sexta-feira, 30 de junho de 2017

Domingo, 02/07/2017


Observação inicial:  Nesta página são encontradas duas reflexões:
1. Solenidade de São Pedro e São Paulo (para os lugares onde esta solenidade é celebrada neste domingo).
2. XIII Domingo do Tempo Comum "A" (para os lugares onde a Solenidade de São Pedro e São Paulo foi celebrada no dia 29 de Junho).




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SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO



Primeira Leitura: At 12,1-11
Naqueles dias, 1 o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. 2 Mandou matar à espada Tiago, irmão de João. 3 E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos. 4 Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa. 5 Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele. 6 Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão. 7 Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: “Levanta-te depressa!” As correntes caíram-lhe das mãos. 8 O anjo continuou: “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!” Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: “Põe tua capa e vem comigo!” 9 Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão. 10 Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. 11 Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!”.


Segunda Leitura: 2Tm 4,6-8.17-18
Caríssimo: 6 Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7 Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. 8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. 17 Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. 18 O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.


Evangelho: Mt 16,13-19
Naquele tempo, 13 Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” 14 Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. 15 Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 16 Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. 17 Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18 Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19 Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.
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Celebramos neste domingo a solenidade de duas colunas principais da Igreja: São Pedro e São Paulo. Os dois servem o mesmo Cristo embora de maneira diferente. Não há uma maneira só para servir Cristo e sua Igreja. Cada um dos dois tem suas qualidades. Mas como seres humanos eles também têm suas debilidades ou fraquezas. No entanto essas debilidades jamais deixam os dois de servir o Senhor e Sua Igreja.


1. Quando sou fraco, então é que sou forte


Estas palavras foram ditas pelo próprio Paulo na sua Segunda Carta aos Coríntios (2Cor 12,10). O “Quando sou fraco, então é que sou forte” reflete a vida destes dois grandes santos: Pedro e Paulo.


Pedro foi chamado de homem de pouca fé (Mt 14,31), de Satanás (Mt 16,23). Ele falhou em vigiar e orar junto com Jesus apesar do aviso de Jesus (cf. Mt 26,37-44; Mc 14,33-41). No momento da prisão de Jesus, numa atitude impetuosa, cortou a orelha de Malco, empregado do sumo sacerdote (Jo 18,10). No pátio de Caifás, a determinação de Pedro (cf. Mt 26,33-35) entrou em colapso, não diante de um tribunal, mas diante da pergunta de uma jovem empregada. Ele negou ser discípulo de Jesus (Mt 26,58.69-75). Mas apesar de tudo, ele reconhece que somente Jesus tem palavras de vida eterna (Jo 6,69). Ele sempre encabeça a lista dos discípulos (cf. Mt 10,2; Mc 3,16; Lc 6,14). Faz parte do círculo mais íntimo dos discípulos (Mc 5,37;9,2;13,3; Lc 8,51), e é o primeiro entre os discípulos (Mt 16,23; Jo 21,19). Ele admite sua ignorância (Mt 15,15; Lc 12,41; cf. também Jo 13,6-10 sobre o lava-pés) e a própria pecaminosidade (Lc 5,8). Ele questiona sobre o perdão e é advertido sobre as consequências do não- perdão (Mt 18,21-35).


Uma piedosa tradição conta que, durante a perseguição cruel de Nero, Pedro saía de Roma, abandonando a própria comunidade cristã em busca de um lugar mais seguro. Junto às portas da cidade, cruzou-se com Jesus que carregava a Cruz. Quando Pedro lhe perguntou: “Aonde vais, Senhor (Quo vadis, Domine)?” ouviu a resposta do Mestre: “Vou a Roma para deixar-me crucificar novamente”. Pedro entendeu a lição e voltou para a cidade onde o esperava a sua cruz. Um historiador antigo refere que Pedro pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por sentir-se indigno de morrer como o seu Mestre, de cabeça para o alto. Apesar das suas fraquezas, Pedro foi fiel a Cristo, até dar a vida por Ele.


Ficamos perguntando, por que Pedro, homem que demonstra um pouco de volubilidade e que tem tantos defeitos, foi eleito por Jesus para ser rocha sobre a qual edifica sua Igreja e para apascentar as ovelhas de Jesus? (Cf. Jo 21,5-17). Até o próprio Pedro questiona Jesus sobre essa eleição (cf. Jo 21,21). Será que, ao reconhecer os próprios defeitos e fraquezas, Pedro terá condições de compreender os defeitos e fraquezas dos outros sem condená-los, mas ajudá-los a saírem destes? Pois aquele que já passou por uma experiência de miséria, normalmente, sabe repartir o que tem para quem não tem nada para viver. Nunca podemos compreender completamente os mistérios de Deus. Talvez o profeta Isaías tenha razão quando coloca estas palavras na boca de Deus: “Pois meus pensamentos não são os vossos, e o vosso modo de agir não é meu... meus pensamentos ultrapassam os vossos” (Is 55,8.9b). Por isso, junto com o salmista podemos rezar: “Ensina-me, Senhor, vosso caminho...!” (Sl 26,11), pois “os caminhos de Deus são perfeitos” (2Sm 22,31).


Paulo também passou por uma experiência dolorosa antes de conhecer Jesus Cristo. A queda de Paulo na estrada de Damasco foi a linha divisória para sua vida entre antes e depois (At 9,1ss). Essa queda é a chave geral para entender Paulo e toda a sua luta incansável.


Paulo sempre foi um homem profundamente religioso, judeu praticante, irrepreensível na mais estrita observância da Lei (Fl 3,6;At 22,3) cheio de zelo pelas tradições paternas(Gl 1,14). Para defender essas tradições, chegou a perseguir os cristãos e isso com o apoio do Sinédrio.


Mas na estrada de Damasco Paulo, em vez de perseguir, ele foi perseguido por Cristo. A entrada de Jesus na vida de Paulo não foi pacífica, mas sim de uma maneira violenta.


