terça-feira, 31 de janeiro de 2017


04/02/2017
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DESCANSO NECESSÁRIO COM JESUS, NOSSO PASTOR ETERNO


Sábado Da IV Semana Do Tempo Comum


Primeira Leitura: Hb 13,15-17.20-21


Irmãos, 15 por meio de Jesus, ofereçamos a Deus um perene sacrifício de louvor; isto é, o fruto dos lábios que celebram o seu nome. 16 Não vos esqueçais das boas ações e da comunhão, pois estes são os sacrifícios que agradam a Deus.  17 Obedecei aos vossos líderes e segui suas orientações, porque eles cuidam de vós como quem há de prestar contas. Que possam fazê-lo com alegria, e não com queixas, que não seriam coisa boa para vós. 20 O Deus da paz, que fez subir dentre os mortos aquele que se tornou, pelo sangue de uma aliança eterna, o grande pastor das ovelhas, nosso Senhor Jesus, 21 vos torne aptos a todo bem, para fazerdes a sua vontade; que ele realize em nós o que lhe é agradável, por Jesus Cristo, ao qual seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém!


Evangelho: Mc 6,30-34


Naquele tempo, 30os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. 31Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. 32Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. 33Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a , e chegaram antes deles. 34Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.
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Nosso Sacerdócio No Sacerdócio de Cristo


Terminamos hoje a leitura da Carta aos hebreus, que tem nos acompanhado durante quatro semanas que serve como a Primeira Leitura da celebração eucarística.


A Carta termina com uma exortação que resume toda a doutrina da Carta: o Sacerdócio de Cristo e nossa participação no Seu sacerdócio, e nossa perseverança na fé. A Carta nos pede para que nós mesmos ofereçamos a Deus, como sacerdotes, o sacrifício e a oferenda de nossa vida: “Irmãos, por meio de Jesus, ofereçamos a Deus um perene sacrifício de louvor; isto é, o fruto dos lábios que celebram o seu nome. Não vos esqueçais das boas ações e da comunhão, pois estes são os sacrifícios que agradam a Deus.”.


Fazemos tudo isso espelhando-nos em Cristo, o Sacerdote único e eterno. Sobre o sacerdócio de Cristo, a Carta nos evoca com uma imagem bela e familiar, o núcleo da fé cristã: “O Deus da paz fez subir dentre os mortos aquele que se tornou, pelo sangue de uma aliança eterna, o grande pastor das ovelhas, nosso Senhor Jesus”. Cristo é o motivo e centro da Carta: com sua vida, sua fidelidade a Deus e a nós, seus irmãos; com sua morte nos libertou do egoísmo e do ódio, nos fez capazes de oferecer a Deus, já não sacrifícios de animais como os do AT e sim a oferenda pacifica de nossa própria vida, nossas orações, nossa caridade e solicitude com os necessitados.


O verdadeiro sacerdócio consiste, então, no serviço. Não é o sacerdócio ritualista de cerimônias e de gestos deslumbrantes e sim o que promove a fraternidade e procura trazer a felicidade de Deus aos irmãos. Não é sacerdócio interessado dos homens e sim o sacerdócio desinteressado de Jesus Cristo que deu Sua vida por nós, como um pastor por suas ovelhas (cf. Jo 10,11-15). O Senhor encarna a bondade misericordiosa de Deus para todos nós. Ele se compadece de nossos males e nos chama à fraternidade, à justiça e à paz entre nós.


Jesus Cristo, o Bom Pastor, dá Sua vida pelas suas ovelhas em todo momento, também quando nem tem tempo para comer. Ali está Cristo, buscando um tempo para descansar em companhia de seus discípulos, mas as almas necessitadas de Deus O procuram para que lhes dê o que mais necessitam: AMOR (cf. Mc 6,34).  Cristo é como o pai que, depois de uma jornada cansativa e agitada, volta para a casa com o único desejo de descansar. Mas não tem em conta de que ali estão os filhinhos que lhe esperam para jogar ou brincar um pouco antes de ir-se à cama. Ao ver que seus filhinhos lhe pedem algo, que humanamente lhe é impossível pelo cansaço, o pai tira suas últimas forças, dando-lhes o melhor de si para poder jogar ou brincar a fim de que seus filhinhos possam ser felizes.


