quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

23/01/2017
 
UNIR-SE A JESUS CRISTO PARA ELIMINAR O MAL DA CONVIVÊNCIA HUMANA

Segunda-Feira Da III Semana Do Tempo Comum

Primeira Leitura: Hb 9,15.24-28

Irmãos, 15 Cristo é mediador de uma nova aliança. Pela sua morte, ele reparou as transgressões cometidas no decorrer da primeira aliança. E, assim, aqueles que são chamados recebem a promessa da herança eterna. 24 Jesus não entrou num santuário feito por mão humana, imagem do verdadeiro, mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor. 25 E não foi para se oferecer a si muitas vezes, como o sumo sacerdote que, cada ano, entra no Santuário com sangue alheio. 26 Porque, se assim fosse, deveria ter sofrido muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas foi agora, na plenitude dos tempos, que, uma vez por todas, ele se manifestou para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo. 27 O destino de todo homem é morrer uma só vez, e depois vem o julgamento. 28 Do mesmo modo, também Cristo, oferecido uma vez por todas, para tirar os pecados da multidão, aparecerá uma segunda vez, fora do pecado, para salvar aqueles que o esperam.

Evangelho: Mc 3, 22-30

Naquele tempo, 22os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Beelzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. 23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. 25Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. 26Assim, se Satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. depois poderá saquear sua casa. 28Em verdade vos digo: tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados, como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo, nunca será perdoado, mas será culpado de um pecado eterno”. 30Jesus falou isso, porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”.
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Estando No Céu, Cristo Intercede Por Nós Pelo Perdão De Nossos Pecados

O texto da Primeira Leitura de hoje continua a manter o tema sobre o sacerdócio de Cristo muito superior ao sacerdócio do AT porque Cristo é “Mediador (eterno) de uma Aliança nova”.

Na Antiga Aliança o Sumo Sacerdote entrava uma vez ao ano, por ocasião da festa da Expiação, no lugar santíssimo, espaço mais sagrado do Templo de Jerusalém, para oferecer sacrifícios (sangue do sacrifício) para oferecer a Deus por seus pecados e pelos pecados do povo (cf. Lv 16). E ele era esperado pela comunidade com certeza de ter obtido, da parte de Deus, o perdão dos pecados. Mas ao retornar à vida diária, voltava às antigas faltas (pecados). Consequentemente era necessário repetir este sacrifício ritual cada ano. Ou seja, como não oferecia mais que sangue de animais, não era eficaz de uma vez por todas seu ministério e tinha que repetir cada ano.

Jesus Cristo, ao contrário, entrou no Santuário eterno levando seu próprio sangue pelo qual destruiu o pecado e nos obteve o perdão de Deus. Cristo entrou no santuário do céu, e não no templo humano e o fez de uma vez por todas, porque se entregou a si mesmo e não o sangue alheio ou o de animal. Assim como todos nós morremos uma só vez (Hb 9,27), também Cristo, por absoluta solidariedade com nossa condição humana, submeteu-se à morte “para destruir o pecado com sacrifício de si mesmo”. Agora Cristo intercede por nós para que sejamos perdoados, e unidos a Ele, sejamos reconhecidos como filhos e filhas de Deus. E nós esperamos Cristo ansiosamente na Sua Segunda Vinda ao final do tempo (Parusia) para nos conduzir à salvação eterna, como rezamos dentro do Pai Nosso (no embolismo) durante a Eucaristia: “... enquanto vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo Salvador”. Ou como rezamos na Anamnese: “Todas vez que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda”. Em Cristo depositamos toda a nossa esperança. E guiados e fortalecidos pelo Espírito Santo vivamos, a exemplo de Cristo, já não para nós mesmos e sim para Aquele que por nós morreu e ressuscitou.

Temos que manter nossa alegria pelo fato de saber que temos um Sacerdote no Céu que não entrou na presença de Deus por uns instantes e sim para sempre. Diante de Deus temos um Mediador sempre disposto a interceder por nós. Como o autor da Carta aos hebreus não se cansa de repetir este tema, também nós não deveríamos nos cansar de recordar esta boa notícia em nossa vida de cada dia.