Deus não pediu licença a Paulo. Ele entrou e o derrubou (At 9,4;22,7;26,14). Caído no chão, Paulo se entregou. Lucas não diz que Paulo caiu do cavalo, mas “cai por terra”, porque essa é a fraseologia usada em alguns textos bíblicos para descrever a reação humana diante da manifestação divina. Paulo é interpelado duas vezes pelo seu nome hebraico, transcrito em grego: “Saoúl, Saoúl” (v.4). A repetição do nome corresponde ao esquema de diálogos de revelação aos patriarcas bíblicos: Abraão, Jacó, Moisés (Gn 22,1;46,2; Ex 3,4). A novidade na experiência de Paulo é a pergunta: “Por que você me persegue?” (v.4). Ela revela uma situação singular. Aquele que fala com Paulo, no contexto de uma luz divina, se identifica com aqueles que Paulo está perseguindo (v.5 ). A identificação de Jesus com os seus discípulos perseguidos coloca Paulo diante de uma escolha sem alternativas (cf. Mt 25,40.45). Ele precisa mudar radicalmente os seus projetos.


Uma luz o envolveu (v.3) e era tão forte que Paulo ficou cego. Ele começou a enxergar até que Ananias interveio para dar-lhe o sentido da sua aceitação na Igreja e da certeza de caminhar na via que leva a Deus. Paulo ressuscitou no exato momento em que foi acolhido na comunidade como irmão(v.18).


Paulo ganhou novos olhos. Ele via as mesmas coisas de sempre: a vida, as pessoas, a Bíblia, o povo, a sinagoga, o trabalho e tudo que pertencia ao seu mundo. Mas a nova experiência do amor de Deus em Jesus (Rm 8,39) mudou os olhos, e o ajudou a descobrir novos valores que antes não via. A visão de Deus é luz, mas para a carnalidade do homem é motivo de espanto e faz com que o homem perceba toda a escuridão em que se encontra. Em contato com Deus que é luz, o homem se reconhece que é trevas.       


O nascimento de Paulo, segundo 1Cor 15,8, para Cristo não foi normal. Deus o fez nascer de maneira forçada. Paulo foi arrancado de dentro de seu mundo, como se arranca uma criança do seio da mãe por meio de uma operação.


A partir da experiência de Damasco, Paulo não consegue confiar naquilo que ele faz por Deus, mas só naquilo que Deus fez por ele. Já não coloca sua segurança na observância da Lei, mas sim no amor de Deus por ele (Gl 2,20s; Rm 3,21-26). Essa experiência chama-se Gratuidade. Essa foi a marca de experiência de Paulo na estrada de Damasco que renova por dentro todo o seu relacionamento com Deus. Essa experiência da gratuidade do amor de Deus vai dar rumo à vida de Paulo e vai sustentá-lo nas coisas que virão. Essa experiência é a nova fonte da sua espiritualidade que faz brotar nele uma “poderosa energia” (Cl 1,29), energia muito mais forte e muito mais exigente do que a sua vontade anterior de praticar a Lei e de conquistar a justificação. Essa experiência levou Paulo a desocupar o barraco da sua vida para deixar Jesus entrar nela.  Ele cresce tanto no amor de Cristo, a ponto de dizer: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Essa “desapropriação” de si mesmo, porém, não lhe tira a liberdade. Pelo contrário, ele diz: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1;2,4). A experiência da gratuidade do amor de Deus faz Paulo suportar lutas e perseguições, viagens e canseira, o peso do dia-a-dia (2Cor 11,23-27); sofrer com aqueles que sofrem (2Cor 11,29). Essa experiência mudou os olhos de Paulo e o ajudou a descobrir novos valores que antes não via.    


Pálido, doente e acabado, Paulo foi levado a um vale solitário chamado Aquae Salviae em Roma. Seu corpo foi açoitado pela última vez. Inclinou a cabeça à espera da espada que o conduziria ao martírio. O lugar onde ele foi martirizado, hoje chama-se Tre Fontane como recordação de Cabeça de Paulo que por três vezes bateu no chão antes de parar no instante dramático da morte. Realizou, assim, o único desejo de sua vida: estar com seu Senhor e Mestre Jesus Cristo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).


O Deus do Evangelho e da misericórdia é Aquele que no instante em que me faz compreender que errei completamente com relação a Ele, porque me coloquei em seu lugar, demonstra-me a sua misericórdia ao perdoar-me e me dá confiança ao chamar-me ao seu serviço, confiando-me a sua própria Palavra.


Este instante resume para Paulo tudo o que ele sabia de Deus de maneira errada. O escuro se torna claro, o violento se torna misericordioso.


O evento de Damasco é algo tão rico que devemos aproximar-nos com muita humildade e reverência, convencidos de que compreendemos pouco, que sabemos pouco com relação a isto, mas que poderemos conhecer muito mais pela graça de Deus. Então, compreenderemos melhor a nós mesmos, o caminho da nossa vida e as nossas conversões.


A experiência de Paulo nos faz perguntar: “Quando foi que me converti? Existe em minha vida um “quando” da conversão ao qual posso referir-me como momento histórico? Mesmo que não tenha havido um “quando” temporal, certamente aconteceram momentos de mudança, de transformação, de crise que nos levaram a uma nova compreensão do mistério de Deus.


Se nunca realizamos a fundo esta mudança de mentalidade que é essencial para a vida cristã, ainda não chegamos a compreender o que é a novidade do caminho cristão. Se não compreendo bem as coisas ditas sobre Paulo, provavelmente é difícil que compreenda o que aconteceu em mim. 


2. Pedro e Paulo revelam face institucional e carismática da Igreja


Pedro e Paulo são chamados as duas colunas da Igreja. Os dois revelam, de maneira expressiva, as duas faces da Igreja: a institucional e a carismática. Por um lado, a Igreja é um dom que recebemos de Cristo e da Tradição. Aqui não se inventa nem se acrescenta; acolhe-se com gratidão. Entretanto ela pode conter perigos; favorece a acomodação, facilmente se incorre no legalismo, no moralismo e na rigidez dogmática que impede ou suspeita de toda novidade. Pedro corporifica a face institucional da Igreja.


Mas estes limites são superados ou equilibrados por outra face: a face carismática. Porque, a Igreja é resposta humana, criatividade face aos desafios de cada geração, adaptação aos valores das culturas, inovação nos modos de pensar a fé, de rezar a Deus e de viver o Evangelho. Mas esta face tem também seus limites: a invenção não pode adulterar a substância da fé apostólica; cumpre guardar uma fidelidade essencial ao espírito de Jesus e dos Apóstolos. Paulo corporifica a face carismática da Igreja. A Igreja que hoje possuímos é fruto desta síntese feliz. A festa de Pedro e Paulo nos quer recordar os bons frutos que nos vêm desta tensão conservando a unidade dentro da pluralidade.