Não importam as dificuldades para quem ama. Quando ama de verdade, então, tudo fica em segundo plano. O primeiro é a felicidade daqueles que ele ama. Assim é Cristo com nós. Cristo é o verdadeiro Pastor em quem todos os cristãos, no exercício de seu sacerdócio comum, e em quem todos os sacerdotes ministeriais (pelo sacramento da ordem), possam se espelhar. Em Cristo encontramos o verdadeiro sacerdócio que todos os cristãos devem levar em conta na sua vida diária.


Muitos cristãos não têm consciência da existência do sacerdócio comum como batizados e do sacerdócio ministerial. O Concílio Vaticano II, através da Constituição Dogmática Lumen Gentium Sobre a Igreja quer nos relembrar sobre este sacerdócio: “Cristo Nosso Senhor, Pontífice escolhido de entre os homens (cfr. Hebr. 5, 1-5), fez do novo povo um ´reino sacerdotal para seu Deus e Pai´. Na verdade, os batizados, pela regeneração e pela unção do Espírito Santo, são consagrados para serem casa espiritual, sacerdócio santo, para que, por meio de todas as obras próprias do cristão, ofereçam oblações espirituais e anunciem os louvores daquele que das trevas os chamou à sua admirável luz (cfr. 1 Ped. 2, 4-10). Por isso, todos os discípulos de Cristo, perseverando na oração e louvando a Deus (cfr. At 2, 42-47), ofereçam-se a si mesmos como hóstias vivas, santas, agradáveis a Deus (cfr. Roma 12,1), deem testemunho de Cristo em toda a parte e àqueles que lha pedirem deem razão da esperança da vida eterna que neles habita (cfr. 1 Ped. 3,15). O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico, embora se diferenciem essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se mutuamente um ao outro; pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo. Com efeito, o sacerdote ministerial, pelo seu poder sagrado, forma e conduz o povo sacerdotal, realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo e oferece-o a Deus em nome de todo o povo; os fiéis, por sua parte, concorrem para a oblação da Eucaristia em virtude do seu sacerdócio real, que eles exercem na recepção dos sacramentos, na oração e ação de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade operosa” (LG 10).


Nossa vida cristã deveria ser um culto agradável a Deus. O “Sim” de Cristo ao Pai, no Espirito Santo, faz possível nosso “Sim”: “Por Cristo, já podemos dizer ´Sim´ a Deus” (2Cor 1,20). Este “Sim” encontra eco em todo coração que se faz transparente diante do olhar de Deus. Assim, nossa vida se converte em oração e missão, isto é, em abertura aos planos salvificos e universais de Deus. Deus não espera grandes coisas de nós e sim somente que tenhamos um coração aberto, e que saibamos fazer nosso o “Sim” de Jesus Cristo ao Pai. Nossa verdadeira riqueza consiste nesta capacidade de pronunciar continuamente o “Sim” de Jesus ao Pai em meio de todas as circunstâncias de nossa vida cotidiana.


Descansar e Servir Com Cristo


1. Revisão Da Vida Apostólica


Anteriormente Jesus chamou os Doze para depois enviá-los à missão (Mc 6,7-13). Depois de sua primeiramissão”, os discípulos voltaram a se reunir com Jesus: “Naquele tempo, os apóstolos reuniram-se com Jesus...


Muitos cristãos compreendem hoje que sua se torna robusta quando decidem reunir-se, no espírito do Senhor, com outros irmãos para partilhar e dialogar sobre sua . Este é um dos sentidos da assembleia eucarística dominical: depois de sua missão durante a semana, os cristãos se reúnem junto a Jesus na companhia de outros irmãos da .


