segunda-feira, 13 de março de 2017

17/03/2017

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É PRECISO VOLTAR PARA DEUS PORQUE ELE NOS AMA ATÉ O ÚLTIMO MINUTO DE NOSSA VIDA


Sexta-Feira da II Semana da Quaresma


Primeira Leitura: Gn 37,3-4.12-13a.17b-28


3 Israel amava mais a José do que a todos os outros filhos, porque lhe tinha nascido na velhice. E por isso mandou fazer para ele uma túnica de mangas longas. 4 Vendo os irmãos que o pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no e já não lhe podiam falar pacificamente. 12 Ora, como os irmãos de José tinham ido apascentar o rebanho do pai em Siquém, 13 adisse Israel a José: “Teus irmãos devem estar com os rebanhos em Siquém. Vem, vou enviar-te a eles”. 17b Partiu, pois, José atrás de seus irmãos e encontrou-os em Dotaim. 18 Eles, porém, tendo-o visto ao longe, antes que se aproximasse, tramaram a sua morte. 19 Disseram entre si: “Aí vem o sonhador! 20 Vamos matá-lo e lançá-lo numa cisterna, depois diremos que um animal feroz o devorou. Assim veremos de que lhe servem os sonhos”. 21 Rúben, porém, ouvindo isto, disse-lhes: 22 “Não lhe tiremos a vida”! E acrescentou: “Não derrameis sangue, mas lançai-o naquela cisterna do deserto, e não o toqueis com as vossas mãos”. Dizia isto, porque queria livrá-lo das mãos deles e devolvê-lo ao pai. 23 Assim que José chegou perto dos irmãos, estes despojaram-no da túnica de mangas longas, pegaram nele 24 e lançaram-no numa cisterna que não tinha água. 25 Depois, sentaram-se para comer. Levantando os olhos, avistaram uma caravana de ismaelitas, que se aproximava, proveniente de Galaad. Os camelos iam carregados de especiarias, bálsamo e resina, que transportavam para o Egito. 26 E Judá disse aos irmãos: “Que proveito teríamos em matar nosso irmão e ocultar o seu sangue? 27 É melhor vendê-lo a esses ismaelitas e não manchar nossas mãos, pois ele é nosso irmão e nossa carne”. Concordaram os irmãos com o que dizia. 28 Ao passarem os comerciantes madianitas, tiraram José da cisterna, e por vinte moedas de prata o venderam aos ismaelitas: e estes o levaram para o Egito.


Evangelho: Mt 21,33-46


Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: 33“Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. 34Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. 35Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. 36O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’. 38Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ 39Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. 40Pois bem, quando o dono da vinha voltar, que fará com esses vinhateiros?” 41Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”.  42Então Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?” 43Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos.  45Os sumos sacerdotes e fariseus ouviram as parábolas de Jesus, e compreenderam que estava falando deles. 46Procuraram prendê-lo, mas ficaram com medo das multidões, pois elas consideravam Jesus um profeta.
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A Inveja Intoxica As Relações e Mata a Convivência Fraterna


A história de José, filho do patriarca Jacó, que narra o ódio mortal entre irmãos é conectada com os relatos de Caim e Abel e de Jacó e Esaú. Este ódio mortal é o fruto de uma raiz interior que é a vaidade e o sonho da grandeza. Trata-se de uma história novelada e edificante que expressa as infidelidades de Israel, mas sobretudo, do estilo que tem Deus de tirar o bem do mal.


Os irmãos de José têm a inveja mortal dele porque “Israel (Jacó) amava mais a José do que a todos os outros filhos, porque lhe tinha nascido na velhice. E por isso mandou fazer para ele uma túnica de mangas longas. Vendo os irmãos que o pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no e já não lhe podiam falar pacificamente”.


Invejar é querer o que a outra pessoa tem, é sentir dor e raiva porque o outro conseguiu o que você ainda alcançou. A inveja é uma profunda raiva produzida pela conquista dos outros. A inveja é um desejo de destruição, de ódio. As mortes, as violações, os calotes, os enganos, os maus-tratos nascem da inveja por ambicionar o que o outro tem. A inveja nos tira do foco e conduz a nossa força ou energia para o lado errado.


O invejoso vive amargurado porque não tolera que o outro tenha sucesso. Qualquer invejoso tem uma grande dificuldade para celebrar o sucesso dos outros. As pessoas invejosas gostam de jogar uma palavra negativa atrás da outra. O invejoso vive fofocando e se metendo na vida de todo mundo. Sem perceber que quanto mais uma pessoa falar dos outros, mais quer falar de si mesma. Quanto menos uma pessoa quiser falar de si mesma, é porque tem mais para esconder. E quanto mais uma pessoa se intrometer na vida dos outros, menos coisa vai conseguir, pois ela não focaliza sua força para o ideal a ser alcançado.