3. Pedro e Paulo Nos Trazem a Mensagem da Esperança


Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte”, contou-nos São Paulo sua experiência (2Cor 12,10).


As duas figuras, Pedro e Paulo, nos trazem uma mensagem de esperança. Na vida podemos ter muitos defeitos e fraquezas a ponto de não conseguirmos sair deles, mas ninguém pode escapar do amor de Deus desde que acolhamos este amor com muita humildade. Pedro e Paulo são testemunhas de tudo isto. Como se os dois quisessem nos dizer: “Não desista! Tudo tem seu tempo e sua solução, pois Deus te ama”. 


Deus conta com o tempo para formar cada um de nós, seus instrumentos, como conta também com a nossa boa vontade. Se tivermos a boa vontade de Pedro e de Paulo, se formos dóceis à graça de Deus, iremos convertendo-nos em instrumentos idôneos para servir o Mestre e para levar a cabo a missão que nos confiou. Até os acontecimentos que parecem mais adversos, os nossos próprios erros e vacilações, se recomeçarmos uma vez e outra, se abrirmos o coração ao Senhor e às pessoas capacitadas na direção espiritual, haverão de ajudar-nos a estar mais perto do Senhor que não se cansa de suavizar os nossos modos rudes e toscos. É provável que, em momentos difíceis de nossa vida, cheguemos a ouvir como Pedro: “Homem de pouca fé, por que duvidaste?” (Mt 14,31). E veremos Jesus ao nosso lado, estendendo-nos a mão para nos ajudar.


Todos nós recebemos, de diversas maneiras, uma chamada concreta para servir o Senhor. E ao longo da vida chegam-nos novos convites para segui-lo, e temos de ser generosos com Ele em cada novo encontro. Temos de saber perguntar a Jesus na intimidade da oração, como São Paulo: “Que devo fazer, Senhor? Que queres que eu deixe por Ti? Em que desejas que eu melhore? Neste momento da minha vida, que posso fazer por Ti?


Pedimos hoje a São Pedro e ao Apóstolo dos pagãos, Paulo, um coração como o deles, para sabermos passar por cima das pequenas humilhações ou dos aparentes fracassos que acompanham necessariamente a ação apostólica, ou a nossa vida em geral. E dizemos a Jesus que estamos dispostos a conviver com todos, a oferecer a todos a possibilidade de conhecê-lo e amá-lo, sem nos importarmos com os sacrifícios nem pretendermos êxitos imediatos. Assim seja!


P. Vitus Gustama,svd


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AS EXIGÊNCIAS  E AS RECOMPENSAS DO SEGUIMENTO


XIII Domingo Comum “A”


I Leitura: 2 Re 4,8-11.14-16ª
Certo dia, o profeta Eliseu passou por Sunam. Vivia lá uma distinta senhora, que o convidou com insistência a comer em sua casa. A partir de então, sempre que por ali passava, era em sua casa que ia tomar a refeição. A senhora disse ao marido: “Estou convencida de que este homem, que passa frequentemente pela nossa casa, é um santo homem de Deus. Mandemos-lhe fazer no terraço um pequeno quarto com paredes de tijolo, com uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lâmpada. Quando ele vier a nossa casa, poderá lá ficar”. Um dia, chegou Eliseu e recolheu-se ao quarto para descansar. Depois perguntou ao seu servo Giezi: “Que podemos fazer por esta senhora?” Giezi respondeu: “Na verdade, ela não tem filhos e o seu marido é de idade avançada”. “Chama-a” – disse Eliseu. O servo foi chamá-la e ela apareceu à porta. Disse-lhe o profeta: “No próximo ano, por esta época, terás um filho nos braços”.


II Leitura: Rom 6,3-4. 8-11
Irmãos: Todos nós que fomos baptizados em Jesus Cristo fomos baptizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, para glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se morremos com Cristo, acreditamos que também com Ele viveremos, sabendo que, uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer; a morte já não tem domínio sobre Ele. Porque na morte que sofreu, Cristo morreu para o pecado de uma vez para sempre; mas a sua vida, é uma vida para Deus. Assim, vós também, considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus.


Evangelho:  Mt 10,37-42
Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim. Quem encontrar a sua vida há-de perdê-la; e quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta por ele ser profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo, receberá a recompensa de justo. E se alguém der de beber, nem que seja um copo de água fresca, a um destes pequeninos, por ele ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”.
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O evangelho de hoje é a parte final do discurso de Jesus sobre a missão. Mt colocou aqui diversos elementos que ele tomou de diferentes contextos. Dividimos o texto em duas partes. A primeira parte(vv.37-39) apresenta as exigências que Jesus propõe para quem quer segui-lo. Na segunda parte (vv.40-42) Jesus promete recompensar todos aqueles que acolherem os seus enviados.


I. AS EXIGÊNCIAS DE JESUS (vv.37-49)


Jesus é terrivelmente exigente. Ele exige renúncia de uma radicalidade inaudita e conclui cada exigência com o mesmo refrão: “não é digno de mim!” Ele pede uma adesão total e indivisível à sua pessoa.


1. A primeira exigência: Jesus deve ser preferido aos vínculos humanos mais sagrados


Aquele que ama pai e mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Aquele que ama o filho ou filha mais do que a mim, não é digno de mim” (v.37).


Jesus usa aqui a palavra mais sagrada: “amar”. Certamente a primeira das renúncias se refere ao que há de mais caro a Deus e aos homens: o amor. O mundo inteiro é fruto do amor de Deus. O amor é o porquê da encarnação de Jesus Cristo. A redenção encontra sua resposta no amor de Deus pela humanidade. Todo o NT se fundamenta no amor. E todos nós reconhecemos que nascemos de um momento fecundo do amor. Nenhum preceito que fira o amor tem legitimidade para Jesus e para os cristãos. No entanto, o primeiro e maior amor se deve a Deus (Mt 22,38), porque de Deus provêm todas as expressões do amor e a Deus retornam todos os nossos gestos de amor. Portanto, Jesus não manda não amar pai e mãe e filhos, mas deve amá-los dentro do grande amor que devemos a Deus e devemos renunciá-los sempre que forem empecilho. Trata-se, então, de estruturar a vida inteira a partir desse amor maior que dá sentido a todos os outros. A partir desse amor maior todos os outros amores se enriquecem. Se amarmos os pais e irmãos com o coração cheio do amor de Deus, esse amor se torna digno de confiança. Por isso, embora Jesus insista nas obrigações de seus seguidores aos pais (Mt 15,3ss) e à família (cf. Mt 5,27ss;19,1ss), contudo esse relacionamento não pode, de modo algum, impedir ou prejudicar a obediência do homem diante das exigências de Deus, o Bem Absoluto, o Maior Amor (cf. Mt 8,21s). Todos devem ser dispostos a qualquer sacrifício quando está em jogo a causa de Deus e a própria salvação. Precisamos estar conscientes de que há amores familiares que matam, principalmente do ponto de vista espiritual. Portanto, vivemos em contínua renúncia e permanente abertura às manifestações do amor de Deus.