Além disso, há mais de dois mil anos no Calvário aconteceu o sacrifício de Cristo que foi único. Mas nós celebramos este sacrifício diariamente. O próprio Cristo nos encarregou: “Fazei isto em minha memória”. São Paulo situa claramente cada celebração eucarística entre o passado da Cruz e o futuro da Parusia (Segunda Vinda de Cristo): Todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha” (1Cor 11,26). Em cada Eucaristia participamos e entramos em comunhão com o sacrifício da Cruz em que o Senhor ressuscitado está sempre presente. Temos que manter nossa alegria em cada Eucaristia da qual participamos, pois entramos em contato direto com Aquele que intercede por nós diante do Pai do céu, tanto pela sua Palavra como pelo Pão da Vida que é o próprio Senhor..

Estar Com Cristo Contra o Mal

Voltamos novamente a acompanhar as controvérsias entre Jesus, de um lado e seus adversários (fariseus e escribas), de outro lado.

O evangelho deste dia nos relata que Jesus encara seus adversários vindos de Jerusalém, cidade onde ele sofrerá a Paixão. Na discussão Jesus é considerado como uma pessoafora de si” (=louco) pelos parentes (Mc 3,21), e “Ele está possuído por Belzebu, chefe dos demônios”, pelos escribas (Mc 3,22). Em outras palavras, Jesus é recusado “pelos seus” e “pelas autoridades religiosas”. Jesus é recusado, desconhecido e ignorado. Jesus é contestado, não é escutado, não é seguido. Jesus é deixado de lado.

Até este ponto precisamos entrar no nosso íntimo para cada um se perguntar: “Qual é a minha maneira pessoal de recusar Jesus na minha própria vida? Quando foi que eu deixei de lado esse Jesus Salvador nas minhas decisões, no meu modo de me comportar? Quando foi que ignorei Jesus na minha vida e na convivência com os demais?”. Se Jesus que é a Luz do mundo (Jo 8,12) não ocupar seu devido lugar na minha vida, então a minha vida vai ser muito desorientada e escura. Em nossa vida temos que conjugar os esforços humanos com a confiança em Deus e a docilidade aos seus planos.

Jesus começou a ser conhecido pela multidão (Mc 1,28), pois Elefala como quem tem autoridade e não como os escribas” (Mc 1,22), pois Ele se preocupa com a dignidade de todas as pessoas, especialmente com os excluídos. A fama de Jesus também chegou aos ouvidos das autoridades. E estas começaram a fazer uma campanha de difamação contra Jesus. “Ele estava possuído por Beelzebu, e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios”, dizem eles sobre Jesus. Ao chamar Jesus de “chefe dos demônios”, as autoridades querem dizer a todos que Jesus é o inimigo de Deus (gente de demônio) e por isso, não merece nenhuma credibilidade.  Ao desqualificar Jesus, eles querem desqualificar sua obra. Desta maneira eles poderiam impedir a crescente popularidade de Jesus. Trata-se de um jogo das autoridades para não perder o poder sobre o povo. Todo julgamento esconde a arrogância de quem se acha dono da verdade e também revela grande insegurança. Aquele que julga se comporta como soberano e crítico das ações alheias. Num mundo de trabalho interesseiro, num mundo de luta pelo poder, os bons, os justos, os honestos são sempre vitimas e são excluídos ou eliminados, mas o bem vivido ganhará reconhecimento de Deus (cf. Mt 25,40.45; 7,21-27).

Se aprofundarmos mais esse assunto, perceberemos que o que está em jogo na discussão com os adversários de Jesus é a luta entre o espírito do mal e o espírito do bem. Por isso, merece o duríssimo ataque de Jesus. O que eles fazem é considerado como uma blasfêmia contra o Espírito Santo. Pecar contra o Espírito Santo significa negar o que é evidente, negar a luz de Deus permanentemente, tapar-se os olhos para não ver, para negar a verdade, para negar a salvação definitivamente. É virar de costas definitivamente para a salvação oferecida por Deus. Mesmo assim Deus continua a conversão de cada um deste tipo de pessoa. Mas, enquanto lhes durar essa atitude obstinada e esta cegueira voluntária, eles mesmos se excluem do perdão e do Reino. O Reino de Deus está aberto para quem quiser entrar nele, pois Deus não se cansa de oferecer seu perdão para quem voltar para Deus, pois para Deus não existe a palavra desistência.