A inveja é uma emoção que intoxica nossas relações interpessoais, nossa forma de nos conectar com quem nos rodeia. Em vez disso, é preciso buscar dentro de nós mesmos as melhores oportunidades para crescer na vida.


A história de José, apesar da inveja dos irmãos que o venderam como escravo, tem um fio teológico que lhe dá sentido e unidade: a providência divina. Por José o povo eleito será salvo como ele próprio disse: “O mal que tínheis intenção de fazer-me, o desígnio de Deus o mudou em bem, a fim de cumprir o que se realiza hoje: salvar a vida a um povo numeroso” (Gn 50,20).


Existe a inveja dos irmãos de José, mas o caminho que traça o ódio é também caminho providente pelo qual Deus salva toda a família de José. Não é que Deus necessite e atue nisso. Mas apesar disso Deus atua para o bem do seu povo. Neste sentido Deus é também aqui o supremo condutor dos acontecimentos.


A tradição cristã sempre viu na história de José um símbolo da história de Jesus. O “predileto entre todos os irmãos” é tirado para fora, despojados de seus vestidos e vendido. A parábola do evangelho de hoje vai na mesma direção. Os lavradores homicidas se comportam como os irmãos de José. Por ter muitos pontos comuns nestas duas histórias, a liturgia as propõe juntas. Em ambos casos, se narra a sorte de um personagem (José num caso e o primogênito do dono da vinha em outro) que, por inveja é eliminado: mediante sua venda como escravo (José) ou diretamente por assassinato (Jesus). Para seus irmãos, José era um sonhador, um iludido. Para os lavradores, o filho do dono era um obstáculo.


No caminho da Quaresma, os relatos bíblicos nos falam de Jesus. Também Jesus é um sonhador. Amado pelo Pai, Jesus sonha em criar para todos uma fraternidade na condição de filhos e filhas de Deus. Sonha com um mundo em que o Reinado de Deus acabe com a violência, a injustiça, a desumanidade. Mas ele não se limita em sonhar. Ele aceita visitar a vinha de seu Pai. Ao chegar a ela ele se dá conta de que não é bem recebido pelos lavradores.


Deus Nos Ama Até o Fim Incondicionalmente


A parábola sobre os vinhateiros violentos (assassinos) fala da história da salvação (cf. Is 5, 2-5). Na história da salvação Deus se mostra paciente com o homem até o ultimo minuto da vida do homem sobre a terra, pois Deus não exclui nenhum homem da salvação (cf. Lc 23,39-43). Ser excluído é a opção do próprio homem, pois Deus não se cansa de perdoar o homem toda vez que este se arrepender. Diante do Deus que não se cansa de perdoar, também o homem não pode se cansar de se converter.


Um Deus Que Confia Na Minha Capacidade


A parábola lida neste dia tem muita coisa para nos dizer. Ela quer nos falar, primeiramente, da confiança que Deus deposita em cada um de nós. O Deus revelado por Jesus, nesta parábola é Aquele que confia totalmente no homem, nos seus talentos, na sua liberdade responsável, na sua capacidade de ser melhor cada momento e assim por diante. Para isso, Deus possibilita tudo ou facilita tudo: “Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda”. Este Deus não fica policiando se o homem faz ou não faz sua missão, porque ele acredita na capacidade que cada homem tem. Por isso, o texto diz: “O proprietário arrendou uma vinha a vinhateiros e viajou para o estrangeiro” (Mt 21,33). Deus acredita na capacidade que cada homem tem para produzir algo de bom durante a vida. Para isso é que Ele criou cada homem e o colocou aqui neste mundo. Cada tarefa ou missão que o homem recebe é a tarefa ou missão dada por Deus. Sou o “gerente” de uma porção do Reino de Deus.


É bom cada um descobrir a própria missão dada por Deus. Merece cada um fazer esta pergunta: “Qual missão que recebi de Deus durante a minha vida neste mundo?”. “Será que acredito no Deus que acredita em mim?”. Deus não condena quem não pode fazer o que quer, mas quem não quer fazer o que pode”, dizia Santo Agostinho (Serm.54,2).


O Deus revelado nesta parábola não acredita em cada um de nós para cumprir a missão, mas também dá-nos todos os meios para facilitar o cumprimento da missão dada. Por isso o texto diz: “O proprietário pôs uma cerca em volta da vinha, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois, arrendou a vinha a vinhateiros” (Mt 21,33).


