terça-feira, 4 de julho de 2017

05/07/2017
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JESUS NOS AMA E VEM NOS LIBERTAR DO MAL


Quarta-Feira Da XIII Semana Comum


Primeira Leitura: Gn 21,5.8-20
5 Abraão tinha cem anos quando lhe nasceu o filho Isaac. 8 Entretanto, o menino cresceu e foi desmamado; e no dia em que o menino foi desmamado, Abraão deu um grande banquete. 9 Sara, porém, viu o filho que a egípcia Agar dera a Abraão brincando com Isaac. 10 E disse a Abraão: “Manda embora essa escrava e seu filho, pois o filho de uma escrava não pode ser herdeiro com o meu filho Isaac”. 11 Abraão ficou muito desgostoso com isso, por se tratar de um filho seu. 12 Mas Deus lhe disse: “Não te aflijas por causa do menino e da tua escrava. Atende a tudo o que Sara te pedir, pois é por Isaac que uma descendência levará o teu nome. 13 Mas do filho da escrava farei também um grande povo, por ele ser da tua raça”. 14 Abraão levantou-se de manhã, tomou pão e um odre de água e os deu a Agar, pondo-os nos ombros dela: depois, entregou-lhe o menino e despediu-a. Ela foi-se embora e andou vagueando pelo deserto de Bersabeia. 15 Tendo acabado a água do odre, largou o menino debaixo de um arbusto, 16 e foi sentar-se em frente dele, à distância de um tiro de arco. Pois dizia consigo: “Não quero ver o menino morrer”. Assim, ficou sentada defronte ao menino, e pôs-se a gritar e a chorar. 17 Deus ouviu o grito do menino e o anjo de Deus chamou do céu a Agar, dizendo: “Que tens Agar? Não tenhas medo, pois Deus ouviu a voz do menino do lugar em que está. 18 Levanta-te, toma o menino e segura-o bem pela mão, porque farei dele um grande povo”. 19 Deus abriu-lhe os olhos, e ela viu um poço de água. Foi então encher o odre e deu de beber ao menino. 20 Deus estava com o menino, que cresceu e habitou no deserto, tornando-se um jovem arqueiro. 21 Morou no deserto de Farã, e sua mãe escolheu para ele uma mulher no país do Egito.


Evangelho: Mt 8,28-34
Naquele tempo, 28 quando Jesus chegou à outra margem do lago, na região dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois homens possuídos pelo demônio, saindo dos túmulos. Eram tão violentos, que ninguém podia passar por aquele caminho. 29 Eles então gritaram: “Que tens a ver conosco, Filho de Deus? Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?” 30 Ora, a certa distância deles, estava pastando uma grande manada de porcos. 31 Os demônios suplicavam-lhe: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”. 32 Jesus disse: “Ide”. Os demônios saíram, e foram para os porcos. E logo toda a manada atirou-se monte abaixo para dentro do mar, afogando-se nas águas. 33 Os homens que guardavam os porcos fugiram e, indo até a cidade, contaram tudo, inclusive o caso dos possuídos pelo demônio. 34 Então a cidade toda saiu ao encontro de Jesus. Quando o viram, pediram-lhe que se retirasse da região deles.
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Os Conflitos Se Resolvem Quando Voltamos Para a Origem De Nossa Existência


Abraão tinha cem anos quando lhe nasceu o filho Isaac. Entretanto, o menino cresceu e foi desmamado; e no dia em que o menino foi desmamado, Abraão deu um grande banquete”.


Finalmente o filho da promessa, o filho que era esperado entre esperança e desespero, entre certeza e dúvida, nasceu: Isaac que significa “Deus sorri” ou “Deus é propício”. Quem governa o curso da vida e quem domina o tempo é o próprio Deus. Tudo tem sentido a partir de Deus. Vale a pena esperar em Deus, apesar de tudo. A partir da fé, somos convidados a ter fé maior do que nossos medos e a ter força tão grande como nossa fé. Nos nossos limites e limitações precisamos colocar nossa fé em Deus, Dono do curso da vida. O homem é convidado a realizar o possível, pois Deus faz o impossível.


