terça-feira, 25 de abril de 2017

Domingo,30/04/2017

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DEUS NOS ACOMPANHA PERMANENTEMENTE


III DOMINGO DA PÁSCOA DO ANO “A”


I Leitura: At 2,14.22-33


No dia de Pentecostes, 14Pedro de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão: 22“Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus, junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou, por meio dele, entre vós. Tudo isto vós bem o sabeis. 23Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz. 24Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse. 25Pois Davi dele diz: ‘Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar. 26Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança. 27Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu Santo experimente corrupção. 28Deste-me a conhecer os caminhos da vida, e a tua presença me encherá de alegria’. 29Irmãos, seja-me permitido dizer com franqueza que o patriarca Davi morreu e foi sepultado e seu sepulcro está entre nós até hoje. 30Mas, sendo profeta, sabia que Deus lhe jurara solenemente que um de seus descendentes ocuparia o trono. 31É, portanto, a ressurreição de Cristo que previu e anunciou com as palavras: ‘Ele não foi abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a corrupção’. 32Com efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas. 33E agora, exaltado pela direita de Deus, Jesus recebeu o Espírito Santo que fora prometido pelo Pai, e o derramou, como estais vendo e ouvindo”.


II Leitura: 1Pd 1,17-21


Caríssimos: 17Se invocais como Pai aquele que sem discriminação julga a cada um de acordo com as suas obras, vivei então respeitando a Deus durante o tempo de vossa migração neste mundo. 18Sabeis que fostes resgatados da vida fútil herdada de vossos pais, não por meio de coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, 19mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha nem defeito. 20Antes da criação do mundo, ele foi destinado para isso, e neste final dos tempos, ele apareceu, por amor de vós. 21Por ele é que alcançastes a fé em Deus. Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus.


Evangelho: Lc 24,13-35


13Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. 15Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. 16Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. 17Então Jesus perguntou: “O que ides conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste, 18e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?” 19Ele perguntou: “O que foi?” Os discípulos responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu”. 25Então Jesus lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso o para entrar na sua glória?” 27E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele. 28Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Jesus entrou para ficar com eles. 30Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. 31Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. 32Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” 33Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros. 34E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!” 35Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.
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A aparição de Jesus aos dois discípulos no caminho de Emaús é exclusiva de Lucas. Este relato é uma narração mais extensa de uma aparição pós-pascal nos evangelhos. É um relato encantador.


Este relato resume e descreve o caminho catequético-litúrgico da comunidade lucana (veja também um relato lucano similar em At 8,26-40). O relato responde às perguntas das comunidades contemporâneas do evangelista: Por que o Jesus ressuscitado, “o Vivente” (v.5.24), não se manifesta? Por que nossos olhos não são capazes de vê-Lo? Por que nossos corações são tão lentos para crer? Onde o Ressuscitado pode se encontrar?


Segundo o evangelista, para poder “ver” e reconhecer o Senhor é necessário ouvir longamente o testemunho das Escrituras e é necessário que o próprio Ressuscitado as explique e inspire os que as leem ou meditam. Para conhecer o Senhor ressuscitado é necessário também caminhar com ele, escutar longa e atentamente sua palavra, deixar-se cativar por ele, sentar-se à mesa com ele e deixar que ele parta e reparta para nós o pão da vida. Também, é necessário trilhar imediatamente o caminho de volta para a comunidade, ao reconhecê-Lo, para partilhar com ela a experiência do encontro com o Senhor e professar juntos a fé comum: “O Senhor realmente ressuscitou”.


Ao reconhecer que Jesus ressuscitou, fazem também as comunidades o itinerário pascal, isto é, uma passagem do fechamento para a abertura, do não-reconhecimento para o reconhecimento, do abandono da comunidade para o retorno à mesma, do afastamento para a aproximação, do isolamento para a comunhão, do lamento para o agradecimento, da tristeza para a alegria, do fechamento para a partilha e diálogo, do desânimo para o entusiasmo, da lentidão para a prontidão, do coração vazio e duro para o coração transbordante e abrasado.


A partir das perguntas e respostas acima mencionadas, podemos refletir sobre alguns pontos mais ou menos importantes deste relato.


1. A experiência do caminhar: decepções e surpresas


Todo o episódio se passou durante o caminho, isto é, durante a experiência da marcha rumo a um lugar específico: “Dois discípulos estavam a caminho”.