Um Deus Que Tem Paciência Até O Último Minuto Da Vida Do Homem Neste Mundo


A parábola fala também da paciência de Deus. Deus não se cansa em enviar seus mensageiros e suas mensagens todos os dias para os homens. Ele não vem logo para se vingar contra o homem mau ou contra quem que errou, poisDeus é amor” (1Jo 4,8.16). Ele dá avisos um após outro e todos os dias. Esse Deus confia totalmente no homem e por isso, ele acredita na recuperação do homem. Esta é uma das razões pela qual Deus tem paciência para com o homem.


Ser cristão é, por isso, ser recomeço permanente, pois Deus sempreoportunidade para cada um recomeçar sua caminhada e sua missão. Deustempo para cada um corrigir o corrigível, recuperar o recuperável para que sua vida faça um salto de qualidade com Deus.


Merece também cada um responder estas perguntas: Deus não se cansa em enviar seus mensageiros e suas mensagens todos os dias para o homem. Qual é a mensagem de Deus para mim hoje? qual recado que Deus quer dar hoje para minha família? Você encontrou algum mensageiro de Deus hoje seja durante a celebração, seja fora da celebração? Se esse Deus tem muita paciência para com você acreditando na sua recuperação, no seu novo começo, por qual razão você não acredita em si mesmo para você começar tudo de novo? Você tem paciência suficiente com os outros. O amor nos torna pacientes!


Um Deus Que Nos Ama Incondicionalmente


Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’. Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram”.


Por causa dos homens e por causa do Seu amor sem limites pelos homens Deus usa todos os recursos e todas as possibilidades para salvá-los. Os recursos se esgotaram (Mt 21,34-36). Agora resta apenas seu Filho. Deus é verdadeiramente “o pobre” por excelência, porque nos deu tudo. Até seu próprio Filho, o ultimo que restou. Em sua incurável paixão pelos homens Deus não ficou com nada, nem com o seu próprio Filho. Significa que Deus nos toma a sério e deixa o campo livre para que atuemos com plena responsabilidade. Mas Deus é impotente diante da liberdade do homem. O homem é responsável pela sua própria escolha. No momento em que o homem não respeitar as regras e as placas da vida que apontam para sua plena realização e para a eternidade, ele perderá sua liberdade e cairá em uma série de prisões e escravidões.


É um Deus que pretende atuar exclusivamente através do amor, pois este caminho é que leva o homem à sua plenitude, à eternidade. Cristo morreu perdoando o homem.


Cada um precisa entrar no silêncio sagrado para meditar sobre o amor de Deus por cada um e a resposta de cada um diante desse amor. Será que sou ingrato diante do amor de Deus? Será que sou irresponsável na minha atuação como pessoa amada de Deus? Será que eu vivo de acordo com o amor com que Deus me ama? Será que sou capaz de dar tudo por amor?  


Como Será Minha Vida No Encontro Derradeiro Com Deus?


A parábola também fala do juízo final de Deus. A vida tem seu fim. Se ela tem o fim, então todos os nossos atos diários pesam para este fim. Durante o curso desta vida Deus se mostra paciente para qualquer um de nós. Ele acredita no homem e inspira o homem com seu santo Espírito, mas respeita sua liberdade.  A liberdade é como uma faca que pode ajudar na suas tarefas, mas também pode cortar seus dedos, se não usá-la corretamente. “Uma liberdade sem controle, mais que liberais, faz libertinos”, dizia Santo Agostinho (Epist.157,16). Deus nos julgará quando ele tirar de nós a tarefa ou a missão que não quisemos cumprir. “O Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá muitos frutos”, assim Jesus concluiu a parábola.


O que tem por trás da parábola no evangelho de hoje é a chamada do Senhor para a conversão. O esforço de conversão, que o Senhor nos pede, devemos exercitá-lo todos os dias de nossa vida. Mas em determinadas épocas e situações, como a Quaresma, recebemos graças especiais que devemos aproveitar. Para compreender melhor a malícia do pecado devemos contemplar o que Jesus Cristo sofreu por nós na cruz, pois a cruz é o fruto do pecado do homem e ao mesmo tempo, é uma prova do amor incondicional do Senhor por nós todos. Para compreender o peso do pecado devemos olhar para os inocentes, que são vítimas de injustiça ao longo da história da humanidade. Por isso, devemos estar atentos, pois a maldade pode morar dentro de nós. No momento em que ficarmos sem vigilância ela aparece com uma força destruidora até fatal. Todos os dias o Senhor nos chama à santidade, a sermos misericordiosos, a amar com obras, a estarmos vigilantes.  A falta de conversão debilita a vida da graça em nós e se torna difícil o exercício das virtudes.


Quais são atos que pesam muito para a minha vida e para o fim da minha vida neste mundo?


P. Vitus Gustama,SVD

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