Creio que nós não somos certamente dos que negam a Jesus permanentemente. Ao contrário, não somente cremos nele e sim que seguimos a Jesus e celebramos seus sacramentos e meditamos sua Palavra iluminadora. E nós cremos que Jesus é mais forte e por isso, Ele nos ajuda na nossa luta contra o mal. E para afastar o mal precisamos viver e praticar o bem, mas não simplesmente para afastar o mal. Fazer o bem é o verdadeiro caminho divino e por isso, precisamos optar por este caminho. Ser cristão não é apenas aquele que evita o mal, mas principalmente fazendo o bem ele afasta o mal. Se Jesus que é mais forte do que qualquer mal está entre nós, então precisamos estar com ele permanentemente, colocando-o no centro de nossa vida para ganhemos também Sua força.

Mesmo assim, podemos nos perguntar se alguma vez nos obstinamos em não ver tudo o que teríamos que ver no evangelho ou nos sinais dos tempos que vivemos. Ao olhar para os escribas que julgaram Jesus sem piedade, não temos certa tendência a julgar drasticamente os que não pensam como nós, na vida de família, no trabalho, na comunidade ou na Igreja?

Na Vigília Pascal, quando renovamos o nosso compromisso batismal, fazemos cada ano uma dupla opção: renunciar ao pecado e ao mal e professar nossa em Deus. Hoje o Evangelho nos mostra Cristo como Libertador do mal para que durante toda jornada colaboremos com ele em tirar o mal de nosso meio.

Para Refletir Mais:

Como é que Satanás pode expulsar a Satanás? Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se”.

A divisão ou desunião é causa de uma grande fragilidade, de uma falta de força diante de qualquer desafio ou dificuldade. Dividir para dominar é uma das táticas de quem quer poder, de qualquer jeito. Como os fariseus e os escribas fazem com Jesus: difamar para dividir o povo. Onde tiver espaço para a desunião haverá entrada para o inimigo. Onde prevalecer o egoísmo, a soberba, a arrogância, não haverá espaço para o bem, e o mal tomará conta de tudo. Quem for à direção do mal, ele se afastará de Deus, pois o caminho que conduz para Deus é o caminho ao bem, à prática da justiça e do amor. “Deus, de quem separar-se é morrer, a quem retornar é ressuscitar, com quem habitar é viver”, dizia Santo Agostinho (Solil. 1,1,3).

A unidade, a solidariedade, a comunhão, a concórdia e assim por diante são aspirações de todos os tempos e para qualquer família humana. O homem aspira a paz, a concórdia, a fraternidade, a felicidade. “Vede: como é bom, como é agradável habitar todos juntos, como irmãos”, assim reza o salmista (Sl 133,1). Esse desejo ideal de comunhão procede do mais íntimo e profundo do homem, do ponto central onde Deus habita: o coração de cada pessoa. Cada ser humano é imagem de Deus. Deus não é divisão, poisDeus é amor” (1Jo 4,8.16). Deus é um mistério de comunhão entre três que somente fazem um .

O amor mútuo entre todos os irmãos que habitam em uma casa é a maior bênção. A unidade é força e ao mesmo tempo, é felicidade na família ou num grupo em que todos vivem juntos em harmonia. Se todas as pessoas têm o mesmo sangue que corre em suas veias, por que um irmão persegue, maltrata outro irmão?; por que um irmão discrimina outro irmão?; por que um irmão difama outro irmão?; Por que um irmão destrói outro irmão?

Será que na minha vida familiar, matrimonial, profissional, eclesial há aspirações para a solidariedade, a unidade, a partilha, a comunhão?

Para participar na vitória de Cristo sobre as forças do mal que nos querem dominar temos que ser dóceis ao Espírito Santo e temos que reconhecer o poder que atua em Cristo.

P. Vitus Gustama,SVD

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