quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

24/02/2017


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AMIZADE PROFUNDA E UNIÃO MATRIMONIAL ENCONTRAM SUA FORÇA EM DEUS


Sexta-Feira da VII Semana Do Tempo Comum


Primeira Leitura: Eclo 6,5-17


5 Uma palavra amena multiplica os amigos e acalma os inimigos; uma língua afável multiplica as saudações. 6 Sejam numerosos os que te saúdam, mas teus conselheiros, um entre mil. 7 Se queres adquirir um amigo, adquire-o na provação; e não te apresses em confiar nele. 8 Porque há amigo de ocasião, que não persevera no dia da aflição. 9 Há amigo que passa para a inimizade, e que revela as desavenças para te envergonhar. 10 Há amigo que é companheiro de mesa e que não persevera no dia da necessidade. 11 Quando fores bem-sucedido, ele será como teu igual e, sem cerimônia, dará ordens a teus criados. 12 Mas, se fores humilhado, ele estará contra ti e se esconderá da tua presença. 13 Afasta-te dos teus inimigos e toma cuidado com os amigos. 14 Um amigo fiel é poderosa proteção: quem o encontrou, encontrou um tesouro. 15 Ao amigo fiel não há nada que se compare, é um bem inestimável. 16 Um amigo fiel é um bálsamo de vida; os que temem o Senhor vão encontrá-lo. 17 Quem teme o Senhor, conduz bem a sua amizade: como ele é, tal será o seu amigo.


Evangelho: Mc 10,1-12


Naquele tempo, 1 Jesus foi para o território da Judeia, do outro lado do Jordão. As multidões se reuniram de novo em torno de Jesus. E ele, como de costume, as ensinava. 2 Alguns fari­seus se aproximaram de Jesus. Para pô-lo à prova, perguntaram se era permitido ao homem divorciar-se de sua mulher. 3 Jesus perguntou: “O que Moisés vos ordenou?” 4 Os fari­seus responderam: “Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio e despedi-la”. 5 Jesus então disse: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento. 6 No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. 7 Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. 8 Assim, já não são dois, mas uma só carne. 9 Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!” 10 Em casa, os discípulos fizeram, novamente, perguntas sobre o mesmo assunto. 11 Jesus respondeu: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. 12 E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério”.
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Ser Amigo Fiel


Um dos temas em que mais insiste o autor do Eclesiástico é a amizade. Há uma série de observações concretas sobre a amizade no texto de hoje que lemos na Primeira Leitura. Hoje lemos um pequeno tratado sobre a amizade: como se conseguem amigos, quem é o verdadeiro amigo, como há que tratar os amigos.


O autor começa o tema indicando um meio para ganhar amigos: a palavra suave e amável: “Uma palavra amena multiplica os amigos e acalma os inimigos”. O sábio deixou escrito que as palavras doces edificam até os malvados, enquanto que as palavras ásperas escandalizam até os mais santos (cf. Provérbio 18:10; 30,4). A língua que fala bem multiplica as delicadezas. Aqui o autor mostra a importância das palavras, do diálogo para construir ou destruir a amizade.


O autor também nos indica a característica de um amigo fiel: “Se queres adquirir um amigo, adquire-o na provação; e não te apresses em confiar nele.... Um amigo fiel é poderosa proteção: quem o encontrou, encontrou um tesouro. Ao amigo fiel não há nada que se compare, é um bem inestimável. Um amigo fiel é um bálsamo de vida; os que temem o Senhor vão encontrá-lo.”.


A verdadeira amizade é uma das melhores riquezas humanas. Um amigo fiel e sincero é um verdadeiro tesouro. É uma medicina para nossos males. O caminho se faz facilmente quando podemos compartilhar tudo com um amigo. Isso passa na vida social, na vida familiar, na vida religiosa e no apostolado sacerdotal. Num mundo em que cada um tende a ir por sua conta, o saber ser amigo é um valor que não tem preço.


