segunda-feira, 29 de maio de 2017


VISITAÇÃO DE MARIA A ISABEL
Lc 1,39-56 (visita de Maria a Isabel)
31 de Maio

Primeira Leitura: Sf 3,14-18
14 Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém! 15 O Senhor revogou a sentença contra ti, afastou teus inimigos; o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal. 16Naquele dia, se dirá a Jerusalém: “Não temas, Sião, não te deixes levar pelo desânimo! 17 O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva; ele exultará de alegria por ti, movido pelo amor; exultará por ti, entre louvores, 18 como nos dias de festa. Afastarei de ti a desgraça, para que nunca mais te cause humilhação”.

Evangelho: Lc 1, 39-56
39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!” 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. 46Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.
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Maria serve com dignidade como uma irmã

Terminamos o mês de maio com a festa da Visitação de Nossa Senhora a Isabel. A festa da Visitação está cheia de encantos e de uma ternura inigualável. Duas mulheres, que se encontram , que se saúdam, estão cheias de Deus e por isso, cheias de alegria para fazer o ambiente mais humano e fraterno e por isso, mais divino.

O evangelista Lucas nos relatou que Maria “se dirigiu apressadamente”. A expressão “apressadamente” aqui tem muitos significados: zelo, diligência, empenho, cuidado, seriedade, dignidade. Santo Ambrósio comentou a expressão “dirigindo-se apressadamente” com as seguintes palavras: “A graça do Espírito Santo não admite demora” (“Nescit tarda molimina Spiritus Sancti gratia”). É preciso fazer ou cumprir aquilo que é importante e essencial, pois, caso contrário, acaba morrendo. Jamais podemos adiar o que é essencial para não nos lamentar mais tarde: uma visita para um doente ou um idoso, um perdão que precisa ser dado ou recebido, uma ajuda oferecida, um trabalho importante que decidimos fazer, e assim por diante. Os adiantamentos, os atrasos podem nos desgastar e nos consomem interiormente. Precisamos trabalhar permanentemente sobre nossa capacidade de intuir o que deve ser feito agora e aqui na graça de Deus.

Maria é uma mulher que se põe em caminho com dignidade, com cuidado, com prontidão. Não o faz para satisfazer uma necessidade pessoal: ela faz para servir sua parenta, Isabel, que está grávida e que necessita de uma ajuda. Ela faz tudo com dignidade como uma irmã. Maria é de Deus e por isso, ela é do povo e para o povo. Maria é mulher de nossa história, aberta a Deus e aos seres humanos. Viveu sempre em atitude de gratuidade e de doação. Será que fazemos tudo, a exemplo de Maria, com dignidade, com cuidado e com prontidão?

Maria é a primeira discípula que sabe partilhar o que é salvífico

Na anunciação (cf. Lc 1,26-38), Maria se tornou a primeira discípula entre os primeiros cristãos, porque ela ouviu a Palavra de Deus e a aceitou incondicionalmente (Lc 1,38). Na Visitação, ela se apressa em partilhar esta palavra do evangelho com os outros e, no Magnificat, temos sua interpretação dessa palavra que se assemelha à interpretação que seu Filho tinha dado em seu ministério.

Maria é a arca da nova aliança, o lugar da presença de Deus no meio de nós. Como a arca da nova aliança, ela não é um lugar que encerra Deus e sim um lugar que O dá. Ela não é uma arca que esconde o mistério, mas uma arca que o irradia. Maria é Aquela que, habitada pelo mistério, o dá.

Quando na fé se dá espaço ao absoluto primado de Deus, a conseqüência lógica de ser habitado, de ser amado por Deus é sair de si, viver o êxodo sem regresso, que é o amor. O acolhimento da gratuidade do amor eterno torna-se a doação gratuita de tudo que se recebeu. Quem crê e vive da fé, tem capacidade de olhar para fora, aprecia o dom e o comunica. Certamente, respeitamos o dom de Deus quando nos tornamos arca irradiante e quando o restituímos a Deus, que nos estende a mão nos nossos irmãos.

Maria como a primeira discípula cristã exemplifica a tarefa essencial de um seguidor de Cristo. Depois de ouvir a Palavra de Deus e aceitá-la, devemos reparti-la com os outros, não simplesmente repetindo-a, mas interpretando-a, de modo que todos possam vê-la como uma Boa Notícia. O nome “Boa Notícia” traz em si a notícia alegre porque Deus está conosco e com Ele nossa vida tem futuro apesar de tudo.

Encontro de duas pessoas benditas

Na Anunciação o Anjo do Senhor “entrou” na casa de Maria e a “saudou”. Nessa visita Maria fez a mesma coisa: ela “entrou” na casa de Zacarias e saudou a Isabel. É a saudação da Mãe do Senhor para a mãe do Precursor do Senhor. A saudação de Maria comunica o Espírito a Isabel e ao menino no seu ventre. A presença do Espírito Santo em Isabel se traduz em um grito poderoso e profético: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? Logo que tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu” (Lc 1,42-45). Aqui Isabel fala como profetisa: se sente pequena e indigna diante da visita daquela que leva em seu seio o Senhor do universo. Sobram as palavras e explicações quando alguém entra na sintonia com o Espírito. Maria leva no seu seio o Filho de Deus concebido pela obra do Espírito Santo. E a presença do Espírito Santo em Isabel faz com que Isabel glorifique a Deus. Por isso, o encontro entre Maria e sua prima Isabel é uma espécie de “pequeno Pentecostes”. Onde entra o Espírito Santo, ai entra também paz, alegria e vida divina.

Quando Maria saudou Isabel, o menino, no ventre de Isabel(João Batista), saltou de alegria. Para Lucas essa indicação tem um sentido teológico. Para Lucas Jesus é o Deus que vem ao encontro dos homens para oferecer a salvação/libertação que conseqüentemente provoca a alegria, um estremecimento incontrolável de alegria por parte daqueles que esperam a chegada do Salvador.

Se acreditarmos que Jesus está dentro de nós, nos comportaremos como Maria: seremos portadores de alegria no Senhor para os outros. O nosso encontro com os outros fará brotar neles a alegria pela presença do Messias, a docilidade ao Espírito, o louvor a Deus.

Além de despertar a alegria de João Batista no ventre de sua mãe, as palavras de saudação e agradecimento dirigidas por Isabel a Maria despertaram nela uma maravilhosa profissão de fé. Coisa semelhante acontece com cada um de nós. Lemos ou escutamos a Palavra de Deus ou lemos um bom livro espiritualmente. E quantas vezes tudo isso nos toca o coração e faz brotar dos lábios uma oração de louvor. Maria reconhece que o amor misericordioso do Senhor a tocou; e tocando-a, tocou a humanidade inteira. Por isso é que Isabel a proclama “bem-aventurada”. Por Maria e nela, todos os homens reconhecem o amor infinito e misterioso de Deus(Jo 3,16). Todos nós temos necessidade de que um outro nos revele a nós mesmos. É grande graça na vida de uma pessoa encontrar um mestre de espírito que lhe indique o seu nome, a sua vocação, a sua missão.