Os apóstolos contaram tudo (a Jesus) o que haviam feito e ensinado”. Trata-se de uma revisão da vida apostólica. Esta revisão de nossa vida com Jesus é uma das formas mais úteis de nossa oração. Cada noite nós deveríamos criar ocasião pararelatar” a Jesus “o que temos feito”. Se fizermos isso diariamente, a nossa participação na celebração eucarística dominical ficará mais rica e profunda.


2. Descansar com Jesus Uma solicitude pastoral


Depois de ouvir seu relato Jesus convidou os Apóstolos: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”.  Trata-se de uma necessidade de silêncio, de recolhimento, de solidão. É essencial para os homens de todas as épocas, especialmente é indispensável para o homem moderno na agitação de vida de hoje.


A resposta de Jesus se concreta em levá-los com Ele para um lugar onde ninguém possa perturbá-los para descansar com Ele e n’Ele. Esse convite nos recorda aquilo que o próprio Jesus disse no evangelho de Mateus sobre a importância do descanso com o Senhor e no Senhor: “Vinde a Mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e Eu vos darei descanso” (Mt 11,28). Jesus conjuga muito bem o trabalho e a oração. Dedica-se prioritariamente à evangelização, mas sabe buscar momentos de silêncio e oração para si e para os seus, mesmo que dure apenas pouco tempo como aconteceu no relato do evangelho de hoje.


Convidar os discípulos para descansar na solidão também é um gesto muito humano de Jesus. Jesus sabe o que é a fatiga e busca, muitas vezes, a solidão (no monte, no campo ou de noite). O ativismo nos esgota e empobrece. Não é bom o “stress”, ainda que seja espiritual. Quando não há o equilíbrio interior, todos cairão no nervosismo e diminuirá a eficácia humana e evangelizadora. Necessitamos da paz e da serenidade. Todos os que trabalham, também pelo Reino, necessitam de uma certa serenidade e um certo equilíbrio mental e psíquico. As pessoas que trabalham pelo Reino têm que ser pessoas de paz e de serenidade.


O trabalho de um verdadeiro pastor ou de qualquer líder cristão não é fácil, pois ele tem que manter a unidade e a segurança do seu rebanho. Por isso, quem é enviado como pastor, e, quem é encarregado de ser líder dos outros numa comunidade necessita de descanso. Mas o descanso dos pastores e dos líderes cristãos é feito com e no grande Pastor. Eles fazem seu descanso no Pastor dos pastores. O descanso dos pastores consiste em saberestarcom Jesus: escutá-Lo, viver com Ele, aprofundar em sua comunhão de vida como pastor. É aprender do grande Pastor sobre como deve conduzir e rebanhar as ovelhas do qual ele próprio faz parte. As ovelhas são do Senhor (Jo 21,17) e não dos líderes.


Esse convite para descansar com e no Senhor é a primeira solicitude de Jesus como Pastor para aqueles que são encarregados de alguma tarefa na comunidade de irmãos. Esse convite tem como característica a comunhão de ministério com Jesus. Essa comunhão ajudará os pastores e os demais líderes da comunidade a terem a mesma solicitude de Jesus para com todos e para com a multidão que, em cada momento da história vive “como ovelhas sem pastor”, pois o pastor é Jesus e somente Ele. Entender isso significa entender a grande missão dos que são enviados, em Seu nome, com o objetivo de conduzir a humanidade para o grande Pastor, Jesus Cristo.


3. Somos Chamados a Ser Seguidores Compassivos como Jesus


Depois de um rápido descanso dos Doze com Jesus o evangelista Marcos nos relatou com as seguintes palavras: Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.


Esta frase reproduz a situação refletida em 1Rs 22,17: “Vejo todo o Israel espalhado pelas montanhas como um rebanho sem pastor” (cf. Nm 27,17). Trata-se de uma imagem clássica na literatura bíblica no contexto de acusação aos pastores que não cumprem sua missão de rebanhar (unir e reunir) suas ovelhas. E Jesus se apresenta como o verdadeiro Pastor, pois elesua vida pelo rebanho (Jo 10,14-15).


