quinta-feira, 30 de março de 2017


04/04/2017

ELEVAR A DEUS UM CORAÇÃO ARREPENDIDO

Terça-Feira da V Semana da Quaresma

Primeira Leitura: Nm 21,4-9

Naqueles dias, 4 os filhos de Israel partiram do monte Hor, pelo caminho que leva ao Mar Vermelho, para contornarem o país de Edom. Durante a viagem, o povo começou a impacientar-se, 5 e se pôs a falar contra Deus e contra Moisés, dizendo: “Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos no deserto? Não há pão, falta água, e já estamos com nojo desse alimento miserável”. 6 Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas, que os mordiam; e morreu muita gente em Israel. 7 O povo foi ter com Moisés e disse: “Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes”. Moisés intercedeu pelo povo, 8 e o Senhor respondeu: “Faze uma serpente abrasadora e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá”. 9 Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal sobre uma haste. Quando alguém era mordido por uma serpente, e olhava para a serpente de bronze, ficava curado.

Evangelho: Jo 8,21-30

Naquele tempo disse Jesus aos fariseus: 21Eu parto, e vós me procurareis, mas morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir”. 22Os judeus comentavam: “Por acaso, vai-se matar? Pois ele diz: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’?” 23Jesus continuou: “Vós sois daqui debaixo, eu sou do alto. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 24Disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditais que eu sou, morrereis nos vossos pecados”. 25Perguntaram-lhe pois: “Quem és tu, então?” Jesus respondeu: “O que vos digo, desde o começo. 26Tenho muitas coisas a dizer a vosso respeito, e a julgar, também. Mas aquele que me enviou é fidedigno, e o que ouvi da parte dele é o que falo para o mundo”.27Eles não compreenderam que lhes estava falando do Pai. 28Por isso, Jesus continuou: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou, e que nada faço por mim mesmo, mas apenas falo aquilo que o Pai me ensinou. 29Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de seu agrado”. 30Enquanto Jesus assim falava, muitos acreditaram nele.
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É Preciso Olhar Para Deus a Fim De Entendermos o Sentido Do Que Se Passa No Mundo e Na Nossa Vida

Faze uma serpente abrasadora e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá, disse Deus a Moisés.

 Na travessia do deserto rumo à Terra prometida os hebreus, fatigados e insatisfeitos com o maná de pouco valor nutritivo, protestaram contra Deus e Moisés dizendo: “Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos no deserto? Não há pão, falta água, e já estamos com nojo desse alimento miserável”.

Deus, em castigo, enviou-lhes serpentes venenosas: “Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas, que os mordiam; e morreu muita gente em Israel”. Reconhecendo nas serpentes venenosas um castigo, os hebreus pedem a Moisés que lhes livre desta praga. Deus dá, então, a seguinte ordem a Moisés: Faze uma serpente abrasadora e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá.

O que podemos ver neste relato é um vestígio da ofiolatria (do grego: ophis + latrea), isto é,  a adoração das serpentes ou o culto às serpentes entre os orientais. Em Gezer  foi encontrada uma serpente metálica, e em Susa e na Babilônia foram descobertos diversos amuletos em forma de serpente. A serpente sempre foi relacionada à medicina, porque a ela se atribuíam determinadas virtudes curativas. Dai se deduz que o hagiógrafo ou o autor sagrado associa estes restos metálicos daquela região com um milagre de Moisés relacionado com as mordidas das serpentes.

Mas o autor sagrado não atribui um valor mágico à serpente de bronze levantada por Moisés e sim que vê nela (serpente de bronze) um símbolo do poder curativo e salvífico de Deus. O autor do Livro da Sabedoria fez a exegese desta passagem bíblica: “Efetivamente, quando o cruel furor dos animais os atingiu também, e quando pereceram com a mordedura de sinuosas serpentes, vossa cólera não durou até o fim. Foram por pouco tempo atormentados, para sua correção: eles possuíram um sinal de salvação que lhes lembrava o preceito de vossa lei. E quem se voltava para ele era salvo, não em vista do objeto que olhava, mas por vós, Senhor, que sois o Salvador de todos” (Sb 16,5-7). E Jesus Cristo alude ao fato do deserto e vê na serpente levantada por Moisés um tipo de Sua elevação na Cruz: “Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna” (Jo 3,14-15). Em todo caso, Moisés, ao levantar a serpente, quer destacar e simbolizar a onipotência de Deus que cura e salva os hebreus e não um procedimento mágico.

A serpente foi sempre símbolo de espanto. É um animal sinuoso e deslizante e por isso é difícil de pegar, mas que ataca por surpresa e cuja mordida é venenosa e fatal. É assim a “mordida” do pecado na nossa vida: mortal, e exclusão eterna da salvação se não voltarmos para Deus. A serpente de bronze levantada para ser olhada pelos hebreus para não serem mordidos pelas serpentes pode ser entendida como uma volta para Deus ao reconhecer o próprio pecado e invocar a ajuda de Deus, como reza o Salmista: “Ouvi, Senhor, e escutai minha oração, e chegue até vós o meu clamor! De mim não oculteis a vossa face no dia em que estou angustiado! Inclinai o vosso ouvido para mim, ao invocar-vos atendei-me sem demora!” (Salmo responsorial de hoje). Ninguém se salva magicamente e sim pela fé que se traduz nas obras boas pelo bem da humanidade. O próprio Jesus afirma no evangelho de hoje: “Vós morrereis no vosso pecado”. Esta afirmação se refere à perda da salvação. O pecado é a incredulidade e este é identificado pelo evangelista João com a perda da salvação, com a própria morte. A salvação está na comunhão de vida com Jesus. A desgraça ou a condenação está na separação definitiva de Jesus. A incredulidade como atitude básica e permanente exclui o homem da salvação, da vida eterna.

Eu Sou

Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou, disse Jesus

A controvérsia entre Jesus e seus adversários que começou em Jo 7 continua. Os adversários continuam a não aceitar Jesus como o Enviado de Deus para salvar o mundo.

No texto do evangelho de hoje Jesus usa a expressãoEu sou”. Para o Povo eleito ou para a tradição judaica a expressãoEu sou” evoca o nome divino revelado a Moisés na sarça ardente: “EU SOU Aquele que é” (Ex 3,14).  Para os fariseus ao usar a expressãoEU SOU” Jesus se iguala a Deus e isso é uma verdadeira blasfêmia para eles. Eles não aceitam que Jesus se iguale a Deus e por isso, eles perguntam a Jesus: “Quem és tu?”.