Mas entre as conquistas e as realizações entra também algum conflito. Dentro de uma família, os conflitos podem se tronar uma grande miséria. O relato nos diz: “Sara, porém, viu o filho que a egípcia Agar dera a Abraão brincando com Isaac. E disse a Abraão: ‘Manda embora essa escrava e seu filho, pois o filho de uma escrava não pode ser herdeiro com o meu filho Isaac’”.


Sara tem ciúmes de Abraão porque este olha com bons olhos a Ismael e à sua mãe, a escrava Agar. Por um momento, o protagonista da história é Ismael, o primogênito, mas que não é o que vai prolongar a linha da promessa, segundo os misteriosos desígnios de Deus.


Abraão é obrigado a despedir Agar e seu filho, Ismael, e ambos empreendem uma amarga viagem ao deserto com momentos de desespero. Mas Deus pensa também nesse menino, Ismael: “Deus ouviu o grito do menino e o anjo de Deus chamou do céu a Agar, dizendo: ‘Que tens Agar? Não tenhas medo, pois Deus ouviu a voz do menino do lugar em que está. Levanta-te, toma o menino e segura-o bem pela mão, porque farei dele um grande povo’”. Ismael significa “Deus ouve”.


O Salmo Responsorial parece personificar a oração de Agar e de seu filho, Ismael, no deserto: “Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda a angústia. O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva” (Sl 33). E a primeira leitura termina com a seguinte frase: “Deus estava com o menino, que cresceu e habitou no deserto, tornando-se um jovem arqueiro”. Diante de Deus não há nem o filho legítimo nem o filho escravo. Todos são amados por Deus.


Nas nossas angústias e no nosso desespero precisamos manter nossa fé e oração, pois há coisas na vida que não possam ser resolvidas com a força humana. Somente com oração! Rezar é estar no céu apesar de os pés pisarem sobre a terra. Rezar é entrar no espaço sagrado com os pés descalçados e o rosto sem máscara. Para Deus nós somos o que somos no momento.


Ismael vai ser o pai dos ismaelitas, nômadas do deserto, e os árabes que se referem de bom grado a Abraão como seu pai e origem.


Abraão, aos cem anos de idade, foi pai de Isaac. Ante havia tido com a escrava Agar outo filho: Ismael. Ambos são pais simbólicos do povo judeu e do povo árabe. A tradição judaica põe o acento na predileção de Abraão por Isaac. Mas não devemos esquecer o que se diz ao final do fragmento em referência ao filho da escrava: “Deus estava com o menino, que cresceu e habitou no deserto, tornando-se um jovem arqueiro”. Judeus e árabes teriam que sentar-se juntos e encontrar seu ponto de encontro no patriarca Abraão, pai comum de ambos. Esta solução tem uma força simbólica inimaginável.


Mas reconhecemos, a partir do Evangelho deste dia, que nem sempre a “nova ordem” de Jesus em que o ser humano precisa ser amado e protegido mais do que os animais/porcos (interesses egoístas) é aceitável. “A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro”, escreveu São Paulo ao Timóteo (1Tm 6,10).  O homem sempre prefere a “velha ordem” para manter os interesses materialistas a amar o próximo. São João nos recorda: “Se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê" (1Jo 4,20).


É Preciso Acreditar Em Jesus Porque Ele É Mais Forte Do Que o Mal


Depois que acalmou a tempestade na cena do evangelho anterior, desta vez Jesus libertou (curou) dois enfermos dando-lhes uma nova oportunidade na vida. O ato de Jesus de libertar os dois enfermos mostra que Deus da Bíblia é o Deus que entende a realidade humana e chama o ser humano a experimentar seu amor misericordioso para poder usufruir a vida dignamente.


O milagre da libertação dos dois possuídos na região dos gadarenos está cheio de símbolos. Mateus usa vários termos nesta cena para nos levar ao sentido da cena e o sentido da presença de Jesus nessa região: dois possuídos, violentos, moram entre os túmulos (cemitério), e uma manada de porcos está por perto deles. “Túmulo” é o lugar dos mortos ou onde os mortos são enterrados. É o lugar dos impuros, como também impuros são os porcos segundo os judeus. Ao dizer que os dois homens estão “saindo dos túmulos” o texto quer nos dizer que os dois pertencem aos descartáveis, estão no nível inferior da sociedade, vivem fisicamente nas margens, longe de núcleos familiares, estão em condições de mortos em vida e estão em rebelião contra a sociedade que os oprimem (violentos).