Cristo é o Bom Pastor (Jo 10,11-15). EleSua vida em todo momento, também quando não lhe resta tempo nem para comer. Ali está Ele, buscando um tempo para descansar em companhia de seus discípulos, mas para os necessitados de Deus, Ele oferece Seu amor. é como o pai de uma família que, depois de uma jornada cansativa, volta para casa com o único desejo de descansar. Mas ao ver que seus filhos lhe pedem algo que lhe é impossível humanamente, tira suas últimas forças para brincar e fazer felizes seus filhos, dando-lhes o melhor de si, ainda que o corpo exija um descanso.


Os cristãos dentro da comunidade, de um modo ou de outro, participam do serviço pastoral para com os demais, imitando e representando Jesus Cristo, Pastor de todos. Onde estiver e para onde for, o cristão faz tudo em nome de Cristo. Ele representa Cristo em qualquer lugar. Ele é cristão para todos os momentos e lugares.


Jesus teve compaixão da multidão que vivia sem nenhuma orientação e começou a ensinar-lhes muitas coisas. Jesus teve tempo para a multidão necessitada. Ter tempo para os demais, especialmente para os necessitados é o ponto alto de uma vocação pastoral na Igreja de Jesus. Isso supõe a renúncia aos próprios planos, interesses e horários em função do bem de todos. O cristão existe para servir os demais.


O mundo de hoje continua a estar desorientado comoovelhas sem pastor”, pois, no meio do avanço tecnológico, muitas pessoas morrem de fome. No meio da democracia ainda se encontram os ditadores que adormentam e sacrificam os pequenos e inocentes da sociedade. No meio de tanta facilidade tecnológica encontram-se os imprudentes que fazem tantas famílias chorarem pela perda de seus entes-queridos precocemente. No meio da luta pela solidariedade global encontram-se os gananciosos capazes de pisar sobre os outros em nome do prazer. O perigo e o prazer crescem no mesmo ramo. O fato de que em nossa civilização tão avançadatantos homens morrem de fome ou são vítimas de uma guerra ou de um poder desenfreado, ou de uma imprudência, demonstra que os chefes que dirigem atualmente o mundo não olham para o povo e sim para os próprios interesses ou para os interesses partidários. É preciso ter progresso na verdade, na justiça na caridade.


Cristo quer que todos os cristãos ajudem esta humanidade a encontrar os caminhos da verdade e da felicidade, da paz e do verdadeiro progresso. Ser seguidor de Cristo significa aprender a olhar para os outros com um coração cheio de carinho, ser responsável pelos outros irmãos e falar-lhes do sentido da vida. A maneira com que tratamos um ser humano é a forma com que tratamos a nosso Senhor. Isso não exige explicação e sim contemplação (cf. Mt 25,40.45). O dia mais desperdiçado de todos é aquele no qual não conseguimos fazer alguém sorrir ou deixamos de fazer o outro sorrir. Um sorriso não custa tanto quanto a eletricidade, no entanto, ilumina muito mais do que ela.

P. Vitus Gustama,svd

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

03/02/2017
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SER HOSPITALEIRO E SER DEFENSOR E TESTEMUNHA DA VERDADE


Sexta-Feira da IV Semana do Tempo Comum


Primeira Leitura: Hb 13,1-8


Irmãos, 1 perseverai no amor fraterno. 2 Não esqueçais a hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber. 3 Lembrai-vos dos prisioneiros, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, pois também vós tendes um corpo! 4 O matrimônio seja honrado por todos e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os imorais e adúlteros.  5 Que o amor ao dinheiro não inspire a vossa conduta. Contentai-vos com o que tendes, porque ele próprio disse: “Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei”. 6 De modo que podemos dizer, com ousadia: “O Senhor é meu auxílio, jamais temerei; que poderá fazer-me o homem?” 7 Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a palavra de Deus, e considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé. 8 Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade.