Ao afirmar para si próprio comoEU SOU” Jesus quer revelar aos seus adversários sua radical e profunda comunhão com o Pai (cf. Jo 17,21-23). Jesus está tão unido ao Pai a ponto de dizer que não poderia viver sem fazer a vontade do Pai: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e cumprir a sua obra” (Jo 4,34; cf.). Sinal da profunda comunhão com o Pai é o trabalho de Jesus em salvar ou em fazer o bem para todos os homens, especialmente para os excluídos e abandonados. Jesus passou a vida fazendo o bem (cf. At 10,38).

Quando nossa única preocupação é fazer o bem para todos em qualquer lugar e momento é sinal de que estamos em comunhão plena com Jesus. A única coisa que nos faz bem é fazer o bem. A vida não é uma luta para superar os outros, mas uma missão a ser exercida para dar o melhor de nós para a humanidade conforme os talentos recebidos de Deus. Estamos aqui neste mundo com um objetivo único, com um objetivo nobre que nos permitirá manifestar nosso mais alto potencial enquanto, ao mesmo tempo, acrescentamos valor às vidas das pessoas que estão a nossa volta. Descobrir a própria missão significa trazer mais de você mesmo para o trabalho, para a convivência e concentrar-se nas coisas que você sabe fazer melhor e dar sempre o melhor de você para os outros sem esperar nada em troca.  

Mundo Com Deus e Mundo Sem Deus

Se não acreditais que eu sou morrereis nos vossos pecados”, diz nos Jesus hoje.

Esta afirmação de Jesus se refere à perda da salvação. O pecado é a incredulidade e o pecado para o evangelista se identifica com a perda da salvação, igual à própria morte. Assim como a salvação está na comunhão de vida com Jesus, assim a desgraça ou condenação está na separação definitiva de Jesus. Por isso, Jesus diz: “Para onde eu vou, vós não podes ir”. Para a incredulidade nãoconsumação alguma da comunhão com Jesus. Esta consumação da comunhão acontecerá somente para os que crêem em Jesus. Para estes é que Jesus promete: “Vou preparar um lugar para vós e assim que estiver preparado um lugar para vós voltarei e vos levarei comigo a fim de que onde estiver estejais vós também” (Jo 14,3). A incredulidade como atitude básica e permanente exclui o homem da salvação, da vida eterna.

Vós sois daqui de baixo, eu sou do alto. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo”, diz Jesus aos seus inimigos. Estas palavras confirmam a diferença essencial queentre Jesus e o mundo, precisamente na origem diferente. O mundo ao qual Jesus se opõe é o mundo sem referência a Deus. Este tipo de mundo pode estar presente tanto no interior da Igreja como fora dela. Assim como o mundo de Deus pode estar presente tanto na Igreja como fora dela. A fronteira dos dois mundos não coincide com as fronteiras do cristianismo, pois um cristão pode ser um pagão a partir de seu modo de viver e um pagão pode ser um cristão por causa de seu modo de viver com os demais (cf. Mt 8,5-10).   Jesus, o revelador do Pai, pertence por completo à esfera divina. A esfera divina pertence também aos que acreditam em Jesus Cristo. Enquanto que os incrédulos ficam excluídos da mesma. Além disso, por si mesma, a incredulidade não pode superar sua origem de “baixo”.

Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então, sabereis que eu sou”, diz Jesus. Este elevar do Filho do Homem é a exaltação de Jesus mediante sua morte na cruz. Com esta conexão estabelecida entre a cruz e a afirmação “Eu Sou” fica definitivamente claro ondeque buscar e encontrar o lugar da presença salvadora de Deus: em Cristo crucificado. Atrás da Cruzvida e salvação. Jesus se torna o novo lugar da presença de Deus em quem Deus sai ao encontro do homem dando-lhe a salvação e a vida. Trata-se aqui da : do reconhecimento ou do não reconhecimento dessa presença de Deus em Jesus. Por isso, a pergunta dos judeus da épocaquem és tu?” leva consigo a renunciar a crer. Rejeitar Cristo que é a vida, luz e salvação, supõe optar pela morte, as trevas e a ruína eterna.

Vós sois daqui de baixo”. Os que daqui de baixo, os do mundo se deixam levar pelas paixões desordenadas e pelo espírito mesquinho de intolerância, mostrando-se insensíveis em relação aos mais pequeninos, e não suportando quem lhes aponta os pecados, não se dão conta do desígnio divino. São Paulo nos relembra muito bem ao dizer aos filipenses: “ vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso. Apreciam as coisas terrenas! Nós, ao contrário, somos cidadãos do céu. De aguardamos como salvador o Senhor Jesus Cristo. Ele transformará o nosso pobre corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, graças ao poder que o torna capaz também de sujeitar a si todas as coisas” (Fl 3,18-21).  Que não sejamos inimigos da Cruz de Jesus.

“Ser elevado” (Jo 8,28) tem um duplo sentido de morte e de exaltação. O Filho do Homem (Jesus) aprendeu do Pai sua oposição à injustiça; sua morte demonstrou sua plena coerência, a morte de um amor que chega a dar a vida e com ela, sua missão divina. Jesus nunca  se acovarda (Jo 8,29) porque o Pai o acompanha  e apóia. Como você se avalia a partir de Jesus Cristo a Quem você segue?

Por fim, a multiplicação de serpentes venenosas que matam é como a multiplicação dos pecados que matam (excluir da salvação). Na vida as infidelidades são como mordidas de serpentes, delas há que se curar. Elevar o olhar para Jesus é um símbolo da elevação do coração arrependido para Deus por via da fé e por mudança de conduta mais ética e fraterna, pois por este caminho se chega a nova vida de amor.

P. Vitus Gustama,svd




03/04/2017
 
MISERICÓRDIA DIVINA DIANTE DA MISÉRIA HUMANA

Segunda-Feira Da V Semana Da Quaresma

I Leitura: Dn 13,1-9. 15-17.19-30.33-62 (ou Dn 13,41c-62)