A Mãe de Deus que leva Jesus em seu seio é a causa de alegria. Quando estivermos cheios de Jesus Cristo em nosso coração, a nossa presença traz alegria e a paz para a convivência. A ausência de Cristo em nosso coração produz problemas e discórdias na convivência. O encontro de duas pessoas benditas sempre causa alegria: Maria causa alegria em Isabel e Jesus em pequeno João Batista. Ao contrário, o encontro de duas pessoas não benditas sempre causa angústia e mal-estar na convivência. Cada cristão deve fazer os encontros felizes e alegres com os outros. E isso só pode acontecer se houver lugar para Cristo em nosso coração. Precisamos engravidar Jesus Cristo para fazê-lo nascer para os outros. Por isso, vale a pena cada um se perguntar: Que tipo de encontro que fazemos diariamente: de pessoas benditas ou de pessoas não benditas?

Na narração da visitação, Isabel, “cheio do Espírito Santo” acolhendo Maria em sua casa, exclama: ”Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Esta bem-aventurança, a primeira que se encontra no evangelho de Lucas, apresenta Maria como a mulher que com sua fé precede à Igreja na realização do espírito das bem-aventuranças. Maria, crendo na possibilidade do cumprimento do anúncio, interpela ao Mensageiro divino somente a modalidade de sua realização para corresponder melhor à vontade de Deus a que quer aderir-se e entregar-se com total disponibilidade. “Buscou o modo; não duvidou da onipotência de Deus”, comentou Santo Agostinho (Serm. 291). Maria se adere plenamente ao projeto de Deus sem subordinar seu consentimento à concessão de um sinal visível. É uma entrega total ao projeto de Deus. É uma confiança sem reservas à vontade de Deus: “Faça-se em mim segundo Vossa palavra!”. Maria tem muito a dizer sobre a vivência de nossa fé na nossa vida cotidiana.

Anunciação-Visita a Isabel e Ação Pastoral

Na anunciação Maria faz perguntas para ter certeza sobre sua missão de ser Mãe do Salvador (cf. Lc 1,26-37). Quando tudo se torna certo, Maria diz seu Sim a Deus radicalmente. Maria deixa a Palavra de Deus entrar em sua vida e ela é fecundada pelo Salvador. Jesus, o Salvador, que está no seio de Maria já empurra Maria para a ação pastoral, isto é, ir ao encontro de Isabel que está precisando da presença de Maria. Maria poderia pensar em si mesma, na sua gravidez. Mas ela pensa no outro e vai ao encontro do outro.

Quem permitir e viver o mistério da Anunciação, será fecundado como Maria. Quem não é fecundado, não é feliz. Com a fecundação e a fecundidade na vivência do mistério da Anunciação, eu serei capaz de sair de mim mesmo para a ação pastoral como Maria visitou Isabel na sua necessidade. Se permitirmos a entrada da Palavra de Deus na nossa vida, ficaremos fecundados e seremos capazes de fazer Jesus nascer para o mundo.

É preciso fazer uma ligação entre a Anunciação e a Ação Pastoral. Sem a Anunciação, isto é, sem ser fecundado pela Palavra de Deus, a ação pastoral se torna estéril. A Anunciação sem a Ação Pastoral se torna um isolamento estéril e mortal.

Maria Que É Uma Mulher Bendita Nos Ensina A Crer Na Palavra De Deus

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”(Lc 1,42), exclamou Isabel. No AT a semelhante bênção se encontra nos cânticos de louvores às mulheres da história de Israel(cf. Jz 5,24;Jt 13,18).No AT Jael (Jz 5,24) e Judite (Jt 13,18) são benditas porque foram transformados em instrumentos de Deus para destruir guerreiros inimigos e libertar Israel.

Maria é bendita porque o menino que está no seu ventre é bendito, pois Ele é o Salvador. Além disso, Maria é bendita porque obedeceu à Palavra de Deus sem reservas que torna possível a encarnação de Deus. Maria, por excelência, está dentro daquilo que Jesus diz: “Felizes, antes, os que ouvem a Palavra de Deus e a observam” (Lc 11,28). Para Lc para que cada família natural se transforme em verdadeira família de Jesus Cristo, ela deve cumprir o critério de discipulado que é escutar e viver a Palavra de Deus como critério de conduta diariamente. O verdadeiro discípulo é aquele que junta o ouvir e o observar na vivência da Palavra de Deus. Por obedecer à Palavra de Deus e vivê-la Maria é considerada uma discípula de Jesus por excelência. Maria também é bendita por causa de sua fé. O Fiat pronunciado por Maria (Lc 1,38) supõe uma fé profunda, uma fé que não se abala em circunstâncias desfavoráveis. Maria continua acreditando no cumprimento da Palavra de Deus apesar das obscuridades. Esse tipo de fé é digno de uma bem-aventurança: “Feliz aquela que creu, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido”(Lc 1,45).

Em latim a palavra “crer” é “credere” que provém de duas palavras: “cor” e “dare” que significa “dar o coração, entregar-se, e encontra em Deus a felicidade profunda do ser humano”. Fé é firmar os pés, confiar enraizar-se e estar ancorado em Deus. E firmar os pés em Deus é ser feliz: “bendita aquela que creu”. É preciso imitar o modo de viver de Maria para sermos felizes como ela.
P. Vitus Gustama,svd

sábado, 27 de maio de 2017


30/05/2017
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REZAR MELHOR QUEM AMA O PRÓXIMO


Terça-Feira da VII Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 20,17-27


Naqueles dias, 17 de Mileto, Paulo mandou um recado a Éfeso, convocando os anciãos da Igreja. 18 Quando os anciãos chegaram, Paulo disse-lhes: “Vós bem sabeis de que modo me comportei em relação a vós, durante todo o tempo, desde o primeiro dia em que cheguei à Ásia. 19 Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações que sofri por causa das ciladas dos judeus. 20 Nunca deixei de anunciar aquilo que pudesse ser de proveito para vós, nem de vos ensinar publicamente e também de casa em casa. 21 Insisti, com judeus e gregos, para que se convertessem a Deus e acreditassem em Jesus nosso Senhor. 22 E agora, prisioneiro do Espírito, vou para Jerusalém sem saber o que aí me acontecerá. 23 Sei apenas que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me adverte, dizendo que me aguardam cadeias e tribulações. 24Mas, de modo nenhum, considero a minha vida preciosa para mim mesmo, contanto que eu leve a bom termo a minha carreira e realize o serviço que recebi do Senhor Jesus, ou seja, testemunhar o Evangelho da graça de Deus. 25 Agora, porém, tenho a certeza de que vós não vereis mais o meu rosto, todos vós entre os quais passei anunciando o Reino. 26 Portanto, hoje dou testemunho diante de todos vós: eu não sou responsável se algum de vós se perder, 27 pois não deixei de vos anunciar todo o projeto de Deus a vosso respeito”.