Precisamos nos lembrar daqueles que vivem desta maneira na nossa sociedade atual, especificamente na nossa cidade onde moramos atualmente. Quem são os descartáveis nas nossas cidades ou sociedade? Que não os vejamos como algo normal porque sempre passamos por eles diariamente. É sempre uma situação desafiadora para qualquer cristão, é uma situação que nos inquieta.


Os dois, mortos em vida, vão ao encontro da Vida por excelência, que é Jesus Cristo (Jo 14,6). Mas eles se aproximam de Jesus de maneira antagônica e fazem duas perguntas rápidas: 1). “Que queres de nós, Filho de Deus?”. Eles se dirigem a Jesus como Filho de Deus e O reconhecem como homem de Deus. 2). “Tu vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”. Esta segunda pergunta revela a consciência do papel de Jesus como juiz escatológico, aquele que julga no fim dos tempos (Mt 25,31-46). O tempo do julgamento alvorece no ministério de Jesus embora ainda não seja plenamente.


Sem responder às perguntas Jesus os libertou e devolveu-lhes sua dignidade como filhos de Deus e os integrou novamente na comunidade, mostrando que o poder de Jesus é superior ao mal e ao mau e o vence eficazmente.


O milagre da libertação dos possuídos não produz muito efeito para os habitantes locais, que pedem a Jesus que se retire do seu território. Eles consideram Jesus como culpado pela perda de uma manada de porcos e não lhe agradecem pela libertação dos dois homens de seus males. Jesus vai em busca dos corações dóceis ao seu poder.


Isto significa que continua a oposição contra o plano de Deus como a tempestade contra a barca onde Jesus se encontrava. A existência alternativa do discipulado, seguindo o compromisso de Jesus para beneficiar aos excluídos, marginalizados e abandonados significa conflito porque ameaça os interesses criados pela elite de grande interesse pessoal da sociedade. Mas no coração aberto para a graça de Deus vai morar a salvação. Onde há o encontro com a Vida por excelência ali há libertação. 


Não há lugar para o poder do maligno em um mundo onde entrou ou deixa entrar o poder salvífico de Deus. E Jesus continua sua luta contra o mal. E nós com Ele. É o mal que há dentro de nós e o mal que há no mundo. É o mal dentro da Igreja e fora dela. É o mal entre os líderes da Igreja e entre os seus membros. E Jesus continua sendo forte, e nós com Ele. E no Pai Nosso pedimos sempre a Deus: “Livrai-nos do mal”, que também pode ser traduzido “livrai-nos do mau, do nocivo”.  Quando vamos comungar o Pão da Vida somos lembrados que Jesus é Aquele que tira o pecado do mundo. E somos enviados depois da comunhão a ajudar os outros a se libertarem de seus males. Devemos ser bons transmissores dessa vida recebida na comunhão para os demais para eles alcancem sua libertação e sua liberdade e vivam gozosamente sua vida. Onde houver espaço para o Bem e para o bem, não sobrará espaço para o mal. Jesus foi para a região dos gadarenos para que tenha espaço para o bem eliminando o mal daquele lugar. Somos enviados para que o bem tenha lugar na vida dos homens.


O poder de Jesus vence qualquer outro poder. Por isso, há um só poder com que nós devemos contar: o poder de Deus. “Quem não conta com Deus, não sabe contar” (B. Pascal). Crer verdadeiramente em Jesus, com todas as consequência deste crer, é ser vitorioso, pois Deus tem a ultima palavra sobre os homens. Mesmo que o mal tenha uma aparência poderosa, ele não tem futuro. Somente o bem tem a marca do futuro, uma marca divina, uma marca da eternidade.


Será que somos como os gadarenos que desaprovam a presença de Jesus Cristo, nosso libertador de nossos males? Que lugar ocupa Jesus nossa vida e que lugar ocupam os bens materiais na nossa vida. Os gadarenos preferem perder Jesus a perder seus bens (porcos). Precisamos pedir a Jesus que nos liberte das cadeias que nos atam, dos males que nos possuem, das debilidades que nos impedem de uma marcha ágil em nossa caminhada cristã. E temos nos esforçar para corrigir nossos erros. Não corrigir os nossos erros é uma maneira de cometer novos erros.


P. Vitus Gustama,svd

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