Naqueles dias: 1Na Balilônia vivia um homem chamado Joaquim. 2Estava casado com uma mulher chamada Susana, filha de Helcias, que era muito bonita e temente a Deus. 3Também os pais dela eram pessoas justas e tinham educado a filha de acordo com a lei de Moisés. 4Joaquim era muito rico e possuía um pomar junto à sua casa. Muitos judeus costumavam visitá-lo, pois era o mais respeitado de todos. 5Ora, naquele ano, tinham sido nomeados juízes dois anciãos do povo, a respeito dos quais o Senhor havia dito: 'Da Babilônia brotou a maldade de anciãos-juízes, que passavam por condutores do povo.' 6Eles freqüentavam a casa de Joaquim, e todos os que tinham alguma questão se dirigiam a eles. 7Ora, pelo meio-dia, quando o povo se dispersava, Susana costumava entrar e passear no pomar de seu marido. 8Os dois anciãos viam-na todos os dias entrar e passear, e acabaram por se apaixonar por ela. 9Ficaram desnorteados, a ponto de desviarem os olhos para não olharem para o céu, e se esqueceram dos seus justos julgamentos. 15Assim, enquanto os dois estavam à espera de uma ocasião favorável, certo dia, Susana entrou no pomar como de costume, acompanhada apenas por duas empregadas. E sentiu vontade de tomar banho, por causa do calor. 16Não havia ali ninguém, exceto os dois velhos que estavam escondidos, e a espreitavam. 17Então ela disse às empregadas: 'Por favor, ide buscar-me óleo e perfumes e trancai as portas do pomar, para que eu possa tomar banho'. 19Apenas as empregadas tinham saído, os dois velhos levantaram-se e correram para Susana, dizendo: 20'Olha, as portas do pomar estão trancadas e ninguém nos está vendo. Estamos apaixonados por ti: concorda conosco e entrega-te a nós! 21Caso contrário, deporemos contra ti, que um moço esteve aqui, e que foi por isso que mandaste embora as empregadas'. 22Gemeu Susana, dizendo: 'Estou cercada de todos os lados! Se eu fizer isto, espera-me a morte; e, se não o fizer, também não escaparei das vossas mãos; 23mas é melhor para mim, não o fazendo, cair nas vossas mãos do que pecar diante do Senhor!' 24Então ela pôs-se a gritar em alta voz, mas também os dois velhos gritaram contra ela. 25Um deles correu para as portas do pomar e as abriu. 26As pessoas da casa ouviram a gritaria no pomar e precipitaram-se pela porta do fundo, para ver o que estava acontecendo, 27Quando os velhos apresentaram sua versão dos fatos, os empregados ficaram muito constrangidos, porque jamais se dissera coisa semelhante a respeito de Susana. 28No dia seguinte, o povo veio reunir-se em casa de Joaquim, seu marido. Os dois anciãos vieram também, com a intenção criminosa de conseguir sua condenação à morte. Por isso, assim falaram ao povo reunido: 29'Mandai chamar Susana, filha de Helcias, mulher de Joaquim'! E foram chamá-la. 30Ela compareceu em companhia dos pais, dos filhos e de todos os seus parentes. 33Os que estavam com ela e todos os que a viam, choravam. 34Os dois velhos levantaram-se no meio do povo e puseram as mãos sobre a cabeça de Susana. 35Ela, entre lágrimas, olhou para o céu, pois seu coração tinha confiança no Senhor. 36Entretanto, os dois anciãos deram este depoimento: 'Enquanto estávamos passeando a sós no pomar, esta mulher entrou com duas empregadas. Depois, fechou as portas do pomar e mandou as servas embora. 37Então, veio ter com ela um moço que estava escondido, e com ela se deitou. 38Nós, que estávamos num canto do pomar, vimos esta infâmia. Corremos para eles e os surpreendemos juntos. 39Quanto ao jovem, não conseguimos agarrá-lo, porque era mais forte do que nós e, abrindo as portas, fugiu. 40A ela, porém, agarramos, e perguntamos quem era aquele moço. Ela, porém, não quis dizer. Disto nós somos testemunhas'. 41A assembléia acreditou neles, pois eram anciãos do povo e juízes. E condenaram Susana à morte. 42Susana, porém, chorando, disse em voz alta: 'Ó Deus eterno, que conheces as coisas escondidas e sabes tudo de antemão, antes que aconteça! 43Tu sabes que é falso o testemunho que levantaram contra mim! Estou condenada a morrer, quando nada fiz do que estes maldosamente inventaram a meu respeito!' 44O Senhor escutou sua voz. 45Enquanto a levavam para a execução, Deus excitou o santo espírito de um adolescente, de nome Daniel. 46E ele clamou em alta voz: 'Sou inocente do sangue desta mulher!' 47Todo o povo então voltou-se para ele e perguntou: 'Que palavra é esta, que acabas de dizer?' 48De pé, no meio deles, Daniel respondeu: 'Sois tão insensatos, filhos de Israel? Sem julgamento e sem conhecimento da causa verdadeira, vós condenais uma filha de Israel? 49Voltai a repetir o julgamento, pois é falso o testemunho que levantaram contra ela!' 50Todo o povo voltou apressadamente, e outros anciãos disseram ao jovem: 'Senta-te no meio de nós e dá-nos o teu parecer, pois Deus te deu a honra da velhice.' 51Falou então Daniel: 'Mantende os dois separados, longe um do outro, e eu os julgarei.' 52Tendo sido separados, Daniel chamou um deles e lhe disse: 'Velho encarquilhado no mal! Agora aparecem os pecados que estavas habituado a praticar. 53Fazias julgamentos injustos, condenando inocentes e absolvendo culpados, quando o Senhor ordena: 'Tu não farás morrer o inocente e o justo!' 54Pois bem, se é que viste, dize-me à sombra de que árvore os viste abraçados?'  Ele respondeu: 'É sombra de uma aroeira.' 55Daniel replicou 'Mentiste com perfeição, contra a tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus, tendo recebido já a sentença divina, vai rachar-te pelo meio!' 56Mandando sair este, ordenou que trouxessem o outro: 'Raça de Canaã, e não de Judá, a beleza fascinou-te e a paixão perverteu o teu coração. 57Era assim que procedíeis com as filhas de Israel, e elas por medo sujeitavam-se a vós. Mas uma filha de Judá não se submeteu a essa iniqüidade. 58Agora, pois, dize-me debaixo de que árvore os surpreendeste juntos?' Ele respondeu: 'Debaixo de uma azinheira.' 59Daniel retrucou: 'Também tu mentiste com perfeição, contra a tua própria cabeça. Por isso o anjo de Deus já está à espera, com a espada na mão, para cortar-te ao meio e para te exterminar!' 60Toda a assistência pôs-se a gritar com força, bendizendo a Deus, que salva os que nele esperam. 61E voltaram-se contra os dois velhos, pois Daniel os tinha convencido, por suas próprias palavras, de que eram falsas testemunhas. E, agindo segundo a lei de Moisés, fizeram com eles aquilo que haviam tramado perversamente contra o próximo. 62E assim os mataram, enquanto, naquele dia, era salva uma vida inocente.