O evangelista Lucas fala muitas vezes de Jesus como aquele que caminha, que está percorrendo, um itinerário. O verbo “caminhar” é usado 150 vezes no NT, das quais 88 encontram-se nos escritos lucanos (Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos). No relato dos discípulos de Emaús, os termos “caminhar/caminho” aparecem no início, no meio e no fim (vv.13.15.17.28.32.35). No livro dos Atos, a palavra “caminho” (no NT aparece 101 vezes o termo “caminho”, e quase um terço se encontra nas obras lucanas) designará a identidade e o modo de vida das comunidades cristãs (cf. 9,2;18,25s;19,9.23; 22,4;24,14.22). Lucas usa também frequentemente o verbo ”aproximar-se”: 18 vezes no Evangelho e 16 vezes em Atos. Neste relato, os dois verbos “caminhar” e “aproximar-se” são usados logo no início (v.15), sendo Jesus o sujeito das duas ações.


O texto sublinha o afastamento dos dois discípulos no dia (“neste mesmo dia”) em que aconteceram, certamente, coisas significativas que o próprio Jesus lhes havia dito que ressuscitaria, inclusive mensagens de anjos assegurando que “ele está vivo” (vv.21-24). Para os dois discípulos, a morte e a sepultura do Mestre significa o fim de todas as esperanças e sonhos, de ardor e da alegria de viver. Eles não conseguem encontrar uma explicação para o que “aconteceu com Jesus”. Ao afastar-se da companhia dos outros discípulos, eles querem enterrar a história de sua relação com Jesus e ao mesmo tempo refazer suas vidas longe do lugar onde tudo havia acontecido.


“O próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles” (v.15). Até determinado ponto de nossa caminhada muitas vezes, nos sentimos tristes, confusos, desiludidos ao ver nossos sonhos, ideais, e esperanças enterrados ou ficam cada vez mais longe de nosso alcance. Mas temos que estar conscientes de que sejam quais forem as provações, as tentações, as decepções, as feridas, as tristezas que sofremos, elas não são capazes de destruir a aproximação do Senhor na nossa caminhada. Mais cedo ou mais tarde, o Senhor virá ao nosso encontro, entrará em diálogo conosco, reascenderá o fogo em nosso coração até fazê-lo arder, abrirá nossos olhos para que possamos reconhecê-Lo e assim, nosso desânimo se transformará em entusiasmo e nossa tristeza se converterá em alegria; uma alegria que irradiará aos outros. Sejam quais forem os motivos para nos afastarmos do Senhor (e da comunidade) e para não reconhecê-lo, ele vem ao nosso encontro percorrendo exatamente os mesmos caminhos que percorremos para nos afastarmos dele. O mesmo Jesus que armou sua tenda no meio de nossas tendas (Jo 1,14) continua a nos aproximar.


“Seus olhos, porém, estavam impedidos de conhecê-lo” (v.16). A expressão “seus olhos estavam impedidos de reconhecê-lo” significa aqui a incapacidade dos discípulos de reconhecer o Senhor. O que impede o reconhecimento de Jesus é a falta de fé. Só depois de terem percorrido o longo itinerário da fé pascal, os olhos e o coração dos discípulos estarão preparados para reconhecer o Senhor.


Jesus fez uma pergunta para os dois discípulos e os dois pararam para escutar. Ter tempo para ouvir as perguntas de Deus e procurar respondê-las com sinceridade é certamente uma questão fundamental para a nossa vida cristã. E Deus está sempre nos questionando, quase nos perseguindo com suas perguntas. Só que os barulhos do mundo atual, até a desorientação interior nossa, não deixam que escutemos tais perguntas. E como Deus não fala aos gritos, muita gente passa a vida inteira sem escutar a Sua voz. O silêncio possibilita que o Senhor fale de nós.


Na grande caminhada da existência, pouca gente percebe o Deus-Conosco que vai ao seu lado, propondo-lhe questões sobre o sentido do homem e da vida, o rumo definitivo do destino humano, o valor das coisas deste mundo, o significado da dor, do Amor e da eternidade em que tudo isto deságua. Precisamos fazer umas paradas obrigatórias na vida para escutar as perguntas e as respostas certas de Deus sobre nós. A palavra dele vai nos iluminando e orientando e aos poucos perceberemos o nosso lugar correto nesta vida. E nunca é tarde para retomar o caminho de Deus, pois ele só nos leva ao caminho da felicidade e da paz.