Evangelho: Jo 17,1-11ª


Naquele tempo, 1Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique a ti, 2e, porque lhe deste poder sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste.3Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo. 4Eu te glorifiquei na terra e levei a termo a obra que me deste para fazer. 5E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse.6Manifestei o teu nome aos homens que tu me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu os confiaste a mim, e eles guardaram a tua palavra. 7Agora eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, 8pois dei-lhes as palavras que tu me deste, e eles as acolheram, e reconheceram verdadeiramente que eu saí de ti e acreditaram que tu me enviaste.9Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. 11aJá não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”.
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Ser Evangelizador é Viver Totalmente Sob o Impulso Do espirito Santo


A Primeira Leitura fala da despedida de São Paulo de Éfeso. As constantes perseguições dos judaizantes obrigam São Paulo a modificar continuamente seus planos de viagem. Ele está sempre acusado pelos judaizantes.


Esse discurso de despedida de São Paulo é um verdadeiro testamento pastoral, está destinado especialmente aos que exercem um cargo ou uma responsabilidade na Igreja. Há aqui o retrato do “apóstolo” segundo São Paulo.


Em primeiro lugar, o serviço na humildade: “Servi ao Senhor com toda a humildade”. O que diz não é sua própria palavra. São Paulo é servidor do Senhor na humildade. Por causa desta humildade, São Paulo se desprende de qualquer suficiência, de qualquer orgulho para estar sempre e exclusivamente ao serviço do Senhor.


Em segundo lugar, toda vida cristã autentica está marcada pela cruz: “Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações...”. O servidor não está acima do seu Senhor: “Se o mundo vos odeia, sabeis que me odiou a mim antes que a vós” (Jo 15,18). O apostolado não é um tranquilo entretenimento. Toda responsabilidade na Igreja, toda vida cristã autentica estão marcadas pela cruz.  Cada um de nós tem sua cruz. Cada cruz tem sua história e cada história ou apostolado tem sua cruz. Mas toda prova, toda cruz tem valor, quando sabemos associá-la à redenção. A redenção do mundo se faz da maneira que Jesus Cristo estabeleceu.


Em terceiro lugar, um cristão evangeliza com valentia, segurança e audácia: “Nunca deixei de anunciar aquilo que pudesse ser de proveito para vós, nem de vos ensinar publicamente e também de casa em casa. Insisti, com judeus e gregos, para que se convertessem a Deus e acreditassem em Jesus nosso Senhor”. “Nunca deixei de anunciar”. Esta fórmula deixa supor que alguma vez, São Paulo tenha sentido a tentação de acovardar-se, de fugir, de calar-se, de renunciar.


Em quarto lugar, deixar-se conduzir até o fim pelo Espirito Santo: “Agora, prisioneiro do Espírito, vou para Jerusalém sem saber o que aí me acontecerá. Sei apenas que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me adverte, dizendo que me aguardam cadeias e tribulações”. Este é o motor profundo da ação apostólica de São Paulo: a força do Espirito Santo que habita nele. Ele disse que “prisioneiro do Espirito”. Isto quer nos dizer que São Paulo não faz o que quer. Ele vai para onde o Espirito de Deus o leva. É uma aventura integral, sem nenhuma previsão possível. Ele simplesmente e totalmente vive sob a direção do Espirito de Deus. Desta maneira é que São Paulo terminou sua missão.


Momento Da Morte De Quem Vive De Acordo Com a Vontade De Deus É o Momento De Glorificação


Estamos ainda no discurso de despedida de Jesus dos seus discípulos no Evangelho de João (Jo 13-17). Nos grandes textos de despedida na Bíblia (cf. Dt 32-33; At 20,17-35), o herói termina seu discurso por uma prece, hino ou bênção. O evangelho de João segue esse modelo. Neste sentido Jo 17 é considerado como o ponto alto do discurso da despedida de Jesus neste evangelho.


Na presença dos discípulos Jesus se dirige ao Pai na oração. O dialogo de Jesus com o Pai nesta oração de despedida reflete, em toda a sua amplitude, o desígnio do Pai que motivou o enviou do filho (Jo 3,16).  E Jesus realizou esse desígnio ao manifestar o Nome para aqueles que o Pai lhe deu. Em outras palavras, nesta oração Jesus fala do cumprimento de sua missão que consiste em manifestar o nome de Deus aos homens, em transmitir-lhes a Palavra de Deus que tem como resultado a fé em Deus. Depois que cumpriu sua missão e parte visivelmente, Cristo deixa para a comunidade eclesial como “sacramento”, sinal eficaz de sua presença salvadora.


Agora chegaram a “hora” e a “glória” de Jesus (é uma forma de dizer a morte e a glorificação/ressurreição de Jesus). Os conceitos “hora” e “glória” têm em João (Quarto Evangelho) uma grande densidade. Trata-se do momento em que se manifestará mais palpavelmente a salvação, a vida divina que se oferece aos homens: a entrega obediente de Cristo à morte, Sua Ressurreição e Sua volta para a glória do Pai. Nesta “hora” pascal acontece quando Cristo participa mais plenamente da “glória” de Deus. E esta mesma “hora” pascal vai continuar ou vai acontecer também com os cristãos, se eles sofrerem por ser cristãos, seguidores de Cisto.   


Jesus, que está para voltar ao Pai (morte), reza pelos seus que estão ainda no mundo para que também realizem o desígnio do Pai: Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. Já não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”. Nesta oração, Jesus, o Intercessor divino junto ao Pai e a comunidade cristã se entrelaçam como uma unidade espiritual.


Na sua oração que concluiu seu discurso, Jesus interpreta sua morte como passo para a vida, como um momento de glorificação, e seu aparente fracasso é considerado como o verdadeiro êxito. Jesus manifesta em sua oração uma confiança inquebrantável no Pai e um amor entranhável para seus discípulos, e uma esperança que sabe se sobrepor, e ninguém pode dominá-Lo. Jesus é livre e libertador. Somente quem é livre pode libertar os outros. Quem foge é porque não está livre.


A oração é sempre uma práxis de libertação, porque orar é recorrer ao Pai sem esquecer-se dos homens, nossos irmãos; orar é abrir-se ao Outro e conseqüentemente, a qualquer outro; orar é libertar-se do egoísmo para o amor, pois o outro é evado conosco na oração. Quem entra em oração está em comunhão com Deus. E quem está em comunhão com Deus, está em ligação com os demais homens. A comunidade que ama é a comunidade que reza melhor. Uma pessoa que ama é a pessoa que reza melhor. Depois da ascensão de Jesus ao céu, a pequena comunidade de seus discípulos se reúne em oração (Lc 24,50-53). A Igreja aprende na oração o caminho da liberdade e é uma das expressões da liberdade. Orar é estar em comunhão amorosa com Deus, pois Ele é o Pai de todos (cf. Jo 20,17). Quem ora, acredita e quem acredita, precisa orar


Na sua oração Jesus roga, primeiramente por si mesmo, para que se realize plenamente a missão que lhe foi confiada (vv. 1-5). Por seis vezes Jesus repete a palavra “Pai” na oração. Neste sentido, a palavra “Pai” é um nome que qualifica Deus como origem, da qual tudo provem como dom, amor e proteção e por isso, a salvação. Jesus se sente inteiramente Filho e quer continuar vivendo esses momentos transcendentais de sua vida a partir de seu ser de Filho. Por isso, diante de sua morte iminente Jesus está completamente tranqüilo, pois ele sabe de sua vitoria sobre o mundo (cf. Jo 16,33).