Evangelho: Mc 6,14-29


Naquele tempo, 14o rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo nome se tinha tornado muito conhecido. Alguns diziam: “João Batista ressuscitou dos mortos. Por isso os poderes agem nesse homem”. 15Outros diziam: “É Elias”. Outros ainda diziam: “É um profeta como um dos profetas”. 16Ouvindo isto, Herodes disse: “Ele é João Batista. Eu mandei cortar a cabeça dele, mas ele ressuscitou!” 17Herodes tinha mandado prender João, e colocá-lo acorrentado na prisão. Fez isso por causa de Herodíades, mulher do seu irmão Filipe, com quem se tinha casado. 18João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. 19Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. 20Com efeito, Herodes tinha medo de João, pois sabia que ele era justo e santo, e por isso o protegia. Gostava de ouvi-lo, embora ficasse embaraçado quando o escutava. 21Finalmente, chegou o dia oportuno. Era o aniversário de Herodes, e ele fez um grande banquete para os grandes da corte, os oficiais e os cidadãos importantes da Galileia. 22A filha de Herodíades entrou e dançou, agradando a Herodes e seus convidados. Então o rei disse à moça: “Pede-me o que quiseres e eu te darei”. 23E lhe jurou dizendo: “Eu te darei qualquer coisa que me pedires, ainda que seja a metade do meu reino”. 24Ela saiu e perguntou à mãe: “Que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista”. 25E, voltando depressa para junto do rei, pediu: “Quero que me dês agora, num prato, a cabeça de João Batista”. 26O rei ficou muito triste, mas não pôde recusar. Ele tinha feito o juramento diante dos convidados. 27Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, 28trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe. 29Ao saberem disso, os discípulos de João foram , levaram o cadáver e o sepultaram.
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I.            Exortação Para Viver a Vida Cristã


Esta passagem final da Carta aos hebreus, que lemos na Primeira Leitura, é uma espécie de proscrito parenético (discurso moral), pois o tom é muito diferente dos primeiros capítulos. Porém não se pode pôr em dúvida da autenticidade de Hb 13.


No texto de hoje o autor da Carta coloca as condições de vida cristã na ordem social e comunitária de cada dia. O autor recomenda algumas atitudes morais muito práticas. Para ele a fé tem que ser traduzida em condutas e compromissos concretos.


1.O amor fraterno Que Se Expressa Na Hospitalidade


“Irmãos, perseverai no amor fraterno. Não esqueçais a hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber. Lembrai-vos dos prisioneiros, como se estivésseis presos com eles, e dos que são maltratados, pois também vós tendes um corpo!”.


O autor da Carta exorta a todos os leitores, inclusive a nós todos, que temos que amar os demais porque participamos da mesma condição humana, e porque o sofrimento dos outros pode ser algum dia o nosso. Em cada ser humano Deus quer nos relembrar que somos seres humanos como aquele ser humano que está na nossa frente. Do jeito que ele é encontrado, pode ser o jeito que alguém nos encontrar um dia, pois a vida é como uma roda que sempre gira enquanto estiver funcionando. Quando o movimento parar, cada parte ficará parada no seu lugar. Há que pôr-se no lugar daquele que sofre e fazer por ele o que desejaríamos que os outros nos fizessem em tal situação (cf. Mt 7,12). Se este princípio elementar fosse vivido por cada cristão, haveria muitas soluções para os problemas sociais.


Este amor fraterno se revela sobretudo na hospitalidade e na atenção para os prisioneiros. A razão desta atitude é muito simples: se todos compartimos a condição de transeuntes deste mundo (ser passageiros), todos temos a probabilidade de ser objeto da perseguição e da política quando estivermos vivendo de acordo com os valores cristãos e humanos (cf. 2Tm 3,12).


A hospitalidade também se concretiza no bom atendimento aos hóspedes. O hóspede era considerado como pessoa sagrada e lhe eram devidas todas as atenções e cuidados: “Não esqueçais a hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber”. Aqui se faz referência aos relatos do Livro de Gênesis (Gn 18-19) em que Abraão e Ló solicitam aos personagens misteriosos para hospedarem em sua tenda/casa respectivamente, sem eles saberem que são os anjos do Senhor. Assim, pois, que cada cristão cuide dos hóspedes, pois pode ter tentação de fechar a porta para um enviado de Deus, aquele que traz bênção de Deus para aquela família que fechou a porta.


