sua voz e nos comprometemos a viver conforme Seu evangelho também nós podemos ser considerados como loucos, sonhadores e ilusórios pelo mundo. Mas somente aquele que vive verdadeiramente unido a Deus e comprometido na salvação de todos, poderá fazer seu o caminho de Cristo e jamais vai usar o Evangelho para o proveito próprio. Ao contrario, ele saberá ir ao encontro dos que falharam na vida moral ou eticamente para fazer todos eles aproximarem-se do perdão e do amor de Deus; saberá ir ao encontro das pessoas que sofrem para manifestar-lhes a misericórdia divina não somente com palavras e sim com a própria entrega, com obras que lhes ajudam a viver uma vida digna. Sejamos essa Igreja do Senhor que vive não para servir-se do Evangelho e sim para estar a serviço do Evangelho até as ultimas conseqüências. Deus espera de nós uma vida de totalmente comprometida com o Evangelho.

A partir da reação dos parentes de Jesus que não conhecem quem é Jesus é necessário que nos perguntemos: Quem é Jesus para mim, para você, para nós? Por que nos reunimos pessoal e comunitariamente em seu nome nas nossas celebrações e nos nossos encontros? Vale a pena continuamos a ser chamados de cristãos, a continuar acreditando e esperando n’Ele? Não estaremos loucos que pretendemos ser discípulos do Senhor?

P. Vitus Gustama,svd

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