Mas cada um de nós, a partir desta exigência, precisa se perguntar: Que lugar ocupa Jesus na sua vida? Ele ocupa o primeiro lugar ou em segundo lugar na sua vida?


2. A segunda exigência é carregar a cruz e renunciar à própria vida


“Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim” (v.38).


“Tomar sua cruz” é uma expressão metafórica para a prontidão para a morte, para o movimento de partida de si mesmo em direção a Deus. Cada partida em direção a Deus sempre representa uma morte de si mesmo. A vida que se entrega a Deus tem algo desse morrer em si e será uma nota característica de nossas mais sinceras intenções em seguir a Jesus. Não se ama a cruz em si mesmo, mas ao seguir a Jesus incondicionalmente encontra-se a cruz.


Cada história tem sua própria cruz e cada cruz tem sua própria história. Todos nós, de alguma forma, carregamos alguma cruz na nossa vida. Mas existe cruz com Cristo, como também existe cruz sem Cristo. Para alguns, a cruz pode ser vivida como tribulação, para os outros ela pode ser vivida como libertação. A cruz sem Cristo é a cruz-condenação. É a cruz de quem deseja ser um deus. É a cruz que não tem finalidade em si mesmo. É a cruz sem fé, sem amor, sem sentido da vida, sem renúncia por amor. É a cruz de quem deseja viver numa liberdade sem responsabilidade. Jesus Cristo, que foi crucificado, transformou a cruz de castigo em bênção. Por isso, se procuramos Cristo sem sua cruz acabamos encontrando a cruz sem Cristo. Mas se procuramos Cristo com sua cruz acabamos encontrando a salvação. Que tipo de cruz que você carrega: com Cristo ou sem Cristo?


E Jesus acrescenta: “Quem procura conservar a sua vida, vai perde-la. E quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (v.39). Buscar a vida era o ideal dos sábios do Antigo Testamento. Mas Jesus convida a mudar esta sabedoria por outra mais profunda que consiste em imitar sua entrega a fim de alcançar a vida em plenitude: a vida sem fim com Deus. A vida vem de Deus e somente ele é capaz de dar a vida. Se a vida é totalmente de Deus e para Deus, então, todas as vezes que o homem se fecha em si mesmo, ele se desliga da sua fonte, da sua razão de ser e da sua única meta possível. Só salva sua vida quem não confia na sua mortalidade, mas se inclui na imortalidade de Deus; mas isto significa morrer para viver eternamente. Certamente, aqui é que está a grandeza maior do homem. A proposta de Jesus é levar a vida a sério, enfrentar com dignidade os desafios, mas sempre se abrir à fonte da vida: Deus. É preciso sair de si mesmo, ultrapassar-se a si mesmo em direção à vida por excelência: Deus. Se renunciarmos aos nossos interesses pessoais, acolheremos os interesses de Deus. Se renunciarmos às falsas propostas da vida, acolheremos a cruz redentora de cada dia, que nos traz consigo o Cristo Salvador.


II. A PROMESSA DE JESUS A QUEM ACOLHE SEUS ENVIADOS/MISSIONÁRIOS (vv.40-42)


 Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de justo... até um copo de água fresca dada a um dos pequeninos não perderá a sua recompensa” (vv.41-42).


Encontramos aqui, pelo menos, três grupos na comunidade de Mateus. Os profetas exerciam um ministério itinerante que consistia, sobretudo, na pregação; eram homens suscitados por Deus. Os justos eram homens de virtude comprovada na comunidade, quer pela sua vida exemplar, quer pela fé praticada na caridade. Eram homens fiéis aos mandamentos de Deus. Os pequeninos eram os simples discípulos de Jesus, não ocupavam nenhuma posição destacada na comunidade.


Qual será a recompensa prometida por Jesus? O texto não especifica a recompensa. Mas se olharmos para o cap. 25 de Mateus, saberemos que uma obra boa feita para os mais insignificantes, mesmo sem consideração de quem ele é ou sem saber se está servindo a Cristo nele, a recompensa será grande: a alegria eterna (Mt 25,31-46). Na atitude adotada diante de um pobre, mostramos a verdadeira generosidade de nosso coração. Partilhar o que temos para os mais pobres é uma forma de prolongar a generosidade do Deus-Criador que criou tudo gratuitamente para os homens. Nós que acreditamos no Deus-Criador devemos manter viva esta generosidade através da partilha daquilo que temos e somos.


Que as pessoas percebam a marca do amor de Deus nos nossos gestos, palavras e obras para que possam acreditar que Deus existe e que esse Deus é Amor. Assim seja.


P. Vitus Gustama,SVD





quinta-feira, 29 de junho de 2017


01/07/2017
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UM “PAGÃO” QUE ENSINA O CRENTE A CRER NO PODER EFETIVO DA PALAVRA DE DEUS