Evangelho: Jo 12,1-11 (para o Ano “A” e “B”)

Naquele tempo, 1Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Levando-a para o meio deles, 4disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” 6Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. 8E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. 9E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio, em pé. 10Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” 11Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.
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As duas leituras de hoje nos apresentam um paralelismo. Trata-se de um juízo contra duas pessoas, duas mulheres: uma inocente (Suzana) outra pecadora, adúltera. No evangelho de hoje Jesus salva uma mulher adúltera dos que a acusavam e queriam sua morte. O relato de Daniel, na primeira leitura, nos apresenta uma situação semelhante em que Daniel salvou não uma adúltera e sim uma mulher inocentes, Suzana. As duas cenas têm muito em comum e nos ajudam a prepararmos a celebração da Páscoa que está próxima com o juízo misericordioso de Deus sobre nosso pecado. Somente Deus pode nos julgar retamente, pois Ele julga segundo o coração e não conforme as aparências. Deus sempre vê muito mais o nosso coração do que nossa aparência. Por isso, Deus, na sua infinita sabedoria, jamais erra no seu juízo.

Deus Sempre Está Do Lado Do Inocente

Na Balilônia vivia um homem chamado Joaquim. Estava casado com uma mulher chamada Susana, filha de Helcias, que era muito bonita e temente a Deus. Também os pais dela eram pessoas justas e tinham educado a filha de acordo com a lei de Moisés”. Assim lemos na Primeira Leitura.

A Primeira Leitura é tirada do Livro de Daniel capitulo 13. Dn 13-14 pertence à parte deuterocanônica do livro e só se encontra na versão grega.

Os principais personagens no texto da Primeira Leitura de hoje são Susana que aparece aqui no AT e dois anciãos. “Susana” significa “lírioque é muito em consonância com sua pura conduta.

O autor do livro de Daniel, ironicamente, destaca o contraste entre a má conduta dos anciãos que deveriam dar exemplo de virtude por sua idade e sua qualidade de juízes, e a virtude heróica da bela Susana que não aceitou a vergonhosa proposta dos dois anciãos para fazer uma relação íntima com ela. Susana sabia que se ela aceitasse a proposta vergonhosa dos dois anciãos, ela seria condenada à morte (cf. Lv 20,10; Dt 22,21-22; Jo 8,4-5).  Quando Susana não aceitou a proposta vergonhosa deles, os dois anciãos denunciaram Susana falsamente.

Susana era conhecida por sua honestidade. Ela representa a alma pura, a fidelidade a Deus. Deus nunca deixa o inocente lutar sozinho. Por isso, no fim a inocência vencerá diante da mentira e da falsidade. Deus permite a prova e as provações para o justo até ao extremo que, às vezes, tem-se impressão de que Deus se esqueça do justo. Mas o bem sempre triunfa. De fato, Susana saiu vitoriosa pela sua inocência e os falsos anciãos são condenados pela sua mentira.

Da história de Susana aprendemos que por mais que os outros falem as calunias contra você, é preciso prosseguir confiando no Bem Maior, Deus cuja palavra final será um julgamento para todos. Por mais que os odiosos lhe demonstrem rancores, prossiga perdoando, pois o perdão é a expressão máxima do amor divino. Por mais que lhe ameacem os aparentes fracassos, prossiga apostando na vitória final de Deus. Por mais que os outros tentem destruí-lo, prossiga na construção da humanidade mais humana e fraterna, pois pertencemos à família do Papai do céu. Por mais que os outros lhe demonstrem a arrogância, prossiga com sua humildade para se manter na simplicidade e na pureza.A humildade é a única base sólida de todas as virtudes” (Confúcio). EQuanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza” (Rabindranath Tagore).

Misericórdia Divina Diante Da Miséria Humana

No texto do evangelho de hoje os escribas e os fariseus trouxeram a Jesus uma mulher que havia sido apanhada cometendo adultério. Eles a colocaram no meio e disseram: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. Moisés, na sua lei, manda apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?”.

É surpreendente que não se fale do “parceiro” deste ato de adultério (porque é difícil cometer adultério sozinho). Por que o “parceirotambém não foi agarrado? É a história de sempre: a agressividade, a violência, as paixões sempre se descarregam sobre os mais fracos: os mais fortes sempre conseguem se safar ou se escapar por causa do poder social, cultural, político ou econômico. Os fracos sempre são vítimas porque eles não têm recursos em todos os sentidos. O único recurso dos fracos é o próprio Deus.

Diante da pressão da multidão, especialmente dos escribas e fariseus Jesus fica calado. Se Deus parece calar-se, acontece isso porque nos disse tudo: não tem mais nada a acrescentar. Deus deseja que escutemos com maior atenção a palavra que nunca chegamos a compreender perfeitamente. A Palavra de Deus não se gasta e é perpétua.  Se soubermos escutar atentamente a Palavra de Deus, jamais nos precipitaremos em nada. No ritmo acelerado de nossa sociedade habituamo-nos a um gasto colossal de palavras. Vivemos numa sociedade cada vez mais reacionária diante de tudo do que numa sociedade refletiva em que tudo precisa ser analisado calmamente. Estamos cada vez mais distante do valor de um silencia para escutar a ressonância de nossas palavras e atos. Quem é incapaz de entender o silêncio de um amigo, também nunca há de compreender suas palavras.

Por causa de tanta pressão da multidão Jesus abandona o silêncio para pronunciar a seguinte frase: “Quem dentre vós não tiver pecado, atire-lhe a primeira pedra”.

O efeito destas palavras é marcante. Ao ouvirem isso, todos foram-se embora um após outro, a começar pelos mais velhos. Eles são acusados por sua própria consciência. O detalhe “a começar pelos mais velhospoderia referir-se à sua mais ampla experiência da fraqueza humana. Quanto mais vivemos, mais possibilidades nós teremos para cometer erros na vida.

A palavra de Jesus inibiu esses homens de cometer um ato de violência, e eles renunciam livremente. O fato de eles irem embora uma confissão implícita de seu pecado. Concretamente podemos dizer que Jesus é situado duplamente: em relação aos fariseus, a cilada é desfeita e em relação à mulher adúltera, a absolvição foi feita. Diante do pecado que é mais pesado que as pedras em que eles estão pegando, Jesus, vindo de fora, está só, enquanto a mulher está diante dele.