Depois de ouvir o relato dos discípulos sobre o que aconteceu com o profeta de Nazaré, Jesus lhes faz uma repreensão muito dura: “Ó, insensatos e lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram! Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?” (vv.25-26). Santo Agostinho comenta a incapacidade dos discípulos para crer e esperar, dizendo: “Eram seus discípulos, tinham-no escutado, tinham vivido com ele, tinham-nos reconhecido como Mestre, tinham sido instruídos por ele, e não foram capazes de imitar e ter a fé do ladrão pendurado na cruz.... Onde o ladrão encontrou a esperança, ali o discípulo a perdeu”. Mas, felizmente, o amor de Deus é muito maior e mais forte do que o nosso sofrimento. Deus nos ama e nos ama até o fim (cf. Jo 13,1)


2. A hospitalidade


Quando Jesus estava para ir adiante, os dois lhe convidaram a entrar em casa: “Permaneça conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando” (v.29). A insistência no convite não é um gesto meramente convencional. Ao usar duas vezes o verbo “permanecer” no v. 29, Lucas quer mostrar aos destinatários do Evangelho que o pedido “permanecer conosco!” expressa o desejo de ser discípulo de Jesus. Ao Jesus aceitar o convite, a casa de Emaús, em vez de se tornar um lugar de fuga e fechamento, tornou-se um lugar de acolhida e de partilha, de iluminação e ponto de partida para a retomada da comunhão com a comunidade dos Onze e dos demais companheiros.


Além disso, estas palavras “Permanece conosco!” são uma expressão da hospitalidade. A hospitalidade, a acolhida é um símbolo primário e antiquíssimo da pessoa que supera o instintivo temor do outro. No Oriente, a hospitalidade é uma das pilastras dos bons costumes, é o modo de ser do homem bom: saber acolher qualquer um, a qualquer hora, em qualquer tempo, sem jamais se irritar, preparando-lhe tudo imediatamente e com alegria. É um dever muito caro e especial para todos os orientais. A hospitalidade é o mandamento fundamental do judaísmo. Arraigada nas mais profundas raízes da vida nômade da era patriarcal, a prática da hospitalidade aflora em toda a Bíblia sagrada. Devida obrigatoriamente para os judeus, a hospitalidade granjeava uma grande recompensa no mundo vindouro para quem a exercitasse em favor de qualquer peregrino. Acolher alguém significa deixá-lo de ser estranho para torná-lo membro da convivência.


Numa sociedade que valoriza o individualidade até o extremo do individualismo, a comunidade cristã e cada um de nós somos chamados a superar todo o comportamento meramente burocrático, frio e impessoal, para estabelecer uma relação pastoral personalizada. Os seguidores de Jesus devem oferecer hospitalidade particularmente para os “sem-teto religiosos”, os nômades espirituais, perdidos em busca do lar de um sentido. É um dever que nos interpela, que interpela os habitantes das grandes cidades, que muitas vezes, até quando vivem no mesmo conjunto residencial, ignoram-se durante anos, não advertem para a necessidade de visitar-se, de conhecer-se, de receberem uns aos outros.


 3. A fração do pão


Jesus aceita o convite dos dois discípulos. Quando Jesus entra na casa dos seus discípulos, esta se transforma em sua casa. O convidado transforma-se no anfitrião. Aquele que foi convidado, passa a convidar. O relato nos diz que Jesus sentou-se à mesa, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía.  Ao falar da partilha do pão, tem na mente do evangelista Lucas a Eucaristia. Na eucaristia Jesus dá tudo. Este é o mistério da eucaristia.


“Então, seus olhos se abriram e o reconheceram; ele, porém, ficou invisível diante deles” (v.31). Em contraposição à cegueira do início, a abertura dos olhos dos discípulos é enfatizada no momento em que Jesus abençoa, parte e reparte o pão. Esse momento, que é o ápice de todo o relato, é sublinhado novamente no último versículo: “E eles narraram... como o haviam reconhecido na fração do pão” (v.35). O uso do verbo na voz passiva “seus olhos foram abertos” é chamado “passivo divino”, porque é uma forma de afirmar que o sujeito da ação é Deus, que foi Deus quem abriu os olhos dos discípulos.