Sábado da XII Semana Comum


Primeira Leitura: Gn 18,1-15
Naqueles dias, 1 o Senhor apareceu a Abraão junto ao carvalho de Mambré, quando ele estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia. 2 Levantando os olhos, Abraão viu três homens de pé, perto dele. Assim que os viu, correu ao seu encontro e prostrou-se por terra. 3 E disse: “Meu Senhor, se ganhei tua amizade, peço-te que não prossigas viagem, sem parar junto a mim, teu servo. 4 Mandarei trazer um pouco de água para vos lavar os pés, e descansareis debaixo da árvore. 5 Farei servir um pouco de pão para refazerdes vossas forças, antes de continuar a viagem. Pois foi para isso mesmo que vos aproximastes do vosso servo”. Eles responderam: “Faze como disseste”. 6 Abraão entrou logo na tenda, onde estava Sara e lhe disse: “Toma depressa três medidas da mais fina farinha, amassa alguns pães e assa-os“. 7 Depois, Abraão correu até o rebanho, pegou um bezerro dos mais tenros e melhores, e deu-o a um criado, para que o preparasse sem demora. 8 A seguir, foi buscar coalhada, leite e o bezerro assado, e pôs tudo diante deles. Abraão, porém, permaneceu de pé, junto deles, debaixo da árvore, enquanto comiam. 9 E eles lhe perguntaram: “Onde está Sara, tua mulher?” “Está na tenda”, respondeu ele. 10 E um deles disse: “Voltarei, sem falta, no ano que vem, por este tempo, e Sara, tua mulher, já terá um filho”. Ouvindo isto, Sara pôs-se a rir, da entrada da tenda, que estava atrás dele. 11 Abraão e Sara já eram velhos, muito avançados em idade, e para ela já havia cessado o período regular das mulheres. 12 Por isso, Sara se pôs a rir em seu íntimo, dizendo: “Acabada como estou, terei ainda tal prazer, sendo meu marido já velho?” 13 E o Senhor disse a Abraão: “Por que riu Sara, dizendo consigo mesma: ‘Acaso ainda terei um filho, sendo tão velha?’ 14 Existe alguma coisa impossível para o Senhor? No ano que vem, voltarei por este tempo, e Sara já terá um filho”. 15 Sara protestou, dizendo: “Eu não ri”, pois estava com medo. Mas ele insistiu: “Sim, tu riste”.


Evangelho: Mt 8,5-17
Naquele tempo, 5 quando Jesus entrou em Cafarnaum, um oficial romano aproximou-se dele, suplicando: 6 “Senhor, o meu empregado está de cama, lá em casa, sofrendo terrivelmente com uma paralisia”. 7 Jesus respondeu: “Vou curá-lo”. 8 O oficial disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado. 9 Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo a meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele faz”. 10 Quando ouviu isso, Jesus ficou admirado, e disse aos que o seguiam: “Em verdade, vos digo: nunca encontrei em Israel alguém que tivesse tanta fé. 11 Eu vos digo: muitos virão do Oriente e do Ocidente, se sentarão à mesa no Reino dos Céus, junto com Abraão, Isaac e Jacó, 12 enquanto os herdeiros do Reino serão jogados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes”. 13 Então, Jesus disse ao oficial: “Vai! E seja feito como tu creste”. E, naquela mesma hora, o empregado ficou curado. 14 Entrando Jesus na casa de Pedro, viu a sogra dele deitada e com febre. 15 Tocou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela se levantou, e pôs-se a servi-lo. 16 Quando caiu a tarde, levaram a Jesus muitas pessoas possuídas pelo demônio. Ele expulsou os espíritos, com sua palavra, e curou todos os doentes, 17 para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías: “Ele tomou as nossas dores e carregou as nossas enfermidades”.
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Deus Quer Nos Encontrar Na Vida Cotidiana


O Senhor apareceu a Abraão junto ao carvalho de Mambré, quando ele estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia” (Gn 18,1).


É interessante observar que Deus repete suas promessas, cinco ou seis vezes, sobre a numerosa descendência que Abraão terá apesar de sua velhice e da esterilidade de sua esposa Sara. Desta vez a promessa de Deus desce até o que é banal e comum: em baixo de um carvalho. Não é mais numa visão, mas na claridade da atividade cotidiana, “no maior calor do dia”. O meio-dia é o tempo dos olhos abertos, isto é, da plena consciência. Deus chega na hora em que Abraão está sentado e disponível.  Deus vai até Abraão em forma de três pessoas inesperadas.


O texto nos ensina que Deus está conosco diariamente. Ele quer nos encontrar onde nos encontramos, no nosso cotidiano e em forma da presença das pessoas que, às vezes, são estranhas. Estejamos com plena consciência para perceber a presença de Deus em todos os momentos de nossa vida. Que tenhamos “o meio-dia” de nossa vida para ver com clareza a presença de Deus que vem ao nosso encontro para anunciar algo valioso.


Ser Hospitaleiro é Ser Próximo Do Outro, Ser Irmão


“Meu Senhor, se ganhei tua amizade, peço-te que não prossigas viagem, sem parar junto a mim, teu servo. Mandarei trazer um pouco de água para vos lavar os pés, e descansareis debaixo da árvore. Farei servir um pouco de pão para refazerdes vossas forças, antes de continuar a viagem. Pois foi para isso mesmo que vos aproximastes do vosso servo”. São palavras de hospitalidade de Abraão.


O impulso generoso de Abraão faz abolir a distância. Podemos dizer que a atitude de Deus cuja correspondência se encontra em nós é uma atitude de hospitalidade, pois Ele se aproxima de nós e acaba com a distância entre nós e Deus, entre a terra e o céu. O gesto da hospitalidade de Abraão é voltado para os visitantes: “Farei servir um pouco de pão para refazerdes vossas forças, antes de continuar a viagem”. O convite de Abraão nos faz lembrar do convite feito pelos discípulos de Emaús ao Estrangeiro ressuscitado: “Fica conosco, pois a tarde está caindo e o dia já começou a declinar” (Lc 24,29). Abraão foi recompensado pelo nascimento iminente de seu filho Isaac: "Voltarei, sem falta, no ano que vem, por este tempo, e Sara, tua mulher, já terá um filho”.


Deus continua a passar pela nossa vida, diariamente, esperando nosso convite para entrar em nossa casa afim de torna-la uma casa abençoada. A casa que se deixa aberta para Deus, por amor, se transforma em morada de Deus (cf. Jo 14,23).


A palavra “hospitalidade” vem do latim “hospitalitas, atis”. É uma virtude que se pratica para peregrinos, necessitados, e desamparados ou desprotegidos prestando-lhes a devida assistência em suas necessidades. A hospitalidade é a obra de misericórdia. É ato de hospedar; acolhida de hóspedes; é boa acolhida. É recepção ou tratamento afável, cortês; amabilidade, gentileza. Hospitaleiro é aquele que oferece hospedagem por bondade ou caridade.