Com esta oração Jesus nos ensina que o caminho da glorificação é a obediência aos mandamentos de Deus que se resumem na vivência do amor fraterno. Na cruz o amor de Deus por nós aparece em toda sua plenitude, seu esplendor e sua força vitoriosa. Só o amor justifica a cruz. Por isso, não é o poder que há no mundo e que normalmente se transforma em opressão e domínio de uns homens sobre outros que reina, e sim o poder-serviço (Jo 13,12-17) que surge do amor e se manifesta em obras em favor dos homens, o poder que brota do coração e cria comunidade de irmãos. O amor sempre resulta na formação de uma comunidade de irmãos. Sem amor não haverá comunidade e não haverá a salvação. No amor praticado em me vejo no outro. No verdadeiro amor eu sou o outro e o outro é eu próprio. Todos nós somos um.


Nesta oração Jesus pede: “A vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo”. Aqui não se trata de um conhecimento intelectual e sim experiencial, imediato, pessoal e vital; um conhecimento que só pode ser adquirido na intimidade do amor; é um conhecimento que é vida. Neste sentido, conhecer Deus, plenitude de vida para sempre, se identifica com a vida eterna. Deus é o verdadeiro presente e futuro do homem, pois não há nada no mundo que possa encher e preencher seu coração. Conhecer Jesus significa imitar seu modo de viver, tê-lo como único modelo a seguir. Nesse seguimento, encarnado na vida diária, vamos conhecendo o único Deus: na completa entrega a Ele, demonstrada no serviço-amor aos que nos rodeiam.


Neste texto Jesus reza por nós todos e tenhamos consciência da força dessa oração: “Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. Já não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”. O Senhor reza por mim; Ele reza por nós. É a grande notícia para nós todos! Eu preciso continuar minha luta pela dignidade dos meus irmãos em Cristo, pois há alguém que reza por mim: o próprio Senhor Jesus Cristo.


P. Vitus Gustama,svd

29/05/2017
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VENCEREMOS O MUNDO  ESTANDO COM JESUS


Segunda-Feira da VII Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 19,1-8


1 Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as regiões montanhosas e chegou a Éfeso. Aí encontrou alguns discípulos e perguntou-lhes: 2 “Vós recebestes o Espírito Santo quando abraçastes a fé?” Eles responderam: “Nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo!” 3 Então Paulo perguntou: “Que batismo vós recebestes?” Eles responderam: “O batismo de João”. 4 Paulo disse-lhes: “João administrava um batismo de conversão, dizendo ao povo que acreditasse naquele que viria depois dele, isto é, em Jesus”. 5 Tendo ouvido isso, eles foram batizados no nome do Senhor Jesus. 6 Paulo impôs-lhes as mãos e sobre eles desceu o Espírito Santo. Começaram então a falar em línguas e a profetizar. 7 Ao todo, eram uns doze homens. 8 Paulo foi então à sinagoga e, durante três meses, falava com toda convicção, discutindo e procurando convencer os ouvintes sobre o reino de Deus.


Evangelho: Jo 16,29-33


Naquele tempo, 29os discípulos disseram a Jesus: “Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. 30 Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. 31 Jesus respondeu: “Credes agora? 32 Eis que vem a hora – e já chegou – em que vos dispersareis, cada um para seu lado, e me deixareis só. Mas eu não estou só; o Pai está comigo. 33Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em mim. No mundo, tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!”
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São Paulo, Um Apóstolo Que Tem Anseio Para Salvar Todos


Paulo atravessou as regiões montanhosas e chegou a Éfeso”.


São Paulo está sempre em movimento. Ele é um grande missionário itinerante. Ele volta para Éfeso e ficará nesta comunidade pelo menos dois anos e meio. Estamos entre os anos 53 e 56 depois de Cristo. De Éfeso São Paulo enviará duas cartas: aos Gálatas e a Primeira Carta aos Coríntios. O Espirito de Deus não deixa São Paulo parado. Temos impressão de que ele tem pressa para evangelizar. É um apóstolo incansável na evangelização: “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16b). São Paulo faz de tudo para salvar todas as pessoas: “Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar a todos”, acrescentou São Paulo (1Cor 9,22).


A graça de Deus jamais admite demora. A salvação é urgente! Se a maldade está avançada é porque os bons ficam parados no seu cantinho, usufruindo egoisticamente a “paz” do seu coração. Não basta não praticar o mal. Para um cristão não basta não praticar o mal. Cada cristão é, por sua vocação, um evangelizador. É preciso praticar o bem para que a área do mal vai ficar cada vez menos na sociedade. Este trabalho é permanente, pois o mal não morre; ele está apenas adormecido. A Bondade é a inclinação a fazer o bem, a ser benigno, indulgente. A bondade é a qualidade do que é bom.


Espírito Santo É Uma Força De Coesão E Unificação Eclesial


Vós recebestes o Espírito Santo quando abraçastes a fé?” é a pergunta de São Paulo aos Éfesos. Na sequência há diálogo sobre o batismo praticado por João Batista e o batismo feito em nome de Jesus.


O batismo de João tem como objetivo a conversão que orienta para Jesus, o Messias prometido. Mas é preciso ter a experiência do Espirito Santo, pois sem o Espirito Santo ninguém dará conta da reviravolta histórica inaugurada por Jesus Cristo. Por esta razão, São Paulo faz a imposição das mãos para comunicar o Espirito aos Éfesos. A mesma experiência (comunicação do Espirito através da imposição das mãos) aconteceu em Samaria feita por alguns Apóstolos (At 8,14-17) e na casa de Cornélio por Pedro. A experiência em Éfeso é o terceiro “Pentecostes” dos Atos dos Apóstolos. Esta experiência da imposição das mãos para comunicar o Espirito significa uma força de coesão e unificação eclesial. O agente principal que atua na Igreja é o Espirito de Deus. Quem recebe o Espirito Santo se torna um evangelizador e fará tudo dentro do Espirito de Deus.


Com Jesus Venceremos o Mundo


O texto do evangelho se encontra no conjunto do discurso de despedida de Jesus dos seus discípulos no evangelho de João (Jo 13-17). A vida em si é formada de despedidas diárias. A despedida da noite para saudar o novo dia. A despedida de uma hora para a entrada de nova hora que está se despedindo também. A passagem de um dia para a entrada de novo dia que está terminando. A despedida de quem parte e a saudação de quem chega ou nasce. O choro de tristeza sobre quem partiu, e o choro de alegria pela chegada de quem acabou de nascer. A vida na história tudo passa. Estamos sempre em despedidas ou em partidas. Charles Chaplin dizia: “A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração”.


Geralmente quem estiver para partir temporariamente ou permanentemente sempre dá alguns conselhos, recomendações, alertas, forças para lutar pelo bem, pela comunhão, pela dignidade e assim por diante. Jesus também, ao ter consciência de sua partida iminente (morte), dá alguns conselhos aos seus discípulos para que eles possam continuar sua obra neste mundo. Jesus sabe que até para fazer o bem os discípulos terão que enfrentar as tribulações e todo tipo de dificuldades. Mas não há melhor exercício para ter e fortalecer o bom coração do que estender o braço para baixo e erguer as pessoas. A bondade é o único investimento que nunca falha.