A amizade íntima supõe uma união e compenetração de afetos que não é possível com muitos, e uma confiança e lealdade que não sempre se encontra. Amigo fiel se manifesta com a abnegação para com o amigo, permanecendo a seu lado em meio da adversidade. O amigo certo se manifesta nas situações incertas, pois há amigos que não buscam na amizade mais que seu próprio proveito e por isso, permanecem no dia da prosperidade, apresentando-se, inclusive, como seu melhor amigo, mas ele o abandona no dia da adversidade em que não pode perceber benefício algum de sua amizade. Não é raro que tais amigos, por qualquer motivo, se convertem em inimigos. Consequentemente, quanto mais íntima e confidencial foi a amizade com ele(s), tanto maior será o mal que ele haverá de sofrer, pois conhece mais a fundo seus defeitos que poderá revelar para os demais. Dizia Aristóteles que a verdadeira amizade é aquela que gera não a necessidade ou a utilidade e sim a virtude ou a bondade.


O verdadeiro amigo, fiel em todas as circunstâncias, é tesouro de incalculável valor. Entre os amigos fieis existe uma confiança e um amor mútuo, que os fazem cada dia melhores, advertindo-se mutuamente os defeitos e ajudando-se a corrigi-los. A benéfica influência da amizade verdadeira se deixará notar essencialmente em meio das adversidades em que o amigo verdadeiro permanece unido.


Portanto, o primeiro critério da verdadeira amizade é a fidelidade na prova. Os outros se dizem amigos abandonam seu amigo nas adversidades; o verdadeiro amigo permanece. O segundo critério é o amor comum de Deus: “Um amigo fiel é um bálsamo de vida; os que temem o Senhor vão encontrá-lo. Quem teme o Senhor, conduz bem a sua amizade: como ele é, tal será o seu amigo”. A fé é o ponto comum de uma amizade espiritual, o que pode soldar em profundidade uma relação. Quando amigos compartilham sua fé em Deus, os laços da amizade ficam mais sólidos.


Em Deus Se Encontra o Força Da União Matrimonial


Falando de “amigos”, o texto do Evangelho lido neste dia nos oferece a oportunidade de encarecer como entre os esposos deveria dar-se sempre uma amizade humana exemplar. No início dos tempos Deus criou o homem e a mulher como seres que se necessitam, que se atraem, que se ajudam, que programam a vida dos filhos, que se fazem uma só carne e um só espírito. Matrimônio e lar sem amor, sem amizade, sem comunicação sincera e profunda são autentico fracasso humano. Deus não quer nem promove essa fracasso. São os homens que fazem da união matrimonial uma fonte de frustrações, de intolerâncias, de infidelidades que se expressam nos divórcios, separações, maltratos, distanciamento de pais e filhos e assim por diante.


O texto do evangelho deste dia nos apresenta a discussão sobre o matrimônio entre Jesus e os fariseus. O foco da discussão é o divórcio. A doutrina do evangelista Marcos é bem clara: o casamento não é somente um contrato entre o homem (marido) e a mulher (esposa), mas ele engaja a vontade de Deus. A vontade dos esposos (em contrair o matrimônio) não é suficiente para explicar o casamento e sua unidade, mas a vontade de Deus é parte integrante: “Desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!”.  Consequentemente, o divorcio não é apenas uma injustiça em relação ao cônjuge humano abandonado, mas também uma injustiça em relação ao próprio Deus que quer sempre a comunhão.


“É permitido ao homem divorciar-se de sua mulher?”. É a pergunta de alguns fariseus a Jesus com o intuito de apanhá-lo. Jesus seria acusado de traidor às exigências da Lei, se respondesse “não”, e poderia estar em contradição com sua pregação e com suas obras de caridade caso respondesse “sim”. O resultado seria o mesmo: desacreditar Jesus.


Jesus percebeu a maldade dos fariseus, mas não reagiu de maneira violenta. Jesus não discutiu. Ao contrário, Jesus se argumentou ao retroceder até as origens: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento. No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe!”


Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento”. Como conseqüência de um coração duro e insensível é a desobediência contínua às diretivas divinas. Um coração duro e insensível provoca a desordem nas relações humanas. 