Os cristãos primitivos praticavam a hospitalidade. Sem essa virtude o cristianismo provavelmente teria dificuldades para se expandir no mundo romano. Até a Carta aos hebreus admoesta ou alerta os cristãos: “Não esqueçais a hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem saber, acolheram anjos” (Hb 13,2). O que tem por traz desse alerta é a experiência de Abraão que hospedou três pessoas em sua casa sem saber que eram os três anjos para anunciar que Sara, apesar de sua velhice, geraria um filho chamado Isaac (Gn 18,3; 19,1-2: Ló convida os dois anjos para sua casa). Por isso, antigamente as pessoas tratavam o estrangeiro como sagrado.


Com a hospitalidade nasce uma rede de amor entre as pessoas, derruba preconceitos e produz a alegria mútua. A hospitalidade possibilita o encontro e o diálogo e transforma o estrangeiro em amigo.


Um “Pagão” Que Tem Fé Em Deus


Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado”.


Segundo Mateus, o primeiro milagre operado por Jesus, que é a cura do leproso, foi para um membro do povo de Deus. O segundo milagre foi em favor de um pagão. Tudo é um programa. O movimento missionário da Igreja já está presente nesse segundo milagre. A salvação de Deus não está reservada para uns poucos. Deus ama a todos os homens; seu amor rompe as barreiras que levantamos entre nós. Jesus fez seu segundo milagre em favor de um oficial romano, em favor de um pagão. E os romanos eram mal vistos pelo Povo eleito.


Senhor, meu empregado está de cama, paralitico”. O oficial romano não pertence a uma Igreja ou a uma religião, ou ao Povo eleito, porém se comporta como um verdadeiro homem de Deus. Ele se comporta muito humano com os outros, especialmente com aquele que no olhar da sociedade não tem importância para se tratar daquela maneira. Por isso, esse oficial romano é um verdadeiro e autêntico homem de Deus. O homem de Deus trata o outro de maneira humana, pois o outro é o filho de Deus, templo do Espírito Santo (cf. 1Cor 3,16-17). Por essa razão, podemos encontrar os cristãos em qualquer religião, crença ou grupo, pois “Vós os reconhecereis pelos seus frutos” (Mt 7,16.20). Com efeito, o paganismo não depende da pertença ou não a uma religião. O paganismo depende do modo de viver e de se comportar com os demais homens. Por isso, um cristão pode ser um pagão por causa do seu modo de viver não cristão. E aquele que se diz pagão pode ser um verdadeiro cristão se ele comportar-se como o oficial romano que se preocupa com o bem do outro e acredita no poder de Deus. Em outras palavras, existem os cristãos pagãos como existem também os pagãos cristãos a partir do modo de viver e de conviver.


Ao atender esse oficial “pagão” Jesus quer nos mostrar que ele não aceita nossas divisões, nem nossos racismos nem nossas discriminações. O coração de cada seguidor de Jesus deve ser universal e missionário, como o próprio coração de seu Mestre, Jesus Cristo. E cada cristão deve reconhecer e aceitar com facilidade qualquer pessoa do bem, independentemente de sua crença.      


Senhor, meu empregado está de cama, paralitico”. A oração desse homem serve de exemplo para nós. Ele expõe simplesmente a situação; descreve a doença. E o mais notável é que ele pede em favor do outro, de seu empregado. É uma oração de intercessão. Será que eu rezo somente por mim mesmo e somente pela minha família? Será que tem lugar na minha vida uma oração de intercessão? Será que eu rezo pelos outros, especialmente pelos necessitados e por aqueles dos quais não gosta de mim ou por aqueles das quais eu não gosto? (Cf. Mt 5,43-47).
 
O Senhor sente em todo caso o grito de sofrimento, apesar de o doente não estar presente. O Senhor não é insensível. Sua reação é imediata: "Vou curá-lo".
Mas é impressionante a profunda humildade desse oficial ao dizer a Jesus: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado”. Este pagão é muito consciente de que a lei judaica o recusa por ser pagão. Ele não quer pôr Jesus em uma situação de “impureza legal”. Por isso, ele quer evitar que Jesus entre em sua casa. “Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado“, diz o oficial a Jesus. Este homem valoriza a Palavra de Jesus, porque a Palavra de Deus está cheia de autoridade e de poder. O que interessa ao evangelista Mateus é algo muito distinto: a força da Palavra de Jesus que atua ou opera em quem crê.
O oficial romano estava muito seguro do poder de Jesus, e por isso, ele disse: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa. Dize uma só palavra e o meu empregado ficará curado”. Ele olha para Jesus como quem tem autoridade em Sua palavra, pois entende que a enfermidade e o mal têm que obedecer a Ele assim como os soldados obedecem ao seu general: “Pois eu também sou subordinado e tenho soldados sob minhas ordens. E digo a um: ‘Vai!’, e ele vai; e a outro: ‘Vem!’, e ele vem; e digo a meu escravo: ‘Faze isto!’, e ele faz”. Para ele, Jesus Cristo é um grande “general” de todas as forças do universo. É uma maravilhosa comparação. O mais maravilhoso ainda é o tamanho da fé desse oficial romano.


Pela fé na Sua Palavra Jesus elogia esse homem: “Em verdade, vos digo: em ninguém em Israel encontrei tanta fé”. É a fé de quem se considera pagão. Mas se comporta como um verdadeiro cristão.


Jesus põe em contraste a incredulidade dos seus contemporâneos judeus com a fé do pagão: “Em verdade, vos digo: em ninguém de Israel encontrei tanta fé”. O tamanho da fé do “pagão” não se encontra no meio do Povo eleito. A fé que se encontra no “pagão” não se encontra naqueles que se dizem fieis ou crentes.  O “pagão” ensina o crente a acreditar na Palavra de Deus, pois ela é eficaz. É uma grande ironia! A fé que Jesus exige é um impulso de confiança e de abandono pelo qual o homem renuncia a apoiar-se em seus pensamentos e em suas forças para abandonar-se à Palavra e ao poder de Aquele em quem acredita.


Antes de receber o Corpo do Senhor na comunhão, repetimos a frase desse oficial romano: “Senhor, eu não sou digno de que entres em minha morada. Dize uma só palavra, serei salvo”. A Eucaristia quer curar nossas debilidades. O próprio Senhor Jesus se faz nosso alimento e nos comunica sua vida: “O Pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo. Quem come minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna” (Jo 6,51.54). A vida de Cristo que recebemos na comunhão deve transformar nossa vida em vida para os demais homens. O oficial romano nos ensina a nos preocuparmos com o bem do outro e a crermos no poder eficaz da Palavra de Deus.