“Eis, agora falas claramente e não usas mais figuras. 30 Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”, disseram os discípulos a Jesus.


Com esta afirmação os discípulos perceberam que Jesus é aquele que sabe de Deus e O conhece e sabe da felicidade e da miséria dos homens e por isso, ele foi enviado para o mundo pelo Pai para salvá-lo por amor (Jo 3,16). O conhecimento de Deus e o conhecimento dos homens estão intimamente ligados entre si. Diante deste conhecimento revelador de Jesus, todas as perguntas dos discípulos se tornam supérfluos: “Agora sabemos que conheces tudo e que não precisas que alguém te interrogue. Por isto cremos que vieste da parte de Deus”. A clareza da revelação de Jesus é de tal ordem que responde às derradeiras perguntas do homem sobre Deus e sobre o próprio homem. Quem se aproximar desta revelação, quem se aproximar de Jesus e permanecer com Ele, todas as suas perguntas encontrarão suas respostas (cf. Jo 1,45; 4,29-30). A fé estabelece nosso relacionamento com Jesus e possibilita nosso conhecimento sobre Deus e o homem. O conhecimento de Deus e o conhecimento dos homens estão intimamente ligados entre si. Quem está em profunda comunhão com Deus, está também tão próximo dos homens para ajudá-los. Quem encontra Deus acaba encontrando os homens objeto do amor salvador de Deus.


“No mundo, tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo!”.


“Estar no mundo” e o “medo” estão entrelaçados. O medo é a marca fundamental do “estar no mundo” no contexto do evangelho de hoje. O medo aqui é o medo da morte. O medo que o homem tem é o medo da morte diante do nada que jamais pode ser descartado, pois o poder da morte está sempre presente na vida.


Mas, de outro lado, Jesus afirma: “Mas tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33b). Esta afirmação só é possível porque Jesus é o ressuscitado que venceu a morte. A ressurreição é a morte da própria morte. A vitória de Jesus sobre o mundo é a vitória sobre o poder da morte que impera no mundo. Esta vitória de Jesus sobre o mundo deve assegurar os discípulos o dom da paz no meio das lutas da evangelização e dos sofrimentos da perseguição. O cristão sabe que nenhum poder sobre a terra é absoluto. Não o foram os grandes impérios que se sucederam sem interrupção ao longo da história, não o serão tampouco os poderes atuais do mercado, da eficiência, do dinheiro, da técnica da globalização informática, tecnológica e econômica. Todos os poderes deste mundo estão submetidos ao poder de Deus, pois todos não passam a ser simples criaturas. Jamais podemos colocar o ouro e a prata acima do Criador.


São João traduzirá estas palavras de Jesus na sua Primeira Carta da seguinte forma: “Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo 5,4b). A fé em Jesus já é uma participação da vitória de Jesus. Como Ressuscitado, Jesus é o Doador e o Distribuidor escatológico da vida. Ter fé significa estar com Deus e participar de sua vida. A fé liberta o homem da morte para a vida. Deus está sempre do nosso lado e por isso, podemos ter serenidade em tudo. Uma certeza nos acompanha: Cristo venceu o mundo. Se Cristo venceu o mundo, venceremos também com ele. A última palavra não é a fraqueza do homem, não é a prepotência do homem e sim a fidelidade do Senhor para conosco. No Senhor todos os nossos gritos, todos os nossos porquês, todas as nossas perguntas e interrogações serão acolhidos e colocados em outras perspectivas. A certeza de Deus vai ao nosso encontro sempre e em toda parte. Por isso, o autor da Carta aos Hebreus escreveu: “A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se veem. Foi por causa da fé que os antigos foram aprovados por Deus. Pela fé, sabemos que a Palavra de Deus formou os mundos; foi assim que aquilo que vemos se originou de coisas invisíveis” (Hb 11,1-3).  A fé é como uma luz ou uma lanterna. A luz ou a lanterna não é acesa para ser olhada e sim para alguém ver o que ela ilumina.


No mundo tereis tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo” é a mensagem do Senhor para você hoje. Acredite nesta Palavra, pois é a Palavra de quem criou o universo e de quem venceu a morte: “Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito. N’Ele havia vida, e a vida era a luz dos homens. ... Era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem” (Jo 1,3-4.9).


Sobre a importância da fé, Santo Agostinho dizia: “Deus, de Quem separar-se é morrer, a Quem retornar é ressuscitar, com Quem habitar é viver. Deus de Quem fugir é cair, a Quem voltar é levantar-se, em Quem apoiar-se é estar seguro. Deus, a Quem esquecer é morrer, a Quem buscar é viver, a Quem ver é possuir. Deus, a Quem a fé nos impele, a esperança nos aproxima e a caridade nos une” (Solil. 1,1,3). “Deus não se torna maior pelo conhecimento de quem O encontra, mas quem O encontra torna-se maior por ter conhecido a Deus” (Serm. 117,2,3).


P. Vitus Gustama,svd

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Domingo,28/05/2017

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ASCENSÃO DO SENHOR AO CÉU


Primeira Leitura: At 1,1-11


1 No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, 2 até o dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. 3 Foi a eles que Jesus se mostrou vivo, depois de sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias apareceu-lhes falando do Reino de Deus. 4 Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: 5 ‘João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias’”. 6 Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel?” 7 Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com sua própria autoridade. 8Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra”. 9 Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. 10 Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, 11 que lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.


Segunda Leitura: Ef 1,17-23


Irmãos: 17 O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 18 Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, 19 e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. 20 Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, 21 bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania, ou qualquer título que se possa mencionar, não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. 22 Sim, ele pôs tudo sob seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, 23 que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.


Evangelho: Mt 28,16-20


Naquele tempo, 16 os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. 17 Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. 18 Então Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. 19 Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20 e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.
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Certos teólogos e Padres da Igreja, baseando-se sobre Jo 20,19-23 (Tertuliano, Hipólito, Eusébio, Atanásio, Ambrósio e Jerônimo) concordam que a ascensão de Jesus acontece simultaneamente com a ressurreição. O dia da Páscoa, por isso, não é somente o dia da ressurreição, mas também o dia da ascensão. Esta ideia durou até o fim do século IV. Celebrava-se no assim chamado “Pentecostes”, que durava desde a Páscoa até o dia de Pentecostes, num período festivo de cinquenta dias, a ressurreição, a ascensão e a missão do Espírito Santo como um único mistério festivo. A Igreja primitiva tinha bastante consciência da unidade íntima da ressurreição, ascensão e missão do Espírito Santo. Só a partir do século V (ou no fim do século IV), baseia-se sobre o relato lucano, é que começou a existir uma festa da ascensão no quadragésimo dia após a Páscoa e Pentecostes separadamente como hoje temos costume de celebrar (para ter uma visão maior sobre esse assunto veja Gerhard Lohfink, A Ascensão de Jesus, Paulinas,1977).