A cena do evangelho de hoje tem sua “ironia” divina. Aquele que é sem pecado (Is 8,46), Aquele que é a santidade participada sem limite e eternamente do Pai encontra-se com a pecadora numa atitude de perdão, de acolhimento. Aqueles, que vinham eles mesmos carregados de pecados, querem a condenação, sendo frustrados precisamente pelo choque com a inocência de Jesus, que os desafia. O rigor de nosso julgamento sobre o nosso próximo mostra que desconhecemos a nossa própria fragilidade e os nossos defeitos e a nossa condição de pecadores diante de Deus. Certas atitudes de rigor em relação ao irmão dificilmente conseguem encobrir alguma fraqueza ou miséria própria não aceita, não confessada. Aí está Jesus escrevendo no chão, seja revelando a cada um sua miséria, seja simplesmente desconversando uma acusação vinda de más intenções.

Também não te condeno. Vai em paz e de agora em diante não peques mais!”, disse Jesus à mulher pecadora. Trata-se, na verdade, de uma palavra poderosa de pleno perdão do pecado. Estas palavras finais de Jesus são dirigidas à mulher e aos pretensos juízes. Jesus fica ali para receber novamente a todos. Jesus não quer condenar, mas libertar. Com sua decisão, Jesus restitui a vida à mulher, dando-lhe uma nova coragem para viver, uma nova oportunidade para recomeçar. O que importa de verdade para a mulher é este novo começo.

Todos nós necessitamos que alguém nos diga: “Eu também não te condena: vai, e doravante não peques mais!” Tal é a palavra criadora de Jesus. Jesus nos torna capazes de aceitar nosso pecado para que iniciemos juntos uma existência reconciliada.

Há duas classes de homens: Uns, pecadores que se julgam justos e os outros, justos que se crêem pecadores. Em que grupo você está? A raiz do mal e da injustiça está dentro de cada um de nós; dentro de mim.  Se não reconheço isto, nada melhorará dentro e fora de mim.

O texto permanece aberto, sem nada dizer sobre o que aconteceu depois com a mulher, como na parábola do filho pródigo/pai misericordioso, nada é dito sobre a decisão final do filho mais velho (Lc 15,32). O leitor é igualmente convidado a perder seu medo, a não se fechar em seu passado, às vezes um outro círculo mortal, e a andar na liberdade dos filhos de Deus (leia consecutivamente  Sl 103,10-14 e Sl 32,1.13).

P. Vitus Gustama,svd

quarta-feira, 29 de março de 2017


Domingo, 02/04/2017
 

VITÓRIA DA VIDA SOBRE A MORTE 

V DOMINGO DA QUARESMA DO ANO “A”

I Leitura: Ez 37,12-14

12 Assim fala o Senhor Deus: “Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel; 13 e quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, sabereis que eu sou o Senhor. 14 Porei em vós o meu espírito, para que vivais e vos colocarei em vossa terra. Então sabereis que eu, o Senhor, digo e faço — oráculo do Senhor”.

II Leitura: Rm 8,8-11

 Irmãos: 8Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. 9Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vós. Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo. 10Se, porém, Cristo está em vós, embora vosso corpo esteja ferido de morte por causa do pecado, vosso espírito está cheio de vida, graças à justiça. 11E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que mora em vós.

Evangelho: Jo 11,1-45

Naquele tempo: 1 Havia um doente, Lázaro, que era de Betânia, o povoado de Maria e de Marta, sua irmã. 2 Maria era aquela que ungira o Senhor com perfume e enxugara os pés dele com seus cabelos. O irmão dela, Lázaro, é que estava doente. 3 As irmãs mandaram então dizer a Jesus: 'Senhor, aquele que amas está doente.' 4 Ouvindo isto, Jesus disse: 'Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.' 5 Jesus era muito amigo de Marta, de sua irmã Maria e de Lázaro. 6 Quando ouviu que este estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar onde se encontrava. 7 Então, disse aos discípulos: 'Vamos de novo à Judéia.' 8 Os discípulos disseram-lhe: Mestre, ainda há pouco os judeus queriam apedrejar-te, e agora vais outra vez para lá?' 9 Jesus respondeu: 'O dia não tem doze horas? Se alguém caminha de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10 Mas se alguém caminha de noite, tropeça, porque lhe falta a luz'. 11 Depois acrescentou: 'O nosso amigo Lázaro dorme. Mas eu vou acordá-lo.' 12 Os discípulos disseram: 'Senhor, se ele dorme, vai ficar bom.' 13 Jesus falava da morte de Lázaro, mas os discípulos pensaram que falasse do sono mesmo. 14 Então Jesus disse abertamente: 'Lázaro está morto. 15 Mas por causa de vós, alegro-me por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos para junto dele'. 16 Então Tomé, cujo nome significa Gêmeo, disse aos companheiros: 'Vamos nós também para morrermos com ele'. 17 Quando Jesus chegou, encontrou Lázaro sepultado havia quatro dias. 18 Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém. 19Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para as consolar por causa do irmão. 20 Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa. 21 Então Marta disse a Jesus: 'Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22 Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele to concederá.' 23 Respondeu-lhe Jesus: 'Teu irmão ressuscitará.' 24 Disse Marta: 'Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia.' 25 Então Jesus disse: 'Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. 26E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto?' 27 Respondeu ela: 'Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo.' 28 Depois de ter dito isto, ela foi chamar a sua irmã, Maria, dizendo baixinho: 'O Mestre está aí e te chama'. 29 Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi ao encontro de Jesus. 30Jesus estava ainda fora do povoado, no mesmo lugar onde Marta se tinha encontrado com ele. 31 Os judeus que estavam em casa consolando-a, quando a viram levantar-se depressa e sair, foram atrás dela, pensando que fosse ao túmulo para ali chorar. 32 Indo para o lugar onde estava Jesus, quando o viu, caiu de joelhos diante dele e disse-lhe: 'Senhor, se tivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido.' 33 Quando Jesus a viu chorar, e também os que estavam com ela, estremeceu interiormente, ficou profundamente comovido, 34 e perguntou: 'Onde o colocastes?' Responderam: 'Vem ver, Senhor.' 35 E Jesus chorou. 36 Então os judeus disseram: 'Vede como ele o amava!' 37 Alguns deles, porém, diziam: 'Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?' 38 De novo, Jesus ficou interiormente comovido. Chegou ao túmulo. Era uma caverna, fechada com uma pedra. 39 Disse Jesus: 'Tirai a pedra'! Marta, a irmã do morto, interveio: 'Senhor, já cheira mal. Está morto há quatro dias.' 40 Jesus lhe respondeu: 'Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?' 41 Tiraram então a pedra. Jesus levantou os olhos para o alto e disse: 'Pai, eu te dou graças porque me ouviste. 42 Eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste.' 43 Tendo dito isso, exclamou com voz forte: 'Lázaro, vem para fora!' 44 O morto saiu, atado de mãos e pés com os lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano. Então Jesus lhes disse: 'Desatai-o e deixai-o caminhar!' 45 Então, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria e viram o que Jesus fizera, creram nele.
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Os três momentos da fé: conversão, iluminação e comunhão (de vida) ficam claramente destacados através dos três domingos de escrutínios. A Samaritana (III Domingo da Quaresma) é, sobretudo, a conversão. O cego de nascença (IV Domingo da Quaresma) é iluminação. E a ressurreição de Lázaro destaca a vida nova que nos vem da comunhão com o Senhor morto e ressuscitado.