P.Vitus Gustama, SVD

30/06/2017
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ESTENDER MÃO PARA ABRAÇAR TODOS A FIM DE FORMAR UMA COMUNIDADE DE IRMÃOS


Sexta-feira da XII Semana Comum


Primeira Leitura: Gn 17,1.9-10.15-22
1 Abrão tinha noventa e nove anos de idade, quando o Senhor lhe apareceu e lhe disse: “Eu sou o Deus Poderoso. Anda na minha presença e sê perfeito”. 9 Deus disse ainda a Abraão: ”Guarda a minha aliança, tu e a tua descendência para sempre. 10 Esta é a minha aliança que devereis observar, aliança entre mim e vós e tua descendência futura: todo homem entre vós deverá ser circuncidado”. 15 Deus disse também a Abraão: “Quanto à tua mulher, Sarai, já não a chamarás Sarai, mas Sara. 16 Eu a abençoarei e também dela te darei um filho. Vou abençoá-la, e ela será mãe de nações, e reis de povos dela sairão”. 17 Abraão prostrou-se com o rosto em terra, e pôs-se a rir, dizendo consigo mesmo: “Será que um homem de cem anos vai ter um filho e que, aos noventa anos, Sara vai dar à luz?” 18 E, dirigindo-se a Deus, disse: “Se ao menos Ismael pudesse viver em tua presença”. 19 Deus, porém, disse: “Na verdade, é Sara, tua mulher, que te dará um filho, a quem chamarás Isaac. Com ele estabelecerei a minha aliança, uma aliança perpétua para a sua descendência. 20 Atendo ao teu pedido, também, a respeito de Ismael. Eu o abençoarei e tornarei fecundo e extremamente numeroso. Será pai de doze príncipes e farei dele uma grande nação. 21 Mas, quanto à minha aliança, eu a estabelecerei com Isaac, o filho que Sara te dará no ano que vem, por este tempo”. 22 Tendo acabado de falar com Abraão, Deus se retirou.


Evangelho: Mt 8,1-4
1 Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam. 2 Eis que um leproso se aproximou e se ajoelhou diante dele, dizendo: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. 3 Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica limpo”. No mesmo instante, o homem ficou curado da lepra. 4 Então Jesus lhe disse: “Olha, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote, e faze a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho para eles”.
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Não Tenhamos Medo De Progredir, Pois Deus Está Conosco


Eu sou o Deus Poderoso. Anda na minha presença e sê perfeito”.


Depois que se revelou como o Deus Poderoso (El Saday), Deus exige de Abrão que seja perfeito e caminhe na presença de Deus. Não se determina nenhuma prescrição positiva e sim a intimação de ser reto e íntegro em seus costumes, isento de todo pecado.


Neste capitulo (Gn 17), Deus muda o nome de Abram (Abrão) em Abraham (Abraão) dizendo “porque farei de ti o pai de uma multidão de povos” (Gn 17,5). Aqui o autor sagrado faz um jogo de palavras na mudança do nome de Abraão: “Abram”. “Ab” (pai) e “hamon” (multidão). Na realidade, etimologicamente, Abram significa “meu pai é elevado, de nobre estirpe”. Nas promessas anteriores se dizia que seria pai de um povo inumerável. Agora, a perspectiva se alarga e se diz que será pai de “multidão de povos” e que dele sairão “reis” (Gn 17,8). Por isso, a partir de agora Abraão é como uma nova pessoa diante de Deus, pois agora Abraão simboliza a paternidade sobre “multidão de povos”.


Cada um de nós tem seu nome próprio. É bom procurar saber qual é o significado de seu nome. Você vive de acordo com o significado do seu nome? O que se exige de você a partir do significado de seu nome? Qual foi motivo pelo qual seus pais adotaram a você o nome que você tem atualmente? “Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos” (José Saramago) e que por fora os pais nos adotaram um nome que nos merece.


Anda na minha presença e sê perfeito”, ordena Deus a Abraão. “Anda!”. “Avança!”. Não sejas passivo! Levanta-te! Encarrega-te de tua vida. Isto é o que o Senhor pede a cada um de nós. “Mas na minha presença”, disse Deus. Deus está nos dizendo: “Estou contigo; eu te ajudarei se tu começares a andar, a avançar”.


Sê perfeito”, acrescentou Deus. Deus está nos dizendo: “Faças tudo o que podes, progride em todas as tuas capacidades; vê mais longe, continues a avançar; não te desanimes nunca. Tu podes fazer o melhor cada dia!”. A vida é tanto um caminho como um movimento. Deus nos exige. Caminhar na presença de Deus ou dedicar-Lhe totalmente a existência há de construir a suprema aspiração dos justos e perfeitos como Abraão.


Circuncisão Do Físico e Do Coração Para Pertencer a Deus e Como Condição Para Herdar Bênção Divina


Esta é a minha aliança que devereis observar, aliança entre mim e vós e tua descendência futura: todo homem entre vós deverá ser circuncidado”.


Nós encontramos diante de um dos capítulos mais importantes da tradição sacerdotal que elaborou com sumo cuidado a importância da circuncisão.


A palavra “circuncidar” vem do latim “circumcidere”: circum, ao redor; “caedere”, cortar. Circuncisão consiste em cortar circularmente uma porção do prepúcio para que possa descobrir-se a glande. Para os judeus a circuncisão deve ser feita ao oitavo dia depois do nascimento, segundo a lei de Lv 12,3 e o relato sacerdotal da aliança com Abraão, Gn 17,12.


O pacto de Deus com Abraão toma traços concretos. Além da exigência da retidão e lealdade diante de Deus (“Anda na minha presença e sê perfeito”), também aparece o que depois será sinal externo da pertença ao povo eleito a circuncisão dos filhos varões. Em diversas culturas a circuncisão obedece a razoes higiênicas ou de iniciação sexual. Mas aqui tem sentido religioso. A circuncisão é sinal da pertença ao povo de Deus e da fidelidade à Aliança com Deus. a circuncisão se converte em sinal da aceitação, por parte do homem, do compromisso libertador de Deus, e por isso, se vincula tão intimamente à fé de Israel, sobretudo a partir do exilio , quando nasceu a tradição sacerdotal.


Relacionada com Abraão, pai do povo (Gn 17,9-14; 21,4), promulgada na lei (Lv 12,3), a circuncisão é a condição indispensável para poder celebrar a Páscoa na qual Israel se declara povo eleito e salvado por Javé (Ex 12,44.48).