Por isso, afirmar que Jesus “subiu ao céu” (1Pd 3,22) ou “foi exaltado na glória” (1Tm 3,16) é exatamente a mesma coisa que afirmar que ele “ressuscitou”, que foi glorificado, que entrou na glória de Deus. A Ascensão do Senhor não foi uma viagem interplanetária. Não houve nenhum deslocamento no espaço. A ascensão significa a caminhada de Jesus que vai da morte à glória do Pai, caminhada que para nós é invisível e incompreensível. Não é uma caminhada como as que conhecemos pela nossa experiência aqui na terra. Não se pode fixá-lo no tempo, nem medir sua distância, nem se pode dizer se vai nesta ou naquela direção. Tempo, distância, direção, tudo isso vale para as nossas caminhadas terrenas. A caminhada de Jesus até a glória do Pai realiza-se na ressurreição. A ascensão é um evento pascal.


A festa da Ascensão nos dá a oportunidade de reacender cada dia com nova luz a maior das certezas de nossa vida: Jesus está vivo e está conosco todos os dias com seu poder (Mt 28,20). Jesus não foi para um outro lugar, mas permanece na companhia de cada um de nós. Com a Ascensão a sua presença não ficou limitada, mas se multiplicou. Por isso, a nossa esperança não está perdida no espaço, mas baseia-se na confiança depositada na lealdade de um Deus, “o qual faz viver os mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4,17). O Deus da vida é fiel aos homens. Se este é o destino de todo o homem, a morte já não inspira medo. Jesus a transformou num nascimento para a vida com Deus. Todo aquele que tem essa esperança não se deixa ficar olhando para o céu, como fizeram os apóstolos naquele dia, mas, ao contrário, traduz esta esperança em empenho e testemunho.


Outros pontos de nossa reflexão sobre a festa da Ascensão do Senhor:


1. Enquanto o evangelista Lucas mostra Jesus caminhar quase constantemente até Jerusalém para culminar ali sua Páscoa, o evangelista Mateus faz o os discípulos de Jesus “sair” de Jerusalém para centrarem sua missão na Galileia que Jesus lhes confia. Com isso, o evangelista Mateus quer enfatizar que o Templo e a Cidade santa de Davi, Jerusalém, perderam seu significado e que somente Jesus é o Novo Templo, e que o Ressuscitado é o centro de tudo.


2. “Homens da Galileia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”. É o recado de dois anjos para os discípulos. “Por que ficais aqui parados, olhando para o céu?”. Há aqui uma forma de luta de Cristo contra a tentação que os discípulos experimentam na sua missão: omissão diante da realidade que necessita de uma recuperação. Submergir-se na realidade do mundo, anunciar o Reino, proclamar ao mundo Jesus Cristo como Ressuscitado é a missão dos discípulos. Nenhum cristão, nenhum discípulos do Senhor tem direito de tirar da fé seu caráter de comunicável. Mesmo que seja difícil o testemunho, ninguém pode iludir-se. Crer em Jesus Cristo é ter consciência de ser testemunha enviada pelo Senhor. A fé, ao ser vivida, se faz testemunho. Basta viver a fé, essa vivência se transforma em testemunho, mesmo que, quem a vive, não fale nenhuma palavra, mas o modo de viver de acordo com os ensinamentos de Jesus Cristo já é um grande testemunho.


O olhar que dirigimos ao mundo pode converter-se em chamamento. Nosso mundo de hoje é mais propenso ao lamento que ao compromisso, pois é mais fácil e simples queixar-se do que remediar algo. É mais fácil criticar de longe do que oferecer solução inserindo-se na realidade necessitada de um remédio.


Diante da tentação de ficar-se extasiado (como aconteceu também no monte Tabor durante a transfiguração), agora o mandato é premente: “Sereis minhas testemunhas” para que “ao nome de Jesus todo joelho se dobre nos céus, sobre a terra e debaixo da terra, e que toda língua proclame que o Senhor é Jesus Cristo para a glória de Deus Pai” (Fl 2,10-11).


A celebração da Ascensão do Senhor urge-nos a passar da comodidade (comodismo) dos bons sentimentos à realidade dos fatos, mesmo chegando a complicar nossa vida por amor de Cristo e dos irmãos mais necessitados. Somente assim cumpriremos como discípulos de Jesus a tarefa de tornar real em nosso mundo Cristo, nossa esperança e salvação.


3. Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus, Pai Todo-poderoso: “Quando Eu for elevado da terra, atrairei todos a Mim” (Jo 12,32). A elevação na Cruz significa e anuncia a elevação na Ascensão ao céu. É seu começo. Jesus Cristo, o único Sacerdote da Aliança nova e eterna não “entrou num santuário feito por mão humana, réplica do verdadeiro, e sim no próprio céu, a fim de comparecer, agora, diante da face de Deus a nosso favor” (Hb 9,24).


4. Precisamos Adorar O Nosso Senhor E Mais Nada


No encontro os discípulos reconheceram Cristo imediatamente e prostraram-se diante de Jesus para adorá-lo, demonstrando sua fé nele como Filho de Deus.


A palavra “adoração” indica o gesto de submissão dos discípulos que se dispõem a escutar as ordens do Ressuscitado. Ao nascer Jesus foi adorado pelos magos (Mt 2,11), no ministério público ele foi adorado pelos próprios discípulos e enfermos, e na ascensão Jesus recebeu a mesma adoração dos discípulos (Mt 28,17). Ao prostrarem-se diante de Jesus, agora eles o adoram não somente como o Senhor dos elementos, mas também o Senhor deles e o Senhor do mundo. A adoração presta-se somente a uma divindade. E Jesus é Deus: “No princípio era o Verbo e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,1.14).


Neste mundo não faltam aqueles que se consideram “Senhores”, pois têm poder na mão, mas que são criaturas limitadas em todos os sentidos. E muitas vezes nós mesmos adoramos a estes senhores ou somos obrigados a adorá-los porque escondemos, por trás disso, algum interesse. Muitas vezes temos mais medo deles do que do próprio Deus que vai julgar todo mundo. A partir da linguagem bíblica e do sentido da palavra “adoração”, precisamos respeitar qualquer autoridade, mas não para adorá-la, pois a adoração presta-se apenas a uma divindade. Quando começarmos a adorar qualquer criatura, seremos idólatras e nossa vida vai cair no nada, pois aquele que está cheio de criatura está vazio de Deus, e aquele que está cheio de Deus porque está vazio de criatura. Será que esse mesmo Jesus continua sendo o Senhor de nossa vida e de nossas decisões e o ponto de referência de nossos atos? Ou adoramos outros deuses, outros senhores ou criaturas?


5. O Poder de Jesus Sobre o Céu e a Terra


Jesus recebeu todo o poder no céu e sobre a terra. Ao falar do poder de Jesus que ele recebeu, devemos estar conscientes de que a verdadeira natureza do poder de Cristo, não é um exercício de dominação sobre os homens, mas como uma capacidade operativa de proclamar as exigências da vontade de Deus, de libertar os pecadores da escravidão do seu passado de culpa, de romper os grilhões dos prisioneiros das forças diabólicas da morte e da destruição, de denunciar as religiões feitas de hipocrisia e de interesse. Em outras palavras, é um poder de realizar o Reino de Deus no mundo.