Em tempos de dificuldades e perseguições, a hospitalidade adquiria dimensões novas: equivalia à proteção do indefeso, do perseguido, do buscador por sua fé. Lembremo-nos dos refugiados em qualquer tempo e época, pessoas arrancadas de sua raiz e são obrigadas a apostar no futuro de Deus. Todos os refugiados poderiam ser eu, você, e nós todos.


2. A Castidade Do Matrimônio


O matrimônio seja honrado por todos e o leito conjugal, sem mancha; porque Deus julgará os imorais e adúlteros”.


O adultério e demais relações sexuais ilícitas eram considerados pelos cristãos entre os pecados mais graves, que eram cometidos no mundo pagão. E era uma convicção clara de que o juízo de Deus recairia implacavelmente sobre os que cometiam tais pecados: “Deus julgará os imorais e adúlteros”.


Nesta Carta o leito nupcial é comparado a um verdadeiro templo, pois a expressão “não manchado” era utilizada correntemente pelos judeus para designar a pureza do Templo (2Mc 14,36; 15,34; Cf. Tg 1,27). O matrimônio é, portanto, para os cristãos um autêntico lugar de culto, e a castidade exigida para este testado é substituído nas antigas leis pela pureza legal.


Por isso, o autor da Carta nos exorta que santificados por Cristo e participantes já do Céu, não podemos nos comportar, na sexualidade, como os que não têm esperança, e limitaram sua vida aqui neste mundo (prazer por prazer).


3. Atitude em relação aos bens materiais: Desprendimento das Riquezas Materiais


Que o amor ao dinheiro não inspire a vossa conduta. Contentai-vos com o que tendes, porque ele próprio disse: ´Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei´”.


É condenada a avareza em relação ao dinheiro. O próprio São Paulo escreveu a Timóteo: “A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro” (1Tm 6,10). É uma avareza que se manifesta na avidez (cobiça) àquilo que se possui e na busca desenfreada das coisas materiais. Na cobiça o avaro é contado entre as coisas materiais, pois na sua vida ele só conta com as coisas e não com as pessoas. Ao fundamentar nossa vida nas coisas materiais excluímos Deus, o Criador daquilo que buscamos, e Sua providência do horizonte de toda a vida humana. Por isso, Cristo condena radicalmente a avareza.


Deus nos recorda: “Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei”. Trata-se da providência divina na vida dos que creem em Deus. É interessante destacar que o versículo que o autor da Carta cita para fazer alusão à providencia divina (Sl 118/119,6) está tomado de um Salmo litúrgico que o povo cantava desde as portas do Templo até o altar dos holocaustos. Através desta citação o autor da Carta põe em destaque sua intenção de deixar claro que toda atitude ética é realmente litúrgica.


Com esta terceira atitude concreta falamos de nossa vida real de cada dia. Efetivamente, nossos exames de consciência deveriam incluir sempre estes três pontos: meu relacionamento com os demais homens e mulheres; meu relacionamento com minha sexualidade e minha atitude diante do dinheiro e das riquezas materiais.


4. Atitude a Respeito Dos Guias/líderes/Dirigentes Da Comunidade


Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a palavra de Deus, e considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé”.


O termo “guia” que designa aos dirigentes/líderes é o mesmo termo que se utiliza para designar os grandes sacerdotes judeus. Para o autor da Carta aos hebreus, esses guias, mestres espirituais dos quais ele escreveu, são os representantes de Cristo entre nós: sua “palavra” é um reflexo da “Palavra de Deus”. Por isso, deveríamos rezar muito por estes representantes de Cristo para que, inspirados pelos ensinamentos de Cristo, possam nos guiar no caminho do Senhor.