A “fração do pão” (Eucaristia) continua a ser para os discípulos de Jesus de todos os tempos o sinal por excelência da presença do Ressuscitado, o lugar onde eles podem e devem descobrir essa presença, e a partir do qual poderão dar testemunho da Ressurreição. Em várias passagens do livro dos Atos, Lucas diz que os cristãos se reuniam no fim do primeiro dia da semana para a “fração do pão” (cf. At 2,42.46; 20,7.11;27,35).


Nós comungamos o corpo do Senhor. Mas não só para saborearmos o corpo do Senhor. Somos chamados a viver uma vida eucarística, uma vida partilhada. Onde há partilha, há também abundância. A Eucaristia é uma celebração da nossa humanização. A Eucaristia deve tornar-nos mais humanos, mais irmãos repartindo e partilhando o que somos e temos. Partilha é a memória de Cristo da qual devemos nos relembrar sempre e a qual devemos fazer parte de nossa vida cristã. Quando as coisas saírem das garras da ganância, haverá abundância e ninguém passará por necessidade. As mãos gananciosas fazem com que falte pão para a mesa da maioria.


4. A volta à comunidade para uma partilha


Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os Onze reunidos com os outros” (v.33).


No início, os dois discípulos estavam tristes, sem esperança e com medo do futuro; agora estão ansiosos por partilhar a experiência com os outros discípulos. A palavra e a fração do pão transformaram os discípulos de pessoas sombrias em portadores de esperança, de vida e de alegria. A expressão “na mesma hora voltaram para Jerusalém” acentua a pressa dos discípulos para empreender o novo rumo de suas vidas, operado pelo encontro com o Ressuscitado. A graça de Deus não admite demora, como a fome não quer esperar. “Voltar” é uma das palavras prediletas de Lucas. Ela aparece 25 vezes em seu Evangelho. No relato dos discípulos de Emaús é usada para dizer que os dois “voltaram para Jerusalém”, de onde o Evangelho deveria irradiar e chegar a todas as nações (cf. Lc 24,47; At 1,8).


Depois de terem reencontrado, reconhecido e de terem sido iluminados, a noite escura é para eles clara como o meio-dia, “Naquela mesma hora (era noite) eles se levantaram e voltaram para Jerusalém...”. Para quem fez a experiência do encontro com o Ressuscitado não existe mais medo, não existem mais obstáculos como cansaço, não existe mais escuridão (cf. Jo 8,12), nem portas fechadas etc., que impeçam empreender os caminhos do anúncio do Evangelho, da comunhão e da missão.


O que nos chama a atenção também é que um dos dois se chama Cléofas e o outro não tem nome. O outro sem nome poderia ser interpretado como um espaço vazio no qual cada um de nós é chamado a inserir o seu próprio nome. É um convite para percorrer, junto com Cléofas, o caminho que conduz ao reconhecimento do Ressuscitado, presente lá onde dois ou três estão reunidos no Seu nome (Mt 18,20).


Ao terminar esta reflexão, vamos rezar com Rabindranath Tagore (um grande escritor indiano):


“Se a porta de meu coração estiver fechada, ó Senhor, arromba-a e entra em minha alma. Não vás embora, ó Senhor!


Se algum dia nas cordas do alaúde, não ressoar teu doce nome, por piedade, espera um pouco, não vás embora, ó Senhor!


Se alguma vez tua voz não romper meu sono profundo, acorda-me com rumor do trovão, não vás embora, ó Senhor!


Se algum dia, em teu trono, eu preferir sentar outro, ó Rei de todos os meus dias, não vás embora, ó Senhor!”


“Faz tua esta minha casa e acende nela a tua lâmpada. Enche-a com a tua luz: ganharão valor também os sofrimentos.


Sejam dissipadas as trevas dos ângulos mais secretos, e, estabelecida a tua luz bendita, que eu ame as pessoas que devo amar. Faze tua esta minha casa e acende nela a tua lâmpada.


Tua lâmpada transformante tem uma chama imóvel, em instantes transforma em ouro todas as minhas manchas negras. Faze tua esta minha casa e acende nela tua lâmpada.


Eu acendo luzes, mas bruxuleiam e só produzem fumaça. Manda os raios da tua luz sobre os umbrais da minha casa. Faze tua esta minha casa e acende nela tua lâmpada”.


P. Vitus Gustama,svd

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