Existe um poder que destrói e existe também um poder que cria. O poder que cria dá vida, gozo e paz. É liberdade e não escravidão, vida e não morte, transformação e não coerção. O poder que cria restaura relacionamentos e concede dom da integridade a todos. O poder que cria é o poder que procede de Deus cuja marca é o amor. E o amor exige que o poder seja usado para o bem de todos. Em Cristo, o poder é usado para destruir o mal de forma que o amor possa redimir o bem. O poder que cria produz união. Para criar essa união é preciso ouvir juntos à voz do Senhor em nossos lares, em nossas igrejas, em nossos negócios, em nossas comunidades, em nossos encontros etc..


Ao contrário disso, nada é mais perigoso do que o poder a serviço da arrogância. A arrogância nos faz pensar que estamos certos e os outros estão errados. O único que está certo é Jesus Cristo. O restante de nós precisa reconhecer suas próprias fraquezas e fragilidades e buscar aprender através da correção dos outros. Se não o fizermos, o poder pode conduzir pelo caminho de destruição. O poder destrutivo destrói relacionamentos, a confiança, o diálogo e a integridade.


6.   A Partir Da Ascensão Tudo Nesta Vida É Passageira


Tudo o que acontece nesta terra é provisional: os fracassos, os sofrimentos, as tristeza e assim por diante. Também todas as alegrias que existem neste mundo são provisionais: os momentos que gostaríamos eternizar. Não existe lugar definitivo aqui neste mundo. O lugar definitivo não está aqui. Também nossos bens, tudo o que possuímos é provisional. Não poderemos levar nada conosco. Tudo o que não partilhamos com os outros perdemos. Tudo o que guardamos para nós somente, tudo o que intentamos conservar com nossas próprias forças, se desfazer em nossas mãos. Tudo o que conservamos com carinho, tudo o que consideramos mais valioso de nossa vida, o perderemos se não pusermos ao serviço dos irmãos: bens materiais, tempo, conhecimento.


Nossa vida sobre a terra deve ser uma constante Ascensão, isto é, deve ser uma constante superação, um progresso, uma maduração. Viver é dar passos adiante, alcançar novas metas, aproximar-se da plenitude. As imagens que indicam as possibilidades da vida humana são a semente que cresce, o caminho a percorrer, a meta a ser alcançada. A vida é um projeto que se vai perfilando, mas que nunca se acaba. Para manter a esperança temos ter sempre presente a meta que queremos alcançar. Ao dizer que Jesus subiu aos céus ou foi levado ao céu, o texto bíblico quer nos dizer que a vida de Jesus alcançou a plenitude, pois ele sempre a viveu em função do bem, da bondade, do amor, da compaixão. A vida de Jesus foi uma vivida em Deus que se traduziu no amor sem limite ao ser humano, especialmente aos necessitados.


7. Deus Está Conosco Todos Os Dias


Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.


O evangelho de Mateus quer nos transmitir uma certeza de que Jesus é a presença permanente de Deus na vida da humanidade, na vida de cada um de nós. Através da certeza de que Deus está sempre conosco Mateus quer dizer para cada cristão que ninguém tem mais direito de dizer que está só ou solitário, pois Deus veio para ficar com cada um de nós para sempre. Deus nunca deixa de atuar em cada um de nós mesmo quando cada um se encontra no meio da escuridão das dúvidas, no meio das angústias e das provações. Precisamos ouvir no silêncio de nossas orações e meditações o que Jesus nos diz: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). E por nossa vez, devemos passar esta certeza aos demais através de nossa paciência e tranquilidade em encarar a vida e seus acontecimentos. O homem é portador de Deus. A presença divina no outro converte os direitos humanos em direitos divinos.


P. Vitus Gustama,svd

quarta-feira, 24 de maio de 2017

27/05/2017
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A ORAÇÃO NOS APROXAIMA DE DEUS E NOS TORNA ALEGRES


Sábado da VI Semana da Páscoa


Primeira Leitura: At 18,23-28


23 Paulo permaneceu algum tempo em Antioquia. Em seguida, partiu de novo, percorrendo sucessivamente as regiões da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos. 24 Chegou a Éfeso um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria. Era um homem eloquente, versado nas Escrituras. 25 Fora instruído no caminho do Senhor e, com muito entusiasmo, falava e ensinava com exatidão a respeito de Jesus, embora só conhecesse o batismo de João. 26 Então, ele começou a falar com muita convicção na sinagoga. Ao escutá-lo, Priscila e Áquila tomaram-no consigo e, com mais exatidão, expuseram-lhe o caminho de Deus. 27 Como ele estava querendo passar para a Acaia, os irmãos apoiaram-no e escreveram aos discípulos para que o acolhessem bem. Pela graça de Deus, a presença de Apolo aí foi muito útil aos fiéis. 28 Com efeito, ele refutava vigorosamente os judeus em público, demonstrando pelas Escrituras que Jesus é o Messias.


Evangelho: Jo 16, 23-28


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 23b “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. 24 Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa. 25 Disse-vos estas coisas em linguagem figurativa. Vem a hora em que não vos falarei mais em figuras, mas claramente vos falarei do Pai. 26Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que vou pedir ao Pai por vós, 27pois o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes e acreditastes que eu vim da parte de Deus. 28Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai”.
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É Preciso Cada Cristão Empenhar-se Para o Bem Da Igreja/Comunidade


A Primeira Leitura se concentra em um personagem chamado Apolo. Apolo era um judeu que se formou em Alexandria de Egito e era experto na Escritura (AT). Ele pregou Jesus como Messias, embora ainda fosse discípulo de João Batista.


Lucas disse que Apolo era “um homem eloquente” ou “poderoso”. “Eloquente” ou “poderoso” é um termo retórico para lógica e persuasão. Apolo aprendeu a arte da habilidade nos debates em sua educação secular e usava isso de maneira excelente para ensinar que Jesus era o Messias Prometido. Ele era um judeu-cristão, apologista e debatedor. Ele combinava seu conhecimento vasto sobre o AT com sua educação secular na arte da retórica.


Inicialmente, Apolo pregava na sinagoga de Éfeso, onde foi ouvido por Áquila e Priscila, um casal muito amigo de São Paulo, dois grandes ministros da Igreja primitiva em Corinto. Áquila e Priscila convidaram Apolo para visita-los em Corinto. Nessa época Áquila e Priscila eram o ele entre a comunidade de Éfeso e Corinto. Apolo fortaleceu grandemente a comunidade cristã de Corinto.


Apolo permaneceu algum tempo em Corinto e engajou-se numa obra promissora. Os que converteram por meio do seu ministério, quando começaram a surgir divisões após o retorno dele a Éfeso, viam a si mesmos como pertencentes a Apolo, em termos seculares. Logicamente, os outros se consideravam seguidores de São Paulo. Este problema podemos ler em 1Cor 1-4. Ciúmes e rivalidades entre professores eram exatamente o que mestres e discípulos seculares faziam, com o espirito competitivo, na luta pela reputação de suas escolas e por maior influência nas assembleias políticas (1Cor 3,1.3; Cf. 1Cor,1,11).