Mas há risco escondido. Israel pode acreditar que basta estar circuncidado para desfrutar das promessas da aliança. O profeta Jeremias, foi o primeiro que recordou ao povo eleito. Para o profeta Jeremias a circuncisão física não tem em si nenhum valor (Jr 9,24). O que importa é tirar o prepúcio dos corações: “Circuncidai-vos ao Senhor, e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que o meu furor não venha a sair como fogo, e arda de modo que não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras” (Jr 4,4). O Deuteronômio também chama a atenção para a circuncisão do coração, isto é, o amor exclusivo de Deus e a caridade fraterna (Dt 10,12-22). A mesma tradição sacerdotal também faz eco (Lv 26,41).  Esta circuncisão do coração que Israel era incapaz, será dada por Deus no dia da salvação: “O Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao Senhor teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” (Dt 30,6). Neste mesmo discurso São Paulo discernirá com justa razão um anúncio da salvação pela graça e pela fé (Rm 10,6ss).


Em outras palavras, não bastam ritos e rituais externos. Todos eles devem expressar a pureza de nosso coração e a caridade nas nossas obras. Se temos tanto tempo para arrumar nosso físico (exterior), devemos ter mais tempo para limpar nosso coração de suas impurezas. O coração é o centro de nosso ser, a fonte de nossa personalidade, o motivo principal de nossas atitudes e escolhas, o lugar da misteriosa ação de Deus. O coração representa o ser humano em sua totalidade, é o centro original da pessoa humana, aquilo que lhe dá a unidade. Quem não cuida de seu interior, para nada valem as coisas externas. Quando algo não sair de nosso coração, também não vai atingir o coração dos outros, muito menos vai chegar ao coração de Deus.


Deixar De Ter Um Coração De Lepra


Tendo Jesus descido do monte, numerosas multidões o seguiam”. Esta frase é antitética com Mt 5,1: “Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte...”. Agora Jesus desceu da Montanha e “numerosas multidões o seguiam”. A descida de Jesus da Montanha marca o passo do ensinamento para a ação.


O evangelista Mateus nos relatou que “um leproso se aproximou de Jesus”.  Mateus usa o verbo “aproximar-se” 54 vezes no seu evangelho. Este verbo está carregado de sentido. A comunidade de Mateus, de origem judia, ao escutar este verbo, sentia que caiam muitas barreiras “do puro e do impuro”. Por isso, Mateus relatou que “Jesus estendeu a mão, tocou no leproso”. O leproso estava verdadeiramente excomungado da comunidade social e cultural de Israel e era declarado “impuro” e marginalizado de toda participação no culto e acreditava-se que era incapaz de aproximar-se de Deus e da sociedade humana (cf. Lv 13,45-46).


Mas o leproso do Evangelho já sabe que, com Jesus, caíram as barreiras e sabe que para Jesus, mesmo sendo leproso, ele é parte da comunidade.


Aproximou-se de Jesus um leproso e lhe suplicou: “Senhor, se queres, podes purificar-me”. A oração desse leproso é breve e confiante.  “Se queres”, disse o leproso. Ele não pede nem exige nada. E acrescenta: “podes purificar-me”. Para o leproso, Jesus é aquele que pode curá-lo e ao mesmo tempo pode reabilitá-lo totalmente, isto é, purificá-lo, eliminar dele todo sinal de impureza, fazendo-o capaz de se aproximar de Deus. E Jesus atendeu ao pedido do leproso: “Eu quero, fica limpo”.


É o primeiro milagre relatado por Mateus logo depois do Sermão da Montanha. A escolha de um leproso para este primeiro milagre para Mateus tem seu significado. Mateus escreveu seu evangelho para os judeus. Em seu contexto cultural e religioso, a lepra era o mal por excelência, uma enfermidade contagiosa que destruía lentamente a pessoa afetada e que era considerada pelos antigos como um castigo de Deus, sinal de pecado que excluía a pessoa afetada da comunidade (Dt 28,27-35; Lv 13,14). O leproso era considerado impuro e fazia impuro tudo que tocava. Por isso, ele era afastado da comunidade. O leproso sofria, então, não somente fisicamente, mas também psicológico e social e religiosamente. E para a lepra não tinha nenhum remédio. O leproso estava condenado à morte. Restava esperar um milagre para sobreviver.


 Mas no meio da falta de solução e de saída Jesus apareceu para superar o problema. Jesus estendeu a mão e tocou nele e disse: “Eu quero. Fica limpo”. A palavra de Deus se torna fato, se for obedecida e praticada. A força salvadora de Deus está na ação de Jesus. De fato, o leproso ficou curado. Podemos imaginar alegria deste homem que era solitário, abandonado, excluído e maldito pela sociedade e agora feliz, pois volta a olhar para o futuro com muita esperança.


A mão estendida, o contato é um sinal de amizade. Jesus se apresenta como amigo do sofredor, do abandonado e se aproxima dele para dizer que o sofredor não está sozinho. Jesus compartilha os dramas da humanidade. Por este humilde gesto Jesus reintegra o leproso curado na sociedade dos que o excluíam. Esta mão estendida é também um gesto de vitória. Esta mão estendida é o gesto de amor. É uma mão pronta para ajudar como ajudou Pedro que estava para afogar. É uma mão que está pronta para ajudar quem se encontra na dificuldade.


Todos nós somos débeis de alguma forma e necessitamos da ajuda permanente de Jesus. Nossa oração, confiada e simples, como a do leproso, se encontra sempre com o olhar de Jesus, com sua vontade de nos salvar. Jesus nos toca com sua mão diariamente. Mas muitas vezes estamos bem anestesiados pelas preocupações e agitações que acabamos não sentindo a mão de Jesus tocando nossa mão. Jesus nos alimenta com o Pão e o Vinho da Eucaristia, tocando nossa vida. Ele nos perdoa através da mão de seus ministros estendida sobre nossa cabeça, tocando e ungindo nossa testa e nossa mão com o óleo santo de batismo, de crisma, dos enfermos.


Olhando para o leproso antes e depois de sua cura, cada um precisa se perguntar: “O que é que faz você perder a esperança lentamente?”. E nesta situaçao, você tem coragem de se aproximar de Jesus e deixar-se tocar por ele para você voltar a ter mais esperança e força para continuar sua luta?


P. Vitus Gustama,svd