A característica desta quinzena que se inicia com o Quinto Domingo de Quaresma, na liturgia romana, é a atenção intensificada para o mistério da Paixão do Senhor. A Cruz de Cristo vai se convertendo progressivamente no único centro de atenção, seja nas leituras semanais, seja nos textos eucológicos, isto é, o conjunto de orações de um livro litúrgico (veja, por exemplo, a oração de coleta deste V Domingo da Quaresma), seja na liturgia das Horas, seja no uso do prefácio I da Paixão.

Da perspectiva do itinerário catecumenal, a contemplação da Cruz de Cristo é decididamente vivificante, porque pela comunhão com a Cruz e o sepultamento de Cristo, realizada sacramentalmente no Batismo, o catecúmeno (neófito) entra na vida nova escondida com Cristo em Deus.

A maioria dos seres humanos estão mortos em um ou em outro grau. De uma ou de outra forma perderam seus sonhos, suas ambições, seu desejo de uma vida melhor. Eles se estabeleceram em uma vida de mediocridade, dias de desespero e noites de insônias e de lagrimas. Não são mais que mortos viventes confinados a cemitérios de sua escolha. Mas eles necessitam sair deste estado. A exemplo de Lázaro que voltou a viver depois de quatro dias dentro do túmulo, todos podem regressar da morte para a vida.

Através do evangelho deste V Domingo da Quaresma em que o Senhor ressuscitou Lázaro, Jesus quer que optemos pela vida. Optar pela vida significa dizer não à morte em qualquer instância e em qualquer de suas formas; significa dizer não: ao aborto provocado, à violência, ao assassinato, à agressividade verbal e física, a uma vida deteriorada em sua qualidade, ao desespero e à desesperança, à contaminação e destruição da natureza e assim por diante. Optar pela vida significa dizer sim ao homem como valor supremo, a uma paternidade ou maternidade responsável, a uma distribuição justa dos bens da terra, a um progresso que melhore a qualidade de vida, aos movimentos pacifistas e ecologistas, a Deus e à vida que não termina com a morte, pois Deus é a Vida, por excelência.

Estendamos um pouco mais nossa reflexão através dos seguintes tópicos: ressurreição e retorno à vida, Jesus é nosso Amigo que nos ama, Jesus é a Ressurreição e a Vida, oração de ação de graças de Jesus, e com Jesus somos capazes de tirar nossas pedras de nosso caminho de crescimento na direção de Deus.

Ressurreição e Retorno À Vida

A ressurreição (reanimação/retorno à vida) de Lázaro é o sétimo sinal realizado por Jesus no Evangelho de João. A “reanimação” /o retorno de Lázaro à vida é o último e maior dos “sinais” realizados pelo Jesus joanino.  O retorno de Lázaro à vida é o mais alto dos sinais (milagres) porque aqui não se trata da cura de uma doença, mas da “ressurreição” de um morto que já havia sido enterrado há quatro dias. Estamos, sem dúvida nenhuma, diante do sinal mais importante, porque ele toca o cerne da fé, já que mostra a vitória da vida sobre a morte, a última inimiga (cf. 1Cor 15,26). Este último sinal ocupa o centro do evangelho de João. Ele encerra o Livro dos sinais (a primeira parte do evangelho de Jo: Jo 1,19-12,50) e abre o Livro da glória (a segunda parte do evangelho de Jo: Jo 13,1-20,29).

Nota-se facilmente um crescendo destes sinais que vai desde o primeiro até o último sinal. Neste sétimo ou último sinal alcançam os sinais sua cota mais elevada. O primeiro sinal tem como base os elementos materiais, água e vinho,(Jo 2,1-11); o segundo acentua a cura a distância(Jo 4,46-54); o terceiro insiste na infusão de uma vida nova no organismo paralisado(Jo 5,1ss);  no quarto e no quinto vem a continuação a saciedade da fome profunda do homem por aquele que se apresenta como “Eu Sou”(Jo 6); no sexto, põe-se em cena a iluminação da existência humana, em que Jesus se autodefine como Luz (Jo 9,1ss) para chegar à proclamação da vida sobre a morte(sétimo sinal), a vitória da vida sobre a morte(Jo 11,1ss), “o último inimigo a ser derrotado” (1Cor 15,26).

Muitos autores concordam que neste sétimo sinal não se trata da ressurreição, mas de “reanimação de Lázaro” ou de “retorno” de Lázaro à vida”, pois ele, de fato, apenas volta à vida terrena, e já deverá morrer de novo (leia também outros relatos similares: 1Rs 17,17-24: Elias reanima o filho da viúva de Sarepta; 2Rs 4,18-37: Eliseu reanima o filho da Sunamita; Mc 5,22-43 par.: Jesus reanima a filha de Jairo;  Lc 7,11-17: Jesus reanima o filho da viúva de Naim; At 9,36-42: Pedro reanima a Tabita; 20,9ss: Paulo reanima Eutico).

O termo “ressurreição” é impróprio usado neste relato porque, segundo o dado bíblico, é reservado à passagem da morte ocorrida para a vida que não mais termina; não pode designar a volta à vida deste mundo. Teologicamente, a ressurreição é um fato definitivo.

O motivo teológico dos relatos de ressurreição de mortos é evidentemente o de assinalar a Jesus como Vencedor do poder da morte. A fé atribui esse poder a Jesus. Acreditar ou permanecer em Jesus significa viver para sempre. A morte é apenas uma passagem para uma vida de alta qualidade: estar eternamente com o Deus da Vida eterna.

Neste relato percebe-se a fé das comunidades joaninas em Jesus que é a Ressurreição e a Vida. Por trás do relato da “ressurreição” de Lázaro está a primitiva fé pascal dos cristãos, a confissão de fé no Ressuscitado e em sua presença permanente na Igreja e a participação dos cristãos na ressurreição pela fé no Ressuscitado. A ressurreição de Jesus é, por isso, a pedra angular de toda a fé cristã (leia 1Cor 15).