O que Deus uniu, o homem não separe!”. Ater-se somente à lei e às regras é esquecer o impulso da vida. Jesus quer que o ser humano se aproxime da ambição de Deus: o amor é mais exigente do que qualquer lei.


“Desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne”. Para conhecer a grande intuição de Deus é preciso retroceder aos começos, às origens, ao princípio, quando, por ternura, Deus tirou da terra o homem e a mulher e soprou neles Seu hálito para que eles correspondessem ao Seu amor. Para Deus, amar foi em primeiro lugar falar nossa linguagem. Para Deus amar é manter a única palavra que nós podemos entender. Todos entendem a linguagem de amor. Amor é a única palavra que Deus quer manter para o homem e a mulher e quer, ao mesmo tempo, que o homem e a mulher permaneçam no amor. Quando há amor, tudo tem jeito. Regressar às nossas origens para descobrir a regra ou o princípio de nossa vida é voltar a descobrir que necessitamos falar a linguagem do Outro: de Deus. E a linguagem que Deus usa é amor.


Para Deus amar também significa fazer-se vulnerável. Ele não permaneceu no céu de Sua indiferença. Deus “se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Regressar às nossas origens para voltar a descobrirmos a regra ou o princípio de nossa vida é fazer-nos vulneráveis. Quem ama, aceita desejar, esperar, pedir e sofrer.


Para Deus, amar foi também crer e esperar. Deus nos deixou livres e não se arrependeu pela liberdade que nos foi dada. Regressar às nossas origens para descobrir a regra ou o princípio de nossa vida é voltar a aprendermos a viver na esperança. O amor é fecundo, suscita e ressuscita, perdoa e reconcilia. O amor espera com o outro na esperança, pois Deus nos espera no amor e por amor.


Não separe o homem o que Deus uniu”, diz Jesus. Romper um vínculo selado por Deus é ir contra Deus. deus chama à comunhão. Toda ruptura de comunhão significa estar contra o Deus-Comunhão. Os discípulos, os cristãos devem buscar sempre uma vida que reflete esta comunhão com Cristo e com o Pai, e por este mistério de comunhão é inconcebível falar de desunião, de divórcios, de divisão entre os cristãos. Todos os cristãos devem ser testemunhas de comunhão e não de ruptura.


O matrimônio é sacramento por ser imagem mais perfeita do que Deus é e do que é a vida segundo Deus. Na relação entre um homem e uma mulher descobrimos e experimentamos que Deus é encontro, dom, participação e amor. O casal humano é chamado por Deus a tornar-se o primeiro lugar de encarnação deste movimento de amor. O amor humano, sob todas as suas formas, não nasceu dos acasos da evolução biológica. É dom de Deus (cf. 1Jo 4,19). Quando os homens recusarem este dom, impedirão Deus de imprimir neles a sua imagem.


As pessoas se casam para formar uma família onde cada membro é preparado para entrar na sociedade maior. A família é o ambiente em que cada um aprende a dar e a receber o amor, a sacrificar pelo outro, a ser solidário com o outro, a carregar juntos o fardo que se encontra na caminhada, a perdoar mutuamente pelas ofensas que muitas vezes são frutos não da maldade, mas das limitações naquele momento em que elas ocorreram. A linguagem da fé de cada cristão se aprende no lar. A fé e a ética cristã se aprendem no lar que vão marcar a vida de cada membro para o resto da vida. Nenhum de nós adquiriu por si só os conhecimentos básicos para a vida senão através da família. No inicio da vida cada um recebe da família, a vida e as verdades básicas para viver uma vida sadia pessoal, social e comunitariamente.


Que em cada Eucaristia ou em cada celebração litúrgica seja fortalecido o amor dos casais presentes, o amor que eles consagraram um para o outro no dia de seu casamento. O casamento indissolúvel é um grito para todas as pessoas ao redor que existe o amor. É o mesmo que dizer: Deus existe, pois ele é Amor (1Jo 4,8.16).


P. Vitus Gustama,svd

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