Em 1Cor 4,6, São Paulo condena a divisão ou a competição entre ele e Apolo e chama tal atitude de “imatura” e “mundana”. São Paulo revela as funções distintas de cada um, destacando que um plantava e outro regava, cooperando conjuntamente para o crescimento da Igreja/Comunidade, pois apenas Deus pode fazer crescer (1Cor 3,5-6). Tanto São Paulo como Apolo eram de tal estrutura espiritual, que nenhum dos dois reagiu ao jogo de poder dos coríntios, mas continuaram empenhados em prol do bem da Igreja/Comunidade.


O ciúme é tóxico. O ciúme acontece quando sentimos medo de perder algo. Pode-se ter ciúme de uma pessoa amada, do trabalho. Um bebê/criança pode ter ciúme da mãe ou do pai quando estes falam com outras crianças. Pode-se ter ciúme dos amigos. O circuito do ciúme funciona da seguinte maneira: em primeiro lugar, sentir a ameaça. A pessoa ciumenta sente que há um terceiro que pode ser real ou imaginário que vem rouba seu amor, seu trabalho, seu amigo(a). Em segundo lugar, o ciumento gosta de controlar seu parceiro, vigiar, revisar, seguir para descobrir a prova. Em terceiro lugar, o ciumento gosta de proibir seu parceiro, em termos de se vestir, de amizades, e assim por diante. Em quarto lugar, o ciumento é capaz de pedir perdão ao seu parceiro até que apareça um terceiro para voltar tudo outra vez.


A partir da vida de Apolo e São Paulo, será que somos capazes de usar bem nossa capacidade acadêmica para evangelizar os outros ou somente para o uso próprio? Será que se repete nas nossas comunidades, como em Corinto, em que há seguidores de uns sacerdotes e há também seguidores de outros padres? Será que no próprio sacerdote há ciúmes de outro sacerdote? É preciso que cada um se empenhe para o bem da Igreja a exemplo de Apolo e São Paulo.


Rezar Em Nome Do Senhor


Continuamos a acompanhar o discurso de despedida de Jesus de seus discípulos segundo o quarto Evangelho/Evangelho de João (Jo 13-17).


O texto do evangelho de hoje começa com a seguinte expressão: “Em verdade, em verdade vos digo...”. Toda vez que Jesus quer falar algo importante, ele usa essa fórmula solene. Hoje ele fala sobre a importância de fazer a oração com fé, isto é, fazê-la em nome de Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”.


Jesus quer que os discípulos façam seus pedidos em seu nome. A expressão “pedir em meu nome” significa pedir na fé em Jesus; significa suplicar ao Pai enquanto discípulo de Jesus mediante a fé que o reconheceu como Filho do Pai. Aqui a oração se torna uma participação no diálogo divino onde a conversa é desprovida de qualquer pretensão, pois a oração é o momento de participação no diálogo divino isto é, no diálogo entre o Filho e o Pai. Para o evangelista João aqui está o sentido da verdadeira oração. Na participação desse diálogo a vontade suprema de Deus ocupa o lugar importante na oração.


Além disso, na participação do diálogo divino percebemos algo importante que Jesus quer nos transmitir: que a oração é a fonte de gozo, de expansão, e de equilíbrio: “pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”. Orar/rezar é estar na contemplação, no repouso em Deus. Estar na oração é estar no mundo de Deus, tão próximo de nós na oração. Estar no mundo de Deus é estar na alegria plena e na serenidade. A verdadeira oração sempre nos causa alegria e nos dá a serenidade sabendo que Deus nos ama no Filho (Jo 3,16), que ama cada um até o fim (Jo 13,1) Cada um precisa fazer isso permanentemente. É impossível experimentar o mundo divino na oração no lugar dos outros; cada um há que experimentar esse mundo por si mesmo.


“Pedi, e recebereis; para que a vossa alegria seja completa”. A oração é fonte de gozo, fonte de expansão, fonte de equilíbrio. Rezar é repousar em Deus. Na oração nós nos aproximamos do mundo divino para iluminar nosso mundo de cada dia. É preciso rezarmos permanentemente para que nossa alegria seja completa e permanente. Até agora Jesus nos indica o caminho para chegar à nossa alegria plena: através do amor fraterno (cf. Jo 15,9-11) e através da oração (Jo 16,24). Orar e amar permanentemente nos mantém na alegria plena.


Na oração não há distância entre nós e Deus. A distância é abolida. Na oração, entre o mundo invisível e o mundo visível não há muros de separação. A oração faz com que a terra se aproxima do céu, a humanidade se une à divindade. Na oração há uma comunicação direta entre quem reza e Deus. Da terra sobem sem cessar orações de amor e de fé. E do céu descem sem cessar graças e palavras divinas de amor. Na oração nossa fé no amor de Deus por nós aumenta, pois mesmo que façamos nossos pedidos a Deus erradamente, Deus sempre dá algo corretamente pela nossa salvação. Deus atende aquilo que nos salva. Porém, temos que estar conscientes de que sempre que nós rezamos de verdade, a nossa oração é eficaz, não porque modificamos Deus, mas porque nos modificamos. O mais difícil da oração não é tanto saber se Deus nos escuta, mas conseguirmos que nós O escutemos.


Orar ou rezar é como entrar na esfera de Deus. De um Deus que quer nossa salvação, pois já nos ama antes de nos dirigirmos a Ele, como quando tomamos o sol que já estava brilhando. Ao entrarmos em sintonia com Deus, por meio de Cristo e seu Espírito, nossa oração coincide com a vontade salvadora de Deus e nesse momento nossa oração já é eficaz.


“Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes ao Pai alguma coisa em meu nome, ele vo-la dará”. Na oração entramos nas profundezas de Deus e nos deixamos envolver pelo mistério da Santíssima Trindade. Na fé cristã a oração é sempre trinitária, pois se dirige ao Pai no Espírito através do Filho. É do Pai que vem o dom pelo Filho no Espírito Santo. A oração é o momento e o acontecimento trinitário.


Jesus veio do mundo divino/celeste onde reina o amor que nos envolve inteiramente: “Eu saí do Pai e vim ao mundo; e novamente parto do mundo e vou para o Pai”.  É o mundo em que as relações entre as Pessoas (Santíssima Trindade) são totalmente satisfatórias, profundas e perfeitas. É o mundo onde o amor é rei e faz todos felizes. Jesus veio para nos revelar quem é nosso Deus? Deus é Pai, Deus é amor, Deus nos ama.


Portanto, para que nossa alegria seja completa e nossa felicidade seja plena temos que aprender a amar e a orar permanentemente. Amamos os outros para que nos tornemos divinos. O divino nos dá a alegria, pois o divino nos salva. E “só se ama verdadeiramente o próximo quando se ama a Deus no próximo, seja porque Deus já vive nele, seja para que Deus viva nele. Isto é amor” (Santo Agostinho: Serm. 336,1,1). Oramos para que estejamos na esfera divina e consequentemente, nossa alegria será completa. Quer ser alegre? Ame e reze permanentemente!


Senhor, preciso de ti para não me apoiar nas muletas que limitam a liberdade, nem em algo que hoje me estimula e amanhã me prostra até o pó e lama. Abre-me o coração ao teu projeto e dá-me força para encaixá-lo em minha vida. Que assim seja!


P. Vitus Gustama,svd