A narração da ressurreição de Lazaro é um verdadeiro prelúdio para a Paixão de Jesus. O evangelista João quer dizer aos leitores, com esta narração, que o caminho de Jesus não é definitivamente um caminho para a morte e sim um caminho, que através da morte, conduz para a glorificação, à ressurreição e à vida. A ressurreição de Lazaro antecipa a ressurreição de Jesus e sinaliza para todos os cristãos que a vida não termina com a morte, pois Jesus Cristo em quem acreditamos é a “Ressurreição e Vida”.

O que é proposto pelo evangelista João ao leitor, ao apresentar esse episódio, não é crer em Jesus grande taumaturgo, e sim crer em Cristo que é para todos os homens “a ressurreição e a vida”, e que ele o é por sua própria passagem pela morte. Jesus em pessoa é a ressurreição e a vida. Ele é quem dá a vida eterna àqueles que crêem nele. A vida que ele dá, então, não é a vida humana comum; é a vida de Deus, a vida eterna, transmitida no presente aos crentes que aceitam Jesus, o Cristo, o Filho de Deus (cf. Jo 20,31; veja também Jo 10,10). Esta vida de Deus, a vida eterna passa a ser dada diretamente e por inteiro no nível físico a quem crê, graças à presença de Jesus, Ressurreição e Vida. Por isso, este último sinal é qualificado como o maior, o mais extraordinário símbolo da vida divina de Jesus que se oferece àquele que crê nele.

“Desatai-o e deixai-o caminhar” (v.44). Com esta ordem de Jesus termina o relato. As ataduras nas mãos e nos pés e sobre o sudário no rosto acentuam o significado da morte. A morte mantém os homens cegos, mudos e surdos, atados e asfixiados. É a missão da comunidade cristã, dos que estão ao redor de Jesus, cumprir o seu mandato de libertar os que estão impedidos de ver e de andar e fazer com que as pessoas vivam livremente. Para isso, os discípulos têm de entregar voluntariamente sua vida por amor a Deus e aos homens, como Jesus a entregou e permanecer em Jesus em todos os momentos de sua vida.

Jesus - Amigo Que Nos Ama

No texto do evangelho de hoje são apresentados Lázaro, Marta e Maria como personagens conhecidos do leitor. Eles também são amigos de Jesus, pois freqüentemente Jesus se hospeda em Betânia onde os três moram (cf. Mc 11,11;14,3; Lc 10,38-42). E Jesus se encontra na Transjordânia, a uma jornada de caminho de Betânia.

A mensagem das irmãs de Lázaro endereçada ao “Senhor”, mostra que elas são discípulas de Jesus; limitando-se a informá-lo: “Senhor, aquele que Tu amas está doente” (Jo 2,3). Através desta informação sabemos que Lázaro é amigo de Jesus: “Aquele que Tu amas está doente”.  É um pedido semelhante ao que mãe de Jesus fez em Caná: “Eles não têm mais vinho” (Jo 2,3). Implicitamente, elas queriam que Jesus fosse logo visitar o doente para curá-lo (Jo 11,21.32). Mas, ao mesmo tempo, elas confiam e esperam, deixando que o próprio Jesus decida o que fazer, o quando e o como. Entre amigos sempre tem uma mútua compreensão sem nenhuma necessidade de muitos detalhes ou explicações.

 Esta doença não leva à morte, mas é para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”, afirma Jesus diante da morte de Lázaro. Este sinal (milagre) glorificará a Jesus não no sentido de que o povo se sentirá admirado, e sim porque provocará a morte de Jesus que é um passo necessário para chegar à sua glorificação (Jo 12,23s;17,1).

Isto quer nos dizer que a doença de Lázaro (e, depois, sua morte e “ressurreição”) é destinada a se tornar lugar de revelação, lugar no qual o poder de Deus se manifesta como ressurreição, como vitória da vida sobre a morte. A doença não somente é destinada a revelar o Pai, mas ainda a revelar a glória do Filho, isto é, sua vitória sobre a morte. Para João, Jesus parece esperar que seu amigo doente esteja realmente morto (vv.5.17.39). Deste modo, ele quer revelar seu domínio sobre a morte no momento em que esta vai apoderar-se de Lázaro. O sinal do retorno de Lázaro à vida tem lugar não somente em razão do amor de Jesus por seus amigos, mas para manifestar a glória de Deus e suscitar a fé naquele que enfrenta a morte (cf. v.45) e que tem o poder de renunciar à vida e o poder de retomá-la para comunicá-la aos homens que acreditam nele. Para Jesus a morte não tem a última palavra, porque Jesus é a vida e a ressurreição. Ao realizar o sinal de devolução da vida a Lázaro, o Pai é glorificado através da glorificação do Filho e da fé dos discípulos e de todos que crêem nele.

A mensagem das irmãs de Lázaro dirigida a Jesus pode ser também a nossa oração: “Senhor Jesus, aquele que tu amas está doente, está drogado; aquele casal está sem nenhuma harmonia; aquele meu irmão, meu filho, meu marido, minha esposa, que tu amas está sem muito ânimo e está deprimido, está nervoso...” e assim por diante. Estamos doentes de muitas maneiras, com muitas enfermidades, fraquezas, impotência etc.. Precisamos ser curados pelo Senhor Jesus. Ao terminar este tipo de pedido, vamos confiar e esperar em Jesus que dá a vida de Deus para quem crê nele, e vamos deixar Jesus decidir o que fazer, o quando e o como. Muitas vezes temos tentação de ter pressa. Mas a nossa pressa não resolve nada. Jesus sabe de tudo, por que não seguimos ao ritmo dele? Esta é a única solução: esperar no Senhor apesar da aparência e circunstâncias desfavoráveis e sem esperança nenhuma. Acreditemos em Deus e não nas circunstâncias. Jesus é o Salvador não só do Lázaro, mas de todos nós. Nossa total confiança no tempo quaresmal é esta: Jesus nos ama. Somos enfermos, sim, mas somos amados por ele.

Quando Jesus chegou a Betânia fazia já quatro dias que Lázaro havia sido sepultado. Segundo uma crença dos rabinos, amplamente difundida entre o povo, a alma do defunto permanecia durante três dias rodando o sepulcro; depois ia embora e não havia mais esperança alguma de vida. O quarto dia depois da morte representa, então, o fim de todas as esperanças de vida, pois o cadáver iniciava a decomposição; é preciso adaptar-se à situação: “Senhor, já cheira mal. Está morto há quatro dias”, diz Marta (v.39).