Por fim, o autor quer nos relembrar que os dirigentes mudam, mas o Chefe permanece. Os pastores se sucedem, mas o Pastor dos pastores permanece, pois “Jesus Cristo é o mesmo, ontem e hoje e por toda a eternidade”. A fé nele deve ser imutável. Devemos crescer no conhecimento e no amor a este Jesus que permanece sempre em sua atitude de entrega por nós.


II.       Ser Testemunha e Defensor Da Verdade, Pois Deus É a Verdade


Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”, disse João Batista a Herodes. Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe”.


Estamos numa seção nova do relato de Marcos. Trata-se da seção Jesus e seus discípulos (Mc 6,6b-8,30). Enviados por Jesus (Mc 6,7-13), os discípulos vão Lhe dizer que o povo se converteu e realizaram muitos milagres em Seu nome. Na sua volta da missão, os discípulos são convidados por Jesus para ir com Ele a um lugar solitário, a sós. Nunca chegará a realizar perfeitamente esse convite, mas este convite marca o tom da seção: tem que seguir estando com Jesus (cf. Mc 3,13), aprendendo, refletindo sobre seu ser com Jesus, e, sobretudo, penetrando no mistério de Jesus para educar-se na n’Ele. Não se pode ser discípulos, continuadores de Sua obra sem entregar-se totalmente a Ele, sem crer n’Ele, pois sem a não se consegue dizer quem é Jesus.


A partir da experiência dos discípulos nós também necessitamos refletir sobre nosso estar com Jesus e deixar-nos guiar e ajudar por Ele para alcançar uma enraizada em convicções mais profundas.


1. Jesus Incomoda Os Injustos, e Serena Os Justos


Enquanto os Doze Apóstolos estão em missão (Mc 6,7-13), o evangelista Marcos volta a falar de seu tema principal: Quem é Jesus? Agora Jesus é muito conhecido pela multidão e por isso, sua fama se espalha rapidamente ao redor.


A fama de Jesus chegou também aos ouvidos de Herodes. O texto diz que Herodes ouviu falar de Jesus. E diante dos testemunhos e opiniões do povo simples sobre Jesus, Herodes disse: “Ele é João Batista. Eu mandei cortar a cabeça dele, mas ele ressuscitou!”. O simples incomoda a consciência dos grandes. O simples é a voz de Deus, pois para o simples tudo é divino e para Deus tudo é simples. A simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria dos santos.


Herodes não está orgulhoso de sua conduta, pois ele mandou matar João Batista injustamente. Esta conduta o faz inquieto. A presença de Jesus desperta sua consciência adormecida de sua culpa. Mas ele não quer aceitar Jesus, o Príncipe da Paz, e por isso, continua inquieto. Agora é que ele escuta sua consciência. E como sua consciência o incomoda!


Será que eu ouço meu coração? Será que a presença de Jesus incomoda meu coração adormecido? Será que aceito a presença de Jesus para serenar meu coração inquieto? O que me incomoda ao lembrar-me dele? Como posso sair dele? “Meu coração continua inquieto enquanto não repousar no Senhor”, dizia Santo Agostinho.


2. João Batista: Firme Na Defesa da Verdade e Valente Na Denúncia Do Mal


Herodes apreciava João Batista apesar da denúncia, pois o Batista era um homem honrado, ético, íntegro, santo e de caráter. Mas a debilidade desse rei volúvel e as intrigas da mulher e de sua filha acabaram com a vida do último profeta do AT, o Precursor do Messias: João Batista.


Herodes é um rei orgulhoso no sentido de prepotente e arrogante. Ele se orgulha de seu poder e pode usá-lo para qualquer fim. Um orgulhoso, como Herodes, possui todos os vícios: egoísta, injusto, imoral. Como egoísta ele coloca sua pessoa no centro de tudo. Ele é a própria lei. Como injusto, ele não respeita os direitos dos outros. E como imoral, ele não respeita moral alguma. Ele quer entender somente seu Ego e “conversacom seu orgulho. Mas ele impõe moral para os demais e para ele próprio está livre de qualquer princípio moral, pois ele se acha o próprio princípio.


Herodes é um misto de fraqueza e arrogância, de vilania e prepotência, de covardia e insolência. Ele é um velhaco. Um velhaco é covarde quando deveria ser corajoso, e torna-se impiedoso e cruel quando deveria ser clemente. Todo orgulhoso é fraco. Herodes, um rei débil, se converte em instrumento de vingança de uma mulher. Ele foi usado por uma mulher cheia de vingança e ódio no seu coração em nome da falsidade e de interesse pessoal. João Batista foi uma vitima de um poder. Herodes abusa da riqueza e do poder. Entregue totalmente aos prazeres, torna-se presunçoso e arrogante. O dominador se deixa enganar por uma bailarina e por sua vingativa mãe.  Age de maneira covarde e cruelmente, transformando-se em assassino de um inocente.


O homem da verdade pode ser eliminado, mas a própria verdade não cabe em qualquer túmulo, pois ela habita na consciência do homem e ressuscita toda vez que for enterrada.


A figura de João Batista é admirável por seu exemplo de interesse na defesa da verdade e sua valentia na denúncia do mal. Ele se torna conhecido pela sua firme defesa da verdade. Por causa da verdade vivida pelo João Batista, nem o rei feroz escapa de ser denunciado. Sua figura frágil não se intimida diante da fúria do rei Herodes e de sua concubina. Ele não teme pagar preço da verdade e de sua liberdade. Ele deve fidelidade a Deus, Suprema Verdade (Jo 14,6; cf. Jo 8,31-32).


3. Ser Cristão Coerente A Exemplo De João Batista


De João Batista aprendemos, sobretudo, seu firme caráter e a coerência de sua vida com o que prega e fala. Ele sempre vive na verdade e pela verdade. Prepara os caminhos do Messias, pregando a conversão. Mostra claramente o Messias quando apareceu. Não quer usurpar nenhum papel que não lhe corresponde: “Que Jesus cresça e eu diminua”, humildemente confessa (Jo 3,30). Aprendemos também de João Batista que o serviço do Reino da verdade e do amor comporta também o testemunho da verdade e do amor capaz de ter risco de “perdernossa vida. O testemunho de João Batista, o profeta da verdade, inspira a quem se torna o homem da verdade.


Haverá ocasiões em que também teremos que denunciar o mal onde existe. Faremos tudo isto com palavras valentes, mas, sobretudo, com uma vida coerente que por si mesma será um sinal profético no meio de um mundo que persegue os valores verdadeiramente humanos e cristãos.


João Batista foi um grande defensor da verdade. A verdade é, às vezes, doce, às vezes, amarga. Porém, quando é amarga, possui propriedades que curam” (Sto. Agostinho. Epist.110). “Quem recusa a verdade é como um cego banhado pelo sol sem beneficiar-se de sua luz. Quem aceita a verdade e depois não a segue padece uma cegueira convencional” (idem. De doc. christ I, 9,9). Estejamos atentos de que como Deus não faz ouvir Sua voz para desmentir ninguém, encontramos muitos porta-vozes que se contradizem. Mas o próprio coração é o Supremo Tribunal para cada um de nós.


Para Refletir


Muitas vezes acontece que os defeitos dos outros são os nossos enxergados nos outros. Será que não existe um pequeno Herodes em nós? Ou, pelo menos, será que ele está adormecido e que pode acordar e se levantar em qualquer hora com sua fúria incontrolável? Estejamos vigilantes! Pare e pense! Reflita e não reaja! Fazer sem pensar pode sacrificar muitos inocentes.


“O homem, no que tem de animal, é violento, mas no que tem de espiritual, é não-violento. No momento em que ele se torna consciente do espírito interior, não pode permanecer violento. Jesus viveria e morreria em vão se não conseguisse nos ensinar a ordenarmos toda a nossa vida pela lei eterna do amor (Mahatma Gandhi).

P. Vitus Gustama,svd