O que quer nos dizer esta passagem? As situações em que se encontram os homens, em que se encontra o homem, em que às vezes nos encontramos como mentira, escravidão, condicionamentos, inautenticidade, desorientação, morte que sempre nos ameaçam, como medo da morte e como possibilidade de nos revoltarmos contra a morte, são em si mesmas situações insuperáveis. Um só vem ao nosso encontro, inesperada e gratuitamente, como amigo, tomando a iniciativa: é o Verbo de Deus feito homem, que amigavelmente, vem a nós para socorrer-nos, elevar-nos, purificar-nos; ele nos toma ali onde estamos, e conosco aquele pouco que podemos dar-lhe naquele momento, e de maneira superabundante e régia, nos transforma.

Jesus É A Ressurreição E A Vida

Ao saber que Jesus estava chegando, Marta sai ao encontro de Jesus, enquanto Maria fica em casa. Marta reafirma sua fé na ressurreição, que é obra de Deus, porém, a um futuro longínquo. Jesus aproveita a afirmação de Marta para fazer uma nova revelação de si próprio: “Eu sou a ressurreição e a vida” (v.25).

Eu sou a ressurreição e a vida”. Este é o ponto alto do trecho. Nesta resposta está condensado o conteúdo central da fé cristã que todo o relato quer transmitir: a vida eterna que Marta espera para a ressurreição dos últimos tempos já chegou com e em Jesus.  As palavras de Jesus começam com o “Eu sou” (Ego eimi), característico das afirmações de revelação (cf. Ex 3,14).

Jesus não promete: eu darei a ressurreição. Mas é muito mais o que ele diz. Ele é, em si mesmo, a causa da nossa fé, a meta da nossa esperança, a felicidade do nosso amor que nunca mais morre.  A “ressurreição” de Lázaro quer tornar visível o mistério imortal do Deus feito homem. Jesus não veio para impedir a morte corporal. Mas neste sinal (milagre) e na sua palavra torna-se visível que ele quer e pode dar uma outra vida, uma existência eterna com Deus. Jesus como Filho de Deus tem em si a vida e tem o poder de no-la dar. “Eu sou a Vida”, Jesus afirma. A vida que se refere aqui (v.25) é a vida que procede do alto, gerada pelo Espírito, que vence a morte física. Quem recebe o dom da vida pela fé em Jesus jamais morrerá da morte espiritual, pois esta é uma vida eterna.

 Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (vv.25-26).  Quem crê em Jesus já entrou na vida definitiva, tem já agora “a vida eterna” como uma realidade presente sobre a qual a morte não tem poder algum. Esta realidade é chamada por alguns exegetas a “escatologia presente”. Quem crê em Jesus, já “passou da morte à vida” (cf. Jo 3,36;5,24;6,47). Porque Jesus é já agora “a Ressurreição e a Vida”. A morte corporal não pode mais destruir a vida nova, o novo nascimento, a vida eterna dada pela fé em Jesus. A vida recebida pela fé em Jesus Cristo é indestrutível (cf. Jo 3,3ss;7,39;19,30;20,22).  A insaciável sede de vida eterna enraizada no mais fundo do coração de todos os homens só pode ser saciada por aquele que ”a Ressurreição e a Vida”. A vida de Deus não está mais fora de nosso mundo, porque o Filho de Deus veio no meio de nós. A morte só tem poder quando Jesus está ausente de nossa vida. Jesus é a ressurreição porque é a vida. Ele nos ressuscita dando-nos, pelo Espírito, a vida eterna que ele tem, que ele é. A vida não é destruída pela morte, mas, antes, simplesmente se serve desta. Jesus veio não para dar pêsames, mas para dar a vida a quem crê nele.

Oração De Ação De Graças Reflete a Ação De Deus Na Nossa Vida

Diante do túmulo Jesus reza: “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste”. A oração de Jesus na beira do túmulo não é uma oração de petição, mas de ação de graças. Jesus que está sempre em comunhão com o Pai, restabelece com a sua oração a comunhão entre o céu e a terra. Jesus no quarto evangelho está sempre orando porque está sempre unido ao Pai, porque o Pai nunca o deixa só (Jo 8,29), porque ele e o Pai são um (Jo 10,30).  Sua oração “abre os céus” e essa abertura chega até as profundezas da terra, até o reino da morte. E pede aos seus seguidores que orem com a mesma confiança(cf. Jo 14,12-13;15,16;16,23.16).

A oração de ação de graças supõe a capacidade de perceber as maravilhas de Deus na nossa vida cotidiana. Quem tem o olhar da fé contempla as maravilhas de Deus diariamente e sempre tem motivo para agradecer a Deus. Quem sabe agradecer vive com entusiasmo, pois ele reconhece que Deus está dentro dele ou melhor dizer ele está dentro da vida de Deus, e contagia os outros com o mesmo entusiasmo.

Com Jesus Somos Capazes De Tirar Pedras De Nossa Vida

Diante do túmulo de Lázaro Jesus ordena: “Levanta a pedra!” (v.39).

“Tira a pedra!” A pedra sobre o túmulo é o símbolo da separação entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Ela não deixa entrar quem está fora e não deixa sair quem está dentro. Ao devolver a vida a Lázaro, Jesus vai mostrar que tem o poder de abrir as portas da morte, de libertar os mortos, e depois de fechá-las definitivamente, instaurar a comunhão definitiva dos homens com Deus e dos homens entre si.

Perante este Jesus que se revelou diante do túmulo de Lázaro, aprendemos a “tirar a imensa pedra da nossa vida”. A pedra de nossa incapacidade de crer em profundidade, a pedra de nossas dúvidas sobre o poder de Deus na nossa vida, a pedra das nossas culpas, tão pesadas para nós, e mais ainda para os outros, a pedra da nossa impermeável autocomplacência. “Tirai a pedra!” 

“Desatai-o e deixai-o caminhar” é a outra ordem de Jesus (v.44). Com esta ordem termina o relato. As ataduras nas mãos e nos pés e sobre o sudário no rosto acentuam o significado da morte. A morte mantém os homens cegos, mudos e surdos, atados e asfixiados. É a missão da comunidade cristã, dos que estão ao redor de Jesus, cumprir o seu mandato de libertar os que estão impedidos de verem e de andarem e de fazerem com que as pessoas vivam livremente. Para isso, os discípulos têm de entregar voluntariamente sua vida por amor a Deus e aos homens, como Jesus a entregou.

Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (v.25). Esta é a mensagem central que o evangelista quer nos transmitir. A verdadeira vida consiste em ouvir a voz do Filho, do Enviado pelo Pai para dar a vida ao mundo. Só a fé em Jesus Cristo pode vencer o medo da morte porque foi o próprio Jesus quem a venceu e destruiu total e definitivamente.

P. Vitus Gustama,svd